Júnior Gurgel

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Jornalista e memorialista

LULA ARRISCOU MEDIR SUA POPULARIDADE E FOI VAIADO NO ENCONTRO COM PREFEITOS

            Com um público de 11 mil pessoas – inscritos através do site da CNM – estima-se que 95% dos 5.565 prefeitos do Brasil, estiveram ontem (21/05/2024) em Brasília, participando da XXV edição da Marcha dos Prefeitos, evento organizada pela Confederação Nacional dos Municípios, realizado anualmente, iniciado em 1998.

            Como se tratava de um ato solene, o presidente Lula resolveu participar do seu principal momento, ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do Chefe da Casa Civil, ex-governador da Bahia Rui Costa. Deve ter imaginado – e talvez até sido aconselhado – a testar ou “desmistificar” a sua indiscutível rejeição, que ele se recusa aceitar.

Entretanto, o ambiente seleto o favorecia. Lá estava o Nordeste – segundo Institutos de Pesquisas – seu maior reduto, marcando presença cerrada. O público era composto de autoridades municipais (Prefeitos, vice e Secretários). Não haveria debate político, e ele aproveitaria o ensejo, para “faturar popularidade”, anunciando que pelo menos neste ano de 2024, os municípios com população de até 120 mil habitantes, estariam fora da reoneração da folha de pagamentos.

Lula esqueceu – talvez lapso de memória – que ele, além de vetar a desoneração da folha de pagamentos de 17 setores da economia, barrou a inclusão dos municípios. Ajuizou ação no STF, e com decisão liminar monocrática, desmoralizou o Congresso Nacional. Não há registros na história de vaias em solenidades deste nível. Prefeitos apupando, gritando palavras de ordem, como: “Lula ladrão seu lugar é na prisão”! Nem o mais radical Bolsonarista, esperava tamanha reação, motim, ou atitude de revolta.

Houve poucos aplausos, e ainda tentaram ensaiar “Lula Lá…”. Mas, o coro dos insurgentes foi bem maior, e bagunçou por completo o recinto. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, interviu. Pediu calma, silêncio e exigiu respeito aos convidados. Destacou que naquela ocasião, não cabia manifestações de esquerda, direita ou centro. O constrangimento não foi só do presidente da CNM. Mas, ficou perceptível o desconforto de Lula, Alckmin, Rui Costa e demais membros da equipe do governo, que não subiram no estrado, onde assentaram-se as autoridades, que em tese, seriam homenageadas.

No encontro do ano passado (2023), Lula temeroso, escalou seu vice Alckmin como seu representante. Não foi vaiado. Todos ouviram seu discurso por completo, num profundo silêncio, sem intervenções eventuais de aplausos. Contiveram a insatisfação. Sua postura mansa, sempre respeitosa com o povo, e suas explanações didáticas, foram merecedoras da tolerância dos presentes. Se ontem, Lula o tivesse escalado mais uma vez, temos certeza que não teria sido vaiado. As vaias têm destino certo e remetem-se às eleições de 2022. Os alvos são os culpados de sempre: Lula, Ministros do STF/TSE.

Estamos num ano eleitoral, restando 139 para o primeiro turno. Não vimos (pela TV) nenhuma mobilização dos presentes, na busca de se aproximar do presidente, para fazer uma selfie e postar nas suas redes sociais, exibindo prestígio para conquistar eleitores. Provavelmente, alguns Xiitas do PT o fizeram. Municípios onde a legenda ainda tem candidato em nível de disputa.

Lula leu seu discurso, tenso, e com rapidez, temendo a volta do coro. No final, deixou seu recado de descontentamento: “o que mais precisa hoje o Brasil é de civilidade”. Deve ter constatado definitivamente, que o PT – não as esquerdas – agoniza. Vive os estertores de seus últimos momentos de existência, como legenda. Não terá fôlego para alcançar a disputa de 2026, mesmo com apoio do “Establishment”.     

             

DECISÃO DO STF AMPLIA FOSSO ENTRE ASSEMBLEIA LEGISLATIVA E GOVERNO DO ESTADO

            A suspensão do calendário de pagamento das emendas parlamentares, estabelecido por lei votada na ALPB e imediatamente vetada pelo governador, foi um ato de desafio do poder executivo, ferindo os brios dos legisladores com assento na Casa Epitácio Pessoa. O resultado não poderia ser outro, senão a derrubada do veto, sob pena de apequenar as prerrogativas do legislativo, com imagem já bastante arranhada pelos constantes recuos do Congresso Nacional, e o avanço desrespeitoso do STF, deslegitimando suas decisões plenárias bicamerais.  

Sem diálogo, o governador ignorou a ALPB, e enveredou pela judicialização junto ao STF. A Procuradoria Geral do Estado, moveu uma Ação Direta de Inconstitucionalidade – com pedido de liminar – pleito prontamente atendido ontem (06/05/2024) através de decisão monocrática do Ministro Alexandre de Moraes, que não esconde seu desprezo e aversão pelo poder legislativo. O “furo” foi do jornalista Tião Lucena, matéria nos enviada pelo companheiro Marcos Marinho.

A liminar concedida, criou um tortuoso caminho, com prazos e etapas a serem percorridos, dificultando seu julgamento em plenário até 06/07/2024, último prazo estabelecido pela Justiça Eleitoral, para transferências de recursos destinados a municípios. O dinheiro ficará em caixa. Só pode ser liberado após o segundo turno. A lei eleitoral que estabelece este prazo, está inserida na mesma que regulamenta contratações: proibição de 90 dias antes, e 90 dias após o pleito. Talvez só sejam pagas em Janeiro (restos a pagar), em obediência às regras estabelecidas pela Justiça eleitoral.

Para os deputados, a atitude do Palácio da Redenção num primeiro momento, será caracterizada como uma desmoralização imposta pelo governo ao Parlamento Paraibano. Terá desdobramentos e sérias consequências num futuro próximo. Nas democracias, é impossível governar sem apoio do poder legislativo. O episódio – já considerado como traição – provocará reações e implicações, como a perda de credibilidade do governo, que tem recebido apoio irrestrito, graças ao empenho do presidente Adriano Galdino, da maioria dos membros da ALPB.

Por outro lado, a Liminar que suspende a Lei da ALPB, não proíbe o governador de liberar na “calada da noite” – antes do dia 06/07/2024 – qualquer emenda, para um deputado de sua preferência. O Palácio da Redenção, ganhou um poder de barganha, para se impor e ser cortejado pelos autores das emendas, num momento delicado, às vésperas de eleições, quando não podem quebrar compromissos com suas bases, onde estão alicerçadas suas reeleições. Galdino terá que ter estômago para engolir mais um sapo. O silêncio é prudente. Faz parte do jogo. A vingança é um prato frio.

Segundo Marx – bússola das esquerdas brasileiras – “nada acontece por acaso, só os tolos assim pensam”. O alvo da liminar, foi o presidente da ALPB Adriano Galdino, que sempre esteve na alça de mira do núcleo aconselhador de João Azevedo. E o objetivo é criar um “corredor” de negociações diretas com o governo, para reforçar seu propósito de levar o PSB a eleger o maior número de prefeitos. Dois coelhos com uma cajadada. Vão tentar esvaziar o prestígio que Galdino goza junto a seus pares. Se prevalecer o “espírito de corpo” do parlamento, o tiro poderá sair pela culatra.

SEM PROGRAMA DE GOVERNO E COM DISCURSO RETRÓGRADO POPULARIDADE DE LULA SEGUE EM QUEDA

            Um núcleo de voluntários do curso de gastronomia da PUC-RS, composto por alunos, professores e profissionais da área, estão preparando diariamente 12 mil refeições, para alimentar nos três turnos (manhã, tarde e noite) equipes que trabalham no resgate, assistência às famílias ilhadas e desabrigados alojados.

O repórter da TV que entrevistava a coordenadora desta grande cozinha, perguntou como, em tão pouco tempo, conseguiram montar aquela estrutura, e seu perfeito funcionamento. A resposta foi simples: selecionamos e reduzimos o número excessivo de pessoas que se dispunham a ajudar, mas, atrapalhavam. Todos tinham uma ideia diferente, geraram discussões inócuas e debates improdutivos.  Dificultava até a locomoção dos que estavam já trabalhando no próprio ambiente.

Isto é exemplo de gestão. Modelo que deveria ter sido adotado pelo governo Lula III, logo quando assumiu. Ao invés de enxugar ainda mais a máquina, definir o “cardápio” para os quatros anos de sua gestão, lotou a Esplanada dos Ministérios, Palácio do Planalto, Autarquias e até Estatais. Os escolhidos, na ânsia de mostrarem serviço e tirarem proveitos políticos de suas funções, saíram vendendo produtos que não dispunham em suas prateleiras, nem no depósito. Prometeram viagens aéreas para a terceira idade – acima dos 60 anos – com passagens ida e volta ao preço de R$ 200,00.

O MST recebeu carta branca (em off) para invadir terras, respaldado no novo Ministério criado para assistir a agricultura familiar. O Agro é um só, por que dividi-lo? A Petrobras iria “abrasileirar” os preços dos combustíveis, abandonando uma política internacional de preços, onde acomodam-se chineses, americanos, russos e árabes até venezuelanos. Reinventariam a roda? Começaram a rediscutir toda legislação do governo anterior, a partir do marco regulatório do saneamento básico, independência do Banco Central, demarcação de terras, diversos programas distributivos de dinheiro como o Bolsa Renda, que saltou de 38 bilhões em 2019, para 230 em 2023. PEC que desconstituiu a lei do teto de gastos, e criou em seu lugar uma “estrovenga” denominada “arcabouço fiscal”, que resultou em fuga de investidores e capitais.

A gula petista estava padecendo de inanição. A fome era grande. Sobreviveram a um jejum imposto desde 2016, pelo governo Temer. Lula empossado, todos correram para a mesa. Mas, os pães eram insuficientes. Diz um adágio popular que “em mesa de pouco pão, todos gritam e ninguém tem razão”. Para fugir da pressão, o caduco Celso Amorim, que não se recorda mais da queda do muro de Berlim, criou uma agenda internacional, para projetar Lula como um novo líder das esquerdas internacionais anti-imperialista – tentando reunir todos para emparedar os Estados Unidos. Coitado! Foram 15 viagens e visitas a 24 países, dentre os quais, Portugal, para Janja receber uma comenda, e Chico Buarque uma homenagem. Um fiasco total. Aborreceu a todos ao se meter na secular política do Oriente Médio, onde até a diplomacia Americana tem dificuldades em transitar entre a Liga Árabe, seus aliados, Judeus e Persas (Irã).

No Brasil, desde a posse, é hostilizado pela maioria da população. Mesmo com todo apoio da grande mídia, que optou pela “omissão” do seu desgaste e descredibilidade generalizada, permanece preso ao núcleo “militante” que insiste na velha demagogia da fome e desigualdade, com soluções marxistas/Leninistas testadas desde 1917 e que nunca funcionaram. O ser humano continua nômade, eterno peregrino em busca de prosperidade. Qual o programa “carro chefe” do governo Lula III? Simplesmente não existe. Nos últimos vinte dias, os gaúchos clamam por uma ação governamental. Lula ainda não teve sequer a capacidade de vender “esperança”. Seu núcleo está preocupado em censurar as redes sociais, brigar com o Congresso, bajular o STF para blindá-lo. E com olhos no retrovisor, saber por onde anda Bolsonaro. Para sorte do PT, enfermo, hospitalizado e sem previsão de alta. Senão, estaria no RS, comandando equipes de voluntários, salvando vidas, arrecadando recursos, próximo ao povo. O que impede Lula de fazer o mesmo? A Genial Quest (cozinha do Alvorada) constatou que 55% dos brasileiros não concordam em dar mais um mandato a Lula.              

ASFORA NETO REMODELA A IMAGEM DE BRUNO

            Em apenas três anos e meio, o prefeito Bruno Cunha Lima vem superando aos poucos, todas as “marcas” ou conquistas deixadas pela longa gestão de oito anos ininterruptos do ex-prefeito Romero Rodrigues. Tempo curto, rito acelerado, Bruno está mantendo e ampliando o “padrão de qualidade” concebido como “método Cunha Lima”: interagir com o sentimento do cidadão Campinense, valorizando sua vaidade e orgulho, de residir numa cidade sem favelas, com ruas limpas, iluminadas e conservadas.

 Bruno tem caprichado no propósito de tornar ainda mais belo e atrativo, o principal Cartão Postal da Paraíba – Campina Grande – ao recuperar o Parque Evaldo Cruz. Nos idos dos anos setenta e oitenta, aos sábados, domingos, e mesmo ao anoitecer do quotidiano, a cidade tinha um logradouro público, espaço destinado ao lazer, relaxamento e paz, frequentado por toda população. Parques infantis, anfiteatro, uma belíssima fonte luminosa, sincronizando a dança das águas. Em todo o nordeste, e talvez no Brasil, não existia algo semelhante ao Parque Evaldo Cruz, inaugurado em 1976.

Estávamos exercendo as funções de Superintendente do Jornal da Paraíba e Arlindo Almeida, diretor do São Braz – respondendo pela presidência – José Carlos tinha sido eleito vice-governador e oficialmente se afastado da empresa – hierarquicamente era nosso superior. José Carlos era o maior acionista do Jornal da Paraíba. Já existia o grande São João de Campina Grande. Arlindo Almeida, teve a ideia, e nos convenceu criar o evento “Primavera na Serra”. Iniciado todos os anos, no dia 22 de setembro, usando o Parque Evaldo Cruz como estrutura. Apresentações de Corais, peças no Anfiteatro, um conjunto de ações para popularizar a cultura clássica. Acrescente-se que no Parque Evaldo Cruz, estava o Museu de Artes Assis Chateaubriand.

Todo este projeto foi abandonado, pelas gestões de Ronaldo/Cássio. Desprezaram o Parque Evaldo Cruz, que no centro da cidade se transformou numa área erma, escura, insegura e núcleo de consumo e venda de drogas. “Bocas de fumo”, exploradas a céu aberto pelo narcotráfico, desafiando a segurança. Oito anos de Romero Rodrigues, nada fez pelo Parque Evaldo Cruz, e nem criou uma nova área de lazer. Investiu no antigo Hospital João Ribeiro, desconectado com a cidade, restrito ao bairro.  

Cássio Cunha Lima investiu milhões, do dinheiro da venda da CELB, no Parque da Criança, desprezando o Evaldo Cruz. Veneziano Vital do Rêgo, transformou a Av. Juscelino Kubistchek, no bairro do Cruzeiro, num centro de convivência. E Romero? Quando esteve como aliado de Ricardo Coutinho, o governo do Estado começou a urbanizar o Açude de Bodocongó. Mas, ao romperem, as obras paralisaram. Gustavo Ribeiro, secretário de Romero Rodrigues – esquecendo que foi ele quem derrotou sua prima Daniela –  prometeu transformar a Av. Dinamérica, no maior centro de atração da cidade. Passaram-se oito anos e nada foi feito. O discurso de Gustavo, era a parceria com a iniciativa privada, que não comprou sua ideia. Durante oito anos, defendeu apenas sua permanência (salário e privilégios) no primeiro escalão do governo municipal.

Existe em Campina Grande, uma “Confraria” que se unem em defesa de suas vísceras. Uma gente “mau caráter”, que desconstroem os legítimos interesses da cidade, para alimentar as “lombrigas” intestinais de seu oportunismo. O mais grave, é que estão sempre no entorno do poder, que se deixa seduzir por estes picaretas, que têm emperrado o crescimento da cidade. São desagregadores, trabalham para desarticular as inteligências brilhantes da cidade, figuras altruístas, que se disponibilizam e se dedicam com seu tempo e ideias, para que Campina continue crescendo.

Não conhecemos o prefeito Bruno Cunha Lima. Participamos de dois Podcast, com o companheiro Marcos Marinho, ocasião que foi nos apresentado o Secretário de Educação, Asfora Neto. Político nato – herança genética – neto de Raimundo Asfora e Zélia Gaudêncio. Ao assumir a presidência do União Brasil, destravou o diálogo político do prefeito, com as bases. Bruno começou a andar e criar conexão direta com o povo, sem a intermediação da “picaretagem política”. É visto nas praças, ruas da cidade, conversando e ouvindo o povo, como um cidadão comum. Romero quando prefeito, pegava-se pedágio para cumprimentá-lo. Hoje pregam sua invencibilidade. Algo bem semelhante à trajetória de Cássio Cunha Lima em 2014 e 2018, quando perdeu até para o Padre caduco Luís Couto. Asfora Neto, se não for boicotado pela “pilantragem” que sabota Bruno, irá levar Romero a amargar a maior derrota de sua vida, e inviabilizar seu retorno à Câmara dos Deputados.  

TRAGÉDIA GAÚCHA É ABUSADA PELAS OCRIM E CORRUPÇÃO

            No último domingo, 05/04/2024, repetindo itinerário/script de sempre, o presidente Lula sobrevoou o Rio Grande do Sul pela segunda vez, principalmente as áreas inundadas, cidades alagadas, pontes e estradas destruídas.

Acompanhado do presidente do senado, equipe de ministros e parlamentares, Lula prometeu “desburocratizar” (?) o envio de recursos emergenciais, entre 700 milhões e 1,040 bilhão de reais, prometidos há uma semana. Pelos estragos visto por todo o país, através da TV e redes sociais, os valores estão muito aquém do montante suficiente, apenas para a reparação de rodovias, limpeza dos entulhos dos deslizamentos, destroços e muita lama deixada nas 183 cidades mais castigadas pelo dilúvio. Ao todo, são 379 dos 479 municípios, que sofreram prejuízos com as enchentes.

            O senador Rodrigo Pacheco, ao lado de seus colegas (gaúchos), General Mourão e Paulo Paim, deu sua palavra, garantindo o envio do dinheiro, e a criação imediata de uma comissão para “fiscalizar” a devida aplicação (?) Já estão antecipando probabilidades de roubalheira? Na Sala de Crise, o Ministro Rui Costa. Aquele, que no pior momento da pandemia do Covid-19, governava a Bahia, e com uma única “tacada” transferiu via Pix, 40 milhões de reais para compra de respiradores, dinheiro destinado a uma Manicure que morava ou “respirava” em São Paulo, num apartamento de 60 m2.

            O Decreto de Calamidade Pública do governo federal, dispensa processos licitatórios. As compras, contratações de obras e serviços em caráter de urgência, não barganha preços. Tem uma turma, com Know-How adquirido na pandemia do COVID-19, pronta para agir. Mas, o obstáculo é o governador. Ele aceita “indicações”? Esta é uma das razões da “resistência” do Planalto em transferir recursos prometidos. Querem estabelecer um método “diferenciado”, para levarem seu quinhão, sem o menor pudor ou sentimento humano, diante do flagelo vivido pelas vítimas gaúchas.  

Na pandemia, o superfaturamento (roubo) foi generalizado. Os preços de luvas, álcool, máscaras, insumos hospitalares e de higiene e limpeza foram decuplicados. As grandes compras foram “Notas Fiscais”. O mínimo adquirido, entregue pelas empresas fornecedoras, todas eram “fantasmas” e seus titulares “laranjas”. O STF usurpou prerrogativas do Presidente da República, e transferiu poderes para prefeitos e governadores.

Se já existe um Decreto de Calamidade Pública, por que a Câmara tem que votar um decreto legislativo, ou uma PEC emergencial? para furar o Arcabouço Fiscal? A velha prática de criar dificuldades, para vender facilidades. Querem reabrir Serra Pelada…  

A ideia é executar a tarefa via Ministérios, que serão monitorados pelos deputados, de olho em suas bases. O ano é de eleições municipais. Na visão de Brasília (dias atuais) “ajoelhou tem que rezar”. Não chegará um centavo a lugar nenhum, sem que deixe seu “gesto” através de simbólicos “óbolos”, na Esplanada e no parlamento.

O governo dispõe de instrumentos para resolver o problema. Basta fazer um corte mínimo em seus gastos: 50% dos recursos destinados aos Ministérios da Gestão e Inovação; Cultura; Desenvolvimento Agrário. O resultado somaria 4,5 bilhões de reais, quantia expressiva, que atenderia a demanda. Mas, estes recursos já têm donos.     

Arthur Lira está desconfiado da manobra do Palácio do Planalto. Porém, é refém de alguns de seus pares, que não permitem ao governo transferir recursos diretamente para o Estado e Municípios. A ação tem que ser realizada através deles, via “Emendas PIX”. Os gaúchos estão cercados por águas, bandidos do colarinho branco e marginais das favelas. Uma gente desumana, que tenta roubar o que resta, daqueles que já perderam tudo.

Na Capital Porto Alegre, com a maioria dos seus bairros às escuras, as gangues estão usando barcos e saqueando comércios, residências fechadas. Ontem a noite, ocorreram diversos tiroteios. As Forças Armadas era para estar presente, ter cercado estas áreas. A Força de Segurança Nacional, ao lado da Polícia, deveria estar prendendo, perseguindo e debelando a bandidagem. Trabalhando duro no resgate e socorro às populações ilhadas, só o Corpo de Bombeiros, muitos voluntários, e poucos policiais.

Com dezenas de municípios desabastecidos, uma fila de caminhões – semelhante à Faixa de Gaza – estavam paralisados ontem nas rodovias, com destino ao Rio Grande do Sul. Agentes da Receita apreendendo pela falta da nota fiscal. Que tipo de nota existe para doações emergenciais? A PRF, pesando caminhões, multando e os impedindo de chegar ao seu destino, pelo excesso de peso. Será que toda esta maldade é orquestrada pelas OCRIM? O Brasil está perdendo sua principal referência: a solidariedade do seu povo. Só as bênçãos Divinas para salvar os nossos irmãos gaúchos.   

A RESSACA DE LULA

            Não estamos insinuando que o presidente Lula ontem (01/05/2024), estivesse bêbado ou embriagado – pelo consumo excessivo de “destilados” – nas duas mini manifestações organizadas pelo PT, em homenagem as comemoração ao Dia do Trabalho (ou Trabalhador) em São Paulo. Mas, a “ressaca moral” dos seus pronunciamentos, o deixará alguns dias abatido, debilitado, enrouquecido, com as “cordas vocais” inflamadas. Falou demais, e tudo que não devia. Mas, o episódio pode ter sido um “surto”, provocado pelo estresse, ou a ausência de Janja no palanque.  

Alguém que já tenha tomado um verdadeiro “porre”, sofreu o desconforto de uma grande ressaca. No dia seguinte, os efeitos “físicos” se curam com reidratação. Se necessário, soro, muita água, doce, ou água de coco. O “moral”, é torturante. O excesso de álcool atinge o cérebro, na região do córtex pré-frontal, principal responsável pelas funções cognitivas, provocando sintomas de “amnésia” ou “apagão”. Não se consegue recordar nada. Principalmente, sobre do que falou, de quem falou, magoou, destratou ou humilhou, através de impulsos incontroláveis.

Em são Paulo, onde se concentra o maior contingente de trabalhadores formais do país – berço das lutas sindicais e “manjedoura” onde nasceu o PT – Lula presenteou a classe operária, com a promessa de “desonerar” a folha de pagamentos, desempregando cerca de um milhão de labutadores. Aumentará impostos de dezessete setores da atividade econômica que garante o suado “ganha pão” desta categoria obreira, vinculada a este segmento empresarial.

Como todo bêbado é dono da palavra, rico e valente, o presidente Lula “embriagado de ilusões”, confessou seu poder sobre o Congresso Nacional: tudo que mandei, eles aprovaram e continuarão aprovando. Dialogando e negociando com todos, cumprirei as promessas de campanha. O tom do “Dialogando e negociando” sugere interpretação pejorativa, que compromete a imagem do parlamento.

Dirigindo-se a um pequeníssimo público – que não elege um vereador em São Paulo – Lula infringiu a legislação eleitoral. Lançou e pediu votos para o pré-candidato a prefeito de São Paulo, Guilherme Boulos do PSOL. A oposição ajuizará imediatamente uma AIJE – Ação de Investigação Judicial Eleitoral, para impedir o registro da candidatura psolista: campanha antecipada – proibida no micro período eleitoral – abuso do poder político, econômico e midiático, além do uso do dinheiro público. O conjunto da obra está recheado de fatos, que o TSE considera pecaminosos e proibitivos.

Quanto a Lula, responderá por improbidade administrativa. O evento teve características político/eleitoral. Locomoção e estadia do presidente em SAMPA, saiu do erário público, e não do seu bolso. Bolsonaro está inelegível, porque fez uma reunião com embaixadores a portas fechadas. Não pediu votos. Mas, o TSE alegou que ele estava fazendo campanha antecipada. E agora? Irão repetir a velha regra de aferir agravos à legislação vigente, com dois pesos e duas medidas?

Nas inúmeras imagens que assistimos, veiculadas nas redes sociais, o que nos deixou curioso, foi a total ausência da juventude. Os caçulas da plateia, são quarentões. O PT não renovou-se. Perdeu sua principal militância, seu discurso envelheceu e não desperta mais a paixão popular. Onde se esconderam seus sessenta milhões de eleitores? Gastou em 2023 – PEC da transição – 230 bilhões para popularizar-se. Não sensibilizou o povão? Num país Cristão, onde um dos seus principais mandamentos é a gratidão, aumenta a cada dia, a suspeição da vitória de Lula em 2022.     

JOÃO AZEVEDO TRAVOU A OPOSIÇÃO EM CAMPINA GRANDE

       Indiscutivelmente, o governador João Azevedo hoje, é a maior liderança política do Estado. Ninguém sabe como ele (pessoalmente) distingue sua invejável posição. Se através do singelo e realista discernimento, reconhecendo que é fruto de uma conjuntura (agregadora) que o escolheu, seguiu, protegeu e o projetou – via exército parlamentar – ou, como “narcíso”, prefere enxergar apenas o “espelho”.

           Uma liderança individual, carismática (messiânica), é aquele que cria uma linha direta de comunicação com o povo. E se “cristaliza”, através do seu poder de transferência de votos. Após a transição de 1978, com a eleição indireta do ex-presidente Figueiredo – saída voluntária dos Militares do Poder – a redemocratização foi estabelecida, tendo como marco sua sucessão a partir de 1985. Elegeram-se (ainda indiretamente) dois civis: Tancredo Neves (presidente) e José Sarney (vice). Desde então (39 anos) na Paraíba, só Buriti, Ronaldo Cunha Lima e Ricardo Coutinho, transferiram votos e elegeram seus sucessores. Buriti em 1982 (Wilson Braga), um senador, cinco deputados federais, dentre os quais, ele próprio. Retornou ao governo em 1986. Com seu apoio (1990) venceu Ronaldo Cunha Lima, se elegendo no segundo turno. Perdeu o primeiro com 36 mil votos. No segundo, Buriti e seu candidato, João Agripino Neto, meteram 172.536 mil votos de maioria sobre Wilson Braga. Recorde (proporcionalmente) que permanece até hoje.  

       O último a “surfar” nesta onda, foi o ex-governador Ricardo Coutinho. Elegeu-se, reelegeu-se, e pôs um técnico (João Azevedo) como seu sucessor (2018). Destroçou as duas maiores lideranças do Estado (Cássio e Maranhão), lhes impondo duas derrotas, para governo e senado, por duas vezes. Nocauteados, “beijaram a lona”.

          Ronaldo elegeu e reelegeu Cícero Lucena prefeito da Capital. E em Campina Grande durante 22 anos, “patrolou” todos os seus adversários nas disputas municipal. Restam apenas seis meses para o pleito de outubro próximo, e o governador João Azevedo ainda não tem um candidato, garimpando apoios e votos em Campina Grande? Duas pesquisas mostraram índices de aprovação de sua gestão na cidade. Uma com 57%, outra com 63%. Há cerca de três meses, “apontou” o médico Johnny Bezerra, como nome de sua simpatia. Daniella Ribeiro, sua aliada e mãe do seu vice-governador, mencionou o nome da secretária Rosália Lucas, como candidata do PSD. Mas, silenciaram. Jhonny mesmo só, ainda se “mexe”. Rosália aguarda Daniella para lançá-la.  

      Campanha política é um projeto que parte do “zero” – a exemplo do próprio João Azevedo – e leva tempo, determinação, trabalho árduo, com respaldo financeiro e ou, poder de caneta. Esperar um “racha” no Clã Cunha Lima, para apoiar Romero? É um erro crasso. Os adversários de Romero (esquerdas moderadas e radicais) são os mesmos de ontem, hoje e sempre. Representam algo em torno de 15 ou 20 mil votos, que só estão com João, porque ele é anti-Cunha Lima. Se juntarem-se, a debandada é inevitável. Improviso, é uma arte seleta e brilhante. Mas, nunca funcionou no mundo político, nem em eleições. No meio artístico é domínio  exclusivo de “violeiros” e “emboladores de coco”. 

FIEP: LEGADO E DESAFIOS DO PRESIDENTE CASSIANO PEREIRA

            No último 09/04/2024, o industrial Cassiano Pascoal Pereira Neto, foi eleito através de um pleito suplementar – determinado pelo TRT/PB – presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, entidade que representa uma das principais joias da coroa da Rainha da Borborema, fundada em 17/07/1949. Um dos seus primeiros dirigentes, Domício Velloso da Silveira, filiou-se à CNI – Confederação Nacional da Indústria, alcançando a presidência do órgão que congrega todo setor industrial entre 1977/1980.

            O SENAI-PB (fundado em 1950) e o SESI-PB (1949) foram fundamentais para a formação de mão-de-obra especializada, educação e assistência social qualificada, destinados aos industriários (trabalhadores da indústria). Final dos anos quarenta, início dos anos cinquenta, Campina Grande era a cidade mais próspera do norte/nordeste, com uma população maior, que dez, das vinte e uma capitais dos Estados Brasileiros. Dentre elas, Natal (RN), Teresina (PI), São Luís (MA)… No censo de 1950, Campina Grande alcançou uma população de 173.206 habitantes. João Pessoa, 119.326. Como João Pessoa não era um polo industrial, a sede da FIEP ficou em Campina Grande. A única no país, que não é instalada na Capital.

            Os destinos da Capital do Trabalho, tem como ponto de apoio, entidades como a FIEP, capaz de criar uma agenda positiva, voltada para retomada do seu crescimento econômico. Este será o desafio de Cassiano Pereira. Estreitar relações com importantes instituições, a exemplo dos centros de pesquisas das duas Universidades Públicas da cidade e outras privadas; o Parque Tecnológico – primeiro do Brasil – e o INSA – Instituto do Semiárido. Brigar para conseguir da EMBRAPA, o replantio do sisal no Curimataú.

            Não tem sentido continuarmos exportando mentes brilhantes para o Vale do Silício e outros grandes centros avançados, através da pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias aqui elaboradas, quando juntas, estas instituições poderiam atrair investidores para aqui se instalarem. O apoio político é fundamental e pode dar sua importante colaboração, através de Leis fundamentadas numa visão futurista. O vizinho RN, quando as suas oligarquias se revezavam no poder, conseguiu grandes conquistas. É o único Estado do nordeste autossuficiente em petróleo, gás e energia.

            Fernando Bezerra, quando presidiu a FIERN – Federação das Indústrias do RN, conseguiu unir toda a classe política Potiguar, para lutar por uma Refinaria de Petróleo, governo Lula I. Mas perderam para Pernambuco: Abreu e Lima. Porém, às escondidas do país, a Petrobras construiu uma mini refinaria na cidade de Guamaré, que produz gasolina e querosene de aviação. Explora e exporta gás. Instalou o gasoduto que abastece a Paraíba e Pernambuco, e a Termoelétrica de Assú – gerada a gás natural – vendendo energia para o sistema nacional. Fernando Bezerra chegou posteriormente a presidir a CNI, foi Senador da República e Ministro da Integração Nacional.        

             O atual presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, a convite de Fernando Bezerra, quando esteve na FIERN, fundou o CTGAS, NUPEG e CTGAS ER, através do SENAI e formando parceria com a UFRN – Departamento de Química – que se tornou um dos mais avançado centro de pesquisas em energia renovável do país.

            Na Paraíba, ainda dormitam as ideias de criar em Campina Grande uma ZPE – Zona de Processamento para Exportação – modelo adotado pelos Chineses para se tornarem o maior centro industrial do planeta – um Porto Seco, para escoamento da produção, e trazer o Polo Metal Mecânico que foi destinado a Caruaru, e nunca foi instalado, por falta de estruturas que Campina dispõe, através das instituições que já citamos: UFCG, UEPB, Fundação Parque Tecnológico e uma Federação das Indústrias.  

            Com apenas vinte dias à frente da FIEP, Cassiano Pereira em suas andanças, tem demonstrado disposição de perseguir grandes desafios, a partir da pacificação da própria Instituição, dividida desde 2016.

CLÃ RÊGO EXIBE SEU PRESTÍGIO NA REPÚBLICA

            A indicação do jovem advogado Vital do Rêgo Neto, para ocupar uma vaga de Conselheiro na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – órgão que atua na regulamentação e comercialização – acompanhando mais de 150 mil registros de contratos de compra e vendas, entre geradores, distribuidores e consumidores de todo o país, foi uma demonstração de força e prestígio do Ministro do TCU Vital Filho (pai do novo Conselheiro) e do seu tio, senador Veneziano Vital do Rêgo, até fevereiro de 2025 vice-presidente do Senado Federal.

        O Conselho é composto de apenas cinco membros. Um presidente e um vice-presidente, além de outros três, todos “veteranos” na casa, inclusive Marco Delgado, que havia sido indicado para continuar na função, porém, foi surpreendido com a notícia de sua substituição pelo jovem Vital do Rêgo Neto. O que nos causa surpresa, tem sido a habilidade do Clã Rêgo de descobrir espaços, e ocupá-los rapidamente. Independente de questões partidárias, Veneziano Vital do Rêgo tem demonstrado ser mais respeitado pelas demais siglas, que na sua própria legenda (MDB).

         O Ministro Alexandre Silveira é do PSD. Foi indicado para a função através do presidente da legenda, Gilberto Kassab, com o cogente apoio do presidente do senado, Rodrigo Pacheco. A senadora Daniella Ribeiro é do PSD, e nem sequer foi consultada sobre a indicação do sobrinho do seu maior rival na Paraíba? Recentemente em entrevista, Daniella acusou Veneziano de mentiroso e oportunista, por arrogar para si, recursos das emendas de bancadas, onde ele é apenas mais um, e não o único autor. O senador silenciou. Não demonstrou interesse em responder. Mas, a resposta, ou o troco, veio agora, quando ele demonstrou ser mais aquilatado que Daniella no PSD. O cargo de Vital Neto é de valor imensurável. Lida com dezenas de bilionários, investidores num dos melhores negócios do mercado, hoje, amanhã e no futuro: energia.

         Os Clãs Rêgo e Ribeiro, vêm se destacando no Planalto Central por mais de uma década, com posturas distintas. Os Rêgo são pragmáticos. Negociam bem, aceitam desafios e ocupam espaços. Os Ribeiros são equilibristas. Procuram furar a fila, para ficar próximo ao poder. O deputado federal Aguinaldo Ribeiro, pelo que deixa transparecer, frequenta a intimidade do governo Lula. Conseguiu impor sua irmã, senadora Daniella, como presidente da Comissão do OGU. Mas, na semana passada, desembarcou na câmara, como líder da maioria (?) O Brasil inteiro sabe que a maioria da câmara é formada pela oposição, contra o governo, a pessoa de Lula, e o PT. Lula foi traído?

       Se sua intenção foi continuar na Relatoria da Reforma Fiscal, ontem (25/04/2024) comentaristas políticos da CNN, Caio Junqueira Daniel Rittner, afirmaram que ouviram do presidente Arthur Lira, sua decisão em escolher um novo relator, que poderá vir ser seu sucessor, a partir de fevereiro de 2025, na presidência da Casa. Neste caso, Aguinaldo está fora do jogo. Entretanto, é bom lembrar, que ele é um equilibrista.

       Veneziano Vital do Rêgo, voando em céu de Brigadeiro, arrancou do seu amigo presidente do Senado, a Relatoria do PL (Projeto Lei) do combustível do futuro, tomando a vaga do seu colega Vanderlan Cardoso, também do PSD (GO). O projeto envolve biodiesel, álcool e combustível fóssil, abrindo discussão para novas ideias de grande interesse da Petrobras e dezenas de Importadoras, Refinarias, e Usinas do agronegócio. A luta continuará, e descerá até as bases (eleições municipais). Após 07/10/2024, saberemos quem está melhor posicionado para voltar em 2026.               

PROGRAMA DESENROLA: GOLPE QUE VAI ENROLAR O POVO E O BRASIL

            O programa eleitoreiro populista do governo federal “DESENROLA BRASIL”, é mais um golpe arquitetado pela rede bancária privada, que inevitavelmente aumentará no futuro próximo, o rombo nas contas públicas do governo federal. O Sistema bancário não é uma instituição caridosa. Principalmente no Brasil, onde atuam como “varejista de créditos”, operando em curto prazo, buscando lucro imediato. Nunca financiaram projetos com retorno e amadurecimento em longo prazo. São os maiores inimigos do empreendedorismo, e funcionam num estilo de “agiotagem” oficializada.

Quem não conseguiu pagar uma conta de R$ 100 (há cinco ou dez anos) se deparam agora com um débito, que em pouco tempo, se transformou em R$ 5.000. Valores enxertados de multas, juros sobre as multas, e a abusiva (criminosa) prática do “anatocismo” – cobrança de juros, sobre os juros que não foram pagos. Uma roubalheira sem precedentes, e que só ocorre no Brasil.

Desde o governo do presidente Figueiredo – há mais de quarenta anos – o Congresso tentou criar duas CPI. Uma sobre os juros e origem da dívida brasileira. Outra sobre as operações extorsivas dos Bancos privados. Nunca conseguiram o número de assinaturas suficientes de Parlamentares, para instalarem-nas. Os Bancos abortam – despidos de partidarismo – seus futuros membros, quitando misteriosamente seus débitos em suas instituições, e lhes disponibilizando créditos para suas campanhas.

Os três poderes de nossa república são cúmplices deste crime praticado contra seu próprio povo, que lhes paga altos salários. Um promotor público denuncia o crime de “agiotagem amadora” praticadas nas ruas, por cobrarem entre 5% a 10% de juros. O Juiz acata e processa. O agiota é condenado pelo crime de usura, Lei 1.521/51. Por outro lado, as financeiras operadoras de Cartões de Crédito, cobram 475% de juros, e nunca foram denunciadas pelo MP, MPF. O maior crime de usura do planeta, é impune perante a Lei (?). O “agiota da rua”, não é filiado a instituições que “negativam” nomes de seus devedores. Mas, os Cartões de Crédito, usam o SERASA e SPC, vulgarizam o nome e o CPF do cidadão, que passa a ser considerado inadimplente, e não merecedor de crédito.

Ainda não encontramos a construção de uma planta industrial, ou até mesmo residencial com uma placa: Esta obra é financiada pelo Itaú, Bradesco ou Santander, cartel que controla o crédito no país. Só os Bancos Estatais como CEF, BNB, BASA e raramente o BNDES – Banco do povo brasileiro – maior da América Latina e do mundo. Foi criado para alavancar o crescimento do país. Todavia, só empresta dinheiro aos “Campeões”: JBS, Odebrecht, OAS, Braskem… O concluiu Lavajatista. Quando o ex-ministro Paulo Guedes, assumiu a Economia do Brasil, desvendou o maior escândalo do BNDES, abafado pela grande mídia: emprestavam ao Itaú, Bradesco e Santander, bilhões de reais com juros subsidiados: 3% ao ano, para eles repassarem a 4% ao mês. Cortou imediatamente as operações. Por que o MPF não ingressou com uma ação em defesa dos brasileiros, os puniu, aplicou-lhes multas, prendeu seus sócios e os fechou?

Lula, para popularizar-se, assumiu a conta de 74,7% dos brasileiros que estavam no SPC/SERASA. Fez uma grande campanha publicitária. Mas, as adesões foram muito aquém do esperado. O povo já vinha sendo enganado pelo “sistema” há décadas. Sabem que quem paga conta renegociada aos Bancos, entram numa “Lista Negra”, onde eles compartilham informações entre si. Outro crime já denunciado há décadas, negado pelos Bancos, e nunca investigado pela PF a pedido do CADE ou Banco Central.

            Quem entrou no “desenrola”, não terá mais acesso a empréstimos ou Cartões de Créditos. A prescrição de cinco anos, para não figurar seu nome no SERASA, foi renovada. Não vão conseguir pagar a renegociação, e o governo federal arcará com um custo de algumas dezenas de bilhões de reais – a partir de 2025/2026 – dinheiro que sairá do Tesouro Nacional, aumentando ainda mais o déficit público. Povo e governo se enrolaram. Os Bancos, se desenrolaram, e ampliarão exorbitantemente seus lucros. Grave é governo e Congresso saberem de toda a trama, e perversamente não impedem.        

TODOS ESPERAVAM

Copacabana (RJ), ontem 21/04/2026, inundada pelos Cariocas, que promoveram mais uma gigante manifestação de apoio ao ex-presidente Bolsonaro, fato que não foi surpresa para ninguém. Muito menos para o PT, que começa a perder forças junto ao “Judiciário amigo”, hoje, acuado e impossibilitado de impedir realizações destes eventos, que se multiplicarão doravante.

São atos legítimos, ordeiros e pacíficos, com o cunho de desagravo ao roteiro sinistro imposto pelo TSE – eleições 2022 – escolhendo contra a vontade da maioria, um presidente para a Corte de Justiça “chamar de seu”. Empregaram métodos truculentos, inconstitucionais e ao arrepio da Lei, com absoluta semelhança às Ditaduras da Venezuela, Cuba e Nicarágua. A legislação foi improvisada a cada minuto, em favor do candidato da Suprema Corte, tolhendo os direitos do postulante escolhido pelo povo.

Nas inúmeras provas de abusos e favorecimento ao candidato do STF, apresentadas pelo empresário norte-americano Elon Musk, ainda falta ser evidenciada a decisão extrema e imoral da então presidente do STF, Ministra Cármen Lúcia, que suspendeu no dia 22/09/2022, a liberdade de expressão e ou manifestação, permitindo que se aplicasse aleatoriamente a censura, com prisões e invasões nas redações dos veículos de comunicações do país, decidindo o que a mídia deveria publicar ou não, nos seus conteúdos editoriais e noticiosos. Como denomina-se esta violação? “Golpe de Estado Temporário”, em vigor até a posse do seu candidato, supostamente eleito.

 Cotejado a escabrosa existência de dois pesos e duas medidas, fica mais um recado para o decano do STF Gilmar Mendes – que achincalha o povão protestando nas ruas – e considera as mobilizações como “domingueiras”, esquecidas dia seguinte (segundas-feiras) início da “labuta” semanal. As crescentes revelações das barbáries autoritárias, praticadas pelo Ministro Alexandre de Moraes, levou o atual presidente do STF, junto aos seus demais pares, procuraram Lula, para conter o Congresso a qualquer custo. Evitar a CPI do Abuso de Autoridade, e impedir a instalação do pedido de impeachment contra Moraes. Eles temem que a queda do “Xerifão” arraste todos. Afinal foi o próprio Barroso que iniciou o “golpe” obstruindo o voto impresso.

 Após o TSE diplomar Lula, sem o menor constrangimento – reagindo uma vaia como palestrante de formandos no curso de Direito – desabafou: nós derrotamos o Bolsonarismo. Antes já tinha alertado que eleições não se ganha, se toma. E depois coroou com o “perdeu mané”. Seu colega Gilmar Mendes foi mais além: “Lula só é presidente, graças às decisões do STF”. Fachin “descondenou”, mas não inocentou o Chefão da Lava-Jato. Se não foi inocentado, como Lula poderia ser candidato? Nem todos estão envolvidos. Fux, André Mendonça e Nunes Marques, Cristiano Zanin e o futuro Moraes dos dias de hoje (Flávio Dino), não fizeram parte da conspiração que suprimiu o “Estado de Direito Democrático”, figura jurídica criada para agir inversamente: boicotar a democracia. Ação semelhante ao mundo do crime, usada pelos “descuidista”, batedores de carteira. Apontam e gritam: “pequem o ladrão”.

Se for para começar (pelo começo), o Congresso terá que botar no seu devido lugar o STF. Valorizar a Primeira Instância do Judiciário – a única que não deve nada a ninguém – são Juízes concursados e não indicados. Infelizmente, hoje “Instância de Passagem”. TJ, STJ e STF todos são indicados e apadrinhados. Devem favores aos seus patronos e vergam a legislação para atendê-los. Ainda está disponível no canal Youtube, a entrevista de Zé Dirceu, expondo sua vaidade, confessando que todos os indicados para o STF eram sabatinados – antes do Senado – por ele, para que Lula o indicasse. Nesta mesma entrevista, “detona” Fux, o único Juiz da Corte, quando verbaliza sem rodeios sua decepção, ao entrevistá-lo. O futuro Ministro, se antecipou e prometeu: “seu problema (Mensalão e Lava-Jato) eu resolvo. Dirceu sentiu-se ofendido. Na sua visão criminosa, a Lei teria “brechas” para inocentá-lo publicamente, sem aparentar ser um “favorzinho” do STF. Dirceu, Justiça e PT continuam conspirando contra o Brasil.   

CONFIANÇA ABALADA

            Na classe política, acordos são verbais. Não existem contratos ou atas, com registro público, consignando direitos e deveres entre as partes pactuadas. Compromissos formalizados nos bastidores do poder, exigem fidelidade sobre o acertado ou combinado. Vale a “palavra”. Quebra destes acordos, implicam em rompimentos, com perdas desiguais. Um sai mais arruinado, que outro.

            O governador João Azevedo, só chegou ao Palácio da Redenção e conseguiu se manter como seu inquilino – após reeleição – porque soube negociar e ceder espaços aos seus aliados. Demonstrou desde sua posse (primeiro mandato), resignação e lealdade ao paraninfo de sua carreira política – ex-governador Ricardo Coutinho – quem de fato governava a Paraíba até estourar a “Operação Calvário”. Por determinação judicial, teve que afastar alguns de seus auxiliares, que recebiam ordens e se reportavam somente a Ricardo. Talvez tenha sido sua sorte. No primeiro momento, saiu como vítima e teve o apoio da opinião pública. Ricardo aos poucos, foi sendo satanizado, ganhou a pecha de tirano, e foi abandonado quando mais precisou do seu amigo João.

A crise ora instalada entre o governo e o partido Republicanos – principal base de sustentação de João Azevedo na ALPB – é provocada pelo Secretário de Educação. Na última quinta-feira (18.04.2024) subindo o tom, e demonstrando irritação (em entrevista) o governador subestimou o prestígio e força da legenda que lhes deu a vitória no segundo turno de 2022, ao afirmar que o Secretário permanece na sua equipe, elogiou o seu trabalho, e finalizou destacando que o tema era para ser discutido entre ele e o partido. Não exoneraria ninguém, por influência da imprensa (?).

            Resta a curiosidade em saber, qual a “imprensa” que o governador se referiu (?) já que todos os grandes veículos de comunicação e suas cadeias, sobrevivem e se curvam aos seus desejos. Raros são os formadores de opinião independentes, que se aventuram em criticá-lo ou contrariá-lo. Se o fizerem, serão retaliados. No dia seguinte estarão fora da folha, ou terão seus contratos suspensos pela SECOM. Quanto ao futuro político, foi enfático: “só ele, e somente ele, decidirá no dia 03 ou 04/04/2026, se permanecerá ou não no governo”.  Recado grosseiro para os querem vê-lo Senador.    

            Comentou, finalmente, sobre as declarações da senadora Daniella Ribeiro, e sua intenção de reeleger-se. Segundo João, ela não pode abrir mão de suas bases no momento. Em Campina Grande, ela só tem um vereador. O governador já foi mais prudente… Esta “fissura” aberta, pode rapidamente se tornar um abismo profundo.

            Na visão conservadora do mundo político, observa-se que o problema é o próprio governador, que aparenta estar quebrando o acordo com o Republicanos. Ele mesmo confessou, que o secretário foi indicação do partido. Neste caso, a permanência do mesmo na função, quem decide é o Republicanos, não o governador. Caberia ao mesmo, procurar o maior líder da legenda no Estado – presidente da ALPB Adriano Galdino – indagar quem seria o substituto do atual, e imediatamente nomeá-lo. Time que joga bem, e ganha campeonato, é aquele que troca o egoísmos, pelo “espírito de equipe”.                   

O DESENCANTO DE FERNANDO HADDAD

            Nos últimos três meses, o Ministro Fernando Haddad não tem escondido sua tristeza, sinais de cansaço, insatisfação e desencanto, diante dos desafios que lhes impõe a pasta que assumiu no governo Lula III. A percepção de impotência, para realizar seu trabalho e lidar com a ignorância econômica do seu partido (PT), conter a gula insaciável do Congresso Nacional, endossar um discurso desconexo e eleitoreiro do seu presidente – além das intromissões descabidas do Poder Judiciários – são motivos suficientes para “pegar o boné” e passar a “batata quente” para outro. Porém, desistir agora, sugere incompetência. Ficar, é tentar salvar um barco, com avarias até a praia.

            Fernando Haddad é um bom caráter. Um dos últimos “Moicanos” do PT socialista/trabalhista, criado há 40 anos. Ainda permanece na legenda, como o diabo está no credo. Não é agressivo, invasivo, e busca o diálogo, sabendo que tem que fazer concessões, para encontrar um caminho que permita a convergência. Um milagre! Como atender e satisfazer os interesses das esquerdas socialistas, e da direita liberal?

            Obteve êxitos – demonstrando humildade de aprendiz – dialogando. Conseguiu aprovar em 2023, no Congresso Nacional, medidas enxergadas como “pecaminosas” pelo “globalismo”. Aumentar impostos e taxações, sobre o grande capital, foi seu maior triunfo. Com talento e sensibilidade, conseguiu enxergar a força do “monetarismo”, sistema único e universal, rígido e transparente. Não existem meios de enganá-lo com promessas, desculpas ou índices domésticos fictícios “fabricados”. Os maiores e melhores Economistas do mundo, estão nos grandes conglomerados do grande capital transnacional. Nenhum Prêmio Nobel da Economia é, ou foi, Ministro de Finanças de nenhum país do primeiro mundo. São empregados dos grandes financistas.

            Em suas últimas declarações – passaram despercebidas – Haddad desabafou: “Há dez anos o Brasil não tem superávit primário”. Em outras palavras, não conseguiu gastar menos do que arrecada”. Quando fala em dez anos, chega ao governo Dilma Rousseff. Parou de atacar o Banco Central, quando identificou que o erro não está na Instituição. Mas, em um governo, que – fazendo uma analogia a um cidadão comum – usa o cheque especial, sem a menor garantia que terá uma renda extra para cobrí-lo. Paga juros altos, e chegará o momento de ultrapassar o limite. O Banco cortará o crédito.

            No último dia 16/04/2024, na “Reunião Anual da Primavera” realizada pelo FMI, Haddad fez um discurso “mea-culpa”, quando a instituição que controla a moeda do mundo (dólar), mostrou-lhes que suas instituições “domésticas” estavam o enganando. O Brasil em 2024, terá um déficit de 0,6%, em 2025 e 2026 permanecerá negativo. Só em 2027, poderá apresentar um superávit primário de 0,25%. Com uma ressalva: se o Ministro conseguir manter sua política de austeridade, o Congresso aumentar a segurança jurídica, e consolidar a segurança política.

            Tardiamente, hoje Haddad reconhece que o seu maior erro, foi admitir a PEC DA TRANSIÇÃO. Contrair um débito de 230 bilhões de reais, sem ter a menor perspectiva de cobrir este rombo. E o Congresso, irresponsável e ávido por dinheiro, derrubou a Lei do Teto de Gastos. O problema não era seu. Tirou proveitos da operação. Sabia que estavam errados. Mas, não seriam culpados pelos danos. Quem responderia? Lula, que é o presidente. E Lula, transferiria a culpa para quem? Ministério da Fazenda, que por sua vez, “satanizaria” o Banco Central. Fernando Haddad não tem o perfil de mentiroso contumaz. Hoje, aceita a realidade imutável dos fatos. Tornou-se um inimigo do seu partido, contrariando o presidente e sua equipe da gastança. Sabe que o Congresso será salvo pelo efeito “teflon”. Impermeável, a gastança e estes desmandos, jamais “grudarão” no Parlamento. E quanto ao Brasil, o crescimento será “vegetativo”. Algo semelhante a indexação do salário mínimo. Quando tem um aumento de 5% ou 6%, dia seguinte todos os preços são reajustados nesta ordem. A alternativa de reduzir Estado e cortar gastos, para um governo populista é uma decisão absolutamente inaceitável. Lamentavelmente, lá se foram mais quatro anos perdidos.     

SENADO ASSUME A DEFESA DO BRASILEIRO

            Ouvindo o povo e suas bases políticas, o Congresso Nacional está determinado a assumir as funções do Poder Executivo, engavetando e derrotando em plenário, todas as promessas de campanha do governo Lula, inclusive algumas apoiadas pelo STF, como a “descriminalização” do porte, e posse de qualquer tipo de droga.

            De olho nas pesquisas encomendadas pelo próprio governo – pautadas por parte da grande mídia aliada do Palácio do Planalto – o Senado Federal ontem (16/04/2024) deu um passo significativo, indo ao encontro de um dos maiores anseios da população. Paraná Pesquisas, Genial Quest, IPEC dentre outros Institutos de Pesquisas, destacaram em suas últimas amostragens, que 81% dos brasileiros clamam por segurança pública. Principalmente a classe operária e trabalhadores do setor de serviços, que habitam na periferia das grandes metrópoles, hoje controladas pelas OCRIM.

O principal vetor, responsável pela expansão geométrica da criminalidade – já incontrolável em diversos Estados – é o narcotráfico. Não existe mais uma única família no país, que não tenha um membro dependente químico ou “viciado”. Muitos lares ainda estão preservados. Mas, logo serão invadidos e destruídos. É uma questão de tempo. As drogas que estão devastando a periferia, é a mesma que inunda os ricos condomínios fechados. Tornaram refém toda juventude das últimas três décadas, nivelando as classes sociais através do vício. Não existem pobres, ricos, pretos ou brancos. Todos estão consumindo a droga, por um erro imperdoável do Parlamento Brasileiro, quando admitiu o porte e a posse de até 100 gramas de entorpecentes, para os considerados “dependentes químicos”. Mas, quem os fornece? Os criminosos.

Um absurdo! Para que exista o dependente, tem que ter alguém que o vicie. Se o tráfico de drogas é crime hediondo, com a descriminalização, quem abasteceria este gigante mercado de consumo, mantido pelos viciados? O Estado? Iriam legalizar a venda de drogas? Há vinte anos, ao lado do companheiro Dagoberto Pontes, tínhamos um programa na Rádio (microfone aberto) para interagir com a população. Recebíamos ligações de mães pedindo ajuda ao Conselho Tutelar, para intervirem e salvarem seus filhos, que sob os efeitos das drogas, quebravam objetos, furtavam seus pais, vizinhos, usavam da violência doméstica, batendo inclusive em seus genitores. Uma tragédia.

 Onde se viciaram? Nas Escolas. Pobres, não tendo como manter o vício, tornaram-se microtraficantes assediadores, buscando novos “clientes”, para suprir suas abstinências. O tão (merecidamente) criticado presidente do senado federal Rodrigo Pacheco, “poliu” sua imagem, ao levar a plenário e votar em dois turnos, a proibição e punição para dependentes químicos. O governo federal gasta uma fábula, através do SUS, para curar estes viciados, via CAPS – Centro de Atenção Psicossociais, funcionando em todos os municípios, e até nos mais distantes grotões deste Brasil Continental. E o STF, não tinha conhecimento da existência deste programa do governo?

 Assistentes Sociais, Psicólogos, Psiquiatras estão nos CAPS, para curarem estes “dependentes químicos”, substituindo as drogas legais (álcool) e as ilícitas como o crack, maconha, cocaína, por medicamentos que fazem o mesmo efeito no combate a abstinência: ansiolíticos e antidepressivos. O “desmame”, se dá aos poucos, com apoio psicológico. O tratamento é gratuito, pago através de nossos impostos. Todavia, o “meio” do grande consumo, também tem que ser combatido. A atração é a promiscuidade sexual “doutrinada” na adolescência, influenciada pela nova onda da “cultura gay”. O responsável, são meios de comunicação audiovisuais, como as TV e suas Novelas. Criaram grupos e ambientes seletivos, frequentados pela juventude, para viciá-los e transformar suas personalidades, ainda frágeis e em formação.  

Senador paraibano Efraim Morais, Relator do Projeto no Senado, vive seu melhor momento da vida pública e da fama. Todas as famílias brasileiras estão agradecidas por sua coragem. Destemido, enfrentou mais de 80 Organizações Criminosas que existem no Brasil, maior corredor de exportação e consumo de drogas do mundo. Se a Câmara dos Deputados, além de aprovar a PEC do Senado, ampliar seu alcance com penas e prisões, em uma década estarão extintos o PCC, Comando Vermelho, Sindicato, ADA… E a paz voltará, principalmente para as periferias. Sem a participação do Brasil no consumo e exportação das drogas, desaparece um mercado negro que suga 3,0 trilhões de dólares anualmente da economia mundial.       

60 ANOS DA ELEIÇÃO DO PRESIDENTE CASTELO BRANCO


A “desconstrução” proposital da História Oficial do Brasil, tem se constituído numa resistente “paranoia” das esquerdas, com apoio das agremiações partidárias de centro - “embrulhado” pela mídia - e entregue aos Centros Acadêmicos Universitários que alimentam o jornalismo (desinformado) e as gerações que se sucedem. É enraivecedor, constatar-se a insistência de transformar mentiras, numa verdade.

Mostrem-nos registros da história universal - ocorrência de um Golpe de Estado – quer seja promovido por civis ou Militares, com todas as instituições democráticas abertas, funcionando, sem a menor ameaça de ocupação. Dia seguinte a noite de 31/03/1964, estavam abertos (01/04/1964) o Congresso Nacional, o Supremo Tribunal Federal, o Palácio do Planalto; todos os Portos e Aeroportos; Governos Estaduais, Prefeituras, Assembleias Legislativas e todas as instâncias do Poder Judiciário em todo o país. Comércio, Indústria e Transportes funcionando, e não houve decretação de “Estado de Sítio” ou “Toque de recolher”. Então onde foi este “golpe”? No Brasil, não.

No final da tarde do dia 01/04/1964, o presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazzilli - cumprindo o que determinava a Constituição - dirigiu-se ao Palácio do Planalto, e assumiu interinamente a presidência da república, pela “vacância” do cargo. O presidente João Goulart - eleito como vice Jânio Quadros - deixara o país, sem renunciar, ou pedir licença ao Parlamento. Nestas circunstâncias, assume o presidente da Câmara dos Deputados, que tem o prazo de 30 dias para convocar, realizar eleições e empossar um novo presidente, eleito indiretamente pelo Congresso Nacional. A maioria dos ex-ministros de Jango pediram exoneração, outros ficaram como o Ministro da Guerra. Poucos foram substituídos por Mazzilli.

Neste mesmo dia, Ranieri Mazzilli convocou a eleição presidencial para o dia 11/04/1964. As apostas sobre quem seria o novo presidente giravam em torno dos nomes de Juscelino Kubitschek, Tancredo Neves, Carlos Lacerda, Adhemar de Barros, Magalhães Pinto, Amaral Peixoto... Nunca foi cogitado (na época) um nome de um militar. Havia uma crise nos Quartéis, desde a renúncia de Jânio Quadros (agosto de 1961), quando os Militares se dividiram.

No dia da renúncia de Jânio Quadros, seu vice João Goulart estava na China, em missão oficial, acompanhado por uma comitiva de diplomatas, deputados federais e senadores. Viagem determinada por Jânio, para reatar relações diplomáticas com a ditadura comunista de Mao Tsé-tung. Jânio já havia “pisado na bola”, levando o Brasil a ser primeiro país democrata, em reconhecer a ditadura Cubana de Fidel Castro, como Estado. No auge da guerra fria, os Militares se dividiram, e “racharam” os Quartéis. Muitos não queriam a volta, nem a posse de João Goulart. Outros, legalistas aceitavam, mas, não permitiriam que Jango cuidasse da política externa do país. Chegaram a um consenso, e optaram por um Parlamentarismo. Tancredo Neves foi o Primeiro Ministro.

Por que a UDN, PSD e PTB, os três maiores partidos no Congresso, não lançaram candidatos para a disputa de 11/04/1964? Ano seguinte (1965) ocorreria às eleições presidenciais. Kubistchek já estava com sua campanha pronta: “1965 a vez da agricultura”. Brizola também: “Cunhado não é parente, Brizola para presidente”. E Carlos Lacerda, “dono” da UDN, estava à frente do governo do Rio de Janeiro. Se afastaria só no início de 1965. Com Brizola fora, a briga seria entre UDN e PSD. Começaram a procurar um nome. Surgiu a ideia de pôr um militar e unir as Forças Armadas. Afinal, era apenas um ano de governo. E quem seria? Procuraram o respeitado Marechal Cordeiro de Farias. Pacifista, democrata, constitucionalista. Recusou-se, para não ferir seus colegas e reacender as velhas disputas ainda da era Vargas. Depois de ouvirem, um a um, o único que aceitou foi o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, respeitado por nunca ter se envolvido em quarteladas partidárias.

A chapa foi registrada 72 horas antes do pleito. O vice de Castelo Branco, foi o civil José Maria Alckmin, amigo, conselheiro e até “marqueteiro” de Juscelino Kubistchek. Teve dois outros concorrentes. O ex-presidente Eurico Gaspar Dutra e Juarez Távora. Resultado: Castelo Branco (apoiado pela UDN e PSD) que esqueceram sua rivalidade naquele momento, obteve 361 votos. Juarez Távora, 03 e Dutra 02 sufrágios. A abstenção e ausência foi de 109 parlamentares.

Nos compêndios da História do Brasil, não consta a narração de nenhum destes episódios. Semana passada, perversamente um determinado jornalista “mentiroso da história”, escreveu um texto com o título: “Eleição de Castelo Branco consumou o golpe”.

Por que ele não apontou Ulisses Guimarães, e Juscelino, que em voto aberto fizeram os mais brilhantes discursos da sessão que elegeu Castelo? Oportunistas à procura de culpados, puseram a carapuça nos Militares, e tentam entrar na história como vítimas.

FIEP: VENCEU A CONCILIAÇÃO

            Uma nova eleição realizada ontem na FIEP (09/04/2024), para concluir o mandato de Buega Gadelha até 2027 – afastado em definitivo pelo pleno do TRT – venceu o candidato com maior capacidade de conciliação, vice-presidente da região de Campina Grande, empresário Cassiano pascoal Pereira Neto.

            A elasticidade do placar pró Cassiano (16 x 9), comprova que vence eleição, o candidato que anda mais, erra menos, e mantém o foco no “para-brisas”. Cassiano surpreendeu a todos, ao demonstrar ser possuidor de uma inigualável capacidade de persuasão – ignorada por seus adversários – convencendo seus pares, que só existia um caminho: seguir em frente. O “retrovisor”, não levaria ao destino por onde trafegam os desafios da FIEP – objetivo colimado – de acompanhar a evolução tecnológica, e os efeitos da 4ª Revolução Industrial, desafios permanentes até meados deste século XXI.

Dialogou (com um a um), Diretores votantes, ouvindo mais, que falando. Escutou seus reclamos, e pediu com humildade suas colaborações, para estabelecerem diretrizes participativas na gestão. Não se distinguiu vaidosamente dentre os demais, e demonstrou ser apenas um deles, habilitado por força da legislação, a disputar contra o vice em exercício da cidade de João Pessoa. Votos apurados, vitória consagrada, o novo presidente usou da palavra para ratificar seu propósito de pacificação na Instituição.

Do modo como começamos a expor os acontecimentos, aparenta que a disputa foi tranquila. Pelo contrário, foi mais acirrada – nos bastidores – que o último pleito, quando foi reconduzido Buega Gadelha. O opositor de Cassiano, José William, foi buscar apoio na classe política. Presidentes dos Sindicatos de João Pessoa e Campina Grande, receberam ligações do ex-governador Cássio Cunha Lima (?), do deputado federal Ruy Carneiro, do prefeito Cícero Lucena e até do governador João Azevedo. Um absurdo! Todos suplicavam o voto para José William. Intromissão descabida da classe política, vislumbrando transformar a FIEP, num palanque eleitoreiro, nas eleições de 2026.

José William fez uma peregrinação pelas emissoras de rádio da cidade. Contratou “marqueteiros”, e “jornalistas” da Capital, para construir sua imagem, desconstruindo a pessoa de Cassiano Paschoal. Expôs sua performance de grande empreendedor na área da construção civil – há mais de vinte anos – tendo construído mais de vinte edifícios em João Pessoa. É o maior investidor no novo polo turístico da Paraíba, localizado na cidade de Bananeiras. Porém, esqueceu que em Campina Grande, não construiu um único “garajau”. Por que desprezou o mercado imobiliário da Rainha da Borborema, cidade escolhida entre as 10 melhores para se viver no país?

Este tipo de arrogância, praticado pela mídia de João Pessoa, aliada a seus “marqueteiros” – empurrando “goela abaixo” suas “criatividades” – superestimando suas “genialidades”, julgam-se serem capazes de reverterem quadros, exercitando através de textos e vídeos, atos de prestidigitação. Nunca conseguiram enganar os habitantes da Rainha da Borborema.

Existe um sentimento na cidade denominado “Campinismo”, que une todos e lutam diuturnamente pela crescimento da cidade. É um fenômeno apolítico, enraizado nos moldes sociológicos e culturais de uma “etnia urbanística”. A equipe de José William fez um grande trabalho: despertou o “Campinismo”, e todos se uniram para derrotá-lo.

Como repetia o saudoso Dr. Mário em seus discursos inesperados no Calçadão da Cardoso Vieira, “em Campina, até para ser doido, é preciso ter juízo”.           

ELON MUSK, MORAES E A GLASNOST

            O principal episódio que derrubou o Muro de Berlim (1989), provocando a extinção da antiga União Soviética e implodindo o Pacto de Varsóvia – linha de defesa contra a OTAN – não foi à falência instantânea da Rússia, nem tão pouco a Perestroika (reestruturação econômica). Foram os efeitos devastadores da Glasnost (transparência) que revelou uma ditadura sangrenta, corrupta vivendo nababescamente de privilégios, por pertencerem a um partido, que enganou e mentiu para o povo durante setenta e dois anos. Recentemente assistimos um documentário “Adeus, Companheiros…”, produção Francesa, Russa, Alemã com participação e depoimentos de ex-ministros, Militares, Generais da KGB e dirigentes dos países satélites, alinhados a Rússia, através do COMECON – Programa de Cooperação Econômica, criado em 1949, para barrar os avanços do Plano Marshall na Europa Central, devastada após a II guerra mundial.

            As perdas humanas da população Russa – estimadas por baixo – por Stalin, foram de 22 milhões de pessoas, e a completa destruição de 71.000 cidades, vilas e povoados. Muitas destruídas pelo próprio Stalin, usando a política da “terra arrasada”, antes das tropas alemãs chegarem. Enforcamentos, crianças mortas, cenas horripilantes filmadas pelos verdugos Russos, e utilizadas como propaganda contra os nazistas. Estavam roubando a grande mãe Rússia, dizimando sua população. Este fato foi constatado na maior batalha sangrenta da história, Stalingrado. Marechal Alemão Von Paulus, numa “diretiva” expedida para o Alto Comando preveniu: não estamos lutando contra um Exército, estamos enfrentando uma nação. As chances de vencermos são mínimas.

            O povo quando enganado, solapado, descobre que foram manipulados (massa de manobra), se revoltam e reagem com uma violência “primitivista”. Todos já devem ter visto na TV, cenas de um “linchamento”. Em meio à turba, estão pessoas pacatas, que passado o momento da ira coletiva incontrolável, não se reconhecem diante do espelho, e se perguntam: como fui capaz de participar deste desumano massacre?

            A partir de 2014, a 13ª Vara da Justiça Federal de Curitiba, iniciou uma “Glasnost” no Brasil, revelando a corrupção, roubalheira, aparelhamento político, com uma ditadura de fato, apoiada por um Congresso venal. Prenderam uma gangue que havia falido o país. FHC deixou uma dívida em 2002, de 97 bilhões, Lula entregou a Dilma 3,5 trilhões.

 Desmandos acobertados pela “grande mídia”, sabedora de tudo, porém, silenciada pelos bilionários patrocínios Estatais. O desmonte foi monumental. O PT praticamente afundou-se. Mas, ao invés de levarem Sérgio Moro para o STF e Dallagnol para PGR, astutamente os encorajaram a entrar no mundo político, como “sangue novo” renovador. Se ainda estivessem em seus lugares, a obra teria sido concluída. Até o STF na época – cobrado por Lula que se sentia traído por eles – estava “acovardado”.

Com Moro e Bretas (RJ) fora, começou o processo de desmonte da Lava-Jato. Sem pressa, com apoio da mídia, entre um feriado e outro, uma canetada “monocrática” de um Ministro, anulava parte dos processos. Até o dia que Fachin resolveu “descondenar” Lula. Não inocentá-lo, mas, trazê-lo de volta as ruas, para ser candidato contra o povo. Por que Fachin negou diversos pedidos de Liminares anteriormente e só com Moro fora, deu seu “Jeitinho brasileiro” desconhecido pela Constituição que ele jurou ser seu guardião?

Repentinamente, o bilionário Elon Musk, proprietário do “X”, antigo Twitter, resolveu enfrentar o Xerifão brasileiro Alexandre de Moraes. Começou a mostrar todos os seu atos arbitrários, atropelando a Constituição, e como presidente do TSE agindo abertamente, ajudando eleger o candidato de sua preferência, engessando a democracia. O bilionário não deve estar só nesta empreitada. Os atos truculentos de Moraes, não ultrapassam as fronteiras do país. Mas, o “X”, mostrará quem é Moraes a todo o mundo. O Brasil terá que optar entre Moraes, ou ser a escória do planeta.

No caso Russo da Glasnost, Gorbachev jamais esperava seus efeitos (verdade)  envergonharia seu povo, ao descobrir que a II Guerra só aconteceu graças à união de Hitler e Stalin, quando assinaram o Pacto de Não Agressão, e invadiram conjuntamente a Polônia. Daí por diante, toda nação invadida, metade seria da União Soviética, metade Alemã. Todo cidadão Russo tem um ancestral morto, desaparecido na II Guerra, e só culpavam Hitler. Jamais imaginaram terem participado da carnificina, enganados por Stalin, Presidium, Politburo e Soviete Supremo. O STF/TSE ignora que a verdade anda lenta como a tartaruga. Mas, tem memória, e um dia chega ao seu destino.                          

JOÃO AZEVEDO: POLÍTICO MAIS BEM AVALIADO DA CIDADE E NINGUÉM QUER SER SEU CANDIDATO

            O calendário amanheceu hoje, avisando que estamos há seis meses das eleições municipais. Pouco tempo, para muitas manobras. O exército de jornalistas que compõem a assessoria de imprensa do governador João Azevedo, mostra através dos Portais de Notícias e demais ferramentas das redes sociais, sua maratona diária, presente em todo o Estado, filiando pré-candidatos, e, ou, conseguindo a adesão de prefeitos candidatos à reeleição, para fortalecer a legenda que ora o hospeda: PSB.

            Ninguém tem noção da densidade eleitoral que representam estas “lideranças”, festivamente conquistadas pelo governador. Por outro lado, seus orientadores políticos, não estão observando o perigo que representa esta contenda predatória, que vem resultando num “fogo amigo”. Ocorrerão baixas inestimáveis dentro do próprio governo, na disputa renhida (bastidores), entre Republicanos e PSB. Seus efeitos deixarão cicatrizes para 2026, momento que João precisará de todos.

            A falta de estratégia, de um núcleo coordenador que opine, debata e discuta – e não apenas ordene – começa a causar vexames ao próprio governador. Desde Janeiro, pesquisas encomendadas pelos Sites, contratados para divulgar a imagem de sua gestão, apontaram índices de aprovação em Campina Grande, superando todos os seus antecessores, inclusive os Cunha Lima. O percentual oscila entre 53 a 67%. Nem Frei Damião – se ainda estivesse nesse plano terrestre – seria tão querido na cidade.

             A dúvidas quanto a veracidade das amostragens, paira sobre um simples fato: com tanta popularidade, João elegeria quem quisesse em Campina Grande. E por que nenhuma liderança expressiva da Capital do Trabalho, ainda se dispôs, ou briga para ser o seu candidato? Estranho…Não perceberem o “cavalo selado” passando na porta? Até o momento, só apareceu o voluntário e resistente Jhonny Bezerra. O vice-governador Lucas Ribeiro, ex-vice do prefeito Bruno, não tem orgulho de deixar para posteridade, sua foto, na Galeria dos ex-Prefeitos da Rainha da Borborema, ao lado de seu avô Enivaldo, o melhor prefeito da cidade do século XX?

            O deputado federal e ex-ministro Aguinaldo Ribeiro, sua irmã senadora Daniella Ribeiro, rejeitam esta carona privilegiada? Surfar numa onda, apoiado por uma liderança que chegou a 63% de aprovação? Se eles acreditassem nestes números, já estariam em campanha. E se fossem reais, seria primeiro turno. Nem Romero se dispôs!

            Já não se manipula mais eleitores com pesquisas, como antigamente. Semana passada percebemos um quadro triste de manipulação da velha mídia profissional, que tem se esforçado e exigido a volta do seu respeito perdido. Mas, são reincidentes. Divulgaram amostragem realizada para “chancelar” o comportamento ilegal do TSE/STF, nos atos do 08/01/2023. Resultado: 63% da população, consideraram vandalismo, e os envolvidos deverão ser punidos. Os mesmos 63% não acreditaram que os atos estejam vinculados a tentativa de “Golpe de Estado”.

            A malícia da mídia, foi utilizada na inversão da ordem das respostas dos entrevistados. Se 63% não acreditaram que o ato foi uma tentativa de Golpe de Estado, os mesmos opinaram que o fato se resumiu a vandalismo praticado por um grupo de marginais, muito inferior ao número de acusados, que foram presos e condenados.

            Campina Grande espera o candidato de João, Aguinaldo, Daniella e Lucas.    

A FALTA DE UMA CONVERSA DIRETA

            Perdura por algum tempo, o “congelamento” das relações políticas entre o ex-prefeito Romero Rodrigues e seu sucessor Bruno Cunha Lima. Criou-se fatos, que se tornaram episódios, explorados diariamente pela mídia e redes sociais. Boatos, ilações, insinuações, são fósforos queimados para provocar incêndio, que até agora só produziu “fumaça”. Pode até evoluir para “chamas”, oxigenado por desagregadores, paradoxalmente, “amigos” de ambos, que procuram tirar proveito de episódios fictícios.

            A menor distância entre dois pontos é uma reta. Andando em círculos, ouvindo “conselheiros”” travestidos de “conciliadores”, Romero e Bruno estão sendo manipulados por oportunistas, que os levam a tomarem decisões e atos impensados, de interesse dos autores da crise, vislumbrando espaços e oportunidades dos dois lados.

            Tudo que Romero esperava de Bruno Cunha Lima, era manter o comando da Secretaria de Saúde. Por que não foi acertado antes? Desde que deixou a PMCG, o discurso do ex-prefeito se resume à saúde. Seu trabalho em Brasília é voltado para viabilizar a construção do Hospital do Câncer Infantil de Campina Grande. O que custa a Bruno Cunha Lima, procurar Romero, e lhes entregar a Secretaria de Saúde da PMCG? Um gesto lúcido, que encerrará em definitivo o conflito. E por que Romero não exige?

            A curiosidade tem nos levado a conversar (informalmente), com alguns conhecidos (influentes) do baixo clero, que compõem a gestão Bruno Cunha Lima. Figuras distantes dos gabinetes, trabalhadores dedicados, com ego massageado pela realização de suas ações quotidianas. Gestos simples, que os tornam plantonistas respeitados em suas comunidades. Discutem, conversam sobre um único tema: política.

A grande maioria destes barnabés, estão lotados ou são servidores da Secretaria Municipal de Saúde. Um exército ou “Divisão de Brigada”, composta de bons formadores de opinião, conhecedores da intimidade do “paciente eleitor”, público recorrente de seus préstimos, que têm seus passos fiscalizados: “marcação cerrada”. É uma equipe que se entrosou durante oito anos. Trocaram de funções, transferiram de postos, minimizam a importância de muitos, e continuam subestimando a força desta “Brigada” que vai de porta em porta na busca do voto, às vésperas das eleições.

            O político vocacionado, está sempre disposto a debater, discutir e ouvir o contraditório. Dominar esta arte é converter adversários em correligionários. Porém, quando estão juntos (Bruno e Romero) e se permitem dividirem-se, passam um atestado de incompetência, arrogância ou prepotência, levando o povo a escolher um algoz e uma vítima. Quando Cássio os considerou “bem crescidos” para resolverem este imbróglio, verbalizou com clareza sua experiência.

            Os “mais chegados” a Bruno, deve mostrar-lhes o exemplo de Pedro Cunha Lima em 2022, que perdeu a campanha pelo excesso de vaidade e amadorismo, em não ouvir sequer seu pai, e ter queimado o momento oportuno de derrotar – talvez até em primeiro turno – seu maior rival João Azevedo. O companheiro de chapa de Pedro (vice), ex-deputado Domiciano Cabral, além de ser respeitado pela classe empresarial da Capital, é estimado no mundo político como um homem de palavra, cumpridor de compromissos.

Quando Aguinaldo Ribeiro chutou o “pau da barraca”, e deu uma rasteira no Republicanos, esperto, atento conhecedor das reações intempestivas destas ocasiões, Domiciano imediatamente procurou o Republicanos. Topavam em apoiar Pedro. Afinal, já estavam com Efraim. Exigiram a Secretaria de Educação e Saúde. Por instantes, Domiciano sentiu-se eleito. Acionou Cássio que procurou Pedro. Prontamente seu filho negou-se a seguir sua orientação. E com arrogância juvenil advertiu: “não entrego nenhuma Secretaria a ninguém, serei governador e pessoalmente escolherei e comandarei minha equipe”.

            Esqueceu a via-crúcis percorrida por seu pai (Cássio) para chegar ao segundo turno em 2002. Negociou metade do secretariado. E para vencer, ficou apenas com seu gabinete e a Casa Civil. Cícero Lucena recebeu a Educação com “porteira fechada”. Efraim (pai) DER, SUPLAN e Saúde; Armando Abílio Ação Social e LOTEP

A COERÊNCIA DE ADRIANO GALDINO COBRA RECIPROCIDADE E GRATIDÃO DE JOÃO AZEVEDO

            O método que impõe respeito e admiração do eleitor, por uma liderança política, é avaliado por dois tipos de comportamento. Embora pareçam semelhantes, são absolutamente distintos: coerência e ingratidão, atestados em seu histórico na vida pública. Em entrevista concedida – semana passada – transmitida por uma emissora da Capital, o presidente da ALPB Adriano Galdino, “vocalizou” através de um “comentário desabafo”, suas expectativas com relação a “sensibilidade” do governador João Azevedo, no tocante a reciprocidade, sentimento derivado da “gratidão”.

            Jornalista Ytalo Telas Prédio, comentando a entrevista de Galdino em postagem recente, resgatou o episódio das confabulações (2021), período pré-eleitoral, quando estavam “costurando” os acordos que se desdobraram no arco de alianças, para alcançarem com êxito, a reeleição do governador João Azevedo. Todavia, nos bastidores o jogo foi sujo, com chantagens e blefes. O Republicanos levou uma rasteira do deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que vinha impondo sua candidatura ao Senado, mesmo já tendo uma irmã ocupando uma das três vagas da Paraíba. Mas, seu propósito não era este. Desviava o foco, para atingir seu objetivo: uma rasteira em Adriano Galdino e no Republicanos, tomando-lhes a vaga de vice, e pondo seu sobrinho Lucas Ribeiro.  

Olhando apenas para seu umbigo, e sentindo-se mais “sabido” que os demais, Aguinaldo Ribeiro vislumbrou a perspectiva, e conseguiu, sair do pleito mais fortalecido. Lucas Ribeiro como vice-governador, o futuro de João Azevedo estaria em suas mãos. Sem o menor constrangimento, rompeu com os Cunha Lima que os resgatou politicamente do ostracismo. Daniella foi vice de Rômulo (perderam) mas, semeou e colheu um assento na Casa Epitácio Pessoa. Antes, foi Secretária do governador Cássio Cunha Lima. Romero Rodrigues, na sua reeleição, defenestrou o filho do poeta, seu vice, Ronaldinho, e pôs em seu lugar o decano do Clã Ribeiro, Enivaldo.

Em 2018 – disputa pelo Senado – até os últimos 15 dias antes do pleito, pesquisas de intenção de votos apontavam Cássio Cunha Lima em primeiro lugar. O tucano é coerente. Exigia o voto “casado” com Daniella. Mas, para espanto de todos, ela se elegeu – casando votos com Veneziano e até Luís Couto – deixando Cássio amargar a quarto colocação. Véspera das eleições municipais (2024) os Ribeiros ainda não se manifestaram em participar do pleito. Estão com os olhos em 2026. Andaram cortejando Romero, um calejado no ramo, que sabe de antemão, que além do apoio e discurso, não terá mais nada. E o dinheiro? Fica por conta de João Azevedo, que só promete “estrutura” (?).

O governador navega em “Mar de Almirante”. Fazendo uma analogia ao futebol, quem “carrega” o time é o “meio de campo”. Adriano Galdino tem suado a camisa, desarmando os ataques, e armando contra-ataques, para o centroavante João Azevedo marcar seus gols. Mas para testar a liderança de João, basta deixar uma bola passar, e o time tomar um gol de uma CPI. Dificilmente virará o jogo. Uma CPI, não importa o tema, só sabe como começa. A dos Bingos (Lula I) derrubou até o Superministro Antônio Palocci. No último dia, o Senador Garibaldi Alves, presidente, perguntou em plenário: afinal os bingos são legais ou não? Esta CPI foi para apurar sua legalidade! Surpresos, esquecidos do tema, sem nenhuma audiência, decidiram que era ilegal (?).

O “coletivo girassol” que não briga por política, luta para se manter no poder, enxergam Adriano Galdino como um inimigo. Querem humilhá-lo, levando-o a apoiar Cícero Lucena (leia-se Aguinaldo Ribeiro) em João Pessoa, e em Campina Grande, se porventura Romero for candidato, os louros da vitória serão de João e dos Ribeiros.

Cobra só é temida pelo seu veneno. É hora do Republicanos mostrar sua força. Aliar-se a chapa com chances de vitória em Campina e João Pessoa. Será uma demonstração de coerência, estarão ao lado do senador que elegeram: Efraim Filho. Se o Republicanos tiver juízo, apoiará Ruy em João Pessoa e Bruno em Campina Grande.

SESSENTA ANOS: O BRASIL CONTINUOU UNIDO

            O historiador Hélio Silva (Médico e Jornalista) em sua última obra 1964: Golpe ou Contragolpe, narra a trajetória política do país, relatando fatos oriundos de pesquisas, usando linguagem simples, pedagógica e de fácil leitura. Sua obra completa, identifica com clareza o “analfabetismo” político que permeava a sociedade brasileira, desde 1908, passando pelo episódio dos 18 do Forte e a criação do movimento (dentro das Forças Armadas) “Tenentista”, cujo ciclo se encerrou com a chegada ao poder em 1964. Em 16 volumes, registrou toda a era Vargas, incluindo seu retorno e suicídio.

            Infelizmente, o maior historiador do país foi completamente esquecido. Em seu lugar, surgiram outros, com relatos tendenciosos, desprezando testemunhos consignados em documentos, diários, opiniões publicadas em artigos dos jornais da época, e criaram novas versões com roteiros tendenciosos, tentando “oficializar” suas nostálgicas militâncias esquerdistas, inspirados na utópica propaganda de Moscou.   

            Na visão de Hélio Silva, até o episódio de 1964 – mesmo com a Capital do país funcionando em Brasília – as grandes lideranças políticas tinham origem no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. São Paulo vinha crescendo muito, e acelerou seu ritmo, com a transferência das grandes indústrias, Bancos e seu forte comércio, estimulado pelo empresariado que deixou a Orla de Copacabana, após o Rio perder “status” de Capital do Brasil. A eleição de um político paulista (1960) Jânio Quadros para presidente da república, despertou as tradicionais elites oligárquicas. O eixo político do país estava se deslocando do Rio. Mas, o seu duro núcleo Militar – presente na história desde a Proclamação da República – ainda permanecia na Cidade Maravilhosa.

            Nunca existiu um centro conspirador, encarregado de planejar os eventos de 1964. As ações eram dispersas. Tinha o IPES – Instituto Pesquisas e Estudos Sociais, comandado por Cel. Golbery do Couto e Silva, parturiente dos IBAD – Instituto Brasileiro de Ação Democrática, que desenvolviam o debate político econômico, e preparavam a juventude para construírem uma grande nação, inspirada no neoliberalismo democrático. A tarefa era preventiva: combater a demagogia comunista, dividida nas linhas Moscovita, Albanesa, Chinesa e Cubana, que se expandiram rapidamente, ocupando as redações dos Jornais, recrutando o campo e assumindo o controle dos Centros Acadêmicos e Universitários.

            Tudo começou a se precipitar com a alta da carestia (inflação) que entre julho de 1962 e julho de 1963, atingiu 100%. A crise econômica instalou-se. Os Sindicatos, muito fortes, impunham seus salários. Ferroviários, Portuários, Comércio e Indústria… A economia não era indexada, não existia a correção monetária, obra de Roberto Campos no governo Castelo Branco. O desemprego cresceu assustadoramente. Atrasaram pagamentos dos aposentados, servidores públicos estaduais, e até alguns setores federais. Veio a tragédia do assassinato do presidente Kennedy, que havia hospedado oficialmente João Goulart em Washington, e como citou Jackeline Kennedy em suas memórias, seu esposo tinha se equivocado. João Goulart não era um comunista.

            Os programas destinados por Kennedy ao Brasil, foram abandonados por Lyndon Johnson, que se voltou para o sul asiático, passando a investir pesado na guerra do Vietnã. Leonel Brizola, cunhado de Jango – considerado pelos moderados da época como “incendiário” – pregava a implantação das reformas de base urgente, para pacificar o país. Estatização dos Bancos, Reforma Agrária nas áreas produtivas (fazendas de Café, Engenhos de Açúcar a lavouras de arroz e trigo). Desmonetização, com criação de uma nova moeda, e impostos altíssimos para equilibrar as contas públicas.

            Este discurso foi aproveitado pelos comunistas, e totalmente distorcido. Iriam acabar com o Parlamento, criariam uma República Sindicalista – algo semelhante ao Grande Conselho Italiano na era Fascista de Mussolini – tropas da Rússia viriam para o Brasil, para proteger o país e evitar a ocupação dos “imperialistas do norte” (Estados Unidos). Na pauta, deportação da classe política para Sibéria, e substituição dos barnabés da máquina pública, por membros do “partidão”. Os efeitos foram trágicos. Sem TV, Redes Sociais, alto índice de analfabetismo… Jornais e revistas eram caros, e poucos tinham acesso à leitura. O povão correu para as Igrejas, pedindo proteção a Deus, bênçãos dos Padres, que os encorajou a irem às ruas pedir “Abaixo Este Governo”. Formaram de improviso a TFP – Tradição Família e Pátria.

            Janeiro de 1963, as greves “pipocaram” em todo o país. Ferrovias paravam. Portos, a grande indústria, comércio e principalmente os Bancos. No campo todos estavam armados, para conter a inevitável invasão das “Ligas Camponesas”. Faltou bombeiros… Quando foi usar o extintor (tardiamente) o presidente João Goulart, no comício da Central do Brasil (13/02/1964) ao invés de água, usou gasolina. Perdeu o controle do governo. A Revolta dos Sargentos nos Quartéis, pôs sob ameaça às Forças Armadas. Poderiam se apossar do arsenal e partirem para guerrilha urbana e rural.

            Não houve ocupação Militar na Praça dos Três Poderes, nem controle de estradas e pontos estratégicos como fontes de abastecimento de água e energia. O saudoso paraibano Abelardo Jurema, era Chefe da Casa Civil da Presidência da República. Ficou no Palácio até o dia 02/04/1964, quando foi exonerado pelo presidente Ranieri Mazzilli. O ex-presidente FHC, comenta em seu livro, que exilado no Chile com José Serra e Abelardo Jurema, ouviu seus relatos: ligação dos governadores, procurando por Jango, e pedindo orientação de que lado ficariam. As polícias eram armadas e treinadas com armas de ataque, canhões, baterias antiaéreas… Reservas do Exército. Generais Comandantes, como o de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, se prontificaram a cumprir as ordens de Abelardo, já que o presidente estava no Rio Grande do Sul, e partiria de lá: marcha sobre Brasília. Abelardo confessou que só quem não lhes ligou foi Jango (?). Cruzou a fronteira, sem avisá-lo.

            Questionam se este evento deve ser comemorado ou não. Claro que deve ser comemorado. Corremos o risco de uma guerra civil. O Brasil seria totalmente dividido, ou esquartejado. Cuba, Rússia, países da cortina de ferro, mandaria guerrilheiros tropas para estabelecerem “cabeças de pontes”. Uma longa guerra se estabeleceria, como a do Vietnã. Hoje nosso imenso território abrigaria três, ou cinco países diferentes.

NA CALADA DA NOITE STF TENTA AMPLIAR E MUDAR O FORO PRIVILEGIADO

            Atitude misteriosa irá aumentar a insegurança Jurídica, causar surpresa, perplexidade, aterrorizando ainda mais o país – principalmente o Congresso Nacional onde estão nossos legítimos representantes eleito pelo povo – o STF estava julgando ontem “virtualmente”, em pleno feriado da Semana Santa, a prerrogativa de foro, destinada a Parlamentares, Ministros de Estado, Ministros das Cortes Superiores de Justiça, Juízes, promotores, MP e MPF, membros de Tribunais e TRFs- Tribunais Regionais Federais… Por que ontem, em pleno feriado prolongado, em residências, os Ministros do STF resolveram reformar mais uma vez o Foro Privilegiado?

            Quem abriu a votação foi o Ministro Gilmar Mendes, Relator, propondo extensão do Foro até após o mandato. Uma verdadeira “caçada” no estilo “Stalinista” que perseguia seus opositores onde estivesse no planeta, e mandava executá-los, como Trotsky no México. Um agente político brasileiro, doravante, teria ou terá, eternamente, sua vida e seu destino, monitorado pelo STF. O Ministro Zanin acompanhou o voto de Gilmar Mendes, seguido por Flávio Dino, Dias Toffoli, quando o presidente Luís Roberto Barroso pediu vistas. Mostrando seu poder dentro da Corte, e acima dos demais, o Ministro Alexandre de Moraes tomou-lhes a palavra – atropelando o regimento – e deixou consignado seu voto, seguindo o relator. Placar: 5×0.

            O pedido de vista do presidente Barroso, foi uma atitude coerente, para não mostrar sua mudança repentina de opinião – comprometedora e contraditória – maculando sua própria imagem.  Em 2018, quando começou este julgamento revisional, Barroso propôs a validade do Foro, apenas para os réus, com crimes cometidos durante seu mandato, ou no exercício de suas funções. Findo mandato, o processo desceria para primeira Instância. No seu entendimento, gozavam da prerrogativa de foro, somente o presidente da República, do Senado, da Câmara e da Suprema Corte. Alegava com lucidez, que a Magistratura merecia respeito em suas decisões, desde a primeira Instância. Alguns processos poderiam até terminar no STF, mas, partindo diretamente do STF? suprime a ampla defesa, pois o réu só teria uma Corte de Justiça para julgá-lo. Acrescentava – na época – que a restrição “desengarrafaria” a enorme fila criada pelas pequenas legendas, tumultuando a agenda da Suprema Corte, assoberbada por temas de relevantes importância para a nação, há décadas aguardando decisões.

Ontem, no voto do Relator Gilmar Mendes, além de acrescentar o “depois”, puxou o “antes”. Se algum dos atuais Parlamentares, tiver uma condenação de qualquer tipo, em primeira instância – decisões antes de se investirem nas funções de Deputado Federal ou Senador da República – este processo subirá, e será julgado pelo STF, enquanto perdurar o mandato do Congressista. Se porventura não renovar seu mandato, continuará sendo julgado pelo STF, atropelando todas as Instâncias resguardadas através de garantias Constitucionais.

A grande mídia silenciou. Aliás, quem esperava a mais Alta Corte de Justiça do País, se reunir em pleno feriado religioso Nacional, e até às 21hs está debatendo uma revisão paralisada em 2018, sem nenhuma provocação, estado crítico, ou ameaça de eventos institucionais?              

DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS

Nas últimas edições do programa WW com William Waack, o tema tem girado em torno das garantias constitucionais e insegurança jurídica, onde todos os seus convidados, opinam que ficou impossível advogar no Brasil. Clamam a reestruturação da OAB e ação preventiva do Senado Federal. Discordam do papel de “Xerifão” do Ministro Alexandre de Moraes e concordam que a Suprema Corte está totalmente “politizada”. TRF, STJ e o próprio TRF negaram 318 pedidos de Habeas Corpus para Lula.

 Para viabilizar a soltura, revisaram a decisão da Segunda Instância, e restringiram o alcance da Justiça Federal – que abrange todo o país – porém segundo o Ministro Fachin, o foro de Lula seria Brasília, quando sua residência e domicílio eleitoral é em São Paulo. Permitiram e impuseram sua candidatura. O resto, todos viram o sabem o que aconteceu com as regras do TSE valendo e punindo só um dos candidatos. Como ensina o adágio popular, “aos amigos tudo, aos inimigos apenas a lei”.

Segundo comentaristas da CNN, a restrição do Foro, beneficiaria Bolsonaro, que não é mais presidente e nem estava no poder nas manifestações do dia 08/01; Alexandre Silveira, e todos os presos dos atos do fatídico 08/01/2023, exceto os que foram flagrados depredando o Congresso, STF e Palácio do Planalto. Divulgaram uma pesquisa realizada sobre o tema, realizada pelo Datafolha, e 65% dos brasileiros consideram o ato de 08/01 como “vandalismo” e não tentativa de “golpe de Estado”.

Se o Congresso não reagir imediatamente, e Rodrigo Pacheco sair de sua posição de genuflexório – derrubando o foro rapidamente – todos ficarão reféns do STF. Fechando o verão, as águas de Março estão muito parecidas com os temporais de 1964. Desta feita, uma emboscada, sem apoio do povo, deixando o Congresso em cerco.     

(Caminhos do amanhã parte II)

COMPRA DE VOTOS ANTECIPADO

O método engendrado por Zé Dirceu funcionou. Chegando ao final do primeiro mandato de Lula (2006), o contingente do “bolsa votos” tinha mais que duplicado: 2,5 milhões de famílias (sem trabalharem) sustentadas pelos que trabalhavam e pagavam tributos elevadíssimos. O Brasil crescia economicamente, com a explosão das commodities. Se o país crescia, onde estavam os empregos? Sua renda média subia, paradoxalmente, aumentava dependentes do “Bolsa Família”. Lula foi reeleito. No final dos oito anos de seu mandato (2010), segundo IBGE e FGV, o país cresceu em média de 4% ao ano. Incoerência brutal: o Bolsa Família tinha atingido 12,8 milhões de famílias cadastradas. Como a economia de um país cresce, e aumenta a pobreza de seu povo?

Na busca do voto, o Bolsa Família estabeleceu-se definitivamente como “moeda de troca”. Dinheiro público desperdiçado através de um programa, sem critérios ou avaliações de seus resultados.  A êxito da compra do voto antecipado (quatro anos de feira distribuídos aleatoriamente), deslocou-se do interior nordestino e alcançou todas as 1.400 favelas do Rio de Janeiro, às de São Paulo, Minas Gerais… A metástase do câncer, tinha “implante” em todos os órgãos do corpo já moribundo. Lula elegeu sua sucessora, Dilma Rousseff. Em seu primeiro mandato, a presidenta incrementou uma política de renúncia fiscal, reduzindo impostos da “linha branca”, material de construção, automóveis e eletrodomésticos. Todavia, sua ação sofreu efeito reverso. Crescia assustadoramente sua impopularidade.

As gigantescas manifestações de 2013, ganharam as ruas do Rio e São Paulo. As vaias na abertura e encerramento da Copa do Mundo, foram vergonhosamente vistas por todo o planeta. Eleições a vista (2014) veio o “Minha Casa Melhor”. Mais dinheiro para os “Bolsas” comprarem geladeiras, televisores celulares, além de um cheque reforma. Na campanha, o “Bolsa Família” foi ampliado para 14,0 milhões de beneficiários. O lençol ficou curto. Se cobrisse os pés, descobriria a cabeça. Em 2015, o Brasil quebrou. Todo o seu crescimento entre 2003 e 2014, foi engolido pelo déficit público. O PIB despencou, e atingiu -6% (seis por cento) negativo.

Lava-Jato, corrupção, redução do crédito, falta de investimentos no país… desencadeou no Impeachment. Michel Temer assumiu, com a Petrobras falida e todas as grandes estatais no vermelho. Para salvar o Brasil, teve que enfrentar a impopularidade. Lei da governança das Estatais, Reforma Trabalhista; Lei do teto de gastos; congelamento de salários dos servidores públicos; proibição de contratações e concursos; demissão ou “despetização” no governo… Até uma Lei que anistiava crimes de evasão de divisas, repatriou dezenas de bilhões de dólares, depositados em Paraísos Fiscais”. Aliviou o caixa do governo, e reduziu seu déficit.

Lula foi preso e Bolsonaro eleito. Montou uma equipe de técnicos que ocupou a Esplanada dos Ministérios, com capacidade atestada pela Meritocracia. Partiu para “enxugar” a máquina. Cortes de gastos, eliminar despesas viciadas, ajuste fiscal… Mesmo assim, em 2022, o Bolsa Família havia explodido de 14,0, para 19,2 milhões de famílias. Como conseguiram enganar até Bolsonaro? É uma OCRIM.

Na campanha de 2022, que Lula havia prometido “picanha”, compensou com mais “Bolsas”. Em 2023, extrapolou todos os limites, e perdeu definitivamente o controle: 21,7 milhões de famílias inscritas. A média de pessoas por família, são quatro. O Estado Brasileiro, distribui dinheiro hoje, para 90 milhões de pessoas, ou 43% de sua população. O Ministro Wellington Dias, titular da pasta do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, começa a encarar o “programa”, como uma fraude. Assalto ao erário público. Antes da pandemia (2019) O Bolsa Família consumia 32,8 bilhões de reais por ano. Em 2023, o aumento foi de 346%, atingindo 146 bilhões, quase se nivelando ao orçamento do Ministério da Saúde, que foi de 149,9 bilhões de reais, superior ao Ministério da Educação, 110 bilhões. Os caminhos do amanhã, nos levará a bancarrota. Na sequência, (parte III final).

(Caminhos do amanhã parte I)

OS AVÓS DO BOLSA RENDA VINTE ANOS DEPOIS

            Logo após assumir a presidência da República – primeiro mandato – o presidente Luís Inácio da Silva, que havia adotado como tema de campanha, o inesgotável discurso de “combate a fome no Brasil”, lançou em janeiro de 2003, o programa “Fome Zero”. Uma continuação do “Comunidade Solidária”, do seu antecessor FHC, criado pela socióloga Ruth Cardoso, para atender 700 mil famílias em estado precário, renda familiar abaixo do salário mínimo, espalhadas principalmente no interior nordestino.

            Já existia o “Vale Gás” e o PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que destinava R$ 25,00 para cada criança, acima dos cinco anos de idade, dispensando-as de trabalharem, e garantindo sua frequência escolar. O governo FHC financiou a criação destas escolas, através de transferência de recursos para os municípios. O objetivo era combater o analfabetismo, a partir da mais tenra idade. Para os chefes de famílias, desempregados, residentes na zona rural, o Bolsa Renda (2002) cestas básicas.     

Os erros do ‘FOME ZERO” começaram a partir da publicidade veiculada na TV, apesar de levar a assinatura do genial Duda Mendonça. Um texto exibindo um prato vazio, finalizando com a mensagem: “quem tem fome, tem pressa”. Na época, comentamos em um artigo, que o prato deveria ser mostrado vazio no início, e no final, cheio. Quem mata fome, é prato cheio. Talvez a dúvida, tenha origem na colunaria: que tipo de alimento deveria ser exibido no prato? Componentes de uma cesta básica comum? Sem carnes, verduras e frutas? Chegou o mês de junho de 2003, e o “Fome Zero” ficou só na publicidade. Uma longa discussão foi travada no PT, tão improdutiva quanto a designação do sexo dos anjos, que consumiu seis séculos da Igreja Católica.

José Dirceu, o poderoso Chefe da Casa Civil, com experiência de vida adquirida em “Cuba” – onde esteve exilado por muito tempo – redefiniu o “modus operandi” da Ilha. Ao invés do “Libreto” – jamais seria aceito no Brasil – optou pela junção do vale gás, PETI, cestas básicas e converteu em valores. Transferência de renda direta, garantiria o voto, com a mesma eficácia do *Libreto Cubano.  

Encerraram o debate do “Fome Zero” e criaram o Bolsa Família. Finalmente, dez meses depois, em outubro de 2003, foi realizado o primeiro pagamento do Bolsa Família, destinando a 1,15 milhões de famílias. O valor foi de R$ 73,67, correspondente a praticamente 1/3 do salário mínimo da época, R$ 230,00. A relação foi “politicamente” generosa, elaborada pelas Prefeituras e os Sindicatos dos Trabalhadores Rurais – que desde a criação do FUNRURAL – tem sede, funciona e é militante do PT nos mais distantes grotões do sonolento “gigante adormecido”.

A expectativa dos criadores do “Bolsa Família”, era uma redução lenta e gradual dos beneficiários, e a extinção do programa em no máximo uma década. Paralelamente, o MEC lançou o EJA – Educação para Jovens e Adultos, ressuscitando um dos programas exitoso dos governos Militares, o extinto MOBRAL. Ofertava cursos profissionalizantes através do sistema “S”, e criou o ensino profissionalizante, no ensino médio.     

As primeiras famílias assistidas pelo Bolsa Família, eram formadas por casais entre 18/25 anos, hoje se aproximam dos 50 anos. Nunca trabalharam, continuam analfabetas, vão ter que um dia se aposentar (?) Cômico, se não fosse trágico. A alternativa será criar um “Libreto” para os futuros idosos de 2030. Seus filhos já casaram, e a exemplo dos pais, se dependuraram no Bolsa Família. Hoje seus netos caminham para adolescência, sem a menor consciência do que significa a palavra “trabalho”, muito menos “estudo”. Lá se foram duas décadas perdidas, e o PT que esteve 14 anos no governo, pelo visto, não acabou com a fome. Na sequência, parte II.

*Libreto – caderneta usada pela população Cubana para compras limitadas, abaixo de U$ 20 ao mês, ou 100 reais. Arroz, feijão, farinha, açúcar e ovos, ou ½ kg de frango por mês. 

PESQUISAS SÃO DIAGNÓSTICOS

            Mais de cinco sondagens realizadas nos últimos quatro meses – por diversos Institutos de Pesquisas – indicam desânimo no eleitorado Campinense, em reconduzir o prefeito Bruno Cunha Lima para continuar à frente dos destinos da cidade. Fazendo uma analogia ao corpo humano, o paciente (Bruno) apresenta um quadro febril, sinal de alerta orgânico, que exige a realização de uma bateria de exames, para constatar se é vírus, ou bactéria, que está afetando seu sistema imunológico.

            Nos últimos quinze dias, resolvemos encarar a “prazerosa preguiça”, e começamos a andar aleatoriamente – ao nosso modo – pela cidade, para constatar o que fato estava ocorrendo. Procuramos ouvir o cidadão comum, investigando como ele enxerga as eleições de outubro próximo. Pequenas Mercearias, Panificadoras, Mototaxistas, motoristas do Uber, garçons, filas de Lotéricas, Bancos…

            A pergunta não era direta. Puxando conversa sobre acontecimentos do cotidiano, custo de vida, violência, drogas, política nacional… Até chegarmos ao que nos interessava: o prefeito estava realizando uma boa gestão? Cerca de 70% concordaram que sim. Ruas limpas, iluminadas, Postos de Saúde com médicos e medicamentos, um show na Educação…  A queixa é da “indústria” de multas da STTP.  

Entretanto, quando indagávamos sobre as possibilidades de sua reeleição, muitos afirmaram despretensiosamente que votariam nele (Bruno), mesmo sabendo que iria perder (?). Em alguns momentos, nos alongamos e questionamos o motivo: se Bruno está sendo um bom prefeito, por que o povo não quer mais votar nele? Respondiam que não sabiam o motivo. Mas, era o que ouviam em todos os recantos da cidade. A última pergunta – feita a personagens que pertencem a um público mais seleto – advogados, médicos, grandes comerciantes, corretores de imóveis… Qual o defeito de Bruno? Você conhece, ou já esteve com ele? Responderam prontamente: “não”. E concluíam: ele é muito arrogante e prepotente. Absurdo! Se for, não aparenta.

A figura do “arrogante” é inconfundível. Se expressa a partir da fotografia. E não é o que percebemos em Bruno. Porém, este estigma que lhes estão impingindo, pode resultar em efeitos danosos a sua imagem. Como consertá-lo? A partir de sua agenda. O eleitor formador de opinião, sente-se honrado em ser visitado, recebido, lembrado pelo Prefeito. Fenômeno intrinsecamente ligado à vaidade humana. Valorizá-los, para sentirem-se indispensáveis na campanha e na vitória. A guerra é vencida por soldados.

Bruno não se faz presente, e tem dificuldades em interagir com CDL, Associação Comercial, FIEP, entidades Filantrópicas, Igrejas, clubes de futebol de pelada, Associações de Bairros…Ali se encontram os grandes formadores de opinião. Seu atual opositor, Romero Rodrigues, que “sai do banquete com a cara de fome”, percebeu isto em 2019. Puxado como bode para atravessar água, num esforço hercúleo, enveredou por estes caminhos. Reduziu drasticamente sua rejeição, enfrentando adventos altamente comprometedores, como o escândalo da “Operação Famintos”, dentre outros.

Sou Campinense por adoção. Origem Potiguar. Já estive prefeito de minha terra natal, exercitei o jornalismo de batente em Campina Grande, João Pessoa, Brasília, Rio de Janeiro… Nunca deixei de morar em Campina Grande. Infelizmente, não conheço o prefeito Bruno Cunha Lima. O vi criança, na casa de seu avô Ivandro, um grande amigo. Não só ele, Aluízio – que Bruno não conheceu – Roberto, Ronaldo e o insuperável Arthur Cunha Lima. Hoje, como um dos decanos da mídia na cidade, estando logo atrás do companheiro Marcos Marinho, tenho também procurado saber da “velha guarda”, se Bruno conversa com eles. “Não”. É de difícil acesso (?). O político é um produto, que para ser vendido, deve estar permanentemente exposto na vitrine. Diferente de Bancos, que não têm mostruários. O que vendem são guardados em cofres.   

O POLÍTICO VIVO MORTO RICARDO COUTINHO

            Vésperas de uma eleição municipal, um dos maiores fenômenos políticos de João Pessoa do século XXI, Ricardo Coutinho, não está sendo merecedor sequer de uma nota, divulgada pela mídia (crônica política), vinculando-o a uma das pré-candidaturas a PMJP. Foi desprezado por todos? Ninguém quer seu apoio? Esqueceram que Ricardo foi um dos fundadores do PT-PB, por décadas militante, envolvido com a juventude e meios universitários – esquerda raiz – e Lulista da primeira hora? Atitude mesquinha do PT/PB, que está rasgando um capítulo inteiro do livro, da história da legenda na Paraíba.

            O PSB-PB em 2004, era uma sigla nanica, atrofiada, sobrevivendo das migalhas – empregos e cargos no terceiro escalão da gestão Cícero Lucena (PSDB) prefeito da Capital – avultou-se como grande agremiação, após a vitória acachapante, e em primeiro turno, do “Exército de Brancaleone”, comandado por Ricardo Coutinho. Derrotou todos. Ruy Carneiro – candidato oficial de Cícero – do então governador Cássio Cunha Lima, apoiado também pelo presidente da Assembleia Legislativa, saudoso Rômulo Gouveia.

            Prodígio inimaginável, encarado pelo núcleo tucano (PSDB) que comandava o estado, como um tropeço, cochilo, falha, ao subestimar o adversário. Todavia previam um voo curto de apenas quatro anos. Ricardo não conseguiria governar. Esbarraria na “burocracia” estabelecida. Faltava nomes para formar uma “equipe”, que materializasse suas promessas de campanha. Ledo engano. Ricardo criou o “Coletivo Girassol”.

 Escolheu a dedo seus auxiliares, esquecendo a meritocracia. Mesmo inexperientes, eram valores latentes, que se revelaram. Registre-se em tempo: para Ricardo conseguir vencer em primeiro turno, o apoio do ex-governador José Maranhão, contribuiu para “dourar a pílula”. Todavia, o “caixa” Ney Suassuna, foi fundamental na reta final da campanha. Quatro anos depois (2008), Ricardo reelegeu-se com facilidade, dispensando o apoio de Maranhão. Escolheu como vice, Luciano Agra, membro do “Coletivo Girassol”. Um excelente técnico que tinha correspondido às expectativas.

Confiando na “turma”, Ricardo aventurou-se a enfrentar José Maranhão, no governo, com poder de caneta, candidato à reeleição.  Não sei se alguém ainda se recorda do marcante ou trágico episódio, ocorrido numa entrevista do governador José Maranhão na TV Correio. O entrevistador, ao chamar o intervalo comercial, esqueceu de checar o monitor. Dormitando, os operadores da mesa de controle ainda estavam com câmeras e áudios ligados. Indagaram Maranhão sobre a candidatura do então prefeito Ricardo Coutinho. Maranhão abriu um largo riso, e respondeu: “eu tenho até pena…” Mesmo sem redes sociais na época, o episódio “viralizou”. Ricardo explorou a condição de vítima da “Senzala Política” dominada pelo poderoso Maranhão.

Após a cassação de Cássio, Maranhão vislumbrou repetir 1998: ser candidato único. Quem iria enfrentá-lo? Equivocou-se. Ricardo quase o derrotou no primeiro turno (2010). No segundo, o “patrolou” com uma maioria de 160 mil votos.  Na campanha, soube explorar o desejo de vingança do povo – sentindo-se traído com a cassação de Cássio – reeleito em 2006, derrotando Maranhão. Culpavam a influência do então senador, junto a Sarney e o TSE.

O pacto Cássio/Ricardo prosperou. Mas provocou solavancos no “Coletivo Girassol”, que já se insurgiu, e aparentava ser mais forte que Ricardo. A presença dos Cunha Lima no governo, emplacando 10 dos 21 Secretários, feriu os brios de Roseana Meira, na época figura mais influente do grupo. Ricardo não a levou para o governo. Ela permaneceu na PMJP, cujo prefeito era seu ex-esposo Luciano Agra. O grupo “rachou”. Ricardo só percebeu o veneno das cobras que havia criado, em 2012, nas eleições municipais. Sua candidata foi derrotada por Luciano Agra, que elegeu Luciano Cartaxo, tendo como vice Nonato Bandeira, seu ex-escudeiro. Afinal, quem manda no PT-PB? A legenda sofre de uma “acefalia”, semelhante à nacional? Janja manda mais que Gleisi.

Quanto a Ricardo, que como a “fênix” sonha em ressurgir das cinzas, se isto ocorrer, deve evitar sua preferência por técnicos. Luciano Agra e João Azevedo tiveram comportamento disciplinar absolutamente idênticos. Mas, um puxou-lhes o tapete. O outro, o deixou apto entrar no Reality Show “largados e pelados”. Vida longa ao “Coletivo Girassol”.  

Jornalista político e memorialista

REPUBLICANOS NÃO FOI PERDOADO PELO COLETIVO GIRASSOL

            O “modus operandi” das esquerdas paraibanas, inspiradas no sistema do antigo regime comunista de Moscou, estabelece a governança através de “eminências pardas”, formada por um pequeno grupo, núcleo que dita as regras, cria estratégias e projeta meios para (eles) permanecerem no poder.

O modelo é canhestro, inverte a simetria hierárquica do poder. Porém, mostrou eficácia da tirania que perdurou por 71 anos na Rússia/União Soviética. Ainda funciona na China, Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua e Venezuela. A “ideologia” é apenas um mecanismo de propaganda, muito embora “saturado”, porém o único meio capaz de manobrar as massas. Após a truculenta guerra civil Russa, onde milhões se mataram entre 1918/1921, uma ditadura comunista – travestida de socialista – começou a comandar os destinos da Rússia, e mais 15 países que compunham a União Soviética.

O “Coletivo Girassol” paraibano, pragmático, para eleger Ricardo Coutinho prefeito de João Pessoa em 2004, se compôs com o MDB do governador José Maranhão, e contou com o imprescindível financiamento de campanha, usando recursos do senador Ney Suassuna. Mas, chegando ao poder, aos poucos, defenestraram e traíram todos. Ricardo Coutinho, foi obrigado a romper e expulsar de sua gestão, Nadja Palitot, quem lhes deu a legenda, negada pelo PT, para disputar e vencer, Cícero, Ruy e Cássio.

Roteiro copiado e absolutamente semelhante às práticas do comunismo Moscovita. Lênin (1921) era o presidente da Rússia, Trotsky Primeiro Ministro e comandante fundador do Exército Vermelho. Tinha um vice-presidente, mas, quem governava era o Secretário Geral do Partido, Joseph Stalin (?). Sob seu comando, a Tcheca, polícia política que só enxergava traição. Fuzilou os principais líderes da Revolução, após a morte de Lênin; e expatriou Trotsky, pai da Internacional Socialista.

O poder foi estruturado com a criação do Soviete Supremo (parlamento único) que unia a Rússia e todas as nações da União Soviética. O Politburo determina todas as diretrizes do governo. Mas, o Presidium, era quem governava, comandado por Stalin, Secretário Geral do Partido.

Na ânsia para tomarem de assalto o poder, os comunistas são capazes de tudo. O maior adversário de Cássio Cunha Lima, era o “Coletivo Girassol”. Para derrotarem quem os pôs na PMJP (José Maranhão), beijaram as botas do tucano, que terminou por ceder ao assédio, e apoiou Ricardo (2010). Chegando ao Palácio da Redenção, Ricardo quis se livrar do “Coletivo Girassol”, temendo ser engolido por eles. Houve um “racha”. A vingança foi levar Ricardo a experimentar sua primeira derrota, quando os “banidos” se uniram a Luciano Agra, e elegeram Luciano Cartaxo prefeito de João Pessoa.

A “pisada na bola” de Cássio em 2014, levou Ricardo a juntar-se novamente com o “Coletivo Girassol”. Se reelegeu, e derrotou o imbatível líder do Clã Cunha Lima. O “Coletivo Girassol” (2018) impôs o nome de João Azevedo. Ricardo “engoliu”, e o elegeu em primeiro turno. Todavia, ficou governando o Estado. A João, só foi concedida a cadeira e a Granja Santana. Não mandava em nada. Homens de negócios, o “Núcleo Girassol”, mantendo Ricardo no comando do governo, levou-o a tropeçar na “Operação Calvário”. Entregue à própria sorte, foi parar na cadeia. O “Coletivo Girassol” lhes deu as costas. Vingança consumada e sua retomada do poder. João Azevedo se reelegeu, quem governa é o “Coletivo Girassol”, porém frustrado: o fracasso do seu plano original,  fugiu do põe em risco seu futuro.

O projeto era João governador e Pollyanna Dutra senadora, para sucedê-lo em 2026. O Republicanos pôs água no Chopp. Elegeram Efraim Filho, que deve seu mandato a Adriano Galdino, Hugo Mota e Wilson Santiago. Bastava os votos de Adriano e Murilo, casados com Pollyanna, para derrotar Efraim. O “Coletivo Girassol” não os perdoou. Principalmente Adriano, que é boicotado pelas “Eminências Pardas” que ditam o que deve fazer ou não o governador. Talvez o “Coletivo Girassol” esteja cavando sua própria cova. O Republicanos representa hoje – dados da última campanha – 38% dos votos válidos da Paraíba. Ninguém chegará ao governo em 2026, sem o seu apoio. Hoje, nas mãos de Adriano Galdino está o destino dos pré-candidatos ao governo, e ao senado em 2026.   

MOACI CARNEIRO: ÚLTIMA TRINCHEIRA DA EDUCAÇÃO

            Ontem (15/03/2024), o professor Moaci Carneiro esteve em Campina Grande, para lançar a 25ª edição de seu livro, LDB FÁCIL – best-seller que já vendeu mais de um milhão de exemplares, desde sua primeira edição – compêndio que traz em seu conteúdo, conjunto de leis, regras, estratégias destinadas ao ensino fundamental/médio, leitura obrigatória para os docentes e roteiro com temas inesgotáveis para alicerça teses de Mestrados e Doutorados na área da educação.

Sua primeira edição, idéia aprovada, incentivada, festejada pelo saudoso baluarte defensor da qualidade do ensino brasileiro, senador Darcy Ribeiro, foi reconhecida como a “bússola” que guiaria a educação do país, nos mares revoltos e tempestuosos das confusas mudanças e desacertos concebidas pelo MEC (anos 90 ultima década do século XX). Período de grandes conflitos nos meios acadêmicos, formados por grupos, divididos em conceitos, enraizados nas dezenas de “Conselhos”, que buscam sedimentar-se na divergência, descartando seu verdadeiro papel que é a construção dos caminhos da “convergência”, planificá-lo, unificá-lo e expandi-lo.

Moaci Carneiro proferiu uma palestra majestosa, brilhante e pedagógica – sem utilizar a vaidosa linguagem sofisticada comumente usada nos meios acadêmicos – diagnosticando, e ao mesmo tempo, dissecando o “gargalo” da educação brasileira. Argumentos fundamentados em dados de pesquisas e estudos sobre o tema, discorrido habilmente num formato de comunicação, compreensível e de fácil assimilação.

Na ocasião, sentimo-nos abatidos por uma tristeza profunda, saudosista, que nos remeteu a um passado não tão distante. Lembramos da grandeza, espírito públicos e generosidade do saudoso Reitor da UFPB, Cel. Guilardo Martins. No momento mais tenso dos governos Militares, vendo seu próprio filho liderar as manifestações “Abaixo a Ditadura”, o idealista Cel. Guilardo, ouviu jovens e sonhadores da antiga Escola Politécnica de Campina Grande, e o Reitor da recém fundada URNE, Edvaldo do Ó. Dividiu geograficamente a UFPB. Todos os cursos da área das Engenharias, seriam sediados em Campina Grande. Alçou Linaldo Cavalcanti – então Reitor da URNE – para o cobiçado posto do MEC, o DAU – Departamento de Assuntos Acadêmicos Universitários. O jovem Linaldo na época, era a segunda maior autoridade, abaixo do Ministro da Educação. Guilardo Martins posicionou Campina Grande na vanguarda do novo formato da futura educação brasileira. Ao deixar a UFPB, assumiu a FIOCRUZ.

A visão futurista de Campina Grande, deu a oportunidade de Irineu Cabral criar a EMBRAPA, hoje maior orgulho do país. Linaldo Cavalcanti, além de ter promovido a expansão Universitária, foi o fundador e primeiro presidente do CNPQ. Criou em Campina Grande, o primeiro Parque Tecnológico do Brasil. José Silvino Sobrinho, fundou com apoio de seus colegas professores, a ATECEL. Trouxe o primeiro computador para o Nordeste. Esteve nos Estados Unidos e Japão, onde foi adquirir know-how sobre “Estradas e Mobilidade Urbana”. Avançou com a ATECEL, e convenceu Guilardo Martins a trazer Eliar Vavacle, Tcheco da “cortina de ferro” que dividia o mundo.

O Brasil não tinha relações diplomáticas com a URSS. Vavacle veio como clandestino, esteve escondido em Campina Grande, apoiado por Cel. Guilardo Martins, para estudar as bacias hidrográficas da Paraíba e transformar a ATECEL num dos melhores laboratórios de estudos de solo. Professor Moaci Carneiro, foi o “caçula” desta geração, onde Buriti – governou o Estado por duas vezes – era Chefe de Gabinete do Reitor Linaldo Cavalcanti. O Brasil tem hoje apenas dois cursos superiores na área de Meteorologia. Um em Campinas (SP) e outro em Campina Grande (PB), mesmo sucateado, foi um projeto exitoso de Linaldo Cavalcanti.

Moaci Carneiro dedicou toda sua vida à Educação. Em sua palestra, expôs que estamos “atolados” na estrutura política/casuística/ideológica/partidária. Dados estarrecedores, como por exemplo, 38% dos atuais Secretários de Educação dos Estados, não entendem nada de educação. Nos municípios, alcança-se o alarmante índice de 78%. Exibiu números como, por exemplo, os Estados Unidos, que destina 6% do seu orçamento para Educação. O mesmo percentual do Brasil. O problema deixa de ser recursos. Trata-se de má gestão. Somos os últimos, em todas as avaliações de organismos internacionais. Milhões de analfabetos, outras dezenas de milhões de analfabetos funcionais, e o mais triste: a falência do ensino, e o surgimento de Cursinhos Preparatórios para o ENEM, e até provas da OAB. Reflexão: o que ensinam nas escolas?

Encerrando o quadro de desilusão, registramos as ausências. Não se fez presente o Secretário da Educação do Município. Nenhum Diretor das Escolas Municipais. Onde estavam os vereadores e deputados que empunham a bandeira da Educação? Lá não apareceram. Leve-se em conta, a ausência dos Reitores e professores das inúmeras Universidades privadas de Campina Grande. Memória curta: Campina só permaneceu grande, graças a geração Linaldo, Edvaldo, Silvino, Garrincha e o seu caçula Moaci Carneiro. Nosso destino, após a construção das grandes rodovias, nos levando a perder a posição de “Polo Abastecedor”, seria o mesmo de Itabaiana, no século XIX. Quem salvou a cidade economicamente, foi sua transformação em Polo Educacional e de Saúde. Estagnamos no tempo, por abdicarmos da nossa vocação de “vanguarda”.  

ADRIANO JÁ PERCEBEU A CONSPIRAÇÃO?

            O deputado estadual Adriano Galdino (presidente da ALPB) patrono da causa para consolidar o governador João Azevedo, como primeiro colocado no ranking das principais lideranças políticas do Estado, tem aparentado ser um defensor solitário desta ideia, ainda não assimilada pelo “núcleo estratégico” que orienta o atual inquilino do Palácio da Redenção. Adriano desde a posse de João Azevedo vem trabalhando com afinco o nome do governador para o Senado Federal nas eleições de 2026.  

Entretanto, o perceptível silêncio de Galdino – últimas três semanas – sinaliza cansaço. Seu tirocínio político, prevendo o que virá após o resultado das urnas de outubro próximo, o levou, nos últimos meses, a se pronunciar rotineiramente e advertir inúmeras vezes o governador, da imperiosa necessidade dele se filiar a um partido, que esteja sob seu comando. Avisos ignorados, e não merecedores da devida atenção.

 O recente episódio de Santa Rita, revelou que Adriano Galdino está correto. O Republicanos deve ter despertado, que definitivamente está em rota de colisão com o projeto dos “oráculos” palacianos – mesmo sem votos senhores do destino político da Paraíba – por manterem sob “tutela” João Azevedo, hoje refém e dependente do PSB.

 Num esforço hercúleo, para reforçar seus quadros, e concomitantemente ampliar a liderança do governador, o Republicanos atraiu Nilvan Ferreira – que o derrotou em Santa Rita há dois anos – para enfrentar o candidato do atual prefeito. Paralelamente, ocorreu uma nítida tentativa de “boicote”, provocada pelo deputado federal Gervásio Maia, que ofereceu o PSB a Emerson Panta(?). Gervásio é o presidente da legenda que abriga João Azevedo (PSB). Quem esteve por trás deste ato imponderado? A Paraíba conhece Gervásio. Nestas circunstâncias, “só amarraria o burro, onde o dono mandasse”. Teve orientação e autorização Palaciana?

Nilvan disputando em Santa Rita, facilita a vida de Cícero Lucena. Apesar de seus redutos terem posições radicais e distintas, Cícero não terá o discurso “denuncista” e contundente de Nilvan, tirando-lhes indiretamente votos. A recente desistência intempestiva de Luciano Cartaxo, optando por não concorrer mais no pleito de outubro próximo, pavimenta o caminho para o “Alquimista” chegar com folga ao segundo turno. Se o ato não for uma manobra de Cartaxo – apenas com Cida não haverá primárias – e cabe a Executiva Nacional (se desejar) indicar diretamente um candidato. Tudo vem se encaixando numa “conspiração” prática, sem “teorias”.

O presidente do PT Jackson Macedo, negociou com Cícero Lucena “garantias” para recondução do seu irmão, Júnior Leandro, à Câmara Municipal de João Pessoa. Os votos do PT, irão beneficiar diretamente o candidato do PP de Aguinaldo Ribeiro, deixando o Republicanos em mais uma “sinuca de bico”. Ficará solteiro nas eleições de outubro próximo, em Campina Grande e João Pessoa? Pela cobrança feita ontem, por Aguinaldo Ribeiro a Romero Rodrigues, subentende-se que se o ex-prefeito resolver enfrentar Bruno Cunha Lima, com apoio do governador, os méritos serão dos Ribeiros, e não do Republicanos, que o esperou com “tapete vermelho” sua filiação.   

  Enquanto Adriano procura “juntar”, por trás tem um grupo desagregador, agindo para manter todos afastados. Caso Cícero Lucena se reeleja, Aguinaldo Ribeiro o lançará imediatamente candidato ao governo para o pleito de 2026. Caos necessário, para barganhar, e tentar expulsar o Republicanos da chapa majoritária: se não aceitarem Lucas, vai impor o nome de Cícero. Lucas ficaria no governo, para comandar a campanha. Os dois postulantes ao Senado seriam João Azevedo e Daniella Ribeiro. Qual o espaço que sobraria para Adriano, Hugo, Wilson (pai e filho), Murilo Galdino…

NÚMEROS REAIS DA PESQUISA DO DATAVOX DEIXA CÍCERO LUCENA NO MESMO PATAMAR DO PRIMEIRO TURNO DE 2020

            Pesquisa não vence eleição, não projeta candidato, e quando manipulada provoca efeito reverso nas probabilidades de sucesso do postulante. Debruçando-se sobre os números do Instituto Datavox – publicou ontem pesquisa de intenção votos na Capital – devidamente registrada no TRE-PB, observamos que o prefeito Cícero Lucena, em plena campanha há quatro anos, visto pelo menos duas vezes ao dia em todos os blogs e Portais de Notícia da Capital com alcance em todo o Estado, ainda está muito distante de atingir um percentual que corresponda ao volume de obras, serviços e ações de sua gestão, fatos divulgados ou documentados através das redes sociais.

            A amostragem aplicada em cinquenta bairros da capital, entrevistou 784 pessoas. Um universo diminuto, em relação ao desejado. Os candidatos serão votados em todos os bairros da cidade. Intervalo de confiança de 95%, margem de erro 3.5%. Com sensacionalismo, a divulgação chama atenção do leitor, ouvinte ou telespectador, para os índices colhidos em campo: Cícero Lucena 39,6%; Luciano Cartaxo 12,4%; Ruy Carneiro 8,9%; Marcelo Queiroga 3,2%; Pastor Sérgio Queiroz 2,7% e Celso Batista (PSOL) 0,3%. Infelizmente ocultam dados, que prejudicam o melhor posicionado.

            Dúvidas questionadas: por que a “seletividade” de apenas cinquenta bairros, e qual o critério utilizado para a escolha? Indicação ou sorteio? O número dos bairros pesquisados, representa percentualmente qual índice do eleitorado total da Capital?

 A divisão sócio/comportamental de João Pessoa é complexa. O que pensa o eleitor da área influenciada pelos residentes da Orla, é o oposto dos habitantes dos bairros populosos, carentes e periféricos. Diferente do Rio de Janeiro, por exemplo, onde os eleitores da Zona Sul, se identificam com as mesmas escolhas dos moradores das “Comunidades”, hoje voltada a ser denominadas de “favelas” pelo IBGE.

Vamos aos números – que não mentem – mesmo quando observados em perspectivas ou ângulos distintos. Do total de entrevistados, 17,5% se declararam indecisos. 15,3% pretendem votar em branco ou nulo. Somados, alcançam o total de 32,8% do eleitorado destes cinquenta bairros (1/3) de sua população, que ainda não fizeram suas escolhas, nem revelaram suas preferências. Apenas 61,2% já demonstraram intenção de voto. Cícero Lucena com 39,6% dos votos, num universo de 61,2%, alcançou 24,3% do eleitorado destes bairros pesquisados.

Nas eleições de 2020, o prefeito da Capital chegou ao segundo turno, com 20,72% dos votos válidos. Números que se comparados ao resultado da pesquisa, olhando no retrovisor 2020 e adicionando a margem de erro de 3,5%, Cícero tem a mesma performance de quatro anos atrás: 20,3% + 3,5= 23,8% em apenas cinquenta bairros.

Já se passaram quatro anos de trabalho intenso, no seu limite máximo, diuturnamente tentando conquistar o povo. Onde errou, ou erraram sua equipe de comunicação? Há quatro anos (2020) Cícero não tinha o que mostrar. Só relembrar o que havia feito no passado. Como irá doravante crescer, ou alavancar sua campanha? Tempo exíguo – sete meses para o primeiro turno – só lhes resta descobrir um método semelhante ao “ovo de Colombo”. E, continua lutando para chegar ao primeiro turno.

PEDRO CUNHA LIMA PODERÁ SUBSTITUIR RUY CARNEIRO NA DISPUTA PELA PREFEITURA DE JOÃO PESSOA

            Os últimos acontecimentos – condenações na esfera judicial – envolvendo o deputado federal Ruy Carneiro, pré-candidato do PODEMOS a PMJP, tem causado estragos na sua imagem, observada pela atenta e exigente opinião pública da Capital, eleitorado de comportamento atípico, hiperativo e com características “cosmopolita”.

            Ruy Carneiro, se contrapondo aos fatos, tem se limitado em declarar que querem “silenciá-lo” (?). Argumento precário, difícil de ser assimilado pela opinião pública, incapaz de levá-la a conjecturar existência de uma conspiração do Poder Judiciário, para barrar sua candidatura. A tarefa de homologar candidatos, é do TSE, que exige certidões e documentos pertinentes, estabelecidos pela legislação eleitoral vigente.

            João Pessoa é a única Capital do Nordeste, com solo estéril, infértil ou infecundo, incapaz de enraizar o “conservadorismo” político oligárquico. Ceará (irmãos Gomes), RN (Maia e Alves); PE (Arraes divididos para governar); Alagoas (Calheiros); BA (ACM desde o avô) … O primeiro passo para um postulante, que deseje comandar os destinos da Capital Paraibana, é encomendar um estudo (pesquisa) diferente do modelo anacrônico adotado nas atuais amostragens “universalizadas”, aplicadas pelos Institutos de Pesquisas. Investigar em profundidade como, e o que pensa a população, sob os mais diversos ângulos – do consumo a rotina do quotidiano – resultará no mapa da vitória. O Professor Pedro César, deve saber perfeitamente, o que como leigo ora comentamos.

            Nas eleições de 2022, João Pessoa mais uma vez revelou através das urnas, a excentricidade de sua gente. Uma campanha radicalizada, verticalizada pela disputa presidencial, surge Pedro Cunha Lima, um candidato jovem, discurso leve, distante dos dois pólos – quem mais interagiu com a juventude – no primeiro turno, obteve 26,50% dos votos válidos (111.766) sem pedir votos para Bolsonaro ou Lula. Ficando apenas 4% atrás do governador João Azevedo, e das duas máquinas (Governo do Estado e PMJP). Nilvan Ferreira, representante do Bolsonarismo, foi o mais votado, com apenas 6,10% , à frente de Pedro Cunha Lima. O fato despertou os observadores da cena política.

            No segundo turno, o “maratonista” Pedro Cunha Lima – não mudando seu ritmo – cresceu assustadoramente, alcançando 58,12% do eleitorado Pessoense (255.264 votos), deixando na “poeira” João Azevedo com 41,89%, ou 184.047 votos. Uma maioria de 71.517 sufrágios, resultado que comprometeu as lideranças Cícero e João.         

            Cabe ao “tucano” Pedro Cunha Lima, avaliar se deve ou não continuar interagindo com o eleitorado da Capital, que se identificou com seu perfil, alavancando sua performance, como o mais preferido, dentre os demais. Amor à primeira vista? Nunca existiu em João Pessoa, liderança transferidora de votos. O escolhido foi Pedro. Ele não conseguirá transferir estes votos para Ruy, nem para seu próprio pai.

            A recente sentença do Juiz Adilson Fabrício Gomes Filho – 2ª Vara Criminal de João Pessoa – condenando Ruy Carneiro a 15 anos e 10 meses de reclusão, 4 anos e 4 meses de detenção além da devolução de 750 mil reais (Caso Desk 2009) – atingiu em cheio fatia expressiva de seu eleitorado, que é conservadora “Lavajatista”. As investigações do GAECO – Hospital Napoleão Laureano – podem respingar em Ruy. E ainda tem a “bomba”, de efeito retardado, “Padre Zé”. Seus estilhaços, também poderão atingi-lo. Tudo isto, ocorrerá em plena campanha, ou às vésperas das convenções.           

Pedro Cunha Lima, desprovido de vaidade, abdicou logo cedo do seu “capital político” em João Pessoa, evitando frustrar seu amigo Ruy. Mas, é chegado o momento dele optar: ou deixar a vida pública, ou assumir o espaço que ele franqueou a Ruy, e disputar a PMJP, salvando inclusive a legenda que o abriga (PSDB) prestes a ser extinta. 

PT ASFIXIA LUCIANO CARTAXO PARA FORTALECER CÍCERO LUCENA

            O PT da Paraíba, ao longo das duas últimas décadas, vem se distanciando totalmente dos mandamentos de sua “cartilha” (Estatuto), e adotando posições excêntricas, fisiologistas e pusilânimes. Onde estão as lideranças políticas e históricas das esquerdas, que compunham o PT/PB desde sua fundação?

            O partido hoje tem o presidente da república. Amplas possibilidades de lançar um candidato e disputar – pelo menos – nos dois principais colégios eleitorais do Estado: João Pessoa e Campina Grande. Entretanto, a sigla é comandada por um fiel escudeiro do governador João Azevedo, Jackson Macedo. É liderança política em nível estadual? Tem mandato eletivo de relevância importância? Será que 10%, dos atuais presidentes dos Diretório da agremiação, instalados nos 223 municípios do Estado, o conhecem?

            Luciano Cartaxo foi eleito – apoiado pelo saudoso Luciano Agra – e reeleito prefeito da Capital. Nos dois embates, derrotou a candidata do então governador Ricardo Coutinho – auge de sua popularidade – com poder de caneta, o ex-governador José Maranhão, de quem foi vice-governador (2008/2010) e Cícero Lucena. Nunca perdeu sua identidade com o partido. Ficha limpa, preenche todos os requisitos para presidir o PT/PB, mas, não passa de um simples filiado. Quem afinal manda no PT/PB?

            Abandonados, esquecidos e ignorados, os resistentes da legenda em todo o Estado, esperavam seu soerguimento, após Lula voltar ao poder. Eventos sinalizaram o seu fortalecimento, como a volta de Ricardo Coutinho, Cozete Barbosa – dentre tantos outros – “históricos”, fatos não “festejados”. Pelo contrário, “boicotados” pelo silêncio da mídia, que os mantêm no “freezer”, fora das pautas “Micro-ondas”. 

            O senador Veneziano Vital do Rêgo, ocupa diariamente espaços nas redes sociais, mostrando seu trabalho de lançar um candidato em todos os municípios de Paraíba, revitalizando uma das legendas – outrora mais respeitada do Estado – por onde passaram Humberto Lucena, Ronaldo Cunha Lima, José Maranhão, Buriti II… Republicanos seguem o mesmo caminho, renovando quadros políticos, e ampliando suas bases; PSB mesmo claudicante, tenta acompanhar o MDB/Republicanos… E o PT? Com um Fundo Partidário correspondente a uma mega-sena acumulada, permanece engessado? Ou, fazendo uma analogia aos jogos da Caixa – Loteria Esportiva – seu núcleo dirigente, meia dúzia de pessoas, optaram por marcar um “triplo”? Queimar Luciano, participar da gestão Cícero Lucena e desfrutar de espaços privilegiados no governo do Estado (PSB)?

            Luciano Cartaxo, em todas as pesquisas de consumo realizadas por seus adversários, figurava em terceiro lugar. Primeiro Cícero (30%), segundo Sérgio Queiroz (28%), terceiro Luciano Cartaxo (16%), quarto Ruy Carneiro (14%), quinto Nilvan Ferreira (11%), sexto Marcelo Queiroga (6%). Como pesquisa é uma fotografia do momento, tudo pode mudar, a cada instante. Porém, no caso de Luciano Cartaxo, o dano é que ele tira votos de Cícero Lucena e do PSB. É um eleitorado radicalmente contra o prefeito e o governador do Estado. Poderia alcançar o segundo turno? Talvez. A disputa seria entre ele e Cícero. Neste caso, amputar Luciano, o impede de participar da Maratona 2024.

ÁGUAS DE MARÇO: ENXURRADAS PODEM AFOGAR JOÃO AZEVEDO

            A falta de arrojo, audácia e determinismo político do governador João Azevedo, tem sido seu “calcanhar de Aquiles” – característica marcante já enxergada pelos “oportunistas” ávidos e viciados no privilégio – que não sobrevivem sem o abrigo do Palácio da Redenção, pouco importando quem esteja de plantão no poder.  

Bafejado pela sorte, João tem conseguido estampar uma imagem de “mansidão”, cortina que esconde seu perfil real: frágil, grácil e indeciso. Encontrou um exército para blindá-lo (Republicanos) que permanece constantemente em combate, expandindo suas conquistas, ampliando o domínio de seu território eleitoral. Entretanto, seu “Estado Maior”, grudado diuturnamente na figura do “governador”, monitorando seus passos, tem feito o posto. Envereda pelos caminhos obscuros da desagregação (fuxico palaciano), cujo destino – cedo ou tarde – é esbarrar em rupturas.

O governador tem um vice de Campina Grande – jovem Lucas Ribeiro – filho de uma senadora da república, sobrinho de um deputado federal de indiscutível influência entre os “notáveis” do PP, família (Clã) reconhecida hoje – pelo espaço que ocupa – como a principal oligarquia da cidade, não tem demonstrado o menor interesse em indicar um candidato a prefeito, trabalhar este nome, e derrotar os Cunha Lima, mostrando força política na Rainha da Borborema. Desafio indispensável para conquistar e justificar sua legitimidade no direito de preferência na formação da chapa majoritária de 2026. No segundo maior colégio eleitoral do Estado, João só tem seu nome, perecível ao tempo.

Por que não procurou, escutou ou pediu sugestão ao seu fiel escudeiro, Adriano Galdino? Se tivesse o incumbido de resolver o problema – em tempo hábil – hoje o governador teria um candidato para disputar as eleições na Capital do Trabalho. Mas, resolveram apostar num “racha” dos Cunha Lima. Impossível. E se isto acontecer, o propósito é levar o governador a uma derrota humilhante, com danos irreparáveis ao seu projeto político de ocupar uma das duas vagas no senado em 2026.

Os “conselheiros palacianos” de João Azevedo, cometem os mesmos erros históricos, e seus efeitos desastrosos, que levaram aos tropeços de Ivan Bichara Sobreira, Buriti, Wilson Braga e José Maranhão. Confundem “lealdade” com “subserviência”. Quem conhece as dificuldades da guerra, e seus combates, são aqueles que estão no “front”. Adriano Galdino – disputa de Santa Rita – com uma única cajadada, matou dois coelhos. Atraiu Nilvan Ferreira para o Republicanos, tirou o governador como alvo do stand de tiros, criando a oportunidade de em 2026 ter o apoio de Nilvan. Mas, o PSB que controla João Azevedo, criou um opositor palaciano contra Nilvan, mesmo sabendo que é uma causa perdida.

            Galdino é o único político (poderoso) do Estado, que diariamente prega a candidatura de João Azevedo ao senado. Se quisesse trucidá-lo, bastaria ter permitido ou permitir, a instalação de uma CPI, seja lá qual for. O presidente da Assembleia Legislativa do RN, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB) instalou a CPI da COVID – 19, compra de respiradores a uma empresa que vendia “cannabis” (maconha), aquisição igualmente feita pelo governador João Azevedo, com pagamento antecipado e produtos nunca entregues. Ezequiel (RN), seria candidato a governador. Desistiu, passou a ser o governador de fato do RN, obrigou a governadora petista, Fátima Bezerra, lançar dois candidatos ao senado, dividir os votos do PT e eleger o Bolsonarista (seu amigo) Rogério Marinho. Até hoje quem governa o RN é Ezequiel.

            Em conversa por telefone com Nilvan, que zela sua postura de sinceridade, comentou que no momento de sua escolha para ficar com o Republicanos, Hugo Mota ligou para Adriano, que além de dar seu aval, prometeu se empenhar na campanha. Resta a Adriano, tomar a atitude, e mudar sua posição: ao invés de “ser da casa ou cozinha”, optar pelo status de “convidado”. O banquete é sempre para os convidados. Os de casa, comem as sobras, ou o costumeiro “feijão com arroz”. 

ZÉ DIRCEU E O CANTO DO CISNE

            No último 24/01/2022 – há pouco mais de trinta dias – a CNN exibiu às 23hs, uma entrevista exclusiva com Zé Dirceu. Pauta cuidadosamente elaborada para avaliar os resultados de mais uma gestão petista, identificando suas novas ideias, planos e projetos, da sigla que ele pôs no poder nas eleições de 2002. Dirceu foi o grande reformador do PT, após três derrotas consecutivas para Collor e PSDB (1989/1994/1998). Com coragem e ousadia, em 2001 “virou a mesa”. Criou o “Campo Majoritário”, expulsou toda a esquerda radical da legenda, já decidida escolher nas prévias, o então senador Eduardo Suplicy, como candidato para enfrentar José Serra.

O Pragmático Zé Dirceu, vinha defendendo a tese que o objetivo era vencer. Inspirado historicamente no Fascismo/Nazismo – primeiro chega-se ao poder pelo voto – depois se instala a revolução. A juventude (2002) já abominava e luta armada, desde a revolução cultural no final dos anos sessenta, onda “Beatles” e “Rolling Stones”, faça amor e não faça a guerra. Culminou na derrota dos Estados Unidos no Vietnã.

Após a queda do Muro de Berlim, e o fim da União Soviética (1989/2001) Cuba, exportadora da ideologia comunista para toda América Latina, expôs seu atraso e não teve como esconder que se transformará numa “sucata” do mundo. Se limitou a ser um reduto “coiteiro” de delinquentes, travestidos de terroristas. As FARC Colombiana, havia abandonado a causa revolucionária, e se transformado numa gigante produtora exportadora da cocaína. Sem a ajuda das elites econômicas e o fisiologismo dos profissionais da política – não esquecendo Valdemar da Costa Neto de 2002 – o PT feneceria na sua quarta derrota, pelo envelhecimento de sua retórica. Lula, assumiria o posto deixado pelo saudoso Luís Carlos Prestes, eterno Cavaleiro da Esperança,  que partiu em 1990.

  A entrevista, apesar de ser anunciada “bombasticamente” durante a programação da emissora, foi comandada pelos jornalistas Daniel Rittner e Thaisa Falcão. Aos 77 anos, Dirceu – apesar de todo esforço – mostrou sinais de cansaço, desconexão com as mudanças ocorridas nas esquerdas, após sua metamorfose “progressista”, estilo norte-americana, abraçando causas distintas das brasileiras.

Racismo, imigração, LGBTQIA+, são temas progressistas, ignorados pelo PT Brasil, que fugiu do seu discurso da “fome” e “trabalhista”. Reconheceu que a legenda encolheu, perdeu os Sindicatos, Estudantes, Igreja e setores da classe média. Seu poder de mobilização é limitado e claudicante. Não tem mais capacidade de levar o povo às ruas. Sobre sua influência no Lula III, tergiversou. Conversa com alguns Ministros e fala com Lula, só quando necessário. Não vai tomar o precioso tempo do presidente, com agenda estrangulada. Mas, deixou “escapar”, que não existe o mesmo grupo de Conselheiros 2023/2006/2010. Acrescentou que Lula tem que falar e fazer o que pensa.

Sem esconder suas decepções, a dupla de jornalistas indagou qual o projeto político de Zé Dirceu. Volta a disputar um mandato? “Possivelmente não. Já tenho um sucessor, meu filho Zeca na Câmara”. A tarefa doravante, será concluir sua biografia, revelando que o “Mensalão” foi uma mentira. Nunca aconteceu nem existiu (?). Esqueceu Dirceu, que provas, acareações e delações foram tão evidentes, que quem o condenou foi o STF, com votos dos Ministros por ele escolhidos e sabatinados. A Lava-Jato, segundo Dirceu, teve apoio da Secretaria de Justiça dos Estados Unidos. Absurdo, cinismo, ou esquizofrenia?  O tempo de prisão em Pinhais, e condenação pelo TRF-4 a 40 anos de cadeia, ele considera erro proposital do Judiciário. Todavia, entrou em contradição: “eles cometeram este abuso, esperando minha delação” (?). Se ele é inocente, não tinha que, nem quem delatar. O grave, foi deixar transparecer nas “entrelinhas”, que o PT não estava preparado para uma vitória em 2022. Razão de não terem planejado, nem montado uma boa equipe de governo. Então, como vencerão?  

BOLSONARISMO: O GRITO DO SILÊNCIO DA PAULISTA

            Desde ontem (25/02/2024) após as 17hs, sintonizamos a grande mídia nacional, através de suas principais redes de TV – canais abertos e fechados – na curiosidade de observar se o Jornalismo Profissional, ainda tinha chance de sobreviver aos “novos tempos”, trazidos pelo fenômeno inovador das redes sociais, que tomaram seu antigo papel de divulgar fatos e imagens, levando informações – despidas de comentários – ao público telespectador, e em tempo real. Imagens que dispensam comentários.   

            Infelizmente, mais uma vez nos decepcionamos. Flash rápido, câmeras no solo, outras direcionadas apenas para alguns trechos de seus quarteirões… Mas, a CNN usou Drones e mostrou toda a Avenida – 2,8 km de extensão – totalmente lotada, com o povo espremido, semelhante a “sardinhas em lata”. Ocupando inclusive, trechos (ruas) adjacentes que davam acesso a Paulista.

Registro histórico, apontava como recorde de público, a manifestação contra Dilma Rousseff, em março de 2015. Até ontem. As consequências de 2015, culminaram no impeachment da presidenta, e sua derrota três anos depois, disputando uma das vagas para o Senado, representando seu Estado de Minas Gerais. Pacheco venceu.

Coincidentemente, estávamos assistindo um excelente documentário, “Adeus Camaradas” – revisão da história – produzido por uma excelente equipe de jornalistas investigativos, políticos da época e historiadores Franceses, com fatos e depoimentos sobre o fim da União Soviética, dissolução do Pacto de Varsóvia, eleição de Boris Yeltsin democraticamente pelo voto, derrotando o Partido Comunista. Tudo feito pelo povo, sem coordenação, encorajados a partir da Polônia, e sua luta por um Sindicato Livre, com direito de greve, o Solidarnosc (Solidariedade) comandado por Lech Walesa.

Foi um efeito dominó. Em apenas dois anos, quinze Repúblicas que compunham a extinta União Soviética, declararam independência, removeram Ditadores e fizeram eleições livres. O povo enfrentou a temível KGB, Stasi (Alemanha Oriental) , Exército Vermelho e Forças Militares opressoras destas nações. Personagens da época – povo – em seus depoimentos, não negaram o medo de morrerem. Mas, confessaram que se sentiram impulsionados por uma força estranha, que não conseguem descrever.

O Establishment usou todo seu aparato, para intimidar a realização do evento com cobertura da Mídia Tradicional Profissional. A PF intimou Bolsonaro na quinta-feira, numa demonstração de força. Não divulgaram o evento e chegaram a sugerir (Fake News) que o Pastor Silas Malafaia – coordenador da mobilização – poderia ser preso e estava pensando em mudar a data do acontecimento. Mas, desprezando estas informações, as redes sociais mostraram sua eficácia e incalculável alcance.    

Chocado, o governo viu que sua base de sustentação no Congresso Nacional, não passa de um “Castelo de Areia” na praia. Estavam ao lado de Bolsonaro, líderes das principais legendas que ocupam Ministérios no governo petista. O PSD, PP, Republicanos e até o MDB, representado pelo seu maior líder (densidade eleitoral) o prefeito de São Paulo Ricardo Nunes.

Governadores de diversos Estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, mais de 160 deputados federais e 19 senadores da república… O povo foi ver e ouvir Bolsonaro. No discurso do anfitrião, Tarcísio de Freitas, a humildade em reconhecer que politicamente não era ninguém, antes de Bolsonaro. Acrescentou que o ex-presidente não é mais um CPF ou CNPJ, o Bolsonarismo simboliza um movimento do povo.

  O Pastor Silas Malafaia, chamou para si toda a responsabilidade de “descer a lenha” no STF, Alexandre de Morais, Lula, Lava-Jato e outros temas “proibitivos” no momento. Foi uma tarde de democracia. E como ressaltou Malafaia, em todos os países onde existem democracias, acontecem mobilizações, greves, interditam estradas – como agora na França e toda zona do Euro – por que só no Brasil, é proibido ir às ruas e protestar contra as decisões absurdas do STF? Somos ou não, uma democracia?

Hoje (26/02/2024) ao amanhecer, redes de TV tentaram minimizar o estrondoso “grito do silêncio”, com notícias internacionais, G20, Ucrânia e Gaza. Mas, ficou patente, que doravante, o Congresso se norteará pelo episódio da Paulista. E se Lula desejar concluir seu mandato – já engessado – tem que se curvar ao Parlamento que não é de esquerda e nem é seu aliado partidário. Aguardemos a reação do governo. 

(PARTE III)

AS DIFICULDADES DA CLASSE POLÍTICA ALCANÇAR O POVÃO ATRAVÉS DA MÍDIA

            O médico paraibano Drault Ernani – uma das maiores fortunas do Rio de Janeiro graças a amizade e confiança conquistada junto ao imperador das comunicações do Brasil Assis Chateaubriand – em janeiro de 1952, o encontrou casualmente no Aeroporto. Chateaubriand estava apressado. Mas, ao se despedir deu uma ordem: “Ah! Tenho uma missão para você. Vá a Paraíba. Estou precisando de uma cadeira no Senado nos próximos noventa dias”. Drault Ernani ficou petrificado. Todos sabiam que o dono dos Diário e Emissoras Associados era excêntrico. Tinha enlouquecido!?

            Respondendo calmamente, Drault tentou explicar: “Dr. Assis, o problema é o tempo. As eleições para o Senado aconteceram há dois anos (1950) e a próxima só daqui há dois anos” (1954). Chatô rebateu: “sei muito bem disto. Consiga a renúncia do atual senador e suplente”. A constituição permitia uma eleição suplementar, indireta, realizada pela Assembleia Legislativa. Mas, o que posso prometê-los, além de dinheiro? Indagou Drault. Duas vagas vitalícias no TCU, garantiu Chatô.

Talvez esta tenha sido a tarefa mais difícil de Drault. Contudo, tinha que cumpri-la. Havia recebido de presente, a Refinaria de Petróleo de Manguinhos, a única privada, permitida por Getúlio, após a Lei do “Petróleo é nosso”, com a criação da estatal Petrobras. Antes de vir à Paraíba, Drault resolveu a questão das renúncias no Rio, Capital do Brasil. Adalberto Ribeiro exigiu a Procuradoria Geral do Rio de Janeiro e Vergniaud Wanderley, se contentou com a vaga do TCU. Drault pegou seu avião e veio à Paraíba. Em 04/04/1952, estava tudo resolvido. A ALPB elegeu Chateaubriand. Esta foi a única eleição indireta para o Senado, registrada na história do Brasil.

            Dono do Jornal O Norte, Diário da Borborema, Rádio Borborema e Cariri, Chateaubriand jamais imaginou perder sua reeleição em 1954. Melhores jornalistas, toda classe artística nos palcos do auditório da Rádio Borborema, locutores e renomados apresentadores de programas ao vivo, audiência fechada na Paraíba e região. Pediam, a cada minuto, o voto para o Senador Assis Chateaubriand. Seria uma “barbada”. Num clima de “já ganhou”, subestimaram o adversário. Apurado os votos, Chatô perdeu para Argemiro de Figueiredo: “Popó nocauteou Mike Tyson”. Chateaubriand talvez tenha esquecido de valorizar o eleitor e a classe política: deputados, prefeitos, vereadores…

            Vitorino Freire, maior liderança do Maranhão – anos 50/60/70 – recebeu Chatô em São Luís, após sua derrota na Paraíba. Chatô foi inaugurar o Jornal O Imparcial. O mandato de Chatô se encerraria em 03/02/1955. Vitorino em seu discurso humilhou os paraibanos. “Seu povo, o negou em sua própria terra… Mas, você será o próximo senador do Maranhão”. As eleições foram no mesmo ano 01/06/1955. Vitorino Freire impôs uma condição a Chatô: não quero que o senhor faça nenhum comício, e nem venha aqui. Chatô foi eleito, voltou ao senado, onde permaneceu até 1957 e renunciou para ser Embaixador do Brasil no Reino Unido (Inglaterra) indicado por Juscelino Kubistchek, cargo que ocupou até 1961.

            O indecifrável enigma, é encontrar o mapa da vitória. Cada eleição escreve sua própria história. Um gesto, uma palavra errada, ostentação ou arrogância… Jânio Quadros, que governava São Paulo, foi deputado federal pelo Paraná e se lançou candidato a presidente da república. O candidato de Kubitscheck era o Marechal Henrique Teixeira Lott. Legalista respeitado em todo o país neste período. Carlos Lacerda – que levou Getúlio ao suicídio – se sentia imbatível pela UDN.

            O golpe de Jânio foi fatal: “não quero e repúdio votos de comunistas. Como comunista não tem vergonha, não se atrevam a votar em mim”. Ia à missa e era fotografado ajoelhado, rezando, ou no Confessionário. Denunciava ainda corrupção na construção de Brasília. A campanha foi a “vassoura” contra a “espada”. A Igreja Católica muito forte na época, interiorizou seu nome. Lott deve uma derrota acachapante. Motivo? Sua única filha era casada com um comunista.

AS DIFICULDADES DA CLASSE POLÍTICA ALCANÇAR O POVÃO ATRAVÉS DA MÍDIA – (PARTE II)

            Audiência não significa preferência ou transferência. Este equívoco sempre foi ignorado pela classe política, e continua deixando perplexos ou surpresos, a maioria dos profissionais da área – comunicações – do Rádio, TV, Jornais (hoje Sites e Portais de Notícias). O conceito abrange as plataformas criadas pelas gigantes Big Tech: Youtube, Facebook; Instagram; Twitter; Tik Tok, Kwai… que reportam fatos instantaneamente. Surgiram novas categorias de Comunicadores, como o Youtuber, o Digital Influence…

            O que nos deixa intrigado, é a carência de um método apropriado, para construir ou modificar o comportamento do povão – criando um personagem político – utilizando toda esta ferramenta tradicional, e a vanguarda. Nas eleições de 2018, o ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles, gastou 40 milhões de reais, com Marqueteiros e principais “Ingluences”, dominadores das redes sociais. Perdeu para Cabo Daciolo. Ou o povo não entendeu a mensagem de Meirelles, ou a maioria se nivela ao Cabo Daciolo.

            Nos anos 70, a grande audiência radiofônica em João Pessoa, era comandada por Enoque Pelágio. Apresentava um programa policial. Decidiu ser candidato e disputar uma vaga na Casa Napoleão Laureano (1976). Obteve uma votação superior a de um deputado estadual. Mas, talvez seu desempenho como homem público tenha decepcionado o eleitor. Mesmo continuando líder de audiência, em 1978 deu um passo maior que a perna, e disputou um dos assentos da Casa Epitácio Pessoa. Obteve uma votação inferior a de um vereador. Frustrado, abandonou a sua curta carreira política.

            Em Campina Grande, a Rádio elegeu diversos vereadores. Ari Rodrigues, Zé Cláudio, Evilásio Junqueira, José Luís Júnior, Assis Costa, Marcos Marinho e Negão do Café (controlador de som da Rádio Cidade). Mas, derrotou outros como Mica, Paulo Roberto Florêncio, Dagoberto Pontes, Kaliuka Vólia… Todos tinham audiência cativa, respeito e carinho do ouvinte ou telespectador. O que fez o povo pensar diferente na hora de votar, e não preferir seus nomes?

            Gonzaga Rodrigues, decano do Jornalismo paraibano, brilhante escritor e presidente da Academia Paraibana de Literatura, nas eleições de 1996, seus amigos o lançaram candidato a vereador. Nos papos dos cafés da Capital, quando se listava os prováveis eleitos, Gonzaga era o primeiro. Infelizmente não alcançou nem a suplência. O saudoso Soares Madruga, melhor comentarista político dos anos setenta, elegeu-se deputado estadual, porque o dono do Jornal que ele trabalhava, era deputado federal (Teotônio Neto) e o governador Ernani Sátiro, lhes garantiu cinco bons redutos. Foi líder do governo Buriti, presidente da Assembleia no governo Wilson Braga. Partiu prematuramente, no exercício do seu quarto mandato.

            Nas eleições municipais de 2020, os comunicadores voltaram à cena política em João Pessoa. A surpresa foi o Radialista Nilvan Ferreira. Alcançou o segundo turno, com 16,51% dos votos (60.615) derrotando Ruy Carneiro, Wallber Virgolino e o ex-governador Ricardo Coutinho. Cícero Lucena, figurou com 20,72% dos votos (75.610). Venceu Nilvan do segundo turno, evento previsível, pela omissão de Ruy Carneiro que se recusou apoiar Nilvan e permitir Cícero retornar para seu terceiro mandato.

            O companheiro Heron Cid, jornalista mais conhecido e admirado em toda a Paraíba, foi candidato a deputado federal em 2022. Postamos um artigo, defendendo seu nome para o Senado. Era melhor e mais conhecido que o de Pollyanna Dutra. Quem conhecia Pollyanna em Campina Grande e região? Heron, todos o ouviam pela manhã, tarde e noite. Mas, os planos de sua legenda, talvez fossem outros: atingir pelo menos 18 mil votos para eleger Gervásio Maia e Ricardo Barbosa (faltou 5 mil para entrar).

            Nilvan não era conhecido em Campina Grande. Foi candidato ao governo (2022) e enfrentou as maiores lideranças políticas do Estado. Governador João Azevedo, Cícero Lucena, Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima, Pedro Cunha Lima, Daniella Ribeiro, o Republicanos com Adriano Galdino, Hugo Mota, Wilson Santiago (pai e filho) Murilo Galdino, além do boicote de sua legenda. Obteve 406.604 votos, terceiro colocado, ficando à frente de Veneziano Vital do Rêgo.         

AS DIFICULDADES DA CLASSE POLÍTICA ALCANÇAR O POVÃO ATRAVÉS DA MÍDIA (parte I)

            Nos anos oitenta, período fervilhante da redemocratização, tendências embalaram o povo brasileiro na busca de mudanças. A classe política tradicional (no poder) correu à procura da mídia, para se abrigar do tsunami de 1986, quando o PMDB elegeu 22 dos 23 governadores dos Estados na época. Três outros Estados e o DF, surgiram após a Constituição de 1988. A grande maioria errou, e foi derrotada pela falta de interatividade dos profissionais dos meios de comunicação, com o povo.

            No vizinho Rio Grande do Norte, o empresário Geraldo Melo, aventurou-se a enfrentar a oligarquia Maia, que havia derrotado o maior mito do RN, Aluízio Alves quatro anos antes (1982), com um candidato neófito – jovem engenheiro – José Agripino Maia. A derrota foi acachapante: 110 mil votos de maioria. Chegando em 1986, ninguém da oligarquia Alves queria enfrentar os Maia. José Agripino tinha realizado uma gestão brilhante. Afastou-se do governo, e disputou o senado, ao lado de seu antecessor, Lavoisier Maia. O povo não conhecia Geraldo Melo.

            No momento de montar sua equipe, Geraldo Melo – visão futurista – preferiu contratar uma Agência de Publicidades, a Baiana GFM & PROPEG, que tinha a conta do Banco Econômico de Ângelo Calmon, seu amigo pessoal. Tempos depois, em conversa conosco, explicou: “a briga era entre Alves e Maia, se revezando no poder desde 1960. Apesar de estar no MDB, eu não queria figurar como preposto dos Alves”. Se o pleito fosse fácil, o candidato não seria ele, seria um Alves. Foi escolhido, para montar e bancar um palanque, perder a campanha, e eleger a bancada de parlamentares. Duda Mendonça, do departamento de criação da GMF & PROPEG, estreou como marqueteiro. Trouxe o Trio Asas de Águia, recém lançado no carnaval baiano para os “Showmícios”.

            O saudoso Geraldo, no seu primeiro contato com Duda Mendonça, foi claro: “um candidato é um produto. Sua tarefa será vender este produto a um mercado consumidor, o eleitor”. Crie músicas, atraia o povo, e oriente como devo me comportar. No palanque, e no corpo a corpo. Faça pesquisas, esqueça legendas, históricos partidários, referências… Descubra o “novo”. Terminada a campanha, o PFL elegeu os dois senadores, cinco dos oito deputados federais, e uma maioria expressiva na Assembleia Legislativa. A vitória de Geraldo foi solitária. Maioria de apenas de 14 mil votos. O registro histórico, é para o leitor saber como e onde surgiu o milagroso “Marketing Político”, que sobreviveu até 2018.

            Os meios da Comunicação, sempre foram parturientes de lideranças políticas, quando intuitivamente alguns profissionais da área, conquistaram a confiança do povo. Aluízio Alves (Udenista) foi um jornalista (imberbe) que aos 22 anos, se elegeu deputado federal Constituinte em 1947. Era assessor de imprensa de Dona Diva, primeira Dama do Estado, esposa do governador Dinarte Mariz, presidente da LBA. Chegou ao governo do Estado 13 anos depois, derrotando Djalma Marinho, avô de Rogério Marinho, candidato de quem projetou politicamente. Maioria de cinco mil votos.

            Na campanha de 1978, o MDB-RN, estava com dificuldades de formar uma chapa para a Câmara dos Deputados. O locutor de Aluizio em 1968, e de Henrique (1970) era o saudoso Carlos Alberto, que tinha um programa matinal na Rádio Cabugi: “Bom dia Secretárias do Lar”. Henrique o pôs na chapa, para ajudá-lo. Eis a surpresa: obteve quase a mesma votação que Henrique, e foi eleito na grande Natal. Em 1982, os Maia lhes ofereceram a vaga do Senado. Elegeu-se com folga, e puxou José Agripino, para derrotar seu padrinho político, Aluízio Alves. Tempos em que todas casas tinham uma empregada doméstica, e foram elas formadoras de opinião ou cabos eleitorais que elegeram Carlos Alberto de Souza, deputado federal e Senador da República. Na sequência, a Paraíba.      

COMO INTERAGIR COM O POVO BRASILEIRO?

            O grande desafio da classe política, artística/cultural – meios Acadêmicos envolvendo sociólogos, pesquisadores e estudiosos do comportamento humano – é descobrir um método eficaz, capaz de identificar como interagir com o comportamento hiperativo do povo brasileiro, indo ao encontro de seus anseios. Talvez seja algo simples, como o “ovo de Colombo”. Entretanto, tem sido desconcertante para os profissionais da publicidade, do jornalismo formador de opinião, marqueteiros, e outros curiosos que se arriscam em produzir belas “embalagens” de um produto, para vender seu conteúdo.

            No meio artístico, temos vários exemplos de projetos musicais, desenvolvidos por nomes consagrados pela crítica – transformando o Rio de Janeiro como Centro Cultural do Brasil – que resultaram em retumbantes fracassos econômicos. O intérprete Martinho da Vila é um exemplo. Entrevistado por Chico Pinheiro na Globo News (cerca de 10 anos) mostrou a realidade do consumo musical do Brasil.

Martinho da Vila – intérprete suburbano de Vila Isabel – longe do Leblon e ignorado pela crítica musical, estourou em 1969 no Rio de Janeiro, com um samba que vendeu 10 mil compactos (época do vinil). “Felicidade…passei no vestibular, mas a Faculdade é particular” … Foi totalmente ignorado pelos “intelectuais” da área. O Programa “Um Instante Maestro “, comandado por Flávio Cavalcanti, desqualificou por completo o sucesso. A bancada de críticos, julgaram de péssimo gosto, vazio e sem mensagem.  

A gravadora o aconselhou seguir o mesmo caminho de Roberto Carlos, Elis Regina, Jair Rodrigues dentre tantos outros. Mudar-se para São Paulo, o maior mercado consumidor de música do país. Ele mudou-se. No segundo compacto – em São Paulo – vendeu 80 mil. Mas, sentiu falta da Orla de Copacabana, o glamour carioca, a boemia…

No ano de 1964, o Rio de Janeiro comemorava seu quarto centenário de fundação. A maior de todas as festividades do evento, foi um concurso musical para imortalizar a data. Os grandes compositores de todo país se inscreveram. Quatro rodadas eliminatórias, até a final. O paulistano Adoniran Barbosa resolveu participar. Seus amigos do bairro do Bexiga (descendentes de Italianos) se quotizaram para pagar sua passagem de trem, e a pensão onde se hospedaria. Adoniran levou seu último sucesso em São Paulo: “Trem das Onze”. Não tinha nada relacionado com o Rio e seus 400 anos.

Quem julgava era o auditório. Os mais aplaudidos eram classificados para a fase seguinte. O compositor João Roberto Kelly, apresentou a música perfeita. Falava tudo sobre o evento e a cidade: “cidade maravilhosa, cheia de encantos mil, cidade maravilhosa, coração do meu Brasil” … Chegou a final com “Trem das Onze”. O auditório em peso cantava Trem das Onze, quase que não se ouvia a voz de Adoniran. Já “Cidade Maravilhosa”, poucos conheciam a letra. Venceu Adoniran Barbosa e desedificou o preconceito criado pelos Cariocas: “o samba nasce no Rio, morre em São Paulo”. Jornais, Revistas, Rádio e TV, antes da final, fizeram uma campanha contra “Trem das Onze”. Mas, o povão fez sua escolha. O episódio revelou, que a mídia não influencia mais no sentimento da população. Até hoje, se perguntarem qual foi o maior sucesso de Chico Buarque, público já sexagenário, só se recordam de “A Banda”. O povão cantava.

Se somarem todos os discos ou LPs de Chico Buarque, Maria Bethânia, Gal Costa… Monstros sagrados da mídia, que não entende o Brasil, e aferir com os milhões vendidos por Amado Batista – nunca mereceu uma nota de rodapé dos arautos da comunicação – perceberão que o “Bregão” de Amado bateu todos eles. A mídia brasileira sempre teve a característica doutrinadora ideológica. Este foi o motivo de fecharem os Jornais, falirem as TV e preservarem ainda o Rádio, que a duras penas, ainda interage com a população. Na política, a tragédia é bem maior. Tema da nossa próxima postagem.   

A PERIPÉCIA DE TOVAR ENXERGA APENAS SEU UMBIGO

            As duas últimas estocadas “traiçoeiras” desferidas contra o prefeito Bruno Cunha Lima, pelo tucano Tovar – estilo Romano Brutus – foi o suficiente para explicitar que o governador João Azevedo, não tem um projeto de oposição para Campina Grande. Seu núcleo estrategista palaciano, arquiteta uma “conspiração”, encorajando e arregimentado amotinados, para enfraquecer a gestão – com boicotes e sabotagens diárias – levando o prefeito a perder o poder de seu comando de voz – sobre suas tropas – que poderão se dispersar até o dia da eleição. Elucubrações do Palácio da Redenção.

             Todos os pré-candidatos pelas oposições de Campina Grande – após declarações de Tovar – submergiram instantaneamente. Jhony Bezerra (PSB) Eva Gouveia/Rosália Lulas (PP-PSD), as esquerdas raiz, Inácio Falcão & Cia, permanecem no mesmo lugar, de onde nunca saíram.  A aventura aparentemente insensata de Tovar é um projeto pessoal, da cozinha do Conselheiro do TCE Fernando Catão. Tovar não consultou sequer o presidente do seu partido PSDB, Fábio Ramalho, a quem Pedro Cunha Lima confiou os destinos da legenda no Estado. Pedro tem um pacto, e é devedor do apoio recebido por Veneziano Vital do Rêgo, no segundo turno das eleições de 2022. A “Pajelança” envolveu todos os caciques do MDB/PSDB, inclusive Cássio Cunha Lima e Vital Filho. Tovar começa perdendo na convenção do seu partido. A não ser, que continue traindo. Segundo adágio popular, “trair e coçar, é só começar”. Ele irá para o Podemos ou PSB?

            A única liderança capaz de “formatar” uma chapa de oposição em Campina Grande, é o deputado estadual Adriano Galdino, presidente da ALPB. Tem garantido a governabilidade, que navega em mar de almirante, anda, escuta e recruta. Se não fosse sua coragem em dar uma “mão de rédeas”, no segundo turno das eleições 2022, João não teria posto o “boi na faixa”. Seu diálogo é franco e aberto com o governador, povo e lideranças políticas. Todavia é subestimado pelo “gabinete ideológico” que engessa João Azevedo. Galdino vislumbrou a postulação de Romero Rodrigues, e se dispôs a entrar na luta para formar um exército. Mas, foi enganado pela forma “manhosa’ do ex-prefeito, que se aproveitou de todos, para figurar permanentemente na mídia. Nas redes sociais da Paraíba, Romero aparece mais que João Azevedo, Bruno, Cícero Lucena; Lula e Bolsonaro. Supera até o conflito da faixa de Gaza.

            Quanto a Tovar, sua disposição é perder uma eleição e resolver sua vida, ganhando um mandato vitalício. A pretensão é suceder seu genro – Fernando Catão no TCE – que alcança a compulsória ano vindouro, 2025. Após três mandatos de deputado estadual, quatro anos como Chefe de Gabinete do prefeito Romero Rodrigues, às urnas tem mostrado um declínio em sua densidade eleitoral, avisando-o que na próxima, ele perderá seu assento na Casa Epitácio Pessoa. Mas, Tovar deve ter obtido esta promessa da equipe do governador João Azevedo. Mas, já combinou com Adriano Galdino?

            Arthur Cunha Lima presidiu à ALPB. Sentiu que lhes negavam espaços para a Câmara dos Deputados, e nunca o convidaram para disputar a PMCG. Em conversa informal, nos confessou que estava cansado de ser o eterno “carregador de piano”. Cássio, governador, prometeu e indicou seu amigo Luzemar para o TCE. Não combinou com Arthur, presidente da ALPB. Alegaram acordo de cavalheiros: cada vaga surgida, seria preenchida por uma indicação do governador, outra pela Assembleia e a terceira pelos Auditores Fiscais. O destemido e admirado Arthur Cunha Lima, não deu a mínima para o pacto e mandou todos às “favas”. Foi o candidato e venceu: 20 x 16. Setores da mídia ainda o questionaram e ouviram como resposta: O TCE é um órgão de Assessoria do Parlamento. Quem escolhe seus membros é a Casa Epitácio Pessoa. 

ELEIÇÕES MUNICIPAIS

            Final do veraneio, recesso parlamentar – passado o carnaval – se inicia a corrida que envolve a maior disputa eleitoral do país. Eleições Municipais. Até o presente, segundo dados do TSE, 145 milhões de eleitores estão aptos a irem às urnas, para elegerem em 07/10/2024, mais de 57 mil Vereadores e 5.573 Prefeitos. No pleito deste ano, inúmeros outros fatores estarão em disputa, além da competição local.

            Com o constante e crescente espaço que vem ocupando no poder central, o Parlamento começa a se notabilizar, a partir do vereador. Inevitavelmente, as recentes conquistas (prerrogativas) alcançadas, serão verticalizadas de cima para baixo. Deputados Estaduais já têm o mesmo privilégio, que os Federais, no tocante a destinação das “emendas parlamentares”. A maioria dos grandes municípios se renderam às pressões das Câmaras Municipais, e começaram a adotar as “emendas dos Vereadores”. O paradoxo é que indiretamente, o tão rejeitado “voto distrital”, está sendo efetivado e posto em prática: recursos serão destinados às bases – considerados distritos – do vereador, deputado estadual e Federal.   

As principais legendas do país – antes abrigos temporários usados só no período eleitoral – iniciaram um processo de expansão de suas agremiações, na busca de novas bases, onde se alicerçará novos redutos – destino final de suas “emendas do OGU” – caixas que estruturará suas campanhas no grande embate de 2026, quando todos tentarão renovar seus mandatos.

Nesta primeira fase (janela da traição), curto período de 58 dias até 06/04/2024 – último dia para trocar de partido – deputados estaduais e federais buscarão a “conversão” do maior números prefeitos – tirando-os de outras legendas – para fortalecerem suas siglas. Um verdadeiro leilão, onde estará em jogo não apenas o dinheiro, mas, a credibilidade da liderança “assediadora”: tem palavra? Cumpre compromissos futuros? O histórico da liderança, e seu passado, pesarão sobre a escolha.

  Na Paraíba, a luta está sendo travada entre o PSB, Republicanos e MDB. Um pouco mais distante, vem o PL e União Brasil. Na lanterna, os inapetentes PP, Podemos, PT, PSDB e PSD, além de um bloco de nanicos encabeçados pelo PCdoB.

            O resultado das urnas de outubro vindouro, arquitetará uma nova realidade política, completamente distinta da que vivemos nas últimas três décadas. Um novo modelo será concebido, dentro de um processo de “alinhamento partidário”.  A proibida e sempre burlada “lei da fidelidade partidária”, doravante será respeitada, por força das circunstâncias. Pouco mais de mil municípios sobrevivem com receitas próprias, independentes da transferências constitucionais, como FPM, ICMS, ITR. Nos demais 4.500, seus prefeitos só conseguem realizar um plano mínimo de obras, com emendas parlamentares. Mais de 3 mil outros, só estão sobrevivendo com emendas destinadas inclusive a custeio.

            Até 2026, ainda sobreviverá a briga Bolsonaro x esquerdas com Lula, PT e aliados. Doravante, as legendas se agruparão em grandes Federações Partidárias. Se resumirão em, no máximo, quatro partidos. Por que perdemos duas décadas? O grande capital transnacional, perdeu a confiança no Poder Executivo e Judiciário do Brasil. Só não nos abandonou, graças a Bolsonaro, que concedeu independência ao Banco Central. O grande desafio, a partir da eleição de 2024, é pôr o trem Brasil nos trilhos em 2026, para continuarmos a viagem rumo à prosperidade.

 O fundador da ordem econômica mundial, Mayer Amschel Rothschild, há séculos ditou a regra: “eu não me importo quem controla os assuntos políticos de uma nação, desde que eu controle sua moeda”. Preferem as garantias do Parlamento, não importando quem seja o presidente. Poder tem, quem faz as leis. O resto, torna-se Venezuela, Cuba, Nicarágua… E a grande África subsaariana, onde Lula foi palestrar.   

 

A ANISTIA PARA PACIFICAR A CRISE ENTRE PODERES

            Com o propósito de estancar a “hemorrágica” crise política/institucional que “sangra” o Brasil, cresce o número de Senadores que defendem uma Anistia, a partir de todos os eventos das eleições de 2022, até o 08/01/2023. A sensatez da Casa Revisora do Congresso Nacional, reconhece que além de inconcebível, é perigoso alimentar uma “guerra fria” entre os três poderes de nossa República, motivada por excesso de vaidades. Ultrapassaram todos os limites estabelecidos pela Carta Magna.

Infelizmente, a Anistia é um paliativo, com características de uma trégua. A instauração de inquéritos pela Polícia Federal, a pedido do Ministro Alexandre de Moraes, se transformou em “linha de montagem” operando em sua capacidade máxima de produção. Toda a classe política aliada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, são suspeitos de tudo. Simplesmente abominam a presunção da inocência, garantia Constitucional.

Qual o papel do PGR, recentemente nomeado, Paulo Gonet Branco? A Polícia Federal atropelou todas as prerrogativas do MPF. Não compartilha suas investigações com o Fiscal da Lei, desprezando seu papel que examina a legalidade. A PF pede busca e apreensão, detenção e prisão preventiva, usurpando o poder do MPF, instrumentalizado e preparado para atuar nesta área. É inútil a PGR e o MPF contestarem os abusos de poderes praticados pelo STF. Eles decidem em plenário que estão certos. Apelar para o CNJ? O Conselho Nacional de Justiça é uma extensão do STF.

O fleumático, pacificador e cauteloso, ex-ministro do STF Carlos Ayres de Brito, preveniu – em entrevista após sua aposentadoria – o significado do “ativismo judiciário” em curso, próximo a sua compulsória. “A Lei permanecerá acima de todos. Mas, acima da Lei, estará o STF” (?). Todo o aparato judicial do país se tornou “instância de passagem”. Tudo termina no STF. Único Poder, não eleito pelo povo.

A PF, autorizada pelo Ministro Alexandre de Morais, realizou uma operação de busca e apreensão na residência de Valdemar Costa Neto, presidente do maior partido do Brasil, com assentos na Câmara dos Deputados. Valdemar foi detido por ter uma arma de defesa em sua casa, com o porte de validade vencido. Encontraram uma pepita de ouro, que o delegado e sua equipe, apontaram suspeição de sua origem, fazendo uma ligação imediata com o garimpo ilegal. Em seguida, converteram a detenção em prisão preventiva. O mais canhestro de todos os absurdos. Isto se configura na prática, “Estado de Sitio”. Não existem mais garantias individuais. Tudo corre ao arrepio da lei.

O silêncio sepulcral do MPF e da PGR é preocupante. Neste mesmo ato, foi proibido e limitado o desempenho das funções dos advogados dos “suspeitos”. A OAB, que enfrentou no período dos Militares – tanques, fuzis e baionetas – vergonhosamente acabrunhou-se, e se curvou a uma “canetada”. Limitou-se a divulgar uma nota, cuidadosamente elaborada, com palavras suaves, para não despertar a ira do leão.

Cabe ao Senado Federal agir imediatamente e por um limite nos abusos do STF. Existem dezenas de pedidos de impeachment contra Morais, Fachin e Gilmar. Adágio popular: “remédio para um doido é outro em sua porta”.   Líderes experientes do PT, começam a enxergar que o mesmo “pau” que bate em Chico, bate em Francisco. Imaginemos que se amanhã, o Ministro Nunes Marques, acatar uma denúncia que ele considere como grave ameaça ao Estado Democrático de Direito, chamar a PF, instaurar um célere inquérito em segredo de justiça, acusando Gleisi Hoffmann, Zé Dirceu, Randolfe Rodrigues e mandar prendê-los! Fachin já fez o mesmo ou pior, com Eduardo Cunha e Delcídio do Amaral. Gilmar Mendes proibiu a Presidente Dilma Rousseff de nomear Lula como Ministro, para lhes negar a prerrogativa de foro. Carmem Lúcia praticou ato de improbidade, quando suspendeu a Liberdade de Expressão por 14 dias, antes do pleito de 2022. Alexandre de Moraes, estreou neste cenário, prendendo o deputado federal Daniel Silveira. O STF derrubou prisão em segunda instância… E o povo, que inúmeras vezes foi às ruas, pedir o voto no papel ou impresso, foi ignorado. A jovem democracia brasileira está em coma. Agoniza na esperança de sobreviver.

DEMOCRACIA DESEQUILIBRADA

            A operação da Polícia Federal “Tempus Veritatis” realizada no último 08/02/2024, com mandados de busca e apreensão – além de três prisões – de investigados, suspeitos de supostos crimes, pretérito passado mais que perfeito nunca cometidos, deixou o país perplexo, aterrorizado e com medo dos superpoderes exibidos pelo Ministro Alexandre de Morais (STF) de forma autoritária e desafiadora.

            No programa da TV CNN, o WWW, ancorado pelo veterano jornalista William Waack, o ex-presidente Michel Temer foi convidado, no mesmo dia 08/022024, para comentar o evento que estremeceu o mundo jurídico constitucional do país. O temor dos entrevistadores era perceptível. Cenas que só assistimos quando o AI-5 estava em vigor. Daniel Rittner, Thais Herédia e Caio Junqueira, estavam petrificados. Cada pergunta, era antecipada de longa justificativa, isentando-os, e não questionando a decisão do Ministro, que atropelou o MPF, Justiça Militar… Indo muito além dos limites de suas prerrogativas, rasgando mais uma vez a Constituição.

            Pelo que entendemos, o “Atentado ao Estado de Direito Democrático”, é tão genérico e abrangente quanto o AI-5, período dos Militares. Talvez pior. Os Militares quando não encontravam provas para formação de culpa, usavam o AI-5. Cassaram mandatos, prendiam subversivos, corruptos, proibiam a livre expressão de oradores e seus discursos contra o regime… Suspenderam direitos de greve e criaram a censura prévia. Os censores frequentavam as redações da Rádio, TV e Jornais. No entanto, se limitavam a proibir a divulgação do conteúdo.  Não encarceraram, nem processaram seus autores, porque inexiste “crime de opinião”. Livre pensar, é só pensar. Isto é atentado contra o Estado de Direito Democrático?

            O ex-presidente Michel Temer, que já foi Secretário de Segurança Pública de São Paulo, professor de Direito na USP, presidiu a Câmara dos Deputados por três vezes, e estava pronto para responder à bancada de jornalistas. Infelizmente, perguntas mal formuladas, levaram a respostas vazias. Já próximo ao encerramento da entrevista, o decano da roda de entrevistadores, resolveu se arriscar, e debelar sua covardia ocasional. Perdendo um pouco do medo, translúcido em sua fisionomia, Waack foi incisivo: “O senhor não acha que o Ministro Alexandre de Morais extrapolou os limites”? Temer respondeu: “isto vem lá de trás. Quando foi praticado pela primeira vez, era para ser questionado. Daí por diante, todos se sentiram no direito de fazer o mesmo”. Subtende-se que ele se referiu a Gilmar Mendes e a Edson Fachin.  

             Indagado sobre a perseguição política, com a detenção de Valdemar Costa Neto (presidente do PL) impedido doravante, de se comunicar com Bolsonaro. O fato poderá trazer prejuízos para a legenda nas eleições municipais deste ano (2024)?  O ex-presidente tergiversou. Considerou desnecessária a busca na sede do PL. “Não é uma pessoa física, tem CNPJ, e é um partido. Com relação aos efeitos das investigações, se poderiam levar Bolsonaro à prisão? O velho Cacique respondeu sem rodeios. “Prisão no momento, acho que não. Não existem elementos suficientes para o ato”. Quanto à polarização, foi mais enfático: “Bolsonaro por onde anda junta milhares de pessoas. É uma liderança política expressiva e carismática”. Como deveria se comportar Lula? última pergunta Waack. “O prudente é ficar calado. O silêncio do presidente, arrefece os ânimos exaltados, que buscarão consensualmente uma saída para crise”.  

LULA SORRATEIRAMENTE COMEÇA A ANDAR NO PAÍS CAMINHANDO ABRAÇADO COM A DIREITA.

            O aviso de Zé Dirceu, através de uma entrevista concedida ao Jornal Espanhol El País – após a vitória de Jair Bolsonaro em 2018 – não foram declarações para consolar as esquerdas derrotadas, sob seu comando. Ele antecipou com convicção, todos os acontecimentos que se desenrolaram a partir daquele momento. “Nós perdemos uma eleição, mas, vamos tomar o poder”. O que de fato vem acontecendo, sem luta, revolução, e pouco a pouco, quebrando a resistência da direita.

            O grande temor de Zé Dirceu – segundo o ex-ministro do STF Marco Aurélio de Mello — era saber como reagiria às Forças Armadas. Guerrilheiros são Inimigos número um dos Militares. Criminosos impiedosos, que usam o terror para amedrontar a sociedade, quebram regras e garantias legais, matam civis inocentes que discordam de sua ideologia… E não existe ex-guerrilheiro. “Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer”. Dirceu temia manifestações de vários Generais da Reserva, e suas posições. Não prestariam continência a um ex-presidiário condenado por corrupção.

Marco Aurélio destaca ainda em seu livro de memórias, a interlocução feita junto aos Generais (da ativa) Comandantes das Regiões Militares, e membros do EMFA – Estado Maior das Forças Armadas.  Por quem? Um, ou alguns membros da Suprema Corte? Ele não cita. Mas, a pergunta era: “Se Lula voltar ao poder, haverá intervenção dos Quartéis?” A resposta foi “não. Respeitaremos o que for decidido pela Justiça”. Juntando recortes dos fatos, com paciência, começa-se a montar o quebra-cabeça. E com o tempo, surgirá a imagem ou paisagem, escondida nas pequenas peças invisíveis por estarem espalhadas. Após encaixadas, estampará a imagem da verdade. O ontem passou, e o tempo não retrocede para corrigir erros, e punir culpados.

Lula foi diplomado antes da data estabelecida na Constituição. A pressa era instalar a Comissão de Transição. Bolsonaro exoneraria todos os seus Comandantes Militares, e nomearia os indicados pela Comissão, escolhidos pelo novo presidente diplomado pelo TSE. O povo foram às ruas, ficaram em frente aos quartéis, lotaram as Igrejas, ocuparam as redes sociais… Tudo o que pediam era a transparência do resultado das urnas, gravadas no Código Fonte. O TSE/STF negou peremptoriamente. O Brasil voltava a ser uma republiqueta, travestida de democracia – modelo Latino-Americana dos anos sessenta – eternizada pelas conspirações, com governos transitórios, desrespeitando a vontade da maioria, manifestada através do voto.

Lula foi o único presidente “eleito” na história do Brasil, que ficou sitiado. Acuado no Palácio do Planalto e do Alvorada. Não frequentava restaurantes, ambientes públicos e onde era avistado, gritavam “Lula ladrão, seu lugar é na prisão”. Sem poder andar no seu próprio país, começou a viajar. Vinte e uma viagens internacionais, sem trazer nada de concreto. Solenidades para assinarem protocolos de intenções sobre futuros projetos. Dirceu inventou, e coordenou a distância o 80/01, convidou até um fotógrafo da Agência Reuters, para documentar a sabotagem. A CPMI que havia sido criada para desvendar o “Incêndio do Reichstag”, dispensou esta testemunha chave.

O papel do Consórcio Midiático, trabalhando em duas frentes, plantando Fake News contra Bolsonaro – acusando-o até de importunar uma Baleia no litoral paulista – e criminalizando os inocentes manifestantes, idosos crianças evangélicos, encarcerando-os como terroristas que atentavam contra o Estado de Direito Democrático, não obteve êxito. Após um ano, perceberam que se perderam em suas próprias narrativas. Não tinham como operar o milagre de Lula ser ovacionado.

 Mudaram a estratégia. Lula se dispôs a se abraçar com a direita. O PT e esquerda que se explodam. Nomeou ferrenhos adversários para a Esplanada dos Ministérios, como membros do União Brasil, Republicanos… E prestigiou o PP, desprezando sua legenda. Concordou e apoiou o aumento estratosférico nos valores das emendas parlamentares, acima do sonhado pelo parlamento. Mesmo assim, não conseguia o apoio do povão. “Se Maomé não vai a montanha, a montanha vai a Maomé”.

Sem o menor pudor, destemido de críticas pelo seu gesto obsceno, Lula foi a São Paulo e abraçou Tarcísio de Freitas. Prometeu 8,0 bilhões de reais para projetos de obras. Antes já havia destinado recursos a Ratinho Júnior do Paraná. De lá, partiu para Minas Gerais, escorou sua cabeça no ombro de Romeu Zema, garantindo que negociaria o rombo histórico do Estado, eterno devedor do Tesouro Nacional. Para fechar a agenda, Cláudio de Castro, governador do Rio de Janeiro, pôs tapete vermelho para recebê-lo. Convênios bilionários foram assinados. Não criticou Bolsonaro em nenhum momento. Agiu como se a história tivesse começado agora. Nada de PT, “golpe branco eleitoreiro”, sem conspiração que o pôs no poder; atos de força do TSE/STF e ignorando a perseguição insana aos legalistas conservadores. A direita e o antipetismo tomaram uma pancada na cabeça. Tontos, ainda não perceberam que Lula escolheu ficar ao lado, para não ser apupado, escrachado ou vaiado pelo povão.      

CONTINUAM MENOSPREZANDO A EDUCAÇÃO

            O mirabolante anúncio do governo federal, para estancar a célere deserção na escola pública – inspirado no vício perdulário “distributivo” e irresponsável do dinheiro do contribuinte – tem origem numa espalhafatosa promessa de campanha da candidata do MBD (2022) Simone Tebet, hoje Ministra do Planejamento.

            Criar uma poupança, pagando ao aluno para frequentar a sala de aula, é um tentame fadado ao fracasso. Malogrado experimento de reinventar uma roda que nunca existiu. A malfadada geringonça, idealizada como “ensaio”, é uma aventura insensata do “populismo eleitoreiro”, que vem esmagando o já “atrofiado” meio Acadêmico, pesquisador da área. Onde funcionou, e obteve êxito, esse tipo de programa?

            Muitos alunos voltarão às escolas. Sem sonhos vocacionais, desmotivados e movidos apenas pelo novo tipo de “bolsa”. Irão se deparar com o mesmo problema que os levaram a abandoná-las: a falta de professores de Matemática, Física, Química e Biologia. Como não tem alcance “eleitoreiro”, o governo simplesmente ignora a verdadeira causa dos efeitos devastadores da educação, que tem nos remetido ao atraso. Na América Latina, estamos posicionados no 5º lugar, atrás do Chile, Uruguai, México e Costa Rica.

A solução do problema, exaustivamente debatido nas últimas quatro décadas, além de simples é visível e inconfundível. Valorizar o professor, com salários dignos, brigando pelo teto, como servidores do Poder Judiciário (Juízes, Promotores, Procuradores, Defensores Públicos…) Ou, da área privilegiada da segurança, Polícia Judiciária (Civil), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal…)  Infelizmente, a luta dos docentes da educação básica, é para alcançarem um “piso” – hoje fixado em R$ 2.557,74, inferior a dois salários mínimos – abaixo da renda média do país de R$ 2.924,00, correspondendo a 5% do teto salarial do governo federal.

O senso 2022 do Ensino Superior, segundo o INEP, aumentou o fosso, ao constatarem que 58% dos alunos dos cursos de licenciatura, destinados à formação de docentes para o ensino básico, abandonaram a Universidade antes de receberem o diploma. Sem boa instrução básica, o estudante da rede pública municipal não consegue acompanhar o precário ensino médio. E como chegar às Universidades? Pagando cursinhos preparatórios, para participarem da prova do ENEM. Em cada uma destas etapas, metade dos matriculados, desiludidos, abandonam as salas de aula.

O acesso à educação é um direito do cidadão, assegurado na Carta Magna. O professor é uma categoria profissional, que deveria ser remunerado de forma isonômica. Fazendo uma analogia ao corpo humano – todos os órgãos são nobres – o educador teria um teto único, não importa em qual instância do ensino. É inconcebível este tipo de discriminação, usado na variação salarial de uma mesma categoria.

No ensino médio – grande parte de responsabilidade dos governos estaduais – pagam praticamente o dobro, R$ 4.889,00, pouco mais que 3,5 salários mínimos. Professores dos IF – Institutos federais de Educação, que ofertam o mesmo ensino médio, os salários praticamente dobram; R$ 8.400,00, ou seis salários mínimos. Professores Universitários, com dedicação exclusiva, os proventos variam entre 13 e 27 mil reais. A divergência é por área, e currículo cumulativo de títulos.

O orçamento da educação em 2022, foi de 128 bilhões, correspondente a 1,3% do PIB. Uma vergonha para um país, que vislumbra ocupar espaço junto às nações desenvolvidas. Ao Poder Judiciário, é destinado 1,6% do PIB, correspondente a 160 bilhões de reais, o triplo que gastam os países emergentes, 0,5% do PIB. Somos o campeão em gastos com a Justiça, à frente de 53 nações. Recentemente, matéria exibida na TV Band, nos mostrou que o Brasil tem a Justiça mais cara do mundo. O MEC deu mais um passo atrás, ao subsidiar o aluno, e desvalorizar o professor.

A Coreia do Sul, exemplo de sucesso da educação, apontado pelo Banco Mundial, entre os anos de 1975 a 2022, gastou em média 3,9% do seu PIB com a educação. O pico foi em 1982, quando desembolsou 6,33%. O país hoje é campeão em educação, com uma taxa de desemprego pré-pandemia de 2,20% e pós pandemia 3,30%. Produz e fornece tecnologia de ponta ao mundo, competindo com os gigantes da área, China, Japão e Taiwan – pequena ilha com a sexta maior reserva cambial do mundo, 560 bilhões de dólares – superando o gigante Brasil.

A EMBARAÇOSA LIDERANÇA DE LULA NA PARAÍBA

            A última vez que o presidente Lula esteve na Paraíba, foi em 22/03/2023. Desembarcou no Aeroporto João Suassuna, em Campina Grande, e usando um helicóptero foi até a cidade de Santa Luzia, onde visitou um magnífico projeto de energia eólica – parceria pública/privada – desenvolvida pelo governador João Azevedo. Chegou calado, distante da imprensa, e partiu mudo. Pela primeira vez na história, como centro das atenções, Lula que adora microfones, se absteve de fazer um pronunciamento.

            Já anunciaram inúmeras vezes, outras visitas de Lula ao Estado, que é comandado por um governador aliado de primeira hora (2022), presidente do Consórcio Nordeste. Esteve no CE, RN, AL, PE, PI, constantemente na Bahia. Qual a razão de sua recusa em vir à Paraíba? Questão de foro íntimo? Ou falta de unidade partidária no palanque, composto por uma ampla aliança, pragmática e clientelista “circunstancial”.

            Ontem (20/01/2024) o Ministro dos Portos e Aeroportos Sílvio Costa Filho, esteve em Cabedelo, inaugurando investimentos no Porto. Entretanto, a festa foi do partido Republicanos, legenda que hospeda o ministro. Veio para prestigiar Hugo Mota, Murilo Galdino, Wilson Santiago, Adriano Galdino… Hugo conquistou espaço como o principal interlocutor, entre a base ideológica de sua legenda, e a carência de “ajudas” do Palácio do Planalto, nas votações polêmicas do governo, que não dispõe maioria na Câmara dos Deputados. Ao seu lado, o presidente da ALPB, deputado Adriano Galdino, escudeiro fiel do governador João Azevedo, que tem assegurado com êxito, a governabilidade. É o principal “puxador” da expansão da legenda, em todos os grotões da Paraíba.

            O vice-presidente do senado, Veneziano Vital do Rêgo (MDB), figurativamente marcou território, para lembrar Lula. Mas, Lula é do PT, seu projeto é o PT e sua vida é o PT. Quem representou o PT na solenidade? O governador João Azevedo e o presidente do Porto Ricardo Barbosa (PSB), são liderados pelo deputado Gervásio Maia, presidente da legenda no Estado. Na mesma ocasião, usando as redes sociais, o presidente estadual do PT de Lula, Jackson Macedo, anunciava apoio – já no primeiro turno – à reeleição do prefeito da Capital Cícero Lucena (PP), “abortando” a pré-candidatura de Luciano Cartaxo.

            Pelo visto, Gervásio Maia e João Azevedo, não participaram do último encontro nacional do PT, onde estiveram presentes, além do presidente Lula, o núcleo duro da legenda, inclusive o seu principal estrategista Zé Dirceu. O objetivo é eleger dois mil prefeitos pelo PT – maioria no nordeste – e em pequenos municípios abaixo de 20 mil habitantes. A meta abrange ainda, quatro mil novos vereadores. “Sangue novo” que ressuscitará a militância perdida. Segundo Zé Dirceu, a reeleição de Lula, passa pelo sucesso desta “empreitada”, concebida por velhos medalhões da legendas, distantes da realidade, projetando índices, ideados nos ambientes climatizados de Brasília.

            Acompanhamos vários Blogs políticos do Estado. Ainda não apareceu nenhum candidato a prefeito do PT, em nenhum municípios das microrregiões. E quem comandará este exército? Ricardo Coutinho? Será o elemento surpresa? O que se registra hoje, é a ampliação do Republicanos, MDB e PSB. Atrás, vem o União Brasil e o PP. Estas legendas representam cerca de 85% dos prefeitos candidatos à reeleição, e ou seus pupilos indicados à sucessão, com chances de vitória.

            Para fechar o movimentado dia político, a entrevista bombástica do deputado federal Aguinaldo Ribeiro – esquecendo as eleições deste ano – deixou claro que o PP estará na chapa majoritária de 2026, com aquiescência ou não, do governador João Azevedo. Se ele permanecer no cargo, Daniella é candidata à reeleição. Caso contrário, entregue o bastão a Lucas Ribeiro. Como tudo pode acontecer, inclusive nada (Xote “se avexe não” de Flávio José), João Azevedo está encurralado, e sua única salvação é “subir a ladeira” com o Republicanos. Efraim, Veneziano, os Ribeiros, formarão outras chapas, e estarão em outros palanques. Vacas, desconhecerão bezerros.   

O MERCADO DE TRABALHO DA TERCEIRA IDADE

(Parte III final)

     O Trabalhador brasileiro tem sido uma eterna vítima da Previdência Social, desde sua criação em 1923, através da Lei Eloy Chaves, Decreto Legislativo nº 4.682/23, sancionado pelo presidente Arthur Bernardes. O benefício foi direcionado aos Ferroviários empregados das empresas privadas, através da Caixa de Aposentadorias e Pensões. A idade mínima de 50 anos, e exigência de 30 anos de trabalhos ininterruptos. Mesmo assim, o salário do aposentado seria inferior aos trabalhadores da ativa (?). Estabeleceram um cálculo, sobre a média das últimas remunerações percebidas.

            No período do Estado Novo – ditadura Vargas de 1937 a 1945 – surgiram inúmeros Institutos de Previdências, ligados ao movimento Sindical de empregados e empregadores. IAPETEC, IAPC, IAPI …A base de cálculo passou a ser o salário mínimo, criado neste período, para evitar perdas ao longo do término de vida do aposentado. Todavia, inexplicavelmente, este índice de reajuste, se constituiu no primeiro indexador de nossa economia. Aumento do Salário Mínimo, implica automaticamente na elevação dos preços de produtos, bens e serviços, atropelando a lei de mercado, da procura e da oferta. Um perverso mecanismo gerador de inflação, cuja vítima é o trabalhador.

 A partir dos anos 50, começaram a surgir problemas. Muitos institutos faliram, levando o contribuinte previdenciário a um estado de indigência, pobreza e miséria. A corrupção corria frouxa. Buscava-se na Justiça direitos adquiridos, mas, não encontravam culpados, nem bens executáveis para sanar as dívidas. Algo semelhante ao que ocorreu com o Fundo de Pensão da VARIG, governo Lula I.

Em 1965, o presidente Castelo Branco decretou intervenção em todos estes Institutos, abriu IPM (Inquéritos Policiais Militares), levou muitos a cadeia, e diversos políticos envolvidos, tiveram seus mandatos cassados, e direitos políticos suspensos por 10 anos. O governo federal assumiu o “rombo” e unificou todos no INSS.

O fechamento dos Institutos criou três categorias de contribuintes. Os trabalhadores formais (carteira assinada), patrões e autônomos, como caminhoneiros, pequenos e grandes comerciantes, profissionais liberais (advogados, contadores, engenheiros, mestres de obras, proprietários de oficinas mecânicas, médicos… Confiantes na garantia do Tesouro Nacional. Imediatamente surgiu uma expectativa de um futuro melhor e garantido para o aposentado. O teto era 20 salários mínimos. O contribuinte abdicou até do consumo básico, para recolher entre 10 e 20 salários mínimos, almejando uma velhice tranquila, período que iria necessitar de mais dinheiro, para cobrir seus custos com a saúde.

Pouquíssimos conseguiram se aposentar e gozar deste benefício. Em pouco tempo, reduziram de 20 para 10 salários mínimos o teto. Em seguida, passaram a cobrar Imposto de Renda dos inativos. Veio a reforma tributária do governo FHC, estabelecendo um “fator”. Para quem percebia 20 salários mínimos na ativa e recolhia índice sobre este montante, ao aposentar-se, sua remuneração cairia para pouco mais de 7 mil reais, descontando ainda Imposto de Renda, e voltando a pagar contribuição com o próprio INSS, no mesmo percentual dos trabalhadores da ativa. Funcionários das grandes estatais, criaram seus Fundo de Aposentadoria Complementar, para quando se aposentarem, continuarem percebendo os mesmos valores da ativa. PREVI, FUNCEF, PETROS… No governo Lula II e Dilma, foi constatado rombo bilionário nestes Fundos de Pensões, desviados pela corrupção, financiando projetos de obras até no exterior. Funcionários da Caixa Econômica Federal, mesmo aposentados, estão descontando 1.200 reais a mais, pelo período de 20 anos, além do desconto do IR.

O povo foi às ruas apoiar a reforma da previdência de Bolsonaro, com medo de se aposentarem. Imagine a queda no padrão de vida de um trabalhador da classe média alta, que percebe entre 15 e 20 mil reais, sobreviver doravante com 7.280,00? Tem que mudar de casa, de bairro, vender o carro e ir ao supermercado com a calculadora na mão. A maioria saudável, busca desesperadamente um novo emprego, para complementar sua renda. São profissionais experientes, disciplinados, responsáveis, vítimas de uma compulsória que lhes impõe os governos, incompetentes, desumanos, insensíveis. Não valorizam e ignoram milhões de trabalhadores, que trocaram sua juventude pelo trabalho, na esperança de desfrutarem na velhice, o descanso e a paz. E para onde vai a enorme montanha de dinheiro recolhida pelo INSS? Para os que nunca trabalharam, nem vão trabalhar, inscritos no Bolsa Renda. Tiram de quem produz e produziu, e doam para os que nunca darão um mínimo de contribuição à nação. São 30 milhões de famílias. Pai e mãe que desde 2002 nunca trabalharam, seus filhos seguiram o mesmo caminho, e os netos darão sequência a preguiça inativa.            

O MERCADO DE TRABALHO DA TERCEIRA IDADE

(Parte II)

A redução drástica da taxa de natalidade em quase todo o mundo, exceto no Continente Africano – áreas Saariana e subsaariana – e o no sul da Ásia, onde se localiza a gigante Índia. Ultrapassando a China com 1,458 bilhões de habitantes, surge em terceiro lugar, os Estados Unidos com 335 milhões, 1/4 da China e da Índia. E o Brasil, que atrofiou, perdendo posições neste ranking, para Indonésia, Paquistão e Nigéria. Hoje ocupamos o 7º lugar, com a população estimada pelo IBGE em 213 milhões, apontando declínio projetado para 208 milhões, no ano de 2030.

Nas décadas dos anos 50, 60 e 70, a taxa de natalidade brasileira girava em torno de 6,0% ao ano. Para 2030, a projeção otimista de crescimento é de 1,5%. Por outro lado, a vida média do brasileiro subiu neste mesmo período, de 50, para 78,9 anos. Em 2030, o Brasil terá 19% de sua população acima de 60 anos. Sua força de trabalho, entre os 30 e 60 anos, estabilizará em torno de 40% da população. Como os números são elementos da ciência exata, o crescimento do PIB acompanha a expansão demográfica. Entre 2022 e 2030, o nosso PIB terá uma taxa de crescimento na ordem de 1,5% a no máximo 2,4%.

Os últimos estudos do secular Henry Kissinger – falecido recentemente – conselheiro de todos os presidentes norte-americanos desde Nixon, orientou o governo Biden a investir urgentemente na Índia, prevendo a estagnação do mercado consumidor Chinês, determinado pela sua queda na taxa de natalidade. A contradição que não se consegue interpretar – tese acadêmica de Kissinger – é que quanto mais pobre for o país, com população abaixo da linha do IDH, maior é sua taxa de natalidade. Obviamente, terreno fértil para um novo modelo de colonização – econômica – que financiarão novas tecnologias, plantas fabris, treinarão e qualificarão mão-de-obra especializada… Manterão a Ordem Econômica estabelecida no pós guerra de 1945

Pesquisas avançadas, põe por terra as teorias conspiratórias de redução da população mundial, concebidas pelos progressistas, travestidos de comunismo do século XXI. Distante destes grandes Centros Acadêmicos, o Brasil permanece à mercê do improviso, sem projetos futuristas que sobrevivam mais que quatro anos, período da gestão de um líder político no poder, refém da mediocridade populista, com visão distributiva “papai Noel”. Engessam o empreendedorismo, sucateiam as Universidades – abandonaram a pesquisa – e se limitaram a “titular” o terceiro grau.

O país tem 8,0 milhões de desempregados, 40 milhões sobrevivendo do Bolsa Renda. Paradoxalmente o SINE, convoca diariamente profissionais para o mercado de trabalho. Mas, falta qualificação. A Ciência da Computação formará até 2025, 50 mil profissionais. A demanda do mercado prevê absorver 185 mil. Em contrapartida, anualmente, mais de 5 mil Filósofos são formados nas redes das Universidades pública e privada. Para trabalharem onde?

A Europa Central vive o mesmo dilema. Jovens famílias da Zona do Euro, se recusam a reproduzirem-se. Os casais não querem ter filhos, temendo perderem nas guerras. Falta mão-de-obra para digitadores, vendedores, motoristas, porteiros, zeladores, eletricistas, vigilantes, mecânicos, encanadores, serviços domésticos… Num continente que tem a população mais envelhecida do planeta, os aposentados estão voltando ao batente. Antes, admitiram o processo migratório, para suprir a carência. Mas, se depararam com as questões religiosas e culturais dos imigrantes. Seus baixos níveis de conhecimento, que não atendem as exigências profissionais do trabalhador do século XXI. Na sequência, final com a parte III.

O MERCADO DE TRABALHO DA TERCEIRA IDADE

(Parte I)

            O principal tema discutido pela grande mídia internacional – na semana que passou – foi a queda no índice de natalidade da China, pelo terceiro ano consecutivo, e sua preocupação com o futuro próximo (2035) , ano em que 40% de sua população, hoje ativa, estará acima dos 60 anos. Serão mais de 560 milhões de aposentados, que correspondem a toda população da América Latina. Quem pagará suas aposentadorias?

            O país mais fechado do mundo – com relação a imigração – terá que mudar suas leis trabalhistas e transformar sua cultura xenófoba, isolacionista. Nos anos 60 (século passado) as nações governadas pelas esquerdas comunistas, defendiam o “controle de natalidade”. A China saiu na frente, e impôs a lei do filho único. Se o primeiro filho de um casal fosse do sexo masculino, estavam impedidos de conceberem um segundo rebento. Caso contrário, era permitido uma última tentativa.

No pós guerra (1945) a China tinha 400 milhões de habitantes. Em apenas quatro décadas (1980) ultrapassou a marca de 1,0 bilhão. Pobreza, desemprego, fome, assolavam o gigante asiático. Mas, um milagre aconteceu. O ex-presidente Richard Nixon, aconselhado por Henry Kissinger, matou dois coelhos com uma única cajadada.

   Surpreendendo toda a mídia ocidental, que só tomou conhecimento 72 antes da misteriosa viagem de Nixon e Kissinger a Ásia, ambos desembarcaram em Pequim em 1972. Celebraram tratado para o fim da guerra do Vietnã – oferecendo como contrapartida projetos de cooperação econômica e intercâmbios nas áreas da ciência e novas tecnologias. Receberam ainda, apoio para fortalecer a distensão da corrida nuclear. Mao Tsé-tung, um líder Agrário radical, foi convencido por seu mentor intelectual, Zhou Enlai (Chou Enlai). Coincidentemente faleceram no de 1976. Deng Xiaoping, arregaçou as mangas, veio aos Estados Unidos e inaugurou a “Experiência Capitalista”. Em apenas quatro décadas, sem guerras nem conflitos, alcançaram a posição de segunda maior economia do mundo, posicionando-se como principal parceiro comercial de 180 países de todos os continentes.

A rápida expansão econômica dos Chineses, aumentou a população, alcançando 1,4 bilhões de habitantes no ano de 2010. O atual líder Xi Jinping, revogou a lei do filho único, temendo que prosperidade econômica resultasse na queda da natalidade, o que de fato está ocorrendo. O conjunto de leis que norteiam o trabalho na China atualmente concede aposentadoria aos 50 anos. Flexibilizam o trabalhador, opção de permanecer ativo até os 55 anos. Doravante é proibido trabalhar. Na época era justificado, como programa para extinguir o desemprego. A fila andava. Entretanto, esqueceram os avanços da medicina, que prolongaram a longevidade.

Este grande contingente de aposentados criou um novo e gigante mercado consumista, o turismo interno. Proibidos de trabalharem, os inativos gozando de plena saúde, levam a vida viajando e conhecendo as belezas naturais de seu país continental. Gastam sua poupança, ao mesmo tempo em que incentivam o surgimento de pequenos negócios e grandes empreendimentos. A média de vida subiu. Outrora 50, hoje, 75 anos.

A inclusão no mercado de trabalho das mulheres – consomem mais que os homens – vem provocando uma mudança social sem precedentes. Se recusam a procriar. Preferem ganhar dinheiro e consumirem. Morreu o sonho de ser mãe, e o status de dona do lar. Economistas (Chineses) se dividem em duas correntes de opinião. Desenvolver mais automação e robotização, seria solução paliativa. Outros, apontam como saída, aumento na idade da aposentadoria, e trazer de volta as grandes plantas industriais, os aposentados que precocemente ingressaram na terceira idade.   

RADICALISMO INSANO

            Alguns “Blogueiros” paraibanos, internautas itinerantes na busca permanente de baterem metas, atingindo no mínimo quatro mil acessos mês, para continuarem credenciados junto às Agências de Publicidades que distribuem a propaganda governamental, enveredam perigosamente pela precária via do sensacionalismo, paradoxalmente, caminho mais curto para alcançarem a descredibilidade.

            Na última quarta-feira (17/01/2024) meia dúzia de blogueiros do jornalismo claudicante, maculado pela inverdade, de forma insensata e espalhafatosa, abriram manchetes contra o presidente da FIEP, Buega Gadelha. Título e conteúdo confuso, foram o mesmo: “Buega amarga mais uma derrota na Justiça” (?) Fake News.

            No tumultuado processo que ocorreu na sua reeleição, e a insatisfação da chapa derrotada, levou seus integrantes a “judicializarem” em diversas ocasiões – litigando de má fé – a legitimidade da elegibilidade de Buega Gadelha. Ações procrastinatórias, liminares precárias, culminaram em diversas decisões colegiadas do TRT-PB. Buega não perdeu nenhuma destas ações.

Infelizmente, um dos “Blogueiros” do Tribunal das Fake News, “monocraticamente” lhes impôs uma condenação. É cômico se não fosse trágico – por se tratar de tema tão sensível para a Instituição e a sociedade – o inconfundível nível de desinformação praticado, senão por ignorância, por pura maldade de alguém que não tem compromisso com a verdade, como recomenda o bom jornalismo. Buega Gadelha até hoje (19/01/2024), não foi condenado por quaisquer das instâncias, das mais diversas Justiças (Comum ou Estadual, Federal ou do Trabalho).

A proclamada derrota de Buega, trata-se de uma sentença da Juíza do Trabalho Adriana Lemes Maracajá Coutinho, datada de 16/01/2024, onde determina que o ex-conselheiro fiscal Edson do Ó Filho, tenha acesso às contas de 2021, já devidamente aprovadas. O setor Jurídico da FIEP, deverá notificar a Magistrada, que este pleito remete ao mandato anterior de Buega, encerrado em 24/09/2023. E que Edson do Ó Filho, não compõe mais o Conselho Fiscal da FIEP.

Misturando “alhos com bugalhos”, o autor da matéria “requentou” uma velha notícia, e fez alusão a uma denúncia acatada pela Procuradora do MPT, Marcela de Almeida Maia Asfora – no texto mal elaborado mudaram o sobrenome para “Mais” Asfora – referente ao placar da aprovação das contas de 2021, por 14 x 11, favorável a Buega. Os presidentes dos Sindicatos demandantes do contencioso, alegam que dois Conselheiros, estavam impedidos de votarem. A defesa deve ter sido feita, à luz do estatuto da entidade. Ainda não existe sentença sobre este processo.

Como após o combate, entre mortos e feridos escaparam todos, seria prudente doravante, iniciar-se um período civilizado de trégua, em nome do bem maior que é a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba. Buega foi eleito num pleito conduzido pela Justiça do Trabalho. Foi empossado, e seu mandato vai até 2027. Já assumiu a Diretoria na CNI, participou ativamente dos debates sobre a Reforma Tributária, defendendo o setor industrial, sobretudo o da Paraíba; SESI e SENAI ocupam espaços na mídia, mostrando diariamente suas conquistas, como referências nacionais… Até quando o “cachorro vai correr contra seu próprio rabo”? É chegado o momento de estabelecer-se uma distensão e amainar este radicalismo insano.

Sem revanchismo, despido de mágoas e rancores, Buega Gadelha nunca atacou, nem desqualifica seus adversários. Democraticamente os derrotou, contando com a maioria dos presidentes dos 26 sindicatos que compõem a FIEP, atestando mais uma vez, que confiança não se transfere, se conquista.

BRASIL EM DAVOS: TRAGÉDIA ESPERADA

O World Economic Forum, também conhecido como Clube dos Investidores Bilionários, criado em 1971, com sede em Genebra, promove anualmente um encontro entre o setor privado e governos das maiores economias do mundo, inclusive os emergentes convidados. O evento acontece na pequena cidade de Davos (Alpes Suíço).

            Neste encontro, realizam-se múltiplos painéis de conferências, sobre os mais diversos temas e abrangência, como o combate à fome, inclusão social, questões climáticas, saúde e meio-ambiente… Oportunidade em que as elites econômicas fazem previsões sobre o crescimento e destinos do comércio global, criando através dos debates, alternativas para evitarem recessões. Aproxima pessoas influentes, países e grandes instituições, para desenvolverem projetos cooperativos, originando futuros acordos econômicos bilaterais, conduzidos a partir de então, pela grande diplomacia.

            Alguns ministros do governo brasileiro, estiveram presentes. Dentre eles, Marina Silva (Meio Ambiente), Alexandre Silveira (Minas e Energia). No painel que sabatinaram Marina Silva e Alexandre Silveira, ficou evidente que no governo Lula, não existe um projeto de Estado. Sobrevive de um programa político eleitoreiro improvisado.

            Alexandre Silveira, criou ânimo nos grandes investidores da área de petróleo – atentos em ouvi-lo – assegurando a exploração da grande bacia Amazônica. Imediatamente, Marina Silva negou peremptoriamente qualquer possibilidade do IBAMA – Autarquia do seu Ministério – autorizar licença para prospecção. Destacou que continuará recusando este tipo de pedido. Defendeu a “energia verde”, abominando a perfuração de poços, nos grandes lençóis de combustível fóssil existentes na Amazônia.

            O Ministro Luís Roberto Barroso, deixou todos boquiabertos, ao professar que estamos perdendo a Amazônia para o crime organizado (?). Quem virá investir no Brasil? O país tem 75% do seu território na Amazônia, onde se concentra 80% de suas riquezas, ora conhecidas. A maior biodiversidade do mundo, dispondo de 6% de toda água potável do planeta. Rica em minerais e materiais, ainda desconhecidos o seu valor e utilidade, nas novas tecnologias do século XXI. Além de muito ouro, diamante, minério de ferro… Imaginem o presidente da Suprema Corte Americana fazendo declaração semelhante? Wall Street fecharia dia seguinte. O grande capital procuraria rota de fuga rapidamente, e quebraria o país.

Um país que tem Forças Militares de Defesa e Combate em terra, água e ar (Exército, Marinha e Aeronáutica). Uma Polícia Federal, uma Força de Segurança Nacional; 27 Estados com suas próprias polícias; Polícias Estaduais Judiciárias (Civil); Polícia Ambiental, Polícia Legislativa e até do próprio Poder Judiciário. Com todo este aparato, o crime organizado ainda nos derrotará?  O General da reserva Sérgio Etchegoyen, ex-chefe do gabinete institucional do governo Michel Temer, comentando o pronunciamento do presidente Luís Roberto Barroso, discretamente deixou entender que a culpa é do próprio STF.

Mencionou o impedimento (STF) da realização de operações militares nas comunidades (favelas) do Rio – maior centro receptor da droga transnacional – áreas dominadas pelo narcotráfico, que mantém toda população economicamente refém de dezenas de grupos criminosos fortemente armados. Estes marginais têm proteção político/ideológica. Denunciou a má vontade dos governos em investir nas Forças Armadas. Citou como exemplo, o projeto SIVAM, criado no distante 1995 (governo FHC) para monitorar por satélite, as fronteiras da Amazônia. Já se passaram 29 anos, e só conseguiram implantar 50% de sua capacidade, ou cobertura. O conflito de autoridade para o controle das fronteiras, entre as Forças Armadas e Polícia Federal. Quanto à questão do garimpo, se referiu a ausência do Estado. Basta regularizá-lo através de leis, e não marginalizá-los. Finalmente anuiu que todo escoamento da droga produzida nos países Andinos, é escoada através da vasta Amazônia. Por que Barroso antevê a Amazônia apartada do Brasil? O atual governo recuará? E o povo, permitirá?  

REGIME JURISPRUDENCIAL

            Em apenas 124 anos o Brasil já experimentou todos os regimes políticos institucionais de governança – criou tantos outros inexistentes nos conceitos milenares da antiga Grécia – que se resume na Monarquia, Império, República, regidos por sistemas absolutistas, autocracias (ditaduras) ou democracias diretas e representativas.

            Neste intervalo, e em tão pouco tempo, o Brasil teve sete Cartas Magnas. A do Império, rasgada em 1889, República Velha até 1930; a de 1933 que não foi sancionada por Getúlio Vargas; do Estado Novo (ditadura) imposta em 1937 com término em 1946; a votada e promulgada em 1947; a de Castelo Branco 1967; a de Geisel, “pacote de Abril 1977”; a de 1988 discutida e amplamente debatida, promulgada por Sarney, com 360 artigos, hoje com mais de 145 emendas. É considerada a maior do planeta, paradoxalmente, a mais ineficaz de todas.

Prevalece no momento, além da gigantesca Constituição Cidadã, um conjunto de outras 11 Constituições – cada membro da Suprema Corte é uma Constituição – com poderes de modificar a lei a cada minuto, amparando-se na figura anárquica da “interpretação”. O peso da caneta, através de decisões monocráticas ou colegiadas, invertem, criam, e suprimem artigos, parágrafos e incisos, votados pelo Congresso (1988) através de seus representantes, Parlamentares eleitos pelo povo, no pleito de 1986. A “velada” insurreição do STF, nos leva a um anômalo regime Jurisprudencial.

Gostaríamos de ouvir opiniões dos que atuam na área, frequentaram e foram diplomados pelas Universidades, integram a OAB – Ordem dos Advogados do Brasil, como os amigos Henriquemar Dutra, Severino Azevedo (Mimi), Ermírio Leite; Rogério Varela – ex-conselheiro Federal da Instituição; Harrison Targino (atual presidente da seccional da Paraíba; ex-presidente Paulo Maia; ex-deputado federal (RN) Ney Lopes de Sousa, respeitado constitucionalista…Dentre outros, sobre a legalidade de alguns atos do STF, e seu devido respaldo legal.

Como mero “escrevinhador de província”, temos a curiosidade de saber e aprender, por exemplo, qual o artigo da Constituição que qualifica e enquadra o cidadão, nos crimes de “Atos Antidemocráticos”. Seus parágrafos e incisos com devidas penas. Em qual artigo se insere o Estado Democrático de Direito? E o significado deste termo, que além de redundante ou pleonástico parece-nos contraditório, pois a nossa Constituição configura o Brasil como um Estado Democrática de Direito.

O STF tem poderes para afastar um governador reeleito, diplomado e empossado pelo TSE (Ibanês Rocha do DF), acusando-o de atentar contra o Estado de Direito Democrático? Tem poder de polícia, para mandar prender manifestantes pacifistas, considerados como “terroristas”, com intenções de promover um golpe de Estado, marchando na Esplanada dos Ministérios, armados com terços, Bíblias, bandeiras do Brasil e entoando o hino nacional?

A depredação da praça dos Três Poderes, atos criminosos perpetrados por vândalos infiltrados – até hoje não mostraram a foto de nenhum Bolsonarista extraída das imagens do circuito interno – seria objeto de investigação da Polícia ou do STF? O inquérito é conduzido pela autoridade policial, ou por um Ministro da Suprema Corte? E o papel do Ministério Público, em acusar, é dispensável?

O debate da grande mídia, neste último final de semana, abordado por colaboradores independentes, indica que o país está perdido num labirinto jurídico sem saída. E, dedo em riste, apontam o STF como parturiente da crise. O trânsito julgado em última instância, é o olho do furacão. Tudo termina no STF, que comanda o TSE, o CNJ, em tese uma instituição que regulariza seus excessos. Seus superpoderes lhes conferem o direito de reformar qualquer decisão do STJ, por mais insignificante que seja. Interferem do Poder Executivo, e somente a eles cabe a palavra final, de aceitar ou não as Leis votadas e aprovadas por maiorias esmagadoras no Congresso Nacional.

Na visão unânime de todos que opinam sobre este quadro de caos institucional, são caminhos sem volta. Se o STF acatar doravante, as legítimas decisões do Parlamento, delimitando seu espaço, a democracia será salva. Caso contrário, só uma nova Carta Magna, enxuta, poucos artigos e demarcando territórios dos poderes constituídos.  

UMA BREVE VIAGEM NO TEMPO

            No último sábado (06/01/2024) desci a ladeira do Riachão com destino a João Pessoa, para prestar homenagem ao amigo José Neiva Freire, que no dia 05/08/2023, sem aviso, partiu deste mundo humano material, embarcando na jornada que leva ao destino da misteriosa “vida eterna” – não reconhecida pela ciência dos mortais – mesmo assim pregada por todas as seitas e religiões dos mais diversos Deuses, venerados e reverenciados, no nosso pequeno planeta azul.

A imortalidade do espírito, é o argumento místico esperançoso que nos endereça a última morada. Se constitui na inabalável fé – até dos mais céticos ateus materialistas – que após atingir a longevidade e olhando a imensidão do universo, admitem o pensamento do Filósofo Francês Antoine Lavoisier: “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Se o corpo humano é movido por energia – segundo Albert Einstein – ela é eterna, e se está no cosmo, e pode ser transformada.

A atriz, intérprete musical, documentarista, palestrante e multimídia Mayana Neiva, nos procurou há cerca de três anos, para participarmos de um documentário sobre a vida de seu avô, Neiva, e sua trajetória vitoriosa nas mais diversas atividades laborais que desempenhou com sucesso, destacando-se por sua visão, sempre à frente do seu tempo. Como aprendiz de fotógrafo, tornou-se o melhor fotógrafo de Campina Grande. Trouxe a primeira copiadora Xerox para Paraíba, instalando-a na Rainha da Borborema. A primeira impressora offset, antecipando o fim das Tipografias. Montou em João Pessoa um Parque Gráfico – na época e por muito tempo o maior do Estado – e passou a produzir impressos padronizados, um rico mercado, suplantado pela internet, através de seus programas e aplicativos.

Encontramos no evento, companheiros de jornadas, como Gonzaga Rodrigues, decano do jornalismo paraibano, presidente da Academia Paraibana de Literatura. O “mago”, linguagem que ele usava para se dirigir aos amigos, aos 91 anos estava lá. Foi um dos grandes amigos de Neiva, ponte que nós construímos, levando-o para Editora. O “mago” foi referência quando entramos nos Diários Associados. Ele comandava o Norte. Eu comecei engatinhando no Diário da Borborema.

O artista plástico Chico Pereira – hoje temos certeza que esteve em Shangri-La e inspirou o novelista Inglês James Hilton a escrever sua obra prima “Horizonte Perdido” – segredo da eterna juventude – aos 82 anos, apresenta fisicamente um perfil de pré-sexagenário. Chico foi nosso contemporâneo do Cine Clube Rui Guerra, dos debates sobre as ideologias, ao lado de muitos outros que partiram antes de Neiva. Guerrinha, Chico Lima, Jurandir da Souza Cruz, Orlandão, Peba, Antônio da Kenelux, Zeca Chabo, Chiquinho Duarte – acho que ainda está neste plano terrestre – José do Socorro Lira e o Genial Cineasta Machado Bitencourt. No documentário, depoimentos de apenas quatro amigos da intimidade de Neiva. Eu, Chico Pereira, Gonzaga Rodrigues e Arlindo Almeida. Estranhamos a ausência de Arlindo… Um talento precoce de Campina Grande, que dominava os temas macroeconômicos. Carreira brilhante, marcada por conquistas por onde passou. Da iniciativa privada, ao complicado serviço público.

O saudosismo nos invade nestes momentos, com um misto de tristeza, sensação de perda, orfandade…Equilibra-se pelas boas recordações de estações alegres e felizes, trazendo uma sensação suave e acalentadora, que nesta vida, nada é em vão.

Mayana apresenta um belíssimo texto, historiando a paixão de Neiva (avô) por sua esposa Lala (avó Eulália). Não é cópia de uma fábula Hollywoodiana. O roteiro é real, e mostra a força do amor. O poder manifestado pelos flechados por Cupido, que desafiam o universo e suas leis, resistem ao inexorável tempo e se contrapondo ao poeta Vinícius de Moraes – que tanto buscou o amor e talvez nunca tenha encontrado – o amor de Neiva e Lala foi eterno e não apenas enquanto durou (a atração).

A fita mostra também, o período dos governos Militares, a militância comunista de Neiva, sua prisão, e a inabalável crença – mesmo depois de todo sucesso que obteve no mundo empresarial – na romântica sociedade igualitária, fantasia criada por Marx, Lênin e Trotsky, frustrada pelo tirano Stalin. Neiva, ao partir, viu seu sonho realizado. Uma grande família, unida, cuidando do seu legado (Editora) com mais de 200 títulos.  

A GRANDE MENTIRA

            O rompimento do Clã Cunha Lima – racha entre Bruno e Romero Rodrigues, se constitui num factoide, produzido pela mídia (jornalismo de batente) carente de fatos novos, despida de criatividade, porém, comprometida em alimentar diariamente o leitor, ouvinte ou telespectador, com um mínimo de sensacionalismo banal.  Os inúmeros Portais de Notícias, repletos de amadores, demonstram sua precária habilidade de analisar fatos ou acontecimentos – por desconhecerem a história e ignorarem como funciona o poder nas suas entranhas – se mostram inábeis de enxergarem a lógica, bem abaixo de seus narizes.

            Para desmistificar toda esta baboseira – parturiente de intrigas que só existem na mente de quem as escreve ou posta – comecemos pela ausência de episódios comportamentais marcantes. Quando e onde, Bruno criticou, desqualificou ou denegriu a imagem do ex-prefeito Romero Rodrigues? Alguma vez tentou sequer comparar sua gestão, com a do seu antecessor? Se autoproclamou como mais capaz e competente? Se tiverem registros destes eventos, que citem. Bruno, no momento, é mais um disciplinado “plantonista” do projeto político do Clã, que resiste há seis décadas. Um continuísta, como foi um dia Cássio, Félix Araújo Filho e o próprio Romero Rodrigues.

            Quanto ao ex-prefeito Romero, alguém tem apontamento de um único pronunciamento público, criticando ou desqualificando a gestão de Bruno? Até onde temos acompanhado as entrevistas, declarações e postura política do ex-prefeito, em nenhum instante ele sinalizou ser adversário de Bruno, disposto a enfrentá-lo no embate eleitoral de outubro próximo. Ao insistirem que se defina como candidato, Romero estabelece um prazo (a perder de vista) e não confessa que seu intento é derrotar Bruno. Oportunidade já teve. Quando Bruno deu uma canetada, exonerando todo mundo, Romero ficou mudo. Se no seu íntimo, existisse a rebeldia de se tornar “ovelha negra” e romper com o Clã, perdeu o “perfect timing”.

            Bruno reconduziu e nomeou todos os principais seguidores de Romero Rodrigues. Por que? Ficou patente – para quem analisa de forma isenta as manobras de bastidores – que Romero não é, e nunca foi concorrente de Bruno. Só os ingênuos acreditam que Bruno iria guardar escorpiões para picá-lo. Ainda tem alguém que duvide, que neste interregno (exonerações) não houve uma conversa de bastidores para ajustarem a equipe, dispensando os dispensáveis, e mantendo os mais fiéis?

            A quem interessa a candidatura de Romero? A um bloco de pré-candidatos a vereadores profissionais da política, que não têm onde irem buscar – no mínimo – dois milhões de reais, para ocuparem ou continuarem com uma vaga na Casa Félix Araújo. Alguns ex-comissionados, que perderam privilégios de empregarem toda a família; outros que ocupam espaços e se aproveitam da função para se tornarem “facilitadores”, criando renda extra… E quem estaria disposto a gastar – financiando Romero – no mínimo 30 milhões de reais numa campanha contra uma máquina e um jovem Rico?

            Para quem já foi gerente do Bar do Spazzio, Romero acumulou experiência suficiente para lidar com bêbados. Todos são ricos, valentes e mentirosos. Na hora de pagar a conta…  

ADRIANO GALDINO SE PREPARA PARA MAJORITÁRIA DE 2026

            Não é a primeira vez que o presidente da Assembleia Legislativa Adriano Galdino, deixa pistas nas entrelinhas, através das inúmeras entrevistas concedidas – quase que diariamente nos Sistemas de Comunicações da Paraíba – e revela sua intenção velada de compor a chapa majoritária de 2026, ocupando uma vaga para o Senado, ou para o governo. No último 02/01/2024, no programa “Frente a Frente” da TV Arapuã, foi enfático ao descartar a possibilidade de ser o vice de Lucas Ribeiro.

Convenhamos que hoje, Adriano é o único nome que dispõe de “ferramentas” para enfrentar a empreitada. Uma oportunidade rara, que pode ser única. Por que não aproveitá-la? Este é o seu momento. Quatro vezes à frente do Poder Legislativo, Adriano criou um ambiente de convivência harmônica com a maioria dos seus pares. Goza do respeito e admiração da classe política e desenvolveu um estilo conciliador, tornando-se mediador entre o parlamento e o Poder Executivo. O que lhes falta? Coragem?

            Impossível era Wilson Braga ser governador. Difícil foi para Ronaldo, Cássio e Ricardo Coutinho. A história nos mostra, que ousadia e coragem, escreve a biografia dos vitoriosos. Saudoso ex-governador Wilson Braga, quando ocupou a 1ª Secretaria da Câmara dos Deputados, se lançou candidato a governador do Estado. Na época, não passava de uma “piada”. Admitiam lhes oferecer a terceira sublegenda. A “Frente de Campina”, unindo o Grupo da Várzea e os Gaudêncios – com as bênçãos do governador Buriti – tinha lançado Enivaldo Ribeiro, então prefeito da Rainha da Borborema.

Braga só era conhecido no Vale do Piancó. Começou a andar, pedir votos e distribuir Bolsas de Estudos do governo federal. Só vence quem disputa. A sorte sempre favorece os mais arrojados.  O presidente Figueiredo sofreu um infarto, e se licenciou por seis meses. Assumiu o seu vice, Aureliano Chaves, que apoiou a decisão do Congresso em extinguir a sublegenda, apenas para Governo do Estado, eleições de 1982.

Na Paraíba, a disputa estava polarizada entre Enivaldo Ribeiro (PDS) e Antônio Mariz (MDB). Com o fim da sublegenda, o PDS e MDB só poderiam ter um candidato ao governo. O Secretário do PDS, era o saudoso deputado Soares Madruga, líder do governo Buriti, amigo íntimo e conselheiro de Wilson Braga. A convenção iria definir o candidato. Madruguinha tinha renovado, e trocado todos os Delegados do Partido no Estado. Enivaldo ficou sem votos para disputar a convenção… O candidato foi Wilson Braga. O vice tinha que ser um nome de Campina Grande. Nenhum político aceitou ser companheiro de Braga.  O empresário José Carlos da Silva Júnior, topou a parada.

Milagrosamente, uma PEC foi aprovada no apagar das luzes de 1981, implantando o “voto vinculado”. O eleitor teria que votar para vereador, prefeito, governador e senador, num único partido. O voto cruzado, seria anulado. A Paraíba na época contava com 173 municípios. O PDS tinha diretórios e candidatos – da legenda e mais duas sublegendas – em todos os grotões. O MDB, em apenas 33.

Wilson Braga foi votado por quem nem chegou a conhecer. Mariz, o imbatível, foi derrotado por mais de 100 mil votos. E o governador licenciado Tarcísio Buriti perdeu sua única chance de chegar ao Senado da República. Mas, foi eleito deputado federal com a maior votação da história. Buriti não acreditava na vitória de Braga. Temia enfrentar Pedro Gondim, e a onda crescente do “voto camarão”. O eleitor votaria de vereador a deputado federal, e deixava em branco o Senado e o Governador. Marcondes Gadelha arriscou e ganhou. Tardiamente, Buriti entendeu que existem três atos sem volta: a flecha desferida, a palavra proferida, e a oportunidade perdida. Adriano já olhou seu atual momento, pelo retrovisor da história?

GOVERNO TRAI O CONGRESSO

            O ano (2023), foi marcado por momentos tensos e aturadas conciliações – entre o Governo Lula e o Congresso Nacional – a procura de caminhos que assegurassem a governabilidade. Resultou numa crise atemporal, só prevista pelos mais céticos, conhecedores do estilo petista de governar. Todos os esforços do parlamento foram em vão. A “ponte” inaugurada desabou, com uma colossal tapeação, do governo, após o Congresso e o STF entrarem em recesso. Acordos negociados e promessas não cumpridas, ampliaram o abismo na praça dos três poderes.

Presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, atendendo a apelos do Ministro Barroso (presidente do STF) tirou da pauta de votação, a deliberação do Senado em acabar com as decisões monocráticas. Ministro Dias Toffoli, no primeiro dia do recesso, com uma canetada, suspendeu o pagamento de 10 bilhões de reais da J & F (irmãos Batista), dinheiro fruto da corrupção, que seria devolvido à nação. E não teve a mínima preocupação em esconder quem era a advogada dos corruptos: sua esposa.

            O Ministro Fernando Haddad, obstinado em alcançar a meta do déficit zero, mobilizou o Congresso, e criou um imposto sobre apostas esportivas, na esperança de arrecadar 10 bilhões de reais a mais, durante o ano de 2024. Esqueceu de cobrar através da AGU, devolução de valor idêntico, já em caixa, dos “campeões” irmãos Batistas.

 Para aprovar este e outros novos impostos, ficou pactuado com o parlamento a permanência da desoneração da folha de pagamento de dezessete setores produtivos, evitando a demissão em massa de milhões de empregados no setor de serviços. Este movimento surgiu e ganhou força, através das Centrais Sindicais, apoiadores de primeira hora, da campanha de Lula em 2022.

Antes da virada do ano, o governo editou medida provisória, tornando praticamente sem efeito a decisão do Congresso. A desoneração se limita a um salário mínimo. É um Bolsa Renda II, com vistas a achatar a classe média consumidora, e nivelar todos por baixo. Esqueceram estes “gênios”, que sem consumo não existe impostos, e sem tributação, o Estado colapsa por inadimplência.

            Estapafúrdia foi a decisão (risível) de cobrar impostos dos mais ricos. O método adequado seria taxá-los por antecipação, no momento que fossem depositar o dinheiro. Mas, sobre valores já depositados!? Claro que esses poupadores vão sacar tudo, e procurar um paraíso fiscal.  Retórica bazófia, para massagear o ego das viúvas de Moscou.  

O Parlamento teve imensas dificuldades, ao longo do ano, em criar constantemente vias alternativas, capazes de evitar “rotas de colisões” com o Palácio do Planalto. Uma crise institucional, culminaria num tumultuado processo de impeachment.  Lira e Pacheco fizeram sua parte. Só não esperavam, uma rasteira de Lula, com um veto de 34 artigos da LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias. O ato após 31/12/2023 é legalmente constitucional? O orçamento é votado e aprovado no exercício anterior a sua execução. Supomos que o veto seguiria a mesma regra. O Congresso ainda pode derrubar os vetos?   

O Senado foi precavido. Com sua imagem desgastada perante a opinião pública, deu um “cartão amarelo” ao STF – que vinha se transformando desde o governo Bolsonaro – num segundo parlamento. Mas, Lula aposta na Corte. Qualquer derrota nas Casas Legislativas, compostas pelos legítimos representantes do povo, o STF pode reverter o resultado. São alinhados ideológicos do Palácio do Planalto, e farão tudo para salvarem seu governo, e com decisões “monocráticas”. Lira ainda confiará?

Lula mostrou que não tem apreço, respeito e nem medo do Congresso Nacional. Pisou na cabeça da serpente, quando cortou abruptamente o calendário da liberação das emendas parlamentares impositivas. O ano é eleitoral… Deputados e Senadores negociaram com o governo, empenho dos valores e suas liberações até 30/06/2024, último prazo estabelecido pela legislação eleitoral, para transferências de recursos da União para municípios. A Puxada de tapete, tem consequências drásticas: perda de prestígio do parlamentar em suas bases, com riscos de derrotas de seus candidatos. Terá revanche? Provavelmente sim. O Congresso poderá “travar” o governo em 2024.    

SINUCA DE BICO

            As declarações do ex-governador Cássio Cunha Lima, defendendo o fortalecimento do projeto de reeleição do prefeito Bruno, teve resposta imediata da senadora Daniella Ribeiro, que se deixou levar pela emoção, e cometeu grosserias com o herdeiro do legado deixado por Ronaldo Cunha Lima. Daniella esqueceu que deve sua estreia na vida pública, e seu atual mandato de senadora a Cássio Cunha Lima.

Foi escolhida a dedo por Cássio como vice do saudoso Rômulo Gouveia (2004), derrotado por Veneziano Vital do Rêgo por apenas 689 votos. Secretária de Estado do Governo Cássio, teve a oportunidade para se preparar, e alçar voo, alcançando uma das vagas na Assembleia Legislativa. Como segunda opção da chapa de Cássio para o senado federal (2018), vimos no retrovisor 2006, Braga e Efraim. Braga “casou” todos os seus votos com Efraim, que para derrotá-lo, casou os seus com “Doido Bala”. A história sempre se repete. Braga e Cássio enfrentaram uma campanha sem dinheiro.   

            Ao se referir a um projeto de décadas, em defesa de Campina, Cássio esqueceu de aludir que os Rego e Cunha Lima se uniram no distante 1968, para derrotarem Seu Cabral. A única eleição que não participaram – quer seja como aliados ou rivais – foi a de 1972. Ronaldo e Vital estavam com seus mandatos cassados, e seus direitos políticos suspensos por dez anos. Mesmo assim, trabalharam nos bastidores para eleger Juracy Palhano, que perdeu para os mapas eleitorais – Major Câmara – não para Evaldo Cruz.

            Com “tacadas” brilhantes no Congresso, Daniella e seu irmão Aguinaldo jamais imaginaram que terminariam numa “sinuca de bico”, abusando da sorte ou subestimando a habilidade do adversário “paroquiano”. Parafraseando o saudoso senador potiguar Agenor Maria, “o Senado é o Céu… Só não se consegue ver Deus. Mas, ainda se escuta sua voz”. Daniella, como seus 80 colegas, todos querem continuar desfrutando dos privilégios e poderes que só a Casa Revisora do Parlamento dispõe.

            O governador João Azevedo – como destaca Daniella – tem prestigiado seu filho, vice-governador Lucas Ribeiro. Pretende ser candidato ao Senado Federal em 2026. Sua eleição, passa pelo apoio das lideranças políticas vitoriosas no pleito municipal de 2024, que já entrou em contagem regressiva: faltam 281 dias para o primeiro turno, que ocorrerá no dia 06/09/2024, primeiro domingo de outubro. O tempo urge, e João Azevedo – para ganhar ou perder – ainda não tem um candidato a prefeito em Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral do Estado.

Fazendo uma analogia ao futebol, João é o “time” que depende do resultado de outros jogos, para sonhar com uma “classificação”. Querem culpar Romero Rodrigues (?) Loucura! Este “filme” todos já assistiram. O lugar que hoje ocupa Lucas Ribeiro, foi recusado por Romero, para não dividir a família.

            Se é para nomear culpados, apontem o dedo para o Clã Ribeiro. O problema é deles. Tem Aguinaldo, Daniella e o próprio Lucas, que poderão disputar contra Bruno. Entretanto, temem o resultado das urnas. Se a candidata for Daniella – mesmo vencendo – amargará a derrota de nunca mais voltar ao Senado. Se Lucas vier para a disputa, não assumirá o governo, dificultando a reeleição de sua mãe. E Aguinaldo, compromete sua recondução em 2026. Será forçado a abandonar suas bases, e cuidar exclusivamente de sua campanha na cidade. Como “bola da vez”, só resta Lucas. É jovem, e repetindo a trajetória de sua mãe – perdeu como vice de Rômulo(2004) e em 2012 não alcançou o segundo turno – tem tempo suficiente para superar uma derrota.

O INFELIZ MANIFESTO DOS DERROTADOS DA FIEPB

O colunista do Jornal da Paraíba, João Paulo Medeiros, postou no espaço destinado a sua coluna Pleno Poder “carta aberta” subscrita por apenas dez, dos vinte e seis Sindicatos que compõem a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, conclamando todos para impor a presidência da FIEP proibição e suspensão imediata da realização de sua festa de confraternização, evento que consta no calendário da instituição desde sua fundação.

O lamentável foi o descuido do “colunista”, que talvez não tenha lido o conteúdo do convite que ilustrou sua própria matéria. Ou, quiçá, a miopia o impediu de enxergar as palavras escritas… Do contrário, é mais uma vítima do “analfabetismo funcional”: simplesmente não consegue interpretar aquilo que leu.

O que está escrito com nitidez é: “o presidente Francisco de Assis Benevides Gadelha, convida (apenas) todos os membros da diretoria…” Quantos? Se a FIEP tem vinte e seis sindicatos, subtende-se que o número de Diretores não ultrapasse o número de sindicatos. Mas, admitamos que na festa estejam presentes gestores do SESI, SENAI e IEL. Isto não se constitui num “mega evento”, como menciona a aloprada, imprudente e inoportuna missiva. Alegam os dez sindicatos, inconformados com a derrota, que “a crise pela qual passa a entidade, não comportaria um dispêndio a mais de recursos …”.

A FIEPB tem mais de 50 milhões de reais em poupança. Não deve a ninguém e continua em plena expansão, desde o primeiro mandato de Buega Gadelha. Ele cometeu um erro crasso, ao confessar numa entrevista que dispunha desta montanha de dinheiro guardado. Imediatamente se levantou um movimento oposicionista ou “oportunista”, enxergando o tesouro acumulado, fruto de um bom gestor, honesto, probo que soube economizar cada centavo, até atingir este limite. Caso contrário, existiria um “rombo” incalculável, e ninguém se aventuraria a pegar a “batata quente”.

A maldosa e rancorosa “epístola” ainda levanta suspeitas sobre prestações de contas da FIEPB (2021), ajuizada para dirimir dúvidas sobre legitimidade estatutária dos membros do conselho que a aprovaram. A Justiça não sinalizou “irregularidades insanáveis”. Todos os Estados, Municípios e Governo Federal, tem suas contas aprovadas pelos TCE/TCU com “ressalvas”. A pesada burocracia, mutante e com interpretações intempestivas, leva as Cortes de Contas a fazerem estas observações. Aplicam multas e pedem devoluções de pequenos gastos, não considerados crimes de improbidade.

As contas são encaminhadas às Assembleias Legislativas, Câmaras Municipais e Câmara dos Deputados, que analisam as “ressalvas” em destaque. Sem exceção, não passam de erros contábeis, lançamentos em rubricas distintas, mas, sem dolo, fraude ou falcatrua que resulte em prejuízo ao erário público. Feitas as devidas correções pelas Comissões Temáticas, o plenário geralmente as aprova por unanimidade.

A divulgação do convite de Buega nas redes sociais pode ser interpretada como uma atitude desprendida de quem levanta uma bandeira branca, para reunificar todos, após o desgaste de um embate eleitoral medonho. Foi severamente machucado no processo, quando inúmeras vezes tentaram denegrir sua imagem, atingindo sua honra e família. Nunca deu sequer uma nota de repúdio contra aqueles que o atacaram. Seu altruísmo não foi – talvez jamais seja – reconhecido pelos seus opositores que cegos, frustrados e ofuscados pela Rainha da Borborema, são guiados pelo ódio e pela ganância.

JOGO COMBINADO

            O Palácio do Planalto se absteve de festejar como “vitória”, as sabatinas e aprovações simultâneas no plenário do Senado Federal, dos seus indicados para PGR – Paulo Gonet – e STF, ministro da justiça Flávio Dino.

            O radical ministro Flávio Dino – abraçado até pelo senador Sérgio Moro – pintou seu autorretrato, surpreendendo quase todos os senadores. Bem assessorado, o ex-vice-presidente senador Mourão, revelou discretamente sua performance “carreirista”. Distinguiu o seu notório saber jurídico (doze anos Juiz Federal), mas nas entrelinhas, “grifou” sem verbalizar, que a política para Flávio Dino, foi um meio ou o caminho, escolhido para realizar seu verdadeiro sonho: ser Ministro do STF.

             Na sua indagação, Mourão se limitou a ler uma PEC, com conteúdo que limita a indicação do Presidente da República para Ministros do STF, em apenas 05. As demais vagas seriam 02 da Câmara dos Deputados, 02 do Senado Federal e 02 das Cortes Superiores de Justiça. Exige elaboração de uma lista tríplice, onde os candidatos ao cargo, teriam o endosso da OAB, STF, STJ, Associações de Magistrados, Ministério Público e Conselhos Universitários. A PEC fixa o mandato dos Ministros do STF em 11 anos. Ao concluir a leitura, o senador Mourão destacou: autor, o deputado federal Flávio Dino. O sabatinado riu e acrescentou: o senador esqueceu apenas o ano, 2009. E ainda está aí… A PEC era a estrada que Dino construía para chegar ao STF.

            Ao longo de suas respostas – réplicas e tréplicas – Dino destacou que conhecia o Juiz Federal Sérgio Moro, a quem pediu voto e foi atendido, quando disputou a presidência da Associação de Juízes Federais do Brasil, eleito para o biênio 2000/2002. Indagado sobre o aborto, foi enfático: este tema não é do STF, pertence ao Congresso Nacional. E as decisões “Monocráticas”? Confessou ser absolutamente contra. O Senado votou recentemente uma PEC, extinguindo as decisões monocráticas.  

            Na sua peregrinação pelo Senado, pedindo votos, Dino assumiu compromissos. Se vai honrá-los ou não, saberemos no futuro. Mas, o fato do seu arqui-inimigo, ex-presidente José Sarney, ter sido seu cabo eleitoral, fica patente que ele é um homem do “sistema”. E o comunismo pregado abertamente por Dino? Oportunismo. No ano de 2010, foi candidato a governador do Maranhão e derrotado por Roseana Sarney. Bem que procurou a legenda e apoio do PT. Lula negou. Devia seus dois mandatos a Sarney, que sepultou o Mensalão, e garantiu sua reeleição. Sua única opção foi o PCdoB.

            Voltou a disputar novamente em 2014. O candidato era Edson Lobão Filho. Seu pai, Ministro Edson Lobão, no passado adversário ferrenho de Sarney. Mas, como todo adversário de Sarney, um dia se torna seu aliado, estiveram juntos em 2014 para enfrentar Dino. O desgaste do início da Lava-Jato, cuja origem foi prender o reincidente doleiro Alberto Youssef, comprando por dois milhões de dólares um precatório do Estado do Maranhão – final do mandato de Roseana – deu a Dino o discurso que “metralhou” o PT/MDB. E quem era o Juiz que prendeu Youssef? Sérgio Moro. A Petrobras era vinculada ao Ministério das Minas e Energia, tendo à frente Edison Lobão, que imediatamente renunciou. Todavia, não escapou de ser citado em inúmeras delações.

            Após sua reeleição em 2018, derrotando Roseana, Dino viu o estrago sofrido pelas esquerdas, e principalmente seu partido PCdoB, que praticamente se dissolveu. Trocou de legenda em 2021, e foi abrigar-se no PSB. Como a presidente do PT Gleisi Hoffmann não tem memória curta, ainda lembrava do antipetismo de Dino em 2014, e seus discursos inflamados contra a corrupção, Dino não contou com apoio de nenhum petista “raiz” para ser indicado ao Ministério da Justiça. Tomou no grito.

            O ex-ministro Delfin Neto, referindo-se a Ministros do STF, cunhou uma frase: “eles não tem passado, só têm futuro…” Dino prometeu abandonar a política, partidos e militância. Ótimo para Sarney. Vestirá a Toga, e incorporará à “liturgia do cargo”. O PT não comemorou. Venceu o “sistema”, com total apoio da Direita.    

EXAGEROS E INJUSTIÇA

                Uma Cidade Portuária (nova Dubai) seria construída no município de Mataraca-PB e geraria 600 mil empregos, através de um Porto de Águas Profundas. Matéria levada à exaustão pela mídia palaciana, durante toda a semana. Pelo visto, não passou de uma tentativa de golpe, episódio merecedor de uma investigação séria da equipe que cuida de “blindar” a imagem do governador João Azevedo, inibindo os observadores mais céticos que criticam sua gestão de caçoar sobre o seu sucesso e evitar ampliar o ruidoso coro galhofado pela oposição.

                O vice-cônsul da China, He Yongwei, um dos representantes das relações diplomáticas do gigante asiático com o Brasil, de Recife-PE, informou ao Portal Política Paraíba – matéria postada por Weslley Lino – que seu país desconhece a empresa Brasil CRT. Afirmou ainda que não existe nenhum projeto de tamanha envergadura, fora do seu território. Como ele mesmo dimensionou, o investimento equivale ao PIB do Brasil, ou 450 vezes o orçamento da Paraíba. Em apenas três anos, os “Chineses” iriam investir na Paraíba, o correspondente a 500 anos, a partir de 1530, quando o Reino de Portugal começou a investir nas Capitanias Hereditárias.       

                Ao se reportar sobre o tema, após assinatura de protocolos entre a Prefeitura de Mataraca e o suposto “grupo Chinês”, o governador João Azevedo em coletiva à imprensa (11/12/2023) foi sincero em dizer que não conhecia o projeto. Mas, estava agendado encontro oficial, dia seguinte (ontem 12/12/2023) com os investidores. Escapou em tempo, evitou um vexame e cancelou a reunião, após a matéria postada por Weslley Lino. Provavelmente a advertência do vice-cônsul, informando ao jornalista que já havia comunicado oficialmente ao prefeito e ao governador da Paraíba possibilidades de fraude, João Azevedo evitou o pior.

                A ex-presidente Dilma Rousseff foi vítima em 2012 de um golpe semelhante ao da utópica Cidade Portuária de Mataraca, quando criou a EPL, empresa que construiria o Trem Bala, ligando o Rio de Janeiro a São Paulo. O projeto apresentado por um grupo de picaretas italianos, era uma cópia do Trem Bala do Japão, inaugurado em 1964. Tentando ser mais esperta, Dilma criou uma estatal e contratou os “picaretas” italianos para elaborar o projeto e atrair grandes investidores internacionais, num formato PPP (parceria Pública Privada). Dilma ocupou espaços na mídia e divulgou com ênfase o Trem Bala até 2014. A estatal EPL, contraiu uma dívida de 4,0 bilhões de dólares junto a Bancos Italianos, com aval do Tesouro Nacional.

                Na campanha presidencial de 2018, Jair Bolsonaro ridicularizava as 279 estatais deficitárias, a partir do “fantasma” do Trem Bala. Prometeu fechá-la no seu primeiro dia de governo. Mas, não o fez. A EPL devia aos Bancos Italianos, e o débito já estava ajuizado. Além de centenas de funcionários, a EPL só conseguiu ser incorporada a VALEC em 30/09/2022, quando Bolsonaro concluiu o pagamento do rombo de 4,0 bilhões de dólares. Mesmo após ser incorporada, cláusulas contratuais ainda levaram para VALEC 12 Diretores, e pelo menos, uma centena de “cumpanheiros” técnicos, contratados pela gestão petista da ex-presidenta.               

            Exageros à parte, originado na ansiedade da mídia Pessoaense em bajular de modo extenuante o atual inquilino do Palácio da Redenção, sobressai-se a injustiça em Campina Grande. O Jornalista Geovanne Santos, posta no grupo “Imprensa Campinense”, uma nota convite sobre a filiação do prefeito Bruno Cunha Lima ao União Brasil, evento que contará com a presença do senador Efraim Filho. E destaca na chamada da matéria: “Campina Grande estava carente de um senador”. Sua preferência embaça os fatos.

O jornalista cometeu uma grande injustiça. Veneziano Vital do Rêgo tem abarrotado os cofres da PMCG. Tudo que Bruno tem pedido, tem sido prontamente atendido por Veneziano, usando o prestígio de vice-presidente do Senado Federal. Por outro lado, é visto constantemente na cidade, e reside na Rainha da Borborema.

Comparem-se o que trouxe Efraim Filho (até o presente) para Campina Grande, e as ações concretas de Veneziano! O palanque que elegeu Efraim foi Campinense: Pedro Cunha Lima. Contudo, ele deve sua vitória às bases dos deputados campeões de votos do Republicano, Adriano Galdino e Hugo Mota. Além de Murilo Galdino, Wilson Santiago (pai e filho) Francisca Mota…  O Deputado Adriano Galdino, tem cobrado de Efraim, reciprocidade com a legenda. O Republicano tem projeto, e terá candidato para disputar o pleito do ano vindouro em Campina Grande.

  Se o Republicano tivesse apoiado a candidata do governador Pollyanna Dutra, Efraim teria sido derrotado. Os números nunca mentem: Efraim 617.477 (30,82%) dos votos, Pollyanna Dutra 457.679 (22,84%). Diferença 159.798 (7,91%). Para levar Pollyanna à vitória, bastavam os votos de Adriano (59 mil) e Hugo Mota (158 mil) todos colados com Efraim Morais em 2022.

SAUDOSISMO DE NEY LOPES E SEMELHANÇAS COM O PRESENTE

            O ex-deputado federal potiguar Ney Lopes de Sousa, com registro histórico, vultoso e inapagável nos anais da Câmara dos Deputados – magnífica passagem no parlamento brasileiro – respeitado e admirado como uma das “cabeças pensantes” do alto clero do Congresso Nacional até 2006 – postou ontem em seu Blog, artigo saudosista lembrando os 56 anos da conclusão do seu curso de Direito pela UFRN.

            Era dezembro de 1967… A solenidade foi realizada no Teatro Alberto Maranhão. Como Orador da “Turma da Liberdade”, homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek – considerado grande injustiçado na época – Ney foi ameaçado de prisão pelos Militares, por não aceitar “sugestões” da censura no conteúdo do seu discurso. Os Militares haviam feito alterações na Constituição promulgada em 1946, homologada pelo Congresso em 1967, ampliando os poderes do Executivo e limitando os do Judiciário (Suprema Corte) que passou a ser um Tribunal Constitucional, como o dos Estados Unidos, França, Alemanha… Ganhou força o STM (Superior Tribunal Militar).

            Cassações de mandatos, como o do próprio Juscelino, tinham origem num IPM – Inquérito Policial Militar – pautado em três diretrizes: ligações clandestinas com o partido comunista proscrito em 1948; histórico de corrupção, enriquecimento ilícito; liderar ou integrar movimentos ilegais com fins de derrubar o governo. Quem julgava, condenava ou absolvia, era o STM. O STF não tinha poderes constitucionais para intervir.

Não podemos omitir que ocorreram injustiças isoladas, motivadas pelo partidarismo regional. Mas, descarte-se com honestidade, a falsa narrativa de “caça às bruxas”. Este advento “questionável”, passou a ter registros a partir de 13/12/1968, com o Ato Institucional nº 5. A história merece ser resgatada pela memória. Por que até o Google apagou a passagem de Ulisses Guimarães, como apoiador do governo Castelo Branco e integrante de um grupo líderes, que concordaram com o fechamento temporário do Congresso, para o governo impor a Constituição de 1967? Ulisses nunca respondeu um IPM, nem ameaça de cassação. Era do MDB, partido criado pelos Militares. Dividia seu prestígio junto ao governo, ombreando-se com o radical (repórter) Amaral Neto. Ambos só pertenciam à mesma legenda, por recomendação do Palácio do Planalto.

Toda juventude é movida pelos sonhos de mudanças, avanços e contestações, inspiradas nas transformações de costumes e rompimentos com tradições herdadas das gerações anteriores, que doravante as sucederão. Ao longo dos anos, mudam, e pensam exatamente como expõe o poeta cearense Belchior, em uma de suas mais belas canções, interpretada por Elis Regina: “…Como nossos pais”.

Quatro anos após sua formatura, o talentoso de Ney Lopes – jovem ainda imberbe – teve seus valores latentes reconhecidos pelo genial Cortez Pereira, governador indicado pelos Militares, para suceder o último eleito em 1965, Monsenhor Walfredo Gurgel. Ney foi escolhido Chefe de Gabinete, e coube a ele a tarefa de selecionar a equipe do novo governo. Talvez na época, tenha sido alvo de críticas, pela eterna turma do “contrão”, travestida de esquerdas, incapazes e despreparados para competitividade exigida no mundo real. Irracionalmente, esta gente só enxerga espaços em seus projetos de vida, através da “tomada do poder”.

Nas eleições de 1974, Ney foi eleito deputado federal. Em 15/04/1975, com apenas três meses na Câmara dos Deputados, foi o autor do Projeto Lei 274/75 que deu origem ao Crédito Educativo, hoje FIES. Realizou o sonho de milhões de jovens brasileiros, Lei que vigora até hoje. Mudaram apenas o nome para FIÉIS. Expandiu o ensino superior, com a criação de complexos Universitários privados e de qualidade, representando o dobro das Universidades Públicas.

Picuinhas da política “paroquiana” suja, mesquinha e conspiradora, conseguiram cassar o mandato do saudoso governador Cortez Pereira. Por extensão, atingiram todos os seus principais apoiadores. Ney Lopes foi cassado. O ato foi truculento. Mas, existem males, que vem para o bem. Se não tivesse sido cassado, seria “rotulado” pela velha mídia esquerdopata militante, como “filhote da ditadura”.

Ney Lopes retornou ao parlamento em 1990. Oportunidade que o imortalizou. Relator da quebra do monopólio da Petrobras, para comercialização e prospecção. Relator da Lei de Marcas e Patentes… O Japão e outros países haviam patenteado toda a biodiversidade da Amazônia (!?). Recuperamos o que havíamos perdido. Relator do Genérico, posicionou o Brasil em primeiro lugar no ranking dos países de medicamentos mais baratos do mundo… Na época não existia mais Laboratórios Brasileiros. Em apenas um ano, surgiram 180 novos laboratórios genuinamente nacionais. Além de gerar centenas de milhares de novos empregos, Ney salvou milhões de vidas com o baixo custo dos medicamentos.

O seu temor de 1967, ressurgiu sob outro formato.  Ney ainda não comentou que fomos alcançados pelo retrocesso, com a volta do abusivo autoritarismo. Se na sua formatura o medo era os Militares, 56 anos depois, trocou-se apenas a indumentária: a farda deu lugar a “Toga”.           

ADRIANO GALDINO: O TAFFAREL DE JOÃO AZEVEDO

            A reeleição do governador João Azevedo, hoje vista pelo retrovisor (2022), permite enxergar-se nitidamente que foi um projeto abraçado, trabalhado com determinação, afinco e obstinação do Republicanos. Apoiar um candidato do PSB – legenda estigmatizada pelos efeitos devastadores da Operação Calvário – foi além de um desafio. Um mister de fé, paradoxalmente, operado com pragmatismo.

            João foi bafejado pela sorte, e talvez nunca tenha avaliado as dificuldades enfrentadas por seus verdadeiros aliados (Republicanos), puxados pela incontestável liderança conciliadora do deputado Adriano Galdino (Presidente da ALPB), pertencente a uma legenda pautada no Conservadorismo Cristão. João Azevedo, inversamente estava abrigado numa sigla “progressista”, que afrontava os ideais programáticos do Republicanos. Como superar estas diferenças abissais, e construir um caminho convergente, sagrando os interesses do Estado, e posicionando-os supra-partidariamente acima das questões ideológicas?

            O grande inventor do século XIX e XX, Thomas Edison, assinalou que a ideia ou inspiração, representa apenas 1%. O restante, 99% é transpiração. O Republicanos suou muito, trabalhando nos redutos eleitorais interioranos, para levar João Azevedo a vencer no segundo turno. As pesquisas constataram e comprovaram a acachapante derrota nos dois maiores colégios eleitorais do Estado: João Pessoa e Campina Grande. Desvincular o radicalismo nos demais 221 municípios paraibanos, foi tarefa hercúlea do Republicanos. Se João Azevedo tivesse subestimado o poder de Adriano Galdino, Hugo Mota e Wilson Santiago, teria a mesma votação de Pollyanna Dutra: 457.679 sufrágios.

            O calcanhar de Aquiles do governador João Azevedo, tem sido o grupo ideológico que o cerca. Seletivo, trancado em gabinetes e distante do povo, fazem-se de ouvido de mercador das lideranças políticas e suas demandas cotidianas. Será que João avaliou bem a escolha de seu vice, de Campina Grande, o jovem Lucas Ribeiro, na época vice-prefeito de Bruno Cunha Lima? Por que não optou por outro nome, como Adriano Galdino que se disponibilizou em abrir mão do poder da presidência da ALPB?

            Restam 25 dias para o início do micro período eleitoral. A partir de 01/01/2024 entra em vigor o Calendário Eleitoral das eleições municipais. Quem é o candidato do governador João Azevedo em Campina Grande? Por uma questão de lógica, seria o seu vice, Lucas Ribeiro. Por que Lucas nunca manifestou essa intenção? Porque o desejo de seu tio é o governo do Estado. Aguinaldo perdeu todas as suas bases na cidade, atestadas pelas urnas nas eleições de 2022, quando amargou a 13º posição no ranking dos mais votados na Rainha da Borborema, obtendo apenas 4.067 votos. Em sua visão imediatista, o problema das eleições municipais não é dele, é de João, que deve se afastar para não ficar sem prerrogativa de foro. Seu sobrinho, assume o governo.

            Um fato novo, tira João Azevedo do Xeque imposto pelos Ribeiros. Decisão do TSE sobre o julgamento da “Operação Calvário”.  Agora, nas mãos do TRE-PB, o processo será sepultado. Conflito de jurisdição. TRE-PB só julga crime eleitoral. Não enriquecimento ilícito, formação de quadrilha, improbidade administrativa. A ação perde o objeto, por tratar-se de fatos pretéritos, eleições 2014/2018. João foi reeleito em 2022, quando a “Calvário” não o arrolou nas investigações do pleito de sua reeleição.

            O malfadado “Conselho Político” de João Azevedo, que de Campina Grande só conhece o nome da cidade, apostou todas as suas fichas em Romero Rodrigues, rachando os Cunha Lima, hoje apoiado pelos Rego. Perderam besta e chocalho. Romero hoje é a Eminência Parda do governo Bruno. Todos seus desejos, antes de se tornarem “pedidos” são prontamente atendidos.

            Fazendo uma analogia ao futebol, a copa do mundo de 1994, foi salva pelo goleiro Taffarel. Meio campo precário, ataque se resumia a Romário e Bebeto, desesperado Galvão Bueno – narrador da Globo – quando percebia a iminência de um gol gritava: “vai que é tua Taffarel”! Mesmo sem ouvi-lo, Taffarel fazia o milagre acontecer. A decisão foi por pênaltis, e Taffarel deu conta do recado. O “Divino” Baggio, amarelou diante de Taffarel e chutou por cima do travessão.

            Sem ter como formar um bloco de oposição a Bruno, Romero e Veneziano juntos, João Azevedo sobrecarrega o “carregador de piano” de sua gestão, o “Taffarel” Adriano Galdino, a quem manhosamente estimula abraçar a tarefa de formar a única linha de defesa, para evitar uma goleada. Por que não ouviu Adriano e seus pares em tempo hábil?    

EM ENTREVISTA NA PARAÍBA ONYX LORENZONI REVELA PROJETO DA DIREITA CONSERVADORA ALÉM FRONTEIRAS

            Entrevistado pelo Jornalista Padre Albeni em João Pessoa-PB, no último dia 30/11/2023, o ex-ministro do presidente Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, está percorrendo todo o país, lançando livro de sua autoria, sobre a origem e trajetória de um “Mito” que mudou a história política do Brasil, nas eleições presidenciais de 2018.

         O colóquio nitidamente improvisado, entre Albeni Galdino e Lorenzoni, reportagem no estilo “quebra queixo” – quando o repórter não dispõe de pauta, mas, não perde a oportunidade de abarrotar de perguntas uma figura pública – Albeni durante metade da entrevista se dirigia ao ex-ministro chamando-o de Lorenzetti (marca de chuveiro elétrico). E Lorenzoni respondia suas perguntas, se reportando a João (?). Dispensando a confusão do “repente”, o conteúdo foi proveitoso. Lorenzoni revelou que a partir de Bolsonaro, a direita despertou. Sempre foi “maioria” desorganizada, governada por uma esquerda “minoritária” organizada e pragmática.

         Outro fato – cremos ser ainda desconhecido por muitos – foi o surgimento de um movimento internacional da direita conservadora – a partir do Bolsonarismo brasileiro, ideia hoje em plena expansão, organizando-se e atuando em todos os países democráticos, provocando mudanças radicais na Europa Central, Leste Europeu e América Latina. Lorenzoni está há três meses na Europa, e pelo que deixou transparecer em suas palavras, integra esta militância itinerante por todos os continentes.

         Pelo que interpretamos, trata-se de versão oposta da “Internacional Socialista”, movimento extremista inspirado e comandado por Leon Trotsky, defensor da tomada do poder pela luta armada, responsável pela expansão do comunismo – com guerrilhas – em todo o planeta. Sucumbiu com o início da segunda guerra mundial. A União Soviética foi “financiada” por banqueiros, para impedir o nacionalismo Nazista.

         O padre, ao comparar Donald Trump com Bolsonaro, foi retrucado por Lorenzoni. “Trump é um representante da direita conservadora nos Estados Unidos. Mas, tem contra si, o antiamericanismo, estigma criado pela propaganda comunista no período da guerra fria, que os alcunharam “imperialistas”. Conceito ainda resistente e interpretado de forma confusa pela direita conservadora. O nacionalismo (isolacionista) não sobrevive num mundo economicamente globalizado. Repetirá a derrocada da Cortina de Ferro e o COMECON da extinta União Soviética.

          Com sete mandatos no parlamento (dois no seu Estado RS) e cinco na Câmara dos Deputados, Onyx confessou que nunca cumprimentou Lula. Jamais foi ao Palácio do Planalto, quando o PT esteve ocupando suas dependências. É considerado em seu Estado como o maior inimigo do PT, razão de sua derrota em 2022 para o governo do Estado. Por apenas 3 mil votos, Eduardo Leite chegou ao 2º turno. O PT por completo despejou seus votos contra seu maior inimigo, Onyx. Se o PT tivesse chegado ao segundo turno, metade do eleitorado de Eduardo Leite votaria em Lorenzoni.

         Quanto à trajetória de Bolsonaro, Onyx revelou que o “Mito” já esteve nas bases petistas, para confrontar o presidente FHC, e sua política de privatização das estatais. Passou pelo PFL, e foi seu liderado. Como nunca é tarde para se aprender, e mudar em função da realidade, ouvindo o povo, Bolsonaro mudou e acertou.            Influenciou diretamente no fim do Peronismo na Argentina. Acabou o socialismo do Uruguai e Paraguai. E na visão de Onyx, será candidato em 2026. Mesmo Albeni Galdino insistindo, sobre o fato do TSE o ter tornado inelegível, o argumento de Lorenzoni foi preciso. “Lula foi descondenado”. O STF/TSE não tem respaldo para enfrentar o povo e as ruas. Neste aspecto, concordamos. Lula em seu desespero, taxou o STF de “acovardado”. E foram estes “covardes”, que mudaram de posição e o tornaram elegível. Todavia, se Lula continuar sendo abominado pelo povo, STF/TSE mudará novamente de posição sem o menor pudor, como fez Gilmar Mendes (monocraticamente) impedindo Lula de ser Ministro de Dilma, fato que evitaria sua prisão. 

WILSON SANTIAGO: ENCONTRO DO PARLASUL DEFINE ACORDO COM A UNIÃO EUROPEIA E RELAÇÕES COM O NOVO GOVERNO DA ARGENTINA

            Em encontro realizado hoje (27/11/2023) em Porto Alegre, parlamentares do Brasil, Uruguai, Paraguai e outros países da América do Sul – candidatos a integrar o MERCOSUL – debateram a formalização do acordo de livre comércio com a União Europeia, projeto que se arrasta por mais de uma década, e somente agora, com a mudança de governo na Argentina, surgiu a necessidade de uma urgência “Urgentíssima” para selar o pacto até o dia 09/12/2023, último dia do mandato do presidente Alberto Fernandés.

            O deputado federal Wilson Santiago (Republicano/PB), membro do PARLASUL, com assento na bancada que representa o Brasil, esteve presente e ouviu dos demais colegas dos outros países – inclusive Argentina – manifestações negativas, sobre a aprovação em caráter de emergência deste novo “corredor comercial alfandegário” entre os dois blocos econômicos, no modelo que está sendo apresentado. Nada soma ou acrescenta como superávit positivo, para as nações emergentes do cone sul.

Na visão de Santiago, continuaremos a exportar matéria prima e produtos do Agronegócio (alimentos) e passamos a importar produtos de alta tecnologia, com valores elevados. Não existem perspectivas de trocas de know-how, transferências de tecnologias, nem investimentos permanentes através de instalações de plantas fabris, com tecnologias avançadas, para serem implantadas nos países do MERCOSUL.

A ausência de um “Fundo Compensatório”, capaz de manter o equilíbrio entre os dois blocos, se constituiu noutro ponto sensível. Cria um quadro de insegurança para o bloco do Mercosul, com vistas a um futuro próximo, por estar comprometido com o cumprimento de contratos celebrados em longo prazo, fator que engessa a cadeia produtiva e impede buscar, como alternativa, novos mercados consumidores.   

            O estabelecimento de relações comerciais bilaterais e multilaterais entre os Estados (países), têm regras estabelecidas pela Ordem Econômica Mundial, vigente desde o pós guerra de 1945.  Os investidores, detentores do grande capital transnacional, exigem aprovação (aval) do parlamento das nações envolvidas. Sobretudo quando o parceiro comercial é um Estado Democrático de Direito.

A mudança radical do povo Argentino, não confere superpoderes ao presidente recém eleito Javier Milei, de decidir “egocentricamente” o futuro do seu país, sem o endosso do seu parlamento, que representa o povo. Fazendo uma analogia ao setor privado, seria o mesmo que uma empresa contratar um novo CEO. Suas decisões seriam acompanhadas e avaliadas constantemente pelo Conselho de Administração do empreendimento, que se reporta aos acionistas.

As democracias ocidentais consolidadas, Europa e Estados Unidos, vem aos poucos fortalecendo – com seus exemplos – os parlamentos da América Latina, que sempre estiveram reféns do poder executivo. Grave defeito constatado ao longo do tempo, enxergado hoje, pela descontinuidade de seus crescimentos, a partir de mudanças repentinas ou radicais, que desativaram programas bem sucedidos.  

Mudanças de cunho ideológicos, provocam reação em cadeia, gerando desconfiança dos mercados e fugas de investidores internacionais. Wilson Santiago assegura que o Mercosul sobreviverá. Todavia, será monitorado pelo PARLASUL, com regras claras, que superem as alternâncias do poder entre seus membros. Serão negócios entre Estados, acima das ideologias.  

STF RECEBE CARTÃO AMARELO DO SENADO

(Parte II)

É desnecessário (redundante) descrever – fatos ainda vivos na memória do povo – estupros a legislação vigente, cometidos nas eleições de 2022, a partir da decisão revogada pelo TSE – período presidido pelo Ministro Gilmar Mendes – autorizando a implantação do voto impresso. O povo, confiando no Parlamento composto por seus legítimos representantes, aceitou o adiamento de 2018 para 2022, sob alegação da falta de verbas, para adquirir as impressoras, já em uso desde 2016 no vizinho Paraguai.

Tempo suficiente para o Ministro Luís Roberto Barroso, atravessar a praça dos Três Poderes, reunir-se com a CCJ da Câmara, e impor o voto eletrônico, não auditável. Dolo confessado por ele mesmo, ao ser vaiado numa solenidade de Estudantes de Direito. Na ocasião, surpreso com a indignação da juventude, reagiu com agressividade confessando o que todos já sabiam: “nós derrotamos o Bolsonarismo”. Antes, nos corredores da Câmara, o ex-advogado do terrorista Cesare Battisti, zombou com desprezo, 144 milhões de eleitores brasileiros: “eleições não se ganha, se toma”.

O voto eletrônico, passível de fraude, provocou uma onda de protestos nas redes sociais, tema permanentemente em destaque até hoje. Os atos inconstitucionais do STF/TSE, foram “fatiados” e perpetrados por Barroso, Fachin e Alexandre de Morais.  Barroso temendo a amplitude do desgaste do seu nefasto projeto, criou uma “comissão” para averiguar a inviolabilidade das urnas eletrônicas, composta pelas Forças Armadas, OAB, TCU, Universidades… Em seguida, passou o “bastão” para Fachin, que só permitiu a inspeção de apenas 35% das urnas, especificamente as recém adquiridas. As velhas, desde 2026, suspeitas de estarem viciadas, não foram periciadas antes do pleito.

Todos estes fatos e episódios devidamente documentados, jamais foram divulgados ou denunciados pela grande mídia nacional. Pelo contrário, o outrora respeitável Jornalismo Profissional, se submeteu a ser coautor de pelo menos um crime: formação de cartel. O Consórcio Midiático, foi um Cartel criado para controlar a informação, plantar a desinformação, e mancomunado com Institutos de Pesquisas, confundir a opinião pública. Todos, devidamente remunerados com fundos nacionais e internacionais (Open Society).

A mais alta Corte de Justiça do Brasil, escalou um “Xerifão” (Min. Alexandre de Morais) para comandar o TSE com mão de ferro. A finalidade seria conseguir – a qualquer custo – derrotar o presidente Jair Bolsonaro, candidato à reeleição.

 As aberrações cometidas ao arrepio da Lei – sem registros na história das democracias – levaram até a Ministra Cármen Lúcia, em decisão “Monocrática” suspender os efeitos de uma das principais cláusulas pétreas da nossa Constituição: “Liberdade de Expressão”, que deixou de vigorar por doze dias.

 Morais, prendeu jornalistas por crime de opinião, notificou e impôs limites nas redações dos Jornais, Rádio e TV, coibiu divulgação de qualquer matéria contra Lula, inclusive publicações de fatos inapagáveis na imprensa, como por exemplo, sua prisão. Foi vetado o uso da palavra ex-presidiário.  

            O PL, dentro do devido processo legal, havia contratado uma auditoria independente, composta por autoridades como Doutores e Professores da UNICAMP – além de outras referências da área da tecnologia – rastreadores de invasões de sistemas, nas transmissões de dados pela internet. Buscava-se a transparência e identificação de falhas, negligências que permitissem invasão de Hackers nas urnas, ou no código fonte. Numa entrevista coletiva, anunciou o ajuizamento de uma ação, com base neste relatório, elaborado após o segundo turno.               Antes de analisar o pedido, em 20 minutos o Xerifão Morais retaliou: “Monocraticamente” mandou bloquear 22 milhões de reais do Fundo Partidário do PL, ameaçou Valdemar da Costa Neto (sem prerrogativa de foro) e negou peremptoriamente dar provimento à petição, atropelando a instrução processual, que recomenda “abrir vistas” para que o Ministério Público (Fiscal da Lei) se manifestar sobre legalidade do contencioso. Na sequência, parte III (final). Popularidade de Pacheco em alta, e o inconformismo do STF. 

STF RECEBE CARTÃO AMARELO DO SENADO (Parte I)

Complacência sem limites sugere fraqueza, acovardamento ou submissão. O Senado da República e o Congresso Nacional, desde 2016, se tornaram reféns do STF, através das mais extravagantes decisões monocráticas, com caráter puramente intimidatório, extrapolando seus limites e se posicionando acima dos Poderes Executivo e Legislativo. O papel lhes reservado na Carta Magna de guardião foi abolido. Tornou-se um revisor permanente da Constituição (politizado) interpretando e reinterpretando seus artigos, parágrafos e incisos, no seu tempo e momento, atendendo demandas “seletivas”, inclusive as oriundas dos partidos políticos progressistas.

Ontem, 27/11/2023, em duas sessões plenárias, com placar de 52 votos favoráveis e 18 contra, o Senado Federal finalmente resolveu reagir democraticamente, mostrando seu verdadeiro papel, como representante do povo. Começou a pôr freios, limitando os superpoderes do STF, que ainda se considera acima da Lei.

Como menciona o adágio popular, “trair e coçar é só começar”, seguido de outro – “por onde passa um boi, passa uma boiada” – o STF começou a avançar sobre os demais poderes, apoiando a “Operação Lava-Jato”. Permitiu a Polícia Federal prender arbitrariamente um Senador da República, Delcídio do Amaral, com prerrogativa de foro, rasgando o devido processo legal. Nem os militares tiveram tamanha ousadia – caso Márcio Moreira Alves – deputado federal e jornalista do extinto Estado da Guanabara, que havia publicado um artigo, conclamando o povo a boicotar o Dia da Independência, e advertindo as jovens brasileiras a não namorarem cadetes militares.

O então ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva enviou pedido à Câmara dos Deputados para processar Márcio Moreira Alves. A Mesa Diretora realizou uma sessão no dia 12/12/1968, e o plenário negou. Foram 246 votos contrários, e 161 favoráveis. Ao sair do plenário, Márcio Moreira Alves desapareceu e pediu asilo político. Na manhã seguinte, 13/12/1968, o Presidente da República convocou o Conselho de Segurança Nacional e editou o AI-5. Márcio foi o primeiro a ser cassado em 14/12/1968. Sem mandato, todos os cassados poderiam ser presos. Os militares nunca prenderam ninguém estando com mandato popular. Porém, depois de cassado…

Como a prisão do senador Delcídio Amaral foi acatada covardemente pelo Senado, o ministro Edson Fachin – indicado pela Presidente Dilma Rousseff – vingou-se de Eduardo Cunha. Monocraticamente o afastou da presidência da Casa, após o mesmo ter acolhido o pedido de impeachment de Dilma. Proibiu sua presença na Câmara, inclusive acesso a seu gabinete, e o despejou da residência oficial. Acuado, o Parlamento não suportou a pressão, e cassou seu mandato. O juiz Sérgio Moro só autorizou sua prisão quando ele já não dispunha do foro privilegiado.

O mesmo Fachin, que inúmeras vezes junto a seus pares negou os 286 pedidos de Habeas Corpus impetrado pelo advogado de Lula – hoje Ministro do STF – após derrubarem a prisão em segunda instância, o “descondenaram”. Como frisou o ex-ministro Marco Aurélio de Melo, Lula não foi “inocentado”. Alegando conflito de jurisdição, Fachin considerou que a Justiça Federal do Estado do Paraná não tinha poderes para julgar Lula. Seu foro seria Brasília-DF (?). Lula residia no Estado de São Paulo. E, pelo que entendemos, a Justiça Federal abrange todo o território nacional.

Na sequência, parte II.

SUBINDO LADEIRA

            A controversa pesquisa divulgada semana passada pelo Instituto DATAVOX, apresentando dados conflitantes (duvidosos) sobre a avaliação da gestão do governador João Azevedo em Campina Grande, deixou a crônica política cabisbaixa e receosa em opinar sobre seu ceticismo – questionando veracidade dos índices. Blogs, Portais de Notícias, cadeias radiofônicas evitam contrariar a SECOM.  

            O exagerado percentual de 70% de aprovação do governo João Azevedo em Campina Grande, posicionando-o acima do prefeito Bruno Cunha Lima, expõe uma incoerência alarmante, que sugere, no mínimo, erro. Provavelmente não da empresa responsável pela amostragem. Mas, da metodologia aplicada, ou da equipe que esteve em campo coletando dados. Quem tem 70%, transferiria no mínimo 20% para seu pré-candidato a prefeito Jhony Bezerra, que aparece, na mesma pesquisa, com apenas 2%.

            O fato que nos leva a desconfiar da “manobra Jhony” é o silêncio do deputado Adriano Galdino – presidente da ALPB – andarilho dos bairros, ruas, becos e avenidas de Campina Grande, que nunca demonstrou entusiasmo neste projeto “Palaciano”. Pelo contrário, aliado zeloso defensor do governador João Azevedo, continua persistindo no propósito de atrair Romero Rodrigues, como candidato da oposição, para enfrentar o prefeito Bruno Cunha Lima, ao lado dos Rêgo.

            Adriano – como sempre enfatiza – é “acostumado a subir ladeiras”. Sua trajetória foi inspirada no determinismo, obstinação, que lhes custaram paciência e resiliência. Conseguir se impor, como liderança política em Campina Grande e em seu entorno, sonho tentado por muitos, mas, conquistado por poucos. Elegeu seu irmão vereador na Rainha da Borborema, teve coragem de ir para o sacrifício, disputando a PMCG contra Romero Rodrigues (2016). A missão trouxe-lhes aprendizado. Ajudou-o a se consolidar como liderança estadual, com bases espalhadas por todas as microrregiões da Paraíba.  

Na experiência vivida, quando enfrentou a disputa contra Romero Rodrigues (2016), Galdino sentiu o peso de uma Oligarquia sedimentada há décadas na cidade, detentora do “direito de preferência” do eleitor. Não se muda esta performance com retóricas, capaz de quebrar paradigmas, como o conservadorismo do povo campinense. Na visão de Adriano, dividi-los é a forma mais prudente de participar do pleito (2024), com chances de uma disputa.

Quanto a pesquisa, qual foi o “milagre” operado por João Azevedo, capaz de catapultá-lo para patamar de 70%, quando há pouco mais de um ano atrás, usando a “máquina” e o vale tudo de uma acalorada contenda, alcançou apenas 32,63% do eleitorado Campinense? (Segundo turno das eleições de 2022).

 De janeiro deste ano (2023), até o presente (novembro), o governo não trouxe nenhum grande investimento para a cidade, gerador de emprego e renda. Não concluiu nenhuma grande obra. Paradoxalmente, quem está inspecionando obras, é o senador Veneziano Vital do Rêgo. E seu aliado Bruno Cunha Lima, com um programa “obra para todos os lados”, inaugurando pavimentação em ruas nos quatros cantos de Campina.  

Quanto à decisão de Romero, em romper com seu grupo familiar, só existe um homem capaz de convencê-lo: Adriano Galdino, lhes assegurando que, na perspectiva de uma derrota, ele o reconduzirá à Câmara dos Deputados. Romero não confia no governador – que talvez seja candidato ao Senado – muito menos no núcleo ideológico que o blinda, impedindo-o de avançar na busca de abraçar novos aliados. A moeda de troca do mundo político, sempre foi a “palavra” com compromissos cumpridos. Adriano, tornou-se respeitado como “cumpridor de promessas”. Estilo bem-sucedido, usado nas eleições de 2022, quando abdicou de vários redutos, para reconduzir com lealdade a Casa de Epitácio Pessoa, muitos dos seus fiéis amigos com assentos na ALPB.  

SÉRGIO QUEIROZ PODE SER O ELEMENTO SURPRESA

            Estranha-se até o presente, o silêncio da mídia da Capital, que tem esquecido – propositalmente ou não – o nome do Pastor Sérgio Queiroz, como postulante ou integrante de uma das chapa, com vistas às eleições do ano vindouro (2024). Resta perguntar, por que, os Portais de Notícia e Blogs com linha editorial “pautadas” no cotidiano político, nunca demonstraram interesse em entrevistá-lo, e oportunamente averiguar sua predisposição em participar do pleito de outubro (2024).

            Sérgio Queiroz foi a grande surpresa das eleições de 2022. Não foi outsider. Era avaliado pela mídia, como “neófito”, perdido no mundo político/eleitoral, que exibia apenas a ousadia e coragem de ser candidato ao Senado Federal. Sua legenda? o nanico PRTB. Enfrentou “girantes Golias”, estruturas e “máquinas”, como o PT, governo do Estado, PMJP e o poderoso União Brasil, apoiado pelo clã Cunha Lima.  Submeteu todos a uma acachapante derrota em João Pessoa.

            As urnas o revelaram como o primeiro, na preferência dos eleitores Pessoaense, conferindo-lhes 106.885 sufrágios, ou 28,02% dos votos válidos. Para que se tenha noção de sua expressiva vitória, basta observar o pleito municipal de 2020. Cícero Lucena alcançou o segundo turno, com apenas 20,72% (75.610). Nilvan Ferreira com 16,61 (60.615); Ruy Carneiro que disputou voto a voto com Nilvan, 59.730, ou 885 sufrágios a menos. Wallber Virgolino 50.801 (13,92%); Edilma Freire 47.157 (12,93%); Ricardo Coutinho 38.969 (10,68%); Raoni 15.582 (4,57%)…Os demais (oito) candidatos, totalizaram cerca de 29 mil votos.

            Numa leitura mais profunda, com foco na busca de identificar o perfil ideológico do eleitor Pessoaense, constata-se que a grande maioria, desde 2020, se posiciona como Centro, Centro Direita e Direita. João Pessoa não é mais o reduto onde outrora predominou as esquerdas. Cícero Lucena, Nilvan Ferreira, Ruy Carneiro, Wallber Virgolino e Raoni, jamais foram militantes das esquerdas. Juntos (2020) somaram 71,92%. Os “socialistas” da Capital ficaram espremidos no diminuto espaço de 28,8%.

O resultado do primeiro turno, para o governo do estado (2022) repetiu o fenômeno. João Azevedo, com a máquina do Estado e da PMJP (apoio de Cícero Lucena), conseguiu 29,20% do total de votos da Capital. Nilvan 31,10%, Pedro Cunha Lima 26,50%. No segundo turno, pela primeira vez na história, um filho de Campina Grande derrotou um nativo de João Pessoa, em seu próprio território: 58,11 (Pedro), João 41,89. O governador foi “afogado”, por ter mergulhado fundo como “prosélito” das esquerdas.   

Sérgio Queiroz não figurou ainda em nenhuma pesquisa de intenção de votos, registrada e publicada pela mídia. Impossível os atuais pré-candidatos desconhecerem seu potencial. Em amostragens realizadas, para consumo interno – nortear legendas – quando inserem seu nome, ele aparece à frente de Rui e Nilvan, colado em Cícero Lucena. O ex-ministro Marcelo Queiroga, não chega a 4%. Para o prefeito, candidato à reeleição, a fragmentação é sua maior aliada. A cidade está totalmente dividida em “bolhas”. O único capaz de furar todas, e dividi-las é Sérgio Queiroz com seu legado de 2022. Foram 106.885 votos, oriundos da Orla, bairros periféricos… Até nas favelas.  

O CERCO SOBRE CÍCERO LUCENA

            Uma ampla frente de oposição – dividida – está avançando e cercando o território dominado pelo prefeito Cícero Lucena, defendido por um exército numericamente inferior, composto de veteranos, cansados combatentes (lideranças políticas desgastadas) despidas de entusiasmo, afetados pela “fadiga de guerra”.

            Nas pesquisas postadas pelos Portais de Notícias, o prefeito aparece com índices nunca superiores a 33%, tamanho exato da máquina pública. Sua vitória apertada em segundo turno (2020), deveu-se ao recolhimento de Ruy Carneiro – bem avaliado nas classes A, B e C – e o elemento surpresa (apoio) do governador João Azevedo, que aproveitou o ensejo, para se afastar em definitivo de seu padrinho político Ricardo Coutinho. Repetiu-se o fenômeno da “criatura” se voltar contra o seu “criador”, episódio absolutamente previsível e recorrente no meio político.      

Um pequeno gesto, ou aceno de Ruy Carneiro em 2020, na direção de Nilvan Ferreira, teria derrotado Cícero. Entretanto, calejado nas disputas pela PMJP, Ruy enxergou exatamente 2024. Se apoiasse Nilvan, o mesmo seria candidato à reeleição, na onda Bolsonarista, movimento crescente e forte em 2020. Conhecedor dos limites de Cícero, Ruy previu o fato, que ora está  acontecendo. Por que Cícero não fumou o cachimbo da paz com Ruy? Foram tão amigos num passado recente! Vaidade de ambos ou falta de um mediador?

Blogs e Portais de Notícias, registram diariamente movimentações intensas do prefeito da Capital, inaugurando obras de pavimentação de ruas, desenvolvendo programas avançados nas áreas da saúde e educação; recebendo recursos vultuosos de emendas parlamentares, mas, esquecendo de buscar soluções para o principal problema do crescimento desordenado da Capital: mobilidade urbana, transportes públicos de qualidade e vias expressas para locomoção automotiva.

O eleitor “qualificado” de Cícero e Ruy, habitam na Orla, Bancários, Tambauzinho… Por mais que o prefeito invista na periferia “favelada”, nativos desta área se identificam mais com Nilvan Ferreira. Interagem com sua comunicação – originada na Rádio – e seus reclamos veementes, como porta-voz das demandas daqueles que se sentem eternas vítimas do poder público. Esquecidos, abandonados e só lembrados, na fervorosa fé professada pela “Salve Rainha” de Nilvan, que os inserem como degredados filhos de Eva.

Cícero Lucena teve tempo suficiente para mudar sua postura. Atrair lideranças emergentes, criar canais de diálogos com opositores derrotados; mostrar ao povo (humildemente) sua busca pela união de todos, em nome do bem maior, o eleitor; acolher sugestões de seus ferrenhos opositores, e governar com eles. O altruísmo é construtivo conciliador, oposto do egoísmo, divisor e parturiente de mágoas e rancores.

Cícero nada aprendeu com seu mestre, Ronaldo Cunha Lima. Venceu as eleições municipais de Campina Grande (1982) e seu maior adversário na Câmara Municipal, tourou-se líder do seu governo no parlamento mirim Campinense. Quando derrotou Wilson Braga (1990), contava com apenas 10 dos 36 deputados estaduais. No final de seu mandato, o quadro estava invertido.

Os números revelam possibilidades de Cícero Lucena alcançar o segundo turno. Mas, quem o apoiará a partir de então? Repetirá 2016? Chegou ao segundo turno, e não conseguiu uma única adesão, para fortalecê-lo no embate final da disputa? O mapa eleitoral das urnas – segundo turno de 2022 — mostraram claramente o seu limite, e do governador João Azevedo: 29,7% dos votos válidos na Capital.         

NEY SUASSUNA É O NOVO IMORTAL DA ACADEMIA BRASILEIRA DE BELAS ARTES

Com cerimônia de posse marcada para o próximo dia 29/11/2023, o ilustre campinense Ney Robinson Suassuna assumirá a cadeira número 28 da Academia Brasileira de Belas Artes, cujo patrono foi o pintor português – naturalizado brasileiro – José Maria de Medeiros, que ingressou na Academia Imperial de Belas Artes no ano de 1868, e foi contemporâneo, aluno de José Maria Lobo e Vitor Meireles. José Maria de Medeiros foi agraciado em 1884 com a Medalha (comenda) da Ordem Imperial da Rosa, pelo quadro Iracema, até hoje exposto no Museu Nacional de Belas Artes (Rio de Janeiro). O artista imortal foi professor da Escola de Belas Artes durante trinta anos, de 1801 a 1911, ensinando e revelando valores latentes, grandes pintores do século XX.

Ney Suassuna iniciou sua vida profissional (vocacional) no Magistério, em Campina Grande, como professor de desenho e pinturas.

Chegando ao Rio de Janeiro, centro cultural do Brasil, foi acolhido por seu talento na Irmandade Sacre-Coeur de Marie, como professor do mais importante colégio do País, que educava as elites cariocas, por onde passaram os grandes intelectuais do Brasil dos anos sessenta. Em sua biografia, construída pela mídia, registrando apenas fatos perecíveis e parturientes dos acontecimentos quotidianos, esqueceram de investigar seus valores intelectuais.

A neurologia e sua secular pesquisa continua estudando fenômenos sobre pessoas dotadas de elevados níveis de QI, detentoras de imensuráveis capacidade de absorver simultaneamente atividades das mais distintas – capazes de lidar com diversas atividades profissionais – e obter sucesso em todos seus empreendimentos. Infelizmente, este distúrbio funcional impregnado nos meios de comunicação, “rotula” as pessoas, especificamente numa área, espaço que mais se destacam.

Winston Churchill, gênio que atravessou duas grandes guerras mundiais à frente do Almirantado Britânico (Comando da Marinha), na hecatombe de 1940/1945 esteve como Primeiro Ministro do Reino Unido, com os destinos da Inglaterra em suas mãos. Era escritor e amante da pintura. Nos momentos mais tensos da segunda guerra, diversas vezes, seus auxiliares diretos o surpreenderam pintando um dos seus quadros. Escondiam o fato, e passaram a considerá-lo como “excêntrico”. Sua habilidade em unir Estados Unidos, Rússia e a própria Inglaterra, para derrotar o Reich Alemão, não podia ser obra de um escritor ou pintor.

Howard Robard Hughes Jr, até sua morte (1971) o maior bilionário dos Estados Unidos, construtor de aviões e herdeiro de uma petroleira, também foi considerado um “excêntrico”. Era o piloto de teste de seus aviões, tendo sobrevivido a diversos acidentes aéreos. Sua vocação pela arte o levou a fundar um dos maiores Estúdios Cinematográficos dos Estados Unidos, RKO Radio Pictures, que abalou as estruturas de Hollywood. Tinha também uma paixão pela música. Aprendeu na sua solidão tocar o saxofone. Compôs algumas músicas, que só tocava para si mesmo. Nunca permitiu, nem cedeu direitos para gravá-las. Hughes revelou toda a geração de belas atrizes dos anos quarenta. De bons atores. Desenvolveu novos equipamentos (câmeras e áudio). Um belo dia, desistiu de tudo.

A paixão de Ney Suassuna pela literatura e artes nunca foi destacada pela mídia, em função de seu sucesso no mundo empresarial e político. Criou colégios, universidades e desenvolveu novos métodos de ensino, adotados pelo Oriente Médio e Ásia, como a China. Foi Senador da República, Líder do maior partido político no Senado (PMDB), Ministro de Estado, que materializou a transposição das águas do São Francisco. Mas, no seu íntimo, sempre existiu um pintor e escritor.

Saudoso Antônio Ermírio de Moraes, bilionário presidente do grupo Votorantim, era crítico e roteirista de Teatro. Escreveu diversas peças, usou pseudônimo ou doou a alguém da área, temendo que o Brasil o julgasse diferente. Desfrutava o perfil de referência opinativa da economia. Ney Suassuna superou Antônio Ermírio, que tentou dar sequência a sua genética paterna (política), candidatando-se a governador do Estado de São Paulo. Foi derrotado por um guarda da Polícia Rodoviária Federal, Orestes Quércia.

Ney foi Senador da República pelo seu Estado (Paraíba), amigo pessoal de FHC, de quem ouviu apelos para não renunciar o Ministério da Integração Nacional e desistir de ser candidato a governador, momento que foi traído pelo PMDB/PB, pela doutrina “fisiologista” do maranhismo. Como Howard Hughes, Ney desistiu. Ou, deu um basta temporário na política. Talvez ainda volte. Todavia, paraibanos e campinenses devem se orgulhar da mais recente conquista de Ney, hoje ao lado de Pedro Américo e de tantos outros grandes artistas brasileiros, como Cândido Portinari…

IMPORTANDO JHONY

            Os estrategistas políticos – conselheiros do governador João Azevedo – estão cometendo um grave erro de avaliação, superestimando a liderança do atual inquilino do Palácio da Redenção, e subestimando a importância de Campina Grande, importando e impondo o Cearense Jhony Bezerra, como candidato “improvisado” a prefeito da Rainha da Borborema. A cidade é acolhedora, porém “seletiva” e exigente no momento de escolher seus representantes políticos.

Abominamos completamente o argumento de “xenofobia” usado pela mídia palaciana, para rebater um comentário do prefeito Bruno Cunha Lima, cujos ancestrais (paternos e maternos) vieram de outras plagas, aqui se estabeleceram, e ajudaram a construir sua grandeza. São fatos históricos, ignorados pela mídia palaciana, inspirada no comportamento “cosmopolita” hiperativo da Capital, “ventre estéril”. Ao longo do século XX e XXI, fecundou uma única liderança, ex-governador Ricardo Coutinho, posteriormente desterrado pelos seus próprios concidadãos.

Após a redemocratização de 1945, queda do ditador Getúlio Vargas, o primeiro embate eleitoral (1947) eleições municipais, dois “forasteiros” disputaram a Prefeitura de Campina Grande. O Major Veneziano Vital do Rêgo (Limoeiro PE), cunhado do ex-interventor e Senador Argemiro de Figueiredo, e o médico Elpídio de Almeida (Areia-PB), apoiado por Seu Cabral, líder político e econômico da cidade, nascido em Umbuzeiro-PB. Venceu o médico Elpídio. O Major Veneziano foi o mais votado na cidade. Elpídio, na zona rural, que tinha mais eleitores, que a sede do município.

O resultado do pleito, foi o maior baque sofrido pelo saudoso Argemiro Figueiredo. Segundo o inigualável memorialista de campanhas na Paraíba, Médico Alfredo Lucas, no ano anterior, Argemiro tinha elegido dois Senadores e sete, dos dez deputados federais, Constituintes. Entretanto, errou ao impor sua vontade pessoal. Não digeriu a derrota. Em 1951, licenciou-se do Senado, e veio disputar como candidato à PMCG, para derrotar outro “forasteiro” de Pombal-PB, Promotor de Justiça, Plínio Lemos, apoiado por Cabral e Elpídio de Almeida. Foi achatado pelas urnas.

O amigo Arthur Almeida (Bolinha) crítico ferrenho das “familiaridades” políticas de Campina Grande, se revolta e combate o conservadorismo da cidade, que paradoxalmente é um Oásis – centro de referência do empreendedorismo estilo sulista na região – porém, politicamente presa ao atavismo dos Clãs desde 1930.

O governador João Azevedo – sombra de Ricardo Coutinho – depois seu sucessor, teve tempo suficiente para criar e instrumentalizar uma liderança em Campina Grande, capaz de enfrentar os Clãs, ou um dos Clã. Preocupado com a Orla, que lhes impôs uma derrota acachapante na sua reeleição, esqueceu o Planalto da Borborema. Por que não ouviu Adriano Galdino, Murilo, conhecedores da geografia política da cidade, onde são votados e representam seus interesses? Bastava “turbina-los”, com “poder de caneta”.

Optando pelo clã Ribeiro, João Azevedo jamais previu a união dos Rêgo com os Cunha Lima. Enxergou apenas o momento, e esqueceu seu status de “Cristão novo” no meio. Os Clãs têm um único objetivo: defenestrá-lo da política e ocupar sua posição.

A ideia de transformar Jhony num outsider, é um equívoco brutal. O Secretário de Saúde, domina temas de sua área. O perfil do outsider é o oposto de Jhony. Outsiders são figuras excêntricas, revolucionárias, contra tudo e contra todos, independentes e influenciadores da rebeldia. Estouvados, movidos pela imprudência, com postura e discursos anarquistas, que atrai multidões. Jhony não tem esta performance. Se a intenção foi atrair Romero Rodrigues, e “rachar” sua família, João tem memória curta. Romero já o negou, por não confiar nos seus “mentores”. Jhony é, e será sempre bem-vindo a Campina Grande. Mas, observe como a comunidade o aceita: Médico.       

O INSUPERÁVEL NEY SUASSUNA (Final)

            O então prefeito de Campina Grande, Cássio Cunha Lima, após sua reeleição (2000) eliminou toda a oposição local – vitória esmagadora – alcançando 88% dos votos válidos. Lançou-se imediatamente como candidato ao governo do Estado. José Maranhão, reeleito em 1998, teria que se licenciar no ano seguinte (2002) para disputar uma vaga das duas vagas para Senado Federal. Escolheria um nome de sua confiança para sucedê-lo. Seu vice, o “disciplinado” Roberto Paulino, não figurava na lista. Assumiria de “direito” a titularidade do cargo, mas, de “fato”, Maranhão continuaria governando.

            Neste interregno, Ney Suassuna tinha se tornado uma grande estrela, cintilante na constelação política nacional. Seu gabinete em Brasília era uma festa. Diariamente lotado de prefeitos, deputados estaduais, federais – de vários Estados – e da Paraíba, só faltava Luís Couto. O saudoso Wilson Braga, era o primeiro a chegar. Wellington Roberto e vários outros, já tomavam o café da manhã no apartamento de Ney, que morava só.

            Os tempos eram outros, diferentes dos dias atuais. Emendas Parlamentares individuais, de bancadas ou coletivas, eram recursos contingenciados no OGU – Orçamento Geral da União. O limite estabelecido para cada deputado foi fixado em 1 milhão e 600 mil reais por ano. Hoje, 30 milhões e impositivas.

Centenas de Parlamentares, durante seus quatro anos de mandato, com esforço hercúleo, liberavam no máximo 1/3 destes recursos alocados. Mesmo assim, apenas em ocasiões de votações polêmicas, de interesse do governo. Em seu desfavor, tinham ainda que vencer uma burocracia infernal, com regras e normas absurdas, exigidas pelos Ministérios. Ney Suassuna, como trator, “atropelava” todo este “entulho”. Ligação direta com o Palácio do Planalto, liberava as emendas de seus colegas, não só da Paraíba, mas de diversos outros estados.

            As bases do Estado da Paraíba, a partir de vereadores, passando pelos prefeitos, parlamentares estaduais/federais lançaram Ney para suceder Maranhão. A iniciativa não foi de Maranhão. Ele foi puxado pela onda. Mas, se limitava a sinalizar gestos, que concordava. A Paraíba dependia também de Ney, para liberar dezenas de convênios com o governo federal. Maranhão mantinha uma postura de oposição ao presidente tucano FHC, apoiado por Cunha Lima. Seu contato com o Planalto era formal.

            Quinzenalmente, Ney vinha à Paraíba. A festa começava no Aeroporto João Suassuna, com dezenas de figuras o aguardando. Bispo Júlio Paiva, o entrevistava ao vivo, linha direta com a Tambaú FM, ao lado de outros repórteres. Até Didi do jogo do Bicho de Campina Grande, carregando uma obesidade acima dos 100 kg, ia receber Ney no Aeroporto. Estes eventos, incomodavam a bajulação palaciana, que explorava a vaidade de Maranhão. Nos dias que Ney permanecia em João Pessoa, só as moscas e pernilongos frequentavam a Granja Santana. Justificável: para entrar na granja, passava-se pela seletiva Guarita. Se conseguisse a liberação de entrar, o “chá de cadeira” nunca era inferior a três horas, para receber um “não”, ou promessa futura, às vezes vazias.

            Ney, atendia a todos coletivamente. Assuntos que não podiam ser expostos aos presentes, um “cochicho” rápido, num canto de sala, resolvia a demanda. Agia assim no seu gabinete do Senado, Liderança do PMDB, Ministério da Integração Nacional, seu apartamento em Brasília e no Edifício José Primo em João Pessoa. O oposto Maranhão. Três minutos eram suficientes para o “sim”. Dificilmente um “não”. Saudoso amigo Toinho Cabral, foi o primeiro a chamar nossa atenção, sobre a candidatura de Ney ao governo do Estado. Não confiava em Maranhão, e na sua visão, Ney deveria permanecer no Ministério até o final do governo FHC. Era novo, tinha tempo, consolidaria seu nome como a maior liderança política do Estado, e seria governador na oportunidade certa, sem adversários. A leitura de Toinho estava correta.

            No dia 03/04/2002, Ney Suassuna renunciou ao Ministério da Integração Nacional, desincompatibilizando-se para disputar o governo do Estado da Paraíba. Maranhão não fez a festa para recebê-lo como seu sucessor. Pelo contrário, começou a distanciar-se. Esquivou-se da mídia, evitando apresentá-lo como seu candidato. O objetivo doravante, era “desidrata-lo”. Mudou a rotina da Granja Santana, que ao invés de “barrar”, convidava as lideranças para despacharem com o governador. Ney percebeu, que mais uma vez, tudo terminaria saindo do seu bolso, e com valores superestimados. Cansou. Era hora de desistir, e salvar seus negócios no mundo empresarial.

Sem mágoas, rancor, experimentando o desconforto dolorido da traição, e a amargura da ingratidão, abdicou de sua postulação. Para Cássio Cunha Lima, foi o milagre esperado, capaz de torná-lo competitivo.

            O “se” como conjecturas… “Se” Ney decidisse ser candidato, mesmo sem o apoio e empenho de Maranhão, Cássio não teria sido governador. Wilson Braga e Efraim Morais não abandonariam Ney. Maranhão só foi governador, porque Ney elegeu Mariz. Mariz só foi Senador, porque Ney foi o suplente, “trem pagador”. Maranhão não voltaria à Câmara em 1994, havia perdido redutos para Cássio. O partido para prestigiá-lo, o pôs como vice. Mas, o dinheiro, quem gastou foi Ney, para assumir a vaga de Mariz no Senado. Ney elegeu Veneziano Vital do Rêgo, prefeito de Campina Grande. Sonho de Argemiro, de seu avô e de seu pai, derrotado duas vezes. O caixa de Ricardo Coutinho para derrotar Ruy Carneiro, Cássio e Cícero Lucena, saiu da algibeira de Ney Suassuna.

            Ney renovou toda a classe política do Estado. Veneziano em Campina Grande, Ricardo Coutinho em João Pessoa, Maranhão – vice de Mariz – governador por oito anos… Sua última conquista (solitária) foi em 2018, quando no dia 19/09/2018, aceitou ser o primeiro suplente de Veneziano Vital do Rêgo, candidato ao Senado Federal. Estava derrotado. Amanhecia o dia na Granja Santana, colado em Ricardo Coutinho, impedindo-o de pedir o voto preferencial para Luís Couto. Veneziano ficava 24 horas na Guarita da Granja. Se relaxasse, Ricardo mandava votar em Luís Couto. A partir do dia 19/09/2018, quando Ney se registrou como seu suplente, Veneziano desapareceu da Granja e até dos Comícios de Ricardo/João Azevedo. Ney montou sua agenda, e sua rotina se resumia a procurar as lideranças indicadas por ele. Elegeu Veneziano Senador, hoje vice-presidente do Senado Federal.  

O INSUPERÁVEL NEY SUASSUNA (Parte III)

Quando assumiu a Presidência da República, o pai do Real, Itamar Franco, se deparou com um dos piores períodos de secas ininterruptas no Nordeste. Criou o Ministério da Integração Regional – para atender exclusivamente a região – nomeou o ex-governador do RN Aluízio Alves, para comandar a pasta.

O saudoso líder Potiguar procurou na SUDENE soluções definitivas e não ações “paliativas”, para resolver o problema da região, com obras que garantissem às populações envolvidas conviverem com este fenômeno climático. Registros históricos datados desde 1670 já mencionavam períodos de grandes estiagens prolongadas.

Por outro lado, ainda estava viva na memória dos norte-rio-grandenses a tragédia de 1877, quando morreram mais de 100 mil pessoas em Mossoró (RN), cidade sede de um município com 5 mil habitantes, invadida por mais de 100 mil pessoas, que foram buscar alimentos enviados pelo Imperador, mas não chegou a cidade. O navio de alto “calado” não conseguiu atracar no porto de Areia Branca.

A SUDENE entregou-lhes estudos preliminares, realizados sob encomenda de Mário Andreazza, quando esteve no Ministro do Interior. O projeto consistia na transposição de bacias hidrográficas, ligando o Rio Tocantins ao São Francisco, que a partir de sua foz levaria águas para o semiárido (sertão) dos Estados de BA, SE, AL, PE, PB, RN e CE. Aluízio Alves mobilizou toda a região para lutar pela transposição. O movimento ganhou força com o “grito das secas”, movimento criado pela FIEP, tendo à frente o seu presidente, Buega Gadelha.

Criaram uma comissão itinerante para debater, discutir e convencer os Estados de SE, AL e Bahia, contrários à transposição. O poderoso ACM (Antônio Carlos Magalhães), presidente do Senado e líder absolutista da Bahia, estava determinado a pôr um fim no projeto. Mas, Aluízio Alves ainda conseguiu recursos para licitar a contratação do projeto de engenharia, em toda sua extensão. No final de sua gestão, após bons anos de invernos a partir de 1995, o novo presidente FHC suprimiu da sua lista de prioridades a transposição das águas do São Francisco.

No último ano de sua gestão (2001) assumiu o Ministério da Integração Nacional o senador paraibano Ney Suassuna. De origem sertaneja, conhecedor do flagelo provocado pelas secas, desengavetou o projeto da transposição, licitou e contratou as obras da estação de captação, e seu primeiro trecho, levando as águas até a cidade de Monteiro (PB). Obras iniciadas, caminhos sem volta.

Lula assumiu a Presidência da República (2003). Ney já estava fora do Ministério, mas ainda era Senador. Conseguiu assegurar a continuidade das obras, arrancando de Lula o compromisso de executá-la em sua gestão. O presidente “sindicalista” designou o seu vice-presidente, José de Alencar, para comandar o projeto para debelar a sede do Nordeste. Em jogo combinado, entrou o IBAMA, para inviabilizar a transposição. Faltou ação parlamentar. Ney em 2006 não renovou seu mandato. A transposição foi esquecida.

No propósito de complicar a redenção do Nordeste, refém das secas, os “gabinetes” de Brasília sugeriram e criaram o INSA – Instituto do Semiárido, como fonte de pesquisas e projetos destinados a preparar o agricultor com tecnologias adequadas, para o manejo da água e do solo, garantindo sua sobrevivência. Ney Suassuna pulou na frente. Enxergou a manobra, e trouxe para Campina Grande a sede do INSA. Venceu o Ceará, Pernambuco e Alagoas que brigavam pelo órgão.

No momento da instalação, surgiu um problema: onde será a sede (instalações físicas)? Arlindo Almeida, um “campinista” – brilhante tecnocrata – fruto da geração Edvaldo do Ò, procurou Buega Gadelha, presidente da FIEP e apoiador do “grito das secas”. “Vamos perder o INSA por falta de um espaço físico para sua instalação e funcionamento?” Buega imediatamente cedeu as antigas instalações da FIEP, na rua Maciel Pinheiro, edifício Palácio da Indústria e Comércio. O INSA foi instalado.

Ney Suassuna, como Júlio César, foi apunhalado por seus pares, em quem confiava como amigos. Vítima da inveja, não renovou seu mandato em 2006. Foi traído por todos, a partir do governador José Maranhão, que o lançou candidato a governador no propósito de tirá-lo do Ministério da Integração Nacional. O PMDB brilhava no cenário nacional com Ney. Mas, na província, Maranhão era seu chefe e se sentia ofuscado. Iríamos encerrar, como pretendíamos, a história de Ney, neste artigo. Mas, a memória não pode ser atrofiada. Postaremos a última parte amanhã. Economista, grande palestrante, escritor… Ney tem que escrever sua própria biografia.

O INSUPERÁVEL NEY SUASSUNA (Parte II)

A primeira tentativa de Ney Suassuna para chegar ao Senado Federal ocorreu nas eleições de 1982. Ao perceber que sua aspiração era um projeto natimorto, desistiu. Raciocínio lógico: os velhos “caciques” do Estado jamais lhes dariam espaço.
Conheciam – porém propositalmente ignoravam – sua trajetória e bem-sucedida carreira, festejada no mundo empresarial, respeitada pelas elites econômicas cariocas. Na leitura das lideranças políticas paraibanas, Ney poderia despontar como promissora liderança no Estado, criando uma terceira força, ameaçando as oligarquias estabelecidas desde 1945, afeitas e adaptadas à “gangorra” do revezamento pelo poder.

Nas eleições de 1986 – duas vagas para o Senado – o PMDB queimou seu nome no momento da formação da chapa. Esqueceram-no por completo. Humberto Lucena poderia tê-lo convidado para sua primeira suplência. Mas, preferiu continuar ao lado de outro milionário carioca, o industrial Klabin, então maior produtor de celulose do Brasil. Para a segunda vaga, atraíram o tesoureiro da ARENA (depois PDS), Raimundo Lira.

Elegendo 22 dos 23 governadores dos Estados, formando a maior bancada da história do Congresso Nacional (Câmara e Senado), o PMDB saiu das urnas de 1986 como o maior partido político das Américas. Disputou democraticamente, voto a voto – dentro de um sistema pluripartidário – e derrotou dezenas de legendas, representantes das mais diversas classes sociais, inclusive as inspiradas nas distintas correntes ideológicas.

A hiperinflação pós campanha – governo Sarney – começou a arruinar o PMDB. Mesmo apostando na nova Constituição, promulgada em 1988, Ulisses Guimarães, considerado o tetra presidente”, candidatou-se um ano depois (1989) à Presidência da República (PMDB), com apoio do governo Sarney e estimado como pai da Constituição Cidadã, ainda em vigor. Ficou entre os “lanternas” da disputa. Venceu o outsider Fernando Collor de Melo.

No ano seguinte (1990) o PMDB sobreviveu às eleições para governo dos estados, deputados estaduais, federais e senado. Na Paraíba,Ronaldo Cunha Lima teve a coragem de enfrentar a onda “Collor”, o fracasso do governo Sarney, a humilhante derrota de Ulisses e o esvaziamento galopante do PMDB. Lançou-se sem o apoio do governo do Estado (Burity), enfrentando o ex-governador Wilson Braga – nas pesquisas imbatível – e para o Senado Federal escolheu o deputado federal Antônio Mariz (PMDB mais à esquerda) que já havia sido derrotado por Wilson Braga em 1982. Quem bancaria sua campanha? Liso, sem confiança do empresariado, que na época a lei permitia doações, Mariz estava fadado a encerrar sua vida pública. Mas, lembrou-se de Ney Suassuna, que neste interregno, quando foi abominado pelo PMDB/PB, tornou-se milionário até no Iraque.

Quem comandou a campanha de Mariz foi Ney, que obstinadamente desconheceu por completo seus adversários. Mariz fazia um discurso pouco convincente, fora de época. Ney, chegava com a “estrutura”, arrancando o voto para Mariz e puxando Ronaldo Cunha Lima. Se não fosse o empenho de Ney, Ronaldo não teria chegado ao segundo turno. Na missão obsessiva de eleger Mariz, Ney “turbinou” também a campanha de João Agripino Neto, que surpreendeu o Estado, obtendo mais de 300 mil votos, fato que proporcionou o segundo turno. Braga saiu à frente, com mais de 30 mil votos de maioria.

Mariz eleito, Ney primeiro suplente, Burity que havia apoiado discretamente João Agripino Neto, mandou recado para Braga: procurar João Agripino Neto, antes que Ronaldo conquistasse seu apoio. Braga ignorou. Quem fez João Neto apoiar Ronaldo? Mariz. Como? “Respaldo” em Ney Suassuna. Ronaldo venceu. Governou, e Mariz brilhava no Senado, como presidente da CPMI que levou ao impeachment de Collor, setembro de 1982. Após o impeachment de Collor, Mariz foi surpreendido com uma comorbidade mortal: câncer. Ney só assumiu como suplente – alguns dias – forçado pela exigência do afastamento do titular, para tratamento de saúde (cirurgias). Vitória de Ronaldo, Mariz, Braga derrotado… Não faltaram “heróis” para serem condecorados por seus esforços na exitosa batalha. Todavia, mais uma vez, esqueceram a bravura do Ney.

Na sequência, último capítulo sobre a passagem de Ney na política paraibana. Antes que esqueçam.

O INSUPERÁVEL NEY SUASSUNA VISITOU CAMPINA GRANDE – Parte I

ALPB DEBATERÁ CRISE DOS MUNICÍPIOS

O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Adriano Galdino, realizará amanhã (quarta-feira 23.08.2023) audiência para debater os efeitos da crise instalada nas prefeituras, originada a partir da queda do FPM – Fundo de Participação dos Municípios. O quadro é preocupante e exige ação política imediata, sob pena de comprometer as gestões municipais e o próprio Estado, que tem em orçamento previsões de transferências constitucionais como o FPE – Fundo de participação dos Estados, semelhante ao FPM.

Na visão do deputado Adriano Galdino, trata-se de um “efeito dominó”. A queda de receita nos municípios “compromete serviços básicos e essenciais, como saúde, educação, programas sociais… Atrasa pagamento de fornecedores, paralisa programa de obras, acarretando em desemprego e redução na arrecadação de tributos”.

Carregando em sua bagagem a experiência de ex-gestor municipal, o presidente da ALPB enfatiza a inexistência de prestidigitação, com o uso de números. “Matemática é uma ciência exata. É impossível se administrar um orçamento com despesas fixas e receita variáveis. O correto é o inverso: receita fixa e despesas variáveis, possibilitando ao administrador, avançar – gastar mais em investimentos – ou cortar custos, evitando comprometer o bom funcionamento da Instituição”.

O governador João Azevedo, durante a campanha pela sua reeleição (2022), usou um discurso convincente ao comparar a Paraíba aos demais Estado do Nordeste, exibindo o conceito de AA, conferido pelo Tesouro Nacional e Bancos de Investimentos do Brasil e do Exterior. O Estado superavitário, arrecadando mais e gastando menos. Entretanto, se persistir o recuo gradual no desembolso do FPE e FPM – fato que vem ocorrendo desde janeiro (2023) – seus efeitos podem comprometer em médio prazo a saúde financeira da Paraíba.

Os cortes e contingenciamentos de recursos, atribuídos a equipe econômica do governo federal, irão ampliar o grau de dificuldades na finalização da PEC da Reforma Tributária, ora sendo revisada pelo Senado Federal, que discute cláusulas do Pacto Federativo, garantindo direitos constitucionais de Estados e Municípios, que temem ficar sem “caixa” e passarem a ser literalmente dependentes do governo central.

Deputados Federais, atendendo pleitos de prefeitos – endossados por Deputados Estaduais – estão se sentindo “desconfortáveis” ao saberem que “emendas de custeio” – paliativo para ajudar os municípios atravessarem dias sombrios – não estão sendo pagas (?). Prefeitos de todo o Brasil estão vivendo um “inferno Dantesco”, num ano pré-eleitoral, que estabelece final de mandato para alguns, mas reeleição para muitos. Previsões realistas indicam que mais de 3.000 municípios não conseguirão pagar o mês de dezembro. O prefeito quitará o 13º salário, evitando sua cassação.

Fica difícil disputar uma reeleição com a folha de pagamentos atrasada. Caravanas de gestores municipais têm se deslocado para Brasília, em busca de socorro junto às bases parlamentares de seus Estados – principalmente Norte/Nordeste – vislumbrando solução, inclusive com recuperação de receitas perdidas. Mas, até o presente momento o Congresso Nacional não se sensibilizou com o quadro de adversidade que enfrenta os municípios, e os deixa sem alternativas, senão a decretação de moratórias, caminho sem volta de uma recessão.    

PT CRIA CRISE E TESTA FIDELIDADE DE JOÃO AZEVEDO

A decisão da executiva nacional do PT, reunida virtualmente ontem (14/08/2023), deliberou que a legenda terá candidatura própria em João Pessoa, nas eleições do ano vindouro. Puseram uma pedra no sapato do governador João Azevedo, forçando-o doravante a perder ritmo na sua marcha maratonista e começar a claudicar.

Desmontar a “bomba” armada por Luciano Cartaxo, que se antecipou e já pôs seu nome à disposição do partido, será uma tarefa hercúlea que sinaliza – observando-se sob todos os ângulos – projeto natimorto. Terminará favorecendo o ex-governador Ricardo Coutinho, preferido pelo MDB do Senador Veneziano Vital do Rêgo, que precisa de um palanque na Capital para assegurar sua reeleição (2026).

A ingratidão num eleitorado Cristão pode ser considerada como “heresia”. Veneziano deve a Ricardo Coutinho seu mandato de Senador. A presença e “empenho” de Ney Suassuna foi imperiosa para estabelecer a diferença de votos entre ele e Luís Couto. Todavia, sem Ricardo e a “estrutura do governo”, o neto de Pedro Gondim não teria alcançado o espaço sonhado por seu avô, derrotado em 1982.

As eleições de 2024 diagnosticarão se o PT terá “saúde eleitoral” para sobreviver até 2026. Buscará se fortalecer para a reeleição com Lula, ou lançar Haddad na cabeça de chapa. Nestas circunstâncias, como se posicionará João Azevedo? Lula cobrará fidelidade a ele, e sua legenda. Romperá com Cícero Lucena e abraçará uma postulação petista? Inexiste a posição “neutralidade”. Este tipo de atitude é comum para aqueles que desejam abandonar a vida pública.

Os ventos provocados pelas declarações do secretário de João Azevedo, e seu ato subsequente, confessando a intenção de disputar uma vaga para o Senado Federal em 2026, trouxeram nuvens carregadas, com previsão de tempestades, no curso onde navegava em “mar de Almirante. Aguinaldo Ribeiro, atirando no próprio pé, disparou: “não cabem dois Ribeiros numa chapa majoritária (?)”.

Ninguém ainda conseguiu fazer uma leitura lúcida ou correta, sobre as intenções do líder comandante do Clã Ribeiro.

Em seguida, o governador – na mesma linha de raciocínio – afirma que na majoritária (2026) só cabe uma vaga para o PSB. Quem diz o que quer, escuta o que não quer. Deputado Adriano Galdino falou pelo Republicanos, partido com maior densidade eleitoral na chapa proporcinal das eleições de 2022. Em entrevista se posicionou: sua agremiação quer espaço na chapa majoritária. Caso contrário, a aliança com o governo será rompida.

Sem astrologia ou cartomancia, fica fácil de se interpretar a única alternativa para que todos permaneçam juntos. Copiar a receita de Alagoas, eleições 2022. O Governador Renan Filho renunciou. Seu vice, Luciano Barbosa, em 2020 foi eleito prefeito de Arapiraca. Assumiu o presidente da Assembleia Legislativa, Paulo Dantas – diferentemente de Adriano Galdino – com grande desgaste afastado do cargo por alguns dias. Mesmo assim, conseguiu derrotar o candidato de Arthur Lira e Collor de Melo.

Lucas seria o candidato a prefeito de Campina Grande, para continuarem juntos PP, Republicanos e PSB? Nesta hipótese, Adriano Galdino assumirá o governo e disputará a reeleição. Um quadro perfeito que garante a volta de João em 2030.       

ARTHUR LIRA ENTERRA CPI DO MST

            Usando ato de força, desprezando o diálogo e motivado pela truculência, o presidente da câmara dos deputados Arthur Lira – respaldado em parecer jurídico do parlamento – anulou com uma canetada, a convocação da oitiva do ex-governador da Bahia Rui Costa, Chefe da Casa Civil do governo Lula, que seria inquirido pelos membros da CPI que investiga os desmandos do MST.

            A ansiedade do colégio de líderes – composto pelos presidentes dos partidos com assento no parlamento – na busca arrebatada para se instalar no governo a qualquer custo, fez com que o impossível acontecesse. Não esperaram Maomé ir até a montanha, precipitada, a montanha humana foi ao encontro do profeta. O gesto cobrado pelo esperto ex-líder sindical, veterano e calejado na maestria de usar a pressão, esticando a corda no limite, evitando parti-la, dobrou o oponente que capitulou genuflexoriamente.

            Puxaram o tapete dos deputados federais Coronel Zucco (Republicanos RS) presidente da CPI e do Relator Ricardo Sales (PL-SP). O tombo os levou a beijar o chão. Atingido pelo “fogo amigo”, Coronel Zucco desabafou: “esta casa escreve o pior capítulo de sua história…” Subsequentemente, o deputado Ricardo Salles anunciou que não pediria prorrogação de prazo. Os trabalhos se encerram dia 14/09/2023 – quando apresentará seu relatório – que talvez não seja aprovado por seus pares.

            O avanço das investigações, inevitavelmente chegaria às fontes financiadoras do movimento de invasões. Como “todos os caminhos levam a Roma”, a quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos atingiria membros do atual governo. Ligações com OCRIM seriam desvendadas, desdobramentos gerariam fatos novos, que poderiam ocasionar um pedido de impeachment do presidente da república. Para quem escapou do mensalão, tropeçou no petrolão e foi alvo da Operação Lava-jato, a CPI do MST tinha que ser abortada.

            Resta a indagação, sobre os poderes superdimensionados conferidos às bancadas do Agro, Evangélica, Conservadora… Por que não resistiram a ousada, intempestiva e inédita ofensiva de Lira? A resposta está nas cúpulas dirigentes do PP, União Brasil e Republicanos, que trocaram sete membros titulares – considerados “Bolsonaristas” – por suplentes que votam com a base do governo, disciplinados e fiéis seguidores das orientações de suas legendas.

A manobra deixou o governo com maioria na CPI e oposição acuada. Doravante, os papéis se inverteriam. Caçadores seriam adejados. Por outro lado, Judicializar o ato discricionário de Arthur Lira? Todos já sabem que o STF é mais “progressista” que Lula.

A maioria do Congresso sempre foi governista. Arthur Lira fez tudo que Bolsonaro pediu, quando esteve na presidência da república. Inclusive, campanha para sua reeleição. Mas, o diplomado pelo TSE foi Lula. A página foi virada, e um novo capítulo se iniciou a partir de 01/01/2023. Fortalecida, a alcateia parte para o ataque. Arrancará três Ministérios e exigirá a destinação dos 60 bilhões, alocados para as obras do novo PAC, para serem endereçados às pastas sob controle do PP, União Brasil, Republicano. O PL começa a fissurar…

ANIMAL POLÍTICO

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira, em entrevista exclusiva concedida ontem (08.08.2023) a TV Jovem Pan, teceu considerações sobre o futuro do governo Lula III e o destino do PT. Na sua visão, “Lula acerta ao copiar, erra ao inventar”.  

Com perguntas “venenosas”, a veterana Dora Kramer – ao lado de Cristiano Vilela – puseram em cerco o ex-chefe da Casa Civil do governo Bolsonaro, que não se acautelou em descrever o quadro de dificuldades enfrentado por Lula, ora emparedado pelo Congresso Nacional num espaço mínimo que não permite mais “manobras” procrastinatórias, capazes de adiar a entrega de parte expressiva do seu governo ao Parlamento, unido de forma suprapartidária para comandar os destinos da Nação.

Paradoxalmente, ficou perceptível que a briga de Ciro não gira em torno de ideologias (?). A peleja renhida é pela sobrevivência e fortalecimento das siglas. Admite que tem conversado com interlocutores do Palácio do Planalto sobre apoio à governabilidade. Entretanto, considera o ex-presidente Jair Bolsonaro a maior liderança do País – não importa se elegível ou não – e caminhará ao seu lado com o candidato ungido por ele em 2026. No momento, Tarcísio de Freitas ou Romeu Zema.

Usando uma linguagem direta – sem rodeios e com pragmatismo – Ciro antevê que apenas a Reforma Tributária será aprovada consensualmente este ano pelo Congresso. Justifica seu empenho no projeto, alegando tratar-se de um tema que não constava na pauta do atual governo. O texto que dormitava há décadas no Parlamento traz em seu bojo desejo da população por menos impostos, redução do Estado, e maior capacidade de investimentos do setor produtivo.

Paralelamente, CPI (MST) e CPMI dos atos de 08.01.2023 se aprofundam nas suas oitivas, expondo a fragilidade da base governista. Na sessão de ontem (CPMI), com duração de nove horas, o ex-ministro da Justiça Anderson Torres – preso por quatro meses – com uma única frase desconstruiu toda a narrativa palaciana, pílula “dourada” pela mídia tradicional e militantes: “desconheço os motivos de minha prisão… Se os protocolos de segurança tivessem sido devidamente cumpridos, não teria ocorrido a invasão”. O argumento evidencia a negligência e facilitação proposital de alguém do governo, que ajudou na execução da depredação ocorrida nas sedes dos Três Poderes.

Neste intervalo – em rota de fuga – Lula reunido em Belém do Pará com chefes de Estados que compõem o biombo da Amazônia, em dois pronunciamentos inumou o objetivo da cúpula: “a Amazônia não será um santuário intocável do planeta… Não permitiremos que continue como um depósito de riquezas (inaproveitáveis?) …”. O Brasil detém 70% desta área. Suas palavras acenaram apoio ao agronegócio, e contraditoriamente deixaram pistas sobre a exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas. O fiasco do encontro estava previsto pela ausência do presidente da França, Emmanuel Macron, que representa o Suriname, considerado “União Europeia”.

A carta – protocolo de intenções – subscrita pelos participantes é considerada como “percurso de Jet ski”: vai do nada, a lugar nenhum. O presidente da Colômbia propôs o fim imediato da exploração de energia fóssil (petróleo e gás natural) em toda a região, pilar de sustentação do discurso progressista. A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) criticou seu próprio governo, alegando que cartas e mais cartas não resolvem o problema, que requer ação. O ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia) escondeu-se da mídia internacional, que o sopesou como algoz do meio ambiente.

Mesmo diante de todas as adversidades, subestimar o instinto de sobrevivência do “animal político” Lula, é devaneio de amadores. Com todo respeito à experiência do Senador Ciro Nogueira – asseverando que o PT não elegerá ano vindouro nenhum prefeito das vinte e seis capitais dos Estados – inclusive as do Nordeste – Lula não tem dificuldades em se aliar aos seus maiores rivais, para que o deixem concluir seu mandato. Se o preço cobrado for o fim de sua legenda, imitará sem pestanejar Tarás Bulba (personagem do Romance de Nikolai Gogol) que matou seu filho predileto em combate, e em seguida bradou: “só eu que te dei a vida, tenho o direito de tirá-la”. Chega de perder dedos. Que se vão os anéis, e fiquem os nove restantes.

DISPUTA DOMÉSTICA

            Cresce na oposição o nome de Romero Rodrigues, como única alternativa capaz de enfrentar Bruno, aliado com os Regos, no pleito do ano vindouro. Para Romero, mesmo perdendo, mantém seu espaço de líder e pavimenta sua volta à Câmara dos Deputados. Quanto a Bruno, se derrotado, ocupará o lugar deixado por Romero em Brasília. É jogo combinado?

            Os Ribeiros não vão se aventurar com chapa própria. Guardarão sua munição para 2026, quando tentarão reeleger Daniella e Aguinaldo (Senado e Câmara), na expectativa de contarem com Lucas à frente do governo do Estado. O quadro aponta a inevitável desincompatibilização de João Azevedo, obrigado a disputar um mandato sem riscos de derrota. Prerrogativa de foro é imprescindível para “arrastar” as ações judiciais que o envolvem na “Operação Sangria”, que alcançarão prescrição até 2030.

            As últimas declarações de Veneziano, empurraram Romero para os braços de João Azevedo. Seria desconfortável a presença dos dois, no mesmo palanque. Vené não esquece as duas derrotas consecutivas que Romero lhes impôs, principalmente a segunda que foi humilhante, não alcançando o segundo turno.  Por trás dos planos de Romero, está seu tio Catão e o genro Tovar, que espreita a vaga de vice, posição que será exigida pelos Ribeiros – mesmo sem nomes – e o Republicanos, que começa a se estruturar na cidade, sob o comando dos irmãos Adriano e Murilo Galdino.

            Quanto ao radicalismo nacional (Bolsonaro x Lula), os efeitos são mínimos na disputa municipal de Campina Grande, que vota em nomes, não em legendas. E esta disputa vem desde 1945 com Argemiro x Cabral que dominaram politicamente a cidade até 1970. Neste interregno, foram prefeitos Elpídio de Almeida, Plínio Lemos e Newton Rique. Todos com apoio, ora de Argemiro, ora de Cabral, como foi o caso de Elpídio e Newton Rique. Em 1968 foi o último embate da “velha guarda”, quando Cabral enfrentou Ronaldo e Vital do Rêgo, ambos de origens Argemirista: Vital era sobrinho de Argemiro. O vice de Ronaldo, foi Orlando Almeida, genro de Argemiro, filho de Elpídio.

            Em 1972 a eleição foi fria. Cabral havia falecido, Argemiro tinha sido derrotado para o Senado (1970) – assento ocupado desde 1947 – Vital e Ronaldo estavam cassados e impedidos de participarem do pleito. Mas, em 1976, voltou o Argemirismo e Cabralismo, representados por Enivaldo – cunhado de Doquinha, filho de Cabral e Asfora, como vice. Em 1968, foi vice de Cabral. Ivandro foi apoiado pelo Argemirismo.

            Em 1982, Vital dividiu o Argemirismo e foi apoiado pelo Cabralismo, também dividido. Asfora, que era vice de Enivaldo, apoiou Ronaldo. Venceu Ronaldo com apoio da Casa de Argemiro de Figueiredo, através de Orlando e Mirito. Se não tivesse partido prematuramente, Petrônio teria herdado o comando do Argemirismo.

            Campina Grande tem esta característica “conservadora”. Há mais de sete décadas, permanecem na vida pública os herdeiros de Cabral e Argemiro. Entre 1976/2020, estiveram Prefeitos seus legatários: Enivaldo, Ronaldo e Veneziano Vital do Rêgo. Os transitórios foram William Arruda (1965), Evaldo Cruz (1972) , Félix Filho (1992) e Cozete Barbosa, que concluiu o mandato de Cássio (2002). Cai bem uma analogia ao futebol. Treze e Campinense, entre os anos 60/70/80 assumiram a hegemonia do futebol paraibano. A cidade tinha outros times, como o Paulistano e até pouco tempo o Perilima.

 Lamir Mota, que à frente do Campinense conquistou diversos títulos, brigou com a diretoria e fundou o Gavião, que foi campeão estadual no seu primeiro ano. Mas, por falta de torcida, fechou suas portas. Tudo voltou a ser “como d’antes no Quartel do Abrantes”: Treze x Campinense. E na política, a paixão permanece dividida entre Cunha Lima, Rego e Ribeiro. Se por ventura Romero sair vencedor (2024), pode começar a quebrar o padrão, mesmo sendo apoiado – como espera – pelos Ribeiros.

JUSTIÇA ABRIGOU O ILÍCITO

            A vitória de Buega Gadelha sobre a lisura de sua reeleição – terceiro turno tapetão – conquistada no Pleno do TRT-PB (27/07/2023 unanimidade 8×0), nos levou a imaginar, que por questão lógica, restaria a oposição “litigante de má fé” aceitar o resultado e aguardar o próximo pleito. Infelizmente o peçonhento grupo, desagregador e inimigo de Campina Grande, imediatamente escolheu outra rota, com o propósito de implodir a entidade, impedindo sua governança.

            Nesta mesma data (27.07/2023) estava agendada a reunião do Conselho da FIEP, para aprovar o orçamento da Instituição, com vistas a investimentos no ano de 2024. A oposição deliberou pelo boicote. Procurou a Justiça do Trabalho (desta feita a quarta vara) e obteve “liminarmente” suspensão do evento burocrático, ato impensado do titular da Vara, que rasgou irresponsavelmente o Estatuto da entidade. Até quando iremos conviver neste clima de “insegurança jurídica”? A birra dos derrotados, doravante, é impedir o funcionamento da FIEP, SESI, SENAI.

Antes de conseguirem vergonhoso abrigo para o ilícito, ameaças veladas, como postou em seu Portal o Jornalista Walter Santos (wscom) identificou risco de vida para Buega Gadelha e demais membros do Conselho que o apoiam. Chegou o momento das forças políticas de Campina Grande reagirem, como o fizeram nos anos setenta, por ocasião da construção do Estádio “O Amigão”.

O então Superintendente da SUDEPAR, Campinense e carinhosamente conhecido na cidade por “Cao” – filho do saudoso Nô Gomes, irmão de Hélio que era Diretor Financeiro do Grupo São Braz – se posicionou contra a Construção. Na sua visão, bastava reformar o Estádio Municipal Plínio Lemos. A Câmara Municipal se reuniu e lhes conferiu o título de “persona non grata”. O governador Ernani Sátiro o demitiu e construiu o Amigão.

            O poder legislativo Campinense tem o dever de repetir o gesto. Afinal, querem roubar a principal joia da Coroa da Rainha da Borborema. Cao viu sua vida profissional ruir, e o título o impediu de progredir ao lado de Linaldo Cavalcanti, de quem era amigo e um dos seus pupilos.

            Listar os nomes destes inimigos de Campina Grande, sair da defesa e partir para o ataque, é missão do “Campinismo”. Em meio aos dez díscolos, a motivação convergente é a mediocridade que permeia todos. O medíocre é movido pela inveja, sentimento parturiente de todos os males. A própria Bíblia confirma: Caim matou Abel por inveja. Não foi ódio, ressentimento, mágoas, ciúmes…

            Sobre o cálice toxico da inveja, uma das centenas de lendas do conquistador Genghis Khan, relata que em suas guerras para derrotar Russos, Polacos e outros povos, ele escolheu dois Generais para ocuparem a Polônia, que o levaria as portas de Veneza (Itália). Após a vitória, os Generais se apresentaram a Genghis Khan que havia prometido recompensas. Um era invejoso.

           Sabiamente, Genghis Khan se antecipou e prometeu: “o que um pedir, darei o dobro ao outro”. O invejoso prontamente saiu da frente e pediu: “fure meu olho direito”. O dobro seria cegar o outro General. Genghis Khan assim o fez. Em seguida, mandou prender o caolho, que identificou como seu real inimigo. Depois o exterminou. O cego, ele o adotou como seu conselheiro.

            Uma pergunta que não cala: Como Nelma conseguiu entrar na FIEP e por que ele saiu?

O TOPO DA PIRÂMIDE

            Em recente entrevista concedida pelo deputado federal Aguinaldo Ribeiro a mídia paraibana – leitura das entrelinhas – ficou patente que a estrutura do Clã, sob sua liderança, alcançou o limite máximo de sua escalada, chegando ao topo da pirâmide. O desafio doravante, é conseguir se manter na altitude da superfície, obstaculizando outros alpinistas – ousados corajosos e competidores – que sobem pelas escarpas, e não medem esforços para chegar ao cume, forçando membros do Clã descer pelas vértices.

            Aguinaldo Ribeiro, verbalizando seu “calcanhar de Aquiles”, expôs um quadro de fragilidade até o momento fora do alcance do debate público, que compromete o projeto de sua irmã – senadora Daniella Ribeiro – e seu sobrinho Lucas Ribeiro (vice-governador) quando, mesmo sem ser indagado sobre o tema, fez questão de destacar que não tem como acomodar dois sobrenomes (Ribeiro) numa chapa majoritária.

            Por outro lado, confessando que seu grupo não dispõe de um nome para disputar o pleito municipal (2024) na sua principal base, Campina Grande, fortaleceu indiretamente o acordo que vem sendo costurado entre Rego e Cunha Lima, com vistas à reeleição de Bruno. O quadro supostamente “pessimista” de Aguinaldo, gera especulações de uma inevitável “desagregação”, ou racha na família.

Daniella Ribeiro, vem se avultando no Senado da República. Conseguiu ser escolhida relatora do OGU, ostentando o melhor momento de sua trajetória política. Largaria tudo para disputar uma eleição municipal? Esta experiência (2012) foi traumática. Não alcançou o segundo turno. Fez uma campanha deserta de lideranças.

Dos três exércitos políticos aquartelados na Rainha da Borborema – há quatro décadas – o que dispõe (no momento) do menor contingente, são as tropas lideradas pelos Ribeiros. Basta observar a composição da Câmara Municipal, formadores de opinião e principais lideranças de bairros.

 Especula-se que o projeto de Aguinaldo Ribeiro é chegar ao Senado Federal em 2026. Para tanto, terá que sacrificar sua irmã, e seu sobrinho, vice-governador Lucas Ribeiro. “Não se faz omeletes sem quebrar ovos”. Se por ventura, Lucas assumir o governo e for candidato à reeleição – o único projeto que interessa ao governador João Azevedo, conjecturando seu retorno em 2030 – Aguinaldo e Daniella serão reféns da legislação eleitoral, que lhes permite apenas renovarem seus mandatos.

Tudo que Daniella deseja é estar ao lado do filho, no comando do Estado, acompanhando-o nos palanques, para assegurar sua recondução. Todavia, aspirações de Aguinaldo, João Azevedo, Daniella, Pedro Cunha Lima e eventualmente Efraim Morais – fazendo uma analogia ao futebol – grandes craques e “estrelas” individuais de uma Seleção, dependem de um bom time para vencer a Copa.

Para quem tem memória curta, lembramos que o Republicanos consolidou a reeleição do governador João Azevedo. O partido permanece unido, coeso e em expansão. Azevedo foi derrotado em Campina Grande e João Pessoa, dois maiores colégios eleitorais do Estado. O empenho do deputado Adriano Galdino foi de um valor inestimável, vencendo com larga vantagem no imenso reduto que compõe dezenas de municípios com eleitorado abaixo de vinte mil votos. Republicanos e Adriano são “coringas” que formam qualquer jogo. Já combinaram com ele(s)?

PLEBISCITOS E REFERENDOS PARA PACIFICAR O PAÍS

            Quando o Poder Executivo perde suas prerrogativas (força), o Parlamento fica acuado e refém das decisões do Poder Judiciário, que por sua vez passa a legislar atropelando a Constituição, que lhes confere “deveres” e não “poderes” como guardião da Carta Magna, o caos institucional se instala, e as crises põem em risco a democracia.

            Exatamente há sessenta anos (1963) o Brasil acabava de percorrer a “via-crúcis” dos dias de hoje, quando o país foi sacudido pelos efeitos pós renúncia de Jânio Quadros, fato que ocasionou e a Instalação (1961) de um modelo semipresidencialista, com funções parlamentaristas. Este novo sistema político, inaugurado por Tancredo Neves (setembro de 1961) escolhido Primeiro Ministro por sua inigualável capacidade de dialogar em todas as frentes, sobreviveu por apenas quatorze meses. Para evitar um colapso da democracia, a opção foi um Referendo, consolidado em janeiro de 1963.

            Registros históricos resgatados, descrevem a realização de um “Plebiscito”. Mas, de fato, foi um “Referendo”. O eleitor foi convocado, para ratificar ou não, um Decreto Parlamentar, que havia criado o Parlamentarismo. Para surpresa do Congresso, a população votou contra, e foi enfática em responder com um “sim”, a indagação se concordava em entregar todos os poderes de Chefe de Estado e Governo a João Goulart, vice de Jânio Quadros, que havia renunciado.

            Desde a promulgação da Constituição Cidadã (1988), o calendário eleitoral não tem atendido às expectativas da população, que “bissextamente” vão às urnas escolher seus representantes, para o grande debate nacional. O povo não elege Ministros do STF, STJ, TSE, STM e TST. Entretanto, o crescente movimento do “ativismo” Judiciário – encorajado pela mídia tradicional – engajado com a agenda progressista global, tem levado a Suprema Corte do Brasil a entrar em rota de colisão contra as demais instituições, ao suprimir seus artigos e garantias, usando pretextos, como a figura intempestiva do “Estado Democrático de Direito” (?) meramente interpretativa.

             Nossa Constituição permite a realização de Plebiscitos, Referendos e Leis de Iniciativas Populares, como a Lei da Ficha Limpa. Para restabelecer os limites dos poderes constituídos, as alternativas seriam: uma nova Constituição, um Referendo ou Plebiscito, que ponha o STF no seu devido lugar, como Tribunal Constitucional, sem poderes interpretativos, legislando de modo “oportunista” no vácuo do Congresso.

            Por que o Presidencialismo só funciona nos Estados Unidos, e na mais recente democracia da América do Sul, o Chile? A Suprema Corte Americana em 1973, decidiu em favor da liberação do aborto. O Congresso e os Estados reagiram contra. Recentemente, corrigiram o erro da intromissão. Como se tratava de Legislação, só os Estados poderiam decidir através do parlamento, a legalidade do ato. No Chile, as esquerdas elegeram em 2022, o presidente Gabriel Boric, que havia prometido uma ampla reforma na Constituição. E o fez, com apoio do Parlamento. Mas, teria que ser referendada pelo povo. A maioria dos que o elegeram, votaram contra as mudanças realizadas, e a Constituição voltou a sua originalidade.

            A nossa Constituição prevê no seu artigo 14, que o povo pode exercer a democracia direta de três circunstâncias distintas: Plebiscito, Referendo e Iniciativa Popular. Por que nenhum parlamentar – não importa se de esquerda ou direita – toma esta iniciativa? Para que o Congresso aprove a realização de um Plebiscito ou Referendo, são necessárias assinaturas de 1/3 do Congresso (513 deputados e 81 senadores) que correspondem a 198 assinaturas. Uma simples ideia que pode ser o “ovo de Colombo”. O parlamento deveria dividir a responsabilidade com o povo, cuja maioria é soberana.

A CAMINHO DO OSTRACISMO

            Ninguém conseguiria antevê, que em apenas cinco anos – com intensidade meteorítica – o ex-governador Ricardo Coutinho despencaria tão rapidamente dos píncaros da glória, alcançado por cinco vitórias consecutivas entre 2004/2018, triunfos marcantes que fulminou a tradicional classe política paraibana, destroçando oligarquias e removendo do poder lideranças sedimentadas por décadas.

Ricardo Coutinho ter conseguido derrotar José Maranhão e o Clã Cunha Lima, duas vezes consecutivas – dois pleitos distintos – era algo tão inimaginável quanto a sua queda vertiginosa a partir de 2020, tropeçando nos cadarços de seus próprios sapatos.

            Não subestimando a importância da cidade de Santa Rita, o PT permitiu que apequenassem seu maior líder no Estado – ex-governador Ricardo Coutinho – quando concordou com o PCdoB em lançá-lo para encabeçar a chapa da oposição, nas eleições municipais do ano vindouro. E para nossa surpresa, sem a concordância do PV.

O mais humilhante foi a sequência dos acontecimentos, construídos com o nítido e inconfundível propósito de arrastar para “sarjeta” da política paraibana, um ex-prefeito eleito e reeleito da Capital, ex-governador da Paraíba por oito anos, que conseguiu eleger um técnico para sucedê-lo.  A direção estadual da Federação (FEBRASIL) formada entre as três legendas (PT, PCdoB/PV), vetou o nome de Ricardo Coutinho, alegando que aguardaria orientação da Executiva Nacional. Inacreditável!

O mais curioso tem sido o silêncio de Ricardo Coutinho, e sua desatenção em não perceber que estão querendo levá-lo ao ridículo. A manobra deixa vestígios das intenções marotas da direção estadual da sua própria legenda, e da Federação Partidária, em queimá-lo por antecipação, evitando sua provável intenção de disputar a prefeitura da Capital. A quem interessa o afastamento do ex-governador da eleição municipal de João Pessoa? A lógica aponta Luciano Cartaxo e o Palácio da Redenção.

O momento único e oportuno para Lula voltar a praça pública, na busca de ser aplaudido, será por ocasião das eleições municipais do ano vindouro (2024). O Palácio do Planalto jogará pesado para arrancar vitórias nas capitais e cidades com eleitorado expressivo, onde tenha possibilidades de segundo turno. Direita x esquerdas, revanche.

O desafio do PT é mostrar – ou tentar ratificar – o resultado da eleição de 2022, que tem “acuado” o presidente e limitado seu espaço a ambientes fechados, com público seleto, cuidadosamente recrutado para estes momentos. Lula tem evitado ir a Restaurantes. É apupado até no exterior. Em suas viagens, só não foi vaiado na China.

 Na Paraíba, Lula viria para um palanque de Ricardo Coutinho ou Cícero Lucena, apoiado por João Azevedo? Como se posicionará o senador Veneziano Vital do Rêgo, íntimo do Alvorada e Planalto, que recebeu apoio irrestrito de Ricardo Coutinho em 2022 na disputa pelo governo da Paraíba? Veneziano subiria no mesmo palanque de João Azevedo? João apoiaria Luciano Cartaxo, na tentativa de defenestrar para sempre Ricardo Coutinho da política paraibana? Jogar Ricardo para Santa Rita é levá-lo ao ostracismo. Mesmo vencendo, será um grande perdedor. Não conseguirá alicerçar bases, para conseguir chegar à Câmara dos Deputados dois anos depois.

ENGANADOS PELA CUPIDEZ

            Tudo que acontece dentro do PT, e seu megalômano projeto de poder, pressupõe-se que seja obra de autoria do ex-guerrilheiro Zé Dirceu. Do mesmo modo, ocorreu durante o período dos governos Militares, com o General Golbery do Couto e Silva, alcunhado pelas esquerdas, ou apelidado como “o bruxo”.

Golbery criou o IPES – ainda no governo Juscelino Kubistchek – expandiu a rede dos IBADE, foi o autor do programa “Aliança para o Progresso”, trouxe milhões de dólares para financiar as eleições de 1960 – recursos do subsídio do trigo – destinados para campanhas vitoriosas da maioria dos governadores da época, e instalação de um parlamento, com superioridade de deputados e senadores anticomunista.

A tarefa de Golbery era barrar a expansão, do então “socialismo Cubano”, motivo de sérias preocupações da política externa dos Estados Unidos, em plena guerra fria contra a União Soviética, disputando a hegemonia política/ideológica do planeta. O “bruxo” partiu há mais de três décadas (1987). Zé Dirceu, ainda está vivo, lúcido e buliçoso. É a “eminência parda” do governo Lula, longe dos holofotes, controlando tudo à distância. Pôs seu filho Zeca na liderança do partido na Câmara, atropelando até a presidente Gleisi Hoffmann. Para Dirceu, política é negócio, e todos têm preço.

Após às últimas eleições (2022), considerada como a mais traumática da história do Brasil – desde “quartelada” que derrubou o Império e proclamou a República – o esperado pela população – que se sentiu lesada – era uma reação revisora do pleito, através do parlamento recém eleito, cuja maioria esmagadora dos seus membros, estavam no palanque do candidato “supostamente” derrotado. Absurdo!

Pacíficos e ordeiros, os Patriotas Cristãos Conservadores jamais cogitaram o uso da violência, para retificar um erro grotesco, ou um brutal estupro a boa-fé cidadã, que acreditou na lisura do pleito com urnas eletrônicas inauditáveis. Seu Exército do bem (deputados e senadores) defenderiam a causa dentro da legalidade democrática, com o uso de instrumentos como CPÌ, CPMI e PEC – Proposta de Emenda à Constituição.

Presidente do TSE, Alexandre de Morais, agiu como fera acuada e usando todo tipo de parafernália para envergar, confundir e distorcer a lei, tentando lacrar dez garrafas com cinco tampas. O povo estava nas ruas, em frente aos quartéis, mobilizados e em busca da verdade. Mas, o pragmático Zé Dirceu sabia que tudo se resolvia com dinheiro em abundância. E logo veio a ideia da PEC do “fura teto”, criando expectativas de deixar todo o parlamento bilionário.

A partir de então, morreu a CPI para apurar abusos do poder do TSE, investigação das urnas eletrônicas, PEC que limitava em 08 anos o tempo de permanência de um Ministro no STF/STJ; impedimento do Judiciário legislar através de decisões ou Jurisprudências; qualquer sentença polêmica da Suprema Corte, invadindo os demais poderes, a decisão final caberia ao Congresso Nacional, e a Câmara participaria das sabatinas dos futuros Ministros do STF.

Vergonhosamente o parlamento correu atrás da “botija”. A isca foi muito atrativa, mesmo existindo toda uma flora marinha para alimentá-los (emendas) os peixes não resistiram em fisgá-la. Restam pouco mais de 80 dias para o Congresso resolver o problema da urna eletrônica, e criar o voto impresso (para recontagem), com vistas às eleições municipais de 2024. Os pré-candidatos das grandes cidades já sabem que pesquisas, jornalismo militante e Marketing, não garantem vitória. O novo profissional da área é o Hacker. E o principal “cabo eleitoral”, Mesários, que poderão enxertar sufrágios de vivos e mortos, presentes e ausentes no sistema, após o encerramento as 17:00hs, fato constatado em 2022. O parlamento vai ser negligente mais uma vez, está sendo enganado, ou enganando o povo?

RETRATO DA CONFRARIA PERDULÁRIA 

Quando gatos e ratos se juntam numa confraternização – um esquecendo seu papel de predador – o grande lesado é o coitado “dono do Armazém”. Esta imagem (foto) que escolhemos para ilustrar o texto, fala muito – ou quase tudo – sobre caráter e charlatanice da nossa classe política, incorrigivelmente pervertida e perdulária, esbanjadora contumaz do dinheiro do público, gasto em causa própria, para alimentar gula insaciável, sob olhar cabisbaixo que só enxerga seus umbigos. 

            O culpado de manter constantemente nosso país à beira do abismo, nas últimas duas décadas, é o Congresso Nacional – deputados e senadores – que ainda conseguem ludibriar a cada eleição, a boa-fé do eleitor. O Presidente da Câmara Arthur Lira que foi aliado de Jair Bolsonaro – candidato derrotado pelas urnas eletrônicas – só reconheceu publicamente a vitória de Lula, após a ameaça e punição do presidente do TSE, “enquadrando” dentro de uma legislação inconstitucional, o comandante do PL Valdemar da Costa Neto, quando apresentou a mídia, relatório constatando indícios de irregularidades das urnas. 

            A denúncia se ampara em documentos, fruto de uma auditoria realizada por empresas especializadas, com apoio de diversas autoridades em tecnologia, inclusive os genias técnicos da UNICAMP. A reação do intocável Ministro Alexandre de Moraes, foi bloquear imediatamente 22 milhões de reais do Fundo Partidário do PL, e mandar “recados” intimidatórios, endereçados a Valdemar, sugerindo mergulhá-lo nas profundezas do Inquérito do Fim do Mundo (Fake News). Arthur Lira tinha “pendências” no STF. Sentiu-se só, isolado, e rendeu-se aos interesses do “Establishment”. 

           O fato de Arthur Lira ter se procurado em salvar sua pele, é reação natural e instintiva da espécie humana. Principalmente para os que não creem na existência de heróis vivos. Para muitos, “glórias e homenagens”, são destinadas aos que tombam no campo da honra. Todavia, agir irresponsavelmente ao permitir e contribuir para que se derrubasse uma Emenda Constitucional, que limitava o teto dos gastos públicos, mostrou seu lado mesquinho, ardiloso e mercantilista, desconhecido pelo povo. 

            Lira manipulou a mídia, parlamento, povão e ainda infringiu uma derrota ao STF, matando quatro coelhos, com uma única “cajadada”. Ao furar o teto dos gastos – projeto de Lula para abarrotar os cofres públicos e comprar através de medidas populares distributivas de rendas, a simpatia do eleitor que o rejeitou em dois turnos – atraiu o PT e todas as esquerdas, que votaram na sua reeleição para presidente da Câmara. Arrostou a decisão do STF, que havia considerado inconstitucional o Orçamento Secreto. Posou como Bolsonarista resistente, antipetista, e conquistou a confiança do mercado, assumindo postura de escudeiro mor, defensor intransigente do liberalismo. 

            Ao furar o teto dos gastos, a política fiscal que baliza as ações do Banco Central, exigiram imediatamente um texto legal substitutivo do governo, respaldado pelo Congresso, para evitar o aumento da dívida pública. Surgiu a ideia do “Arcabouço Fiscal”. As MP (Medidas Provisórias) dos primeiros dias do governo Lula, começaram a represar na pauta do Congresso. E como o “Arcabouço Fiscal” era pouco convincente para o mercado, veio a necessidade de se votar o CARF – gerador de impostos bilionários – agregado à Reforma Tributária, que pelo texto aprovado, só funciona em sua plenitude em 2033. Demandas que criaram dificuldades, para Lira vender facilidades. Em seis meses, o governo pagou 18,6 bilhões de reais em emendas (individuais, bancadas e coletivas). O valor exato do Orçamento Secreto derrubado pelo STF, que destinava 1,5 bi para cada presidente das duas Casas Legislativas, além de 1,0 bi para o relator. 

            E agora? O ano não terminou e falta o Senado “chancelar” tudo que a Câmara aprovou. Claro que terá um preço a ser pago, usando até a absurda “Emenda PIX” – transferência de dinheiro – sem projeto, destinação específica e total falta de transparência, ignorada pelo “austero” TCU, que se imiscuiu até no processo de auditar as urnas eletrônicas. Estes atos criminosos estão sendo acobertados e festejados pela mídia tradicional, que desesperada corre atrás de sua fatia do bolo, e quer participar da farra. 

            Na foto ilustrativa – cena forte – leva a uma indagação: para quem estava vivo há um ano (2022) e não alcançou 2023, imaginaria que um dia, todos estariam “juntos e misturados”? Lula trocando sua “Guayabera” pela farda da Seleção Brasileira, ausência do vermelhão; Zeca do PT abraçado com PP e Republicanos; Lira por trás de Lula e ao lado do seu irmão siamês José Guimarães, conhecido como “Capitão Cueca”; Gleisi Hoffmann fora, ignorada, amargando o ostracismo ao lado dos petistas raiz, que como os Bolsonaristas, sofrem os efeitos decepcionante da traição de seus líderes ardilosos, hábeis enganadores.     

PERSISTÊNCIA TORPE

Após decisão plenária da Primeira Turma do TRT-PB, em sessão ordinária realizada no último 04/06/2023, por unanime – inclusive com parecer favorável do Procurador do Ministério Público do Trabalho – foi negado provimento da apelação da sentença em primeiro grau, que não acatou o pedido de nulidade da renúncia ex-conselheiro da FIEP Severino Accioly. Na decisão do Juiz, com base nos autos, asseverou que Severino Accioly renunciou por livre e espontânea vontade, oficiando seu ato através de uma carta, argumentando razões definitivas, ao ressaltar seu caráter de irrevogável e irretratável.

Mesmo com todas as decisões judiciais contrárias, persiste o intento da chapa derrotada, em tomar o poder no grito. inverter valores, alterar legislações, rasgar regras da Instituição… E erroneamente, esperam o amparo da Justiça (!?). Uma ação precária, pedindo liminar para afastamento de Buega Gadelha – fato ocorrido há 40 dias – foi concedida por um Juiz de Plantão, que substituía o titular em gozo de férias, e sequer observou que seu ato, simplesmente anulava todas as medidas anteriores. Comportamento considerada nos meios formadores de opinião como desrespeitoso, antiético e anticorporativista. Logo no Poder Judiciário!

Como toda ação provoca uma reação, com a liminar em mãos, a chapa derrotada praticou um ato de puro vandalismo – semelhante ao MST – invadindo as dependências da sede da FIEP, ocupando as salas da presidência, diretorias, tesouraria… O Presidente do TRT-PB Paulo Maia, legalista zeloso da imagem do Tribunal Regional do Trabalho, cassou a liminar, inibindo os invasores de realizarem outro evento de desordem.

A decisão plenária de 04/06/2023, motivou a chapa derrotada realizar mais uma investida. Desta feita, as queixas “descontextualizadas” foram apresentadas a Procuradora Marcela de Almeida Maia Asfora, que em 61 laudas, ofereceu parecer em favor dos reclamantes, “opinando” que o Juiz titular da Segunda Vara ou o Conselho de Representantes da FIEP, considerem o afastamento de Buega Gadelha.

Os dez Sindicatos requerentes, protestaram junto a Procuradora, as dificuldades de reunirem um “Quórum” – segundo eles – excessivamente alto (três quartos) ou 18 dos 26 Conselheiros, para votarem pelo afastamento de Buega. Inacreditável! Eles querem estipular em 10? A minoria se sobrepor a maioria? Onde está a democracia?

Por outro lado, a Procuradora talvez não tenha conhecimento que as eleições foram realizadas sob monitoramento do Ministério do Trabalho. Que o Conselho aprovou as contas de Buega (demanda da oposição em janeiro 2023). Quanto as acusações relacionadas a malversações, pertencem a outra esfera da Justiça. Em tese, caíram por terra, quando o STJ determinou a liberação dos bens de Buega (bloqueados) por não terem encontrado – desde 2014 – indícios de irregularidades nas suas contas.

Ainda bem que o Congresso Nacional não funciona, como pretendem os opositores de Buega, com relação a FIEP. Se não exigissem quórum qualificado de três quintos dos membros do parlamento (Câmara e Senado), para afastar um presidente, com maioria simples e em qualquer sessão plenária no primeiro expediente matinal – deserto de deputados – a oposição teria cassado FHC, Temer, Bolsonaro e Lula. A persistência é torpe.

REFORMA TRIBUTÁRIA REINVENTA A RODA

            Arthur Lira a frente, pilotando o destino da liberação recorde de 7,1 bilhões de reais em emendas parlamentares (individuais de bancadas e coletivas) em apenas 24 horas, aprovou a reforma tributária, demanda legítima do setor produtivo – além de Estados e Municípios – que ao longo das últimas quatro décadas, buscava equilíbrio na distribuição de impostos arrecadados, principalmente pelo governo federal.

            A centralização de receitas e impedimento dos Estados e Municípios legislarem sobre a criação de tributos, fixarem calendários eleitorais e elaborarem leis penais que interferissem na Justiça, data do governo Castelo Branco (1964), num dos seus primeiros Atos Institucionais, que transformou a República dos Estados Unidos do Brasil, em República Federativa do Brasil.

            Neste mesmo ato, Castelo “desmilitarizou” as Polícias dos Estados, desarmando-as e proibindo aquisição, ou uso de armas de ataque. Doravante, as Polícias usariam apenas armas de defesa. Havia o temor que a história se repetisse, tendo como exemplos Revoluções de 1930 (golpe de Vargas) Marcha sobre o Rio de Janeiro, apoiado pela Brigada Militar Gaúcha (Polícia) e Em 1932, Revolução Constitucionalista, que levou o Exército Brasileiro a enfrentar as tropas da Polícia Militar de São Paulo.

            A polêmica sobre a reforma relatada pelo deputado Aguinaldo Ribeiro, não se prende ao fato da tão sonhada redução da carga tributária, ato festejado principalmente pela Indústria, que ainda é setor mais sacrificado, e maior pagador impostos no país.

A crítica vem da classe política – principalmente de alguns Congressistas veteranos e experientes — antevêem seus destinos em jogo, com o entesouramento de todos os impostos pelo governo federal. O poder central terá ferramentas para implantar gradativamente uma Autocracia. Como se pregava (anos 30) século XX, “manda quem tem a chave do cofre e o facão (Forças Armadas).

No texto aprovado, o governo federal avança além dos limites demarcados pela Constituição Cidadã, no que diz respeito à centralização da arrecadação. O período de transição termina em 2033. A partir de então, governadores e prefeitos serão Ordenadores de Despesas, como um Ministro, Secretário de Estado ou de Município. Neste caso, é necessário realizar eleições? qual o sentido de elegê-lo?

Esta experiência já é vivida por mais de 3.000 municípios brasileiros, que vivem de pires na mão, esperando o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) principal fonte de receita, que representa 90% do seu orçamento. Obras só são realizadas, através de emendas parlamentares do OGU, ou convênios celebrados com os governos estaduais, que atendem somente seus correligionários.

Se Governadores e Prefeitos, a partir de 2033, receberão no dia 1º de Janeiro a planilha com valores de quanto receberão mês das transferências da União, como poderão criar programas que envolvam gastos com obras e ações sociais? Que discurso usarão para atrair o eleitor? E o parlamento? Perde também sua finalidade. Tanto o mirim (Câmaras Municipais) estendendo-se aos estaduais (Assembleias Legislativas). Se limitarem suas existências, apenas para fiscalizar, terão que fechar os Tribunais de Contas dos Estados, que já tem know-how, e vêm desempenhando há décadas este papel.

No planeta existem três mecanismos de tributação. Na Alemanha e na maioria dos países da Europa Central (Zona do Euro), o principal arrecadador é o Município, que transfere parte para o Estado e União. Tem municípios que arrecadam até 17 tipos de impostos. Nos Estados Unidos são os Estados que têm alíquotas diferenciadas. O Governo Central arrecada apenas o Imposto de Rendas.

Nas Autocracias como Rússia, China, países da Liga Árabe, seus modelos são centralizadores, semelhantes ao que ora foi aprovado no Brasil. Todavia, ainda restam as votações do segundo turno na Câmara e as duas no Senado. Talvez ocorra mudanças, e consigamos algo diferente, como por exemplo, reinventar a roda.

HERÓIS ANÔNIMOS (parte I)

Após a surpreendente vitória de Ronaldo Cunha Lima em 15/11/1982 – disputando a PMCG e derrotando o saudoso Tribuno Vital do Rego – o então Ministro do Interior Mário David Andreazza veio a Campina Grande, cidade que inexplicavelmente ele havia adotado como sua terra natal, para confortar seu amigo, então prefeito Enivaldo Ribeiro, considerado por ele como um filho, ou irmão.

O Engenheiro José Silvino Sobrinho, na ocasião, já era Supersecretário do governo Buriti I, acumulando duas pastas: Transportes e Obras/Planejamento. Comandava o DER, SUPLAN, PB-TUR, CEHAP, CAGEPA. SAELPA e Defesa Civil. Antes, pelo período de dois anos, havia ocupado a Secretário de Obras de Campina Grande e instalado equipe escolhida a dedo por ele, responsável pela elaboração de todos os projetos da gestão Enivaldo Ribeiro.

Nesta visita que citamos no início do texto, Andreazza pousou em João Pessoa e convidou Silvino para acompanhá-lo até Campina. Estávamos na ocasião com Silvino e pegamos a carona. Após sobrevoar a cidade, Silvino mostrando as obras, o Ministro indagou: “Secretário, depois de tudo que estou vendo, o que levou o candidato de Enivaldo perder a campanha?” Sem rodeios e com sinceridade, Silvino respondeu: “perdi algumas noites de sono procurando onde erramos… Só encontrei uma resposta: faltou votos”.

O Ministro Mário Andreazza, passou a ter grande admiração pelo Engenheiro José Silvino Sobrinho e o Arquiteto Renato Azevedo – valores latentes revelados na época – através de suas ideias inovadoras inseridas nos projetos CURA I, II e III, que foi considerado “piloto” (exemplo a ser copiado) pelo Ministério do Interior.

Silvino e Renato se notabilizaram também por conceberem um novo formato de reordenamento urbano, a partir de um Plano Diretor, inspirado na visão futurista da “mobilidade urbana”, tema que só veio ser debatido duas décadas depois, e hoje é fruto de discussão das grandes cidades e metrópoles do país.

Neste novo modelo de “cidade do futuro”, incluíram a criação de um “Distrito” para concentrar todos os serviços Mecânicos. As ruas centrais de Campina Grande eram praticamente intransitáveis, repletas de oficinas mecânicas, tomando espaços principalmente das calçadas. O Distrito dos Mecânicos de Campina foi o primeiro do Brasil.

No ano abundante de 1982, a Prefeitura de Campina Grande abarrotou seus cofres, a ponto de transbordá-lo. Além de dezenas de convênios com o Ministério do Interior, o Ministro Delfim Neto havia criado o imposto eleitoreiro para a campanha: o Finsocial. Usando o prestígio de Andreazza, Enivaldo conseguiu uma montanha de dinheiro do Finsocial, para ser distribuído com a população de baixa renda, fornecendo material de construção. Caibros, telhas, ripas, tijolos e cimento, de junho (1982) até novembro, toda a população de Campina Grande (carente ou não) usaram, e até se estocaram.

Passada a eleição, surgiu um problema enxergado unicamente pelo então presidente da Câmara Municipal, Vereador Altair Pereira (Bazinho). Na mesma velocidade que o dinheiro entrava, era imediatamente gasto. O gabinete do Prefeito não atentou para a burocracia, que determina um pedido de suplementação orçamentaria a Câmara, e só após sua aprovação, os recursos poderiam serem incorporados ao Orçamento e gastos. O volume de recursos, se não triplicou, pelo menos duplicou o Orçamento previsto para 1982.

Barzinho (Altair Pereira) criou uma força tarefa, e com mão de ferro, convocou sessões quase que diárias, no período de novembro (1982) até 20.01.1983. Uma bronca grande. Vereadores que foram derrotados, não queriam participar das sessões. Os vitoriosos novatos e da oposição, tentavam impedir os trabalhos legislativos, na intenção de deixar Enivaldo condenado e inelegível para sempre, além de ter que devolver recursos, como determina o TCU. Barzinho não só provou sua lealdade a Enivaldo. Protagonizou um ato heroico, altruísta, sem alardes e no anonimato. Quanto a Andreazza, merece ser imortalizado, homenageado com um nome de rua ou logradouro púbico importante. Campina sempre mostrou gratidão, por aqueles que contribuíram com sua grandeza.

 ALDO REBELO FAZ DIAGNÓSTICO DA CRISE

A TV Jovem Pan, entrevistou no dia 05/06/2023, no seu programa Direto ao Ponto, ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro de diversas pastas dos governos petista, Aldo Rebelo. Quem se interessar em se inteirar um pouco mais sobre a história política recente do país, aconselhamos buscar no Youtube (Jovem Pan) a brilhante explanação daquele que conhece os obscuros corredores do submundo da política, e suas consequências nefastas, danosas e contrárias aos verdadeiros interesses da nação.

Rebelo Interpretou com perfeição, os eventos marcantes da geopolítica econômica no final do século XX – cataclisma que ocasionou a queda do Muro de Berlim – acarretando uma derrocada em ordem de grandeza imensurável, causando efeitos colaterais, como o fim de um ciclo, ou período da história, orbitado em torno dos debates radicais estéreis, promovidos pelas ideologias. Paradoxalmente, todas financiadas por uma única fonte: o “dinheiro velho” do grande capital secular transnacional.

Alagoano, natural da cidade de Viçosa, Aldo Rebelo – filho de um vaqueiro do saudoso Teotônio Vilela – ingressou na vida pública através do movimento estudantil, e após ser presidente da UNE, filiou-se ao radical PCdoB. Conseguiu se eleger cinco vezes (consecutivamente) deputado federal pelo Estado de São Paulo, participou de todas as principais comissões temáticas da Casa Legislava, chegando a presidir as mais importantes. Desfrutou de um bom Trânsito nas diversas correntes políticas instaladas no Congresso Nacional, e era respeitado pela sua postura altruísta, sempre em busca da construção do debate convergente, que privilegiasse o Brasil.

Foi o único comunista, que o ex-presidente Jair Bolsonaro respeitou, e pediu em plenário, sua indicação para o Ministério da Defesa do governo Lula II. Chegou à Presidência da Câmara (2005/2007) e aprovou o atual Código Florestal, “gastando apenas saliva, e oferecendo café e água para seus pares”, como desatacou. Diferentemente dos dias de hoje, que cada deputado é um partido, e seu voto tem um preço.

Rebelo amadureceu, e sua lucidez hoje é demonizada pelos comunistas, por ser um defensor ardoroso do Agronegócio, Forças Armadas e opositor dos movimentos ambientalistas, cujo propósito – segundo ele – é “congelar” as riquezas da Amazônia e segurar o crescimento do Brasil. O ex-ministro é também opositor das pautas identitárias. Para ele, estes temas sepultarão as anacrônicas esquerdas, que tem um presidente (Lula), e diferente de 2003/2010, até agora, não conseguiu uma única adesão desde sua posse.

Ao destacar os principais problemas do país, Rebelo aponta como mais grave a insegurança jurídica: “STF são onze Constituições ambulantes”. Presidente no Brasil não governa desde 2015, quando o STF impediu Dilma de nomear um Ministro. Temer também foi impedido, e Bolsonaro não conseguiu emplacar um Delegado da Polícia Federal. Rebelo considera a crise entre os poderes como gravíssima, com tendência de se aprofundar. Na sua visão, a única alternativa seria um “Emendão”, demarcando limítrofes dos poderes, ou uma nova Constituição. A atual Carta Magna, sob seu ponto de vista, está superada, viciada e sem consertos. Lembrou inclusive que sua elaboração foi “politiqueira” e a promulgação (1988) ocorreu véspera da primeira eleição direta, após a redemocratização.

Ulisses Guimarães fez todas as concessões com apoio de Sarney – de caráter revanchista – empoderando setores da sociedade civil, como o Poder Judiciário e Ministério Público. Porém, mesmo sendo o pai da constituinte, ficou na “lanterna” nas eleições que disputou em 1989, e perdeu para um outsider (Fernando Collor de Melo).

Falou sobre suas andanças – neste ano de 2023 – desde janeiro até abril, por toda a região Amazônica, constatando o que já sabia, quando foi Ministro da Defesa. As invasões das ONG, ocupação do narcotráfico, que hoje emprega mais (clandestinamente) em toda a região norte, que Estados e Munícipios. O Estado de Roraima dispõe apenas de 7% do seu território, para exploração econômica. O restante é controlado pelas ONG, inclusive a segunda maior mina de fosfato do mundo, que o Brasil não explora. Importamos da Rússia.

Uma fronteira mineral abundante, em mãos de contrabandistas “misturados” com mais de 15 mil ONGs. Na região denominada “Cabeça de Cachorro”, está a reserva de 90% do nióbio de todo o planeta. Mas, as ONG – que distribuem os índios pela floresta – assentaram por lá uma tribo Ianomami, para impedir sua exploração. Outros temas como expansão do Agro e reindustrialização foram abordados, e como todos sabemos, tudo depende da mobilização de nossas elites econômicas, vontade política e legislação pertinente. Até lá, continuaremos esperando pelo futuro promissor que tarda e não chega.

MALABARISMO

O equilibrismo tem sido a marca registrada do governo Lula III, decorridos 173 dias de sua posse. Discursa para base ideológica, pedindo paciência. Faz gestos apaziguadores para o Congresso – que mergulha cada vez mais fundo nos cofres do tesouro – acenando possibilidades de abdicar, parte de seu poder, em troca de apoio. Por último, estreou nas redes sociais – buscando adesões da população – ambiente hostil, que o rejeita desde a campanha de 2022.  Está difícil encontrar um local para “amarrar seu burro”.

Lula instalou uma equipe de transição (novembro de 2022) composta por mais de 800 membros, escalados para implantar ou adaptar aos 23 Ministérios existentes, um novo programa de governo, com pautas progressistas/sociais, destinadas a redução das desigualdades, superdimensionada na campanha, demagogicamente para atrair votos.

O relatório final do extenuante trabalho desenvolvido por “gênios”, e intelectuais da moderna “engenharia social”, resumiu-se na ousada sugestão de criar 14 novos Ministérios – ampliando de 23 para 37 pastas – expandindo o “empreguismo”, como forma de acomodar as elites petistas e demais siglas aliadas da campanha, desertas de votos, todavia, carente de salários e privilégios. O PT não tinha programa de governo. O foco era o poder.

Nesta aventura irresponsável, Lula e seus aliados perdulários não estão só. Senado, Câmara dos Deputados e Cortes Superiores de Justiça são cumplices do crime perpetrado contra a indefesa população, que usaram a única arma que dispunham: o voto, na esperança de um dia orgulharem-se do gigante Brasil, desenvolvido rico e próspero.

A principal função do Congresso, além de legislar é fiscalizar. Poderia e deveria ter posto freios nesta empreitada megalômana de Lula, e não ter aprovado a PEC do fura teto em 20/12/2022. Mas, movidos pela ganância, pecaram pela gula.

Mesmo justificando que foram levados pela emoção e tiveram que agir de última hora (20/12/2022) – apesar das advertências dos principais agentes financeiros/econômicos e do mercado – tiveram sua segunda chance de corrigirem o erro, quando foi a plenário a MP (Medida Provisória), que redesenha de forma “aloprada” a Esplanada dos Ministérios. O povo pedia menos Brasília (Estado) mais Brasil (livre mercado e empreendedorismo).

Infelizmente o que todos testemunharam, foi Arthur Lira cobrar em nome das lideranças partidárias, “espaços” no governo do PT. Intimidar o executivo, passando a exigir uma “base” parlamentar. E, sem o menor pudor, todos começaram a falar a mesma linguagem: “negociar” (?). O que? A tarefa da Câmara, era mostrar fidelidade com o eleitor que os pôs lá, derrotando a PEC da gastança e impedindo a criação de novos Ministérios.

A resistência de Lula dá sinais de cansaço. Semblante alquebrado, o malabarista, viaja mundo afora para tratar de temas tão importantes para o dia a dia do brasileiro, como a guerra da Ucrânia. Lira toca o governo. Aprova o que quer, e divide o bônus com seus pares. Ontem (21/06/2023) se reuniu com a bancada do Agronegócio, para tratar da reforma tributária. Hoje (22/06/2023) se reúne com todos os governadores. Enquanto isto, Lula visita a Cidade Luz (Paris). O presidente perdeu a credibilidade da classe política? Um tema tão sensível como a questão tributária, Lira é quem vai decidir? Qual a função, e o que faz seu vice Geraldo Alckimin?

A MISSÃO

            O Senador Veneziano Vital do Rêgo, aceitou o abstruso desafio de ser o Relator da indicação do Advogado Cristiano Zanin, para ocupar a vaga deixada por Ricardo Lewandowski no STF. Uma tarefa complicada, principalmente neste momento em que o Senado – enciumado com o prestígio e poder da Câmara – represa votações consideradas importantes para o governo Lula III.

            A Lei da governança das Estatais, Marco Temporal, Arcabouço Fiscal… Dezenas de MP (Medidas Provisórias) ainda não foram pautadas para votação em plenário, por receio de Rodrigo Pacheco, temeroso em tropeçar num resultado desconfortável. A oração de São Francisco não tem alcançado a graça esperada pelo Senado, que vem dando tudo que pedem, e não recebem nada em troca.

Senadores do PP, União Brasil, PSD e Republicanos, que “em tese” são considerados integrantes da base do governo, estão chateados com o tipo de tratamento diferenciado, acrescidos de privilégios dispensados a Câmara – liberação de 1,8 bilhões de emendas – promessas de Ministérios com Orçamentos “gordos”.

Arthur Lira, após rasteira do Orçamento Secreto, adotou postura de um CEO (Chief Executive Officer) presidente de uma “Holding” que controla diversas empresas (Partidos Políticos), focado em resultados práticos. Três derrotas infligidas ao governo, aterrorizaram o Palácio do Planalto. Lira se impôs, e vão ter que engoli-lo até fevereiro de 2025.

  Veneziano enfrenta rito corrido e com riscos. Presidente da CCJ, o Senador David Alcolumbre, deixou 145 dias o Ministro André Mendonça no castigo, para convocar a comissão e votar a aprovação de sua indicação. Agora, em apenas 20 dias irá viabilizar a sessão, agendada para 21.06.2023. O motivo da data e pressa é o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo TSE no dia seguinte, 22/06/2023. Se a Corte Superior da Justiça Eleitoral o tornar inelegível, haverá revanche: Senado reprovará Zanin.

Presidente Rodrigo Pacheco, não cogita possibilidade de espera, e já garantiu que pautará no mesmo dia (21/06/2023) a sessão do plenário. São necessários 41 votos para a aprovação de Zanin. A conquista destes apoios é empreitada de Veneziano. Terá que prometer muito e cumprir. Caso consiga, estreitaria ainda mais sua relação com Lula e ganharia respeito de seus pares.

Rodrigo Pacheco disputou sua reeleição contra um forte adversário – Senador Rogério Marinho – que foi derrotado por manobras no dia da eleição. Veneziano não teve oposição. Quem votou em Marinho, votou em Veneziano.

Ministro Vital Filho do TCU (irmão de Veneziano) cumpriu duas missões dificílimas no governo Dilma Rousseff. Enterrou as CPIs de Carlinhos Cachoeira e Petrobras. Como prêmio, ganhou uma vaga vitalícia no TCU. Caso logre êxito, com aprovação de Zanin, qual será a recompensa de Veneziano?!.

COMEÇA O DEBATE ELEITORAL: BRUNO É CUNHA LIMA, ROMERO NÃO!

Nos últimos trinta dias o deputado federal Romero Rodrigues vem ocupando espaços na mídia e redes sociais, posicionando-se no centro da crônica política, como a principal liderança da cidade. Deixa transparecer que está em gozo de férias no Congresso Nacional, aguardando com ansiedade a contagem dos dias – olho no calendário eleitoral – para seu retorno ao comando dos destinos da Rainha da Borborema em 2024.

O movimento é precipitado. Os arquitetos deste projeto podem deixar Romero fora da vida pública. O ex-prefeito ainda é lembrado como melhor gestor do início deste século XXI. Mas, fato pretérito. Mudanças inimagináveis ocorreram após resultado das urnas de 2022, com episódios marcantes, ratificando a tese de Vargas sobre o “meio político”. “Não existem amigos inseparáveis, nem inimigos irreconciliáveis. Na luta pelo poder, tudo é possível.

A união dos clãs Cunha Lima e Rego – segundo turno das eleições 2022 – mostrou a força dos dois grupos em Campina Grande, quando as urnas lhes conferiram 67,36% dos votos válidos (154.794) contra 32,64% do seu adversário, governador João Azevedo (75.009 sufrágios), que foi “puxado” na cidade pelo clã Ribeiro: Enivaldo, o patriarca, Daniella (senadora da república), Aguinaldo Ribeiro (deputado federal) e o neto Lucas Ribeiro – na época vice-prefeito de Bruno Cunha Lima.

As críticas dirigidas hoje a Bruno são absolutamente idênticas às que foram feitas a Romero Rodrigues, no seu segundo mandato. Não frequentava o Gabinete, eram raras suas aparições públicas, e ainda teve que enfrentar as adversidades de escândalos, como o caso da Merenda Escolar. Mas, massageava o ego do campinense com ruas limpas, bem iluminadas, obras de pavimentações e a erradicação de favelas.

Bruno Cunha Lima se aproxima do final de sua gestão sem nenhuma denúncia de corrupção. Manteve o mesmo “padrão Romero” de limpeza urbana. Pagou o alto custo de passar dois longos anos – se cosendo com suas próprias linhas – para tirar o Município do quadro de inadimplência deixado por seu antecessor.

Comportou-se como seu avô Ivandro – moderado, fiel e nobre – cumprindo silenciosamente sua tarefa de tapar as crateras deixadas nas finanças do Município. Qualquer outro se dirigiria à mídia e justificaria os motivos de ter ficado na trincheira e não ter avançado como sonhara ou planejara. Ambições, diferem de ganância.

Os áulicos de Romero anteveem seu destino em 2024. A reeleição de Bruno o manterá por apenas dois anos na Prefeitura. Terá que se afastar, para não ficar sem mandato. Irá ocupar uma das vagas na Câmara, ao lado de Pedro Cunha Lima, que pretende voltar. E o espaço para Romero? Bruno é um líder de visibilidade local, Pedro estadual. Veneziano vivendo o melhor momento de sua trajetória política emplacaria Ana Cláudia como vice de Bruno. Cássio pode não ter mais musculatura para uma maratona estadual. Mas, o clã que lidera ainda tem raízes profundas na cidade. Bruno é Cunha Lima, Romero não.

PRECEDENTE ATESTA QUE CONGRESSO TEM PODERES PARA DEVOLVER MANDATO DE DELTAN DALLAGNOL

            Ex-Ministro do STF Marco Aurélio de Melo, entrevistado sobre a cassação do mandato do deputado federal Deltan Dallagnol, considerou que o TSE cometeu o maior abuso de autoridade de sua história, e concorda que foi praticada uma injustiça, motivado pelo abominável e truculento instinto de vingança, ato perpetrado pelo Relator do processo, Ministro Benedito Gonçalves, alvo de delação premiada do seu “amigo” Léo Pinheiro na Operação Lava Jato.

            Triste do poder que não pode. A Câmara, mesmo não tendo o papel de revisor, tem poderes para derrubar decisões absurdas do Poder Judiciário, desde que não altere cláusulas pétreas da nossa Carta Magna. Pelos fatos expostos, até ignorantes sobre legislação eleitoral, enxergam que “rasgaram” as garantias constitucionais de um cidadão, legitimamente eleito com mais de 345 mil votos, num pleito limpo.

            Deltan não cometeu nenhum crime tipificado pela legislação eleitoral vigente. PT/PSOL e outros aliados das esquerdas – disseminadores do ódio ideológico que procura dividir o país – ajuizaram ação embasada numa “narrativa” excêntrica acusando o ex-coordenador da Operação Lava-Jato de ter pedido exoneração do cargo, para tentar se eleger deputado federal, e ganhar prerrogativa de foro, na busca de proteção contra possíveis investigações sobre sua conduta, passiva de condenação.

            Aberração jurídica que foi prontamente abominada em primeira instância e no TER-PR. Feito sob encomenda, o MPE apelou para o TSE, onde o processo paralizou por mais de quatro meses. Por que não julgaram em tempo hábil, antes da diplomação e posse? Simples, aguardaram que o MPF abrisse pelo menos um procedimento administrativo, para amparar a decisão de cassá-lo. Fato que não aconteceu.

            Pior que o caso de Deltan, foi o do saudoso Senador Paraibano Humberto Lucena, presidente do Congresso Nacional, que em 1994 teve seu mandato cassado pelo TRE/TSE em dezembro de 1994 – após sua reeleição – por conduta vedada (crime eleitoral). O TSE havia proibido o uso da Gráfica do Senado de imprimir material caracterizado como propaganda eleitoral. Negligência, descuido ou desinformação, Humberto imprimiu 193 mil calendários e distribuiu por toda a Paraíba, desejando Feliz Natal e Próspero ano novo, convidando todos para estarem juntos ano seguinte (eleições de 1994). Duas violações às regras eleitorais: Além do calendário, a propaganda antecipada (micro período eleitoral) que se iniciou em janeiro de 1994.

            Ministro do TSE na época, Marco Aurélio de Melo, foi quem cassou Humberto a pedido do PGR Sepúlveda Pertence. Senador Antônio Mariz tinha sido eleito governador da Paraíba, e os senadores mais votados foram Ronaldo Cunha Lima, Humberto Lucena e Raimundo Lira, que tentava renovar seu mandato. Humberto cassado, Lira assumiria.

            Como recorda o amigo Alfredo Lucas, na sessão do Congresso de 19/12/1994 Mariz fez a defesa de Humberto, culpando as “elites” do regime Militar pelo fato de Humberto ter sido um dos principais combatentes do antigo regime (?) e teve um desempenho espetacular na Constituição de 1988 ao lado de Ulysses Guimarães. O presidente ainda era Itamar Franco, que tinha elegido seu sucessor no primeiro turno. Itamar namorava a filha de Humberto Lucena. Chamou FHC e ordenou: “quero este problema resolvido”. Veio a posse de FHC, instalação da nova Legislatura, Lira estava absolutamente confiante que ficaria no Senado. Em 19/02/1994, o Congresso convocou uma sessão extraordinária, e votou uma “anistia” em favor de Humberto Lucena. Não deu a mínima para grande mídia, nem opinião pública. Lira apelou para o STF, que salvo engano, até hoje não julgou a ação.

            Arthur Lira, tirou ontem a corda do pescoço, após ser absolvido pelo STF de uma ação que pedia sua cassação por ter sido delatado na Operação Lava-Jato. Tem os mesmos poderes, e caso precedente. Inclusive uma PEC em curso, que pretende anistiar todos os partidos políticos, sobre irregularidades no uso do Fundão Eleitoral. É a única chance de Deltan reaver seu mandato. Resta saber se Arthur Lira guarda rancores.

MILAGRE SÚBITO

            Ontem à noite, em nota de rodapé, a mídia internacional – Europa – divulgou decisão do Parlamento Europeu, reunido com uma comitiva de Parlamentares Brasileiros (Bruxelas) indagando do governo Brasileiro, quais as exigências para assinar urgentemente o acordo do bloco, com o Mercosul (?) Inacreditável!

            Jornalistas da área econômica e profundo conhecedores da geopolítica, não souberam explicar os motivos que levaram a complicada União Europeia, mudar radicalmente seu conceito com relação ao acordo Brasil/Mercosul. Sabia-se que o principal obstáculo era França – explora uma agropecuária caríssima – subsidiada pelo governo, sem preços para competir com o Agro Brasileiro.

            Outras exigências se vinculam à preservação da região Amazônica – fora de seu biombo – rica em minérios e terras férteis, ocupada por mais de 11 mil ONG. O objetivo é explorar e continuar pesquisando a nossa rica biodiversidade, nos roubando através do contrabando. Não estamos nos referindo apenas ao ouro, às pedras preciosas e ao grafeno. Mas, plantas medicinais, usadas em pesquisas avançadas, que traz a possibilidade da cura do Alzheimer, como já denunciou dezenas de vezes o ex-ministro de Lula/Dilma Aldo rebelo – deputado federal por 24 anos – Chefe da Casa Civil; Ministro da Defesa e presidente da Câmara dos Deputados, que aprovou o Código Florestal.

   Aldo Rebelo, que conhece como a palma de sua mão, a região, alerta para os eternos conflitos econômicos de interesses internacionais, que utilizam a retorica do “Meio Ambiente”, para frear a capacidade do Brasil de se tornar maior exportador das mais diversas commodities do planeta. Sem rodeios afirma, que o propósito é frear o país. Rebelo foi um dos sobreviventes da guerrilha do Araguaia, o maior líder do PCdoB até 2014, e hoje as esquerdas o acusam de defender o Agronegócio e os Militares.

Foram pegos de surpresa o Itamaraty, o guru de Lula Celso Amorim e o próprio presidente, que há três dias em seu discurso/desabafo no ABC Paulista, verbalizou que não havia mais interesse em dar continuidade ao acordo União Europeia/Mercosul.

Como nada acontece por acaso, só os tolos assim pensam (Karl Max), a vitória de Arthur Lira com a aprovação do Marco Temporal, talvez seja a razão de toda esta reviravolta. As terras Ianomâmis e a decisão do STF sobre a reserva da Raposa do Sol, riquíssimas em minérios ainda desconhecidos, deixarão de existir, e seus marcos voltarão ao distante 05/09/1988, quando foi promulgada a Constituição Cidadã.

A reserva Ianomâmi é maior que o Estado de Santa Catarina. É mais rica em minérios, solo que qualquer outro Estado Brasileiro. Todo ouro que sai de lá, não deixa um centavo no Brasil. Centenas de garimpos ilegais brasileiros – sem se levar em conta a exploração estrangeira – poderão iniciar sua luta pela legalização. Até o petróleo da Bacia Equatorial, será explorado, com ou não a concordância de Marina Silva, embaixadora dos interesses internacionais, líder defensora das ONG que ainda se apoderam do nosso território.

A causa do petróleo, tem unido esquerdas e direita. Que ganhe o Brasil, com investimentos bilionários e retomada de seu desenvolvimento.

SOBRESSALTO MUDA GOVERNO DE LULA

             Em solenidade realizada ontem em São Paulo, para anunciar a criação da Universidade do ABC (ambiente fechado), Lula aproveitou a oportunidade e mandou um duro recado para os petistas radicais, endereçado principalmente à presidente da sigla, Gleisi Hoffmann e Rui Costa, seu primeiro ministro. Ao se referir a votação da MP de 31/05/2023, exclamou: imaginem se não tivesse sido aprovada?

            Não necessitou concluir a frase sobre os desdobramentos. O público presente (petistas históricos) compreenderam que seria o fim do governo. Por onde passa um boi, passa uma boiada. O Senado “travaria”, e a CPMI dos atos de 08/01/2023 ganharia fôlego suficiente para imobilizá-lo. Acrescente-se os efeitos da CPI do MST, e o fiasco da tentativa de recriar a UNASUL, que culminou na falta de quórum para o Jantar do Itamaraty. Todos foram embora. Ficou só Maduro e Fernandez da Argentina. Os estragos de uma política ideologicamente anacrônica, estão vindo de fora, para dentro do país.

            No seu longo discurso (desabafo), Lula falou de tudo, com exceção da Educação, o tema principal do evento. Advertiu repetidas vezes: “temos que conversar com quem não gosta da gente… Temos que negociar com quem não gosta da gente”. Concluindo foi pragmático: “todas as esquerdas unidas na câmara, só somam 136 votos. Para aprovar qualquer projeto são necessários 257 votos”. Na linguagem popular nordestina, finalmente “entregou o couro as varas”. Vai ser “espichado” na medida da ganância insaciável do PP, União Brasil e Republicanos, que sem o menor pudor aprovaram a MP.

            Bêbados e crianças invariavelmente terminam por falarem a verdade. Como Lula conseguiu vencer uma eleição, se no primeiro turno seus aliados conquistaram apenas 136, das 513 cadeiras da câmara? No Senado, de 27, apenas 05?  Percentualmente esses números representam 26,5% dos votos. Todavia, as regras do pleito não permitia recontagem, e a decisão ficou por conta do “tapetão” (TSE).

            Conceituada como “Casa de Gatos”, a Câmara dos Deputados – por mais se mude seus membros através do voto e a cada eleição – a maioria dos novatos, ao chegarem em seu novo habitat, rapidamente se adaptam ao comportamento dos “bichanos”. Diferente do cão, que segue seu dono e o protege, os gatos escolhem o conforto da casa.

            O Superministro Rui Costa – ora no cadafalso – apostou na sua malandragem baiana. Daria um calote de 19 bilhões nos velhos “profissionais”? Ajoelhou tem que rezar. Nenhuma MP seria aprovada, e o governo cairia no início do segundo semestre (2023). Bolsonaro enfrentou problemas semelhantes, resistiu porque tinha o povo e as ruas para apoiá-lo. Encurralava Congresso/STF. Pagou caro por ser honesto e zelador do dinheiro público. Lula, está despido de popularidade. Não importa de onde vai tirar os 19 bi, que ele com apoio do STF, surrupiaram do Congresso, sob argumento da inconstitucionalidade da “Emenda do Relator”.

            Perplexo, o povão verá que mais uma vez foi usado como “massa de manobra” quando elegeram deputados do PP, União Brasil e Republicanos, exército que esteve na linha de frente defendendo Bolsonaro, em busca apenas de renovar seus mandatos.

A REVANCHE DE LULA

            A sessão da câmara dos deputados do dia 31/05/2023, convocada para votar a MP que hospedará o novo organograma funcional do governo – ampliando de 23 para 37 Ministérios – na vigésima quinta hora salvou o pescoço de lula, mas, mutilou alguns de seus membros e decepou outros. Foi uma vitória de Pirro.

            O presidente Arthur Lira ao chegar no salão verde, às 09:00hs, em uma entrevista “quebra queixo”, mandou o último recado para o Palácio do Planalto: “a base do governo só tem 130 votos”. Abriu a sessão às 09:30, em seguida desapareceu do Plenário e do seu gabinete. Iniciaram-se as discussões, com fortes pronunciamentos dos parlamentares do PL e Novo, que roubaram a cena das esquerdas, em desespero.

            Uma “tropa de choque” partiu para o STF, protocolando ação para suspender e adiar a votação. Quem os recebeu – mesmo alinhado e aliado do governo petista – recusou-se em dar andamento à demanda. “Isto é golpe! O STF não pode intervir desta forma… É um estupro… Vocês estão pedindo que o STF feche o Congresso?

            União Brasil, líderes do PP e Republicanos, atenderam ao chamado de urgência do veterano José Guimarães(PT), que os convidou para irem conversar diretamente com Lula. O presidente prometeu liberar 1,7 bilhões em emendas. Concordaram, desde que as liberações ocorressem até às 18;00hs. Mesmo assim, iriam alterar o texto. O COAF permaneceria no Banco Central e a FUNASA no Ministério da Saúde. E para não “furarem” com a bancada do Agro e Evangélica, os Ministérios do Meio Ambiente e Povos Originários seriam “depenados”.

Em plenário já havia um clima de comemoração da oposição. Mas, às 18:30 Arthur Lira sentou na cadeira de presidente da casa, sorridente, cercado por Maria do Rosário e José Guimarães. Abriu a sessão e o líder do União Brasil, na tribuna, iniciou seu discurso justificando: “este é o último voto de confiança que daremos a este governo”. Ele não avaliou o peso de suas palavras, que se traduz no mais completo desprezo pelo povo brasileiro, quando aumenta em mais de 20 bilhões de reais o custo da Esplanada dos Ministérios, em troca de recursos para vitaminar seus feudos e apaniguados.

Decepção maior foi com o Republicanos e o PP. Não vão mais confundir o eleitor. Temendo o poder das redes sociais, seus líderes não se expuseram em nenhum momento. Se recusaram a ocupar a tribuna, e na hora que o presidente indagava como orientavam suas bancas, o silêncio foi sepulcral. A maioria foi estrondosa 372 votos contra 105 da oposição.

Senador Rodrigo Pacheco – com o DNA e traços hereditários de Joaquim Silvério dos Reis – ontem (01/05/2023), liquidou o debate em pouco instantes: 51 contra 19. O destaque vai para o Senador Jaques Wagner, ironicamente do PT. Pediu desculpas aos seus pares e à nação, pelo “papelão” a que a Casa Revisora se submeteu, em apenas “carimbar” o que já veio pronto da Câmara. Esta não é a função do Senado.

A vingança de Lula foi imediata. O Ministro do STF Dias Toffoli mandou dar prosseguimento a uma ação contra Arthur Lira, que já tinha pedido do MPF para arquiva-la por falta de provas. E lá no Rio Grande do Norte, um Juiz de primeira instância cassou o mandato do Senador Rogério Marinho – tornando-o inelegível – julgando um processo de 2003, fato ocorrido há vinte anos, quando o mesmo era presidente da Câmara Municipal de Natal. Na época foi acusado de contratar funcionários que não prestavam expediente. O Juiz desconhece a prerrogativa de foro de um Senador? Não sou advogado, mas, as leis brasileiras são como “ramas da batatas”, brotam para todos os lados. Arriscamos em opinar que este processo perdeu sua finalidade, e com certeza está prescrito. Todavia, o objetivo é macular a honra do líder da oposição no Senado Federal. A “casta” do Judiciário tenta se proteger bajulando e usando de arbitrariedades.

APAGÃO NO GOVERNO LULA: ARTHUR LIRA 3 x 0

O churrasco do Palácio da Alvorada, oferecido por Lula aos Ministros do STF, deputados federais e senadores “mais chegados”, culminou no terceiro gol consecutivo marcado pela Câmara dos Deputados, que ainda tem um pênalti a seu favor para bater hoje. Fazendo uma analogia ao futebol, Lula pode passar pelo mesmo vexame de Felipão, no apagão dos 7×1 contra a Alemanha. Para os Petistas, Haja Coração!

            Até meia noite de hoje (31.05.2023), a Câmara e o Senado têm que votar e aprovar o projeto de estrutura do governo instalado em 01/01/2023, através de uma Medida Provisória, que caduca amanhã (01/06/2023). O tempo é muito exíguo, para sanar conflitos de interesses abissais. Quatorze Ministérios poderão ser extintos. O organograma volta ao “modelo Bolsonaro”, com apenas 23 ministros. Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Marina Silva e mais onze, poderão perder o emprego amanhã.

            Desde o dia 07/11/2022, Lula começou a governar com sua equipe de transição. Por que durante todo este tempo, não conseguiu formar uma base no parlamento que garantisse sua governabilidade? Nove partidos o apoiaram logo na largada. Conseguiu derrubar a Lei do Teto de Gastos – vinda de Michel Temer e mantida por quatro anos de Bolsonaro – criou 14 novos Ministérios, dos quais sete foram para partidos do “centrão”. Mas, na hora das votações na Câmara, só ficam com o PT apenas 155 parlamentares.

            Querendo fugir da realidade, Lula abraçou a ideia de Celso Amorim e sua agenda de andanças internacionais, projeto que resultou em “arruaças”, trazendo descrédito a Diplomacia Brasileira. Pregou a desdolarização na China, não cumprimentou o presidente da Ucrânia no encontro do G-7, e usando improvisos – inspirados pelo álcool –  em Hiroshima causou constrangimentos aos Japoneses: “quem autorizou os Estados Unidos a despejar duas bombas atômicas aqui? O desconforto foi geral.

            Ontem (30.05.2023), ao invés de estar negociando com o parlamento, tentando salvar o país de uma futura recessão, preferiu reunir-se com 11 presidentes da América do Sul, na tentativa de ressuscitar a UNASUL – União das Nações Sul Americanas, aproveitando o ensejo para empurrar “goela abaixo” de seus convidados, o indigesto Nicolás Maduro, ditador da Venezuela, Arriscou convencer todos, que o sucessor de Hugo Chávez, era vítima de “narrativas” criadas pelos Estados Unidos.

            O comunismo expandiu-se na América Latina (anos 60/70) usando o discurso do “antiamericanismo”. Seus adeptos doutrinados, acreditavam na existência do “paraíso”, como era denominada a União Soviética. Esta retórica é página virada há mais de três décadas. Por que Lula quer reeditar um modelo econômico socialista/comunista, que não foi exitoso em nenhum país do planeta? O que produzem e vendem Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua e Venezuela?

            Dois de seus convidados quebraram o protocolo, ao contestarem o anfitrião. O Presidente do Uruguai (direita) e do Chile (esquerda). Ambos denunciaram que não existem “narrativas”, na Venezuela não tem democracia. O presidente do Chile confessou ser testemunha de centenas de milhares de Venezuelanos hoje refugiados em seu país.

 ARTHUR LIRA GOVERNA O BRASIL

            Em nossa última postagem, comentamos trechos de uma entrevista do governador Romeu Zema (MG) na CNN Brasil. Em sua grade da programação, o horário nobre – cremos que de maior audiência da emissora – é o WW com William Waack (ex-Globo News) às 22:00hs. Esta programação rígida, foi quebrada entre 08/05 a 19/05/2023, pelo empresário Abílio Diniz, que apresentou o programa “Caminhos”, entrevistando as principais lideranças do país: Rodrigo Pacheco, Gilmar Mendes; Roberto Campos Neto; Arthur Lira; Romeu Zema; Tarcísio de Freitas; Raquel Lira (governadora de Pernambuco); Fernando Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Entrevistas espetaculares, com perguntas bem formuladas, levando ao telespectador uma mensagem nítida da elite econômica e empresarial que existe no país, pensa no futuro da nação, e está muito além das questões políticas/partidárias ideológicas, parturientes dos debates diário levados a efeito nas redes sociais.

Na entrevista de Arthur Lira, ele usou sua lucidez e sinceridade para descrever os destinos do atual governo. “A direita conservadora ficou por muito tempo acuada e apenas votando contra o PT”. Em 2018, começou a se revelar. E em 2022 elegeu 312 deputados federais”. Continuando, comentou sobre a derrota do governo no Marco do Saneamento: “Nos comprometemos com o presidente, que neste primeiro semestre, não pautaríamos nenhum tema relacionado a gênero, comportamento social e advertimos sobre a decisão de não mudar nada que já tivesse sido aprovado pelo Congresso, como privatizações, fim do imposto sindical, mexer na reforma trabalhista”.

Com todos os entrevistados, Abílio Diniz abordou corajosamente a questão da “insegurança jurídica”, a partir das decisões absurdas do STF. Lira assegurou que quem legisla é o Congresso, e deixou pistas que este embate entre STF e Congresso está prestes a acontecer. No final voltou a repetir o que já havia falado diversas vezes: “o governo não tem base, nem possibilidade de formar maioria para cumprir nenhuma de suas promessas de campanha”. Pelo visto, Lula III, será o nosso Charles III da Inglaterra.

Tudo o que Lira discorreu estamos testemunhando. Aprovaram o Arcabouço Fiscal, depois da sinalização de Roberto Campos Neto (BC). A MP que criou os novos Ministérios foi totalmente modificada – deixaram Marina Silva só com o carro oficial e o motorista – e destinaram poderes só para os Ministros indicados pelo Centrão. Lira pontuou nas entrelinhas, que seu compromisso com Lula, se encerra na votação da Reforma Tributária, independentemente de sua aprovação.

No segundo semestre, a pauta será do Congresso, especificamente da Câmara. Ouvindo o povo e as elites econômicas, empurrarão goela abaixo decisões para o governo cumprir. O país crescerá pouco, mas, longe de ser uma Argentina do amanhã.

             Quanto a Abílio Diniz, apresentou-se como investidor e membro de um seleto grupo que aposta no Brasil, com grandes parceiros internacionais. Fez parte da primeira equipe do COPOM criada no governo FHC. Por fim, evidenciou o que todos sabem, e muitos não acreditam: a economia é quem comanda a política. Seu prestígio e respeito? Nenhuma emissora de TV levaria ao ar, ao vivo e direto de Brasília, os “senhores de nossos destinos” que furaram suas agendas, para serem sabatinados pelo velho guru.

BRASIL ENFERMO

            Em entrevista concedida a CNN Brasil – temporada “Caminhos” apresentado pelo empresário Abílio Diniz – o governador de Minas Gerais Romeu Zema, ao ser questionado sobre a Taxa Selic do Banco Central, foi preciso em sua resposta: “a taxa de juros é o termômetro que mostra a febre de um corpo doente”.

            Aprofundando-se ainda mais sobre o tema, Zema aponta como uma das principais causas da “enfermidade crônica” do país, o gigantismo de um Estado ineficiente, burocratizado, com elevado índice de corrupção, que voltou a prosperar sem o menor pudor após a “deslavajatização” promovida pelas Cortes Superiores de Justiça.

            Dois dias depois da entrevista, o próprio governo divulgou um relatório da CGU, identificando um milhão e seis mil defuntos, recebendo há mais de oito anos, benefício do Bolsa Família – modificado para Auxílio Brasil – hoje com outra nomenclatura “Bolsa Renda”. Como se conseguiu ignorar tamanha fraude, durante tanto tempo? São milhares de quadrilhas criminosas sangrando bilhões dos cofres públicos.

            Além dos defuntos foram detectados cerca de 800 mil beneficiários deste “programa social”, sem CPF (?). Entre defuntos e fantasmas, o prejuízo causado por 1,8 milhões trapaceiros – custo per capita de 600 reais – corresponde a 1,80 bilhões/mês. Em um ano, 21,6 bilhões. Quatro anos são cerca de 85 bi que descem pelo “ralo” da micro corrupção. O governo Lula ainda insiste em mais dinheiro para programas sociais?

            Afirmamos sem medo de errar: todos os municípios do norte/nordeste brasileiro, com população inferior a 20 mil habitantes, seu funcionalismo – direto ou indiretamente através de familiares – estão dentro deste “programa social”. No final do governo Lula I, o Bolsa Renda foi ampliado, e quem passou a cadastrar os novos favorecidos foram as Prefeituras. Cada cidade, montou sua gangue. O chefe do Cadastro Único era – e ainda é – um cargo disputado a tapas. O escolhido é sempre uma figura de alta confiança do Prefeito e dos Vereadores, também usuários da falcatrua.

            Em pleno século XXI, com modernas tecnologias, o IBGE não conseguiu concluir o censo de 2020. Uma das principais justificativas das equipes que coletam os dados em domicílios, é a recusa da população em responder o questionário, que investiga renda, sua origem, emprego informal… A lei que ampara o trabalhador doméstico, foram décadas de luta da categoria. Quando foi aprovada, todos estavam no Bolsa Renda. Se recusaram a usufruir deste direito, temendo perder o benefício. Bolsonaro quando esteve no governo, liberou para que todos buscassem emprego, que não seriam cortados do Auxílio Brasil. Desconfiados, ninguém quis correr o risco.

            Raízes apodrecidas, a árvore não se sustentará. A saída para o país (cedo ou tarde) é um “enxugamento” geral da máquina pública, começando com a extinção de todos os programas sociais. Um freio de arrumação, para identificar quem necessita de ajuda governamental.

A “rede de arrasto” tem que começar pelo Palácio do Planalto, estendendo-se pelos poderes legislativos e judiciário, onde nababescamente ainda vivem os “Marajás” da era Collor de Melo. Uma classe perdulária, repleta de privilegiados, que ignoram por completo a realidade de um país, cujo salário mínimo permanece abaixo de 300 dólares. Infelizmente estamos sem futuro, vivendo de recordações de um passado nostálgico.

VAI FALTAR LÃ ENTRE OS CRISTAIS

A Cassação do mandato do deputado federal Deltan Dallagnol (PODE/PR) pelo TSE no último 16/05/2023, numa sessão única, que após a leitura do voto do Relator, durou apenas 1,44 minutos – recorde digno do Guinness – para que os demais Ministros pronunciassem apenas o “sigo o voto do relator”, abalou o país.

A matéria iria muito além de uma discussão “polêmica”, já que era um caso “inusitado”. O réu que estava sendo julgado, não havia praticado nenhum crime eleitoral – antes, durante nem depois da campanha – que produzisse fato capaz de suscitar dúvidas, quanto a legitimidade da conquista do seu mandato. Nenhum dos sete Ministros se manifestaram em pedir vistas, para averiguar se havia amparo ou razoabilidade dentre as centenas de decisões, jurisprudências; entendimentos, análogo ao tema em julgamento.

Ato imediato e subsequente – no mesmo instante – foi a expedição de autorização para o TRE-PR cassar o diploma de Deltan Dallagnol. Nem os Tribunais de Exceção, em tempos de guerra, executavam com tanta rapidez suas vítimas (inocentes ou não).

A Câmara dos Deputados reagiu prontamente ao ato tirano e abusivo dos Ministros do TSE. Presidente Arthur Lira, concedeu entrevista, confirmando que Deltan permanecia como Deputado. Que se cumprisse o que determina a Constituição. Aguardaria a notificação do presidente do TSE, e despacharia para a Corregedoria da Casa, que lhes garantiria a ampla defesa e a presunção da inocência.

Começou a faltar lã entre os cristais. Neste choque, ou quebram-se os dois, ou um sai inteiro, e outro estilhaçado. A Câmara é representante legítima do povo. Se abrir mão de seu papel Constitucional, está traindo o cidadão. O TSE é um Tribunal que não é guardião da Constituição. Foi criado como última instância, para arbitrar disputas eleitorais, questões partidárias, normas para manter critérios isonômicos durante os pleitos.

Os leitores que não têm tempo de acompanhar todos os detalhes, e o passo a passo dos acontecimentos, deve estar indagando: por que o TSE cassou o um dos Chefes da Força Tarefa da Operação Lava-jato? Por conta de uma ação “aventureira” despida de legalidade, impetrada pela Federação do PT do Estado do Paraná, que tentou impedir sua candidatura, temendo o que de fato aconteceu: o mais votado do Estado com 344 mil votos.

A Ação deve ter sido elaborada por um roteirista de novelas, especializado em criar tramas de cunho conspiratórios e místicos. Acusaram Deltan de ter pedido demissão do MPF, para fugir de uma investigação sobre os gastos da lava-jato com viagens, passagens e hospedagens. O PT já sabia que ele seria condenado? Por quem? E se o fosse, não era só ele, mas toda a Força Tarefa, que contou com mais de 100 Promotores, incluindo o Procurador Geral da República Rodrigo Janot, chefe de todos.

Segundo ainda a “fantasiosa” ação, inspirada na leitura dos destinos – práticas de Mãe Diná e João de Deus – Deltan procurou se eleger deputado federal, para não ser condenado (!?). Logo ele, que teve como bandeira de campanha o fim do foro privilegiado! Aguardemos os desdobramentos. Que seja finalmente demarcada as “quatro linhas”.

CAMINHOS OPOSTOS

            No mesmo dia que Lula embarcou para Londres (05/05/2023) na condição de um, dos dois mil convidadas para a coroação do Rei Charles III, o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, tomava destino rumo aos Estados Unidos, convocado para um encontro com as elites econômicas da maior superpotência do planeta.

            Enxadristas experientes observam com curiosidade, movimentos ousados de peões e cavalos sobre o tabuleiro, mas, não arriscam palpites sobre os próximos e sucessivos xeques que a Câmara dos Deputados executará, para encurralar o governo e deixá-lo diante da perspectiva de um fim de jogo.

            Após sua posse, Lula já esteve nos Estados Unidos, como chefe de governo e convidado oficial Joe Biden, de quem só conseguiu arrancar uma promessa vazia para o Fundo da Amazônia de 52 milhões de dólares. Lula não teve agenda econômica com os grandes empresários, banqueiros e investidores em projetos de longo prazo.

            China, Portugal e Espanha, foram visitas que só renderam dissabores para diplomacia brasileira – hoje perplexa e sobressaltada – com a possibilidade de ser enxergada dentro de num contexto “diferenciado” – rebaixamento pela comunidade internacional – em função da retórica improvisada de Lula, sugerindo radicalismo e posicionando-se pela “desdolarização” do gigante comércio internacional.

            A maior de todas as surpresas (desatino total), foi no dia 1º de maio, dia do trabalhador. Lula foi fotografado para o mundo todo, num evento das Centrais Sindicais, ladeado por petistas radicais doutrinados pelo comunismo, vestido de “Guayabera”. Uma espécie de camisa/túnica, que faz referência ao alinhamento ideológico ao regime Cubano. Traje usado por Fidel e Raúl Castro, Evo Morales; Maduro; Daniel Ortega…

            A reação do grande capital foi imediata. A Câmara dos Deputados derrubou um Decreto Lei de Lula – de cunho estatizante – que alterava regras, e criava obstáculos para entrada dos grandes investidores internacionais, no processo de concessões, construções e explorações de um colossal sistema de saneamento básico e esgotamento sanitário em todo país. Empreendimentos com retorno e rentabilidades centenárias.

            Nos Estados Unidos, Arthur Lira participou da Conferência do Açúcar e do Etanol promovida pela International Sugar Organization em New York. Esteve no Brasil Week, que debate a transição energética para o setor Sucroenergético, promovido pelo Citi brasil e Datagro. Na terça-feira 09/05/2023, palestrará na “Lide Brasil Conference”, evento organizado pelo ex-governador João Dória, o mesmo que em Agosto de 2022, agendou simpósio semelhante, sobre o tema que envolvia os novos caminhos para o novo governo eleito no Brasil (?). Como ele já sabia da vitória de Lula?

            Para quem tem boa memória, deve recordar as figuras que estiveram presentes neste encontro. Bancos tupiniquins, Industriais, Redes Varejistas, membros do futuro governo e os Ministros do TSE, escoltados pela maioria do STF. Mera coincidência?

            Na próxima quarta-feira, 10/05/2023, Arthur Lira havia prometido a Lula votar o “o novo arcabouço Fiscal”. Sem aviso, estará palestrando e sendo homenageado na Câmara do Comércio Brasileiro-Americano. Nenhum membro da equipe econômica do governo foi convidado para estes acontecimentos. Sequer o vice-presidente que é Ministro da Indústria e Comércio. O fato está sendo “ignorado” pela grande mídia.

            Conspiração modelará Lira como o “homem missão”, via Parlamento. Trará pronto o “arcabouço fiscal”, e projeto para o STF voltar a ser um Tribunal Constitucional – com poderes limitados – devolvendo ao país, a segurança jurídica necessária aos investidores.

Caso FIEP: JUIZ SUBSTITUTO DA JUSTIÇA DO TRABALHO EXTINGUE CLÁUSULA PÉTREA DA CONSTITUIÇÃO COM BASE NO ACHISMO

O Poder Judiciário vive sua pior crise desde a Proclamação da República, curiosamente em tempos de democracia plena. Seu “ativismo”, no propósito de se constituir como único poder do país – posicionando-se acima das leis elaboradas pelo Parlamento que representa o povo – tem gerado discórdias, conflitos e crises sobre abuso de autoridade, fator perigoso que ameaça o desequilíbrio dos pilares da República.

Como o exemplo vem de cima, nos dias de hoje, Magistrados avocam para si, o direito de presumir o que é certo ou errado – segundo seu ponto de vista – independentemente do que determina a nossa Carta Magna. Este tipo de comportamento histriônico, tem nos rotulado como eterna “Republiqueta de Bananas”, alvo de chacotas e desrespeito pela comunidade internacional, que só enxerga seriedade em nações que preservem a “segurança jurídica”. O poder político é transitório, a Lei é permanente.

Um grupo minoritário que faz oposição ao atual presidente da FIEP – Federação das Indústrias do Estado da Paraíba, não aceitando a derrota de sua chapa – eleição realizada em janeiro (2023) – tem buscado na Justiça, o que não conseguiram na disputa: um direito inexistente na democracia, que permita a minoria vencer, e se sobrepor a maioria. Destaque-se que a realização do pleito – marcado para setembro de 2022 – foi judicializada por diversas vezes, e sempre suspensa por força de “liminares” de conteúdo precários, parciais e suspeitos. Uma litigância de má fé, que revela o comportamento e caráter daqueles que desejam usurpar o poder, atropelando regras constitucionais primárias.

Neste interregno – idas e vindas a Justiça do Trabalho – o Juiz titular da Segunda Vara de Campina Grande, pôs um fim definitivo na peleja, desconhecendo por completo os pérfidos e infundados argumentos que davam sobrevida aos direitos dissimulados e dolosos, arguidos pelos opositores da atual gestão, que foi vitoriosa no pleito. A partir de então, nada sobre este tema seria discutido na Justiça do Trabalho.

Entretanto, nos sinistros corredores do Poder Judiciário, existem fantasmas e armadilhas que distorcem fatos, usando a “maquiagem” da suposição para modelar mentiras, capazes de ser confundidas com verdades. Sobretudo quando tem o apoio midiático, disposto a usar o mau jornalismo, enveredando pelo sensacionalismo.

O Juiz do Trabalho Arnaldo José Duarte do Amaral, substituto do titular da Segunda Vara da Justiça do Trabalho em gozo de férias, em apenas 30 minutos, rasgou a Constituição, acabou com a presunção da inocência e feriu a ética, ao desqualificar uma decisão de um dos seus pares, julgador e conhecedor de todos os detalhes do contencioso. Afastou o presidente da FIEP, sob o argumento de uma denúncia do GAECO ao TJ-PB, que envolve investigações de 2016, sobre um fato de aplicação de recursos federais que causaram conflitos em rubricas burocráticas. Todo o Sistema “S” foi alvo desta investigação, que não traz prejuízos ao erário público. Todavia, na Paraíba destacam apenas Buega Gadelha como único neste processo investigatório.

No seu despacho, o Juiz Substituto cita textualmente que afasta Buega, pelo fato dele ter sido denunciado e poderá ser no futuro ser condenado (?). Inspirou-se em Mãe Diná? O GAECO é um órgão sério. Não denunciou a Diretoria da FIEP a Justiça do Trabalho. Por outro lado, temos absoluta convicção, que o teor da denúncia não foi compartilhado com o Juiz substituto, pois tal objeto, está fora de sua jurisdição. O ato de afastamento do presidente da FIEP é insano, rebuscado amadoristicamente com conotações de prevaricação invasiva: determina que o Conselho da FIEP se reúna, e expulse Buega, pondo outro em seu lugar. Um verdadeiro estupro a legislação vigente.

No final desta “peça inusitada”, seu árbitro ainda faz uma ressalva e apelo, para que em seu retorno, o titular não revogue seu truculento, insensato e nefasto ato débil e inconsistente. Pelo visto, só lhes faltou o “chapéu de Napoleão”.

TROPEÇO DE ARHUR LIRA DESEQUILIBRA GOVERNO

Bastaram quatro meses, para o governo do presidente Lula se inviabilizar por completo no Congresso Nacional. A insensibilidade de sua equipe, confundindo resultado de urnas eletrônicas com prestígio e apoio popular – imaginando o povão ao lado do novo governante para “tratorar” o parlamento – foi o maior de todos os equívocos registrado na história política do país. Soberba, insanidade, arrogância ou amadorismo?

Esquecendo a construção de sua própria carreira, trajetória vitoriosa – acertos em cima dos erros de Rodrigo Maia – Arthur Lira não observou o destino infausto de seu antecessor, causado por sua insensibilidade ao ignorar as redes sociais, onde todos postavam suas posições. E, como não bastasse, ainda iam as ruas para ratificá-las.  Maia optou pela “bajulação” ao STF, seguindo Ministros vitalícios, que não precisam renovar seus mandatos a cada quatro anos. Taxava as manifestações pró Brasil, família, costumes e Religião como “domingueiras”, frase cunhada por Gilmar Mendes.

Censurar as redes sociais, entregando seu controle a um governo de esquerda! Lira não percebeu que estava sendo usado para mobilizar a câmara, e editar uma nova versão do AI-5? Veracidade sobre as postagens, seriam avaliadas por Flávio Dino e Palácio do Planalto. Retrocesso ou retorno da “Voz do Brasil”, como única fonte de notícia “confiável”, no período dos governos Militares? Um Pastor, se postasse que não concordava com a união entre pessoas do mesmo gênero, seria punido e banido das plataformas.

O PL 2630 é um estupro hediondo, revestido de violência brutal contra a nossa Constituição, que vem sendo currada pelo uso da força, de um poder que não pode. O STF foi constituído para ser o seu guardião, não seu algoz abusador. O mais intrigante é um parlamentar aceitar perpetrar crime de lesa pátria, em defesa dos interesses de grupos políticos, sob a premissa de se locupletar da ação. Como iriam derrubar uma cláusula pétrea da Carta Magna, com um Projeto Lei, aprovado por maioria simples? Só se extingue uma cláusula pétrea, com uma nova Constituição.

Se porventura esta Lei já estivesse em vigor, jamais veríamos as imagens dos vândalos destruindo o Palácio do Planalto, com apoio do Ministro do GSI, que sequer deu voz de prisão a um membro da gang – recrutada pelas OCRIM do narcotráfico – escaladas para a tarefa de destruir a democracia.

Ministro Alexandre de Morais, o Xerife do país, atravessou a praça dos Três Poderes e foi primeiro ao Senado, para acrescentar suas “sugestões” no PL 2630. O Relator lhes confessou que nada mais poderia ser feito pela Casa Revisora. O poder de alterar o texto, era prerrogativa da Câmara. Sem marcar ou protocolar audiência, Morais se dirigiu para Câmara e entregou a Arthur Lira suas “ideias”, para controlar a opinião pública e silenciar a voz rouca das ruas. Este mesmo Ministro, já se recusou atender inúmeras vezes convite para se explicar sobre seus atos, no Senado e na própria Câmara dos deputados.

Males que vem para o bem: as gigantes Big Tech, hoje com poder destrutivo que supera todo o arsenal atômico do planeta, enfrentou o “sistema” brasileiro em defesa da democracia. Foram as Big Tech que derrotaram Hilary Clinton e elegeram Trump. Em seguida, arrancaram-lhes da cadeira de presidente da maior superpotência do planeta de forma humilhante, bloqueando até suas contas nas redes sociais, impedindo-o que se comunicasse com o povo. Aliaram-se as Big Farma e fecharam o mundo com a COVID-19.   Alexandre de Morais e o STF irão enfrentá-los? É bom lembrar que tudo o que eles falaram, seus passos e conversas, estão arquivados nos algoritmos das Big Tech. Se insistirem, os escândalos virão de fora para dentro do país, em forma de tsunami.

CONGRESSO CONGESTIONADO

            Pela primeira vez na história do Brasil – início de um governo – as atenções da sociedade se voltam para o parlamento, ignorando por completo as expectativas das propostas, programas ou promessas de campanha do Chefe do Poder Executivo, eleito (sob suspeita) pela maioria dos brasileiros, em dois turnos no pleito de 2022.

            Episódio raro, insólito e esdrúxulo num regime Democrático Presidencialista. O povo elege um presidente, conferindo-lhes poderes para determinar os destinos da nação e concomitantemente um parlamento, para apoiá-lo, fiscalizá-lo e ajudá-lo na elaboração de novas leis que facilitem a implantação de regras, metas e métodos na busca de avanços expressivos pela prosperidade. Não é o que estamos testemunhando.

O Congresso Nacional – literalmente congestionado pela enxurrada de MP (Medidas Provisórias) do governo – está paralisado. Ainda não conseguiu sequer votar as principais: bolsa renda, criação dos novos Ministérios e revogação da lei da governança das Estatais. Estamos alcançando a marca dos 120 dias de uma gestão, que vem ordenando e executando despesas às escuras (de fato) sem respaldo do “direito”.

Com uma base precária na Câmara – onde consegue contar apenas com 131 deputados federais – a ampla aliança suprapartidária abrangida no período eleitoral, não se materializou em apoio incondicional dos parlamentares eleitos e suas respectivas legendas. Mesmo prestigiado o União Brasil, PDT e PSD com Ministérios – ainda não oficializados pelo Congresso Nacional – a avidez de seus aliados por cargos com “poder de caneta” e disponibilidade orçamentária, põe o governo no cadafalso.

Tamanha balbúrdia (em parte) é creditada ao desacerto de sua equipe (dividida) e sua surdez mórbida, motivada por uma arrogância “quixotesca”, ao se recusar ouvir conselhos convincentes, como por exemplo, evitar um infortúnio previsível ao tentar ressuscitar velhos temas ideológicos inumados há décadas.

Em suas andanças – programadas por Celso Amorim – o resultado tem sido o oposto do esperado. A cada pronunciamento, um vexame. Instala-se uma crise de credibilidade fora, e dentro do país. Os atropelos em Portugal parece que não foram suficientes. Na Espanha – não há registros na mídia de sua recepção protocolar como Chefe de Estado – se atabalhoou com a história e agrediu a ONU, Israel e Ucrânia (mais uma vez). Porém, desta feita, recebeu um duro contra-ataque dos ofendidos.

Nas últimas vinte e quatro horas silenciou. A mídia até ontem (27/04/2023) não noticiou se ele já está no Brasil, ou permanece na Espanha. Na briga do “toma lá, dá cá”, o núcleo petista postergando entregar o prometido, resolveu testar seu poder de fogo na câmara dos deputados, exigindo a votação em regime de urgência e subsequente aprovação do texto da PEC das “fake News”, já aprovada pelo Senado.

Arthur Lira ficou atônito com o poder de mobilização das redes sociais, meio de comunicação que o governo quer controlar a qualquer custo. Em Plenário obteve 238 votos, contra 192 da oposição. Lira suou a camisa para chegar a este placar, distante dos 476 votos que o elegeram. Entretanto, sua missão era mostrar força ao Palácio do Planalto. Uma vitória de Pirro. Seus “liderados” como o Republicanos, amigavelmente o acompanharam mas, esclareceram: “votar na urgência, não significa votar no mérito.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB), relator do projeto, percebeu que o governo era um leão (felino) cercado por uma manada de búfalos raivosos. Na busca de uma saída, e evitar uma derrota no primeiro embate em plenário, modificou todo o relatório, retirando do texto a censura, sugestões do Min Alexandre de Morais e atendeu a todas as exigências da bancada Evangélica. Pelo visto, tudo permanecerá como d’antes no quartel do Abrantes. Tempo perdido… Queimaram cartuxos em alvos imaginários.

O PREÇO DA DESDOLARIZAÇÃO

            O Presidente Lula, que se considera Nordestino, deveria ter aprendido mais sobre a sabedoria popular da região: “galinha que acompanha pato, morre afogada”. O que espera ganhar Lula acompanhando os passos de Xi Jinping? Foi diplomado pelo TSE, como vencedor de uma eleição, cujo resultado ainda é ignorado e amplamente contestado pela maioria dos brasileiros. Fato periodicamente averiguado em suas aparições públicas, antes, durante e depois do pleito.

            Ouvindo o ultrapassado ex-Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim – eterno comunista ou viúva de Moscou – concordou com uma agenda de viagens internacionais, para promover sua imagem através dos grandes líderes mundiais. Por onde andasse, só receberia “confetes”. No plano nacional, a “mídia militante” o transformaria no grande herói, que estava tirando o Brasil do isolacionismo (?).

            Apareceu na Argentina, Uruguai e no encontro do Mercosul. Repercussão mínima. Criou grande expectativa sobre a viagem aos Estados Unidos. Quebrando o protocolo, a mulher de Joe Biden não foi receber a primeira dama Janja. Uma humilhação sem precedentes, pois foram convidados oficiais e seriam hóspedes da Casa Branca, como determina a tradição. Dormiram no Hotel. Pessoalmente foi duramente hostilizado pela “Direita Trumpista” e a comunidade brasileira que reside nos “States”.

Convicto que as questões climáticas e o tema “Amazônia” encantaria o octogenário anfitrião, decepcionou-se quando lhes foi ofertado uma esmola de 52 milhões de dólares para o Fundo da Amazônia. Valores que não representam o custo semanal dos Estados Unidos com a Ucrânia, para manter um país em guerra, poluindo e destruindo vidas humanas, meio ambiente e infraestruturas seculares.

No Congresso, trazendo de volta o “toma lá, dá cá”, não conseguiu ainda formar uma maioria que lhes assegure a aprovação das Medidas Provisórias editadas nos primeiros dias de janeiro. “Dando com uma mão e tirando com a outra”, o parlamento levou uma rasteira após aprovar a emenda “Fura Teto” e vê o STF, derrubar a Emenda do Relator. Ninguém por lá confia mais nas promessas de Lula.

A CNN – empreendimento deficitário de George Soros no Brasil – usou artilharia pesada contra Bolsonaro por ser amigo de Donald Trump. Os interesses do velho especulador, que já quebrou todos os países emergentes – exceto China – entre 1997 e 2002, estão acima das questões do terceiro mundo. Independentemente de ser Lula ou Bolsonaro, são Estados Unidos (nova Roma desde 1945) e dólar universal.

A mudança na linha editorial da emissora foi radical, quando o governo petista acabou com o teto dos gastos públicos, pôs fim às privatizações e começou a atacar o Banco Central, irmão siamês do FED (Tesouro Americano). Misteriosamente, somente a CNN “furou” a viagem secreta de Celso Amorim à Rússia, para se encontrar com Putin, antes de Lula ir para a China. Isto cheira mais a espionagem (CIA) que jornalismo.

Na China Lula fez o discurso da “desdolarização” do planeta, e culpou a Ucrânia pela invasão Russa. De volta, e em solo guarani, não se desculpou pela gravidade de suas palavras. Vai para Portugal, e lá recebe a notícia que a CNN vazou os vídeos da invasão do Palácio do Planalto, onde o Ministro do Gabinete de Segurança Institucional não deu sequer voz de prisão, a um único vândalo que depredou a sede da Presidência da República, numa nítida demonstração que obedecia ordens, ou cumpria missão.

Quem vazou os vídeos? Por que o Ministro Alexandre de Morais não mandou prender quem entregou o material à CNN? Não puniu os jornalistas? Cadê aqueles prazos de 48 horas? Agindo de forma inversa, Morais determinou a “viralização” dos conteúdos na íntegra, após G. Dias ter revelado na PF, que o Ministro tinha cópias. Onde estão as demais imagens dos terroristas destruindo a Câmara, o Senado e o STF?

 A CNN aguarda a instalação da CPMI e reação da PF, TSE/STF, sugerindo no meio Jornalístico, existência de mais uma bomba: código fonte e resultado das urnas de 2022.

VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS É FRUTO DAS GERAÇÕES PERDIDAS

Para identificar os efeitos, basta que se investigue a causa. A onda terrorista causadora do pânico hoje instalado nas escolas – públicas e privadas – do País deixa vítimas indefesas, expostas a ataques violentos (rotineiros), frutos da “frouxidão” das leis, elaboradas nas últimas três décadas sob a inspiração do “populismo”. Desprecavida de suas futuras e inevitáveis consequências, esta irresponsabilidade institucional gerou frutos que estamos colhendo: destruição e inversão de valores nos papeis do sistema de ensino e aprendizado. O lar educa, a escola instrui. A origem desta desagregação se alicerça na banalização do crime, puxada pelo bilionário mercado do consumo das drogas.

Os verdugos truculentos – autores dos atos hediondos que ora permeiam o País – são jovens da segunda geração “Bolsa Renda”, entre 13 e 17 anos, que nem estudam nem trabalham. Entraram no mundo das drogas e, possuídos de uma violência desumana, medonha, irracional, alicerçada no ódio – originários de lares desfeitos e drogados – despidos de amor e amparados pela orfandade das ruas, não escaparam dos abusos. Se tornaram mão de obra ideal para o narcotráfico. Falhou o Estado e nossos legisladores.

O exemplo sempre vem de cima. Bolsonaro foi eleito em 2018 com o discurso “bandido bom é bandido morto”. Para os militantes dos “Direitos Humanos”, que protegem criminosos e esquecem as vítimas – famílias ficam vulneráveis e sequeladas socialmente – Bolsonaro representava a “barbárie”. Entretanto, os verdadeiros selvagens e desumanos são os defensores dos criminosos, que diariamente matam dezenas de trabalhadores, para roubarem seu aparelho celular ou tomarem o dinheiro da feira que alimenta sua prole.

A redução da criminalidade e os recordes de apreensão de drogas durante os quatro anos da gestão Bolsonaro pouparam a vida de quinze mil vítimas anualmente. Quando um policial matava um bandido de alta periculosidade, era condecorado pelo Presidente da República. O que acontece hoje no País? O ministro da Justiça se reúne no maior antro de marginais assassinos narcotraficantes, que ocupam o complexo de favelas Marés (RJ).

Negociaram o fim dos ataques no RN? Prenderam a líder do movimento, entregue por seus comparsas. Em troca (sugere-se) a sigilosa transferência de Beira Mar para o Rio de Janeiro. Antes, logo após a posse de Lula, o Ministério da Justiça – sem justificativas – transferiu Macola de um presídio federal de segurança máxima da região Norte para a “Papuda” DF, onde a expansão da droga está em níveis igual ou superior ao Rio de Janeiro. Para o Ocidente, não bastou o exemplo da China, que perdeu um século para o ópio. Em 1952 viciados e traficantes passaram a ser executados. A Malásia, quando percebeu que sua geração futura estava comprometida com o vício dos entorpecentes adotou – há uma década – pena de morte para traficantes. Já executaram até um brasileiro, e outro está no corredor da morte. Lá o usuário é punido.

No Brasil até usuários da maconha também eram punidos. Por que permitimos que no governo FHC viciados ganhassem status de “dependente químico”, e não fossem reprimidos? Ao invés de criar leis que inibissem ainda mais o uso de drogas – evitando a dependência – o governo federal agiu em favor do crime, desprezando a ideia de criar uma política para desintoxicação. Ex-presidente FHC, com 92 anos, distante do drama quotidiano, ao lado do PT, PSOL, PCdoB persistem na defesa da liberação da cocaína, e o uso indiscriminado de todas as drogas. O caos é parturiente das autocracias.

TORNADO EM FORMAÇÃO NO CONGRESSO

            O deputado federal Nicolas Ferreira, comentou em suas redes sociais, a absoluta falta de articulação do bloco governista na Câmara, que ainda não conseguiu pôr um único tema na pauta elaborada que vai à plenário para debate. Este processo é deliberado pelos líderes partidários – reunidos com a Mesa Diretora – que escolhem quais projetos serão discutidos na semana. O PT e seus aliados, ainda não conseguiram emplacar uma. Oposição navega em “mar de Almirante”.

            O presidente Arthur Lira – esperando o governo – até o momento vem se esquivando de um enfrentamento direto entre seus pares, com perda de prestígio. Para justificar a paralisia, cria “sofismas” como a briga entre ele e Rodrigo Pacheco, sobre composições de Comissões Mistas. Mas, diante da imobilidade e incompetência da bancada governista, é forçado a dar satisfações ao povo e ao próprio parlamento. Resolveu apoiar a instalação da CPI do MST, após invasões do “Abril Vermelho”.

            A incapacidade do PT evitar ou conter as ações deste motim – incentivador da violência no campo – lhes trará perdas irreparáveis. A CPI deverá “amputar” este braço ideológico do governo, considerado última trincheira. Parlamentares e financiadores – dinheiro de origem duvidosa – serão investigados e expostos. Surgirão novas leis, para criminalizar o movimento e extingui-lo.

            No Senado, o presidente Rodrigo Pacheco – insone – tem seus cochilos despertados pelo pesadelo da CPMI dos atos de 08.01.2023. Prevê um catastrófico tornado em formação, e vai procurar abrigo para não ser levado pelo redemoinho. Deu tempo suficiente para o governo agir (cooptar) retirada de assinaturas. Tentando ganhar mais alguns dias, cedeu à pressão da oposição, e leu pedido de instalação da CPI das ONGs da Amazônia. São mais de 14 mil. Se levado a sério a investigação, virá à tona escândalos que irão abalar além do Brasil, todo o mundo. É a maior lavanderia de dinheiro do planeta.

            Identificarão garimpos clandestinos, seus financiadores, contrabandistas e compradores internacionais que são as grandes corporações. Ouro, pedras preciosas; grafeno; madeiras nobres como o Mogno; Jatobá; Ipê; Peroba Rosa e Jacarandá. Um m3 de Jacarandá custa U $5,500. Rotas de narcotraficantes; laboratórios… Estas ONGs, sabotam a exploração legal e controlada de nossas riquezas, impedindo o acesso a 28 milhões de habitantes de toda região. Pacheco, com este “disparo acidental”, pode ter atingido mortalmente parte expressiva da classe política do Norte, envolvida e financiada pela bandidagem predatória do nosso território.

            Para se ter noção do poder econômico por trás dessas ONGs, não esqueçamos que no início de novembro (2022) o governador do Pará, Helder Barbalho, foi convidado especial de uma delas, para participar da COP-27, realizada no Egito. Levou Lula – recém eleito pelas urnas eletrônicas – em sua bagagem. Não tinha sequer sido diplomado.

 Armaram uma tenda para 200 convidados, incluindo a equipe do consórcio midiático, com todas as despesas pagas por esta entidade. A tenda – “Estúdio Cinematográfico” – foi montada para que grande mídia militante corrompida, criasse a maior Fake News de todos os tempos, produzida pela antiga grande imprensa nacional, noticiando Lula como convidado do evento e palestrante oficial. O gesto de Hélder, teve como gratidão de Lula a nomeação do irmão Jader Filho, para o Ministério das Cidades.

 Quem representou o Brasil, e o então presidente Jair Bolsonaro na COP-27, foi o Ministro do Meio Ambiente. A farsa midiática é sem precedentes na história. Foi protagonizada pelos aldrabões formadores de opinião da velha mídia, sustentada com os recursos de origem “suspeita”, angariados pelo Consórcio Midiático. O embuste só veio atestar a perda de credibilidade do jornalismo profissional militante, e o fim de carreira dos “Capitães de Empresas”, que ainda vivem o devaneio de um poder que perderam: o de manipulação das massas. Vida longa às redes sociais.

O EMPRÉSTIMO DE BRUNO

            De repente, todos os holofotes da mídia local e estadual, despejaram suas luzes sobre a Casa Félix Araújo – Câmara Municipal de Campina Grande – onde o povo começou a enxergar seus atuais representantes. Figuras opacas e sombrias, sem brilhos, que “vampirescamente” ora compõem a mais “escura” de todas as legislaturas da sua história. O motivo do alarde? Pedido de autorização do prefeito Bruno Cunha Lima ao poder legislativo, para contrair um empréstimo no valor de 52 milhões de dólares.

            O prefeito Bruno Cunha Lima, durante três anos ininterruptos não experimentou o “xarope amargo” de uma oposição barulhenta – com cobranças às vezes até abusivas – pautas bombas e insistentes pedidos de investigações sobre sua gestão. Lidou sem grandes preocupações com algumas exigências soltas ou perdidas, fora do alcance da tela do radar da população e formadores de opinião. Mesmo atravessando uma eleição para governo, presidente e parlamento, voou até agora, em céu de Brigadeiro.

            É difícil saber a medida exata, ou a dosagem necessária, sobre o equilíbrio entre as críticas (indispensáveis) que provocam reações do elogio alucinante. Governar sem oposição é confortável. Entretanto, para se manter no meio político, é imperioso despertar paixões. Como bem avultou o genial Nelson Rodrigues “toda unanimidade é burra”. Tivemos um exemplo histórico desta assertiva: Ivan Bichara Sobreira.

           Dr. Ivan Bichara tinha sido deputado estadual no início da década dos anos cinquenta. Homem culto, bom, honrado e distante da mesquinhez político/partidária. Desde o início dos anos sessenta, residia no Rio de Janeiro. Era Secretário da Associação Comercial, casado com a sobrinha preferida do ex-ministro José Américo de Almeida. Teve seu nome indicado para suceder Ernani Sátiro, a pedido do General Reynaldo Almeida, Comandante do 1º Exército, e Militar mais respeitado daquele momento.

            Filho do Ministro José Américo, General Reynaldo foi indicado pelas Forças Armadas para suceder Médici. Declinou do convite e indicou seu amigo Orlando Geisel, que não aceitou, por se considerar já velho para a tarefa. Mas, sugeriu seu irmão Ernesto, que apesar de não ter o “perfil consensual”, obteve o apoio e empenho do General Reynaldo – orientado por seu pai – costurou nos bastidores, entre os comandantes das três forças e o EMFA, o nome de Ernesto.

Durante os quatro anos da gestão Ivan Bichara Sobreira, ele não conseguiu suplantar o colossal programa de obras e ações deixadas por Ernani Sátiro. Era distinguido como um vulto distante, uma pessoa simples e acessível, poupado de críticas, convivendo pacificamente com uma oposição silenciosa.

Não fez grandes obras, porque durante seu governo, foi obrigado a pagar todas as contas deixadas pelo seu antecessor, sem nunca ter “resmungado” da herança maldita recebida. Um argumento que, se usado, justificaria seu baixo desempenho. Licenciou-se, foi disputar o Senado, e para surpresa da Paraíba, perdeu para as sublegendas do MDB. Foi mais sufragado que Humberto Lucena. Mas, os votos de Ari Ribeiro (52 mil) no entorno de Campina Grande, e João Bosco Braga Barreto (mais 30 mil), levaram-no à derrota. Acontecimento incomum na história política do país, e até então da Paraíba.

Alguém despertou Bruno – para não repetir o erro do Dr. Ivan Bichara – fazendo-lhes enxergar que sua gestão tem se resumido em pagar as contas deixadas por Romero Rodrigues, o compromisso de manter a velha equipe militante, e concluir as obras por ele iniciadas. Subliminarmente, para população, Romero é um prefeito em férias. Não existem “siameses” na vida pública. Só um ambicioso programa para transformar a cidade num canteiro de obras até 03/10/204, é capaz de reverter este quadro de expectativas. Uma ação que ensejará Bruno a granjear notoriedade, produzir um discurso com argumentos que convença o povo, da imperativa necessidade de seu continuísmo, tornando-se indispensável para a continuidade do desenvolvimento da cidade. O empréstimo divide opiniões, e cria um discurso de sobrevivência para a oposição.

CRISE ENTRE CÂMARA E SENADO É FACTÓIDE

            A mídia nacional dedicou todo seu espaço nos últimos cinco dias, à tarefa de “oxigenar” as chamas de uma “crise” no Congresso, sobre demarcação de direitos, poderes e deveres das duas Casas. Mais um factoide.  Arthur Lira e Rodrigo Pacheco “fingem” brigar pelo controle – através da proporcionalidade – na formação das comissões mistas.

A Constituição não impõe. Admite a criação de Comissões Mistas, como medida para acelerar projetos prioritários, facilitando a tramitação até o Plenário, onde pode ser totalmente modificado, através de emendas e destaques, e obstruída de votação.

            A dúvida reinante é se a “historíola” é invencionice da própria mídia, ou do Palácio do Planalto, para aliviar a pressão sobre o presidente Lula, acuado pelos seus tropeços nos cem primeiros dias de gestão. O imbróglio paralisou as atividades do Congresso. Um fôlego para Lira e Pacheco, na esperança que o “fato novo” leve o povo a esquecer temporariamente a temerosa CPMI dos Atos do dia 08.01.2023.

  Só está garantida a CPI do MST, imposição que Lira não pode fugir e deu sinal verde ontem (20.03.2023), para instalação imediata, com objetivo de barrar o movimento “Abril Vermelho”. Investida do MST, com invasões de terras em todo o país, no dia 01.04.2023. Exigência da bancada Agropecuária, com 300 deputados federais.

Ideologias já são temas superados, e quem as defender não sobreviverá no mundo político de Brasília. O parlamento, ao fortalecer-se, se transformou numa savana, habitada por ferozes “animais políticos” – semelhantes a felinos – diuturnamente em caça. O que os une e os separa, é o modus operandi alicerçado na “palavra”, cuja exigência é ser honrada, e seus compromissos cumpridos. Malandragem não cola mais.

O presidente Lula – Doutor Honoris Causa – com aprendizado no manhoso meio sindicalista, tentou aplicar golpe de esperteza, engendrando “artifício” após ter negociado a PEC do “Fura Teto” com o Congresso, que acreditou na sua palavra e cumpriu o prometido. Por trás – com um soco abaixo da linha de cintura – usou seus aliados para “Judicializar” no STF a Constitucionalidade da Emenda do Relator.

A intenção era fazer todos de “trouxa”, e “abocanhar” 230 bilhões de reais, engordando seu Orçamento. Lira e Pacheco foram “nocauteados”. Todavia, sinalizaram revanche. Criaram a crise, e a exigência é o acerto do “racha” não cumprido.

São 28 MP (Medidas Provisórias) que terão prazo de validade até o final de Abril. Arthur Lira esteve ontem (28/03/2023) com Lula pela manhã no Palácio da Alvorada. Almoçou na residência oficial do presidente do Senado com Rodrigo Pacheco, que à noite permaneceu reunido com Lula e seus ministros palacianos, durante três horas no Planalto. Tudo que prometem ao presidente, é trazê-lo de volta aos holofotes, como figura mediadora da crise “fabricada”, para recuperar os efeitos negativos do seu destempero emocional, no episódio que envolveu o Senador Sérgio Moro.

A corda está esticada. Mas, não será partida ou torada. O Congresso quer – e vai arrebatar – os 230 bilhões do “Fura Teto”. No final da noite (ontem), Lira admitiu encaminhar apenas três MPs para as comissões analisarem e votarem em Plenária: a do Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, e a que cria os 15 novos Ministérios. As demais, serão apreciadas após resolverem o problema (?) das Comissões Mistas.

 O grave é que as 25 restantes, são promessas de campanha, para alavancar a imagem de Lula. Como já reconheceu o presidente, quanto mais tempo passar, custará mais caro. Em meio a toda balbúrdia, ainda tem a chegada de Bolsonaro amanhã (30/03/2023) fato que mobilizará a nação. Mais um prego no sapato de Lula.

LULA E WOODROW WILSON

O presidente Lula suspendeu sua viagem à China, oficialmente por ter contraído uma “leve” pneumonia bacteriana. O “Fico” de Lula, é medo da ameaça real de seu governo desmoronar inesperadamente nos próximos quarenta dias, prazo máximo para o Congresso Nacional aprovar ou rejeitar suas Medidas Provisórias. Lula ainda não conseguiu formar uma base de apoio que lhes garanta governabilidade. Claro que o Congresso jamais legislará contra o povo. Aprendeu a respeitá-los, a partir das duas últimas eleições.

A Câmara em 2018 renovou 277 dos 513 parlamentares. Muitos com vários mandatos… Em 2022, foram 200 que não retornaram. No Senado em 2018 nem o seu presidente Eunício de Oliveira, conseguiu retornar. Em 2022, dos 27 senadores que buscaram “os caminhos da volta”, apenas cinco conseguiram chegar ao destino final.

A única MP (Medida Provisória) que será aprovada, que previamente já está aprovada é o Auxílio Emergencial – criado por Bolsonaro – rotulada agora por Lula de Bolsa Família, acrescendo 150 por crianças até seis anos de vida. As demais, como a criação de 15 novos Ministérios, pode ser rejeitada e deixar Lula de calças curtas. Presidentes da Petrobras e BNDES, correm o risco de perder suas funções, caso seja derrotada a PEC que modifica a Lei da governança das Estatais, exigindo uma quarentena de três anos, para quem exerceu funções políticas, ou é dirigente partidário.

A mudança no Congresso – especialmente na câmara dos deputados – é fruto da pressão exercida pela opinião pública. Lula tem mais conforto no Senado, pela longevidade do mandato de seus titulares: oito anos. Na Câmara, são apenas quatro. Na história da democracia, Lula não seria o primeiro presidente a permanecer no cargo de forma figurativa, como o atual Rei da Inglaterra.

Nos Estados Unidos, berço da democracia plena, o presidente Thomas Woodrow Wilson que governou entre 1913 e 1921 – durante toda a primeira guerra mundial – foi imobilizado pelo Congresso, episódio bem mais grave que o provável “congelamento” de Lula. Ambos venderam o que não dispunha na prateleira, ignorando o Parlamento.

Em setembro de 1918, os Alemães começaram a perder seu poder de ataque, pela falta de tropas reservas nas linhas que combatiam os aliados na Europa Central. Lutavam em duas frentes: contra os Russos (Leste) e Italianos, Ingleses e Franceses no ocidente. Os aliados tinham perdido a guerra em 1916, na sanguinária Batalha de “Somme”, quando o grosso das tropas Inglesas colapsaram. A rendição incondicional era questão de dias.

Só a nova potência industrial (USA) os salvaria, enviando tropas, armas; suprimentos/víveres. O Tratado de Balfour – doando o Iraque e demais países sob o domino e influência dos Inglesas no Oriente Médio aos Estados Unidos, trouxe os Americanos para combaterem na Europa. A Alemanha não tinha como repor suas perdas, os Americanos cobriam – além das baixas dos aliados – a ampliação numericamente milhares de novos combatentes treinados.

Restou ao Alto Comando Alemão, acatar a ideia de um Armistício – cessar fogo – nos moldes do que foi celebrado na frente Russa, tratado de Brest Litovski (março de 1918). Porém a condição “sine qua non” era o aval do presidente dos estados Unidos Woodrow Wilson, como mediador.

Wilson viajou para Paris e garantiu as negociações de “paz em separado” aos Alemães, pondo fim as hostilidades no dia 11.11,2018 às 11hs. Convocou realização do Tratado de Versalhes, onde seria discutido sua proposta dos 14 pontos, iniciando-se pela criação da Liga das Nações, doravante, foro de discussões permanentes entre as potências bélicas, para evitar futuras hecatombes em larga escala.

Após os Alemães entregarem suas armas e desmobilizarem as tropas, a Câmara dos Representantes (deputados) e o Senado dos Estados Unidos, revogaram todos os atos de Wilson. Não ratificaram o acordo de Versalhes, e se recusaram a integrar a Liga das Nações, adotando a política do isolacionismo. Wilson fingiu-se doente, vítima de um AVC. Era fotografado numa cadeira de rodas, mas, cumpriu seu mandato até 1921 (?).

VEXAME E DESFEITA

O comportamento anormal do presidente Lula ontem em Campina Grande, originou comentários impresumíveis – relatados e explanados com consternação – inclusive por setores “partidarizados” da mídia militante perfilida nas esquerdas progressistas.

Lula chegou calado e saiu mudo. A ausência da militância – no Aeroporto João Suassuna e na cidade de Santa Luzia – foi uma prova inconteste que, de fato, procede a desconfiança da população sobre o resultado das urnas eletrônicas. Nas imagens, o semblante do presidente mostrava desconforto, decepção ou choque de realidade irrefragável, enxergando que sem apoio do povo, seu governo não se sustentará.

O Governador João Azevedo – o tempo todo ao lado de Lula – por mais que se esforçasse, não conseguiu arrancar uma única palavra de afago do presidente. Ainda tentou sensibilizá-lo, buscando um gesto de reconhecimento de sua indiscutível competência, por ter conseguido atrair investimentos do setor privado, na ordem de 3,5 bilhões, para produção de energia limpa. Seus relatos foram ignorados.

Lula desembarcou na Paraíba com uma “baita ressaca moral”, pelo vídeo “viralizado” nas redes sociais – furado por entrevistadores – usando palavras de baixo calão, ao expressar seu ódio e desejo de vingança contra o ex-Juiz Sérgio Moro. Não se fala em ódio e vingança num país, onde 90% de sua população é cristã. Os valores da fé pregada pelo Cristianismo, se alicerçam no dom do perdão: oferecer a outra face.

Quem condenou Lula foram seus delatores – a partir do seu ex-ministro da economia Antônio Palocci – confirmando provas materiais e circunstâncias, oriundas das investigações do Ministério Público Federal – através da “Operação Lava-Jato” – Força Tarefa montada pelo Procurador Geral da República, para estancar a hemorragia da corrupção sistêmica que estava levando o país ao estado de Coma. Ao Juiz – quer fosse Sergio Moro ou outro qualquer – caberia apenas sentenciar.

Por que Lula não odeia, nem quer se vingar dos Desembargadores do TRF-4, que elevaram a pena de Lula em mais quatro anos, considerando que Moro tinha sido generoso? E o STJ, que por unanimidade confirmou a sentença do TRF-4? O próprio STF, que lhes negou habeas corpus? Até Fachin, que ao “descondená-lo”, não o inocentou. A manobra monocrática foi para torná-lo elegível. Todos os processos com provas robustas foram transferidos de Curitiba para Brasília. No bojo desta “manobra”, surge o benefício da figura jurídica “prescrição”, que ajudará Lula a não voltar para a cadeia.

Em entrevista concedida após a partida do presidente, o governador João Azevedo – que foi de Campina Grande a Santa Luzia no helicóptero presidencial – relatou que no percurso, renovou os pleitos da pauta já encaminhada ao presidente, destacando as prioridades do Estado, que dependem de investimentos do para continuar progredindo.

Subliminarmente, sua intenção foi fornecer subsídios para o discurso de Lula, que não aconteceu. O presidente não quis se comprometer com João, assumindo publicamente que o ajudaria, com transferência de recursos Ministeriais, para coroar sua segunda gestão. É chegada a hora do governador encarar a realidade: ele não pertence ao time de Lula. Por mais que force a barra, as portas permanecerão sempre fechadas. Lula na Paraíba (22.03.2023) foi um vexame para João Azevedo, e uma desfeita para bancada da Paraíba no Congresso Nacional, que ainda se compromete em garantir sua “governabilidade”.

O DESENCANTO DE BRUNO

A crônica política que noticia o quotidiano do prefeito de Campina Grande, vem fazendo registros simplórios e as vezes subliminarmente deletérios, sobre seu desempenho – caracterizando como mortiço – no terceiro ano de sua gestão, fato diagnosticado pelos seus opositores em avaliação “qualificada”, como incompetência.

Entretanto, seu comportamento funcional pode ser enxergado sob outro prisma: inapetência, desencanto, desapontamento com os que o cercam – figuras do seu próprio meio (político) – cuja maioria são carreiristas, imediatistas; desleais; defensores de projetos meramente pessoais, afastados do interesse público; insensíveis as nítidas aspirações dos aguerridos e sonhadores habitantes da Rainha da Borborema.

Neste aspecto (no momento) Bruno Cunha Lima pode ser considerado a pessoa certa, no lugar errado. Fazendo uma analogia ao futebol, um “canhoto” – que só chuta com a perna esquerda – escalado para ponta direita. A exigência precípua para personalizar ou configurar uma liderança política – além de um mínimo de vocação – é a capacidade de conquistar simpatizantes para condescender com seus ideais altruístas, inspirados nos anseios da população, que os elegem através do voto, para conduzir seus destinos.

Existem políticos que espontaneamente atraem votos (carismáticos). Outros (de bastidores) com aptidão de criar boas equipes, e alcançar seus objetivos colimados. Os que se transformam em políticos – em função circunstancial ou momentânea – e os herdeiros naturais desta atividade, sequenciadores de um aprendizado doméstico. Isto acontece comumente em famílias de médicos, advogados e engenheiros. Seus descendentes se inspiram nas carreiras de seus avós, pais, tios…

Em Campina Grande testemunhamos ao longo do tempo, todos estes experimentos. Saudoso Edvaldo do Ó foi um grande político sem voto, nem mandato. Tinha uma capacidade ímpar para revelar talentos e valores latentes, apostar nas novas ideias e renovar as elites intelectuais, políticas e econômicas da cidade. Campina sempre grande.

Ex-prefeito Evaldo Cruz – escolha circunstancial – grande técnico de sobeja e inquestionável competência, contava os infindáveis dias para concluir seu mandato, e afastar-se definitivamente da vida pública. Homem manso, poucas palavras, um grande coração que não conseguia expressar seus sentimentos de empatia pelo seu povo.

Enivaldo Ribeiro, de origem completamente adversa do mundo político, tinha vocação nata para se transformar numa grande liderança. Ao lado de Vergniaud Wanderley, foram os dois maiores prefeitos de Campina Grande do século XX. Sua gestão transformou completamente a cidade, equipando-a com estrutura para crescer nas duas ou três décadas subsequente, o que de fato aconteceu.

Poeta Ronaldo Cunha Lima – maior “arrebanhador” de multidões da história da Paraíba – sucedeu Enivaldo. Possuidor de uma retórica hipnotizante e apaixonante, dono de um irresistível fascínio, consolidou a mais longeva oligarquia política de Campina Grande: vinte e dois anos ininterruptos à frente dos destinos da cidade.

Governou o Estado, elegeu seu filho Cássio como seu sucessor na cidade – com quatro mandatos – o pôs no governo e no Senado Federal. Mesmo com a saúde debilitada, reconquistou o espaço perdido por oito anos para os Rêgo.

Bruno Cunha Lima se encaixa no figurino perfeito, exigido para moldar a nova geração de polípticos que alcançarão a metade do século XXI. Todavia, sua postura foi formatada no Legislativo, o oposto da “tranqueira” que representa o Executivo. A regra é “bom executivo, mal legislativos”. E, vice-versa. Resta questionar se o desconforto por estar no Executivo é dele, ou fruto de escolhas equivocada dos que ora compõe sua equipe, e não entregam ao povo resultados satisfatórios.

MURILO GALDINO NA CCJ DA CÂMARA

A Paraíba começa a se posicionar de forma surpreendente no Congresso Nacional, criando espaços e aspirando oportunidades que há décadas o Estado não desfrutava. Os novos tempos, prometem trazer novos ventos, que irão “arejar” a perspectiva de voltarmos a figurar no cenário político nacional – protagonizando momento histórico marcante para o país – sobretudo na atual conjuntura geopolítica da nova ordem econômica mundial, momento que avançamos na trajetória de conquistar em definitivo a posição de principal celeiro do mundo, responsável pela segurança alimentar do planeta.

Deputado Federal Murilo Galdino – eleito no pleito de 2022 – estreou mostrando competência, vencendo o primeiro round da contenda – “acotovelamentos” entre pares – (513 parlamentares), sobressaindo-se com a conquista expressiva de uma das vagas da mais cobiçada Comissão Temática da Câmara dos Deputados, a CCJ-Comissão de Constituição e Justiça. Por lá, obrigatoriamente tramitarão todas as PEC, a nova Âncora Fiscal, Reforma Tributária; demarcação dos limítrofes dos Três Poderes – imbróglio que vem alimentando um amplo debate na sociedade – consignado nas ações da nova Legislatura, já com dezenas de CPIs e até pedidos de impeachment protocolados.

As votações na CCJ, são sempre exaustivamente debatidas e com resultados apertados. Suas decisões (votadas) demandam no envio a Plenário, para ser referendadas, quer seja por maioria simples ou quórum qualificado. Participar ativamente de toda legislação produzida ou revisada nos próximos dois anos, opinar sobre as Medidas Provisórias dos primeiros dias do governo Lula III, é desejo de todos os 513 parlamentares. Murilo Galdino assume responsabilidades além das divisas da Paraíba.

O vice-presidente do Senado – reeleito sem disputa – fato que pode ser considerado como “aclamação”, é Paraibano. Espera-se de Veneziano, estreitamento nas relações com Efraim Filho e Daniela Ribeiro, afinando um discurso em prol da Paraíba. Na Câmara dos deputados, Aguinaldo Ribeiro é Relator da Reforma Tributária, projeto que visa equilibrar as diferenças regionais na distribuição dos impostos arrecadados, com destinação mais justa e equitativa nas cotas destinadas a União, Estados e Municípios.

O líder do Republicanos Hugo Mota, ganhou respeito e admiração do país, ao posicionar-se contra a Emenda do “Fura Teto”, defendendo na tribuna os riscos de o país desacelerar seu crescimento e ancorar na estagnação econômica. Acompanhamos na TV Câmara o seu desempenho na Tribuna – falando de improviso – porém preciso com dados, números e projeções econômicas, demonstrando profundo conhecimento sobre o tema.

O governo vislumbra uma colisão inevitável com o Congresso – bússola que norteará os destinos da nação. Desde 2015, o ex-deputado federal Henrique Eduardo Alves (RN) presidindo a Câmara dos Deputados, oficializou a alforria do Parlamento tornando as emendas impositivas. Acabou definitivamente com o poder de barganha do Palácio do Planalto, que engessava o OGU “contingenciando-a”. A cada votação polêmica, um gesto genuflexo dos parlamentares – sempre de pires nas mãos – curvando-se a arrogância imposta pelos governos de plantão, na esperança de liberar recursos para suas bases.

Existe um símbolo no hieroglifo Chines – com duas interpretações – que visto fora de contexto, ambas podem ser interpretadas como “crise” ou “oportunidade”. Em sua cultura (sabedoria) milenar, todas as crises são parturientes de oportunidades. O momento para o futuro da Paraíba, exige que nossos representantes se unam suprapartidariamente, e enxerguem este instante ímpar, como uma chance imperdível para o desenvolvimento da Paraíba. O altruísmo de nossa bancada – que precisa amadurecer – deve lutar pela união de todos. O resultado é uma vitória da Paraíba e sua gente.

ARTHUR LIRA ARROSTA ALEXANDRE DE MORAIS NA FGV

Desde o período dos governos petistas, a FGV tem avançado (se imiscuindo) em temas complexos, cujo foro de direito é o Congresso Nacional, onde estão os legítimos representantes do povo, democraticamente eleitos pelo voto secreto e livre. Seu comportamento “doutrinário” é algo muito parecido – se não for cópia – com o extinto IPES – Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais, criado e comandado pelo General Golbery do Couto e Silva, cuja função era instituir novas lideranças a partir de 1960, para inibir o crescimento das esquerdas em franca expansão no cone Sul, especialmente no Brasil. Seus efeitos culminaram na Operação Brother Sam, fuga do ex-presidente João Goulart – temendo uma guerra civil no País – início do processo de governos militares.

O Centro de Inovações e Pesquisa do Judiciário – setor criado pela FGV – em parceria com a Rede Globo e apoiado pelo IDP – Centro de Desenvolvimento e Pesquisa, realizaram ontem (13.03.2023) no seu Centro Cultual Seminário sobre “Liberdade de Expressão, Redes Sociais e Democracia (?). Convidados palestrantes: Flávio Dino (Ministro da Justiça), o Delegado Geral da Polícia Federal; Ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes; Desembargador representando o TJ-RJ; Arthur Lira e Rodrigo Pacheco (Congresso Nacional); Diretor de Relações Governamentais do Google no Brasil Marcelo Lacerda; Diretores Jurídicos da Rede Globo; Jornalistas da Folha de São Paulo.

O ministro Alexandre de Morais defendeu a regulamentação e controle das redes sociais, como única alternativa para combater a “Fake News”. Explicitou sua falta de modéstia ao julgar suas próprias ações (inconstitucionais), que sob sua ótica foram imprescindíveis para o “equilíbrio” do pleito de 2022. Sugeriu que as redes sociais devem se comportar e se espelhar na mídia tradicional e profissional ora existente no País.

O ministro jamais esperava o tom do discurso (escrito) de Arthur Lira, falando em nome da Câmara dos Deputados: “os poderes da República precisam encontrar os caminhos do meio para tratar sobre este tema”. Acrescentou que as redes sociais são veículos de liberdade de expressão e da democracia, que não podem ser facilmente restringidas – seja punindo jornalistas ou parlamentares – com um mero clique. Só com equilíbrio, encontraremos a fórmula de preservar os dois direitos”.

Finalizou afirmando ser contra a prisão de jornalistas – sem o devido processo legal – mesmo que seja constatado a Fake News. “Não podemos, e jamais iremos abrir mão das liberdades que nos foram consagradas pela Constituição Federal… As redes sociais são uma expansão na nossa capacidade de nos comunicarmos… Regulamentar pode significar também uma retração na nossa liberdade constitucional de manifestar ideias e opiniões”. Gilmar Mendes: “nem foi a favor, nem contra, muito pelo contrário”.

A partir da posse da nova legislatura em 01.02.2023, o experimentado ministro Gilmar Mendes “subiu no muro”. Especulações apontam o isolamento de Alexandre de Moraes por seus pares, que enxergando seus umbigos temem a PEC que limita o tempo de um Ministro do STF na função, debate que domina nas redes. Estão corretos. Se não mudarem as pedras, criarão limbo. Imaginem Alexandre de Morais no STF até o distante ano de 2043, quando a compulsória o fará trocar a toga pelo pijama!? O Congresso está no seu papel. Legislar em defesa dos direitos da maioria.     

BANCADA AGROPECUARISTA REGULARÁ O GOVERNO

            Cientistas políticos que desfilaram ontem (08/03/2023) nos noticiosos da CNN, mostraram uma realidade existente dentro do Congresso Nacional, que vai além da polarização PT x Bolsonaristas – tira-teima alimentado pelas narrativas produzidas por um batalhão de repórteres que cobrem os acontecimentos do dia – gerando notícias perecíveis, com validade que não se sustentam por mais de quarenta e oito horas.

            O recuo do governo sinalizando ao MST que não está preparado – nem dispõe de meios – para promover a “Reforma Agrária” prometida em 2015, foi um balde de água fria, para aqueles que apostaram no fenômeno da desagregação do campo, como um movimento capaz de aquecer a popularidade de Lula, nos moldes 2003/2010.

            A “esquerda festiva” que se incorporou ao PT, patrocinou o “Carnaval Vermelho” – invasões de terras na Bahia, São Paulo e outros locais isolados – como “balão de ensaio”, para avançarem sobre o Agronegócio, por considerá-lo “Bolsonarista”. Esqueceram que o Agronegócio (hoje) não se limita apenas a plantadores de soja. É toda uma imensa cadeia de produção de grãos, que tem como aliado a gigante Pecuária e a Indústria Brasileira: Celulose, Café, Etanol; Massas; Laticínios; Frigoríficos…

            Esta cadeia produtiva, se tornou na fonte inesgotável de emprego e renda – pagadora de impostos diretos e indiretos – responsável também por grande parte do setor de serviços, transportes; geradora de vultuosas divisas para o país. Foram esquecidos por décadas, levando-os a aprender se “coserem” com suas próprias linhas. Enfrentam um conflito permanente, para se manterem na posse das terras produtivas, desejadas ser ocupada (invadida) por devastadores que não queriam cultivá-las.

            Integrantes do governo Lula, que enxergam o país completamente diferente de 2003/2010, contemporizam a ameaça feita pelo líder da Bancada da Agropecuária na Câmara dos Deputados, sobre a instalação imediata de uma CPI para identificar quem patrocina, orienta e coordena as ações da anarquia no campo. Tremeram nas bases. Cabeças insuspeitas rolariam, com efeitos negativos e crises imprevisíveis.

Não só o Palácio no Planalto, até os veteranos jornalistas da CNN ficaram atônitos quando averiguaram o número de parlamentares que “supra-partidariamente” defendem o setor organizado produtivo, a partir do presidente Arthur Lira: 344 deputados federais e 44 senadores da república. Derruba qualquer governo com um impeachment, não importando o crime que lhes seja imputado.

A Justiça imediatamente já determinou a desocupação dos latifúndios baianos, concedendo reintegração de posse a Cia. Suzano de Papel e Celulose. A área é avaliada em 200 milhões de reais. O Ministério do Desenvolvimento Agrário dispõe no orçamento de 2023, apenas R$ 2,0 milhões, para desapropriações.

Por outro lado, no Pontal do Paranapanema e região de Presidente Prudente (SP), área de domínio da FNL – Frente Nacional de Lutas no Campo e na Cidade – movimento liderado por Zé Rainha – a polícia ao prendê-lo por extorsão, encontrou em vários acampamentos, armas de fogo, Seguranças Armados (?) e toda uma estrutura de mobilidade, ônibus, caminhões, tratores… equipamentos domésticos como freezer, cozinhas, e barracas apropriadas para camping. Ficou explicado a origem do dinheiro: extorquiam os proprietários, sob a ameaça de invasão.

Deixando os “petistas festivos” pendurados no pincel, o governo tirou sua escada e deu ao Agronegócio, anunciando linha de crédito no valor de 30 bilhões de reais – empréstimos com juros subsidiados – para incrementar ainda mais seu crescimento. Com uma retórica governista o PT se reconfigura, distanciando-se do MST e FNL: “Em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”.

A PARAÍBA PODE EMPLACAR O SUCESSOR LEWANDOWSKI NO STF

            Apesar do presidente Lula já ter admitido indicar seu advogado Cristiano Zanin, para suceder o Ministro Ricardo Lewandowski (STF) que se aposenta compulsoriamente ao completar 75 anos em 11/05/2023, existe uma trincheira dentro do Senado Federal armada para desaprova-lo na sabatina. O Fato causaria – além de “vexame” um estrago desmoralizante imposto a Lula, sem precedentes na história da República.

            Cristiano Zanin “pavimentou” os caminhos de sua ambição, com apoio dos Ministros Luís Roberto Barroso, Edson Fachin e Lewandowski. Mas, mesmo sendo indicado, a última palavra é do Plenário do Senado. Na visão de um, dos 81 assentos, Lula teria que gastar metade da PEC do “fura teto” para cominar seu capricho.

Aproveitando a provável desistência de Zanin, o Ministro da Justiça Flávio Dino tenta alavancar seu nome, ou do seu irmão Nicolao Dino, que foi subprocurador Geral da República de Rodrigo Janot. Figurou na lista como primeiro, para suceder Janot, entretanto, o ex-presidente Michel Temer quebrou a regra e preferiu Raquel Dodge.

O STJ sugeriu – nos bastidores – defender o nome de sua ex-presidente Laurita Vaz, como forma de homenageá-la e avultar a importância daquela Corte de Justiça, que desde a gestão petista, não consegue comemorar a indicação de nenhum de seus membros para o STF. Na visão dos meios jurídicos/acadêmicos, a lógica seria que todo Ministro do STF, tivesse passagem pelo STJ. Argumento válido e bem fundamentado: Ministros do STJ são Juízes de carreira. A maioria passa antes pelos TRF – Tribunais Regionais Federais. Mas, Laurita Vaz tem 74 anos. Passaria apenas um ano na Suprema Corte?

Existe um consenso no novo Senado, empossado em fevereiro último, de minimizar o ativismo político da Suprema Corte, sobretudo seus exageros partidários ideológicos. Sem alardes, correndo por fora, adotando uma postura prudente e discreta, existe um trabalho para indicação do vice-presidente do TCU, Ministro Vital Filho.

É advogado, foi Senador da República e tem relevantes serviços prestados ao PT, como “homem missão”. Enterrou a CPI de Carlinhos Cachoeira – livrando Dirceu e Lula de uma tragédia anunciada – cumpriu sua tarefa na CPI da Petrobras, e disputou em 2014 a eleição para o governo do Estado da Paraíba, com o objetivo de levar o pleito para o segundo turno. Obteve 110 mil votos, que foram integralmente transferidos no segundo turno para Ricardo Coutinho. Cássio foi o mais votado no primeiro turno. Ricardo reeleito, derrotou o então imbatível Cássio Cunha Lima.

O desgaste da empreitada foi cobrado, e a conta foi reconhecida pela então presidente Dilma. Com apoio de Lula, indicam-no para o TCU. Vital Filho exibe uma trajetória de acertos na vida pública: ganha até quando perde. Tem um bom trânsito no Congresso, elegeu (2018) seu irmão Veneziano Vital do Rêgo a vice-presidência da Casa, mesmo enfrentando a adversidade de ser oposição a Bolsonaro.

A atuação de Veneziano tem surpreendido até seu irmão. É cortês e afável, admirado pelos seus pares, querido pela presidente do PT Gleisi Hoffmann. Continuaria vice-presidente (reeleito) em quaisquer circunstâncias. A chapa de Rogério Marinho, não tinha escolhido um vice previamente. Na segunda sessão, para eleger o vice, e Mesa Diretora, o PL não apresentou candidato. Foi votado por todos.

O plano é perfeito. A renúncia de Vital Filho para assumir o STF, abre uma vaga no TCU, que será a vez do Senado indicar um candidato. O resultado do pleito para o governo do Estado (2022), deixou Veneziano combalido por não ter alcançado o segundo turno, mesmo como candidato de Lula, do PT e MDB. Em fevereiro último, a Câmara fez sua indicação para o TCU, agora será o Senado Federal. Veneziano Vital do Rêgo seria o indicado pelo presidente Rodrigo Pacheco, MDB, PT e toda base de apoio do governo.

O STF é herdeiro da Instituição mais antiga do país, criada em 1808 com a chegada da Casa Real ao Brasil. D. João VI designou como “Casa da Suplicação do Brasil”. Em seus 215 anos de existência, a Paraíba teve apenas três membros na Suprema Corte: Epitácio Pessoa, Oswaldo Trigueiro de Albuquerque Melo e Luiz Rafael Mayer. Por mais ousada que pareça a tentativa, é bom não duvidar. Ney Suassuna ficará feliz em retornar ao Senado, com mais quatro anos de mandato.

CONGRESSO X POVO

            A instalação da CPMI que investigará os atos de vandalismos ocorridos no dia 08.01.2023, será a primeira prova de fogo para a nova Legislatura instalada no último dia 02.02.023. A renovação na Câmara dos Deputados, fruto das eleições de 2022, alcançou 39% dos 513 deputados eleitos em 2018, ano que ocorreu a maior reforma – via voto popular – na história do parlamento brasileiro: 47% de suas cadeiras foram ocupadas por “inexpertos” figurantes desconhecidos no cenário político nacional.

As redes sociais, desde 2016, vêm protagonizando a grande discussão política, usando a “rotulação” como bússola, orientando aqueles que não entendiam o que era direita nem esquerda, a se posicionarem no amplo debate e assumirem posições. Este movimento espontâneo de conscientização do povo – impedindo a permanência do “status quo” da perversa manipulação das massas – ainda é considerado pela crônica política da velha mídia “ensaboada”, como “radicalismo”.

            A partir de 2018, surgiu a “Direita Conservadora”, estruturada nos sentimentos patrióticos e alicerçados nas Igrejas Cristãs (Católicas, Pentecostais e Neopentecostais). O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking dos maiores países Cristãos do mundo, com 90,2% de sua população ou 175,7 milhões de pessoas batizadas no Cristianismo. Perde apenas para os Estados Unidos, que tem 246 milhões. É um admirável contingente, que jamais aceitará as pautas das esquerdas, imposta pelas minorias, que ostentam questões sensíveis (privadas e/ou pessoais) como a “diversidade identitária”, por exemplo, o movimento doutrinário do LGBTQI+ e a linguagem neutra do “tudes”.

            Com apenas 130 deputados federais, acrescidos de mais 80, que se consideram “centro” – apoiaram o PT no segundo turno – o governo fica sem retaguarda para a longa guerra de quatro anos que se inicia agora. As esquerdas formaram a menor bancada desde 2022. O misterioso quadro de saúde de Zé Dirceu, levou Gleisi Hoffmann a assumir o papel de Chanceler, “Cahncelera” ou “Chancelarina” do PT e seus aliados comuns, com discurso instituindo o “patrulhamento ideológico”, deixando o governo de calças curtas. Critica Fernando Haddad, Simone Tebet, Diretoria da Petrobras e exigência (ontem) do imediato afastamento do Ministro das Comunicações, por ter usado indevidamente uma aeronave da FAB para participar de um leilão de cavalos em São Paulo.

            Neste ínterim, Zeca Dirceu – líder do governo – avançou na Câmara e “convenceu” dois deputados federais a retirarem suas assinaturas para a instalação da CPMI. O Jornalista Caio Junqueira da CNN, “plantado” no Palácio do Planalto, se mostrou na última sexta-feira (03.03.2023) pessimista quanto às possibilidades do governo impedir que o processo avance. Foi enfático – mesmo de modo desajeitado – admitindo existência de algo de errado, que à luz de uma ampla investigação como uma CPI, alguns fatos podem respingar no presidente Lula.

Seus companheiros de bancada, no “WW com William Waack”, pela primeira vez abordaram o tema, que há 40 dias está nas redes sociais. Citaram o provável comprometimento do Ministério da Justiça, ABIN, GSI que foram notificados 48 horas antes do dia dos transtornos. Por outro lado, Lula impõe sigilo sobre a divulgação das imagens do circuito interno de câmeras instaladas no Palácio do Planalto.

O que veremos nas próximas semanas, é quem vai ocupar o espaço na mídia e redes sociais. Arthur Lira ou Lula? Lira, se olhar no retrovisor, distinguirá o “travento” destino de Rodrigo Maia, quando se posicionou contra o povo, chamando as manifestações de “domingueiras”. Mudou de cidade (Rio) ficou impossibilitado de andar nas ruas, não teve sequer a coragem de registrar sua candidatura a deputado federal. As chuvas e enchentes de março fechará este verão?

STF ATIRANDO PARA TODOS OS LADOS

Uma “Torre de Babel”. De repente, os ministros do STF começaram a falar em línguas diferentes, deixaram de se entenderem e decisões esdruxulas são tomadas a toque de caixa, aumentando ainda mais a insegurança jurídica das instituições.

Neste entremeio, na corte petista o clima de desentendimento entre ministros – cuja miopia não consegue enxergar que o mundo mudou desde 2010 evoluindo a partir de transformações profundas na macroeconômica globalizada – impede que o governo avance com suas promessas de campanha, alicerçadas em programas sociais retrógrados, vivos e presentes apenas no pequeno núcleo sectário do PT, e seu líder Lula. Flávio Dino, Gleisi Hoffmann querem medidas “distributivas”, na esperança de ressuscitar o Lula de 2003.

O ministro da Economia Fernando Haddad não mudou absolutamente nada da política implementada por Paulo Guedes no governo Bolsonaro. Pelo contrário, demonstra uma avidez colossal por arrecadação de tributos, se antecipando ao previsível fiasco do “Arcabouço Fiscal” que prometeu ao mercado, carta que não tem sob a manga. Não há registros de milagres em economia. Como bem salientou o ex-presidente norte-americano Ronald Reagan “no serviço público não existem gênios, estão todos na iniciativa privada”.

Corroborando com todo este quadro de caos, o STF ainda despreza a existência de um Congresso forte, ignorando a realidade do País desde o governo Bolsonaro, quando implantou um regime semipresidencialista de fato. Atacaram o Parlamento – numa manobra conjunta com o PT – derrubaram a Emenda do Relator (20.12.2022).

O poder de Artur Lira estreitou o corporativismo da Casa. Em apenas dois dias, votaram uma PEC e restauraram parte do “tesouro” que seria saqueado pelo Governo Federal. A confiança na Suprema Corte a esta altura é definitivamente “cristal quebrado”. Desde o acordo (descumprido) para manter a prisão de Daniel Silveira, com a promessa de liberá-lo oito dias depois, não se leva mais a sério o que a Suprema Corte promete. Silveira passou dez meses encarcerado. Retornou após o fim do seu mandato para o presídio, e até hoje tem todos os seus bens e contas bancárias bloqueados.

Ontem (27/02/2023) o ministro Alexandre de Morais decidiu que todos os militares suspeitos, denunciados ou envolvidos nos atos de 08/01/2023, serão julgados pelo STF, atropelando o STM. Anunciou também que levará a julgamento pelo STF mais de mil manifestantes presos, fato que será registrado no Guinness como o maior julgamento da história, superando o Tribunal de Nuremberg que julgou entre novembro de 1945 e outubro de 1946, 185 pessoas: políticos, militares, civis e colaboradores com o regime Nazista.

Paradoxalmente, todos os processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro estão sendo encaminhados para a primeira instância, pela perda do foro privilegiado. Todavia, nenhum dos presos em 08.01.2023 têm foro privilegiado. O STF mais uma vez está atropelando a Constituição? A PGR pediu em 24.02.2023 a libertação de 700 dos mais de 800 manifestantes que continuam presos na Papuda, e em outros locais em Brasília.

Ignorando completamente o pedido de instalação de uma CPMI no Congresso, sobre os atos de 08.01.2023, a velha mídia – segurada pela promessa de empréstimos emergenciais via BNDES – sequer noticiou a mudança repentina do ministro Gilmar Mendes, que aparenta ter se distanciado de seus pares.

Atendendo um pedido da senadora Soraya Thronicke, que colheu 36 assinaturas no dia 10.01.2023 para instalar uma CPI sobre os eventos do fatídico 08.01.2023, expediu ofício dando o prazo de 10 dias para o senador Rodrigo Pacheco se explicar sobre tal negligência.

A LUTA PELA CPI DA VERDADE

O jovem deputado federal André Fernandes de Moura (PL-CE) – campeão de votos no seu Estado no pleito de 2022 – ganhou destaque nas redes sociais no último final de semana (24 e 25/02/2023) quando postou as assinaturas de 32 senadores, seguidos por 172 pares da Câmara dos Deputados, números suficientes de signatários para instalação da CPMI que investigará os atos de vandalismos ocorridos no dia 08.01.2023.

O Palácio do Planalto tenta abortar a ideia, com uso e apoio da velha mídia profissional, que silencia sobre o movimento dos parlamentares por recomendação do governo. A gravidade da CPMI e seus desdobramentos estão respaldadas nas denúncias preliminares feitas pelo Senador Marcos do Val, sobre o inteiro conhecimento do Ministro da Justiça Flávio Dino e do presidente Lula, informados pela ABIN e GSI com antecedência de 48 horas que ocorreria uma “quebradeira” planejada por sabotadores (pagos) já infiltrados no acampamento dos “Patriotas” em frente ao Quartel do Exército em Brasília.

Um farto material com vídeos – armazenado nas câmeras de segurança do Congresso – Palácio do Planalto e STF, estão na PF, que tem áudios de monitoramento do grupo de marginais registrando que desde as 14:30, quando já estavam dentro das sedes dos três poderes, aguardando a chegada da marcha dos manifestantes em deslocamento do setor Militar, até a esplanada dos Ministérios. Chegaram as 16:30. Tudo já estava destruído.

A expectativa da população é sobre sua instalação. Deputado André Fernandes aponta o artigo 21 do Regimento do Congresso Nacional, que determina: “uma vez requerida por 1/3 das duas Casas Legislativas, CPI tem instalação automática”. O grande obstáculo, não enxergado pelo corajoso parlamentar, são as Comissões Temáticas, cujos membros ainda não foram escolhidos. A CCJ, por exemplo, está sendo exigida pelo PT, que votou na eleição de Arthur Lira. Inevitavelmente este pedido de CPI passa pela CCJ. Arthur Lira pautou esta discussão para iniciar-se a partir de hoje (27.02.2023).

Para os céticos imediatistas, as CPI terminam sempre em pizza. Não é bem assim. Lula viveu os efeitos da CPI do “mensalão” e dos “bingos”. Quase foi arrastado por elas. Se não fosse a interferência de Sarney, teria sido derrubado por um impeachment. Na época, a oposição do Senado levou muito tempo para se mobilizar.

O líder do DEM, José Agripino Maia, defendia a tese que Lula teria que “sangrar”. ACM concordou, afinal, já tinha caído Zé Dirceu, o Superministro da Casa Civil, José Genoíno – ícone da legenda – ,João Paulo presidente da Câmara eleito com 334 votos, marca só superada agora por Arthur Lira; Pedro Cordeiro e outras “vacas sagradas” do “lulapetismo”.

O erro foi aguardarem o resultado da CPI dos Bingos e de Carlinhos Cachoeira, Valdomiro e todo o crime organizado do Rio de Janeiro. Márcio Tomaz Bastos teve que renunciar o Ministério da Justiça, para advogar no Senado um constituinte contraventor – Carlinhos Cachoeira – que ameaçava derrubar a República. Antônio Palocci, ministro da Economia, renunciou. Mas, a Globo negociou com Sarney a escalação de Franklin Martins para comandar a SECOM – Secretaria de Comunicação do Governo Federal – distribuidora de bilhões de reais em verbas publicitárias, para tirar da pauta do jornalismo o escândalo que sacudiu a Nação. Lula escapou com uma só versão: ‘não vi, não sei, nem ouvi’.

Orientado por Sarney, criou interlocução com a “cumpanheirada”, para numa entrevista, assumindo “mea-culpa” por ter escolhido e confiado em tantos – sem citar nomes – que traíram sua confiança. A grande mídia com cofres abarrotados encerrou o assunto criando roteiro para Lula. Viagens internacionais, política externa, extrapolar o Bolsa Renda, “Minha casa Minha Vida”; FIES…Limpando sua imagem, e com ajuda das velhas urnas eletrônicas, reelegendo-o em 2006. A diferença de 2003 para 2023, foi o tempo de “lua de mel” petista desfrutado ao lado da população. Assumiu em 2003 e o mensalão estourou em 2005. Agora em 2023, a CPI pode alcançá-lo em 90 dias de gestão.

REFORMA TAMPÃO E INOPORTUNA (parte III) RASGANDO A CONSTITUIÇÃO

Relatamos nas postagens anteriores a percepção de ACM sobre o avanço sem controle das Cortes Superiores de Justiça, atropelando o Parlamento Brasileiro e se imiscuindo nas prerrogativas constitucionais do Poder Executivo. Com sua partida, não surgiu um sucessor para dar continuidade à causa. A Câmara dos Deputados aprovou em julho de 2015 PLC 75/2015 que deu origem a lei 13.165/2015 estabelecendo a obrigatoriedade do voto impresso.

A comissão da Reforma Política trombou com uma celeuma no Senado, que em princípio atendeu recomendações dos técnicos do TSE, alegando que imprimir votos custaria muito caro. Aécio Neves – derrotado pelo sistema do voto eletrônico – não engoliu. Levou o projeto aprovado pela Câmara dos Deputados ao plenário do Senado e aprovou de imediato o voto impresso, para ser implantado nas eleições municipais de 2016.

Dilma Rousseff, ainda Presidente e suposta beneficiada pela urna eletrônica vetou, alegando que custaria 1,8 bilhões a impressão do voto. O veto foi derrubado somente em dezembro do mesmo ano (2015), em votação plenária com apoio de 368 deputados e 56 senadores. Entretanto, como a Constituição exige um ano de antecedência para Leis Eleitorais entrarem em vigor – a derrubada do veto foi em dezembro após 03 de outubro – eleições de 2016 não teriam o voto impresso. Mas, definitivamente, no pleito de 2018 as urnas poderiam ter recontagem e serem auditadas.

A decisão extemporânea da PGR Raquel Dodge em 2018, que entrou com uma ação no STF pedindo liminarmente a suspensão do voto impresso, é um mistério que ninguém até hoje conseguiu desvendar. Raquel Dodge alegou que o voto dos deficientes visuais poderia ser manipulado. E antes? Por que nunca foi? Mesmo antes das urnas eletrônicas? A liminar foi concedida por Gilmar Mendes. Somente as urnas eletrônicas conseguiriam levar Fernando Haddad para um segundo turno.

Após as eleições, com vitória de Jair Bolsonaro, os recados foram dados. Primeiro o de Zé Dirceu: “perdemos uma eleição, mas, vamos tomar o Poder”. O segundo, da Ministra Rosa Weber, na ocasião da diplomação de Bolsonaro presenteando-lhes com uma cópia da Constituição, passando uma mensagem “subliminar” que o Poder pertencia ao STF, mesmo não sendo eleito. Veio a entrevista do ex-presidente do STF/TSE Carlos Ayres de Brito: “a lei está acima de todos. Mas, acima da Lei, está a Suprema Corte” (?).

O atropelo “inconstitucional” do STF impedindo a execução de uma Lei aprovada pelo Congresso Nacional – voto impresso – retornou ao debate em 2019, com uma forte movimentação que chegou a colher assinaturas para uma CPI denominada “Lava-Toga”. Duas ou três assinaturas foram retiradas, impedindo sua instalação. Um dos líderes deste movimento era o senador Randolph Rodrigues, na busca de vingança pela prisão de Lula.

Passado o susto da CPI, o STF em 15/09/2020 julgou em plenário a ação de Raquel Dodge. Com o placar de 8×2, ficou proibido a implantação do voto impresso. Indignados, os congressistas não aceitaram a decisão. A deputada federal Bia Kicis, já prevendo que o STF iria por abaixo a minirreforma eleitoral do voto impresso, se antecipou e colheu assinaturas para a PEC 135/19, explicitando que o voto após ser registrado na urna eletrônica, seria impresso e depositado numa outra urna, anexa a máquina eletrônica.

Arthur Lira acabara de assumir a presidência da Câmara dos Deputados. Criou uma “Comissão Especial” para analisar a PEC de Bia Kicis, atropelando a CCJ que já havia aprovado o texto. Ministro Luís Roberto Barroso – Presidindo o TSE – cruzou a praça dos Três Poderes, foi à presidência da Câmara e se reuniu com Lira, mais 16 líderes de outros partidos. Lira tinha alguns processos no STF, acusado por improbidade administrativa. Trocaram a maioria dos membros da “Comissão Especial”, pondo seus suplentes. A “Comissão Especial” rejeitou a PEC de Bia Kicis. Mesmo assim, por “desencargo de consciência” e jogando para a platéia, Lira levou a votação a plenário. Ricardo Barros e inúmeros deputados pediram regimentalmente que a votação fosse adiada. Pleito negado. Em plenário o resultado foi 229 favoráveis ao voto impresso, e 218 contrários. Para a PEC ser aprovada eram necessários 308 votos.

Após a votação, Lira disse que “cumpriu com seu dever”. Nos corredores do Congresso, o ministro Barroso descuidou-se: “eleição não se ganha, se toma”. Ano passado (2022) em Nova York, ao responder a um brasileiro, arrematou: “perdeu mané, não amola”. Nada de Reforma Tributária. Sem a Reforma do Judiciário e a Eleitoral, a fraude fica definitivamente institucionalizada.

REFORMA TAMPÃO E INOPORTUNA (parte II)

Após desconfiança de fraude ocorrida na reeleição de Dilma Rousseff em 2014, o Congresso Nacional percebeu tardiamente os legítimos motivos da última batalha do saudoso ACM – senador Baiano Antônio Carlos Magalhães(DEM-BA) – falecido em meio ao combate que travava no Senado (2007) pela Reforma do Judiciário. Em 2015, a Câmara dos Deputados aprovou o voto impresso, com vistas às eleições de 2016.

Na concepção do senador ACM, a democracia brasileira não poderia ser dessemelhante das demais do Ocidente. O Brasil teria uma “Justiça Única”, extinguindo o TSE, TST, STM e os TRF. Restariam duas Cortes Superiores de Justiça: STJ como última instância – atendendo exigências da Constituição Cidadã de 1988 – e STF, para discutir exclusivamente “Constitucionalidade” de litígios provenientes da evolução, mudanças dos costumes, enquadrá-los em um dos 360 artigos da Carta Magna, a maior do planeta.

ACM que havia apoiado Lula em 2002, após o escândalo do “mensalão” (2005) viu a morosidade processual da PGR e STF para julgar – fatores que contribuíram para a reeleição de 2006 – e desvendou a existência de um projeto de poder do PT, através do aparelhamento do Judiciário. Ministros escolhidos desde 2003, todos tinham uma ligação lírica com “histórico” de militância na sigla comandada por Zé Dirceu e Lula.

Ano vindouro (2024) o calendário eleitoral confirma eleições municipais para prefeitos e vereadores. Depois de tudo que ocorreu em 2022 o povo e futuros candidatos terão dúvidas sobre o resultado legítimo do pleito. Como determina a Constituição, alterações na legislação eleitoral e tributária (criação de impostos), exige-se antecedência de um ano para entrar em vigor.

A prudência recomenda que o Congresso vote e aprove até 03/10/2023 pelo menos o voto impresso, que assegure a recontagem em casos de dúvidas flagrantes. Esta seria a urgência do Parlamento para 2023. Salvar a credibilidade da democracia, que não se resignou diante das decisões estapafúrdias do STF/TSE antes, durante e depois dos dois turnos de 2022. Reforma tributária? É um amplo debate entre o setor produtivo, envolvendo Estados e Municípios mexendo com o Pacto Federativo.

A grande mídia, que continua tendenciosa, não aborda o tema eleitoral. Destacam apenas a Reforma Tributária. Fez campanha e ainda defende a segurança das urnas eletrônicas. O argumento pífio que Bolsonaro foi eleito por estas mesmas (2018) cai por terra quando se depara com as circunstâncias em que se encontravam Zé Dirceu e Lula. O primeiro, em prisão domiciliar, com Tornozeleira Eletrônica. O segundo, encarcerado na PF em Curitiba, onde passou 580 dias.

Dirceu foi preso em 2013, ao lado de outros 24 condenados no mensalão. Em 2014, ficou em prisão domiciliar. No final de 2015, caiu na 17ª fase da Lava-jato, operação “pixuleco”. No presídio de Pinhais, região metropolitana de Curitiba, recebeu duas condenações do então Juiz Sérgio Moro que totalizaram 32 anos de cadeia. Neste interregno (2016) foi indultado pelas condenações do mensalão.

Em março de 2017, um pedido de Habeas Corpus foi julgado na segunda turma do STF e pôs o “Chefão” petista em prisão domiciliar. A decisão era precária, poderia ser revista a qualquer hora e revogada. Corria o risco de retornar ao presídio. No julgamento, o Ministro Relator Edson Fachin negou sua liberdade qualificando sua periculosidade: “ousadia e desprezo pela persecução criminal”. O Ministro Celso de Mello o acompanhou. Mas, seu ex-advogado Ministro Dias Toffoli, foi contra, seguido por Ricardo Lewandowski. Gilmar Mendes, votou pelo desempate em favor de Zé Dirceu.

Nas eleições de 2018, além da tornozeleira Dirceu estava sendo monitorado pela PF e cumprindo uma série de restrições impostas por Sérgio Moro. O TRF-4 não havia julgado sua apelação, nem confirmado a sentença de Moro, justificativa do Habeas Corpus. Bolsonaro eleito, briga pela Reforma da Previdência, TRF/RS confirma sentença de Sérgio Moro, reduzindo a pena para 22 anos e 08 meses. Dirceu em liberdade apelou para o STJ, que em 19/04/ 2022 confirmou a sentença do TRF-4, reduzindo em 07 meses. Nova apelação: STF. O processo está nas mãos do Ministro André Mendonça. Na próxima postagem, cronologia dos fatos, avanço do STF e volta do Comandante Dirceu.

REFORMA TAMPÃO E INOPORTUNA (parte I)

O novo governo instalado há 45 dias, que nunca esteve preparado para assumir os destinos do País – vindo de uma campanha vazia de propostas – enxergou na Reforma Tributária a única saída do labirinto que se encontra perdido. Antes de assumir, botou o carro na frente dos bois – PEC da Transição – criando um déficit de 230 bilhões, na promessa de cobrir com arrecadação no exercício fiscal de 2023. Impossível.

As principais reformas que levariam o País à pacificação e resgataria o prestígio das instituições seriam a Eleitoral e a do Judiciário. Todas as crises que o País atravessou nos últimos 30 anos o principal protagonista foi o STF/TSE. Iniciou-se com o impeachment de Collor – renunciou 72 horas antes da sessão plenária que o condenou –, a ação perdeu seu objeto com a abdicação. Mas, o objetivo era garantir sua inelegibilidade por oito anos. O STF concordou.

Em seguida (2006), a cassação de uma enxurrada de governadores – eleitos ou reeleitos em 2002 – para atender caprichos de Sarney e tirar Jackson Lago, para por sua filha derrotada Roseane. Os vices foram impedidos de assumir sob alegação de litisconsorte. O STF atropelou o TSE e salvou só Luís Henrique, estrela de quinta grandeza do PMDB. Anulou o processo porque o vice não foi citado.

Em 2014, o PSDB não aceitou o resultado das urnas eletrônicas que reelegeram Dilma Rousseff. Entrou com pedido de recontagem dos votos ou auditoria das urnas, rogação recusada pelo TSE alegando que não dispunha de meios para atender a demanda. Era impossível recontar votos das urnas eletrônicas(?). Dentre as petições para impugnar o pleito, uma foi sobre abuso do poder político e econômico. Gilmar Mendes aconselhou não arquivar o processo, mesmo com pedido do MPE. E quando Michel Temer assumiu, ele tirou o processo da prateleira e levou a julgamento. Michel Temer só concluiu seu mandato graças ao voto de desempate do próprio Gilmar.

Com o estouro (acidentalmente) da operação Lava-jato, STF/TSE “mergulharam”. No decorrer das investigações, delações e prisões, o STF – com exceção de Lewandowski e Dias Toffoli – se posicionou a favor do combate ostensivo à corrupção, e como bem frisou o ministro Luís Roberto Barroso “as devoluções milionárias, até de gerentes, provava corrupção sistêmica do PT”. Gilmar Mendes foi mais fundo: “O PT terá dinheiro para disputar as eleições presidenciais até 2038”.

O atual titular da AGU – Advocacia Geral da União foi a pessoa escolhida por Dilma Rousseff para levar até Lula um ato nomeando-o Chefe da Casa Civil, caso a PF o pegasse antes da publicação e sua chegada a Brasília para ser empossado. Áudio “vazado”, imediatamente Gilmar Mendes proibiu Dilma Rousseff de empossar Lula, ou nomeá-lo para qualquer cargo com Foro Privilegiado. Um absurdo! Esta foi a primeira intromissão fraudulenta do STF, que rasgou a Constituição e se posicionou acima da Lei.

O PT foi reconhecido pelo STF/STJ como uma ORCRIM. A Direita se organizando, vibrou com a decisão de Gilmar Mendes, sem atentar para o fato que um dia poderia ser vítima do mesmo abuso. Aquele foi o momento do Congresso intervir. Mas, todos estavam acuados e assistiram passivamente à prisão do Senador Delcídio do Amaral, ignorando sua prerrogativa de foro, sem pedir autorização ao Congresso.

Renan Calheiros presidia o Senado. Reuniu as principais lideranças partidárias da Casa e foi enfático: “se deixar isto acontecer os togados tomarão o Poder”. Foi voto vencido. Quando deixou a prisão temporária, às vésperas da instalação do processo de impeachment de Dilma, Renan exigiu que o Senado cassasse o mandato de Delcídio. Era desmoralizante a presença de um delator, votando no impeachment. Delcídio foi cassado numa única sessão, atropelando o debate do Conselho de Ética e da CCJ.

Aprovado o impeachment, processo presidido pelo ministro Ricardo Lewandowski, eis que rasgaram a Constituição mais uma vez. A Lei deixaria Dilma inelegível por oito anos. Por exigência de Lewandowski, ela continuou elegível (?). Em meio à bagunça instalada, o ministro Marco Aurélio de Melo, tentando salvar o STF, julgou uma ação – dez dias antes de terminar o período de Renan na presidência do Senado – determinando seu afastamento. Renan não cumpriu.

Com os superpoderes do Judiciário, e a cada eleição novas regras, o País passou a ser a única democracia do mundo governada por quem não é eleito pelo voto direto, secreto e universal. Só a Reforma do Judiciário e Eleitoral restabelecerá a ordem e a interdependência dos Poderes Constituídos. A Tributária? É mais uma “Cortina Fumaça”.      

CRISTÃO NOVO

Texto publicado no portal MaisPB em 09/02/2023 (espaço Opinião) sugere o desprestígio da Paraíba – subentende-se governador João Azevedo – que não foi consultado durante todo o período pós campanha para indicar um titular dos trinta e sete Ministérios que compõem o governo Lula. Destaca o redator que mesmo tendo sido derrotado em 2018 na Paraíba, Bolsonaro entregou o Ministério da Saúde, segundo maior orçamento da União, ao desconhecido Marcelo Queiroga. E identificou a competência de Sérgio Queiroz, presente em sua gestão a partir da equipe de transição.

Bolsonaro estruturou sua equipe usando o critério da “Meritocracia”, sem observar o passado dos escolhidos, como por exemplo Tarcísio de Freitas, que não esconde sua gratidão pela oportunidade que lhes foi dada para comandar o gigante Ministério dos Transportes. Entrou no serviço público em 2011 – governo Dilma Rousseff na CGU (reeleita em 2014) – e permaneceu na função. Após o impeachment, Michel Temer o nomeou provisoriamente para o DNIT. Bolsonaro eleito o transformou em Ministro. O indicou e apoiou para disputar o governo de São Paulo. Com sua vitória, comandará os destinos do maior Estado do Brasil, responsável por 1/3 do PIB da Nação.

João Azevedo mergulhou fundo (2022) no projeto “Lula Presidente”, pondo em risco sua reeleição. Foi destratado duas vezes, mas manteve-se fiel à posição que havia tomado. Lula gravou vídeos pedindo votos para Veneziano, não dando a mínima para a reação do governador. No segundo turno, num outro vídeo ao lado de João, se limitou em falar “agora é com João” … Norteado pela vaidade exacerbada, Lula considerava que os votos da Paraíba já eram seus e não dependia de João Azevedo. Ademais, tinha ao seu lado Ricardo Coutinho, Veneziano Vital do Rêgo, a mãe (Nilda) também Senadora, Luíz Couto e os Ribeiros (Daniela e Aguinaldo). Com três senadores da República, o padrinho político de João Azevedo e seu histórico de vitórias no Estado era o suficiente.

Após sua diplomação, Lula começou a montar um quadro de auxiliares (políticos) privilegiando o “campo majoritário PT”, com Ministérios que abocanharam 80% do Orçamento. Na titularidade destes cargos seus “mais chegados”, conscientes de seus papéis figurativos: “poder de caneta” é exclusivamente do Presidente. As demais legendas (esquerdas) e os aliados do momento para garantir a governabilidade se contentaram com pastas dispondo de recursos só pagar a folha e suas mobilidades.

João Azevedo tem tudo para se superar em sua segunda gestão, sem necessitar de gestos genuflexos a Lula. Como destacou nos debates da campanha, a Paraíba é avaliada pelas Agências de Classificação de Riscos, com o conceito AA +. Talvez seja o único Estado do Nordeste nesta posição, com crédito para levantar 1 bilhão de dólares para investimentos, juros baixos e pagamento em longo prazo.

Hoje, Lula depende mais de Veneziano na vice-presidência do Senado – calcanhar de Aquiles do seu governo – do que do apoio de um governador. Além de Veneziano, Lula conta com o prestígio e influência do seu irmão, Ministro do TCU Vital Filho, o “homem missão do PT”, que enterrou a CPI de Carlinhos Cachoeira e a da Petrobrás.

Recursos extras destinados para a Paraíba? Muito difícil. Terá que passar pelo crivo de Veneziano, Ricardo Coutinho e Luíz Couto. Os dois últimos, decanos da legenda na Paraíba, comandam o “Santo Ofício” da sigla. João era e é do PSB, Cristão Novo*.

BLOGUEIRO DO SISTEMA PARAÍBA DE COMUNICAÇÃO ATACA BUEGA GADELHA COM DENÚNCIAS PRECÁRIAS

            No Jornalismo é necessário se observar a existência de uma linha muito tênue, que separa a informação da manipulação. A bateria de denúncias que o Sistema Paraíba de comunicação vem divulgando contra a FIEP – processo de desconstrução – nos últimos meses, cujo alvo principal é o presidente Buega Gadelha, sugere uma obsessão compulsiva – infectada pelo capricho e vaidade pessoal – no intento de impedir a reeleição da atual diretoria da entidade.

 Litigando de má fé, a chapa da oposição – contando com apoio midiático do Sistema Paraíba – conseguiu adiar o pleito por diversas vezes, sempre com uma liminar concedida pela Justiça do Trabalho. Agora, com a data da eleição marcada para o próximo 14/02/2023, desceram o nível e quebraram as regras da disputa sadia e civilizada, batendo abaixo da linha de cintura. Quem não sabe perder, não sabe vencer.

Usando como “elemento surpresa” uma investigação realizada em 2020, aproveitaram-se do blogueiro João Paulo, o “fantasiaram” de repórter investigativo, levando-o “carnavalescamente” a postar matéria com propósito explicito de denigrir a imagem e honra de Francisco de Assis Benevides Gadelha e Marcone Tarradt Rocha, acusando-os de praticarem corrupção, através de recebimento de propinas. O blogueiro deve desconhecer por completo a história de vida dos dois cidadãos, que está perversamente vitimando, sem provas cabais que macule suas condutas ilibadas

Vamos aos fatos. João Paulo postou no Jornal da Paraíba a existência de uma investigação da Polícia Federal, batizada de “Operação Cifrão”, realizada em 2020 e que apenas “há semanas atrás” foi concluída (?). Não diz a data, não cita o nome do Delegado que comandou a operação; se existe inquérito instaurado; quando ouviram testemunhas; se houve delações…Pelo visto, sequer existe processo! O Ministério Público Federal já os denunciou? O Juiz acatou? mandou processar? Tudo blefe de uma narrativa ensaboada, na tentativa de deixar escorregadio os membros votantes que compõem a chapa da situação. E se ainda existe tal investigação, correr em segredo de Justiça? Vazamento de conteúdo, enseja o seu arquivamento.

Por outro lado, o blogueiro deveria conhecer um pouco da Lei, que pune a desinformação. Na mesma Constituição que confere o direito de liberdade de expressão e opinião, tem um artigo que preserva a “presunção de inocência”. Só deve-se atribuir a um cidadão responsabilidade de um crime, se o mesmo tiver seu processo com trânsito julgado em última instância. Mesmo com condenações na primeira e segunda instância, ele ainda é considerado suspeito. Qual o crime que Buega e Marcone praticaram? Foram pelo menos acusados?

Toda ação corresponde a uma reação igual ou contrária. Lei da Física, usada como reflexão no comportamento humano. Cabe ao blogueiro ter provas robustas e inequívocas sobre o que postou. Esta sugestão é de quem tem quarenta e oito anos de jornalismo, e por diversas vezes foi parar nas barras da Justiça, sendo processado por ex-prefeitos, ex-secretários de Estado; Assembleia Legislativa; Senador da República… Acusando-nos de calúnia, difamação e exigindo além de retratação, indenização financeira por danos morais.

“Fake News” é a bola da vez. A Justiça vem agindo com rigor. Tem “cascas grossas” do Jornalismo nacional, fora do país, outros presos e alguns usando tornozeleiras eletrônicas. Quanto ao uso da redes sociais, até deputado federal com prerrogativas de Foro foi parar na cadeia. Que o blogueiro reveja seus conceitos sobre as figuras que ele conspurcou suas reputações. Em tempo: “galinha que acompanha pato, morre afogada”. Fica a dica.

O BRASIL DO FUTURO IGNORADO NO PRESENTE

            A CONAB anunciou ontem (08.02.2023) resultado da safra recorde de grãos de 2022, que cresceu espantosamente 14% em relação a 2021, atingindo o volume de 310 milhões de toneladas. O país se agiganta, brigando com os Estados Unidos, disputando o primeiro lugar no ranking mundial de exportação de grãos. Em entrevista, o presidente da CONAB explicou o conflito de números com o IBGE, que havia anunciado 302 milhões de toneladas em dezembro. Para a CONAB, a safra é entre setembro e março. Erroneamente o IBGE divulga os números de janeiro a dezembro do mesmo ano.

Como ainda temos imensas áreas disponíveis para cultivo ou plantio, solo fértil, pesquisa e tecnologia de ponta – superando a produtividade das demais nações – se a política ideológica não nos atrapalhar, em oito anos, alcançaremos a invejável posição de maior celeiro do planeta, bem à frente dos demais produtores de grãos como China (que não é autossuficiente) Estados Unidos e Rússia, exportadores. A produção de soja em 2022 foi de 135,8 milhões de toneladas. Batemos todos, e assumimos o primeiro lugar, ao lado do Açúcar, que o Brasil produz hoje 1/3 de todo o cultivo mundial.

Registramos com absoluta convicção, que o sucesso deste setor (agronegócio/grãos) responsável em 2022 por 44,9% (média) das exportações mensais do país, foi fruto da perseverança e obstinação da inciativa privada, que só teve apoio governamental no seu surgimento – governo do ex-presidente João Figueiredo – “Plante que o João garante”, quando saltamos de 80 para 100 milhões de toneladas. Períodos de Collor/Itamar Franco; Michel Temer e Jair Bolsonaro. Na atual composição do PIB Brasil, 27% vem do agronegócio, posição outrora ocupada pela Indústria.

O Agro sofreu perseguição predatória por oito anos do governo FHC, mais quatorze da era petista. Foram vinte e dois anos consecutivos, totalmente perdidos. Se tivesse mantido o ritmo de crescimento a partir de 1983, hoje estaríamos num patamar de 800 milhões de toneladas ano.  Lula e Dilma apoiaram a anarquia do MST, que invadiu, ocupou, depredou áreas nobres, e hoje seus assentamentos são verdadeiros “favelões” rurais, que não produzem absolutamente nada. Exceto o Rio Grande Sul, onde o sistema cooperativista funcionou com sucesso. Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste foi uma verdadeira tragédia.

O novo governo que se instalou, em nenhum momento fez aceno para investir na infraestrutura deste segmento, nem fomentar apoio através do BNDES. Pelo contrário, na campanha, Lula em entrevistas repetiu diversas vezes, que o Agronegócio era Fascista e Nazista. Ao assumir (01/01/2023) prometeu emprestar 600 milhões de dólares para Argentina, recursos subsidiados, oriundos do BNDES. Imaginem se os 15,8 bilhões de dólares que os governos – Lula/Dilma – emprestaram a Cuba, Venezuela, Nicarágua e outros países ideologicamente alinhado com o PT, com prazo para pagamento em 25 anos, tivessem sido investidos na infraestrutura do Agro, e numa política que evitasse a desindustrialização do Brasil! Estávamos na OCDE.

 A Lula, um apelo: mais Brasil, menos PT. Chega de protecionismo a ideologias superadas pelo tempo. Invista em nossos empreendedores e deixe os brasileiros trabalharem.

A OMISSÃO DA OAB COMPROMETE SUA CREDIBILIDADE

            Entidade considerada “madrinha” da democracia brasileira, por seu histórico de lutas em defesa das liberdades de opinião e expressão, perdeu o seu conceito, respeito e admiração – edificado ao longo dos seus 89 anos – quando elegeu Felipe Santa Cruz (2019) presidente. Enganou a todos, partidarizando politicamente a instituição, que desceu de nível, igualando-se à extinta UBES dos anos 60, e seu sectarismo ideológico.

            Decisões monocráticas, inquérito do fim do mundo com poder de polícia – onde o ofendido é autor da denúncia, investiga julga e condena quem ele considerar culpado, desrespeitando os papeis Constitucionais do Fiscal da Lei MPF/PGR, se constituíram nos verdadeiros atentados ao Estado Democrático de Direito. A OAB não se manifestou?

Uma mudança ardilosa e imprudente no Regimento Interno do STF – artigo que prevê punição através de processo penal, para qualquer membro ou servidor daquela Corte de Justiça que lançasse suspeita sobre a conduta de um seus membros – poder limitado a sede física do STF, foi despoticamente “elastecido” para alcançar todo cidadão brasileiro, inclusive aqueles que gozam de Foro Privilegiado.

Um ato monstruoso, canhestro e truculento desta ordem – sem amparo nem legitimidade Constitucional – fruto de uma decisão de 11 Ministros não eleitos, imposta a 513 deputados (Câmara) e 81 Senadores, escolhido pelo povo como seus representantes para elaborar e revisar nossas Leis, deveria ter sido imediatamente combatido como uma aberração abominável e imoral pela OAB, primeira vítima de seus efeitos, no livre exercício de seus profissionais.

Quem nos protegeria de tamanho arbítrio, que rasgou a Constituição? A classe política? Também. Mas, a bandeira da legalidade, repudiando a intolerância, deveria ter sido empunhada pela OAB que angaria amplo apoio da população, Associações de Magistrados, MPF; Comissões de Constituição e Justiça da Câmara e Senado… Infelizmente a falta de um grito (da OAB) levou todos a se calarem. A omissão inibiu demais instituições de se insurgir. O medo, que sugere covardia, os levou a salvar suas próprias peles.

            Estado Novo – ditadura de Getúlio Vargas – instalada em 10/11/1937 e derrubada em 29/10/1945, foi o período da escuridão. Toda a classe política foi defenestrada, o calendário eleitoral foi rasgado e proibiram eleições em todos os Estados. Extinguiram os partidos políticos, governadores e prefeitos passaram a ser nomeados como Interventores, e o parlamento – em todos os níveis – foi fechado. A Suprema Corte funcionou algumas vezes, por determinação do Ditador, para deliberar casos em seu favor, como o inusitado Habeas Corpus de Olga Benário, impetrado em junho de 1937, pelo advogado destemido e corajoso da OAB, Heitor Lima.

            A peça é considerada “inusitada”, porque foi o único habeas corpus que, paradoxalmente, pediu a permanência da paciente presa. O Ministro da Justiça queria extradita-la para Alemanha, e entrega-la aos Nazista. Olga era Judia e estava grávida de Luís Carlos Prestes. Advogado Heitor Lima (OAB) argumentou que ela deveria permanecer presa, garantindo a saúde da gestante, e o direito à nascitura.  O processo foi liquidado em 72 horas. A Suprema Corte não acatou o habeas corpus e autorizou a deportação. Qualquer semelhança com as prisões e celeridade da justiça nos dias de hoje, não é mera coincidência. É um abuso que se repete.

 Getúlio Vargas sentiu-se traído, cobrou fidelidade da OAB, cuja origem em 18/11/1930 foi seu primeiro ato como Presidente da Junta Governativa Revolucionária. Para sua insatisfação, o foco de resistência à sua ditadura se alojou nas trincheiras da OAB. Vargas revogou milhares de Decretos, exceto o que criou a OAB. O Brasil espera que a OAB recupere seu respeito e enfrente a insegurança jurídica dos nossos dias.

A ATONIA DO GOVERNO LULA

            Desde sua posse (01/01/2023) Lula tem buscado espaços na mídia, para chamar a atenção do público, com o intento de apagar os rastros deixados pelas dúvidas, sobre a legitimidade de sua vitória nas eleições de outubro (2022).

A empreitada até o presente tem sido mal sucedida. Continua distante do povo, isolado pelos seus aliados da campanha – ideologicamente desiguais – como PSD, PSDB dentre outros, que temem ser contaminados pelas reações raivosas e adversas à figura “presidencial” em público. Irrequieto, o petista parte para declarações estapafúrdias na mídia, causando vexames ao jornalismo aliado e militante do período eleitoral.

A CNN nos últimos trinta dias, tem se mostrado completamente irreconhecível. No horário de sua maior audiência às 22:00hs – programa WWW com William Waack – estão batendo no governo e no presidente, sem dó e piedade. Empregando o jargão do futebol de várzea, “abaixo do pescoço, tudo é canela”. Quem diria!

 Raquel Landim, Felipe Moura Brasil, Caio e “cientistas” políticos convidados para participarem do debate diário – na bancada comandada por William Waack – os festejados “Medalhões” do jornalismo brasileiro, buscam recompor suas imagens e posturas, tentando voltarem-se para informação com imparcial. O que nos deixa intrigado, é que todos conheciam Lula e suas limitações. Se surpreendem agora?

Postamos neste espaço há três dias, um texto sobre as “manobras” nos bastidores do congresso, para implantar um Regime de Governo Semipresidencialista. Para nossa surpresa, o assunto foi ilustrado em um editorial de autoria de William Waack e debatido na mesma noite. Claro que ele não leu, nem se inspirou em nosso artigo. Todavia, explicitou a sintonia que existe no meio, que observa o movimento para “limitar” os poderes de Lula, deixando-o dentro dos padrões do novo “Rei da Inglaterra”.

A sua mais recente decepção, que dilacerou o âmago da sua vaidade, ocorreu nas eleições dos presidentes da Câmara e do Senado. Em seus discursos de posse, ambos não agradeceram o seu apoio, nem citaram seu nome. Falaram sobre trabalhar para pacificar o país, evitar atos antidemocráticos e preservar o Estado de Direito. Abstrações confusas e ininteligíveis, forjadas pelos intelectuais das esquerdas – para se tornarem tema de debate estéreis – tão ludibriante quanto o “politicamente correto”.

Na intenção de usar Medidas Provisórias para alavancar o governo, implantando programas oriundos das promessas de campanha, foi desaconselhado pelos presidentes da Câmara e Senado, que o advertiram da validade (120 dias) e não assumiram a responsabilidade de aprová-las em Plenário. Lula quer revogar a Lei do teto de gastos, governança das estatais e insinuou intervenção na autonomia do Banco Central. Mapa ou trajeto perfeito, para chegarmos à bancarrota.

A Lide Brazil Conference, entidade presidida por João Dória e Luiz Fernando Furlan – aquela que em agosto de 2022 – marcou o “Encontro de Nova York” para o dia 15 de novembro, ambiente que discutiriam a política do “novo governo” do Brasil, mesmo sem saber que Bolsonaro seria derrotado, desde o dia 02/02/2023 está reunida em seu segundo encontro, com os mesmos personagens (inclusive do STF) no Hotel mais luxuoso de Lisboa (Portugal), ocupado por 250 convidados. A única figura “estranha no ninho” é a Ministra Simone Tebet. Convidado de honra e principal palestrante, foi o ex-presidente Michel Temer, que ontem expôs em sua palestra, a necessidade do Brasil adotar o Semipresidencialismo. Para tanto, prometeu sua disposição em ajudar e orientar o presidente Lula, que há dez dias o chamou de “golpista”. Em tempo: os Ministros do STF com DNA “petista raiz”, não estão presentes. Só Alexandre de Morais, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Luiz Roberto Barroso. E quem modera o debate é Merval Pereira (Globo), que ainda joga sinuca com um taco de dois bicos. A NOM está em marcha

VULGARIZAÇÃO DAS PESQUISAS DE OPINIÃO

O descrédito generalizado das pesquisas de opinião, a partir de 2018/2020, levou o resistente IPOBE a trocar seu nome de fantasia, agora conhecido como IPEC. Surgiram inúmeros outros “picaretas” na área, que atuam sem ética ou responsabilidade, aproveitando apenas a oportunidade de “faturarem” sazonalmente a cada dois anos, ocasião dos períodos eleitorais.

Genial/Quaest (fundada em 2016) tinha como objetivo principal, monitorar as redes sociais, com o propósito de identificar e construir mecanismos para atrair investidores dos grandes Bancos tradicionais, conquistando suas contas para as carteiras de investimentos das novas plataformas digitais. Todavia, resolveu intrometer-se numa área que desconhece, e começou a fazer pesquisas eleitorais, sobre a tendencias do eleitor no pleito deste ano (2022).

Ganhou (espantosamente) grande destaque nos veículos que integram o “Consórcio Midiático Profissional”, que passaram a divulgar resultados de suas amostras. Cada pesquisa, para entrevistar – pelo celular – dois mil brasileiros, cobram 286 mil reais. E quem paga? Bancos e Financeiras, que inclusive de forma disfarçada, usam como compensação de seus anúncios, o release divulgando os dados.

Em sua penúltima pesquisa, realizada há cerca de trinta dias, a diferença entre Lula e Bolsonaro permanecia em 15%, pró candidato petista. Neste mesmo período, o Instituto Paraná, Data-povo; Brasmarket já apontavam empate numérico e ou vantagem de Jair Bolsonaro. Para fechar o quadro, a 6-Sigma constatou que Bolsonaro estava à frente de Lula. O desconforto do eleitor de Bolsonaro é não vê estes resultados, divulgados pelo Consórcio Mediático: Globo, Estadão; Folha; Uol; Veja; Época…

A TV Jovem Pan convidou o CEO – Chief Executive Officer – denominação “modista americanizada” de Diretor ou Presidente de uma empresa – para comentar sobre os números, processo de coleta de dados, valores cobrados e discorrer ainda sobre a metodologia aplicada. Afinal, apenas duas mil pessoas entrevistadas, num contingente de 156 milhões de eleitores – não representa sequer 0,001% – é suficiente para atestar quem está bem na campanha, e com chances de vitória?

O entrevistado gastou quase todo o tempo, falando sobre seu currículo. Mestre, Doutor; Professor de Estatística… Professor de Universidades norte-americanas… Para quem desconhece os “meios acadêmicos”, existe a figura do “Professor Convidado”, que durante alguns dias ou meses, lecionam em Faculdades famosas, apenas para enriquecer seus currículos. Um reforço para se inserir no mercado de trabalho, levar vantagem nos Concursos Públicos, no quesito eliminatório de “prova de títulos.

A comentarista Fabiana Barroso, fez uma pergunta simples, que todo brasileiro faria, relacionada a curiosidade do processo de escolhas de áreas ou pessoas. E, concluiu comentando que nunca tinha sido entrevistada por um Instituto de Pesquisas. Nem ela e ninguém que conhece ou é próxima. A resposta foi “genial” do CEO da Quaest: “a possibilidade de um cidadão ser escolhido e entrevistado, numa amostragem nacional, é a mesma de acertar na Mega Sena” (?).

Neste caso, a possibilidade de acerto é a mesma?

Ao lado da Genial Quaest, só restam o Poder Data – parceira afiliada – IPEC (ex-IBOPE), Uol e Estadão. Seus resultados são tão seguros e confiáveis, quanto aos produtos de marca importados do Paraguai.

ESQUERDAS DA PARAÍBA DEPOIS DO VENDAVAL

Após as últimas convenções partidárias, realizadas no último 05/08/2022 – pontilhadas de contradições e surpresas – a bússola que doravante norteará o pleito de 02/11/2022, mostra sua agulha magnética, apontando o “norte” da disputa nacional entre direita x esquerda. Sob este prisma, as esquerdas paraibanas ficaram presas num “serpentário”. PSDB (Pedro); Veneziano (MDB); João Azevedo (PSB). Vamos ver “cobra, engolindo cobra”, para alcançarem o segundo turno, contra a direita. Impossível uma disputa restrita apenas às esquerdas, que se dividiram para eternizar-se no poder.

            Pedro Cunha Lima, vinha adotando comportamento “amistoso” na sua relação parlamentar com o governo federal. Mas, “negou” três vezes Bolsonaro em Plenário da Câmara, e deu as costas ao povo. Votou contra o Auxílio Emergencial, Piso da Enfermagem e foi favorável a “saidinha” da bandidagem de alta periculosidade, privilegiando a impunidade reinante no país. Perplexos, seus correligionários não entenderam sua decisão de disponibilizar seu palanque, para abrigar Ciro Gomes, com quem – segundo ele – se identifica ideologicamente (?).

            Governador João Azevedo (PSB) – masoquista? – ratificou seu apoio a Lula, mesmo sendo “satanizado” diuturnamente pelo PT. O quadro é de indulgência, pela pressão que sofrerá da base dos Republicanos, eleitores de Efraim, paradoxalmente companheiro de chapa de Pedro (PSDB). Será que só João não percebeu a “sabotagem” dos seus conselheiros políticos, ao lançarem Polyana Dutra para o Senado? O intuito é barrar a “máquina” e não subtrair os votos de Ricardo Coutinho. Acordo?

A esta altura o “foguete” que não engata marcha ré, está sem GPS. Integra a base do presidente Jair Bolsonaro, e dificilmente atingirá seu alvo. Seu palanque atacará frontalmente a chapa do PL.  Por sua vez, Adriano Galdino presidente da ALPB – esbanjando otimismo – vê em sua “bola de cristal” a eleição de quatro deputados federais e nove estaduais. Isto sem combinar com o povo. Não sabe ele, que seu irmão Murilo, já está na mira do “fogo amigo”.

Premido entre Ricardo Coutinho e Gervásio Maia (presidente do PSB com Fundão Eleitoral nas mãos) o homem que desfrutava da confiança do líder Girassol, está obstinado em retornar à Câmara. Adriano já foi vítima de ambos. Ricardo Coutinho, forçou-o a abdicar de disputar sua reeleição para presidência da ALPB (2016). Obrigou-o a ceder, e eleger Gervásio, que conquistou uma vaga na câmara dos deputados (2018).

A direita, que sempre foi maioria no país, passa por um processo de reorientação, e este ano vem demarcando seu espaço, separando o “joio do trigo”. Os velhos “currais eleitorais”, que sempre se reinventaram, dificilmente sobreviverão. “Boiadas” vendidas correm o risco de não serem entregues. A vinculação voluntária do voto, será o primeiro passo dado pelo povo na direção de acabar “projetos de poder”, concebidos em Cortes Palacianas, usando o povo como “massa de manobra”.

  BOLSONARISMO CAMPINENSE FAZ NILVAN ATRAVESSAR O RUBICÃO

A força das redes sociais e os desacertos das esquerdas, alavancaram a campanha de Nilvan Ferreira em Campina Grande ontem (05.08.2022) na convenção do PL, que homologou sua chapa majoritária para disputar o pleito de outubro próximo: Nilvan Ferreira (governador); Arthur Bolinha (vice); Bruno Roberto (Senador). PL atravessou o (*Rubicão).

Convidado no dia anterior pelo amigo Alfredo Lucas, para passarmos rapidamente no Garden Hotel, as 10hs – onde se reuniriam os então pré-candidatos – e definiriam o vice, fomos conferir se tinham acatado a sugestão e “costura” de Alfredinho, que defendia o nome de Arthur Bolinha.  Resolvemos chegar por lá, as 11:30, prevendo atraso costumeiro.

O que não esperávamos, foi a surpresa com que nos deparamos. Muitos carros já deixando o local, não por ter encerrado a convenção, mas, por falta de espaço físico dentro do Centro de Convenções e no estacionamento (um caos) totalmente lotado. Ficamos convicto, que o deputado federal Wellington Roberto jamais esperou tamanha multidão. Principalmente pelo improviso ou decisão sua, de realizar o evento em Campina Grande, e não na Capital, principal reduto de Nilvan Ferreira.

As pessoas que encontramos lá, vestidas de verde, e com cores da Bandeira Nacional, nos deixou perplexo, por serem – até onde sabíamos – seguidores de Pedro Cunha Lima ou Veneziano Vital do Rego. Pequenos e médios empresários, feirantes da Feira Central; cristãos frequentadores das mais diversas Igrejas (Católica e Evangélicas) com suas famílias. Pastores e seus rebanhos; gente humilde que habita no entono do Hotel, na Vila Cabral e Santa Terezinha… Não detectamos caravanas do sertão, nem de João Pessoa. Mas, não podia ser diferente. Se não tinha uma “atração nacional”, e em cima da hora!

Campina Grande não conhece Nilvan Ferreira. Entretanto o identifica como o único alinhado com o seu perfil político, formado em sua maioria esmagadora pela direita Cristã Conservadora Bolsonarista. Ninguém mudou de lado desde 2018, quando as urnas da Rainha da Borborema conferiram a Jair Bolsonaro 60% dos votos válidos, no primeiro e segundo turno. Por que trocariam de posição agora?

O candidato do MDB, Veneziano Vital do Rego – Campinense – resolveu fazer sua convenção na Capital, ao lado das esquerdas radicais. Isto nos fez lembrar uma resposta de Ronaldo Cunha Lima ao saudoso Vital do Rego, quando o Tribuno o acusou, que após sua cassação (1969) ele havia “se mudado” da cidade. E Vital – também cassado no mesmo ano – ficou na cidade. O poeta respondeu: “eu me mudei, você mudou”. Ambos foram candidatos em 1968 pelo MDB, partido que disputaram a prefeitura de Campina Grande.

Veneziano e Pedro Cunha Lima “mudaram”. Campina, permanece a mesma. O “ex-cabeludo” traz a tiracolo em sua chapa, Ricardo Coutinho, que quase mata de sede a Rainha da Borborema. É “Lulista”, defensor dos ideais da esquerda, LGBTQIA+ abortista, contra a família. Pedro Cunha Lima, desequilibrou-se do “centro”, onde sempre esteve seu avô (Ronaldo) e o seu pai (Cássio). Deu uma guinada à esquerda, e passou a se espelhar na conduta comunista anacrônica do Frei Anastácio, arqui-inimigo dos Cunha Lima e de Campina Grande, defensor do “quanto pior melhor”, herança do comunismo dos anos 60.

A postura parlamentar de Pedro Cunha Lima nas últimas votações da Câmara dos Deputados, fez “vela corar”. Votou ao lado de Anastácio contra o Auxilio Emergencial. Não sabe o valor de 200 reais, para quem ganha metade de um salário mínimo. Como se não bastasse, foi contra também ao piso salarial da Enfermagem. E para concluir o desacerto, se posicionou favorável a “saidinha” de assaltantes, assassinos e marginais de alta periculosidade, que se aproveitam desta aberração da lei, para matarem, estuprarem, assaltarem e debandarem, não voltando mais ao presídio para cumprirem suas penas.

*Rubicão – Roma aquartelava um grande exército. Júlio César havia se rebelado contra o Senado. Voltava dos campos de batalha, com 1/3 das tropas que estavam em Roma, para “negociar” o poder. Todos acreditavam que ele não teria coragem de atravessar o Rubicão, rio próximo a Roma. Se o fizesse, seria esmagado. Quando Júlio César o atravessou, a elite de Senadores correu, e o grande exército que guardava a Capital do Império se entregou, e se incorporou as tropas de César.

INDESEJADO

             Eventos estonteantes geraram fatos inusitados na corrida eleitoral polarizada entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula (registrados na última semana 17/07 a 24/07/2022), com episódios marcantes, que mudaram totalmente o cenário da política nacional. Doravante, questiona-se as prováveis, ou até inevitáveis, repercussões nas campanhas dos candidatos aos governos dos Estados em todo o país.

            A ausência de Lula e Alckmin em São Paulo, na convenção que oficializou suas candidaturas, teve como resposta dia seguinte, uma gigantesca “motociata” do presidente Jair Bolsonaro, encerrada com um colossal comício em Vitória (ES). Para ratificar sua incontestável preferência da maioria (no momento), a convenção do PL ontem (domingo 23.07.2022) lotou o Maracanãzinho num clima de “Copa do Mundo”.

 Estes acontecimentos foram desconcertantes para os velhos caciques da política, habituados a formarem chapas – priorizando suas conveniências – e empurrarem goela abaixo no povão. As grandes mudanças no mundo político, geralmente assemelham-se aos fenômenos da natureza como “furacão”, “tornados” ou tsunami. Os estragos provocados, são devastadores.

 No Nordeste, todos os candidatos da oposição ao presidente Jair Bolsonaro, travaram uma batalha renhida, lutando pela presença de Lula em seus palanques. Bahia, Alagoas e Pernambuco os efeitos contrariaram estas falsas expectativas, criadas pelos Institutos de Pesquisas com repercussão na mídia tradicional. ACM Neto, no pós Lula, consolidou sua vitória. Em Alagoas, Renan desmorona. Pernambuco, um “racha” geral, favorecendo o candidato do presidente Jair Bolsonaro. Lula hoje é indesejado nos palanques de oposição no Sul, Sudeste, Centro Oeste e Norte do país. E Nordeste?

Governador João Azevedo, marcou sua convenção para o dia 05/08/2022, último dia do prazo concedido pela Justiça Eleitoral. Veneziano Vital do Rego, candidato oficial de Lula, agendou a mesma data, temendo que Lula participasse também do evento do PSB. Depois de tudo que ocorreu em apenas cinco dias, João Azevedo ainda fará campanha pró Lula, e terá a coragem de levar o ex-presidente para sua Convenção? Sua campanha está alinhada com um grande exército Bolsonarista, respaldada no apoio popular de Cristãos, Conservadores e Patriotas.

O PL do presidente Jair Bolsonaro tem um candidato na Paraíba. Um comunicador humilde, que diariamente entra nos lares dos paraibanos, conversando com os telespectadores, sobre as agruras do quotidiano. Nilvan Ferreira é admirado pelo grande contingente de eleitores das classes “C”, “D” e “E”, por abraçar suas causas e cobrar ações do Poder Público. Desafiou poderosas estruturas partidárias nas eleições municipais de 2020 – na Capital – e alcançou o segundo turno, deixando na poeira Ricardo Coutinho, Rui Carneiro…

O “controle” de sua legenda está nas mãos de Wellington Roberto, que para sorte de João Azevedo, tem usado mais o” freio” que o “acelerador”. Pesquisas de consumo mostram Nilvan a frente de João Azevedo em João Pessoa (maior Colégio Eleitoral do Estado) com 2% de vantagem. No restante do Estado, patina entre a terceira e quarta posição, atrás de Pedro Cunha Lima e Veneziano Vital do Rego. Oficialmente a corrida começa a partir do próximo dia 15/08/2022. Em 45 dias, veremos quem tem fôlego, e se o pleito será levado para o segundo turno.

JOÃO AZEVEDO E CÁSSIO SE APROXIMAM DO ACORDÃO

O PSB pretende realizar sua convenção no dia 05.08.2022, aos 45 minutos da prorrogação. qual a razão? Esperando a difícil costura que está sendo cuidadosamente alinhavada nos bastidores, por interlocutores de Cássio Cunha Lima e João Azevedo. Depois da “rasteira” que levou de Veneziano Vital do Rêgo, a coordenação política que conduz o projeto da reeleição do governador, reconheceu que seria imprescindível uma junção de forças com os Cunha Lima, para vencerem o pleito em primeiro turno.

O primeiro passo foi procurar Romero Rodrigues – que esteve como pré-candidato a vice por algumas semanas – e sem explicações, gravou um vídeo de curta duração, comunicando apenas sua desistência da empreitada. Hoje percebe-se que foi um ato de grandeza de sua parte, para não dividir o Clã. Cássio, que continua no comando como “Eminência Parda”, discordou de sua atitude. Em seguida, o próprio Cássio, se furtou em participar do lançamento da pré-campanha do próprio filho ao governo (?).

Deputado Aguinaldo Ribeiro, que diuturnamente tem apregoado sua presença na chapa majoritária como o Senador de João, precipitou-se ao comprometer-se em resolver o problema, garantindo que levaria os Cunha Lima a apoiar ele e João. Até hoje o núcleo do projeto reeleição de João, aguarda o agendamento deste encontro.
A maioria dos atuais conselheiros políticos do governador, são os mesmos que estiveram ao lado dos Cunha Lima em 2010, quando Ricardo Coutinho derrotou Maranhão, com apoio de Cássio. O fato era considerado “impossível”. Ricardo Coutinho tinha sido o maior articulador da cassação do governador tucano, reeleito em 2006. Como se não bastasse, deixou suas digitais na cena do crime, ao nomear imediatamente (como recompensa) Marcelo Weick, para Procuradoria Geral do Município de João Pessoa.

Não se trata de “ilações”, são informações “privilegiadas”. O “acordão” pode até não se concretizar. Mas, os sinais são muito claros… Bruno Cunha Lima, no encerramento do Maior São João do Mundo, agradeceu o governador João Azevedo pela estrutura de segurança oferecida pelo Estado. Não é por acaso, que a bancada de sustentação de sua gestão na Casa Félix Araújo, está migrando para apoiar João Azevedo, e Bruno finge não perceber. Esqueceu que seu primo é candidato?

O pragmatismo aponta para o “cofre” e o “poder de caneta”. Fechando com os Cunha Lima, fica difícil qualquer candidato derrotar o Governo do Estado, maioria da ALPB, Prefeituras de João Pessoa e Campina Grande. A dúvida é se Pedro é o vice, ou Romero sai Senador e Efraim vice. A eleição do filho de Cícero Lucena ficaria prontamente garantida. Rui Carneiro retornaria a Câmara. E na hipótese de Pedro ou Romero não figurarem na chapa majoritária, três vagas na Câmara estarão asseguradas.

Cássio poderá até deixar a vida pública. Mas não antes, de uma desforra, dando um “abraço de afogado” em Ricardo Coutinho, Veneziano Vital do Rêgo e Aguinaldo Ribeiro. Ele nunca os perdoará pela derrota de 2018, eleição perdida em uma semana, por falta de “estrutura financeira”. E se quiser continuar na vida pública, seria a segunda opção para o senado, ao lado de João – caso seja reeleito – no pleito de 2026.

A SURPRESA HERON CID

Coordenação política do governador João Azevedo optou por “estratégia militar”, para enfrentar guerra eleitoral de outubro próximo, usando sua principal arma: “o elemento surpresa”. Convidou o Jornalista Heron Cid, para disputar uma das vagas na Câmara dos Deputados pelo PSB. O fenômeno mexeu com todos. Principalmente com os atuais deputados federais aliados do governador que tentarão se reelegerem. E os novos postulantes? Ricardo Barbosa e Murilo Galdino? Em entrevista que acabamos de ouvir/assistir no Youtube – já do outro lado do balcão como entrevistado – Heron Cid deixou pistas que também poderá ser candidato ao Senado (?).

Jornalistas, Radialistas e Comunicadores (apresentadores de TV) de um modo geral, sempre estiveram presentes na vida pública, tanto no Parlamento, como no Executivo. Chagas Freitas, Jornalista e depois dono do seu próprio matutino “O Dia” (RJ), foi governador do Estado do Rio, e do Estado da Guanabara. Não teve filhos, seu herdeiro político foi o Jornalista Miro Teixeira. Carlos Lacerda, contemporâneo de Chagas Freitas, governou também o Rio de Janeiro, levou Vargas ao suicídio, Jânio a renúncia e foi um dos principais mentores da queda de João Goulart. Barbosa Lima Sobrinho, o Jornalista fundador, e eterno Presidente da ABI – Associação Brasileira de Imprensa, governou Pernambuco. Na briga das oligarquias, foi a escolha (tércio) apaziguadora de Vargas.

O Clã político dos Alves no Rio Grande do Norte, foi fundado pelo Jornalista Aluízio Alves. Deputado Federal Constituinte de 1947, esteve no Parlamento seis vezes e foi governador do RN. Puxou seu irmão Agnelo Alves, igualmente Jornalista que foi prefeito de Natal, Parnamirim; deputado estadual e elegeu seu filho três vezes Prefeito de Natal. Garibaldi Alves, sobrinho de Aluízio (radialista) foi deputado estadual, prefeito de Natal; Senador da República por duas vezes, e governador eleito e reeleito.

Álvaro Dias e Osmar Dias do Paraná, iniciaram suas vidas profissionais como radialistas. impulsionados pelos ouvintes, ambos conquistaram mandatos de deputado estadual, federal, senador e governador.

Heron Cid, nos últimos quatro anos é o nome mais conhecido da Paraíba. Comanda uma cadeia de emissoras de rádio, é ouvido diariamente nos mais distantes grotões do Estado. Tem um Portal de Notícias, onde escreve. Está conectado com as redes sociais, onde é visto (telespectador). Quem desfruta de gigante audiência atraindo ouvintes, leitores; telespectadores e seguidores, se não lhes faltar habilidades, converte seus “cativos” em eleitores, com status de “cabos eleitorais”.

Ao atender a chamada do governador para disputar um mandato de deputado federal, evidente que lhes garantiram “estrutura”, o que causará grande ciumeira entre os demais. Quem cederá sua vaga? Se a tese for a de “puxador de votos”, mesmo assim alguém vai sobrar. Neste caso, todos irão querer “tangê-lo” para o Senado, que talvez seja sua grande oportunidade. Será o “outsider” de 2022 na Paraíba. Despido de radicalismo, hoje mais conhecido que Ricardo Coutinho, Aguinaldo Ribeiro e Efraim Filho. Ficha Limpa e com credibilidade. Seus opositores terão dificuldade para “desconstruir” sua imagem.

A força da mídia já fez milagres eleitorais no Brasil. Elegeu Antônio Brito, comentarista político da Rede Globo, governador do Rio Grande do Sul, derrotando o candidato de Leonel Brizola. Hélio Costa, Senador de Minas Gerais, derrotando um governador licenciado. Em tempo: José Sarney foi Jornalista, antes de ser deputado estadual. Como deputado federal, no Rio de Janeiro antiga Capital do Brasil, escrevia na Tribuna de Imprensa de Hélio Fernandes, ao lado de Lacerda, Aluízio Alves; Agnelo Alves… O tempo das brigas exauriu-se. O prazo final para as convenções se encerra em 29 dias.

CONGRESSO EM PÂNICO

            Noventa dias antes das eleições de outubro próximo (2022), o Congresso Nacional aprovou “pacote” de medidas para combater a recessão instalada no planeta, desde a pandemia do COVID-19. Inimaginável. O conjunto de benefícios oferecidos à população vulnerável do país, é um ato de socorro do presidente Jair Bolsonaro – candidato à reeleição – cujos efeitos positivos serão colhidos a partir de agosto, ensejando-lhes um forte discurso, difícil de ser rebatido por seus adversários.

            Temendo enfrentar mais de 145 milhões de eleitores, as duas Casas Legislativas flexibilizaram, com receio de reação radical, alicerçada na antipatia deixada pelas gestões de Rodrigo Maia (Câmara) e David Alcolumbre (Senado). Excederam-se nas sabotagens para inviabilizar um governo eleito por 58 milhões de votantes. Ignoraram 128 Projetos Leis oriundos das promessas de campanha de 2018, desejos da população. Bolsonaro era para estar mais impopular que Temer, Dilma ou Geraldo Alckmin.

            Até 2014, nenhum governo resistiria a 20 minutos do Jornal Nacional, com matéria sendo repercutida em O Globo, Estadão; Folha; Veja; IstoÉ. Bolsonaro suportou por três anos e meio a impiedosa, insana e brutal “pancadaria”. O malogrado plano de usarem – mais uma vez – os Institutos de Pesquisas para desestimular seus seguidores, aumentou a fúria de parte expressiva da população, que se sente traída, até pelo STF. Até a Igreja Católica – fora de questões políticas/partidárias desde 1965 – estão fazendo campanha pró-Bolsonaro. Os evangélicos? A maioria é esmagadora, não absoluta. O Brasil tem raízes Cristãs, conservadoras, desde sua Independência.

            O Congresso, STF e a mídia tradicional, não percebeu que o mundo mudou rapidamente, pela gigantesca expansão da Cibernética, deixando-os para trás. O povo não tinha noção dos superpoderes do STF, apesar de sua Emissora de Televisão transmitir seus trabalhos. Hoje, todo brasileiro é Advogado e Doutor em Direito Constitucional. Citam artigos, parágrafos e incisos da Constituição Cidadã de 1988, questionando as decisões das Cortes Superiores de Justiça, amplamente debatidas com paixão – semelhante a do futebol – no Facebook, Telegram; Twitter; Instagram…

Foi este o “ninho” que acolheu Bolsonaro (redes sociais) exposto pela grande mídia nacional, para ser devorado pela velha política profissional, na selvagem “savana” do Congresso Nacional. Dezenas de manifestações – boicotadas pela grande mídia – foram realizadas com sucesso nas ruas de todo o país (últimos três anos), defendendo temas tão polêmicos e intrigantes, como a Reforma da Previdência, que mexe diretamente com o futuro do próprio cidadão trabalhador. Despertaram na população um adormecido sentimento passional – origem latina – quando “vitimizaram” o presidente.

A PEC que propõe a redução e cobrança isonômica do ICMS (17%) sobre o preço dos combustíveis, foi aprovada por 71 dos 81 Senadores, com um único voto contra, o do Senador de São Paulo José Serra, no ocaso de sua vida pública. O Presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, prometeu ao Senador Jorge Kajuru, convocar o Ministro Alexandre de Morais para se explicar sobre seus atos monocráticos. Por outro lado, o General Girão (Senador pelo Ceará) aprovou na CCJ, a convocação de Barroso, Fachin e Alexandre de Morais, onde serão “inquiridos” sobre suas decisões intempestivas.

A Câmara dos Deputados, sensível a ouvir de seus experientes “veteranos”, habilmente vem tentando abrandar a ira do povão, elencando como culpado o STF. Na hora do “salve-se quem puder”, uma PEC está sendo apreciada nas Comissões Temáticas, cujo teor limita os poderes do STF, e até suas sentenças, que terão que ser ratificadas em plenário pelo Congresso. Determina ainda, o tempo de permanência dos Ministros na Suprema Corte, fixando seu período em 08 ou 09 anos. No seu bojo, derruba a PEC da bengala.

O povo despertou para retomar o que lhes é de direito: a escolha de seus representantes e governantes. Isto é Democracia… Parlamentares que desejarem renovar seus mandatos, aceitem as exigências da maioria dos eleitores, que de fato e de direito, são seus legítimos empregadores.

EMBARAÇO DAS OPOSIÇÕES

            Terminou na última terça-feira (31.03.2020) o prazo da manobra arquitetada pelos “Caciques” que comandam as grandes legendas – Federações Partidárias – movimento que trouxe grandes prejuízos aos pré-candidatos a governadores de todo país. Restam apenas 120 dias para o primeiro turno. Como as oposições irão recuperar o tempo perdido? Quase impossível.

            Após o consumação da data limite para troca de legendas (02/04/2020), todos os pré-candidatos a governo dos Estados, esperavam pôr o pé na estrada e iniciar o recrutamento de voluntários para formarem seus exércitos, com vistas a baralha de outubro. Nilvan, o que mais carece de “tropas” para avançar, ficou e ainda estar acuado. Veneziano Vital do Rego e Pedro Cunha Lima, tentaram ensaiar esta marcha. Mas, foram impedidos, por não saberem que destino tomariam seus partidos, que estão enxergando o pleito sob outro prisma.

            Quem governa o país é o Congresso Nacional. Rodrigo Maia e David Alcolumbre levaram o parlamento brasileiro a viver os piores dias da história, no início do governo Bolsonaro. Foram inúmeras as manifestações de repúdio da população nas ruas – a partir da Reforma da Previdência – nas “domingueiras”, como denominou o Ministro do STF Gilmar Mendes, também atingido pelos protestos. Mas, ele não depende de renovação de seu mandato, para continuar Ministro.

            Este “ranço” deixado por Rodrigo Maia e David Alcolumbre, ainda exala um cheiro ruim, impregnado nas redes sociais. Chegado o ano eleitoral, todos querem voltar ou continuarem com privilégios de “Príncipes da Nação”. Em Brasília, “amadorismo ideológico”, ficou no século passado, antes da virada do milênio.

            MDB através de seu presidente, fechou acordo com a Federação PSDB/Cidadania. Simone Tebet será a candidata. Pactuaram que onde o MDB ou PSDB tiverem candidatos para governos dos Estados, com chances de disputarem, um recua para o outro, ou se unirão. Neste caso, como funcionará aqui na Paraíba? Sai Veneziano ou Pedro? Os dois, as regras da Federação não permite. São Paulo Haddad e Márcio França só permanecem como candidatos, porque o PSB não Federalizou-se com o PT.

O União Brasil, detentor de 1/5 do Fundão Eleitoral lançou seu candidato à presidência, Luciano Bivar, que já liberou seus “pupilos” escolhidos e que talvez retornem pela força da grana, para votarem no presidente Jair Bolsonaro, já no primeiro turno (?). E, se convencer ACM Neto (BA), desistirá e apoiará imediatamente Bolsonaro. Bivar tem a pretensão de comandar uma bancada com 60 parlamentares. A Federação PT, PCdoB e PV somou apenas 68 deputados. PT em sua fase áurea, tinha o dobro. Quem terá legenda negada para o Senado, Ricardo Coutinho ou Rangel Júnior?

Este imbróglio só será resolvido – com perdas e rompimentos – nas convenções, final de Julho. Restará agosto para registro das candidaturas, e início da campanha. Governador João Azevedo, pré-candidato a reeleição, diariamente puxa prefeitos e vices de todas as siglas. Se aproxima do apoio do total de 170 (76%) dos 223. Indiscutivelmente formou um grande exército, a partir do apoio do prefeito que comanda o maior colégio eleitoral do estado, João Pessoa. Na eleição passada (2018) andou longe de ter um contingente tão expressivo e venceu no primeiro turno.

A DERROTA DE DÓRIA E SEUS EFEITOS COLATERAIS

Instintivamente comentamos em uma de nossas últimas postagens, as barreiras criadas na legislação eleitoral, com fim das coligações, o surgimento do bilionário “Fundão Eleitoral” e as “nominatas”. Em dezembro (2021) surgiu mais uma figura esdrúxula, “Federação Partidária”, mecanismo de controle absoluto das legendas pelos seus eternos “Caciques”, que deixaram de ser “figurativos” e passaram a ser “dono da bola”. Irão escalar os times, e sem eles, não tem jogo.

Hoje (23.05.2022) a desistência do ex-governador de São Paulo João Dória – abandonando a corrida presidencial das eleições de outubro próximo – deixou um nítido recado com conotações “feudalistas”, dos presidentes das tradicionais legendas para seus filiados, pondo-os nos seus devidos lugares. Dória, ou saia pela porta da frente, ou seria expulso pela dos fundos. MDB, PSDB e Cidadania vão impor Simone Tebet ou Temer. Quem tentar “furar” a regra, será defenestrado.

Ao longo do tempo, Deputados Federais e Senadores se elegeram usando estas legendas. Após empossados nos respectivos cargos, seu partido doravante estampava as “cores” de seus interesses pessoais. A retórica partidária havia sido deixada nos palanques. Cada deputado ou senador era uma sigla individual, que atuava da forma que bem entendesse no Congresso. Criavam as mais abomináveis alianças (unindo rivais ideológicos) nas votações de temas que envolvessem “muito dinheiro”, para se locupletarem nestas ocasiões. PT, PSL, DEM e PSOL estiveram inúmeras vezes juntos em plenário, desprezando literalmente as recomendações de seus partidos.

Com o MDB encabeçando uma chapa presidencial, todos os candidatos a governadores ou senadores dos Estados da Federação, terão que se submeterem as diretrizes das executivas nacionais de seus partidos. Isto causa danos ou efeitos colaterais, em algumas alianças já montadas, principalmente no Nordeste. Em Alagoas, Renan não vai poder exibir Lula em seu palanque no primeiro turno. O mesmo acontecerá no Rio Grande do Norte, onde Walter Alves (MDB) já havia sido escolhido vice na chapa da governadora Fátima Bezerra (PT) que disputa a reeleição.

Na Paraíba, Veneziano Vital do Rego (MDB) que ainda não tem um vice, ficará sem o companheiro para o Senado – Ricardo Coutinho (PT) – e não terá a exclusividade de Lula em seu palanque. Pedro Cunha Lima, se quiser manter sua candidatura, terá que se unir ao MDB e Cidadania. A esta altura, Pedro e Vené já podem serem considerados projetos natimortos.

O único candidato sem problemas é o governador João Azevedo (PSB) que marcha buscando num estilo partidário “ecumênico”, sua reeleição. Seu partido não é “Federalizado” com PT. E Ricardo Coutinho? Encaixa-se num velho adágio popular: “perdeu a besta e o chocalho”.

MORUBIXABAS INVIABILIZAM CANDIDATURAS DE PEDRO E VENEZIANO

Os velhos “Caciques” que por décadas integram o comandam dos Diretórios Nacionais das principais legendas do país, com histórico políticos que datam do processo de “redemocratização” – consolidado com a Constituição Cidadã de1988 – cansaram-se de ficar nos bastidores, reféns do humor de seus deputados e senadores, que só enxergavam seus umbigos e trocavam de siglas quando bem entendem, desde que seja vantajoso para si.

A janela partidária, popularmente conhecida como da “traição”, permite o Parlamentar, Governador ou Prefeito – seis meses que antecede o pleito – abandonar sem punição a sigla que o elegeu, trocando-a por outra que facilite a renovação de seu mandato. Todo deputado era um partido (?) Regras e disciplinas teriam que ser aplicadas. E a oportunidade surgiu com a criação da Federação Partidária (Dezembro2021), instituto que tem prazo dilatado após a “janela”, para tomar rumos como a união a outros partidos.

Trancados no “galinheiro” os irreverentes e oportunistas “mutantes” – contumazes reincidentes – doravante terão seus destinos políticos controlados pelas “raposas”, que além das chaves do galinheiro, tem o segredo do cofre onde estão guardados 5,0 bilhões de reais do “Fundão Partidário”.

Gerir dezenas e ou centenas de milhões de reais, empodera presidentes das legendas, e os privilegia com direito de escolherem seus fiéis “pupilos”, a quem premiarão com mandato nas Assembleias Legislativa e Congresso Nacional, para assegurarem seus prestígios e renda. Pragmáticos, PSDB, MDB e Cidadania (ex-PCB), decidiram lançar uma chapa para disputar a corrida presidencial, denominada como “terceira via”, obra criada pela grande mídia esquerdista, com propósitos de atrair o eleitor Bolsonarista, que erroneamente ainda insistem em considerá-los como “antipetista”.

Numa exibição de força, os Morubixabas “tucanos” extirparam (ontem 17.05.2022) das entranhas do PSDB, a pré-candidatura de João Dória, arrancada a “fórceps”. Um ato de desrespeito ao processo democrático das “prévias” previstas no Estatuto do Partido, embate vencido por Dória, contra seu opositor Eduardo Leite. Bruno Araújo, presidente e “carrasco” do PSDB, ao asfixiar a carreira política de Dória, foi claro em suas declarações a mídia: os três partidos indicarão uma chapa. Exigirão postura de fidelidade, sob pena de punições prévias, como negarem legenda ou cassá-los por infidelidade.

Na “pajelança”, ficou decidido que a “cabeça da chapa” ficará com o MDB. O candidato será Simone Tebet ou de Michel Temer. O vice será escolhido pelo PSDB e Cidadania. Esta decisão hierárquica imposta de cima para baixo, desmonta palanques de Pedro Cunha Lima, Veneziano Vital do Rego (PB); Fátima Bezerra (PT) e Walter Alves (MDB) no RN e trará problemas para Renan Calheiros (AL) que já estava fechado com o PT e Lula.

Particularizando a Paraíba, a postulação de Pedro Cunha Lima (PSDB) tinha a aprovação e tratamento “diferenciado” por João Dória. A de Veneziano, do ex-presidente Lula, e parte do PT-PB. A terceira via exigira que ambos se juntem, evento que marcará o fim de Bruno Cunha Lima e Romero Rodrigues, se apoiarem uma chapa com Veneziano na “cabeça” e Pedro vice. Dificilmente a posição será invertida: Veneziano é Senador e vice-presidente do Senado, não abrirá para Pedro. Ricardo Coutinho será o anfitrião e companheiro de desventura de Lula. Como previu Artur Lira – verdade das pesquisas só no final de maio – hoje na sondagem da Genial/Quaest, Bolsonaro já está à frente de Lula na espontânea, e empata na estimulada. Cresce 5% a cada mês, nos últimos 90 dias. Caminho longo… ainda restam 140 dias para o primeiro turno.

DESABAFO DE TASSO JEREISSATI RETRATA REALIDADE POLÍTICA DOS PARLAMENTARES NORDESTINOS

Na última sexta-feira (13.05.2022), Mário Sérgio Conti em seu programa Diálogos – transmitido ao vivo pela TV Globo News – entrevistou o Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) com a nítida intenção de “auscultar” um tucano de alta plumagem, que lhes permitisse diagnosticar indícios de “comorbidades” visíveis, que vem debilitando a saúde da legenda, enferma e desidratada de popularidade em todo o país.

Calmo, falando mansamente como Cristão Católico em Confessionário, Jereissati (confiteor) surpreendeu o entrevistador quando assumiu sua “mea-culpa”, pelo desgaste que ora vive o PSDB. Lamentou a falta de renovação e ausências de novas lideranças, processo que teria evitado a desagregação da legenda, que vem trilhando os mesmos caminhos dos extintos PDS, PFL e DEM. Historicamente, o partido foi responsável por grandes mudanças no país, como o fim da hiperinflação, modernização do Estado – Lei de Responsabilidade Fiscal – início das privatizações; regras no setor econômico que permitiu o Brasil se inserir no bloco de potências emergentes, dentro de um cenário internacional, pré-globalização (final dos anos noventa século passado) gestão FHC.

A agremiação começou a perder força com o envelhecimento biológico de seus quadros, seguido de perdas insuperáveis, como Mário Covas, Marcelo Alencar; Sérgio Mota; Sérgio Guerra…Lideres como Téo Vilela, FHC; José Serra; Aluízio Nunes… Alcançaram a compulsória… Desta geração, restou apenas Geraldo Alckmin, que após uma derrota acachapante em 2018, trocou de sigla e se abrigou no PSB.

Quando indagado sobre o futuro do partido, Jereissati não respondeu diretamente à pergunta, e começou a discorrer – sobre que todos sabem – o casuístico comportamento dos Congressistas. O vício das Emendas Parlamentares, por quatro anos ininterruptos destinados a municípios escolhido pelos Parlamentares, em troca de apoio para renovação de seus mandatos. “Ninguém ali está pensando no país… Concluiu a narrativa, revelando seu desencanto recente, quando foi montar a nominata tucana no Ceará. Fizeram um leilão! iriam para quem ofertasse mais, não importando posições ideológicas ou compromissos com a sociedade, que defendem publicamente.

Surpreso com declarações “sincericidas”, o entrevistador fez sua última pergunta: “então você está deixando a política? Não vai renovar o mandato? “Não, respondeu. A política está me deixando”. Sobre os presidenciáveis, Jereissati não acredita na candidatura de João Dória (PSDB); não votará em Bolsonaro por acha-lo “difícil” (?) omitiu a dificuldade. Lula traria de volta os de sempre, carregados de rancor. Vê esperança em Simone Tebet.

Este drama do Ceará é o mesmo de todos os Estados da Federação. Renovar um mandato de Senador, custará uma fortuna ainda incalculável no presente. Um deputado federal – se for “Bolsonarista” e as redes sociais abraçarem sua causa – sai mais em conta.

Paraíba também pertence ao Nordeste e vive o mesmo dilema do Ceará. Sobram candidatos para o Senado – dispostos a comporem a chapa governista – convictos da perspectiva que João Azevedo (irresponsavelmente) disponibilizaria as chaves do cofre, para usarem o erário público no financiamento de suas campanhas. Quando um milionário de berço (Tasso Jereissati) desiste de voltar para onde sempre esteve (Senado Federal), fica evidente que os custos comprometem suas economias pessoal e o caixa de suas empresas.

UM POUQUINHO DE SORTE

            Ex-senador Ney Suassuna – conhecido pela maioria dos paraibanos apenas como político rico – foi um grande professor, e achamos que apesar da idade, ainda é um excelente palestrante sobre Economia. Assistimos uma de suas palestras – cerca de duas décadas – onde discorreu sobre origem do dinheiro, empreendedorismo; expansão monetária; crédito… Em sua narrativa, sempre citava um exemplo de sucesso e acrescentava: “mas, para que aconteça, tem que ter um pouquinho de sorte”.

            Em sua trajetória vitoriosa como empresário – origem humilde – acreditamos que a sorte esteve diversas vezes ao seu lado. No mundo político, deve tê-lo abandonado em algumas ocasiões. Ou, como ensina a Alquimia, não observou os “sinais”, a exemplo do prefeito da capital Cícero Lucena (Alquimista) peregrino de Compostela, que provou em 2020: o universo sempre conspira em favor dos predestinados, que perseguem seu sonho. Fora da vida pública por mais de uma década derrotou – há dois anos – Ricardo Coutinho, Rui Carneiro e Nilvan Ferreira.

            Atual governador João Azevedo, se constitui em mais um exemplo do místico “fator sorte”. Venceu uma eleição em 2018 no primeiro turno. Desde que foi instituído o segundo turno, até hoje, foi o único a conseguir tamanha façanha. Após a vitória, fez o oposto de seus antecessores: não tripudiou os derrotados. Desceu do palanque e foi cumprir a missão que o povo paraibano lhes confiou, a tarefa de governar.

            Balizado pela decência, prestigiou seu antecessor e seu séquito radical, fazendo vistas grossas aos contínuos arroubos de Ricardo Coutinho, que se auto proclamava dono dos votos da Paraíba. Se ele tinha esta convicção, porque não disputou o Senado da República? Comportando-se como um “martelo”, que só enxerga “pregos”, João Azevedo voltou-se para o governo, e pôs tapume nos ouvidos. Gastando saliva e solado de sapato, não parou de andar e dialogar com todos. A paz política foi estabelecida. As velhas intrigas sucumbiram ao debate. Despido de ideologias, quem quis fazer o melhor pela Paraíba, foi acolhido. O contraditório teve espaço, vez e voz.

As mudanças (lentas e graduais) começaram a ofuscar o brilho incandescente do ex-governador Ricardo Coutinho, que tratava seu aliado – eleito para substituí-lo – como “fantoche”. Impunha nos bastidores, o dever de João abraçar suas encrencas e caprichos pessoais. Rompimento unilateral de Coutinho, foi uma manobra mal sucedida. Imaginou que reuniria maioria da classe política e enfraqueceria o governador. Ledo engano…

João Azevedo sobreviveu a três longos anos, escapando de armadilhas e emboscadas. A sorte continua bafejando-o. A última e mais ousada das insídias, foi protagonizada pelo Senador Veneziano Vital do Rêgo, com seu rompimento intempestivo, desnudo de motivações, justificativas ou fatos desabonadores que atestasse desprestígio da Corte Palaciana.

Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. Um pequeno “cochilo” do governador, quase o levou a se distanciar da sorte. Declarou na primeira hora, apoio ao ex-presidente Lula. A recíproca foi um “coice” de Ricardo Coutinho, Lula e Gleisi Hoffmann, através de um vídeo, documentando Lula verbalizar que seu candidato é Veneziano. Um grande contingente de eleitores Cristão Conservadores (Igrejas e antipetista), não votarão num postulante, que se identifique com o perfil de Lula.

João Azevedo, praticamente não tem rejeição no “Núcleo Cristão Conservador”. Estadualizado a disputa, numa posição de “centro”, atrai eleitores dos extremos.

PRIMAZIAS

            Diariamente o pré-candidato do MDB-PB, Senador Veneziano Vital do Rêgo, posta nas redes sociais fotos com o ex-presidente Lula, afirmando ser o preferido do PT na disputa pelo governo do Estado da Paraíba. Sábado (09/04/2022) as declarações vieram do Coordenador Geral da Campanha, extremista radical Randolfe Rodrigues, que não é “petista”: “Lula só terá um candidato e palanque na Paraíba: Veneziano Vital do Rêgo. Onde fica o PSB que tem em seus quadros Geraldo Alckmin, anunciado vice de Lula? Os votos de João Azevedo e seus aliados, são abjetos e dispensáveis?

            Existência de dois palanques do PT – para acomodar conflitos locais e regionais – foram “engodos” estratégicos usados em 2006/2010 e 2014. Tropeçaram no vizinho Rio Grande do Norte (2014), e o preço cobrado pelos ludibriados foi o impeachment de Dilma Rousseff. Deputado Federal Henrique Eduardo Alves (onze mandatos ininterruptos no Parlamento), presidia a Câmara dos Deputados. Ex-Presidente Lula forçou sua candidatura ao governo. Costuraram o maior arco de alianças da história política Potiguar. Ficou fora apenas o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Robinson Farias, magoado por não integrar a chapa majoritária, disputando a vaga do senado.

            Fechada a coligação, a deputada federal Fátima Bezerra (PT), candidata ao Senado, alegou questões éticas/pessoais, que lhes impedia estar ao lado de Henrique nos palanques. Ficaria “solta”, porém, seguiria as determinações do partido. Mentiu. Robson Farias (PSD), com apoio de Gilberto Kassab, lançou-se candidato ao governo. Imediatamente a deputada federal Fátima Bezerra (PT) começou a pedir votos para Robinson Farias (PSD). Ninguém levou a sério.

            Iniciada a campanha, Lula através das redes sociais e em comícios, pedia aos potiguares que votassem em Henrique Eduardo Alves. Dilma Rousseff, candidata à reeleição e com poder de caneta, “oxigenava” financeiramente a campanha da deputada Fátima Bezerra – disputando o Senado – e por extensão, Fábio Farias (PSD), concorrendo ao governo. Henrique, segundo pesquisas e apoios, venceria com esmagadora maioria. O pleito foi levado para o segundo turno e Henrique amargou uma derrota acachapante. Culparam Dilma e Lula pela traição “arquitetada”.

            Retornando à Câmara para concluir seu mandato como presidente, Henrique deliberou deixar um legado histórico – sonhado pelos integrantes daquela Casa Legislativa – cuja maioria se solidarizou com ele, quando foi exposta a trama petista para derrotá-lo, e deixá-lo – pela primeira vez (desde 1970) – distante do seu inseparável broche da lapela.  Desengavetou e aprovou a PEC do Orçamento Impositivo, tirando todo poder de barganha da Presidente. Alforria para Deputados e Senadores, que não mais se submetem aos caprichos palacianos, para liberarem suas emendas.

 A vingança de Henrique – com apoio do Parlamento – levou a ex-presidente Dilma Rousseff ao desespero. Foi advertida pelos seus conselheiros petistas, que o jogo havia mudado e para pior. Só concluiria seu mandato se o presidente da Câmara fosse seu aliado. Escalou interlocutores para “negociar” a sucessão de Henrique, oferecendo-lhes o direito de escolher qualquer nome, e o nomeou Ministro do Turismo. Sem rodeios, Henrique indicou Eduardo Cunha. Não satisfeita, e tripudiando o derrotado Henrique Alves, no último minuto, Dilma quis eleger Arlindo Chinaglia (PT). Derramou um rio de dinheiro, mas venceu o indicado de Henrique. A traição de Dilma contra Henrique e Eduardo Cunha, despertou em ambos, um sentimento de desforra. O resto da história, todos conhecem. Cunha perdeu a Presidência da Câmara, o mandato, e foi parar na cadeia. Porém, deu um “abraço de afogado” em Dilma: o impeachment e seus desdobramentos, levou uma ex-presidente a ser derrotada para o Senado em seu Estado, Minas Gerais (2018). Com “Emendas Impositivas”, pereceu projeto do PT de se perpetuar no poder.

PLEBISCITO DE OUTUBRO

            Não é novidade. Todos sabem que o instituto da reeleição no sistema democrático, é plebiscitário. O eleitor optará pelo “sim” ou “não”, sobre a permanência do governo, facultando-lhes a oportunidade de renovar seu mandato por mais quatro anos, tempo para concluir projetos e ou, obras inacabadas iniciadas em sua gestão.

            Na Paraíba, a eleição “adequada” ao processo das escolhas – buscando a preferência da maioria dos eleitores – será a do ano de 2026. Ocasião para o surgimento de novas propostas, ou avanço no continuísmo do projeto de gestão, com mudança apenas no seu comando. No momento, o julgamento de João Azevedo por sua atuação administrativa, registra com clarividência – segundo pesquisas – o desejo da maioria pela sua permanência à frente dos destinos da Paraíba (40% das intenções de votos).

            Aqueles que ora se apresentam como opositores diretos, ao atual inquilino do Palácio da Redenção – exceto o tucano Pedro Cunha Lima – não passam de dissidentes insatisfeitos, movidos pela megalômana ganância de usurpar o poder a qualquer custo, para recuperar seus privilégios e se locupletar pessoal ou “familiarmente” do cargo.

            Ricardo Coutinho, detentor do primeiro lugar no “ranking” do histórico de traições da política paraibana, vem agora com discurso de “traído” (?) É cômico. Veneziano Vital do Rêgo, eleito Senador com a maioria dos seus votos colados com João Azevedo, participou e apoiou três anos de sua gestão. Indicou um verdadeiro Exército de séquitos, para ocupar cargos comissionados e estratégicos, rompeu e se voltou contra quem lhes prestigiou. Isto não é oposição, se configura como “oportunismo”.

            Politicamente fazer acordo com “sabidos”, é o mesmo que se dispor a enfrentar “valentões”. Os “bestas” e “frouxos”, invariavelmente terminam como vencedores. Sob esta premissa, saudoso José Maranhão tomou três derrotas consecutivas: governo (2006), reeleição (2010) Prefeitura de João Pessoa (2012). Após ter derrotado Ronaldo Cunha Lima em duas convenções, sentiu-se dono da verdade e “senhor da razão”. Peso e medida eram aferidos por sua opinião, subestimando lideranças influentes junto ao povo. Equipes eram auditórios só para aplaudi-lo. Quem opinasse era “pessimista”.

            Ninguém sabe como terminará esta união entre os dois “sabidos”, Ricardo Coutinho e Veneziano Vital do Rêgo. Todavia, o prejuízo registrado até o momento ficou na conta de Veneziano, que perdeu a oportunidade de renovar seu mandato em 2026, tendo sua mãe, Nilda Gondim, como governadora. Quanto a Ricardo Coutinho, o sentimento de vingança (pessoal) se alimenta do ódio. É impossível ser “coletivizado”.

            Apostar que o combate travado em nível nacional – radical disputa de “esquerda” x “direita” – se transforme numa cruzada a partir de municípios e estados, alcançando todo o país, é pura utopia. O povo aprendeu a separar eleições presidenciais das eleições estaduais e municipais, quando compreenderam a questão das acomodações partidárias.   A realidade é que até o dia de hoje (08/03/2022), só existem dois candidatos que estão se enfrentando e ocupando espaços na mídia: João Azevedo e Ricardo Coutinho. O curioso é a “excentricidade” deste episódio: um disputa sua reeleição para o governo do estado. O outro, pretende chegar ao Senado da República.

 

Federações Partidárias: O GOLPE DOS CACIQUES

A 56ª Legislatura instalada em 01/02/2019, que se encerrará em 31/01/2023, será lembrada pela história como o período mais caótico da República do Brasil, onde se inverteram os papéis, por conseguinte a ordem constitucional dos três Poderes, pilares da democracia. Um Parlamentarismo “branco” foi imposto à Nação, a partir do completo domínio do Orçamento da União, atributos constitucionais do Poder Executivo, através do Presidente da República.

Por outro lado, em meio à desordem, o Poder Judiciário legislou da forma como bem quis e entendeu. Prendeu deputado federal, atropelando o “Foro Privilegiado”, encarcerou jornalistas ignorando a liberdade de expressão (garantia constitucional), retirou poderes do Presidente da República, desrespeitando de modo imoral um Decreto de Calamidade Pública Nacional, sub-rogando seus poderes para governadores e prefeitos… Por um milagre não ocorreu uma crise institucional, com a intervenção dos militares e o STM assumindo as funções do STF, caso o presidente Jair Bolsonaro tivesse usado o artigo 142 da nossa Constituição.

A fuzarca extrapolou o limite, quando um ministro do STF (Alexandre de Mores) mandou a Polícia Federal intimar – com hora marcada – o Presidente da República, para ser interrogado e depor num inquérito aberto pelo próprio ministro, investigado por ele e julgado também pelo mesmo. A ousadia fazia parte da tática intimidatória. Se o Presidente, que não pode ser preso – estando no exercício do poder – cumprisse este capricho absurdo, dia seguinte a guarda municipal o prenderia para averiguação, ou por perturbar a ordem, através das “motociatas”.

Apesar de cinco mandatos como deputado federal, Jair Bolsonaro – como classificou perversamente a jornalista militante Eliana Cantanhede – um parlamentar de “fundo de plenário”, aquele que senta na última fileira, com pouca luz onde as lentes das redes de TV não o alcança, desconheceu a própria “Casa” onde já viu “boi voar”. Imaginou que o fato de ter sido eleito com mais de 57 milhões de votos, o Congresso o respeitaria em função de sua popularidade. Esqueceu que Collor e Dilma pensaram o mesmo, e sofreram impeachment.

Ao assumir, Bolsonaro encarou com surpresa a transformação de seu conterrâneo “carioca” Rodrigo Maia, na presidência da Câmara. David Alcolumbre – baixíssimo clero – que com sua ajuda chegou à presidência do Senado Federal, tornou-se seu principal algoz. Foram 125 derrotas do governo no Congresso, e tudo que se ouvia dos presidentes das Casas Legislativas era: “tem que se conversar” (?). O Orçamento do ano 2020, aprovado pelo Congresso (2019) derrubou todos os vetos do Presidente, deixando-o apenas com verbas de custeio: pagamento dos juros da dívida, precatórios; pessoal; INSS e manutenção. Se o presidente quisesse fazer obras, que cortasse no custeio, demitindo pessoal, extinguindo funções, economizando nos gastos do cotidiano, a partir dos cartões corporativos.

Em 2021 a regra seria a mesma. Neste momento, os “conselheiros” entraram em ação. Todos os ministérios poderiam ter recursos para investimentos, desde que fossem alocados através de Emendas Coletivas, de Bancadas e Individuais dos Parlamentares. A fórmula deu certo para o governo. Deputados e senadores voaram em céu de brigadeiro. Prefeitos e governadores tinham que “se acertarem” antes com o Parlamento, senão nada receberiam.

Mas, como nos ensina o velho adágio popular, “não há bem que sempre dure, nem mal que nunca se acabe”. Este ano, encerra-se o “carnaval”. Tem eleições e todos querem voltar. Todavia, pisaram na bola na minirreforma eleitoral de 2019, quando acabaram com as doações de campanha, e as famigeradas “coligações”. Como voltar em 2023, mesmo com 5,9 bilhões para o fundão eleitoral? Atualmente são 30 partidos com assento no Congresso Nacional. Mesmo assim, cada parlamentar se sente um partido, na hora de “negociar”. Nas eleições de 2018, dos 513 parlamentares apenas 12 atingiram o coeficiente, e se elegeram sem precisarem das “sobras” das coligações.

Os velhos “caciques” entraram em ação e criaram as “Federações Partidárias”. Mesmo que tudo funcione a contento, metade dos que lá estão, não retornarão.  PSL e DEM formalizaram a primeira “Federação”. Na reunião comandada pelo embusteiro Luciano Bivar, dos 70 deputados das duas legendas apenas 30 compareceram. A revoada vai ser grande. Mas, não altera o valor do “fundão” e fundo partidário: 1,1 bilhões de reais, nas mãos de Bivar, que procura o MDB para ampliar esta montanha de dinheiro, apoiando a senadora Simone Tebet para presidente. Como ficarão as postulações para os governos dos estados? Na Paraíba, Veneziano Vital do Rego fica impedido de se aliar com Ricardo Coutinho e o PT. A Federação com o PSOL, PDT e PSB, veta o MDB e o PSDB.

Governador João Azevedo, se permanecer no Cidadania vai colidir com Pedro Cunha Lima. A intenção da maioria dos “tucanos” é “Federalizar” com o Cidadania. O PSD de Gilberto Kassab, já admite unir-se a Lula ainda no primeiro turno, ampliando a “Federação das Esquerdas”. Entretanto, deputados federais para escaparem, contavam com a “janela da traição”. O prazo para regularizar as Federações se vencia em 31/03/2022, os parlamentares tinham até o dia 03/04/2022 para “pularem a cerca”. Para infelicidade destes, o ministro Barroso, presidente do TSE, deu ontem um tiro de misericórdia nos prováveis “fujões”. Pisando no pescoço da Lei, por unanimidade a Corte Eleitoral estendeu o prazo das Federações até o final de maio. Não escapará ninguém.

Com todas estas manobras nefandas, os caciques e TSE esqueceram um pequeno detalhe: o povo. O mesmo que se rebelou e elegeu o deputado “fundo de plenário”, está se amotinando nas redes sociais, e a palavra de ordem é não votar em candidatos de Federações. Chafurdaram tudo. Onde rola bilhões, a ética é um palavrão. Pedro e Veneziano ainda serão candidatos? João pode formar uma nominata com um único partido. Como previmos, a disputa na Paraíba continuará a ser pelo Senado da República. E, distante do povo, os caciques de sempre buscam eternizarem-se: Bivar (PSL), Lupi (PDT); Roberto Jefferson (PTB); Valdemar Costa Neto (PP); Republicanos (Igreja Universal) … Deputados Federais estão “no mato sem cachorros”.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte VIII)

            O desalento dos Cunha Lima (1981) sinalizava abandono em definitivo da vida pública. Só restava Ivandro – mesmo respeitado e admirado por seus pares no Senado da República – não tinha o comando do partido. Era o suplente de Rui Carneiro que assumiu em 1977 e seu mandato se encerraria no ano seguinte (1982).

            Na Paraíba, o governador que assumiu em 15/03/79, José Tarcísio de Miranda Buriti, vinha realizando uma gestão inovadora, futurista, conquistando admiração em todos os segmentos da sociedade, com avançados programas de obras, serviços e ações sociais. Entretanto, os “cabeças” da sua brilhante equipe de Secretário, haviam desfalcado Enivaldo Ribeiro. Inclusive um dos principais, José Silvino Sobrinho.

            Em quatro anos (1977/1981) Enivaldo Ribeiro ganhou visibilidade estadual. As eleições para governador do ano seguinte (1982) seriam diretas. Os Gaudêncios (importante grupo político de Campina Grande influente no Cariri e Curimataú) lançaram-no candidato a governador. Formaram a “Frente de Campina”, movimento suprapartidário, com apoio do “Grupo da Várzea” e lideranças de João Pessoa. Enivaldo estava eleito governador – um ano antes do pleito – episódio que o fez tirar o foco da sua sucessão, não preparando um candidato para 1982.

            Setembro de 1981, a fatalidade começou a operar suas enigmáticas mudanças no curso da história. Presidente Figueiredo após sofrer um infarto, licenciou-se do cargo e viajou com destino a Cleveland, nos Estados Unidos, para fazer uma cirurgia de ponte de safena. Assumiu o vice Aureliano Chaves. O Congresso aproveitou a oportunidade e apresentou uma PEC, derrubando a sublegenda. Aprovaram para o governo do estado. Para os Prefeitos, houve resistência. Com a volta de Figueiredo, o tema saiu da pauta.

Após queda da sublegenda a “Frente de Campina” procurou imediatamente Buriti. Mas, o governador havia perdido o controle do PDS, no tumultuado processo da troca do nome da sigla. A agremiação estava nas mãos do deputado Soares Madruga, Secretário Geral do Partido, com os Livros de Atas escondidos a sete chaves. Madruguinha recusou-se a dialogar com a Frente de Campina. O movimento esfriou …

  Humberto Lucena deu um xeque-mate nas pretensões do Clã Cunha Lima de comandar o PMDB. Trouxe João Agripino e Antônio Mariz para legenda, garantindo-lhes o direito de indicarem a chapa majoritária (1982). O neto de Solón de Lucena assumiu definitivamente o partido, que comandou até sua morte. Se Ivandro “topasse”, teria que enfrentar Buriti, já com campanha nas ruas (blefando) para o Senado, exibindo 81% de aprovação de sua gestão. Quem iria enfrentá-lo? Ivandro? Jamais. Seria loucura.

Janeiro de 1982, todos ainda queriam ser o candidato de Enivaldo. Raimundo Asfora (seu vice), os Gaudêncio; Edvaldo do Ó … até William Arruda, depois de 14 anos fora da vida pública, queria voltar a ser Prefeito. Dia 19/01/1982 foi promulgada a Lei nº 6.978/82 que estabeleceu o voto vinculado, “engessando” a opção do eleitor, que só poderia votar numa única legenda, escolhendo de vereador a prefeito, deputado estadual; deputado federal; governador do estado e senador. Em março de 1982 o governador Tarcísio Burity renunciou e passou o governo para seu vice, Clóvis Bezerra. Continuou “blefando” que disputaria o Senado.

Humberto Lucena lançou Antônio Mariz para o governo e João Agripino para deputado federal. Em Campina Grande, Enivaldo estava acossado, sofrendo pressões para escolher um nome, capaz de agregar todos que compunham seu enorme bloco. O MDB procurava a casa de Ivandro, que esperava a opinião de Ronaldo. Junho se aproximava, período das convenções e início oficial da campanha. Delfim Neto aprovou no Congresso o “FINSOCIAL” (25.05.1982) contribuição temporária que se tornou lei até hoje (COFINS). O dinheiro seria fonte de financiamento de campanha do PDS.

Vence eleições quem anda mais, erra menos e gasta bem. Enivaldo Ribeiro cometeu todos os erros – até os inimagináveis – para que Ronaldo crescesse em cima de seus disparates. Ficou “queimado” com os meios universitários quando atropelou a eleição de Moaci Carneiro como Reitor da FURNE e usou um ato de força, nomeando Vital do Rêgo como Pró-Tempore. Ocorreram até greves. Margarida Mota, Moací Carneiro e Jeremias Jerônimo arrastaram a FURNE e formaram linha de frente na campanha do poeta. Wilson Braga escolheu o respeitado empresário José Carlos da Silva Júnior para ser seu vice. Buriti surpreendeu a todos, quando cedeu seu lugar para o Senado ao deputado federal Marcondes Gadelha, provocando baixa expressiva no MDB-PB. E foi eleito com a maior votação da história (proporcionalmente) até hoje.

Reuniões diárias eram realizadas para chegarem a um consenso sobre “quem” seria o candidato de Enivaldo. Foram as convenções divididos Vital e William Arruda que saiu candidato pelo PDS-1, Vital no PDS 2. Enivaldo não teve maioria no Diretório? Argumentos para William Arruda desistir? Manter os Gaudêncios à frente da campanha? Segurar Raimundo Asfora? Fiel da balança,         que desprestigiado declarou apoio a Ronaldo Cunha Lima. Em troca, Ivandro lhes deu o sonhado mandato de deputado federal. Edvaldo do Ó entra no jogo, apoiando Ronaldo. Mesmo assim, a maioria da população ainda acreditava que Enivaldo elegeria seu sucessor. William Arruda descobriu que estavam enganando-o. Critérios para distribuição do FINSOCIAL determinavam 60% para o 1º da legenda, e 40% para o segundo. Vital estava ficando com os 60%. Convocou uma coletiva, e não só desistiu, mas, pediu que votassem em Ronaldo.

Como o voto era vinculado, Wilson Braga e o empresário José Carlos da Silva Júnior foram vítimas do “voto camarão” em Campina Grande. Dados do arquivo do companheiro Dagoberto Pontes: Mariz 39.760 votos, Wilson 31.530, maioria de 8.230 sufrágios. Quanto a Vital, a maioria de Ronaldo foi de 12.054 votos. Ronaldo voltara a ser prefeito, repetindo 1968: Vital do Rêgo “rachando” mais uma vez a maioria, desagregando o gigante PDS de Campina, cometendo todos os erros e contradições inexplicáveis, como a falta de apoio e diálogo com seu sogro Pedro Gondim, que foi candidato ao Senado na chapa de Mariz. Como votou D. Nilda? Contra seu pai, ou seu esposo? O tropeço involuntário de Enivaldo (1982), consolidou a liderança do Clã Cunha Lima na cidade, que comandou por 22 anos ininterruptos. Na sequência, conquista do governo, volta do Clã ao Senado e primeiro racha na família já Oligárquica.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte VII)

            A partida súbita, repentina e inesperada do amigo Aluísio Cunha Lima (29/09/79), desfalcou o Clã, já abalado com o dano irreparável provocado pela tragédia que vitimou Fernando (28/09/78), um ano antes. Restava Ivandro, no Senado da República, e Ronaldo, que já tinha readquirido seus direitos políticos, suspensos em 1969. Atônito diante do indecifrável mapa do destino, o poeta não sabia por onde começar, ou recomeçar. Ficaria no Rio, ou voltaria para Paraíba? Deve ter lido José Américo de Almeida (A Bagaceira) e se inspirado na frase cunhada pelo imortal da literatura: “Voltar é uma forma de renascer, ninguém se perde nos caminhos da volta”.

            Nos anos cinquenta do século passado (XX), quem não pertencesse ou descendesse de uma família politicamente oligárquica, só havia um caminho para ingressar na vida pública e conquistar uma vaga como agente político: ser líder estudantil. Fernando Cunha Lima foi o primeiro do Clã a se tornar líder estudantil. Eleito e reeleito presidente do CEC-Centro Estudantil Campinense, no início dos anos 50. Estabeleceu liderança e foi sucedido por seu irmão Ivandro, depois Ronaldo, no caso já como vice-presidente. “Espinho que tem de furar, mesmo pequeno mostra a ponta”. Os Cunha Lima não esconderam desde o movimento estudantil, que espaços ocupados, não se abdica nem se regateia. Não se aceitam “composições”, só “adesão”.

            Nas eleições municipais de 1959, Campina Grande testemunhou uma disputa de titãs. Talvez tenha sido o pleito mais “esbanjador” da Rainha da Borborema. Dois banqueiros disputaram a Prefeitura: Severino Cabral x Nilton Rique. Ronaldo Cunha Lima, com 23 anos, candidatou-se a vereador pelo PTB. Seus irmãos mais velhos consideraram loucura, aventura e precipitação. O poeta, com apoio da classe estudantil e dos inúmeros amigos conquistados em suas turnês quotidianas nos bares da cidade – não importando o bairro ou classe social – conseguiu surpreender todos, obtendo 950 votos e se elegendo. Sorte de principiante? Talvez…Teve uma brilhante atuação no legislativo mirim, graças a sua retórica em verso e prosa.

            Sonhava com voos mais altos. Entretanto evitando atritos domésticos, não os externava no ambiente familiar. Em 1962, mais uma vez – sem ouvir conselhos – lançou-se candidato a deputado estadual. A família vinha prosperando… Aluísio já era Lojista, Ivandro era dono de um Cartório e Fernando tinha se tornado um hábil profissional em movimentar ativos financeiros, na área de captação e investimentos. Já dispunham de meios para ajudar o poeta, financiando pequena estrutura em sua nova empreitada. A sorte já não seria de principiante. Ronaldo elegeu-se deputado estadual. O Clã começou a ser respeitado pelas tradicionais famílias e lideranças políticas da cidade.

            Em 1963, eleições municipais, o Prefeito de Cabaceiras José Aurélio, convidou Fernando Cunha Lima – já proprietário e latifundiário no município –  para sucedê-lo. A eleição seria um passeio… Ronaldo , discursando em versos, Fernando, um grande orador; terra de Félix Araújo com quem tinham laços políticos e apoiados pelo prefeito? Não tinha como perder. Os irmãos Cunha Lima se uniram e entraram na luta determinados a vencê-la. Mas, por ironia do destino, o impossível aconteceu: foram derrotados. Fernando perdeu para Abdias Aires, que a partir de então, tornou-se um líder por décadas na cidade.

            Volta a questão mística do destino. Se Fernando tivesse sido eleito prefeito de Cabaceiras, jamais teria alcançado o sucesso como empresário empreendedor, importador e exportador; aberto espaço político para a família em nível nacional. Teria ficado no tamanho e dimensão de uma liderança municipal do Cariri Paraibano.

            Os irmãos Cunha Lima cresceram rapidamente em seus projetos pessoais. Aluísio, Fernando, Ivandro; Roberto. Em 1966, Ronaldo vai à luta para renovar seu mandato de deputado estadual. O maior memorialista político do Estado, nosso amigo Médico Alfredo Lucas, confirmou a estrondosa votação de Ronaldo: o segundo do Estado, perdendo apenas para Clóvis Bezerra, posteriormente ex-governador da Paraíba.

            Chegamos ao ano de 1980. O destino do Clã Cunha Lima estava lançado. Como anteviu Aluísio, após a morte de Fernando, Humberto Lucena iria tomar a frente do MDB-PB. Era neto de Solon de Lucena, que governou a Paraíba nos anos 20. Ronaldo iria ou não ser candidato, para enfrentar o indicado de Enivaldo?

            A “sorte” mostrou que seria sua companheira inseparável. Logo que se instalou a nova legislatura (março 1980) o deputado federal Anísio de Sousa (GO) apresentou uma PEC, para prorrogar o mandato dos prefeitos e vereadores eleitos em 1976, até 1982. A justificativa era a permissão para criação de novas legendas, e não teria tempo suficiente até 15 de novembro. O Palácio do Planalto simpatizou com a ideia da eleição geral de vereador a senador da república e diretas para governos estaduais. Com maioria, o governo aprovou a PEC. Surgiram o PT, PTB, PDT e PP. Ronaldo, escapou de uma provável derrota… Teve tempo para se estruturar, acompanhar seu irmão Ivandro no Senado, e confortar a família, adaptando-os a conviver com as perdas de seus irmãos em 1978/1979. Na sequência, eleições 1982, instalação do Clã e o início dos 22 anos de comando dos destinos de Campina Grande.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte VI)

            O mês de dezembro de 1978, teve um verão com noites quentes, longas e insones, para classe política brasileira, quer seja governo ou oposição (Arena/MDB). Uma reviravolta na história do país tinha data e hora marcada para acontecer, até o dia 31. Presidente Ernesto Geisel tinha promulgado a Emenda Constitucional nº11, em 13 de outubro – trinta e dois dias antes do pleito de 15 de novembro – revogando todos os 17 Atos Institucionais que se sobrepunha a Constituição desde 1964, inclusive o temido AI-5. Todavia, só entraria em vigor a partir de 01/01/1979.

            Oposição e esquerdas levantaram tese, que a Emenda era uma “cilada clientelista”, para recuperar momentaneamente popularidade eleitoral do regime. Queriam assegurar maioria na Câmara e Senado, Mesmo com Senadores Biônicos e ampliação das bancadas do Norte/Nordeste. Contra argumentavam indagando: por que esperar até 31 de dezembro? Em 15 de novembro fizeram ampla maioria no Senado. Na Câmara, acrescentaram apenas cinco deputados a atual da ARENA. Havia muito ceticismo… Não acreditavam na abertura política com redemocratização.

            No dia 29 veio o susto. Estávamos no cafezinho São Braz com Aluísio Cunha Lima – já era Calçadão – por volta das 20:00, quando de repente o ambiente ficou lotado. Cervejaria Flórida permanecia aberta com todas as mesas ocupadas. Formaram-se diversas rodas de bate papo… A voz do Brasil acabara de noticiar, que o Presidente Geisel havia usado o AI-5. Extinguiu a CGI – Comissão Geral de Inquéritos, parturiente dos IPM – Inquéritos Policiais Militares, processo estabelecido para cassar e prender comunistas e corruptos. No mesmo ato, abolia também o AI-16, acabando com os banimentos. Acaloradas discussões foi até a madrugada. Pessoas que nunca tinham frequentado o papo, estavam por lá. Ninguém se arriscava opinar. “Figuras” conhecidas como suspeitas de serem informantes, mostravam-se enigmaticamente sorridentes.

            Nos afastamos do local e comentamos com Aluísio sobre possibilidades de retrocesso. Vão fechar tudo? Se todos os 17 Atos seriam extintos em dois dias, por que “pinçar” só o 16? “Não vai acontecer nada, contrapôs o amigo. Tudo ocorrerá como Fernando falou. Se extinguiram a CGI, como irão cassar mandatos sem IPM”? O Congresso estava em recesso de final do ano, o Senador Ivandro Cunha Lima deveria estar na cidade. Após a tragédia de Fernando, Aluísio se omitia em falar sobre política. A curiosidade nos impeliu a aborda-lo: Ivandro deve saber de algo… Se vai acontecer ou não o que estão comentando. Aluísio, com gesto de impaciência respondeu que o último a saber seria Ivandro, era do MDB.

            Dois dias depois, 31/12/1978, a TV Borborema anunciou durante todo o dia, em sua programação, uma Edição Especial do programa Confidencial, “ancorado” por Chico Maria, que iria ao ar às 00:01. Após o apagar das luzes, Chico Maria ao vivo apareceu ao lado Ronaldo Cunha Lima. A Emenda nº 11 entrará em vigor. Mesmo ainda faltando alguns meses para Ronaldo terminar seu período de dez anos de suspensão de seus direitos políticos, sem AI-5, não havia mais “cassados”. O poeta se dirigiu a Campina Grande bastante emocionado. O Estúdio estava lotado por seus ex-secretários e colaboradores de 1968… Mas, não falou que seria candidato a Prefeito no ano seguinte (1980), quando terminaria o mandato de Enivaldo Ribeiro. Chico perguntou se teria coragem de repetir 1968, ele disse que sim. E que traria toda sua equipe com ele – exceto um – para concluir seu projeto interrompido. Vez por outra, as lágrimas brotavam, a voz embargava…

            Até 15/03/79, quando Geisel passou a faixa presidencial para Figueiredo, os acontecimentos e surpresas do dia a dia – sem o AI-5 – fez todos esquecerem a velha política “paroquiana”. Cinema sem censura… Capitólio e Babilônia lotavam todos os dias. Músicas proibidas tocando no Rádio, revistas pornográficas expostas nas bancas ao lado da Play Boy… A sensação entusiástica expressada pela população jovem, era semelhante a quem acabara de atravessar o deserto, e ter chegado num lago em meio a pradarias verdejantes. De todos os governos Militares, Geisel foi o que mais criou Empresas Estatais. Seus quadros dirigentes eram formados por “Militares da Ativa”, a partir de Major. O próprio Geisel exonerou todos, e os levou de volta a Caserna.

            Meados de Junho, com o povo já se acostumando a democracia, o tema político voltou a pauta: eleições para prefeito e vereadores ano seguinte, 1980. Infelizmente o amigo Aluísio estava a cada dia mais deprimido. Enviou o primo Élcio Cunha Lima para o Rio Grande do Sul, gerenciar uma Indústria de Carrocerias que era de seu irmão Fernando. Checar outros ativos e imóveis, que havia dúvida se ainda existiam. Fernando foi um dos sócios de Tião Maia – o Rei do Gado no Brasil – e foram os primeiros a importarem a raça Nelore, para abate. Aluísio não tinham noção do tamanho do rebanho, nem onde se encontrava.

            Mesmo assim, certa noite o provocamos: algumas lideranças “emedebistas” estão planejando a volta de Ronaldo ano vindouro (1980). A resposta foi ríspida. “Estão todos cegos, ou não querem enxergar o volume de obras que o prefeito (Enivaldo) está fazendo”. A cidade e tempo são outros, diferentes de 1968. Passaram-se dez anos, e o eleitorado se não duplicou, triplicou. Quem terá coragem de enfrentar um candidato apoiado pelo Prefeito? Um milionário? Ronaldo não tem dinheiro. Pela estrutura deixada por Fernando, e seus votos de Campina, se não disputar uma vaga de deputado Federal pelo Rio em 1982, terá chances aqui. Mas logo agora (1980) é utopia.

            Na manhã do dia 28 se setembro de 1979 – exatamente um ano do trágico assassinato de seu irmão Fernando – um infarto fulminante levou nosso amigo Aluísio para outro plano. Era ainda muito jovem, tinha apenas cinquenta anos. Mas, um guerreiro cansado. Foi outra tragédia na família… Um balde de água fria, na “fervura” da pré-campanha de Ronaldo – já ebulição – projeto de voltar a PMCG. Na sequência, elemento “sorte”, desacertos de Enivaldo, racha de Asfora e volta triunfal de Ronaldo.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte V)

            O assassinato de Fernando Cunha Lima provocou grande comoção em Campina Grande e todo Estado. Silêncio profundo abateu-se sobre os habitantes da Rainha da Borborema, amargurados pela tragédia, que trouxe sentimento de consternação e dor.

            Imediatamente surgiram boatos de que o crime tinha sido obra dos Militares. Na época “suspeitos de sempre” – por tudo de ruim que acontecia no país. A rua Monte Santo e Cemitério lotado. Carros de som reproduziam discursos de despedidas dos oradores presentes. O candidato a deputado federal Marcondes Gadelha, levou a multidão às lágrimas. Acompanhamos tudo ao lado de William Tejo, que tinha voltado ao batente, atendendo nosso convite, então Gerente da Sucursal do Correio da Paraíba.

            Saímos após o encerramento das exéquias com Tejinho, e fomos nos confortar com alguns goles de conhaque. Ele iria escrever um artigo, sob a ótica de crime político. Naquele momento, não havia outra explicação. Pedimos na ocasião cautela. Iríamos conversar com Aluísio e saberíamos o que estava pensando a família, sobretudo ele, o líder (Alpha) que esteve sempre na retaguarda. O momento era de dor imensurável. O senso de oportunidade nos recomendava esperar a hora exata. Nada mudaria o trágico acontecimento. Palavras de conforto, não repararia o dano.

            Dia seguinte ao sepultamento, no final da tarde, Aluísio nos ligou e nos convidou para nos encontrarmos e conversarmos. Iria à casa de seu tio João Cunha Lima – chefe do Cartório de Ivandro que funcionava na rua Afonso Campos – seu amigo e confidente, com quem tratava os assuntos de família. Passou no Calçadão e fomos para outro local.

            Sua aparência nos chocou. Pálido, petrificado, com aspecto ausente… Numa linguagem rasteira, a “ficha ainda não tinha caído”. Perguntamos se já tinha sido confirmado o que a cidade comentava: atentado político. Não, respondeu de imediato. Nada de política. Quem o matou foram seus sócios, picaretas que ele os considerava como amigo e parceiros de negócios. Conspiraram contra ele. A Polícia já tem vários suspeitos. Mas, foi alguém muito próximo. Apesar de não ter guarda-costas ou seguranças, Fernando era precavido. Conversamos longamente e no final nos disse que estava com viagem marcada para o Rio, para cuidar do espólio. Eram muitos e grandes negócios. Fernando tinha crescido com rapidez, e não teve tempo de se organizar.

            Aluísio esteve fora por quase todo o mês de outubro. Quando ocorreu a tragédia, restavam apenas cinquenta dias para as eleições de 15 de novembro. O MDB-PB estava literalmente destroçado. Em dois anos havia perdido Janduhy Carneiro, Petrônio Figueiredo, Rui Carneiro e seu sucessor que ressuscitou a legenda Fernando Cunha Lima.

            Com a lacuna deixada pela ausência de Fernando no comando da campanha, Humberto Lucena foi derrotado. Aliás, diretamente contra Ivan Bichara perdeu o pleito. O ex-governador obteve 303.154 votos, contra 269.795 de Humberto Lucena. Mas, o MDB havia lançado duas sublegendas: o vereador Ary Ribeiro e João Bosco Braga Barreto. O assassino Farah era filho ou sobrinho de um Gen. do Exército da reserva. Para teoria da conspiração, Farah estava a serviço dos Militares.

Ary Ribeiro se elegeu vereador (MDB) dois anos antes (1976) com 2.903 sufrágios. Para Senador da República, as urnas de Campina Grande despejaram uma avalanche de votos totalmente imprevisível: 48.784. Seu discurso era sobre o assassinato político de Fernando Cunha Lima. Tinha sido Delgado na cidade, fez um bom trabalho, conquistou o respeito da população que lhes pôs na Casa Félix Araújo. Quando ele falava que Fernando havia sido assassinado, o povão acreditava no Delegado. João Bosco Braga Barreto foi na mesma linha, e de modo mais contundente, cobrando de Ivan Bichara o que ele não tinha realizado por Cajazeiras, terra natal de ambos. Saiu das urnas com 50.032 votos. Somados os votos das sublegendas – Ivan Bichara não tinha sublegenda – perdeu para Humberto. Corrigindo: a ARENA (303.154) e MDB (368.611) Quem venceu foi o MDB, maioria de 65.457, não Humberto.

  Marcondes Gadelha, desconhecido em Campina Grande e sem apoiadores, só pelo discurso no sepultamento de Fernando, a cidade lhes presenteou com quase 13 mil votos. Recorde até então, obtido por um deputado federal na cidade. A “estrutura” financeira de Ary e Bosco, estavam pagas por Fernando, antes de sua trágica partida.

Após as eleições, no final de novembro, reencontramos Aluísio. Desta vez, percebemos seu estado emocional. Abalado, machucado e deprimido. Os suspeitos já estavam presos. José Carlos Succar Farah, sócio minoritário, porém de confiança de Fernando, que era Presidente da ITN Trading Company S.A., Holding que comandava 18 empresas de exportações. O comparsa de Farah, era José de Abreu Ferraz, que tinha uma revenda de veículos importados. Trabalhava com dinheiro de Fernando.

Neste longo relato, Aluísio descreveu sua chegada ao Rio, e o quadro devastador de “terra arrasada” que encontrou. O rombo na Trading era gigantesco. Desapareceram todos os “haveres” recebíveis, e só constavam dívidas vencidas e vincendas. Inúmeros contratos de gaveta (promessa de compra e venda) pertencentes a Fernando, não tinham sido encontrados. Letras de Câmbio – uma espécie de cheque ao portador – que o governo Collor de Mello acabou, era um papel seguro neste tempo. Servia como reserva, ou moeda para negócios imediatos. Fernando tinha falado a Aluísio quanto dispunha. O encontrado foi muito aquém. A família desconhecia outros locais onde ele guardava documentos. “Roubaram e mataram meu irmão”, confessava Aluísio, até o dia em que também partiu, antes da missa de primeiro aniversário pelo falecimento de Fernando. Viveu estes poucos dias, na busca de recuperar parte do patrimônio do irmão. Sua angústia e amargura aumentava a cada dia, pois mesmo que a Justiça condenasse os assassinos, ele já tinha os tinha sentenciado. A vingança era uma questão de honra inegociável. Não recuaria nem a pedido do criador. O plano já estava elaborado e em curso.

Tentando confortar o amigo, sugerimos que nem tudo estava perdido. Ivandro estava no Senado. Bastidores de Brasília apostavam na promessa de Geisel de revogar o AI-5 até o final de dezembro. “Política na família nunca mais”. E Ronaldo? indagamos. “Se ele quiser voltar, que seja pelo Rio de Janeiro. Na Paraíba não”. Na sequência, a morte de Aluísio, volta de Ronaldo, elemento “sorte”. Brigas, mágoas e rompimento no Clã.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte IV)

            O ano de 1978 foi de temor, muitas dúvidas e boatos desassossegadores no Congresso Nacional. A Paraíba, particularmente Campina Grande, foi marcada por uma tragédia brutal e hedionda, que arrancou os alicerces do Clã Cunha Lima, em construção. O Exército dividido, maioria dos Quartéis querendo o recrudescimento do regime. General Sílvio Frota, Ministro do Exército, pretendia ser o sucessor de Geisel, apoiado por expressiva parte das Forças Armadas e da ARENA. Foi exonerado e preso em domicílio. Geisel trocou quase todos os Comandantes, a partir do seu Chefe do Gabinete Militar, General Hugo Abreu, o homem que acabou com a guerrilha do Araguaia.

            Contra tudo e quase todos, lançou o General João Batista Figueiredo, Chefe do SNI – Serviço Nacional de Informações, como seu candidato. Chamou as lideranças da ARENA – partido que dava sustentação ao governo no Congresso – e os fez engolir “goela abaixo” sua excêntrica escolha. Um candidato do SNI? Órgão que aterrorizava todo o país? Tinha Jarbas Passarinho, Costa Cavalcanti, Mário Andreazza… Que eram Militares e políticos, abertos ao diálogo, defensores da transição que vinha sendo conduzida por Petrônio Portela: “Distensão”. Mas, os Generais que ficaram ao lado de Geisel, foram enfáticos: “não aceitavam civil, nem batiam continência para Coronéis”. Temendo mais uma crise, Geisel promoveu Figueiredo para quatro estrelas, e o pôs na reserva.

            Nosso termômetro era Aluísio Cunha Lima, que conversava com Fernando e nos transmitia os acontecimentos de bastidores. Fernando havia assegurado a Aluísio que boatos de retrocesso não passavam de “escaramuças”. As eleições estavam asseguradas, e os Militares “descontentes” iriam trabalhar sorrateiramente o nome do General Euler Bentes Monteiro, como adversário de Figueiredo, candidato pelo MDB. Todavia, o Colégio Eleitoral não se resumia ao Congresso Nacional. A ARENA elegeria Figueiredo. Euler Bentes tinha sido voz dissidente do “pacote de Abril”.

            No apagar das luzes de 1977, Aluísio nos ligou e pediu para irmos até sua loja na Rua João Pessoa. Lá nos mostrou o Contrato Social da CLIVEL- Cunha Lima Veiculos Ltda. Empresa recém fundada, que seria Concessionária da FIAT em Campina Grande, João Pessoa; Natal e Mossoró. Aureliano Chaves, governador de Minas Gerais, tinha trazido a FIAT para seu Estado, arrancando-a de última hora do ABC Paulista.  Fernando Cunha Lima, tinha conseguido através de sua recomendação, estas quatro Concessionárias. Na ocasião, nos ofereceu a função de gerente no Rio Grande do Norte. Sabia que gostávamos do Jornalismo. Mas, argumentou que seria uma experiência diferente, que se eu não me encontrasse no ramo, poderia voltar a fazer o que gostava.

            Milton Cabral (Senador da República) entrou na briga com Fernando pelas concessões de João Pessoa e Campina Grande, com a SIBRAL Veículos. Em Junho a FIAT decidiu por Milton Cabral. Levantamos a hipótese, que deveria ter o “dedo” dos Militares na escolha. Não, respondeu Aluísio. Foi questão “cadastral”. Patrimônio apresentado por Milton Cabral, ninguém possuía na Paraíba. Só na Av. Vieira Souto (Rio de Janeiro), na época o metro quadrado mais caro do planeta, Milton tinha 22 apartamentos e a maioria “coberturas”. Propôs antecipar pagamento referente a dois anos de quotas à vista. Até este dia, não sabíamos que Milton Cabral era genro de Drault Ernani, um dos homens mais ricos do Rio de Janeiro. Banqueiro, maior acionista da única Refinaria de Petróleo privada do país na época (Manguinhos); dono do Recreio dos Bandeirantes… Muito influente na política nacional. Para uma multinacional, o perfil de Milton suplantava Fernando. Mas, o Rio Grande do Norte permanecia com a CLIVEL.

            Em Junho(1978) ninguém conseguia mais se aproximar de Fernando Cunha Lima. Onde ele estivesse – em Campina Grande ou João Pessoa – sede do comando da campanha, tendo à frente o ex-ministro Abelardo Jurema, tinha uma imensa fila que queria falar com ele. Todos prontos para apoiá-lo, e muitos queriam disputar uma vaga na Assembleia Legislativa com seu apoio. Humberto Lucena não desgrudava dele. Lançou-se candidato ao Senado, imaginando que enfrentaria Milton Cabral e não Ivan Bichara, que se licenciou do governo para disputar uma das duas vagas. Milton era candidato dos interesses petrolíferos do sogro bilionário. Teria derrotado Humberto.

            Saudoso gênio e intelectual Machado Bittencourt, Cineasta, Fotógrafo, Historiador e Jornalista, foi contratado por Fernando Cunha Lima para produzir todo material audiovisual da campanha. As fotos coloridas vieram da Editora Bloch (Revista Manchete). Todo tipo de equipamento foi fornecido por Fernando. Câmeras Fotográficas importadas, filmadoras de 08 e 16 milímetros… A campanha seria documentada para posteridade, mostrando o início de uma carreira política de longevidade. Estúdio foi montado num galpão construído ao lado da casa de Machado, no final da Rua João Suassuna. Após a campanha, iria para o Rio, realizar seu sonho de produzir bons filmes.

             Dia 1º de Setembro (1978) foi eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, Tarcísio Buriti para o Governo do Estado e Milton Cabral para o Senado Federal. Ainda em Setembro (15), o Colégio Eleitoral elegeu João Batista Figueiredo presidente, pela ARENA, com 355 votos. Euler Bentes Monteiro pelo MDB obteve 266 sufrágios. Restava só 15 de novembro, para o eleitor indicar Deputados Federais, Estaduais e um Senador. 26 de setembro a noite, Fernando Cunha Lima deixou seu escritório no Rio, e foi jantar com sócios e amigos. Não apareceu no dia seguinte. Dia 28 pela manhã encontraram seu corpo a 50 km da cidade. Destino ou acaso? A notícia paralisou a Paraíba, o Rio e teve repercussão em todo país. Havia dúvidas… Procuramos imediatamente Aluízio, mas não o encontramos. À tarde veio a confirmação. Abelardo Jurema reconheceu o corpo no IML. Presumimos que o projeto político do Clã – mesmo com Ivandro há dois meses no Senado – havia sucumbido com a vítima, que foi sepultada ao lado dos sonhos de muitos. Por outro lado, mesmo morto, levou outros a vitória. Na sequência, “Fênix” ressurge das cinzas, racha na família; sorte ou destino, determinando o curso da história do Clã.

HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (parte III)

            O ano de 1977 foi marcado por grandes inquietações políticas no cenário nacional. No dia 1º de Abril, o presidente Ernesto Geisel surpreendeu o país, fechando o Congresso Nacional. O AI-5 – arma de defesa dos Militares – sem uso desde 31/12/69, foi acionado para alterar a legislação. Fazer mudanças no Poder Judiciário – impedidas pelo Senador Paulo Brossard – e uma Emenda Constitucional que ampliava vagas na Câmara dos Deputados – beneficiando Estados do Norte/Nordeste – criando também mais uma vaga para o Senado (por Estado) através das eleições indiretas, juntamente com governadores ano seguinte (1978).  O episódio ficou conhecido como “pacote de abril” e os novos Senadores, “qualificados” pejorativamente pela mídia, como “Biônicos”.

            Em meio a todo o pandemônio, Aluísio Cunha Lima nos convidou para ir ao Aeroporto João Suassuna, receber Fernando, que vinha no seu próprio Jatinho, acompanhado do deputado federal Humberto Lucena e do ex-ministro Abelardo Jurema. Nos dirigimos para uma granja, de propriedade de Aluísio, localizada nos Cuités. Hoje não sabemos mais se ainda é granja, ou área urbana. A presença de Fernando era muito marcante. Possuidor de carisma tão impactante quanto Ronaldo, Porém, se expressava de forma absolutamente distinta. Dominava o ambiente, centralizava a discussão…Todos queriam apenas ouvi-lo. Explanou sobre geopolítica, macroeconomia; política internacional; a acelerada falência da Rússia e leste Europeu – fato ainda ignorado por todos – e o “milagre Japonês” … Na época, o Japão estava para o mundo, como hoje está a China. Era a segunda maior economia do Ocidente.

            Um otimista que transmitia segurança. Escutamos e ficamos boquiaberto com seus relatos, sempre citando opiniões e pontos de vistas de figuras respeitadas como Celso Furtado, de quem era amigo pessoal, Oscar Niemeyer; Adolpho Bloch – que o tinha como um filho – Condessa Pereira de Carneiro, dona do Jornal do Brasil; Aureliano Chaves – então governador de Minas Gerais, eleito vice-presidente de João Batista Figueiredo nas eleições indiretas de 1978… Ao cabo de três horas de conversa, quando todos já estavam saindo, Aluísio nos chamou e se dirigiu a Fernando: “este é o amigo que te falei…” Memória privilegiada, Fernando respondeu de imediato, o do Rio Grande do Norte? Sim, respondemos. Conhece Cortez Pereira? Não, apenas sabemos que foi governador e misteriosamente afastado.

            Ele ainda conseguiu implantar o projeto “Serra do Mel”, comentou Fernando. Apesar de ser Potiguar, morava em Campina Grande, e não sabia que projeto era este. Muito tempo depois, tomamos conhecimento. Fernando junto com Cortez, trouxeram para o Rio Grande do Norte um grupo de investidores Judeus, aproveitaram uma área inabitada, das mais críticas do semiárido – apesar de se localizar a 50 km do litoral – consideradas terras devolutas da União. Cortez desapropriou e começou a instalar um “kibutz” no estilo Israelita. Hoje Serra do Mel é um município, e o maior produtor de castanha de caju do RN, que é o maior produtor do país. Os Judeus transferiram apenas Know-how. Não investiram porque havia impedimentos burocráticos.

            Nosso primo Bandeira (o General), continuou Fernando, foi quem fez a transição suave, sigilosa e sem danos morais para Cortez. Não foi cassado, afastou-se. Indagamos se o problema tinha sido corrupção, pois Cortez era Udenista e tinha respaldo do líder dos Militares no Senado, Dinarte Mariz. “Briga de cachorro grande”, respondeu Fernando. Nossa última pergunta foi sobre o “pacote de Abril”: haverá retrocesso? A pergunta era pertinente, estávamos em maio de 1977. “Não. Quem foi cassado? Ninguém. Quanto tempo durou o recesso? Duas semanas. Geisel tem compromissos com Jimmy Carter e a comunidade financeira internacional. O Exército voltará aos Quartéis até 15 de março de 1979”. Os acontecimentos ocorreram exatamente da forma que ele discorreu. Isto não é “previsão”, nem “bola de cristal”. Estava tudo planejado. E fica mais que explícito, sua participação nos bastidores da “transição”.

            Noventa dias após o fim do recesso do Congresso (1977) no dia 20/07/1977 morre o Senador Rui Carneiro, líder do MDB no Estado e um dos mais expressivos políticos paraibano no Congresso Nacional. A perda de seu irmão Janduí, deputado federal de 1945 até 07/06/1975 – quatro meses após o início do seu oitavo mandato, o tinha deixado profundamente abalado. Foram dois irmãos no Congresso por três décadas. Janduí na Câmara e Rui no Senado. Rui e Janduí tinham sido reeleitos em 1974. O suplente Otacílio Queiroz, concluiu o mandato de Janduí. Outra perda irreparável do MDB, setembro ainda do fatídico 1975, foi do deputado federal Petrônio Figueiredo, filho do ex-senador Argemiro de Figueiredo. Concluiu seu mandato Arnaldo Lafayette, suplente com 1.700 votos. Quem era o Suplente de Rui que continuaria em seu lugar no Senado até abril de 1983? Ivandro Cunha Lima. Voltamos a indagar: destino ou acaso? Ivandro perdeu a eleição municipal de 1976. Se tivesse sido eleito, não teria ocupado por cinco anos, uma cadeira no Senado da República, conquistando inclusive, o ambicionado cargo de 1º Secretário da Mesa Diretora, cargo que administra a Casa. Fernando fortaleceu-se, e se tornou o herdeiro natural dos ideais de Rui Carneiro.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (Parte II)

            Ex-prefeito Evaldo Cruz estava encerrando sua gestão (1976). Eleito em 1972, sucedeu Luís Mota Filho – segundo interventor nomeado pelos Militares – para substituir Ronaldo da Cunha Lima (cassado) e seu vice Orlando Almeida, impedido de assumir. Na realidade o eleito (1972) tinha sido Juracy Palhano. O pleito foi “tomado” pelo Major Câmara, então Comandante da 5ªCia de Infantaria, hoje 31º Batalhão de Infantaria Motorizado, aquartelada aqui em Campina Grande.

            Após o traumático pleito de 1968, a inesperada derrota do Senador Argemiro de Figueiredo (1970), falecimento de Seu Cabral e as cassações de Ronaldo e Vital do Rego, a Rainha da Borborema vivia seu “Saara” político. Luizito Mota (1972) indicou Evaldo Cruz, então Diretor da CANDE – fábrica de tubos que concorria com a Tigre – empresa de Humberto Almeida, irmão de Orlando Almeida, o vice que não assumiu. Parecia ser candidatura única…Até o dia em que o então Vereador Everaldo Agra, começou a anunciar que seria candidato para enfrentar Evaldo.

            Dois empresários emergentes entraram na disputa. Antônio Gomes, como vice de Evaldo Cruz. Juraci Palhano, bastante conhecido na cidade como Professor, ex-radialista; ex-funcionário do Banco do Brasil; proprietário de Colégios; Agropecuarista e investidor imobiliário na cidade… Convidado por Everaldo Agra – conversa intermediada pelo Jornalista Aécio Diniz – inverteu os papéis: ele seria “cabeça de Chapa” e Everaldo vice. Foi uma das mais belas campanhas da cidade. Contagiante, a partir do jingle de Juracy. Em noventa dias, saíram do zero e chegaram ao topo.

            Em sua última visita ao Diário da Borborema (1975), Major Câmara foi se despedir. Havia sido transferido para Natal. Desconhecendo a história de Aécio Diniz e sua ligação com Juraci Palhano, fez um longo relato/desabafo sobre o combate ao comunismo que realizou na cidade. A narrativa culminou na confissão: “o tal do Juraci estava eleito prefeito… Uma comissão de “Senhores Responsáveis”, defensores da gloriosa Revolução, foi até o Quartel no final do primeiro dia de apuração dos votos, e nos informou quem estava por trás do tal candidato: Vital do Rego, os Cunha Lima… E citou uma lista de cassados”.  Finalizou: “Naquela noite mandei uma escolta trazer até o Quartel o presidente da Junta Apuradora, e fui direto: não quero saber de votos. O prefeito é Evaldo Cruz. Se o resultado for outro, prendo todos vocês comunistas”.

            No primeiro dia de apuração, Juraci estava dando 2×1 em Evaldo Cruz. No dia seguinte o quadro se inverteu. Teve urnas no bairro da Liberdade – maior reduto de Juraci e Cunha Lima – que não foi contabilizado um único sufrágio em seu favor. Terminada a apuração, Evaldo Cruz saiu em passeata. Os eleitores de Juraci também. A passeata de Juracy (derrotado) tinha o dobro de pessoas que a do eleito. William Tejo e Tarcísio Cartaxo, perplexos com o fato que testemunharam, sempre falavam que fora algo inédito – treta descarada – que jamais seria visto na história política da Paraíba.

            Voltando às eleições de 1976, Evaldo Cruz – amigo e respeitado pelo então governador Ivan Bichara Sobreira, entregou-o à tarefa de escolher o seu sucessor. Ligado ao Grupo da Várzea, o consenso foi indicar Enivaldo Ribeiro, deputado estadual de primeiro mandato, eleito em 1974. Carismático, popular, Enivaldo pôs imediatamente a campanha nas ruas, pois já tinha um adversário: Juracy Palhano, que vinha para o tira-teima. Mas, o MDB preferiu sair do anonimato e lançar seu próprio candidato. Não iriam mais apoiar Juraci (Arena 2) sublegenda. O nome escolhido – julgamos que forçado – foi o de Ivandro Cunha Lima, suplente de Senador de Rui Carneiro.

            Como conversávamos diariamente com Aluísio, não sentimos entusiasmo pela escolha de Ivandro. Sensato, Aluísio enfatizava que o tempo era outro, diferente de 1968. Enivaldo vinha com a máquina do governo. Andava rua acima, rua abaixo, puxado por um cordão de bêbados, povão pedinte; entrava em todas as casas… Ivandro era um Gentleman, cordial; cavalheiro; todos na cidade gostavam dele, não tinha inimigos, nem sequer quem o invejasse. Entretanto, não tinha o perfil de Enivaldo e do próprio Ronaldo, na facilidade de se envolver com o povão. Jamais iria fazer um discurso contundente contra o “Regime”. Era conciliador e estava correndo o risco de ter um grande prejuízo material: dividirem seu Cartório – até hoje – o único da Cidade de Registros. A lucidez de Aluísio era impressionante.

            Passamos a conversar nos finais de tarde, em sua Loja na Rua João Pessoa. Tinha deixado de frequentar o “Cafezinho”. Só voltaria após a campanha.  Temperamento forte e pavio curto, não levava desaforo para casa. Segundo Aluísio “Ivandro estava passando por uma provação. Deus vai escolher a sua melhor derrota. Perguntamos sobre Fernando. Tem a mesma opinião que a minha, respondeu. Mas, não pôde deixar de atender a Rui Carneiro. Realmente Fernando veio a Campina Grande só na última semana da eleição. Iria conversar com Juraci Palhano, para que o mesmo desistisse de sua candidatura e viesse apoiar Ivandro. A turma do boato espalhou que Fernando veio “comprar” Juraci. Episódio que feriu os brios de Juraci, que sequer aceitou o encontro. Foi até o final, dividindo votos da oposição. Enivaldo venceu. Ivandro foi sossegar. Mas, o projeto de Fernando permanecia mais vivo que nunca. Seria posto em prática apenas dois anos depois, a partir de 1978.

A HISTÓRIA DO CLÃ CUNHA LIMA (Parte I)

Destino ou acaso? A história do Clã Cunha Lima teve suas origens – ascensão – de forma bem distinta e com desfechos não previstos pelos principais líderes da família – irmãos mais velhos de Ronaldo – Aluísio; Fernando e Ivandro. Janeiro de 1974, aos 18 anos, fomos admitido no Diário da Borborema. Seis meses depois, assumimos um cargo de direção, indicação do Superintendente e mestre Aécio Diniz de Almeida.

 Começamos a frequentar o atual Calçadão – na época o Cafezinho São Braz – e participar do bate-papo bacurau. As conversas se estendiam até altas horas da noite. As rodas dos participantes, eram bem divididas. Tinha a turma dos Comunistas Moscovitas, dos Chineses; da política local; do futebol; dos negócios (grandes empresários) conseguimos “penetrar” nos debates de todas. Ora ouvindo, ora opinando… Conhecemos o então o saudoso amigo Aluísio Cunha Lima. Através dele, começamos a conhecer a história política e sócio/econômica da cidade. Passamos a conversar diariamente, nos encontrando até após o almoço, no Cafezinho. Para tabagistas, três ou quatro goles da preciosa “rubiácea”, pós refeição, é indispensável.

Quando indagávamos sobre a volta de Ronaldo, Aluísio sempre desconversava. Enfatizava que o poeta estava muito bem no Rio de Janeiro, e com certeza logo que os Militares deixassem o poder, conquistaria um mandato de deputado federal (pelo Rio). E quanto a Paraíba? Respondia: “o homem” será Fernando. Têm grandes negócios, forte influência e apoio dos meios empresariais do país. Será governador em 1982.

Aos poucos foi relatando o prestígio de Fernando Cunha Lima… Amigo pessoal de Juscelino Kubitschek, tinha sido Diretor do Banco DENASA de Investimentos – que era do ex-presidente – trabalhava com capital externo, atraindo investidores internacionais… Braço direito do Senador Rui Carneiro, representante no Brasil do Chase Manhattan Bank, aqui com o nome de Banco Lar Brasileiro. Fernando dispunha de todas as ferramentas necessárias para o projeto do Clã, além de “informações privilegiadas”.

Na curiosidade de saber mais – sempre que havia oportunidade – abordávamos sobre a cassação de Ronaldo. Ele tinha ligações com os comunistas? Era amigo dos banidos de 1964? O afastaram pelo simples fato de ter sido eleito pelo MDB? Baixava um pouco a cabeça, olhava-nos sobre os óculos, e respondia: um dia você vai saber. Eu vou te contar. E para que não insista mais sobre este assunto, saiba que o General Bandeira (linha dura temível da época) é primo legítimo nosso. Ele é sobrinho de minha mãe (Dona Nenzinha) e amigo de todos nós: é sangue.

Em Junho deste mesmo ano de 1974, começaram as eleições para renovar 1/3 do Senado Federal. Rui Carneiro mais uma vez foi candidato. Perguntamos a Aluísio se Fernando seria seu suplente. “Não… Vai ser Ivandro”. O projeto de Fernando começará em 1978, elegendo-se o deputado federal mais votado do Estado. Os Militares voltarão aos Quartéis no final deste governo (Geisel). Julgamos impossível, e questionamos: esta informação é de Fernando, ou do General Bandeira? De ambos respondeu. Em 15 de novembro (1974) Rui Carneiro foi eleito Senador, para tentar cumprir seu último mandato. Ivandro, que nunca tinha sonhado com política, era seu primeiro suplente. Um resultado que surpreendeu a Paraíba.

Saudoso amigo Jornalista Tarcísio Cartaxo, nos levou até a Coordenação da campanha de Rui em Campina Grande, para negociarmos as matérias pagas e inserções de anúncios publicitários do candidato. Foi nesta ocasião que conheci, na Rua Dr. João Moura – em sua residência – o amigo Tribuno Vital do Rêgo. Ele era quem estava comandando a logística da campanha na Rainha da Borborema, de Rui e Ivandro. Exatamente Vital, que seis anos antes, tinha sido derrotado por Ronaldo, e em 1965 foi adversário de Rui, na Campanha fraudada que levou João Agripino ao Governo (1965).

Duas décadas depois, no programa Debate Borborema, horário que dividíamos com o companheiro Dagoberto Pontes, fizemos um comentário (2004) que a história Vital x Ronaldo, só tinha uma explicação: “Carma”. Filosofia Mística da Índia, que aborda sobre o destino programado pelos Deuses aos homens. Algo como “escrito nas estrelas”. Na sequência, apontaremos fatos, relatos esquecidos e não registrados historicamente, sobre a trajetória do Clã, suas tragédias e perdas, 1978/1979.

TRAGÉDIA DE MARÍLIA MENDONÇA DEIXA RECADO DE SOBREVIVÊNCIA PARA MÍDIA TRADICIONAL

Passaram-se sete dias do fatídico desastre aéreo, que culminou na morte de cinco pessoas, dentre as quais a cantora Marília Mendonça. Pouco mais das 17hs do último dia 05 de novembro (2021), as redes sociais congestionam-se. Transbordaram as postagens de fotos dos destroços da aeronave, da cantora; família – mãe e ex-marido – vídeos de seus shows; músicas recentes…Até no Twitter (radical) vinte e quatro horas no ar, só com debate político – houve trégua.

A mídia tradicional, também conhecida como “profissional” – que abomina as redes sociais – registraram no primeiro momento o fato. Porém, quando perceberam (horas depois) que a perda de Marília Mendonça provocou uma comoção nacional, correram atrasados em busca de levantar matérias sobre a artista, e identificar o que ela representava para o Brasil, que eles ignoram e desconhecem. No meio artístico, quem não estiver no eixo Rio/Bahia, aparecendo diante das câmeras das quatro redes de TV, não tem talento nem público.

Observemos o último feito desta “Grande Mídia Nacional” que equivocadamente insiste em não olhar para frente. Encetaram com estardalhaços o “seriado” CPI da COVID-19, na esperança de recuperar espaço e audiência perdida. Por cinco meses, todos juntos e a todo minuto, tentaram destruir a imagem do presidente Bolsonaro. A novela chegou ao seu final com índice de audiência inexistente. Fim de carreira para os velhos atores que protagonizaram as cenas: Renan, Aziz, Randolfe Rodrigues…

No dia que Marília Mendonça deixou este plano terrestre, fomos conferir sua popularidade no Instagram. Tinha 38 milhões de seguidores. Hoje, uma semana depois, aumentou, e aparece com 41 milhões. O Brasil está em terceiro lugar no ranking mundial de usuários desta plataforma, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e Índia. Até 2020, eram 69 milhões de brasileiros, ligados diuturnamente no Instagram. Percebem o quanto era querida a Jovem cantora de 26 anos, simples; humilde e em plena ascensão, sem cobertura da “Grande Mídia”?  De cada dois perfis do Instagram, mais de um deles a segue.

Se juntar todas as “vacas sagradas” que levaram bilhões da Lei Rouanet na era petista, seus seguidores (hoje) não alcançam a metade do patamar desfrutado por Marília Mendonça. Gil, Caetano, Chico Buarque; Ivete Sangalo; Cláudia Leite…

Nas eleições presidenciais de 2018, a Globo, capitaneando todo o grande “sistema” de comunicação do país, só noticiaram que Bolsonaro seria candidato no dia de sua convenção. Não observaram que ele vinha usando a mais popular ferramenta da internet (Facebook), com milhões de seguidores e fazendo diariamente “lives comícios”.

Um seguidor nas redes sociais é um fã, amigo ou admirador. Ninguém segue quem detesta. Hoje, Bolsonaro tem mais de 40 milhões de seguidores. E fazendo um comparativo com seus prováveis adversários ou concorrentes veja o quadro atual: Bolsonaro no Twitter 7,128 milhões; Facebook 10 milhões; Instagram 19 milhões. Lula no Twitter 2,853 milhões; Facebook 4,148 milhões; Instagram 3,4 milhões. Sergio Moro no Twitter 3,336 milhões; não tem Facebook; Instagram 2,5 milhões.

Estes dados revelam tendências bem diferentes das viciadas pesquisas, patrocinadas pela “velha mídia”. Amostragem de simpatia, com possibilidades de se converterem em votos. Fica a pergunta: ainda há tempo da “velha mídia” ser aceita nas redes?

O PREÇO DO SILÊNCIO

A experiente Senadora Nilda Gondim – com seu prudente e disciplinado silêncio – que talvez confundam com submissão, tem representado ao longo do tempo, papéis secundários para quem a considera apenas como viúva do saudoso tribuno Vital do Rego, filha única do ex-governador Pedro Moreno Gondim, liderança que governou a Paraíba por duas vezes, e elegeu seu sucessor.

A vida é um eterno aprendizado, e suas lições alcançam até os “disléxicos” ou hiperativos, considerados pela Neurologia, pacientes de TDAH. O que não é o caso da Senadora, que teve habilidade por décadas, de ser a esposa, companheira; confidente e mãe de três filhos, do genial e excêntrico Vital do Rego. No anonimato e sem “glamour”, segurou a “barra”, desempenhando o delicado papel de “lã entre cristais”, evitando choques entre seu pai, seu esposo e demais familiares próximos e influentes.

Semana passada, após recentes “escaramuças” intempestivas e desagregadoras protagonizadas por Veneziano e Ana Cláudia, Nilda encontrou-se causalmente no Senado da República (Brasília), com o governador João Azevedo. Fez a festa…O abraçou, e exclamou: “meu governador!”. É impossível dimensionar o nível de tolerância de Nilda. Sobrou-lhes habilidade e sacrifício, para manter o equilíbrio da convivência extremada, entre seu esposo e filhos (Vital e Veneziano), cujos projetos políticos sempre estiveram em rota de colisão.

Saudoso amigo, Advogado Luís de Marillac Toscano – que conheceu Nilda desde criança no Palácio da Redenção – nos falou algumas vezes sobre seu poder de renúncia ao abdicar do espólio político deixado por seu pai, ainda em vida, quando foi cassado. Em sua visão, ela deveria ter sido deputada federal em 1970. Citava o exemplo de Aluízio Alves – governador do Rio Grande do Norte – amigo e contemporâneo de Pedro Gondim, com quem esteve ao seu lado até na cassação, vinda da inesperada lista de 1968, onde incluía o esposo de Nilda, Vital do Rego. Por que Nilda não foi deputada federal em 1970? Henrique Eduardo Alves (RN) filho de Aluízio, se elegeu com 21 anos. Cortaram a árvores, em seu lugar brotu uma semente.

Antes tarde que nunca. Quem curiosamente observa a distância a vida de Nilda Gondim, conclui que sua existência foi resumida a “deveres”, sem a menor chance de ter uma única vez “direitos”, de ser ouvida, mostrar o que pensa; suas ideias… Ou simplesmente, saber se seu sonho político, são valores latentes da genética paterna.

Esteve sempre sob a “copa das árvores”, sombreada até por suas próprias crias – que em tese – impediram seu crescimento. A esta altura da vida, talvez tenha chegado o momento de exigir “alforria”. Talvez tenha decidido ser Nilda Gondim, e não a filha de Pedro, viúva de Vital; mãe de Vital Filho e Veneziano. Se desejar continuar na vida pública, e julgar que João Azevedo – ainda aliado – é um líder no processo eleitoral de 2022, que atrele seu destino ao dele. Pelo que aprendeu ao longo de sua existência, com certeza – no mínimo – resta-lhes uma simples lição doméstica: “não se faz omeletes, sem quebrar ovos”.

Rosalba Ciralini é esposa de Carlos Augusto Rosado, que foi deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Rosalba não tinha tradição político/familiar: Rosado/Maia, Medeiros/Mariz nem Alves, Oligarquias do RN. Mas, foi tudo o que seu marido (Rosado) sonhou e não conseguiu. Até hoje, vivem felizes. Prefeita de Mossoró por cinco vezes, realizando sonho de Carlos Augusto. Elegeu-se Senadora da República e Governadora do Rio Grande do Norte. E se Nilda Gondim, filha de Pedro, tivesse desfrutado desta oportunidade a partir de 1970?

A CORRIDA PARA CHEGAR AO SENADO

Acordo Romero Rodrigues e João Azevedo está consumado. A reunião de Brasília foi pretexto para Romero e Eva ouvirem Gilberto Kassab. Resta agora, a disputa pela vaga do Senado. Nilda Gondim será candidata a reeleição? Seu filho Veneziano Vital do Rego, ainda claudica na busca de chegar ao Palácio da Redenção, através de uma ampla frente de oposições, onde estarão Ricardo Coutinho, Luís Couto e todos os investigados da “Operação Calvário”. Palanque que só desmontará, em troca de espaços na chapa majoritária, e com repercussão contundente: reduzir a cinzas a chapa “Ricardistas”.

            Aguinaldo Ribeiro foi madrugador e tem trabalhado com afinco seu voo para o Senado. Estaria numa posição bem mais confortável, se a postulação tivesse surgido do povo ou lideranças representativas. É possuidor de um sistema de comunicações (Rádios) totalmente inaproveitável para suas ambições políticas. Dispõe de uma assessoria (desconhecida) que ao invés de aproxima-lo do eleitorado, blinda-o. No seu estilo “sorrateiro” esqueceu até a “sintonia” da mesa de jantar.

            Quando Daniella Ribeiro fez algumas declarações severas, contra o governador João Azevedo no início deste ano (2021), alegando que o mesmo teria que “conversar” sobre política e eleições, deveria ter dado demonstração práticas de seu descontentamento. Era para ter se lançado pré-candidata, e iniciado andanças por todo o Estado, visitando cidades onde foi votada. Hoje teria poder de barganha para assegurar a vaga de seu irmão. Ou Quiçá, consolidado uma postulação de oposição.

            Como não existe espaço vazio, o Senador Veneziano Vital do Rego – figura política mais aquinhoada com cargos no governo do Estado – julgou que havia chegado seu momento. Mas, João disputando o Senado, e ele como candidato a inquilino da Granja Santana. Sua ousadia, espantou o núcleo governista. João Azevedo, como homem função (politico), representa o projeto de um grupo, onde ele é o “cabeça”. São mais de 18 deputados estaduais, pelo menos metade da bancada da Câmara dos Deputados, que estão no mesmo barco que João é o timoneiro. Um exército de veteranos profissionais – não aventureiros – que dependem do mandato, como único meio de sobrevivência.

            Comenta-se agora, que Veneziano Vital do Rego pode rever sua postura e unir-se ao “grupão”, ao lado de Romero, João Azevedo; Cícero Lucena… A condição seria Romero abrir mão da vaga de vice, para Ana Cláudia, e disputar o Senado Federal. Injunções “suprapartidárias” já estariam sendo feitas junto a Gilberto Kassab, sob o argumento que para o PSD seria melhor um Senador, que um vice-governador.

            Esta especulação desconexa, está sendo criada para fortalecer a posição de Veneziano como “coringa”. Esqueceram de um detalhe: parentesco. Caso João Azevedo seja reeleito, e renuncie para disputar o Senado (2026), Ana Cláudia assumindo, deixaria Veneziano inelegível para disputar o governo. Só poderia disputar a renovação de seu mandato. Ana é sua parente em primeiro grau. Nilda ainda poderá ser a surpresa…

            Pela mais absoluta falta de apoios em redutos expressivos como Campina Grande e João Pessoa, Efraim Filho não tem cacife para enfrentar Aguinaldo ou Nilda. Seria um candidato pesado e “puxado” pelo chapão de João Azevedo. A não ser que seja o “Trem pagador” da campanha. Neste caso, o acomodarão.

VÃO SACRIFICAR ROMERO OU PEDRO?

O Clã Cunha Lima, sabe perfeitamente que não tem quadros para encabeçar uma chapa de oposição, com chances de enfrentar o pré-candidato a reeleição, governador João Azevedo. Esta mesma realidade insofismável, é concebida (intramuros) pelo MDB, ao observar a falta de entusiasmo da classe política, que não enxerga estrutura no desejo “utopista” do Senador Veneziano Vital do Rego, e sua “solitária” empreitada de chegar ao Palácio da Redenção em 2022.

Ex-governador Cássio Cunha Lima, “machucado” por duas derrotas consecutivas (2014/2018), está sem discurso “motivacional” que o estimule a uma terceira tentativa “majoritária”. A inteligente “distensão” imposta por João Azevedo, esvaziou o “pastoril” Cunha Lima x Ricardo Coutinho x José Maranhão, este último, em seu repouso eterno.

A dinâmica da política pôs o PSDB em declínio. Uma agremiação que corre o risco de se tornar “nanica” em nível nacional, após o pleito de 2022. A aventura João Dória – referência tucana – será mais desastrosa que a de Geraldo Alckmin em 2018.  Alckmin até se afastar do governo – próximo ao pleito – era muito bem avaliado pelo seu Estado (SP), responsável por 1/3 do PIB do Brasil. Mas, a onda “Bolsonarista” radicalizou a eleição entre direita e esquerda. PT x Bolsonaro. O que mudou desde então? Nada.

O acordo João Azevedo/Romero Rodrigues, foi a costura mais que perfeita para sobrevivência política dos Cunha Lima, principalmente para aqueles que integram a ala “Cassista”. Com o fim das famigeradas coligações, só o governo e sua “máquina” têm condições de eleger metade dos parlamentares federais e estaduais.

João Azevedo – que perdeu para o desconhecido Lucélio (2018) em Camina Grande – não subestima o comportamento “sincericida” da cidade, que detesta o PT, abomina as esquerdas e despreza comunistas. A direita – quem a represente ou se identifique com ela – sempre venceu na Rainha da Borborema. Collor de Melo – Ronaldo era Prefeito do PMDB e não conseguiu votos para Ulisses Guimarães – Fernando Henrique Cardoso; José Serra; Geraldo Alckmin; Aécio Neves e Bolsonaro.

O pleito certamente será “estadualizado”, distante do radicalismo nacional, para ser consumado no primeiro turno. Bolsonaro pode até perder em todo o país. Mas, em Campina Grande, se repetira o fenômeno “antipetista” das eleições de 2006: a única cidade do interior nordestino que o tucano venceu.

A rebeldia desagregadora de Cássio Cunha Lima – se for aceita por Romero – terá um custo: sacrificará a carreira política de seu filho Pedro, a de Romero Rodrigues ou de ambos. Ele substituirá Pedro, como candidato a deputado federal? PSDB, em quaisquer circunstâncias, dificilmente elegerá três representantes para Câmara dos deputados. Cássio ou Pedro, Rui Carneiro e Romero? Pelo coeficiente eleitoral previsto – algo em torno de 200 mil votos – a legenda terá que obter cerca de 600 mil, número de sufrágios conquistados por Cássio em 2018 para o Senado, ficando em quarto lugar (601.333). Entre 2014/2018, Cássio – se não os perdeu – tomaram-lhes mais de 400 mil votos.

Perda de apoios importantes como o de Cícero Lucena, prefeito do maior colégio eleitoral do estado, tem um peso significativo. Esta peripécia contará com apoio de Cabedelo, Patos; Sousa e Cajazeiras?

Quanto a Campina Grande, Bruno Cunha Lima é muito jovem. Tem que escrever sua própria história, realizando uma gestão diferenciada e voltada para recuperar a autoestima do povo desta terra: o “Campinismo”. Sua eleição será plebiscitária – em 2024 – e não ano vindouro. Queimará cartuxos numa batalha perdida, ou os guardará para usá-los em sua defesa no “Campo da Honra” de 2024?

A FEIRA DE CAMPINA

Na história das civilizações, todas as grandes cidades surgiram as margens dos Rios, Lagos e Oceanos. Sem água não existe vida. Mesmo assim, os aglomerados urbanos se consolidavam pela existência de atividades econômicas, dentre as quais, a principal era a de entreposto comercial (feiras).

Em nossa última postagem, mostramos a baixa taxa de crescimento populacional e econômico de Campina Grande – nas últimas três décadas – que perdeu a posição de maior cidade do interior nordestino para Feira de Santana (BA) estamos no mesmo patamar de Caruaru/Toritama (PE); seguido de perto por Petrolina (PE) englobando Juazeiro (BA). No caso desta última, a diferença é a vantagem geográfica. Separada por uma ponte, ambas se localizam as margens do Rio São Francisco, conta com a navegação e tem uma das maiores áreas irrigadas/produtiva do país e em plena expansão.

Destas quatro cidades do interior nordestino, que esbanjaram progresso no século XX, a mais bela história – até inexplicável do ponto de vista geográfico – é Campina Grande. Todavia, todas cresceram a partir de suas Feiras Livres. Caruaru era um Distrito da cidade de Bezerros. Com a instalação de um terminal ferroviário, iniciou-se a grande feira de gado. Feira de Santana (BA), o nome já revela a sua origem. Sua localização num entroncamento rodoviário, promoveu seu crescimento ininterrupto – acima da média regional – durante os últimos trinta anos.

Campina Grande, sem Rios, Lagos e distante do Oceano, no topo de um Planalto, começou a crescer como entreposto comercial, a partir de sua Feira Livre. Segunda década do século XX, ocorreu sua grande explosão demográfica – entre 1912/1945 – quando o Trem chegou à cidade. A feira era enorme, vendia-se e comprava-se tudo. Seu espaço (onde está até hoje), estrangulou. Surgiram os atacadistas nas Ruas Maciel Pinheiro, Marquês do Herval; João Pessoa; João Suassuna; Cardoso Vieira… Áreas residenciais às pressas transformadas em zonas comerciais.

A Estação do Trem – hoje Museu do Algodão ao lado do Bompreço – ficava distante da Feira Livre. Havia uma farta disponibilização de mão-de-obra. Potiguares, Cearenses e Pernambucanos – trabalhadores e investidores – correram para Campina Grande. Em 1930, dezoito anos após a chegada do Trem, começaram a surgir bairros populosos e a necessidade de transporte para população. O Pernambucano de Limoeiro, Heráclito do Rego, associou-se com Salvino Figueiredo (pai de Argemiro Figueiredo) e implantaram linhas de Bonde na cidade, movidas por tração animal. Major Veneziano Vital do Rego, irmão de Heráclito, veio gerenciar as linhas de Bonde de Campina Grande. Conheceu uma das filhas de Salvino Figueiredo (a poetisa Vicentina) e casou-se com ela, tornando-se cunhado do futuro Interventor da Paraíba, e seu maior amigo.

Em todo o interior do RN, PE; CE, quem tinha o que comprar, vender ou trocar (escambo), só tinha um destino: Campina Grande. A Feira Livre trazia bovinos, caprinos; ovinos… Que oportunizou a fundação dos primeiros Curtumes Industriais: Os Mota, Vilarim; Alvino Pimentel… Em apenas duas décadas, a cidade se transformou no maior polo coureiro do Nordeste. As Algodoeiras se instalaram simultaneamente: João Rique, Fleury Soares; Cassiano Pereira; Pedro Ribeiro; Claudino Colaço… Chegaram a mais de duas dezenas, inclusive com uma multinacional: SAMBRA.

Entre 1935/1945 todas as grandes Companhias de Petróleo instalaram seus depósitos em Campina Grande. Shell, Esso; Atlantic… O Álcool era monopolizado por João Felinto. Com o início da Segunda Guerra Mundial, Campina Grande se tornou o único centro abastecedor de todo o interior nordestino, até para Capitais como Natal, João Pessoa e a distante Fortaleza. Entre 1912 e 1945, a cidade cresceu de oito mil habitantes, para 145 mil. Sua importância era inquestionável, a ponto de Getúlio Vagas, nomear o Campinense Argemiro de Figueiredo como Interventor do Estado. Sem água, Rios; Lagos e Oceano; a cidade tinha uma economia pujante, alicerçada na maior Feira Livre do Nordeste. Infelizmente, hoje, 109 anos depois, a Feira ainda é do mesmo tamanho físico de 1920, funciona no mesmo local, e mal abastece a cidade. Mataram a nossa “galinha dos ovos de ouro”.

Caruaru e Feira de Santana, não deixaram suas Feiras morrerem. Reinventaram-se, modificando o seu formato original. Continuaram crescendo com entreposto comercial. Como o futuro sempre esteve no passado, o que se espera do prefeito Bruno Cunha Lima é que imite a ação do “ovo de Colombo”. Construa uma nova área, que permita a retomada da realização de Feiras, para que consigamos voltar a ocupar o espaço que perdemos nos últimos 60 anos. Daremos sequência a história do progresso, estagnação e perdas da cidade que já foi a mais próspera do Norte/nordeste.

JOÃO AZEVEDO É VITIMA DE INCIDENTE MINI CAMPESTRE

Superestimando a importância política de sua esposa Ana Cláudia em Campina Grande – nivelando por baixo o governador – Senador Veneziano Vital do Rego fez mais uma tentativa de se afastar de João Azevedo (como vítima) e tocar seu projeto de candidato pelas oposições, nas eleições do ano vindouro (2022). Qual o motivo da sanha? Ana Cláudia não estar na mesa da entrevista coletiva, concedida pelo Governador (?).

Com este tipo de comportamento excêntrico, o Senador Veneziano Vital do Rego está
esquecendo que os papéis – sob sua visão politicamente estrábica – foram invertidos. Quem
deveria estar presente, era ele próprio, que preferiu embarcar para uma visita a cidade de
Imperatriz no Maranhão. Onde estão seus votos?

Vivemos numa democracia. Quem governa é a maioria. Ao eleger-se governador, João
Azevedo assumiu o comando dos destinos de todos os paraibanos. Não apenas – e tão
somente – daqueles que votaram nele. Mesmo sob este prisma, Veneziano Vital do Rego é
“minoritário” na Rainha da Borborema desde 2012. Não conseguiu eleger sua candidata
Tatiana Medeiros… Quatro anos depois (2016) obteve pouco mais de 50 mil votos – foi
esmagado por Romero Rodrigues que se reelegeu – e ano passado (2020), Ana Cláudia não
teve os sufrágios necessários para alcançar o segundo turno. João Azevedo teria que ser
“tutelado” por Ana Cláudia na Rainha da Borborema?

Senador Veneziano Vital do Rego, carece de sensibilidade para a vida, aquela que é
vivida pelos humanos comuns e mortais. Despertar e observar a filosofia simplista dos adágios
e sabedorias populares. Só assim perceberá que os “Cemitérios” estão todos ocupados por
“insubstituíveis”. A sua presença hoje (08.10.2021) em Campina Grande tinha o papel de
“abre alas”. Ou ele não viu o calendário de eventos que o governador veio cumprir em sua
cidade? Onde ele foi vereador, prefeito, deputado federal e Senador (mesmo ficando na
terceira colocação) acima apenas, do estranho e indigesto Luís Couto.

Romero Rodrigues – se tiver um mínimo de inteligência política – ligará ainda hoje para
João Azevedo, hipotecando solidariedade ao desconforto de ser “arrostado” por uma auxiliar
de sua equipe, nomeada por ele (Cargo de Confiança). A mesma, se comportou de modo
desrespeitoso, abandonando sua comitiva, ignorando sua autoridade como Chefe do Executo
Paraibano. A resposta a uma atitude desta, por parte de qualquer outro governador – exceto
o saudoso Ivan Bichara Sobreira – seria uma imediata “Edição Extra” do Diário Oficial,
exonerando todos os cargos indicados pelo Senador amotinado.

Algo semelhante ao episódio de hoje, ocorreu no Clube Campestre (1998), aniversário do
Senador Ronaldo Cunha Lima. Ferido em sua vaidade e a procura de um simples pretexto – o
poeta não suportou os dez minutos de foguetório patrocinado por Expedito Pereira então de
Bayeux – saudando a presença do governador José Maranhão, aproveitou o ensejo, não
entendido pela maioria dos presentes, para romper de modo grosseiro; destemperado e
agressivo. Foi a oportunidade que teve para justificar sua intenção de voltar ao Palácio da
Redenção.

Acotoveladas, empurrões, cadeiras jogadas… A festa acabou. Me confessou Mário
Silveira, que ao saírem do Campestre, Maranhão e sua equipe foram direto para casa de
Ivandro Cunha Lima. Lá, Maranhão pediu para o próprio Mário redigir uma carta renúncia,
abdicando de sua postulação a reeleição, que tinha como vice Ivandro. Saudosa Walnyza
Borborema – esposa de Ivandro – o interrompeu. Não aceitou a ideia. “Se Ronaldo queria
voltar ao governo, porque não comunicou a Maranhão ou ao próprio Ivandro, seu irmão?” A
atitude de Ronaldo, movida pela ansiedade, alicerçava-se na “bajulação” excessiva de seu
séquito. O poeta esperava um clamor de toda a Paraíba por sua volta. Mas, o “poder de
caneta” estava com Maranhão. Veneziano ainda sonha com “fatos novos” na “Operação
Calvário”, que provoque recuou de João Azevedo. Para o poeta, o castigo foram duas
derrotas, em duas convenções partidárias subsequentes, e ficar sem legenda para disputar o
pleito. Quanto a Veneziano…

OS SEMELHANTES SE ATRAEM

Diariamente a narrativa da crônica política – como numa transmissão radiofônica de uma partida de futebol – mostra que a equipe comandada por Romero Rodrigues, chegou a grande área e está prestes em marcar o “gol” do acordo político que fechará a chapa, com vistas ao projeto de reeleição do governador João Azevedo.

Nas leis da física – corpos celestes e força da gravidade – aprendemos na escola que os opostos se atraem. Nas relações humanas é o contrário: os semelhantes se completam. Observemos posturas idênticas do governador João Azevedo e Romero Rodrigues. Comungam a “distensão”. Superaram ódios e rancores que marcaram o período “pastoril” da política paraibana por mais de duas décadas. Percorreram os mesmos caminhos. Romero, sombreado por Cássio Cunha Lima, João Azevedo como “opção” de Ricardo Coutinho.

Antes de Romero, ex-governador Cássio Cunha Lima fez duas tentativas com o saudoso Rômulo Gouveia. Duas derrotas seguidas para os Regos em sua principal base, Campina Grande. João Azevedo teve seu nome para ser o candidato de Ricardo Coutinho a PMJP e foi preterido. Entrou numa lista e após suplantar seus concorrentes – Buba Germano era o preferido – conseguiu ser o candidato para enfrentar os irmãos Cartaxo e José Maranhão (2018).

Romero Rodrigues deve parte de suas conquistas ao saudoso Rômulo Gouveia e principalmente Gilberto Kassab. Na sua primeira eleição (Prefeitura de Campina Grande 2012), foi o último candidato a por sua campanha nas ruas. Não tinha dinheiro para o material, fotos, adesivos… Rômulo Gouveia o levou a Gilberto Kassab, que lhes deu um milhão de reais. Ao chegar ao segundo turno, Kassab veio a Campina Grande trazer mais dois milhões.

Gilberto Kassab hoje precisa mais do que nunca, de companheiros como Romero Rodrigues (PSD) para que sua legenda não sofra grandes estragos ano vindouro. É contra o radialismo Bolsonaro x Lula e defende uma “terceira via”. Sugere o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, como candidato.

Recentes declarações do governador João Azevedo, afirmando que não dividirá o palanque com Ricardo Coutinho, deixa claro que Romero Rodrigues reúne todas as qualidades para compor sua chapa, como Vice ou candidato ao Senado. O ex-prefeito de Campina Grande mostrou que sua densidade eleitoral na Rainha da Borborema está absolutamente consolidada. Foram quatro derrotas impostas aos Regos entre 2012 e 2020.

Romero derrotou Tatiana (2012). Em seguida (2016), foi reeleito e deu uma verdadeira “surra de votos” em Veneziano. Praticamente três por um. Para o Senado, veneziano obteve pouco mais que metade dos votos de Cássio Cunha Lima, candidato de Romero. E ano passado (2020), Bruno Cunha Lima apoiado por Romero, bateu Ana Cláudia (esposa de Veneziano Vital do Rego) no primeiro turno do pleito.

João Azevedo é filiado ao CIDADANIA. Se sua equipe política aprimorar na “costura”, poderá receber apoio das Prefeituras de Campina Grande e João Pessoa. Cícero Lucena poderá indicar Aguinaldo Ribeiro para o Senado e seu filho ocupará esta vaga na Câmara. Romero, terá a paciência de esperar quatro anos para ser o sucessor de João Azevedo. Reconduzirá com facilidade Pedro Cunha Lima e Rui Carneiro. Isto, se Cássio Cunha Lima não decidir disputar a vaga de Edna. Lígia Feliciano já foi reeleita como Vice.  Seguindo este roteiro – sempre conversando e com cautela – não precisa combinar com o povo. O povo é que correrá atrás.

BRUNO CUNHA LIMA: UMA GESTÃO POLITICA OU TECNOCRATA?

A “Tecnocracia” foi um termo forjado (maldosamente) pela grande mídia, defensora da velha politica de então – sempre apostando contra o país – período dos governos Militares. O termo ironizava os Generais, que resolveram buscar nas nossas Universidades Públicas, seus melhores e mais talentosos alunos, e por mérito, convidaram-nos para ocuparem todos os escalões do governo. Este processo exitoso, que fez o Brasil elevar seu PIB em até 15% em um ano, perdurou por doze anos, encerrando-se no final do mandato do presidente Ernesto Geisel.

Graças a “Tecnocracia”, Campina Grande na época sentiu-se orgulhosa – hoje simplesmente esqueceu – o seu gênio Linaldo Cavalcanti de Albuquerque, Diretor da Escola Politécnica, que estava transformando-a na FURNE, modelo para todo o Nordeste. A ideia logo chegou ao Palácio do Planalto. Imediatamente o convidaram para assumir a Reitoria da UFPB. Seu Chefe de Gabinete era o ex-governador Tarcísio Buriti.

Um ano depois, foi “catapultado” por méritos, para ocupar o ambicionado cargo do MEC – disputado pelos meios acadêmicos que se concentravam no eixo Rio/São Paulo –  Departamento de Assuntos Acadêmicos e Universitários. Linaldo convenceu o Presidente Médici, a descumprir o acordo firmado entre o Brasil e Estados Unidos, denominado MEC/USAID (1968) que  extinguia e proibia a Universidade Pública e Gratuita.

Nosso Paraibano esquecido, fez um belo projeto, e contando com a colaboração da maioria de seus amigos da Paraíba: Luís Almeida, Atila Almeida; José Silvino Sobrinho; Edvaldo do Ó; Stenio e seu filho Marcelo Figueiredo Lopes; Lopes de Andrade… Sua ideia foi aprovada por Médici, com brigas colossais nos quartéis. Ao invés de privatizar totalmente as Universidades, Linaldo propôs e conseguiu a “Expansão Universitária”: uma Universidade Pública em cada Estado da Federação. Criou o intercâmbio (hoje fracassado projeto denominado Ciências Sem Fronteiras) e foi escolhido – último posto no governo federal – para tarefa de criar o CNPQ (governo Geisel).

As gestões de Ernani Sátiro; Enivaldo Ribeiro e o primeiro mandato do ex-governador Tarcísio Buriti, marcaram época. Ambos, adotaram o modelo “Tecnocrata”. No seu segundo mandato, Buriti optou pela “gestão politica”. Conseguiu apagar tudo de bom que fez na Paraíba em seu primeiro mandato.

Ao convidar Eva Gouveia e Pimentel Filho para dirigirem a URBEMA, Bruno está enveredando pela gestão “politica”. Ambos entendem tanto de URBEMA, quanto o próprio Prefeito de Física Quântica. O politico para obter êxito em sua carreira – sempre ascendente –  tem que enxergar uma década a sua frente. Nem Eva, Pimentel ou o Prefeito conhecem as razões da existência da URBEMA. Foi criada pelo então Prefeito de Campina Grande Enivaldo Ribeiro, por sugestão de José Silvino Sobrinho e Renato Azevedo.

A ideia original era que a URBEMA seria uma “Usina” de projetos para consolidar a Região Metropolitana da Rainha da Borborema. Tinha autonomia tanto para projetar obras, como executa-las ou terceiriza-las. A necessidade se impôs, após as conquistas (hoje bilionárias) dos projetos CURA I,II e III. A cidade não tinha empreiteiras para realizar um gigantesco volume de obras. A URBEMA, poderia participar da execução. Por outro lado, a  URBEMA seria uma extensão de apoio a CONDECA. Quem da atual classe politica Campinense – clientelista e mercenária – sabe pelo menos selecionar uma equipe para elaborar projetos? Entretanto todos têm um “projeto politico” para si, usando a “maquina”.

Bruno é muito jovem, com certeza não conhece a historia da cidade cujo comando do seus destino hoje está em suas mãos. Escolha a “Meritocracia” como senha de acesso a sua gestão. Despreze a “politicagem”  seus “politiqueiros”. Pense figurar no futuro como um gestor diferenciado, que reordenou as vocações de Campina Grande, evitando que ela se perca num cenário voltado para o século XXI.

BASTIDORES

Tem sido difícil para classe política da Paraíba, aceitar o fato que a eleição de João Azevedo encerrou abruptamente um capitulo em sua história, e com ele, desapareceu muitos personagens que compuseram os diversos roteiro das tramas e intrigas – desde o episódio do Clube Campestre – racha do MDB de Humberto/Ronaldo, com José Maranhão.

A longa “trilogia” trouxe reeleição de José Maranhão, eleição e reeleição de Cássio Cunha Lima; Ricardo Coutinho igualmente eleito e reeleito, transformando-se no personagem principal de sua época, pelo fato de ter elegido seu sucessor, sem contestações. Desde 1960, em eleições diretas, fenômeno triunfal só alcançado por Ronaldo Cunha Lima – elegeu Antônio Mariz – e Ricardo Coutinho, João Azevedo.

A eleição de João Agripino Maia (1965) candidato apoiado pelo governador Pedro Gondim, foi fraudada na cidade de Cajazeiras. O número de eleitores foi superior à sua população. Eram Cearenses. Após a recontagem dos votos, e certificação do domicilio dos eleitores, no final de seu mandato – quatro anos depois – o TRE o cassou. João apelou, e duas décadas depois, saiu a decisão final do TSE: o governador eleito foi Rui Carneiro, e não João Agripino Maia. Ambos já tinham falecido. A única reparação feita, foi a pensão vitalícia de ex-governador, que concederam aos herdeiros de Rui Carneiro, e ficaram de postar sua foto na Galeria de ex-governadores, no Palácio da Redenção. Não sabemos se cumpriram. Num tempo que existia “vergonha”, voto impresso e recontagem roubavam eleições, E hoje? Urnas eletrônicas sem recontagem? É brincadeira…

Imaginem a “bronca” para mais de 30 mil funcionários nomeados por João Agripino, um governador que não foi eleito? O medo de perderem seus cargos… E os barnabés que foram exonerados? Muitos tiveram suas vidas destruídas por “embusteiro”. Hoje, talvez poucos estejam vivos. Mas, a mácula da fraude comprometeu a imagem de João Agripino. Não na Paraíba, pois o fato era considerado “boato” e nunca foi divulgado com amplitude… Sequer registrado na mídia! Mesmo assim, João Agripino quando quis voltar a governar a Paraíba – sucedendo Ernani Sátiyo ainda no período dos Militares – indicado por Golbery, não conseguiu. O austero SNI o barrou.

Estender-me no texto, é uma forma de contar um pouco de nossa História, que muitos desconhecem, e consideram “Estória”. Voltando aos “bastidores”, onde ganha fôlego o projeto do Clã Rego em chegar ao governo do Estado – antes sonho do Ministro Vital Filho – hoje “empreitada” já abraçada por seu irmão Senador Veneziano Vital do Rego, a “partida” se constitui em dois lances, no tabuleiro do xadrez político. O primeiro é um “xeque” no governador João Azevedo. Estão propondo sua desistência da reeleição, e apoiar veneziano. Em troca, a vaga de Senador. Oferta bastante tentadora. Porém, João não é mais dono de seu destino político. Ao seu lado, tem vários grupos de correligionários, que não esperam serem abandonados pelo Comandante, em plena batalha.

Se João concordasse com a ideia, receberia o “empenho” e “estrutura” de Ney Suassuna, suplente de Veneziano. O PSB voltaria a elogiá-lo. O PT de Lula, teria um nome na Paraíba, que ainda não está no “SERASA” das condenações por corrupção. Ricardo Coutinho sabe que uma “ação” de Lula no STF, mudará o destino da “Calvário”, que se tornaria semelhante a “Lava-jato”. Ricardo ainda Indicaria o Vice, e asseguraria sua vaga na Câmara dos Deputados.

O segundo “xeque”, é desafiar o governador, trazer Lula para o palanque de Veneziano, se compor com Ricardo Coutinho – mesmo depois de ter lhes dado as costas e ficado na base do governo João Azevedo – com mais de duas centenas de cargos; “azeitar” sua assessoria jurídica, para arrancar uma decisão que envolva João Azevedo na “Calvário” e o deixe inelegível.  Com relação a Justiça, é questionável uma sentença estapafúrdia, antes de junho de 2022, período das convenções e registros de candidaturas.

Se o plano for um fiasco, Veneziano não perde nada. Continuará Senador, se posicionará como a segunda força política do Estado, pavimentando sua volta, ou nova tentativa de se abrigar no Palácio da Redenção. Seus peões tem avançado, ocupado espaço e cercado os “cavalos” e “bispos” que defendiam Romero Rodrigues como candidato da oposição. Tudo muito bem pensado. Falta só um detalhe: “estão combinando com o povo”?

UM CANDIDATO SEM DISCURSO

Blogs seguidores do Senador Veneziano Vital do Rego, começaram a divulgar sua candidatura ao Governo do Estado (eleições 2022) como um projeto do ex-presidente Lula, enxergado hoje como “estrela cadente” na grande constelação da politica nacional. Suas últimas aparições em público, e as manifestações do dia 12.09.2021 – não só do PT – mas reunindo todas as esquerdas, mostraram que o partido perdeu força e apoio popular.

A precipitação do Senador, revela seu lado desagregador, quando opta por seus projetos pessoais ou devaneios – mesmo que Quixotescos – que venham nutrir seu desejo de ser inquilino do Palácio da Redenção, como fora seu avô materno Pedro Gondim.

Esta sua ansiedade momentânea, pode ser enxergada como uma característica genética ou hereditária. Seu pai, o saudoso tribuno Vital do Rego, era detentor – por competência – de uma das carreiras politicas mais promissoras da Paraíba no final dos anos sessenta (século passado). Entretanto, movido pela inquietação, cometeu dois erros cruciais, com consequências desastrosas para seu futuro, oportunizando o surgimento do Clã Cunha Lima, que comandou ininterruptamente Campina Grande por vinte e dois anos.

O Jovem Vital do Rego – para os mais íntimos Tonito – sobrinho do Senador Argemiro de Figueiredo, filho do Major Veneziano; era deputado federal desde 1963. Casado com a filha única do governador Pedro Gondim, de quem foi líder do governo e residiu no Palácio da Redenção. Participou ativamente da campanha para o sucessor do seu sogro (1965), João Agripino Maia, com o compromisso de ser o candidato a prefeito em 1968.

O Tribuno Vital havia se superado. Conseguiu amainar as mágoas que guardavam os Figueiredos do grande líder Seu Cabral, que compôs a chapa de João Agripino como Vice. Seu pai, o Major Veneziano era presidente da SANESA (hoje CAGEPA). E, tudo ocorria as mil maravilhas até o fatídico 1968. Próximo as eleições, Seu Cabral resolveu ser candidato, e se despedir da vida pública, como prefeito pela última vez de Campina Grande.

Antes houve conversas de bastidores. Os tempos eram outros… Pedro Gondim fazia oposição ostensiva ao Governo Militar. João Agripino era muito respeitado pelos Quartéis. Argemiro não era simpático aos sucessores de Castelo Branco. Vital do Rego era muito jovem (trinta anos), o vice ideal para Seu Cabral. Teria sido o único herdeiro do grande espólio politico de Seu Cabral/Argemiro de Figueiredo. Mas, a ansiedade…

Conselhos e apelos não faltaram. Vital permaneceu irredutível. Não aceitava ser o Vice. Tentaram ainda convencê-lo  sair candidato na sub-legenda da ARENA, partido de Seu Cabral, que já era imbatível. O MDB claudicava com a candidatura de Ronaldo Cunha Lima e Orlando Almeida. Era uma “barbada”. Confiante na teoria do “fato novo”, Vital rompe com a ARENA e se filia ao MDB como sub-legenda de Ronaldo Cunha Lima. Resultado do pleito: Ronaldo 12.800 votos, Vital pouco mais de 12 mil votos; Seu Cabral 23. 200 votos. O prefeito eleito para surpresa da cidade, foi Ronaldo que suplantou Vital com 800 votos.

O que levou Vital a derrota? A falta do discurso. No entender do povão, ele cuspia no prato que comeu. Exibia uma carta compromisso, assinada por João Agripino. Mas, a radicalização da época, levou-o a ser considerado “traidor”. Por mais que ele insistisse que era  “o barra limpa”, slogan de sua campanha, o povo não entendeu o por quê dele ter rompido com Seu Cabral. Poderia ter chegado ao Governo do Estado, pois Agripino não tinha nomes para sucedê-lo. Foi forçado a entregar a seu inimigo Ernani Sátiro.

O segundo erro do tribuno, fica para outro artigo. Mas, quem saiu ganhando mais uma vez, foram os Cunha Lima. Veneziano ao se lançar contra João Azevedo, se torna no oxigênio imprescindível para que os Cunha Lima voltem a respirar politicamente. Parece que a história “Karmica” vai se repetir.

Jogo Perigoso:

O PACTO DE CAMPINA

            Crônica política paraibana foi surpreendida nesta semana, com um “furo” vazado propositalmente, sobre as conversas de bastidores envolvendo o ex-governador Cássio Cunha Lima (PSDB), e o senador Veneziano Vital do Rego (MDB). Ao ser indagado sobre a veracidade dos “colóquios”, Veneziano tergiversou… Falou sobre maturidade política, e enfatizou que os “temas” discutidos são conjunturais e “Republicanos”. Cássio, segundo o ex-cabeludo, trabalha na área de consultoria (?) no Senado Federal. Que tipo de Consultoria?

            O equívoco da mídia é acreditar que Veneziano espontaneamente, “conversaria” com seu principal rival político, a quem sempre desprezou e fez ferrenha oposição desde que entrou na vida pública, assumindo a postura de líder do anti-Cunha Limismo. O “bônus” foi um mandato de Vereador, quase foi eleito (42mil votos) deputado federal; sua eleição e reeleição para prefeito de Campina Grande, quebrando uma série de vitórias do Clã, na época liderado por Ronaldo, que permaneceu 22 anos no poder.

            Ex-governador Cássio Cunha Lima, diferente de Veneziano, sempre esteve aberto a qualquer tipo de “acomodação”, desde que permaneça em sua zona de conforto e assegure seu espaço no poder. No período pré-convencional das eleições do ano 2000, procurou ao lado de Arthur Cunha Lima, seu maior adversário- ex-prefeito Enivaldo Ribeiro – e lhes propôs ser o seu vice, com garantias que assumiria a titularidade em 2022, quando disputaria o governo do Estado.

Enivaldo respondeu que não tinha como dizer a Campina que decidira se agrupar com os Cunha Lima. Cássio ainda deu-lhes uma semana para pensar e avisou: “se não vier, vou tritura-lo”. De fato aconteceu. Fechou com a então radical Cozete Barbosa (PT) – algo impossível ou inimaginável – e saiu das urnas com 82% dos votos válidos.

Para chegar ao Palácio da Redenção, trouxe Wilson Braga, Efraim Morais. Para alcançar o Senado, juntou-se com Ricardo Coutinho e toda a turma “girassol” que o detestava. Depois de duas derrotas consecutivas (2014/2018), o tucano sabe que sua última chance de voltar a vida pública (Senado Federal) é através dos Regos, e tendo Veneziano como candidato ao governo do Estado. Romero e Bruno, entrarão em xeque-mate: não tem como traírem o primo. Os Ribeiros que se cuidem…

O leitor com certeza indagará: quem é capaz de montar toda esta trama, tão bem maquinada? Vital Filho, Cassio Cunha Lima e Ney Suassuna. O único obstáculo seria o ex-senador José Maranhão, que não resistiu o COVID. Veneziano, sem nenhum demérito, politicamente age como “autista”, num mundo que só ele conhece. Seu irmão Vital Filho, ardiloso e perspicaz sempre decidiu por ele. O Fato de estar no TCU, o impede de formar na linha de frente. Mas, corre solto e sem marcação, nos bastidores. Sabe separar o “homem ser, do homem função” parafraseando seu pai, o saudoso Tribuno.

Ney Suassuna, todos sabem que em 2018 só veio garantir a vitória de Veneziano, depois de acordar sua volta ao Senado Federal por mais quatro anos.

Em uma de nossas postagens recentes, não previmos este episódio. Destacamos que o governador João Azevedo “navegava em mar de Almirante”. Entretanto era impossível em grandes travessias, a inexistência de tempestades.

O QUE CAMPINA GRANDE ESPERA DE BRUNO CUNHA LIMA?

            Passaram-se seis meses da posse do prefeito Bruno Cunha Lima, a cidade ainda desconhece na prática suas ideais ou projetos, voltada para o propósito inspirador dos habitantes da Rainha da Borborema: Campina Grande sempre.

            Até o presente, Bruno vem desempenhando o melancólico papel de “síndico de condomínio”, executando serviços de manutenção e conclusão do gigantesco complexo de obras de infraestrutura, deixadas por seu antecessor Romero Rodrigues – um dos três maiores gestores da história da cidade – ao lado e Vergniaud (pronuncia-se Verniô) Wanderlei e Enivaldo Ribeiro.

            Campina Grande hoje é uma das raras cidades do país, que não tem déficit habitacional, mesmo se aproximando de meio milhão de habitantes. Para sua dimensão, pode e deve exibir com vaidade, seu sofisticado sistema de “mobilidade urbana”, que permite o cidadão de onde esteja – bairros norte/sul/leste/oeste – chegar ao centro ou outro destino qualquer, sem engarrafamentos, no tempo mínimo de 15 minutos.

            Este modelo extraordinário, teve origem no Plano Diretor concebido na gestão Enivaldo Ribeiro, obra de autoria do saudoso – infelizmente esquecido na memória dos Campinenses – Arquiteto Pernambucano Renato Azevedo, que como muitos, se apaixonou pela cidade.

            Ao jovem Bruno Cunha Lima, indiscutível vitorioso na guerra pelo voto em 2020, resta a observação: “o exército de combate nunca deve ser o mesmo de ocupação”. Enivaldo Ribeiro nomeou um Secretariado eminentemente técnico. José Silvino Sobrinho (era Diretor do CCT com pós graduação em transportes público no Japão), Renato Azevedo, um dos mais promissores Arquiteto Urbanístico do país (na sua geração). Zélice Pereira de Morais… A CONDECA, presidida por Marcos Ribeiro (seu primo), cedido pela Telpa, escola do competente engenheiro Alemão Jost Van Damme…

            A Tecnocracia estava vivendo o seu auge e Campina tinha as melhores “cabeças” de toda região, como por exemplo, Linaldo Cavalcanti de Albuquerque. Ao lado do obstinado Edvaldo do Ó, haviam fundado a FURNE (hoje UEPB). Linaldo foi escolhido no governo Médici, por meritocracia, para dirigir o DAU – Departamento de Assuntos Universitários do MEC, que com competência e sensibilidade impôs a expansão das Universidades. Posteriormente, Reitor da UFPB. Em seu mandato (UEPB), na hora de escolherem o governador para suceder Ivan Bichara Sobreira (eleição indireta) o Palácio do Planalto indicou seu ex-chefe de gabinete (Buriti), e não ele, o merecido esquecido.

            Nos primeiros seis meses de governo do então prefeito Enivaldo Ribeiro, todas as rotas de transportes Coletivos da cidade, estavam sendo asfaltadas. Uma surpresa inacreditável para população, que só via asfalto na Praça da Bandeira. O “gargalo” da antiga “Volta de Zé Leal” – entrada de Campina Grande por Bodocongó – tinha sido extinto. A Av. Floriano Peixoto, estava atravessando o Açude Novo, cortando a Rua da Independência e rumando em busca do Hoje Hospital de Traumas. Foi projetada por Renato e Silvino para ser a maior Avenida da Paraíba.

            Estas foram obras do primeiro ano de Enivaldo Ribeiro. Acompanhamos de perto o ritmo alucinante das equipes, como Assessor de Imprensa da CONDECA, estatal municipal que graças a Renato e Silvino, trouxeram a Campina Grande Robert McNamara, ex-secretário de Defesa dos presidentes Kennedy e Lyndon Johnson, então presidente do BIRD, para nos doar 22 milhões de dólares. Investimento destinado a financiamento de projetos arquitetônicos e de infraestrutura da Rainha da Borborema. Destaque: estes recursos só poderiam ser aplicados em Capitais. Todas concorreram. Recebia quem apresentasse o melhor projeto. Campina só entrou, por conta da CONDECA, que era uma empresa voltada para captar recursos com vistas a projetos de infraestrutura para se fortalecer como cidade polo regional. Foi a vencedora.

            O Prefeito Bruno Cunha Lima, talvez não tenha percebido que a “meritocracia” é o novo formato que sucede a “Tecnocracia” de outrora. Se entregar sua gestão aos políticos, estes só trabalharão seus projetos pessoais de poder. Os “veteranos” (Vereadores ex-deputados e ou suplentes) buscarão a renovação de mandatos. Os “noviços”, sonham apenas em se projetarem individualmente, para num futuro próximo, ocuparem o espaço dos ora “tarimbados”. Que destino dará Bruno Cunha Lima ao futuro de Campina Grande?

A HORA MAIS ESCURA

            Restando cinco meses para o alvorecer eleitoral de 2022, os caciques políticos da Paraíba vivem sua hora mais escura. As mudanças foram profundas, com perdas e danos irreparáveis, tanto pela pandemia, quanto pela “Operação Calvário”.

            A pandemia provocou baixas inestimáveis, com a perda de diversas lideranças, em vários e importantes redutos do Estado. Um dos principais Marechal de Campo – Senador José Maranhão – que comandava um grande exército (MDB), foi abatido pelo vírus. Seu sucessor foi uma surpresa para “tropa”: Senador Veneziano Vital do Rego. Aquele que o havia abandonado nas eleições de 2018, votando em quem traíra Maranhão e o derrotara por duas vezes, ex-governador Ricardo Coutinho. Vivo, José Maranhão jamais passaria o comando da legenda para o ex-cabeludo.

            Cícero Lucena, Prefeito de João Pessoa, não esconde sua escolha e preferência pelo projeto de reeleição do governador João Azevedo. No pleito do ano passado –disputa pela prefeitura – carecendo da inestimável ajuda do governo, não hesitou em abandonar o ninho tucano, e se livrar do herdeiro de Ronaldo Cunha Lima, a quem devia o mandato de vice-governador, Secretaria com status de Ministério (Integração Regional) e dez meses como governador (1994) a frente dos destinos da Paraíba. Cássio derrotado em 2018 de forma humilhante, e sem mandato… Cícero apesar de sertanejo, raciocinou como “brejeiro”: em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão.

             Romero Rodrigues e os irmãos Cartaxo (Luciano e Lucélio) tiveram sua oportunidade em 2018. O primeiro ainda elegeu um Deputado Estadual, seu irmão, com pouquíssimos votos. Cássio perdeu para Daniella, Pedro teve uma desidratação inimaginável em seus sufrágios e o atual Prefeito de Campina Grande, Bruno Cunha Lima, perdeu para a esposa do saudoso deputado estadual João Henrique, outro que tombou ao enfrentar o vírus. Luciano e Lucélio não elegeram o vice Manoel Júnior.

            João Azevedo continua navegando em “mar de Almirante”. Mas, é bom alerta-lo que não existem grandes travessias, sem tempestades. Ricardo Coutinho será candidato. A queda de braço PT x Bolsonaro, pode não influenciar no pleito estadual. Entretanto, não é prudente esquecer que Ricardo – mesmo com a desventura de 2020 – não tem nada a perder. Quanto a questão da “elegibilidade”, o STF não o negará. Na Corte Alta de Justiça do país, ainda tem sete Ministros indicados por Lula, patrono da causa de Ricardo Coutinho.

            Alguns cronistas do quotidiano político, ainda apostam na candidatura de Cássio Cunha Lima, como “legítima” oposição. Mas, ele conta com quem mais, para formar este bloco? Paradoxalmente, é tudo que o governador deseja: dividir seus oponentes e evitar o “voto útil” no primeiro turno.

Governo João Azevedo:
OS EFEITOS DA POLITICA DE DISTENSÃO

Saudoso Petrônio Portela, Ministro da Justiça do ex-presidente Ernesto Geisel, após episódio Abril de 1977- quando o governo usou o AI-5 e fechou o Congresso Nacional – eliminando as esperanças dos políticos cassados de retornarem a vida pública, apareceu como um grande moderador, criando o que ele batizou de “distensão”. Entretanto, todos os sinais apontavam para um recrudescimento pior que 1968, haja visto restar apenas um ano, para escolha do sucessor de Geisel.

Eleições diretas para governadores, prefeitos das capitais e cidades consideradas áreas de segurança nacional? Nem pensar! Pleito direto para presidência da república? Impossível. O radicalismo insano do MDB – manipulado nos bastidores integrados pelas esquerdas radicais e setores da economia insatisfeitos com o crescente processo de privatizações – levou as grandes lideranças pró democracia a medir forças com governo.

A distensão foi uma grande obra cívica construída tijolo, por tijolo. Petrônio Portela – patrono esquecido da causa – convocou a classe política para discutir “Brasil”, despido de qualquer ideologia radical importada. Ouvir os anseios da sociedade civil organizada, alheia as demandas da “guerra fria”, em seu auge: Jimmy Carter x Leonid Brejnev. A distensão, relaxou a tensão, culminando com o fim do AI-5, e a Lei da Anistia Ampla Geral e Irrestrita (agosto de 1979) presidente João Batista Figueiredo.

Governador João Azevedo, conhecedor ou não da história, instintivamente está buscando os mesmos caminhos percorridos por Petrônio Portela, usando a “distensão política”, para defenestrar o “radicalismo” plantado desde o “episódio do Clube Campestre” (1998). Neste ínterim, só quem perdeu foi a Paraíba: mais de duas décadas sem Emendas de Bancadas e Coletivas. Centenas de milhões de reais perdidos, tão necessário para investimentos em infraestrutura. Dividida em dois “lados”, ora Ronaldo/Cássio x Maranhão; Maranhão x Ricardo Coutinho (preposto de Cássio); Ricardo contra todos, que só provou, que o saudoso cronista Nelson Rodrigues estava certo: “toda unanimidade é burra”.

Já percebemos que velhos radicais aproveitadores e beneficiários da intriga politiqueira, tentam colocar palavras na boca do governador, forçando-o a se posicionar ideologicamente no plano nacional. Não acreditamos que João Azevedo irá repetir o erro de *Baggio e Zico: perder um pênalti, que marcou suas vidas para sempre.

*Roberto Baggio um dos mais populares jogador da Seleção Italiana, brigado com o técnico e contundido, errou o pênalti que levaria Brasil ou Itália ao tetra campeonato. Zico o melhor da Seleção de Telê, perdeu um no México, quando fomos eliminados pela França.

MANOEL LUDGÉRIO ESQUECEU ADRIANO GALDINO?

A sugestão do deputado estadual Manoel Ludgério – em entrevista ao Portal Maispb – apontando alternativas como celebração de um “acordão” envolvendo os Cunha Lima e o governador João Azevedo – evitando uma disputa no pleito do ano vindouro – deixa transparecer a fragilidade da pré-candidatura do ex-prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, cuja postulação permanece restrita aos limítrofes do município.

Ludgério – nas entrelinhas de suas palavras – revela o que seria um segredo: Romero Rodrigues (hoje) não tem condições de arregimentar um “exercito”, com tropas suficientes para enfrentar o contingente aquartelado no Palácio da Redenção. Faltam-lhes “meios” e tema que sustente um forte discurso de oposição, capaz de sensibilizar o eleitorado paraibano. Inspirado no ditado popular que “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”, o “silêncio” de João Azevedo tem emudecido os Cunha Lima, Ricardo Coutinho, PT… Não se sabe se isto é uma estratégia, ou pura intuição.

Uma paz pública é o que defende Manoel Ludgério, quando não existe guerra entre João Azevedo e seus “supostos” adversários. Cita o Rio Grande do Norte como exemplo, porém, não conhece a história da paz que culminou em desastres.

A primeira paz pública no Rio Grande do Norte foi celebrada para reconduzir Jessé Pinto Freire ao Senado Federal, nas eleições de 1978. Liberaram Aluízio Alves (ainda cassado e antes da anistia) para subir em palanques, discursar e fazer campanha. Aluízio indicou o vice de Lavoisier Maia (Geraldo Melo), que posteriormente foi govenador. Quatro anos depois (1982) Aluízio foi candidato ao governo e perdeu para o neófito José Agripino Maia. Este foi o preço que Aluízio pagou pela “paz pública”: levou velhos aliados apaixonados para os braços dos Maia, de onde se recusaram a sair em 1982.

Tentando escapar quatro anos depois (1986) Aluízio Alves “rachou” parte da base dos Maia, que elegeram dois Senadores, mas, perderam por 14 mil votos para Geraldo Melo, candidato dos Alves. Aos poucos o Clã foi se recompondo, e criou-se a alternância do poder entre Alves e Maia. Num cochilo dos Alves, Vilma de Farias se elegeu governadora, na sucessão de Garibaldi depois de oito anos governando o RN.
Mais e Alves pela segunda vez se sentaram para “conversar” em 2006 e celebrarem outra paz pública. Tinham que derrotar Vilma de Farias, que tentaria se reeleger e emplacar uma “terceira força” política. Primeira pesquisa: Garibaldi 67%, Vilma de Farias 19%. Seria uma vitória acachapante se não tivessem esquecido o presidente da Assembleia Legislativa Robson Farias, que estava há quatro anos no comando do poder legislativo Potiguar. Robson tinha uma estreita relação com os deputados. E, decidiu apoiar Vilma, na condição de ser o seu sucessor em 2010.

O voto é secreto, e no mundo político, compromissos “cumpridos” nem dinheiro cobre. Vilma chegou ao segundo turno, e de virada, derrotou o imbatível Garibaldi com mais de 100 mil votos de maioria. Fez uma excelente gestão. Cometeu apenas um erro que lhes custou toda a sua carreira política: não cumpriu o prometido a Robson Farias, que permanecia como presidente da Assembleia já no quarto mandato.
Caminhando lado a lado desde 2006, Alves e Maia costuraram um acordão envolvendo até o PT e o governo federal e lançaram Henrique Eduardo Alves (2014) para o governo do estado. O filho predileto e sucessor de Aluízio, com 10 mandatos de deputado federal, na época era presidente da Câmara dos Deputados. Esqueceram mais uma vez o sempre ignorado, Robson Farias. Orgulho ferido, o presidente da AL-RN se lançou candidato contra Henrique, e com apoio imperceptível – sem alardes – dos seus amigos deputados estaduais, venceu o único que não tinha como perder.

Atualmente nenhum membro da família Maia tem mandato no Rio Grande do Norte. Dos Alves, só resta um, Walter, deputado federal que dificilmente se reelegerá (2022). Manoel Ludgério não reconhece o espaço e importância de Adriano Galdino? Indicou seu irmão Secretario de Articulação Política do Governo e pala terceira vez presidi a ALPB. Quem somaria mais para uma reeleição de João Azevedo: Romero Rodrigues ou Adriano Galdino? Se Romero entrar pela porta da frente do Palácio da Redenção, os Regos saem pela porta dos fundos. Regos não convivem com Cunha Lima.

ESCRITO NAS ESTRELAS?

Em apenas duas décadas (2001/2021), as transformações ocorridas nos quadros políticos da Paraíba – com ascensões e quedas de seus principais protagonistas – exceto os alcançados pela compulsória, foi algo inimaginável e distante de qualquer previsibilidade, antevista pela crônica do quotidiano e seus futurologistas.

Em 2001 – um ano antes do pleito de 2002 – Jose Maranhão governava a Paraíba – gestão das águas – Ney Suassuna, seu grande aliado, era Senador da República licenciado e ocupando o poderoso Ministério da Integração Nacional. Popularidade em alta, já era considerado “governador em férias”. Ronaldo Cunha Lima, convalescente de um AVC – no deserto PSDB – não sabia se ainda iria ser candidato a reeleição.

Saudosos Wilson Braga e Tarcísio Buriti – lideranças de peso por serem ex-governadores – compunham o exército imbatível das forças políticas sob o comando de José Maranhão (2001). Esperavam serem indicados como seu companheiro de chapa para o Senado. Roberto Paulino (vice) assumiria, e a vitória de Ney era inquestionável. Efraim Morais, primeiro Secretário da Câmara dos Deputados era o Escudeiro Mor de Maranhão.

Ex-governador Cássio Cunha Lima, ainda estava como prefeito de Campina Grande, já percorria todo o Estado em campanha para o governo, com apoio de Cícero Lucena prefeito da Capital. A classe politica considerava “Quixotesco” o projeto de Cássio Cunha Lima, pela falta de apoios regionais expressivos.

Uma das boas produções de Hollywood no ano de 1985, foi o filme “De Volta Para o Futuro”. Roteiro que emaranha aventura, ficção científica e comédia romântica, de estrondoso sucesso na bilheteria. Dois jovens procuraram um velho professor, que projetou um veículo para eles voltarem no tempo até 1950. E os viajantes conseguem conversar com Albert Einstein, a quem confidenciam que vinham do futuro, do ano de 1985. Na cena, Einstein se mostrando perplexo e desconfiado, Indagou: quem é o presidente dos Estados Unidos no ano 1985? Ronald Reagan, responderam os garotos. Impossível! Retruca Einstein. Um ator medíocre, presidir a grande nação Americana!?

Imaginemos esta mesma viagem do tempo realizada nos dias de hoje (2021), voltando até o ano de 2001. Quem conseguiria prevê a ascensão e queda de Ricardo Coutinho? Prefeito duas vezes da Capital, e duas vezes governador? Derrotas de Wilson Braga e Buriti para o Senado Federal? Eleição de Cássio Cunha Lima e Efraim Morais? O sonho do saudoso tribuno Viral do Rego ter se realizado em seus descendentes, com dois filhos, e agora sua esposa, passando pela Casa Revisora do Congresso Nacional?

Duas derrotas consecutivas do Clã Cunha Lima em Campina Grande, perdendo a Prefeitura para Veneziano Vital do Rego; duas derrotas consecutivas de Cássio Cunha Lima, após eleito e reeleito governador, disputando seus retornos ao governo e ao Senado; Daniella Ribeiro se eleger Senadora da República? Aguinaldo Ribeiro ter ocupado o Ministério das Cidades, liderança do governo na Câmara e atualmente líder da maioria? Damião Feliciano deputado federal e sua esposa duas vezes vice-governadora? João Azevedo de simples eleitor chegar ao Governo do Estado? Será que tudo isto é obra do místico “destino”, ou estava “escrito nas estrelas”? O que tramam os astros para 2022? A derrota dos invencíveis – como 2001 – ou a vitória dos previamente derrotados?

OS REGOS LARGARAM NA FRENTE

Com dois assentos no Senado Federal (mãe e filho), filiação de Veneziano Vital do Rego ao MDB – momento importantíssimo para a legenda que lançou uma candidata para disputar a presidência da Casa Revisora do Congresso Nacional – o clã Rego se transforma no maior e mais importante aliado do governador João Azevedo, com vistas a seu projeto de reeleição.

O processo constante de distanciamento dos extremos – sobretudo das esquerdas – tem conduzido naturalmente João Azevedo para o “centro”. Ao abdicar do radicalismo doutrinário e “raivoso” protagonizado pelo seu antecessor, criou-se naturalmente a oportunidade de diálogo, anseio da classe política – independente de siglas – que elegem sempre como prioridade, temas de equilíbrio e crescimento gradual do Estado, mesmo em tempos de pandemia.

Como um bom enxadrista, João Azevedo fez lances importantes nas eleições municipais de 2020, livrando-se de muitos “xeques”. “Flertou” com o PP de Cícero Lucena (Capital), apoiou a oposição de Campina Grande, e na maioria dos principais redutos do Estado, manteve apoios “formais”. Não fechou portas, nem criou “labirintos” para sua jornada do ano vindouro (2022).

Evidente que como Prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena buscará ampliar seu território político. Tentará se inserir no projeto João Azevedo – única alternativa – após seu rompimento traumático com os Cunha Lima. Talvez queira indicar um vice e eleger um deputado federal. Mas, não dispõe de “cacife” como os Regos. Uma chapa do PP/PSDB, a esta altura é projeto natimorto.

Resta saber o que fará os irmãos Cartaxo. Estéreis politicamente, não aproveitaram a oportunidade de 2018, que seria Luciano e não Lucélio, e sobraram na curva em 2020. Luciano fez uma boa gestão na Capital. Entretanto, faltou-lhes a coragem e ousadia do saudoso Luciano Agra, quem lhes deu o primeiro mandato. No presente, tudo o que pode almejar é uma vaga para a câmara dos deputados.

Restam Romero Rodrigues e o PP, com Daniella e Aguinaldo. Só quem pode “queimar cartuxos”, sem riscos de ficar sem mandato, é Daniella Ribeiro que tem mais quatro anos no Senado Federal, e mesmo derrotada, seu nome não ficará “congelado” por tanto tempo. Como se posicionará Romero Rodrigues? O melhor prefeito de Campina Grande do século XXI! Reunirá condições e apoios para enfrentar João Azevedo? Ou terá que dividir espaços com Aguinaldo, Pedro Cunha Lima para retornar ao seu mandato de deputado federal, interrompido quando se elegeu prefeito de Campina Grande em 2012?

Quanto a Senadora Nilda Gondim, provavelmente passará um bom tempo no Senado. Apesar de está se recuperando com sucesso do COVID-19, pelos depoimentos dos sobreviventes que estiveram na UTI, as sequelas são terríveis. Além do temor de uma reinfecção, o que seria fatal.

DECISÃO DO STF CULMINA EM MOTIM DA POPULAÇÃO

As manifestações ocorridas no Estado da Amazônia, contra o novo decreto do governador que impõe mais um lockdown – evitar proliferação do COVID-19 – gerou um quadro de desobediência civil, quando a população foi as ruas desafiar sua autoridade. Em resposta, o chefe do poder executivo da Amazônia tomou medidas extremas, como ordenar a Polícia Militar a abrir fogo contra os insurretos. Felizmente, a tropa se conteve ao perceber que o povo não recuava, gesto que evitou um banho de sangue.

A cidade de Búzios (litoral do Estado do Rio de Janeiro) já havia feito o mesmo. Estado de São Paulo, dezena de municípios anunciaram esta semana que não cumprirão o decreto do governador João Dória. Ato que além do lockdown, suspende a gratuidade do transporte público aos usuários acima de sessenta anos. O Brasil vive sua maior crise institucional das últimas sete décadas, algo somente comparável ao fato histórico ocorrido após o suicídio de Getúlio Vargas, quando o presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, estava interinamente como vice-presidente, “internou” o vice em exercício Café Filho e com apoio da Suprema Corte, pretendia implantar uma Ditadura, impedindo a posse do presidente e vice eleitos (outubro de 1955) Juscelino Kubistchek e João Goulart.

Marechal Henrique Teixeira Lott – um dos tenentes de 1922 – estava como Ministro da Guerra. Usou sua coragem cívica para impedir um golpe de Estado, dando um contragolpe e restabelecendo a ordem Constitucional. Ordenou que as tropas do Exército cercassem o Palácio do Catete (sede do governo) no Rio Janeiro então Capital da República, Câmara dos Deputados; Batalhões da Polícia; Correios e Telégrafos…Ato seguinte (ainda em novembro de 1955) o vice-presidente do Senado Nereu Ramos, com apoio do Marechal Lott, convocou o Congresso, que cassou o mandato de Carlos Luz e votou o impeachment de Café Filho. Fechou a Suprema Corte e decretou “Estado de Sítio” até 31 de janeiro de 1956, quando Juscelino e Goulart foram empossados.

A ingovernabilidade da época tinha origem na corrupção desenfreada movida pela ganancia insaciável: “em casa de pouco pão, todos gritam e ninguém tem razão”. O Tesouro Nacional não era o suficiente para alimentar a “fome” do Congresso e seus parasitas de sempre. Se não fora a “espada de Lott”, que garantiu todo o governo de JK, abortando outras rebeliões ou “quarteladas”, não se tem noção do que teria sido o destino deste país.

Quando nos reportamos as “semelhanças históricas”, é que percebemos hoje no Brasil de 2020, repetição de 1955. O povo elegeu um Presidente (2018) que o Congresso e STF não querem deixa-lo governar. Vargas foi eleito, não conseguiu e suicidou-se. Bolsonaro resiste, pelo apoio popular, graças as redes sociais. A grande mídia golpista, em conluio com a maioria dos governadores dos Estados, quer depô-lo a todo custo. Resta saber se aparecerá em tempo hábil, um Marechal Lott do século XXI. Não estamos fazendo apologia ao intervencionismo. Mas, qual o poder do Presidente da República?

Quem está provocando todo este “clima” de insegurança e governabilidade? O STF. Quadro de pandemia é o mesmo que “estado de guerra”. O Presidente da República, com a poio das Forças Armadas é a única autoridade Constitucional competente, para legalmente está a frente da crise. O STF tirou-lhes estes poderes e os transferiu para Estados e Municípios. Esvaziou sua autoridade mais uma vez, constantemente atropelada pelo Congresso Nacional. Como se não bastasse, rasgou a Carta Magna pela enésima vez, e decidiu pela obrigatoriedade da vacina, com punição aos desobedientes. Isto é Ditadura! Basta observar-se o número de sentenças, liminares e decisões colegiadas do STF em 2020: 100 mil. O país está “engessado” na Justiça. Com certeza o Presidente Jair Bolsonaro não assinou 100 mil decretos neste ano de 2020. Da mesma forma, os Presidentes das duas Casas Legislativa (Câmara/Senado) estão longe de alcançar o STF.

Eleições para Presidência da Câmara e Senado:
GOVERNO BOLSONARO TEM QUE ENTRAR NO JOGO E ESCOLHER DOS MALES O MENOR

O comando do Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2021 será decisivo para concretização de parte do projeto político do presidente Jair Bolsonaro, quer seja candidato ou não a reeleição, ano seguinte em 2022.

Desnecessário destacar que a atual legislatura – na Câmara e Senado – eleita popularmente pelas urnas em 2018, se constituíram na pior de toda a história de nossa República. Tão inconsequente que levou o povo as ruas por mais de meia dúzia de vezes, pedindo o seu fechamento e da Suprema Corte. Durante todo o ano de 2019, graças a ansiedade do Ministro Paulo Guedes – por não ouvir as raposas políticas – discutiu-se só a Reforma da Previdência. A mídia militante fez sua parte, descaracterizando a figura do Presidente plantando diariamente manchetes sobre comportamento de seus familiares.

No descortinar de 2020, veio a pandemia do coronavírus – e do jeito que o diabo gosta – os presidentes da Câmara e Senado afundaram o tesouro nacional contra tudo e todos (o povo), criando dezenas de gastos perdulários como o Fundão Eleitoral, ampliação do Fundo Partidário; legislando sempre em causa própria e atendendo as demandas do cartel FEBRABAN: um conluio de ladrões que concentram a renda e expansão do crédito no Brasil, travando a nossa economia. Só após o primeiro ano, Paulo Guedes percebeu finalmente que Congresso, STF; Bancos e grande parte do nosso “setor produtivo”, estiveram sempre apojados nas tetas do governo.

Propostas importantes do Presidente Jair Bolsonaro – de anseio popular – na área de segurança pública; desmantelamento das OCRIM; porte de armas; combate ostensivo a corrupção… Foram projetos boicotados e sabotados nas votações realizadas pelo Congresso Nacional, a partir do “pacote” anticrime do então Ministro Sérgio Moro. Rodrigo Maia, David Alcolumbre e Dias Toffoli, formaram um “Triunvirato” e transformaram o presidente Bolsonaro em “Rainha da Inglaterra”.

As opções do governo para atravessar 2021 e chegar a outubro de 2022 são raras, pouquíssimas ou quase nenhuma. Os poucos Congressistas que têm seriedade e compromissos com o destino do país, se porventura lançarem-se para presidir as duas casas legislativas, serão atropelados pelo “centrão”. Resta saber se será melhor apoiar um membro do “centrão” do baixo clero, ou um “cabeça pensante” ideológico, que também estará a serviço da corrupção e ainda dará uma “puxadinha” para esquerda.

Palácio do Planalto terá que escolher dos males o menor. Decisão que provavelmente trará prejuízos a popularidade de Jair Bolsonaro, junto a direita conservadora, setor onde se concentra a maioria de seus apoiadores. Irão questioná-lo, se ele irá adotar o que sempre combateu: toma lá, dá cá.

Infelizmente o destino que nos aguarda a partir de março de 2021 – pós-pandemia e imunização da população através das vacinas – assemelha-se a um náufrago e sua confusão mental de não saber em que praia, ilha ou rochedo escapará ou encalhará.

MEMÓRIA CURTA

Seu Cabral (Severino Bezerra Cabral) uma das maiores lideranças política de Campina Grande do século XX – que se elegeu, e elegeu o Prefeito de sua preferência na Rainha da Borborema de 1947 até 1968 – tomou a decisão de se imortalizar através da construção do Teatro Municipal de Campina Grande. Uma obra gigante, para uma cidade que tinha um perfil de entreposto comercial e pouca vocação para cultura. Seu projeto arquitetônico, avançado e único, sem as “curvas” do concreto – inovação proposta pelo gênio Oscar Niemeyer – tinha um modelo de navio. Quando perguntavam a seu Cabral se era um navio, ele respondia que achava parecido.

A inauguração seria no final de seu mandato (1963), e a curiosidade reinante era o nome que receberia o Teatro. Na época, a Câmara Municipal tinha grandes intelectuais como Raimundo Asfora, Ronaldo Cunha Lima; Figueiredo Agra… Que começaram a sugerir nomes como Augusto dos Anjos, José Américo de Almeida; José Lins do Rego; Assis Chateaubriand…  Mas, seu Cabral resistia, e insistia que o nome seria surpresa.

Analfabeto funcional, seu Cabral depositava toda sua confiança em Souza da Pipoca, vereador que atuava como um líder informal na Câmara e nos bastidores da política. Mesmo grau de instrução de seu Cabral. Quem tivesse algo complicado para resolver com seu Cabral e Souza não resolvesse, podia desistir. Asfora, Ronaldo; Figueiredo Agra… E quase a unanimidade da Câmara cobraram de Souza um nome ideal para ser eternizado na obra mais bela de Campina Grande dos anos sessenta. Imbuído da importante missão, Souza enfrentou seu chefe: “o nome tem que sair seu Cabral…” Sem rodeios, seu Cabral foi na bucha: Teatro Severino Cabral. Souza o aplaudiu e concordou com a ideia. Entretanto, quando chegou com a noticia na Câmara, a reação por parte dos parlamentares intelectuais foi um protesto veemente, ameaçado de não ser aprovado. Cabral era um analfabeto… Uma agressão a memoria e cultura da cidade… Isto jamais.

Souza foi o portador do descontentamento da bancada. E, instruíram-no para argumentar: “seu Cabral não era escritor, artista, poeta…” Seu Cabral ouviu e mandou um recado de volta: vai ser Severino Cabral e vou está presente na sessão. Todos temiam Cabral por sua coragem pessoal. Alto, 1,90, as vezes intolerante, sua mão sempre ia ao pé do ouvido de alguém, que de forma desaforada o ofendesse. Chegou o dia da sessão, e Cabral estava presente. A turma dos intelectuais usou mais uma vez Souza. Quando a propositura foi apresentada e posta em votação, Souza argumentou: “seu Cabral tem que ser um nome ligado as letras, artes; poesia… Cabral o interrompeu: “Souza pergunte a quem mandou você discordar de mim, em qual time jogou Getúlio Vargas e Plinio Lemos? Os dois campos de futebol da cidade são em nome deles”. Silêncio reinante, a propositura foi aprovada por unanimidade.

Seu Cabral se imortalizou. Mas, por ironia do destino, os dois maiores Prefeitos do século XX de Campina Grande foram Vergniaud Borborema Wanderley (pronuncia-se Verniô) e Enivaldo Ribeiro. O primeiro demoliu o centro antigo da cidade e construiu ruas e avenidas largas. O segundo, fez o Plano Diretor que até hoje está aí, e foi um recorde em obras. Todavia, não deixaram nada escrito sobre suas obras. Agora está se despedindo de sua gestão Romero Rodrigues. Em nossa opinião o maior Prefeito de Campina Grande do século XXI. Cometendo o mesmo erro de Vergniaud e Enivaldo. Em duas décadas, poucos se lembrarão de sua gestão.

MEXERAM COM O LEÃO FERIDO

Adágio popular: “você entra na política pelos amigos, não sai pelos inimigos”. Mas, quem são estes inimigos? Frase cunhada pelo saudoso Senador do RN Dinarte Mariz: “politica é a arte de atrair adversários e trair correligionários”. Evidente que os inimigos são aqueles que sempre estiveram ao seu lado, bajularam; ocuparam espaços e se projetaram sob a hipócrita insígnia da “lealdade”.

Ávidos pelo poder, no mundo político são raras as “criaturas” que controlam a ganância, e se contêm para não se voltarem e destruírem o seu “criador”. Willian Shakespeare – em sua obra Júlio César – descreve de forma brilhante os instintos da traição pelo poder, sempre perpetrados por aqueles que estão em sua volta, gozam de privilégios, confiança; intimidade, e posicionam-se acima de qualquer suspeita. Este é o “elemento surpresa”, imprevisto por conta da “gratidão”, sentimento nobre, porém, jamais cultivado pela maioria daqueles que ambiciona alcançar o topo da pirâmide.

Nas eleições de 2018, enquanto Cássio Cunha Lima procurava viabilizar sua volta para o Senado Federal, todos se uniram e conspiraram para derrota-lo de forma humilhante. Os irmãos Cartaxo, sua companheira Daniella Ribeiro; Ricardo Coutinho; Ney Suassuna; dissidências em sua própria família… Tudo sob o olhar perplexo de outro traído: Jose Maranhão. Os Regos não podem figurar nesta lista. São seus únicos inimigos políticos autênticos e históricos. Ricardo e José Maranhão, foi ou são ainda circunstanciais. Todos tinham um projeto político e Cássio era o poste no meio da ponte.

Sangrando como Júlio Cesar (2018), após seis punhaladas, Cássio Cunha Lima sobreviveu. Ficou fora de combate, abandonado pelos amigos; fiéis seguidores e ex-companheiros de jornadas, sem forças sequer para sustentar a espada e o escudo. Optou pelo silêncio. Cuidou em sarar as feridas da alma, mesmo sabendo que ficariam as cicatrizes como lembrança permanente.

Eis que agora em 2020, chega Brutus (Cícero Lucena), o único que não apareceu na emboscada de 2018. Tinha que cravar também uma adaga, no peito do já considerado moribundo político, Cássio Cunha Lima. Até tu Cícero? A carta desabafo do ex-senador foi pertinente. Após o assassinato de Júlio César, surgiu o Cristianismo, como Religião e Filosofia. A gratidão está intrinsicamente ligada aos dois principais mandamentos desta ordem humanista que prega a paz entre os homens, a fé e esperança ao recomendar o dom do perdão e o poder da renúncia.

Cássio renunciou a política e perdoou seus agressores, como um bom Cristão. Mas, como esquecer? E agora, depois de Cícero? Com certeza vai voltar ao campo da honra e travar mais uma batalha em 2022. Provavelmente este não seria seu desejo. Mas, perder, reconhecer a derrota e ser eternamente tripudiado! Mexeram com um leão ferido O instinto de defesa o moverá para um contra-ataque feroz, mortal e talvez até irracional.

O DESASTRE ELEITORAL DE 2020

A ausência de uma Legislação Eleitoral permanente, infelizmente constantemente alterada a cada dois anos – ajustando-as as conveniências do Congresso Nacional – culminou num modelo que se exauriu em definitivo no pleito deste ano de 2020, quando foi posto em prática o excêntrico Fundo Especial de Financiamento de Campanha, ou “Fundão Eleitoral”.

A nefasta experiencia do “Fundão Eleitoral” agora em 2020, instituiu (provavelmente) em definitivo, a compra obrigatória de votos – crime eleitoral que vem sendo combatido após 1986 – ocasião em que se realizou o pleito com vistas a instalação da Assembleia Nacional Constituinte de 1988. Na época, os mais diversos setores da economia do país, investiu em candidatos para defenderem seus interesses na elaboração da nova Carta Magna – atual Constituição Cidadã.

Neste ano de 2020, todos os votos foram comprados, e venceu quem gastou mais. Inexistiu os debates ideológicos. Valores e preparos intelectuais dos postulantes foram nivelados por baixo. Estabeleceu-se o “leilão”: quem pagou mais, levou o sufrágio. Não se discutiu o hoje e o amanhã do município, numa perspectiva futurista da nação, debatendo modelos econômicos e conjunturas político/social. Esmagadora maioria do eleitorado adotou a “Lei de Gerson” (levar vantagem em tudo) ao saberem que 3,0 bilhões de reais destinados a candidatos, para serem gastos em suas eleições.

Depois de quarenta anos, com todos os avanços tecnológicos e acesso a informação instantânea (internet), as declarações de Pelé, o Rei do Futebol – contemporânea a publicidade de Gerson veiculada na mídia vendendo as pilhas Rayovac – estão imortalizadas: “o brasileiro não sabe votar… Ainda não conhece o valor de um voto”.
O desastre 2020, só vem constatar que nunca houve vontade politica do Congresso Nacional em acabar com a corrupção no país, processo que se inicia a partir das eleições. O experimento do “Fundão Eleitoral” e das “nominatas partidária” foi um tiro no pé. Se estas regras prevalecerem para 2022, nenhum parlamentar do famigerado “Centrão” retornará as Casas Legislativas do país.

O custo de um mandato de deputado federal será de no mínimo 10 milhões de reais. Estadual, metade. E de um Senador da República, inimaginável. Isto tendo como base, valores do voto para vereador (2020) que oscilou entre R$ 300,00 e 600,00 dependendo do tamanho da cidade: quanto menor, mais caro o sufrágio. O fenômeno da pura democracia vivida em 2018, disputa renhida entre Direita x Esquerda, conservadores e progressistas – sem o abuso do poder econômico – culminando na vitória de Bolsonaro – ora pode se considerar como um fato raro e inusitado, instante de lucidez e cidadania que jamais se repetirá em nossa história.

Operação Calvário:

STJ MOSTRA A FORÇA DO CORPORATIVISMO

A decisão “corporativa” de manter a liminar que determinou soltura do líder da OCRIM girassol, Ricardo Coutinho – concedida pelo plantonista provisório à época Ministro Napoleão Nunes Maia – amplia mais ainda o profundo fosso que separa uma nova sociedade em mutação (sedenta por Justiça) do distante e inatingível Poder Judiciário, regiamente pago pelo suor do trabalhador brasileiro, que almeja punições severas contra os ousados e arrogantes malbaratadores do erário público.

Alcançado pela compulsória marcada para este ano, precisamente em 30/12/2020, quando completará 75 anos, Napoleão Maia foi salvo por seus pares da 6ª turma (STJ) ontem (18/02/2020) placar de 4×1. Em final de carreira, ser punido por companheiros, mesmo que por erro grave e insanável? Mancharia sua “biografia”. A opção em “salvar” o Ministro de sua ultima travessura, culminou em danos à figura de um Desembargador do TJ-PB probo, digno e de conduta ilibada, que por méritos chegou ao TJ-PB, dispensando qualquer apoio político de sua ilustre família.

A 6ª turma do STJ não avaliou a periculosidade de um quadrilheiro em liberdade… Doravante irá destruir provas, intimidar testemunhas; chantagear autoridades e obstruir a Justiça. Qual a diferença entre os crimes praticados por Ricardo Coutinho e Sérgio Cabral? Provavelmente seja a figura do julgador: Juiz Marcelo Bretas que o meteu na cadeia, e quando vislumbrou que seria boicotado pelas Cortes Superiores, sentenciou-o a 180 anos de cadeia. Mostrando seu destemor do mundo político e suas influencias, encarcerou Pezão, no exercício de suas funções como governador do Rio de Janeiro, saindo algemado do Palácio da Guanabara.

Quem assistiu ao julgamento no TSE (24.04.2018) do então governador Ricardo Coutinho – transmitido pela TV Justiça – percebeu a “indisfarçável simpatia” do Ministro Napoleão Maia pelo réu socialista, fundador da quadrilha girassol. Amor à primeira vista? Mesmo sendo o relator, não leu seu voto, sequer teve a preocupação de fundamentá-lo usando qualquer “entendimento” da confusa e ininteligível legislação eleitoral. A remissão fiscal de impostos como IPVA, ICMS (gol de prata); Multas e Taxas do DETRAN-PB, prejuízo ao erário estimado em 36 milhões de reais, em plena campanha eleitoral de 2014, na visão de Napoleão Maia não desequilibrou a disputa do pleito. Absurdo! Dezenas de milhares de votos de proprietários de motocicletas foram trocados pelo perdão da dívida do IPVA.

“Assistencialismo necessário” (?) foi à tese vergonhosamente “improvisada” pelo Ministro Relator Napoleão Maia, alegando que motocicleta no Nordeste era um “jumento motorizado”. Que conhecia a pobreza da região, e que todo tipo de “assistencialismo” – mesmo em período eleitoral – era importante e bem vindo, para amainar o sofrimento desta gente. Sem “assistencialismo” o nordestino morre de fome e sede. Onde se encontra esta lei, artigo ou Jurisprudência? Finalizou alegando que a vontade popular deveria ser respeitada. Mas, não houve “vontade” e sim “motivação” do eleitor pelo dinheiro e os benefícios da máquina pública.

 A Ministra Rosa Weber tentando minimizar o vexame, não escondeu sua sinceridade: “no meu entendimento este tipo de ação é conduta vedada e desequilibra qualquer pleito”. Concordou com o Vice Procurador Geral Eleitoral, Nicolao Dino – irmão do governador do Maranhão Flávio Dino (PCdoB) – que compõe o arco de alianças dos partidos de esquerdas, onde se inclui o PSB. Separando o “homem ser, do homem função”, Nicolao Dino pediu a cassação da chapa de 2014, por considerar uma “aberração” o TRE-PB não ter observado os crimes cometidos durante a campanha.

  Jornalista Flávio Lúcio, que tripudia com ironia em seus textos o Desembargador Ricardo Vital e GAECO-PB, após resultado do julgamento da 6ª turma, lhes pôs uma “alcunha” de o “Sérgio Moro da Paraíba”. O zelo, conhecimento e preparo do Desembargador Ricardo Vital, em nada difere do respeitado Juiz, homenageado em todo o planeta, por sua coragem de prender e condenar o Chezfe de Estado mais corrupto da história do século XX e XXI, do mundo civilizado.

Sérgio Moro do Paraná, não esperou fechar o “conjunto da obra” da corrupção contumaz que sorveu dos cofres públicos trilhões de reais, instalada no país desde 2003. Bastou o Triplex do Guarujá. Demais criminosos envolvidos na gang, seriam pegos pelas delações e seu efeito dominó. Teve que encarar o Ministro Teori Zavascki, que atendendo pedido da então Presidenta Dilma, concedeu liminar a Renato Duque. Duque tinha diversos crimes, porém, bem menos graves que os de Ricardo Coutinho. Duas semanas depois, o Justiceiro do Brasil o pôs novamente na cadeia. E, cuidou em sentenciá-lo, evitando que o exemplo encorajasse outros delinquentes, e se criasse a esperança da impunidade.

Para Ricardo e seus comparsas, tudo está dentro do planejado: em 120 dias terá sua candidatura a prefeito registrada e ficará impedido de ser preso até 31/12/2020, a não ser em flagrante delito. A Justiça, neste período engajada no processo eleitoral, dificilmente terá tempo para julgar um processo, que a cada dia fica mais extenso.

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Operação Calvário:

ESTRATÉGIA POLÍTICA DE RICARDO PODERÁ VENCER O JOGO

Já não existe mais o que se delatar sobre os desvios milionários da gestão Girassol. Para se condenar um ladrão, não precisa provas que roubou milhões ou irrisórios centavos, a pena é a mesma. O que o GAECO- PB ainda não alcançou foi à estratégia dos advogados de Ricardo Coutinho, e onde pretendem chegar, quando exibirem troféu de uma vitória, debaixo do nariz do Poder Judiciário da Paraíba.

            Decorreram-se quatorze meses de investigações, prisões; delações com revelações tão estapafúrdias, que se não fossem amparadas em materialidades, o conjunto das provas seria difícil de merecer credibilidade, em função da ousada selvajaria da quadrilha e seu chefe – ex-governador Ricardo Coutinho – que ainda chegou a ser detido provisoriamente. Entretanto, como um prolixo discurso de bêbado, tudo já foi dito, mas, ainda não sabemos quando irão finalizar esta “peça” de retórica.

 O processo se arrasta… Aguardam mais delações? As que já existem são suficientes para um século de cadeia. Uma queda de braço entre o GAECO-PB, MP e PGR, quer a volta de Ricardo Coutinho ao cárcere. Para que? Virá Gilmar Mendes ou Dias Toffoli e põe ele na rua, usando o mesmo “entendimento” e até decisão da Suprema Corte sobre prisão em segunda Instância. Neste caso, estão fazendo o “jogo” do ex-governador, ou morderam a “isca” de seus advogados?

Chegamos ao mês de fevereiro (2020). Em Junho, se inicia o período eleitoral. É exatamente esta oportunidade que Ricardo Coutinho aguarda para sair pela porta da frente, sem fugir da Justiça. Carnaval, Páscoa e São João, e pelo visto, o chefe da OCRIM Girassol não será condenado. Se isto não ocorrer – o que achamos pouco provável – será candidato a Prefeito de João Pessoa.

A partir do registro de sua candidatura, não pode mais ser preso, a não ser em “flagrante delito”. Quanto à possibilidade de uma condenação em pleno período eleitoral, mesmo que ocorra, uma “liminar” de plantão o deixará disputar o pleito. Se porventura vencer, será diplomado e empossado. Os processos da Operação Calvário iniciarão sua longa jornada procrastinatória, com vistas alcançarem a prescrição.

O Desembargador continua “notificando” mais suspeitos, o GAECO-PB mantém sua “volante” procurando encontrar mais comparsas do bando, quando o líder já está cercado? Redundância absurda! A grande noticia seria: “processo concluso para julgamento”. Aí, a expectativa seria – não pelos anos de cadeia de seus prováveis condenados – mas, pela inelegibilidade de Ricardo Coutinho no pleito que começa em 130 dias. O Chefão da Máfia Girassol continua “ficha limpa” para a Justiça Eleitoral.

Dispondo de milhões de reais, indiscutivelmente Ricardo Coutinho disputa com chances de vitória as eleições da Capital. Seu discurso deixará o eleitor “tonto” e inseguro: “sou ficha limpa… Não tenho nenhuma condenação na Justiça… Investigam-me por delações de ladrões que roubaram no meu governo, traíram minha confiança… Se eu fosse culpado, não estaria aqui pedindo seu voto”. Alguém duvida? Aguardem!

Em tempo: Ricardo Coutinho nunca sofreu uma derrota no TRE-PB, não tem contas rejeitadas pela Assembleia Legislativa; nenhum outro tipo de condenação, sequer pelo PROCON. Para o eleitor e opinião pública, já saturada com tanta ação do GAECO-PB sem reação imediata do TJ-PB, se ele esteve durante todo este tempo no bordel, vestido de Freira, fica uma incógnita: talvez estivesse apenas em meio às prostitutas.

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CASA EPITÁCIO PESSOA:

NÃO VÃO SEPARAR O JOIO DO TRIGO?

            O pastor Shimidt, guardião da fé dos fieis de uma pequena cidade da Alemanha, durante o momento mais difícil da II Guerra (final de 1944), confessou quando interrogado pelas tropas aliadas – qual seu papel no conflito e por que estava na prisão quando os vencedores derrotaram os Nazistas.

            A resposta do líder religioso foi simples e intrigante: “vou procurar saber, se é que ainda existe alguém que possa me explicar”. Continuando, elucidou: “primeiro prenderam meu vizinho da direita, por entenderem que ele era comunista. Eu não era. Em seguida vieram e levaram o da esquerda, suspeito de ser Judeu. Não sou Judeu. Um dia me levaram (?)”. O clima de vingança pela inevitável queda do III Reich culminou na busca de culpados, criando em seguida à rota de fuga do “salve-se quem puder”.

            A Operação Calvário, desencadeada pelo GAECO-PB, teve origem no Rio de Janeiro, chegou à Paraíba, Goiás e Rio Grande do Sul. A metástase deste câncer talvez tenha atingido todo o país, de forma direta e indireta. Entretanto, o envolvimento da unanimidade da classe política paraibana é discutível e inaceitável. Todos estavam participando destas atividades criminosas? Até a oposição? Não acreditamos. Esta na hora de separar o joio do trigo.

            Por que a Assembleia Legislativa não instalou imediatamente uma CPI, para apurar quem participou deste assalto aos cofres públicos? Silenciou ou se intimidou? O fato estapafúrdio do TCE – Tribunal de Contas do Estado, órgão de Assessoria do Parlamento ter sido denunciado, e o Poder Legislativo Paraibano – independente segundo a Constituição – não instalar um inquérito, admite a culpa de todos, inclusive a dos deputados não importando sua legenda ou posição política, por omissão.

            Início de Janeiro deste ano (2020) faleceu o ex-deputado federal Ibsen Pinheiro, presidente da Câmara dos Deputados no ano de 1992, que corajosamente aceitou a denuncia, e pôs em Plenário o impeachment do então presidente Fernando Collor de Melo. Um ano depois – setembro de 1993 – “estourou” o escândalo dos “Anões do Orçamento”. Ibsen, inocente, foi forçado a renunciar para não ser cassado. O fato acabou com sua vida pessoal e política. Teve que mudar de cidade, deixar a barba crescer; perdeu todos os amigos e foi condenado ao eterno ostracismo.

            Crise de consciência do gerente da sucursal da revista Veja em Brasília, vinte e dois anos depois, numa entrevista ao programa de Jô Soares, confessou que a matéria estava errada. A cópia do depósito feito por Ibsen tinha data atrasada. Na hiperinflação, o governo tinha cortado três zeros. Portanto, o que seria três mil Cruzeiros, figurou na reportagem de capa como três milhões de cruzeiros. Antes de a revista circular, o gerente ligou para o editor na sexta-feira e toda a hierarquia da Editora Abril. Tarde demais… Recusaram-se a mudar a capa. O efeito foi devastador.

            Canalhice maior foi o comportamento delinquente dos maus profissionais da grande mídia, que sabiam do erro que cometeram – assassinato da honra de Ibsen – não se recusaram em ser agraciados com o Prêmio Esso de Jornalismo, e mesmo depois de revelado a trama, ninguém até hoje devolveu a honraria para justificar a falta de caráter.

            A instalação de uma CPI pela Assembleia Legislativa do Estado da Paraíba, para apurar com rigor o coro de denuncias vulgarizadas pela mídia – objetos de delações premiadas – é ato de ofício da Casa, que representa um poder independente. Não é para inocentar culpados. O Parlamento dispõe de mecanismos para investigar, apurar, poder de policia para convocar membros do GAECO e se inteirar – não só da veracidade dos fatos – mas, como se procederam desenrolar dos acontecimentos.

            A operação Gautama (2007) desencadeou uma série de outras denúncias e outras operações como a “Navalha”. Todos os caminhos levavam ao então Presidente do Senado Renan Calheiros. E em meio a tantas revelações, surgiu a existência da “Sala Cofre” do Senado, onde continha os “Atos Secretos” e provavelmente farto material sobre o funcionamento da Casa Revisora do Congresso, desconhecido pelo público. A Policia Federal obteve autorização para busca e apreensão no Gabinete do Presidente do Senado e da Sala Cofre. Mas, a reação de Renan os impediu de cumprir o mandado.

            Ao tomar conhecimento que a PF viria ao Senado, Renan Calheiros convocou a Polícia Legislativa – armada até os dentes – e passou a ordem: “não discutam, o primeiro que entrar, arrombando a porta, atirem para matar”. Em seguida, respaldado pela Constituição, pediu Tropas Federais para guardar o Congresso. Ministro e PF recuaram. Mas, semanas de negociações, a PF foi levada a Sala Cofre e colheram os documentos que procuravam. Renan foi afastado da Presidência. Permaneceu como Senador e depois voltou a comandar o Senado por duas vezes. Errado ou não, ganhou respeito de seus pares.

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CUBA: SESSENTA ANOS DE SOLIDÃO DA ILHA

No dia 31/12/1959, meia noite e um minuto, Havana foi invadida por dezenas de milhares de agricultores armados, caminhões militares lotados de guerrilheiros que estavam escondidos em Sierra Maestra, disparando fuzis para o alto, e autofalantes anunciando a vitória da revolução.
Ditador Fulgêncio Batista, retirou-se imediatamente das festividades, rumou com a família para o Aeroporto e do alto via as explosões de fogos de artifícios, canhões, e artilharia pesada comemorando não o ano novo, mas, sua queda. Desinformado, em menos de quarenta e oito horas dois quartéis haviam sido tomados pelos revolucionários, e os demais não ofereceram resistência evitando derramar sangue de inocentes: os revolucionários usaram o povo como escudo humano, para invadir as casernas onde se concentrava o maior poder de fogo.
A ganância do Ditador vinha passando dos limites. Exigia sociedade nos empreendimentos norte-americanos na Ilha, ameaçando nacionaliza-los. Cuba explodia em prosperidade. Distante 200 milhas dos Estados Unidos, com sol durante todo o ano sobre suas belíssimas praias, vinha disputando com a Côte d’Azur da França: Mônaco, Nice; Capri… Locais frequentados pelos bilionários de todo o mundo.
A bagunça foi generalizada. Invadiram Hotéis, Cassinos; Restaurantes; Casas de Show… Depredaram tudo. A turba armada e embriagada marchou rumo à avenida beira mar – seis quilômetros de extensão – onde os Bangalôs no estilo Hollywood pertenciam a milionários norte-americanos e os grandes astros do cinema, música; esporte e TV dos Estados Unidos. Saquearam bens de valores e ocuparam-nos como moradia. Hoje, uma favela em ruínas.
Fulgêncio Batista pediu inúmeras vezes apoio aéreo ao então presidente Dwight Eisenhower, que enviou seus F-15, mais bombardeavam sempre e propositalmente distante de Sierra Maestra, ponto onde estava Fidel e seus pouquíssimos seguidores.
Dia primeiro de Janeiro (1959) o Aeroporto e o Porto estavam congestionados. Todos os Americanos temendo por suas vidas, deixavam a Ilha. Fidel, por volta das 15h00min, ocupou o Rádio e fez um discurso de sete horas ininterruptas. Hubert Matos e outros tentaram interrompê-lo para falar algo, mas, sem sucesso. Era prolixo e adorava microfones. Na plateia mão tinha proletários. Só funcionários públicos, estudantes e toda a classe média da Ilha, que o apoiou e financiou a derrubada do tirano, corrupto, Fulgênio Batista. Criaria uma Junta Governativa provisória, e marcaria eleições gerais.
Concluído seu discurso inaugural, pediram-no para tirar o psicopata assassino Ernesto Che-Guevara da Sacristia de uma Igreja, onde já tinha começado um fuzilamento desde as primeiras horas da manhã, embriagado e matando pessoas comuns como guarda civis, vigilantes e até Militares colaboradores com a causa. Guevara foi para um quartel, dormiu e ao acordar, reiniciou os fuzilamentos em diversas unidades Militares. Fidel ocupado com Embaixadores, empresários; industriais; comerciantes, e dando entrevistas, não teve tempo de conter a fúria do assassino Argentino.
Foi uma semana de paralisação na Ilha. Quando finalmente foram cuidar das Forças Armadas, todos tinham desertados. E as armas? Che-Guevara tinha dado ao povo com munição suficiente: “A revolução não tem retorno, vocês serão nosso Exército”. Dois meses, começaram as cobranças dos Estados Unidos para regularização da Ilha. Fidel não tinha como explicar o desastre que cometera, a partir de sua família.
O pai de Fidel era um dos grandes latifundiários de Cuba. Exceto Raul, os demais irmãos, tios e primos fugiram, temendo serem mortos. As terras foram invadidas por homens armados, que desconheciam o privilégio dos Castros. Cuba pertencia doravante a Revolução e ao povo (?). Com imagem e prestígio em alta, Che-Guevara fazia seus comícios incentivava as invasões e ocupação, principalmente de propriedades norte-americanas. A única alternativa de refrear Guevara era removê-lo com promoção. Foi nomeado Presidente do Banco Central de Cuba e Chefe do Tesouro.
Fidel para chegar a Havana, loteou a ilha com facções de esquerda e direita ligadas a trabalhadores e empregadores. Imaginou que em seguida, se livraria de todos. Mas, esqueceu-se de Che-Guevara. Seis meses de Junta Governativa, a Ilha estava totalmente desabastecida. Faltava do alimento ao combustível e principalmente o necessário para as termoelétricas. Hotéis, Restaurantes e Cassinos fechados. Chamou Che-Guevara e determinou usar o dinheiro para suprir as necessidades mínimas. Para sua surpresa, não havia mais um centavo no Banco Central. Guevara havia distribuído com o povo – a quem forneceu as armas – dinheiro suficiente para se alimentarem por um ano. Gastaram tudo e não tinha mais onde se comprar uma refeição básica
Não houve outro caminho, a não ser o apontado por Trotskista Guevara: pedir socorro a Moscou. Navios de combustíveis e alimentos começaram a chegar à Ilha, e a distância entre os Estados Unidos tornou-se um fosso profundo –  tão extenso – onde se tornara impossível construir “pontes”.
Fidel sobreviveu e morreu bilionário no poder. Porém antes, enterrou os sonhos e esperança de seu povo, que viviam na prosperidade, e hoje são sobreviventes da miséria. Passou a ser o espião número um da CIA e de Moscou. Guevara pagou caro pelo mal que fez a Fidel e Cuba. Primeiro o mandaram para Angola – combinado com os Estados Unidos – para evitar a presença de Moscou. Conseguiu sair com vida da guerrilha revolucionária. Ao chegar a Cuba, despacharam-no para Bolívia. Lá o mataram. O comunismo Soviético chegou a 72 longos anos, até que a queda do muro de Berlim simbolizar seu fim. Cuba completa 60 anos de sofrimento. Será que ainda aguentará por mais 12 anos? A Ilha de São Domingos, seu vizinho mais próximo, hoje é um dos locais turísticos mais caros, visitados pelos norte-americanos. Um paraíso em todos os sentidos. Como dizem os Cubanos, a Ilha se afunda, mas, o regime não cai.

Qual o futuro das Universidades Públicas?

O DRAMA DOS DOUTORANDOS

Cinco anos de Engenharia Mecânica para produzir esta estrovenga

Desde o ano 2000, os cursos das mais diversas áreas das Engenharias ofertados pelas Universidades Públicas, vêm sofrendo pesadas baixas, a partir do processo de acesso (antigo vestibular/ENEM) até sua conclusão. Nesta última década, a crise se aprofundou. Os resultados são os piores possíveis e inimagináveis.

Disponibilizam cinquenta vagas no primeiro semestre e cinquenta no segundo. Nos últimos cinco anos, os que conseguiram aprovação no ENEM e se matricularam, não conseguiram formar uma turma de quarenta alunos. Findo o primeiro semestre a deserção atinge 30%. Primeiro ano, metade. No último ano, restam apenas 10 ou 12 que concluem o curso, motivados pela carreira acadêmica – bolsas de Mestrado e Doutorado – não pelo mercado de trabalho.

Engenharia Civil, Mecânica; Produção; Pesca; Química; Materiais… Estão se nivelando a Pedagogia, Letras; Filosofia; Ciências Sociais e Economia: o aluno entra na Universidade, optando por estes cursos, em função do baixo nível de concorrência. Mesmo assim, ainda têm que serem “alavancados” pelo sistema de quotas, que privilegia os alunos oriundos da escola pública, afrodescendente; deficiente físico; pardo… E recentemente, a mais esdrúxula das quotas, crida no nordeste: nativos da região do semiárido ganham um peso elevadíssimo. Somando-se todas as regalias, basta não “zerar” na redação, que a vaga na Universidade está garantida.

A UFRN criou um curso de Medicina no Campus Avançado da cidade de Caicó (RN). No ENEM de 2018 o “ponto de corte” foi um dos maiores do país: 850 pontos. Os concorrentes que foram aprovados, não tinham 10% da capacidade e nível de conhecimento ou competitiva da USP. Mas, quando levavam os atestados da Escola Pública, afrodescendentes ou pardos, e nascido no semiárido, liquidava os pobres miscigenados de olhos claros, que chamam de brancos. Qual a serventia desta Universidade, que despreza em seu processo seletivo o conhecimento, e valoriza a cor da pele, origem e passagem pela Escola Pública?

O momento mais marcante do estudante universitário de Engenharia (anos 70) era o dia do seu baile de formatura. Belíssima festa após, ou concomitantemente com a Colação de Grau. Ocasião triunfal e inesquecível para família, evento marcado pelas despedidas da turma concluinte, jovens que acabara de vencer a belíssima jornada do aprendizado. De mala pronta, dia seguinte hora de partir. Enfrentar novos desafios como profissionais, no promissor mercado de trabalho do sudeste do país, onde estavam instaladas e se instalando, grandes plantas industriais. A nação na época chegou a crescer 14% ao ano. Hoje já não existem mais os bailes das Engenharias. Colação de grau de todos e num único dia, juntando um “punhado” de cada curso. Triste!

Particularizando os conhecimentos acadêmicos da Engenharia Mecânica, sua metodologia permanece “congelada” no distante tempo do final dos anos setenta. Não houve nenhum tipo de avanço em mais de quatro décadas. Algo semelhante a tentarmos alfabetizar nossos netos, usando a Cartilha de Sarita, onde aprendemos a soletrar as primeiras palavras. Ou estudar a Matemática Moderna do autor Osvaldo Sangiorgi, movimento renovador do modelo de aprendizagem para o antigo curso Ginasial.

Ao iniciar o curso de Engenharia Mecânica, o aluno tem que optar em desenvolver a didática absorvida, pondo em prática estes conhecimentos construindo ao longo de todo o curso, um protótipo de automóvel fora de estrada denominado “Baja”. Um carro esportivo, que transporta só o seu piloto, nunca vendido nem adquirido no mercado ou pelas montadoras de automóveis. A segunda opção é a construir miniatura de avião (Aeromodelo), hoje peça de museu depois do Drone.

Em 2015, o Brasil produziu 2,4 milhões de automóveis, das mais diversas marcas e montadoras. Não tem um único genuinamente brasileiro. Suas peças e componentes, não pertencem à indústria nacional. Absolutamente tudo é importado, ou licenciado para ser produzido no país, usando mão de obra mais em conta. Por que as 127 Universidades públicas – afora Campus Avançados – em quase meio século nunca desenvolveram um motor de automóvel? Banhado pelo Oceano Atlântico, O Brasil tem 9.200 km de litoral navegável.

As nossas Universidades Públicas mostraram-se literalmente incompetentes em criar através de suas Engenharias (Mecânica, Elétrica; de Materiais; Produção…) possibilidades de se desenvolver no Brasil uma Indústria Naval, com centenas de Estaleiros produzindo todo tipo de barco, navios de transportes, de passageiros e cargueiros. Que se destaque o grande mercado consumidor, a região norte, em especial a Amazônia, onde 80% do transporte de pessoas e cargas são através dos rios que compõe sua gigante bacia hidrográfica.

O Brasil hoje é o 8º maior produtor de Motocicletas do mundo. As nossas Universidades foram incapazes de desenvolver através de suas Engenharias um simples motor para locomoção em duas rodas. Aqui montamos: Honda, Yamaha; Suzuki; Shineray; Kawasaki… Mas, o “sindicalismo universitário” consome 100 bi anualmente.

Os Doutorandos das Engenharias – verdadeiros heróis em perseverança – além de terem sido ludibriados por um sistema perverso de doutrinação, e não aprendizado se depara com a dura realidade: para receber o diplomado, a Universidade exige um estágio. Em toda região norte/nordeste não existem indústrias Mecânicas ou Químicas que se enquadrem dentro dos padrões exigidos pela Universidade. Se não existe vaga para estágio gratuito, haverá emprego? Sem o estágio, não concluem o curso. Milhares abandonaram e outros tantos foram jubilados. Vale a pena manter estes cursos?

Daremos continuidade ao tema, mostrando em outros artigos, as “excentricidades” das nossas Universidades Públicas, que perdeu o “bonde” da história, como coadjuvante na construção de uma grande nação.

QUAL O FUTURO DA UNIVERSIDADE PÚBLICA?

Em beijaço, estudantes protestam em frente à Faculdade de Direito da UFMG (Foto: Guilherme Coura e Isabela Finelli/Arquivo Pessoal)

As nossas Universidades Públicas – desde 1980 – entraram num processo lento e gradual de “sucateamento”, na medida em que suas estruturas cientificas foram confundidas com processo político/populista de inclusão, priorizando especificamente a “diplomação” do terceiro grau maior. O Orçamento Geral da União – dinheiro dos impostos pagos pelo trabalhador brasileiro – destina ao Ministério da Educação 140 bilhões de reais anualmente, dos quais mais de 80% é consumido pelo ensino superior, para alimentar um gigante complexo de 127 Universidades além dos IF.

Estas Instituições abrigam mais de seis milhões de jovens estudantes – esperançosos em assegurarem para sua vida um futuro promissor – infelizmente ora perdidos na contra mão da história, em virtude do conteúdo curricular assimilado, literalmente ultrapassados e distantes da realidade do mercado formal de trabalho, que antes se reinventa a cada década, hoje anualmente.

Confere o adágio popular nordestino: “em casa de Ferreiro o espeto é de pau”. Universidades são centros de estudos e principalmente pesquisas. Entretanto, propositalmente nunca realizaram a mais primária de todos: averiguar quais as profissões do futuro. Este ano comemorou-se cinquenta anos da chegada do homem a Lua. Todos os técnicos e cientistas envolvidos neste fato histórico passaram pelas Universidades, onde desenvolveram pesquisas aproveitadas pela indústria: aeronáutica, química; elétrica; mecânica; eletrônica; física; médico/biológica, a exemplo de como reagiria o corpo humano sem a gravidade.

As constantes descobertas de novas tecnologias – que não pedem permissão a Universidade Publica do Brasil para se expandirem – estão sendo desenvolvidas e avançando por todo o planeta, “engolindo” postos de trabalho através da “automação” ou de “aplicativos” inseridos na internet, deixando nossos “Doutores” com diplomas desempregados. Quantas profissões já desapareceram nestas duas últimas décadas? Quantas sucumbirão até 2030? Para que se tenha noção do amanhã, exemplificamos um fato previsível para década (2020/2030) que se inicia ano vindouro: a rede bancária funcionará totalmente através da internet. Este segmento profissional (Bancários) em declínio e extinção, ora ainda emprega milhares de trabalhadores “qualificados” através de diplomas universitários nas áreas de Administração, Ciências Contábeis; Economia; Engenharia; Matemática… O que farão a partir da década de 2030/2040?

No quadro deplorável em que se encontra o país – herança dos governos social/populistas instalados desde 1995 – todas as demandas dos diversos setores da sociedade são prioritárias: saúde, educação; segurança pública; infraestrutura; matriz econômica – com política de distribuição de rendas – inspirada na versão século XXI… No caso da educação – ensino superior – a gravidade identificada é se existem chances de “recomeço”. Talvez o governo tenha que refundar este sistema.

Inútil tentar remodelar um método anacrônico e inadequado, através de simples processo de “reciclagem”. Seria o mesmo que utilizar toda tecnologia dos atuais automóveis, num chassis de um Ford T-34  modelo 1930.

Pesquisas oriundas dos Centros Acadêmicos avançados  das Universidades dos países que progrediram no século XX, reposicionaram suas perspectivas num mundo futurista, como “locomotiva” na jornada do progresso científico, puxando o comboio dos mercados de trabalho e consumo. E o que ocorreu no Brasil? Chegando ao poder, as esquerdas adotaram o atávico sistema “sindicalista” dos anos 30 (século passado), posto em prática na Itália de Benito Mussolini (era Fascista), copiado por Getúlio Vargas e que perdura até os dias de hoje.

As Universidades Públicas Brasileiras sindicalizaram-se, priorizando o emprego e garantindo a estabilidade de seus integrantes. Com autonomia financeira, tornaram-se independentes do MEC. Passaram a eleger seus quadros dirigentes (Conselhos) e até Reitores (?). Absurdo visto apenas no Brasil e Cuba. Ao invés do Concurso Publico, optaram pelos “Processos Seletivos”, cuja nomenclatura por si já expressa seu objetivo: só para “cumpanheirada”. Todos seus Reitores da imensa rede de Universidades Públicas (até 2018) eram militantes políticos do PT, PCdoB; PSOL. Tornaram-se difusores e doutrinadores de ideologias, convertidas em “formação de opinião”, que se expandiram de forma geométrica, explorando a ignorância política da juventude de forma perversa, transformando-os em “talibãs”.

Paralelamente, as Universidades Privadas estão se posicionando rapidamente no ranking classificatório – em alguns Estados – bem a frente das públicas. Os Cursos à distância estão sendo moldados dentro das exigências do mercado, garantindo emprego imediato em novas profissões ou atividades, sintonizadas com o mundo globalizado do conhecimento prático. Qual o destino das Universidades Públicas? Opinião sobre este tema com completa radiografia sobre este “sistema”, não permite se encerrar num único artigo. Daremos sequencia. Próximo tema: O DRAMA DOS DOUTORANDOS.

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Emboscada:

ESQUERDAS E CENTRÃO PREPARAM ATAQUE FULMINANTE

Manobras e sabotagens levadas a efeito, desde a posse do presidente Jair Bolsonaro – apenas com de dez meses de gestão – têm sido orquestradas e ganham ênfase, ao se perceber a perfeição do plano para derrubá-lo. As peças soltas deste quebra-cabeça, aos poucos estão se “encaixando” e mostrando a imagem prevista por Zé Dirceu, entrevista publicada pelo El País há um ano: perdemos uma eleição, mas, tomaremos o poder, o que de fato é o mais importante.
As esquerdas, aliadas ao centrão e com apoio logístico do STF, preparam uma emboscada fulminante, onde as chances de sobrevivência do governo Bolsonaro são mínimas, para não dizer “milagrosas”. Os motivos não se atêm ao presente, se impõem por força do inapagável passado de corrupção, que envolveu todos, e culminou na operação lava-jato. A queda de Dilma – eleita por urnas eletrônicas fraudulentas – foi um ato suprapartidário dos patronos da corrupção institucionalizada. A presidente não conseguiu frear a devastadora operação lava-jato, que avançava no formato “efeito dominó”: um a um começou a “cair” e logo todos estariam no chão.

A trama contou com os principais partidos que lhes davam apoio e contraditoriamente, estavam “apojados” nas “tetas” do governo: PMDB, PP; PTB; PR; DEM… Consolidou-se com o “racha” dos ideológicos PDT/PSB. No STF, Ministros nomeados por Dilma – inclusive o último – Edson Fachin, foram incapazes de criarem Jurisprudência procrastinatória, em virtude da “contaminação” da Corte, com nomes de alguns dos seus membros citados pelos grandes empresários delatores da lava-jato. Todos preferiram salvar a pele. Que viesse Temer e parasse a lava-jato.

O candidato Jair Bolsonaro (2018) passou a se constituir como o principal inimigo da “Central” das OCRIM da corrupção. Tomou uma facada – não por questões ideológicas – mas, para eliminar por antecipação um provável justiceiro, considerado algoz da bandidagem do colarinho branco. Escapou do atentado e venceu o pleito. Cumprindo o que havia prometido a seus eleitores, convidou o Juiz Sérgio Moro para o Ministério da Justiça. Hoje, se percebe que houve precipitação de ambos. Do convite de Bolsonaro e da concordância do Juiz. Talvez se ainda estivesse em Curitiba, toda a “corja” estaria agora na cadeia.

Michel Temer mudou o foco do país e tentou parar a lava-jato. Esqueceu-se do Procurador Geral da República Rodrigo Janot, que acelerou a mega delação da Odebrecht e pegou os gatunos da JBS e Funaro. Com eles, encurralaram o presidente, levando a corrupção à sala de estar do insuspeito Poder Executivo. Curioso foi a Câmara que cassou Dilma por “pedaladas fiscais”, não ter cassado Michel Temer por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Observem a força do “corporativismo”, que independente de legendas se une para escapar da lei.

O processo silencioso com propósito de derrubarem o governo Bolsonaro, prossegue em ritmo célere, sem a percepção do povo. Aqui, acolá, deixaram “pistas” soltas, ignoradas pelos mais perspicazes observadores, que consideram ainda impossível tamanha ousadia. Mas, a vaidade do Ministro Gilmar Mendes, em uma entrevista concedida a Mário Sérgio Conti da TV Globo News (14/11/2019) deixou marcas evidentes das peadas na trilha por onde caminha o “golpe”. Segundo o Ministro “Lula merece um julgamento justo pelo STF e seu processo pode ser anulado, mesmo com as condenações do TRF-4/STJ”. Culpou a mídia e acusou STJ de medroso (?).

Gilmar Mendes apontou corrupção na Força Tarefa da lava-jato, sugeriu conluio do Juiz Sérgio Moro com os Promotores do MPF; considerou Moro como facilitador da vitória de Bolsonaro, por ter vazado a delação de Palocci nas vésperas da eleição; sobre prisões de Moro ele avaliou como “tortura psicológica”, com objetivo de colher confissão. Criou um roteiro sugerindo que as ações do atual Ministro visavam cegar ao Ministério. Gilmar mostrou-se fiel ao script, e cumpre seu papel na missão da “conspiração”: denegrir e desmoralizar Sérgio Moro, MPF e Força Tarefa da lava-jato.

Paradoxalmente, a única vez que o Ministro Mendes se referiu ao Presidente Jair Bolsonaro foi para elogiá-lo, por ter nomeado para PGR o Procurador Aras – fora da lista do MPF – instituição que ele abomina e denuncia como “corporativista e imoral”. Enalteceu o presidente, por não ter escolhido um nome da Força Tarefa da lava-jato.

Paralelamente, trabalham a quatro mãos em outra frente, o presidente do Senado Federal David Alcolumbre e o presidente da Câmara dos Deputados Rodrigo Maia. Alcolumbre não instalou – e nem instalará – a CPI da lava-toga, impeachment de quatro ministros do STF; votação do fim do foro privilegiado.

Rodrigo Maia por sua vez, tirou o COAF das mãos do Ministro Moro e “guilhotinou” o Secretário da Receita Federal. Já colheu 200 assinaturas para PEC 0037/2019 – criada inexplicavelmente em março – inicio do governo, cujo objetivo é impedir o General Mourão assumir o cargo de Presidente, em caso de cassação, morte ou impedimento do titular Jair Bolsonaro. A PEC não precisa mais passar pela CCJ da Câmara. Pode ser levada a Plenário a qualquer hora, provavelmente antes do recesso do final deste ano, por ocasião da última sessão prevista para 20 de dezembro.

Se em Abril de 2020, o TCU apresentar relatório recomendando a desaprovação das contas do presidente Jair Bolsonaro, será o suficiente para se iniciar um processo de impeachment, numa casa legislativa onde o mesmo está sem partido e em minoria. Só povo pode impedir de acontecer, o que está fatidicamente consumado: Poder Legislativo e Judiciário unidos para derrubar o governo e se salvarem do fantasma da corrupção que os persegue.
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CÁSSIO É ATROPELADO PELO FATOR SURPRESA

 O prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues construiu a maior obra da cidade dos últimos tempos: complexo habitacional ou cidade Aluisio Campos. Segurou o quanto pode o evento da inauguração – entrega das quatro mil unidades habitacionais – na certeza que este “momento” o consagraria historicamente como a maior liderança política da Rainha da Borborema, isolando-se dos demais, e ganhando fôlego para no início do próximo ano, lançar seu candidato a sucessão. Certamente no seu imaginário – e do meio político – derrota sofrida em 2018 pelo grupo Cunha Lima, afastava qualquer perspectiva de um membro deste clã reunir condições para uma disputa municipal.

            E o que se passava pela cabeça de Cássio Cunha Lima? Eleito aos 21 anos deputado federal Constituinte, iniciou uma jornada sucessiva e ininterruptas de vitórias por uma longa temporada de 28 anos. Prefeito de Campina Grande, três vezes; deputado federal duas vezes; governador do Estado duas vezes; senador da República um mandato. Seu primeiro tropeço (derrota) foi em 2014. Mesmo assim, venceu o governador candidato a reeleição Ricardo Coutinho no primeiro turno. No segundo, perdeu por mais de 120 mil votos.

            Em 2018, ao tentar renovar seu mandato para o Senado, foi atingido por um tsunami: Ricardo Coutinho “obrando milagres” avançou nos redutos “Cassistas” e sem piedade o deixou na quarta posição – última – dos que disputaram as duas vagas. Perdeu até em Campina Grande para Daniella Ribeiro, muito embora tenha ficado bem a frente de se concorrente direto, Veneziano Vital do Rego. Entretanto foi “atacado” pelo desconhecido Luís Couto, que lhes arrancou 44 mil votos.

O Marechal “tempo” transformou os “milagres” de Ricardo Coutinho num “calvário”. Está sendo castigado por ter saqueado os cofres públicos. Da  Cruz Vermelha foram desembolsados 200 milhões de reais para compra de votos. Estimado em 100 reais – per capita – compraram o equivalente a dois milhões de sufrágios.

            Além da Cruz Vermelha, já estão surgindo nomes de dezenas de empresas, através das delações premiadas dos envolvidos no maior “esquema” de corrupção da história da Paraíba, estimado pelo GAECO em dois bilhões de reais desviados nos últimos oito anos. Evidente que a visão deste quadro, só pode ser observada agora, depois da prisão e confissões de membros da quadrilha. No pós-campanha de 2018, todos atribuíram a derrota de Cássio, ao cansaço de sua liderança. Esqueceram até de mencionar a “maquina” do Estado usada como “Blitzkrieg”, cujo alvo principal era varrer a resistência “tucana” em todos os redutos da Paraíba.

Sob a ótica de Ricardo Coutinho, a reeleição de Cássio Cunha Lima, ameaçaria seu projeto de voltar ao governo em 2022, passando antes pela PMJP. Para tanto, faltou-lhes coragem de renunciar e disputar uma das vagas do Senado. Talvez este tenha sido o motivo de sua ira: ficar imobilizado, sem mandato e agora sem prerrogativa de foro. Cássio, num tom de desabafo, declarou precipitadamente que estava mudando seu domicilio para Brasília, deixando subentendido que havia abandonado da vida pública.

A ironia do destino, considerado como “fator” surpresa no dia 11/11/2019 – não “elemento” surpresa que é cuidadosamente preparado e planejado – inverteu completamente as expectativas de toda a classe política de Campina Grande e da Paraíba. O primeiro episodio foi à descortesia “oficial” do governador João Azevedo, que deveria ter ido receber o Presidente da República no Aeroporto, devolvendo a gentileza que teve Jair Bolsonaro em recebê-lo em audiência no Palácio do Planalto. Um ato de grosseria. O segundo equivoco foi do Senador Veneziano Vital do Rego, que não soube explorar politicamente a ocasião, oportunidade que destacaria a “paternidade” da obra: governo petista de Dilma Rousseff, hoje sua aliada.

Romero Rodrigues, que deveria ter chegado ao lado de Cássio, talvez tenha avaliado que o ex-senador estivesse com receio de ser apenas um a mais no palanque, completamente perdido no tempo, sem o velho aconchego do povão. Todos erraram e só Cássio que chegou cautelosamente temendo ser percebido, foi ovacionado de modo emocionante como nos velhos tempos e com rasgados elogios de Bolsonaro.

Curioso, imprescindível e imprevisível é a troca repentina de projetos, e o mapa que começa a se redesenhar nas hostes Cunha Lima. Se Romero Rodrigues guardava sob a manga um candidato a sua sucessão, a preferência agora é do ex-senador  Cássio Cunha Lima. Enivaldo Ribeiro pode ser o vice de Cássio, tem direito a uma reeleição. Só, Veneziano jamais enfrentaria Cássio Cunha Lima. Caso venha disputar e vencer o pleito, aquilo que foi planejado por Ricardo Coutinho, quem executará será Cássio Cunha Lima. João Azevedo não terá estrutura para enfrentar o governo federal e provavelmente até 2022, Ricardo Coutinho esteja inelegível.

Cássio Cunha Lima doravante tem que “assoprar” a fogueira, e não deixar a chama baixar. Não repetir o erro cometido em 2014, quando por três anos afirmou que não seria candidato ao governo e apoiaria a reeleição de Ricardo Coutinho. Deixou para  se lançar sete meses antes do pleito, perdendo parte de seu Exército e ganhando o estigma e discurso de traidor.

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NÃO ESPEREM OS MILITARES

Por ocasião do início da “Operação Lava-Jato”, começou a surgir um movimento nas redes sociais, pedindo intervenção das Forças Armadas nos três poderes da república. O povo exigia ampla investigação e punição severa a todos que levaram nas ultimas três décadas o país a bancarrota. A suspensão temporária do processo democrático – continua sendo reivindicação da maioria dos brasileiros – é um fato incontestável que sugere franca demonstração de insegurança, e completa desconfiança nas instituições, exceto nos Militares, particularmente no Exército Brasileiro.

Ao longo dos últimos trinta e cinco anos, a sonhada democracia aspirada por uma “minoria” que tinham sede de poder – não pela maioria do povão – sequestraram uma gigante nação com apoio da grande mídia, e mantiveram sua gente presa no escuro cativeiro da ignorância. Desterraram de suas mentes as conquistas ocorridas entre 1964/1978, período “satanizado” como “a era do chumbo”. Silentes, os Militares não se manifestaram (até o momento) em responder ao clamor popular. Foram “despolitizados” em 1978, pelo ex-presidente Ernesto Geisel, ao perceber que as esquerdas estavam chegando aos quartéis. Tirou-os da vida pública e das ruas, e os conduziu de volta para Caserna, de onde não surgiu mais novas lideranças.

A Lei da Anistia (ampla geral e irrestrita de 1989) – perdoando sequestradores, assassinos; guerrilheiros e seus mentores – teve dois pesos e duas medidas. Os Militares que apenas cumpriram ordens foram vítimas de um golpe cultural/midiático (1986) quando as esquerdas chegaram ao poder, e com revanchismo criaram à fantasmagórica “Comissão da Verdade” para humilhar publicamente as Forças Armadas. O discurso antes de alcançarem o poder era revelar a “roubalheira” dos governos Militares. Como não encontraram nenhum erro, optaram pelo processo de “desconstrução” da história.

Picharam imagens de octogenários – ainda vivos – que se dedicaram em servir ao país, criando mentiras e enredos hediondos. Reescreveram temporariamente este capitulo no formato “quadrinhos”, onde guerrilheiros  assassinos tornaram-se heróis e Militares que defenderam a nação e povo impedindo a instalação de uma verdadeira ditadura comunista, foram considerados vilões truculentos e torturadores. Absurdo!

Os Militares, desde a Independência, tiveram um papel preponderante na história do Brasil. Consolidaram um gigante território de dimensão continental – dentro de um país – falando uma única língua. Contiveram diversas levantes separatistas, com combates e milhares de vítimas. Porém, em julho de 1922 o Exército foi abalado pelo movimento “tenentista”, que exigia mudanças na política e renovação nas Forças Armadas, fato marcado pelo episódio dos dezoito do Forte.

A partir de então, as inquietações foram uma constante nos quartéis que se politizaram. O movimento “tenentista” ganhou força ao longo das décadas que se seguiram, sempre reprovando com intransigência os privilégios da velha política, corrupção e “entreguismo” de nossas riquezas a novos colonizadores travestidos de “investidores”.  Sobreviveu ao Estado Novo – ditadura Vargas – governo de transição do General Gaspar Dutra; crise do suicídio de Getúlio (1954); asseguraram o mandato de Juscelino Kubitschek – abortando algumas sublevações – garantiram a posse do pleito que elegeu Jânio Quadros, mas, não estavam esperando o golpe mais duro: sua renuncia. A partir de então, começaram a estruturar a intervenção.

Com a renúncia de Jânio, por não ceder à gula da “camarilha” que se apoderou do Congresso Nacional, queriam impedir a posse – e até o retorno do vice-presidente João Goulart – que estava em visita oficial a China. Os “tenentes” asseveraram sua volta e posse. Mas, o Congresso promoveu um golpe político na calada da noite, mudando a Constituição e criando um Parlamentarismo, transformando o presidente em “Rainha da Inglaterra”. Usando de poderes Constitucionais, João Goulart um ano depois, convocou um plebiscito e a maioria do povo optou pelo Presidencialismo, defenestrando os abutres congressistas da época (1963) que nada difere dos atuais (2019).

Alguns historiadores consideram 1964 como o fim do ciclo “tenentista” de 1922. O presidente Castelo Branco Chegou ao poder, eleito pelo Congresso Nacional e começou a implantar as sonhadas reformas, através de Atos Institucionais, cassando mandatos de corruptos inveterados, expatriando muito deles; enxugou a máquina pública; extinguiu salários de vereadores, permitido apenas para cidades com mais de 200 mil eleitores; pagou toda a dívida externa; liquidou o rombo e calote da previdência, unificando numa só: INSS. Extinguiu o famigerado “Subsidio Parlamentar” hoje renomeado como “Emendas”. Nenhum dos poderes tinham autonomia financeira (duodécimo sobre o orçamento) e a folha de pagamentos era centralizada no governo federal. Poder Legislativo e Judiciário foi proibido de contratarem e criarem qualquer tipo de despesa extra.

Uma intervenção Militar neste momento seria o ideal para desbaratar as OCRIM que operam dentro e fora dos poderes. Exigira austeridade para se instalar auditorias com IPM – Inquérito Policial Militar; cassação de mandatos; sequestros de bens; concentração das finanças públicas; redistribuição de rendas; muitas prisões e uma nova Constituição. Para por a nação nos trilhos, o tempo presumido será de no mínimo uma década. As Forças Armadas do Brasil tem excelentes comandantes Militares. Mas, será que estão preparados para governarem a nação? Não Esperem os Militares…

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Sucessão Municipal:

A DISTRAÇÃO DE ROMERO

Restam pouco mais de trezentos dias para as eleições municipais de outubro de 2020. O tempo passou muito rápido, roubando a atenção de toda classe política, envolvida ou sobressaltada com a enxurrada de denuncias e operações policiais, promovida pelo MP no seu incansável combate a corrupção. Nos últimos três anos, o país amanhece diariamente repleto de surpresas, quer seja nos municípios, estado; governo federal; Congresso Nacional; STF… Momentos conturbados para muitos, que terminaram por esquecer-se de olharem o calendário e enxergarem que a democracia tem seus prazos com data e hora marcados, para celebração de sua festa cívica: eleições.

            Campina Grande passou por uma grande transformação urbana nestes últimos sete anos. O prefeito Romero Rodrigues vai deixar marcas históricas de sua gestão, mesmo com adventos indesejáveis, como denuncias de desmandos (corrupção) que envolve membros de sua equipe. Eventos que talvez “pessoalmente” não lhes renda desgaste em curto prazo, todavia, cria roteiro para inspirar fortes discursos da oposição, por ocasião da campanha com vistas a sua sucessão. Mais grave tem sido sua distração em não ter ainda começado a preparar seu candidato, na certeza que o tempo esperará por seu momento. A desatenção para este pequeno detalhe, criou um vácuo dentro da aliança partidária que o apoia, abrindo-se espaços que começam a ser preenchidos por nomes alheios ao seu meio.

            Formadores de opinião da sociedade começam a especular sobre dois importantes nomes, como pré-candidatos. Dalton Gadelha da UNIFACISA, que está dando uma grande contribuição para a cidade se tornar um polo regional de educação e saúde, e o médico Geraldo Medeiros, consagrado como excelente gestor na área da saúde pública, probo – acima de qualquer suspeita – distante das investigações que apuram os desvios da “operação calvário”, praticados pela Cruz Vermelha.

            Na medida em que a administração Romero Rodrigues avança, com conquistas extraordinárias para cidade – destaque-se o fim do déficit habitacional – e a gigantesca obra do complexo habitacional “Aluizio Campos”, paradoxalmente ele se distancia no ranking que elenca as principais lideranças políticas do Estado. Nestes últimos sete anos, tenta enxergar no empoeirado retrovisor de sua trajetória, onde “se apeou” o seu líder,  ex-senador Cássio Cunha Lima, com duas derrotas consecutivas: 2014/2018.

A queda brutal da popularidade do deputado federal Pedro Cunha Lima; reeleição “suada” de seu contraparente Tovar; Daniella Ribeiro suplantando Cássio na Rainha da Borborema (?) absurdo! Bruno Cunha Lima sendo derrotado por Edna para câmara dos deputados… Acrescente-se ainda, baixas inestimáveis registradas por deserção do valente exercito que compunham a “Legião de Honra” do Ronaldismo/Cassista.

 Dalton Gadelha, despido de ambições ou projetos políticos, está no comando do maior empreendimento da cidade: UNIFACISA. Concluirá até o inicio de 2020, um dos mais bem equipado hospital do país, com tecnologia de última geração. Profissionais vindos do exterior, através de cooperação técnica/científica – objeto de convênios celebrados com os grandes centros de pesquisas da área médica – propiciará um  intercâmbio com o centro médico da UNIFACISA, cujo curso de Medicina recebe “cinco estrelas” do MEC, posicionando-se acima ou a frente da UFCG e UFPB. Não se sabe em qual legenda Dalton pertence – muito menos se é filiado a algum partido – nem se aceitará disputar as eleições de 2020. Porém, seu nome desponta como forte candidato.

Quanto a Geraldo Medeiros é o nome ideal para o governador João Azevedo. Não tem a rejeição do senador Veneziano, e está apto a conquistar o eleitorado do ex-cabeludo. Abre inclusive à perspectiva de acomodar o atual vice-prefeito Enivaldo Ribeiro – que pode ser candidato à reeleição – trazendo para seu palanque a senadora Daniella Ribeiro e o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que têm interesse em se aproximar do governo do estado, fortalecendo a aliança que apoia João Azevedo.

Finalmente, Romero Rodrigues sai com quem? Félix Araújo Neto?

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Operação Calvário:
O SILÊNCIO SEPULCRAL DO TRE-PB

Desde as primeiras diligências da “Operação Calvário”, investigação hoje merecedora de elogios ao GAECO-PB – que inúmeras vezes criticamos sua lentidão, confrontando com a agilidade do GAECO-RN – a Paraíba espera uma reação do TRE-PB, manifestando-se sobre duas dezenas de ações ajuizadas pelas coligações derrotadas em 2018, todas acusando o PSB de praticar abuso do poder econômico e o ex-governador Ricardo Coutinho pelo uso da máquina pública em favor de seu candidato.
O TRE-PB tem um comportamento estranho. Nunca deu “provimento” a uma ação eleitoral contra o ex-governador José Maranhão, desde o imbróglio das convenções que derrotaram o então senador Ronaldo Cunha Lima nas convenções do PMDB de 1988. As ações contra o ex-governador Ricardo Coutinho se arrastaram por longos quatro e oito anos para serem julgadas. Uma foi parar no TSE, cujo julgamento envergonhou a nação. O Ministro Relator demonstrou claramente que não leu o processo. Discorreu sobre sua passagem pela Justiça Federal na Paraíba, e seu saudosismo deste período (?).
Contra Veneziano Vital do Rego – então prefeito de Campina Grande – o descaso com a lei passou dos limites. Algo jamais visto em nenhuma Corte de Justiça, a não ser em Tribunais de Exceções, quando o réu vai apenas ouvir o veredicto formal do que já foi decidido. Atropelaram até o Regimento da Corte. A Sessão se iniciou e o Juiz Relator votou pela cassação do mandato do então prefeito Veneziano Vital do Rego reeleito em 2008, exibindo farta materialidade de provas que atestavam abuso do poder econômico e uso da máquina. Foi seguido por mais dois desembargadores.
Quando o quarto Desembargador se preparava para pronunciar seu voto, decidindo a cassação, o presidente da Corte – que só vota em caso de empate – se antecipou e pediu vistas. Duas sessões seguintes, a Corte volta a se reunir e o Relator mudou seu voto – posicionando- se contra a cassação – e foi seguido por todos (até pelo presidente) que fez questão de votar. Em apenas sete dias, reverteram um 3×0, em 7×0. A gravidade dos fatos trouxe a então Ministra Eliana Calmon, presidente do CNJ a Paraíba, para exigir uma correição sobre o episódio, logo arquivado pelo TJ-PB.
O saudoso Tribuno Vital do Rego sempre mencionava com certa insipidez, a “politização” instalada nos TRE e no TSE, Corte que ajudou na sua formatação, Constituição de 1988. Este comentário ganhou ênfase por ocasião da cassação do mandato do ex-governador Cássio Cunha Lima, ocorrido dentro de um rito de celeridade sem precedentes na história, numa única sessão de cinco horas de duração.
Oito meses após sua posse, Cássio Cunha Lima teve seu mandato cassado pelo TRE-PB. Sua permanecia no governo, por pouco mais de um ano, deveu-se a inúmeros embargos da defesa e pedido de vistas dos Ministros (TSE). O saudoso Tribuno, que foi participar como convidado da sessão de julgamento do TRE-PB confessou-me seu estarrecimento com o comportamento excêntrico da Corte, a partir de seu presidente, que queria empossar após o encerramento e cassação, o então Senador José Maranhão, antes da publicação dos acórdãos e notificação do cassado, assegurando-lhes o direito constitucional da “ampla defesa”.
Todas as delações feitas até agora pelos investigados da “Operação Calvário”, se reportam diretamente a caixa dois e propinas destinadas para compra de votos nas eleições de 2018. A Cruz Vermelha registra desembolso de 200 milhões de reais, dinheiro que desequilibraria uma campanha presidencial, imagine uma eleição para governo. O nome de João Azevedo ainda não foi citado. Em nossa opinião, talvez jamais seja. Ele poderia até  suspeitar o que estava acontecendo em seu derredor. Mas, dá ou receber dinheiro, não cabe dentro da moldura do seu perfil.
O conteúdo de todas estas delações está sendo encaminhado ao Ministério Público Eleitoral? Elas se constituem em provas, preenchendo lacunas das denuncias feitas pelas coligações derrotadas em 2018. O que ainda espera o TRE-PB para fazer estes processos andarem? Todos ainda dormitam no protocolo, aguardando despachos e designação de Relatores. Enquanto isto, quinto Constitucional, afia facas e garfos para o grande banquete.

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A REVANCHE ALEXANDRE DE MORAES É A SALVAÇÃO DO STF

O ex-presidente Michel Temer, logo após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, se preparou para ser reeleito no cargo. Gozando de popularidade momentânea imposta pela grande mídia nacional, era festejado pelo Congresso, STF; STJ. Mas, esqueceu a PGR (Procuradoria Geral da Repúbica) e a figura polêmica de seu titular Rodrigo Janot, escudeiro e protetor do MPF, patrocinador da operação Lava-Jato.

O inesperado e fatídico acidente (?) que culminou na morte do Ministro Teori Zavascki (STF), deu a oportunidade para Michel Temer escolher o sucessor. Optou pelo “tucano” Alexandre de Moraes, ex-secretário de segurança pública do governo Geraldo Alckmin, indicado Ministro da Justiça e Segurança Pública no início do governo Temer pela bancada do PSDB, que o escalou para importante missão de limitar as investigações da lava-jato, restringindo-as no âmbito do PT. Nada de avançar contra o PSDB, PMDB; PP… Com o PT “desalojado” do Planalto Central, criar-se-ia uma agenda de “revezamento do poder”. Senado, Câmara e Presidência da República estavam sob o comando do PMDB: Renan, Eduardo Cunha e Michel Temer. PSDB foi convidado para sentar a mesa, na condição de reciprocidade: apoio no Congresso Nacional. Tudo acertado, mas, esqueceu-se de consultar Rodrigo Janot.

Quem ouviu, assistiu ou leu atentamente o discurso de posse de Rodrigo Janot, não se enganou com os desdobramentos da operação lava-jato e outros atos ousados como a delação dos irmãos Batistas (JBS), primeira denuncia contra o ex-presidente Michel Temer por corrupção passiva, organização criminosa e obstrução a justiça. Na sequencia, prisões de ex-ministros – até então “insuspeitos” – e honoráveis lideranças políticas, que aparentemente sugeria respeitabilidade incontestável. Homens grisalhos, com dezenas de anos na vida pública, foram algemados e encarcerados como ladrões, quadrilheiros e bandidos da pior espécie.

Quando esteve como Ministro da Justiça e Segurança Pública, Alexandre de Moraes tinha o controle da Força de Segurança Nacional, Polícia Federal e Advocacia Geral da União (AGU). Seu papel era “estreitar” o relacionamento com o STF e “engessar” a PGR, matando por asfixia a operação lava-jato. Ex-presidente Michel Temer navegava em “mar de Almirante”… Em apenas onze meses, Alexandre de Moraes teve seu nome indicado para o STF, apoiado pelos ministros Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Luiz Fux, que enfrentaram publicamente a oposição de alguns parlamentares, criticando a indicação como “partidária”.

Não se sabe se Alexandre de Moraes tentou cumprir a parte mais difícil de sua incumbência: propor a recondução de Rodrigo Janot na PGR, em troca, sepultar à lava-jato. Talvez lhes tenha faltado coragem ou oportunidade. Mal se sentou na cadeira (STF), veio à surpresa: pedido de prisão de Eduardo Cunha, Moreira Franco; Eliseu Padilha; Gedel Vieira Lima; denuncias contra Aécio Neves; Aluisio Nunes; prisão da irmã de Aécio Neves; Michel Temer apontado – em segunda denuncia – como chefe de organização criminosa, após delação do doleiro Lúcio Funaro. O mundo ruiu. Não era só o PT que roubava, segundo Janot e a PGR, eram quase todas as legendas.

O que fazer para conter Janot? Quando tomou conhecimento que não seria reconduzido por mais dois anos, concedeu entrevista e foi claro: “enquanto houver bambu, teremos flechas”. Ex-presidente Michel Temer escolheu uma opositora do Procurador Geral: Raquel Dodge. Entretanto, os estragos feitos pelo “bombardeio” de Janot, popularizou a lava-jato transformando-a na única instituição justiceira do país. Notabilizou a coragem do Juiz Sérgio Moro, hoje herói nacional. E, provocou uma reviravolta no mundo político, culminando na eleição do presidente Jair Bolsonaro. Não esqueçamos que, se ao invés de Rodrigo Janot estivesse na PGR um Sepúlveda Pertence, não existiria lava-jato, Sérgio Moro e Jair Bolsonaro.

Um fato que ocorreu em 2017 – Janot ter desejado assassinar Gilmar Mendes – narrado e confessado em áudio dois anos depois, ser merecedor de uma reação tão forte como a do Ministro Alexandre de Morais, causou perplexidade e medo em todo o país. Principalmente após o Senado ter coibido – através da Lei de Abuso de Autoridade – atos arbitrários deste tipo, inimaginável ser cometido contra alguém que tem Foro Privilegiado. Invadir o apartamento de um Procurador da República, sem denúncia e sequer um Boletim de Ocorrência! Apreender sua arma – posse e porte garantidos pela Constituição – e o mais grave: levar seu computador? Qual a finalidade da apreensão do computador? Ele põe em ameaça a vida de Gilmar Mendes ou a existência do STF? A vingança foi explicitada de forma tão clara e indiscutível, semelhante a “batom na cueca”. O que não se esperava era a precaução de apreender o computador de Janot.

A última manifestação do Ministro Barroso – voto vencido contra o perdão ao crime do colarinho branco – defendido por seus pares da Corte, reforçou seu argumento historiando passo a passo todos os atos orquestrados pelo STF, para acabar com a lava-jato. Mostrou que país está em rota de colisão frontal com suas instituições e o desastre é inevitável. Não dá para esperar mais três longos anos por uma nova eleição.

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ANO VINDOURO QUAL O PALANQUE DE RICARDO?

            Desde o final do governo Buriti (I), que todo “ex” é considerado um governador em férias. Começou com o próprio Buriti, que retornou depois de quatro anos (1986), rompido com o candidato que elegera (Wilson Braga) e a máquina do Estado no comando de Milton Cabral. Derrotou Marcondes Gadelha e o próprio Braga para o Senado. Este resultado acachapante, não tirou do homem do Canaã o status de “governador em féria”. Nas eleições de 1990 – a primeira com dois turnos – venceu no primeiro para Ronaldo Cunha Lima. As alianças para o segundo o derrotaram.

            Ronaldo, Maranhão e Cássio, todos ocuparam a posição de “governador em férias”. Ganhando ou perdendo – as disputas sempre foram renhidas – o embate se inicia a partir das eleições municipais dois anos antes. Hora de mostrar força política nos principais colégios eleitorais, especialmente na “espinha dorsal” do Estado: Cabedelo, João Pessoa; Guarabira; Campina Grande; Patos; Sousa e Cajazeiras. A oposição sempre vencia nestes redutos, turbinando a candidatura do “governador em férias”.

            Passaram-se apenas oito meses – fora do governo – Ricardo Coutinho surpreende a todos, por ser o primeiro ex-governador a atingir sua compulsória na vida pública, sem chances sequer de ser considerado mais um “governador em férias”. Previmos neste espaço, que a lua de mel entre um “ex” e seu sucessor, nunca completa o primeiro aniversário. Extraordinariamente, só no caso de José Maranhão que era vice de Antônio Mariz. Ambos não tinham “bases”, nem quadros políticos. Mariz não teve tempo de formar sua equipe. Maranhão deixou Ronaldo – no Senado Federal – governar por quase três anos. O único remanescente da equipe de Mariz, Mário Silveira – após o episodio do Clube Campestre – foi quem criou a estrutura para enfrentar Ronaldo, não através das urnas, mas, em duas convenções partidárias (PMDB 1998).

            Combatendo em diversas frentes – criadas por ele mesmo – Ricardo Coutinho já sinaliza desespero, ao perceber que pode se tornar algo tão excêntrico na história política da Paraíba, quanto a sua imprevista eleição para a PMJP em 2004. O efeito “fermento” que deu robustez a sua trajetória até 2018 foi trocado por pela formula “sonrisal”. Sua liderança alicerçada no medo – usada de forma intimidatória – provocou uma debandada no núcleo girassol estranhamente movida pelo sentimento de “alforria” (?). Dissolveu-se no governo, na ALPB; e se diluiu em sua própria legenda, PSB.

A crônica política especula que irá liderar as oposições, divididas pelo abandono do ex-senador Cássio Cunha Lima e a inapetência do senador José Maranhão. Mas, como fará isto? Ser oposição ao governo que ele elegeu e esteve lá até noventa dias atrás? Desqualificam-se suas duas gestões. João Azevedo é continuísmo em obras, serviços e ações, em expansão, concebidas pelo próprio Ricardo.

Recomeçar se elegendo novamente prefeito da Capital? Falta-lhes o principal: discurso. Enfrentar duas máquinas? PMJP e governo do Estado? Seria um ato de ousadia inimaginável. Já sofreu duas derrotas consecutivas para os irmãos Cartaxos. A operação Calvário – calcanhar de Aquiles – não tem data e hora para terminar. E, quem subirá no seu palanque? Alias, em que palanque ele estará? Como ensina algumas correntes filosóficas, os “ativos” (fortes) sempre são derrotados pelos “reativos” (fracos). Ricardo superestimou a si mesmo, e subestimou valores de todos que o cercavam.

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Manifestação em Monteiro:
RICARDO COUTINHO AVISTA DECLÍNIO DE SUA LIDERANÇA

Em tempos de internet e a velocidade de suas informações, os políticos começam a se perderem ao medir seu prestigio, iludidos pela mídia tradicional que ora vende o que não dispõe mais na prateleira: credibilidade. Ricardo Coutinho – endeusado desde 2004 pelos plantonistas da comunicação oportuna – acreditou que era tão insuperável, quanto o notabilizaram seus assessores de comunicações e marqueteiros. Elegeram-no como guia de um povo, que por múltiplas razões o consagraram em triunfos extraordinárias. Os métodos? Pouco importa. Em guerras, à ética é pisoteada pelo cego propósito de vitória.

O comício ontem na cidade de Monteiro – evento marcado por um fiasco sem precedentes – deve ser considerado como o primeiro, dos seus piores momentos da vida pública, de outros que ainda poderão advir, resultado de um conjunto e erros e abusos praticados pelo próprio Ricardo Coutinho. Que imagem levou Fernand Haddad, Gleisi Hoffmann; o filho de Eduardo Campos e outros parlamentares petistas do nordeste, daquele que se propunha assumir uma liderança nacional na campanha Lula Livre, e no combate direto ao presidente Jair Bolsonaro?

Inaceitável foi à maneira como enganaram os pouquíssimos presentes. Os locutores anunciavam: “daqui a pouco, presença do governador e sua comitiva”, subtendendo-se que seria João Azevedo. Quando Ricardo Coutinho chegou, os locutores continuaram: “acaba de chegar o governador Ricardo Coutinho” (?). Senador Veneziano Vital do Rego estava num restaurante na entrada da cidade, certamente esperado João Azevedo. Alguém deve ter ligado para ele. Apressou seu almoço e partiu. Do palanque os locutores anunciavam seu nome, mas, lá não apareceu. Da cidade de Monteiro talvez tivesse 100 pessoas. O resto veio nas caravanas de Ônibus.

Arrogância e prepotência são vícios adquiridos na longevidade do poder. O modo como o ex-governador Ricardo Coutinho passou a tratar seu sucessor, foi algo tão abominável pela população, que chegou a comover até a insensível classe política composta pelos que cercavam e se abrigavam na mesma legenda do “socialista”. João Azevedo recebeu apenas as chaves da granja Santana. Na visão de Ricardo e seus asseclas, já estava de bom tamanho. Tudo continuaria como d’antes. Que loucura!

A deserção de Monteiro foi mais uma vitoria de João Azevedo, que não entrou na briga e jamais procurou este tipo de enfrentamento. Seguiu Ricardo Coutinho desde os tempos de prefeito da Capital, despido de qualquer ambição política. Foi tão sincero e correto, que terminou sendo escolhido como candidato de “confiança” do ex-governador. Será que cofundiram sinceridade com ingenuidade? Talvez equivocadamente sim, já que a figura de João é desprovida de vaidade.

Alguns saudosistas da era “Ricardista” querem atribuir o fracasso de Monteiro a falta do “poder de caneta”. Neste caso, Ricardo nunca foi um líder. Antes da “caneta” ele sozinho – como vereador – juntava mais gente. Por que não se observa o evento sob outro prisma? Operação Calvário, por exemplo. No palanque, exceção feita apenas ao filho de Eduardo Campos, a constelação era de estrelas cadentes: todos respondem a processos por corrupção, formação de quadrilha… O povo está mudando seus conceitos sobre lideranças, paradoxalmente “mitificadas” por eles mesmos. Os tempos são outros, que o diga Ricardo Coutinho hoje, após o inesquecível “momento de Monteiro”.

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DESTERRO DOS GIRASSÓIS

            Ex-governador Ricardo Coutinho – professor da área de Saúde da UFPB – demonstra profunda desprezo ou ignorância pela história, ao desaperceber que o futuro sempre esteve no passado. Os eventos se repetem em forma de espiral, e as lideranças se esgotam em si mesmo, nos limites da mediocridade permeada pela vaidade exacerbada. Perder uma disputa pelo comando de sua própria legenda (PSB)?  Quem não tem a capacidade de liderar seu próprio exército, perde as dragonas que carrega sobre os ombros e o respeito da tropa.

            Humildade é a palavra mais pronunciada pelos políticos, muito embora (paradoxalmente) poucos a exerçam na pratica, ou interpretem seu real significado. Poder não se transfere, se conquista. Não importa os métodos, carisma ou sorte de João Azevedo – mesmo que os “girassóis” o considerem “cria” do ex-governador Ricardo Coutinho – são inquestionáveis suas conquistas, a partir da escolha do seu nome como candidato do PSB ao governo do Estado em 2018. Derrotar em primeiro turno dois opositores de peso, não é tarefa fácil. Um representando o PSDB, apoiado pelo ex-senador Cássio Cunha Lima, prefeito da Capital; prefeito de Campina Grande… O outro, senador da república, ex-governador que já comandou três vezes os destinos da Paraíba. Nem o próprio Ricardo, nos seus melhores dias, conseguiu tamanha façanha.

            Na história de todas as civilizações, o poder sempre foi “piramidal”. Roma no auge de sua expansão – período republicano – até que tentou modificar este método, criando um Triunvirato. Não funcionou. Ex-governador Ricardo Coutinho, quando passou o “bastão” para João Azevedo, foi aconselhado pela maioria dos seus amigos “mergulhar” temporariamente, e deixar seu sucessor “tocar o barco”. Experimentar as primeiras tempestades, criar seu próprio estilo e tomar gosto pela governança. Nos momentos difíceis, necessariamente o procuraria para contemporizar as “meditas” na aliança partidária que sustentaria a governabilidade. Isto era o obvio e o mais prudente. Mas, a vaidade, alimentada pela bajulação midiático-palaciana o transformou num árbitro do governo. Uma “Eminência Parda” que de “fato” governava até quem de “direito” ocupava o cargo governador. João Azevedo foi muito tolerante…

            Ricardo Coutinho começou a arrostar de forma autoritária o governo federal – legitimamente eleito pelo povo – que já não suportava mais o PT e a quadrilha composta por seu séquito de aliados. Postura que obstruía os caminhos de João Azevedo na busca de apoio financeiro para sua gestão. Difícil… Em seguida, “Operação Calvário” prende por corrupção e formação de quadrilha a supersecretária Livânia Farias. A Paraíba descobre que a Secretária de Finanças do Governo do Estado era a “companheira” do ex-governador Ricardo Coutinho. Boquiaberto, o povão estarrecido indagava: João Azevedo é mesmo governador?

Gilberto Carneiro – General quatro estrelas das tropas “Ricardistas” se afasta voluntariamente, após sua “imediata” ser presa. Neste caso, só restou ao governador João Azevedo a alternativa “Djalma Marinho”*: “ao Rei tudo, menos a honra”. Com ou sem delações que o envolva no desvio constatado de 200 milhões de reais, a imagem de Ricardo Coutinho desgastou-se rapidamente, ao ponto de perder o respeito e prestígio da maioria dos diretorianos da legenda que o abriga. Sua ira foi punir Edvaldo Rosas, presidente do PSB: destituí-o de forma ilegítima e por um ato de força da executiva nacional. Um verdadeiro absurdo praticado por quem defende a democracia.

Apesar de ter um semblante arrogante, prepotente, Edvaldo Rosas demonstrou que sabe o significado da palavra “humildade”. Foi o “carregador de piano” do PSB e Escudeiro Mor de Ricardo Coutinho desde seu primeiro mandato como prefeito de João Pessoa. Considerado como da “cozinha” de Ricardo, Edvaldo desde 2004 que prepara banquetes para receber convidados que querem sentar a mesa de jantar do poder: Gervásio Maia, Adriano Galdino; Ricardo Barbosa; Efraim pai e filho; família Mota de Patos; Veneziano Vital do Rego… Para ele, a refeição viria das sobras, ou se serviria após os convivas sentirem-se regalados. Candidatou-se a deputado federal, perdeu. Estadual, idem. Nunca ocupou um espaço de prestígio no primeiro escalão da era “Ricardista”. Viu todos seus adversários de outrora atropelarem-no, por ser absolutamente invisível dentro do poder, e para quem servia. A vingança é um prato frio… Represálias são atos absolutamente necessários e indispensáveis no mundo político. Afinal, com quem Edvaldo Rosas aprendeu? Com aquele que traiu Nadja e Herbert Palitot, Luciano Agra; Roseana Meira; Nonato Bandeira…

*Djalma Marinho – deputado federal do Rio Grande do Norte, udenista depois arenista. Líder do governo na câmara, quando estourou a bronca dos militares, pedindo licença para processar Márcio Moreira Alves. Jornalista e deputado federal que fez um artigo bobo, pedindo às moças que não dançassem a valsa com os cadetes formando no baile da AMAN. Este episódio culminou no fechamento do Congresso e cassação de vários parlamentares, lista encabelada por Mário Covas. Na hora de votar, Djalma fez um rápido pronunciamento sobre sua lealdade. Mas, no final votou contra os militares e justificou: “ao Rei tudo, menos a honra”. Não foi punido nem cassado.

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DECISÃO ESTÁ NAS MÃOS DO SECRETÁRIO ROGÉRIO MARINHO 

            Desde o ano de 2008 que escrevemos sobre a OAB, os conflitos jurisdicionais absurdos e ilegais que mantêm a instituição, como “filtro” para atestar a capacidade de trabalho e atuação dos Bacharéis diplomados pelo MEC. Combatemos também sua intromissão “politiqueira”, indevida, descabida e absurda, nas discussões dos grandes temas Republicanos de competência dos três poderes. Comportam-se como se fossem um quarto poder, mesmo diante de sua ilegitimidade. A OAB foi extinta no ano de 1991, pelo Decreto nº 11*, que revogou o Decreto 19.408 de 18 de novembro de 1930.

Atualmente existem mais de dois milhões de Bacharéis em Ciência Jurídicas – diplomados pelo MEC – que foram selecionados para ingressarem na Faculdade de Direito através de vestibular ou do Enem – impedidos de exercerem sua profissão. Frustrados? Bem pior que isto! São vítimas de um conluio que age como cartel, para controlar a livre concorrência no mercado de trabalho. Não é fácil concluir um curso com 10 períodos semestrais, cumprindo calendário de provas mensalmente aplicadas – testando o nível de conhecimento adquirido em cada matéria estudada – e ao final da extenuante jornada, com o “canudo” na mão, ficar impedido de trabalhar. Exige-se outra prova (Exame da Ordem) para adquirirem apenas uma carteira. Absurdo! Médico recebe o diploma, vai ao CRM, onde lhes conferem um número cadastral, confecciona seu “carimbo” e começa a clinicar imediatamente. O mesmo acontece com todas as demais profissões: engenheiros, dentistas; enfermeiros; professores…

Ao admitir o exame da OAB, o Estado está mentindo ou ludibriando o estudante de Direito desde 1994? Segundo a Carta Magna, é competência exclusiva do Ministério da Educação, o direito e dever de diplomar estudantes, através dos cursos ofertados pela instituição que formata suas grades curriculares de aprendizado e ensino. Por que o MEC nunca deu um basta no abuso que vem sendo cometido há 15 anos pela OAB? Uma entidade classista, corporativista que se “agarra” a um Estatuto incoerente e posiciona-se acima da Constituição? A OAB atropela não só o MEC, mas o Ministério do Trabalho (hoje Secretaria) que considera Advogado, o profissional diplomado por uma Faculdade que tenha a chancela do MEC, não de uma entidade cuja responsabilidade se limitada na fiscalização de conduta.

Um dos três pilares da nossa República é o Poder Judiciário, representado pelo colegiado do STF – Superior Tribunal Federal. Para ser Ministro do STF, não precisa ser advogado, muito menos ter a “carteira” da OAB. A Constituição exige apenas “notável saber jurídico”. Ex-ministro do STF, Joaquim Barbosa não tinha carteira da OAB. Ao se aposentar exigiu sua carteia, e a OAB emitiu (?). Como? A lei não vale para todos? Por que dispensaram o ex-ministro de fazer o Exame da Ordem?

Durante toda sua existência, a OAB só se posicionou apenas duas vezes em defesa da cidadania e do Estado de Direito. Em 1969, após o recrudescimento do regime militar com a promulgação do AI-5 – que despia o cidadão de garantias individuais – introduziu a “Censura Prévia” e limitou os direitos de expressão e manifestações, e em 1984 na campanha das “Diretas Já”. PEC do deputado federal Dante de Oliveira, que defendia eleições diretas para Presidência da República. Entretanto a OAB se mostra contraditória, por nunca ter realizado eleições diretas para eleger seu próprio presidente.

A luz no fim do túnel para os Bacharéis vitimados pela tirania da OAB foi à reforma trabalhista (2017) e a eleição do presidente Bolsonaro. A extinção do Ministério do Trabalho e uma nova política para Sindicatos e Conselhos Classistas que será implantada pelo Secretário Rogério Marinho, amplia mais as possibilidades de por um fim nesta abissal ilegalidade do Exame da Ordem. O corajoso Ministro da Educação Abraham Weintraub precisa ser provocado e entrar em cena, para decidir se o estudante de Direito deve ser diplomado pelo MEC, ou simplesmente se preparar como autodidata (rábula) e fazer o exame da Ordem para ser Advogado.

Antes que esqueçamos, o “caixa” da OAB deve ser auditado pelo TCU a pedido do MEC. Desde 1994 que cobram uma taxa caríssima de inscrição para o exame ou prova da Ordem. São bilhões de reais entesourados, de origem e destino questionável. O MEC autorizou a OAB fazer este exame? Quem elabora estas provas, pertence aos quadros da Secretaria de Ensino Superior do MEC, que abona a grade curricular do curso de Direito? Neste caso, a OAB se apropriou indevidamente de recursos que podem ser confiscados pelo MEC em ação patrocinada pela Advocacia Geral da União.

*Decreto nº 11 de 18 de janeiro de 1991, extinguiu a Ordem dos Advogados do Brasil como Autarquia vinculada ao Poder Judiciário, responsável por fiscalizar o exercício da profissão de Advogado no Brasil, criada pelo Decreto 19.480 de 18 de novembro de 1930, ato do Presidente da Junta Governativa Revolucionária de 1930 (Ditadura Vargas). Quando uma Lei é extinta, os efeitos que ela provoca só voltam a valer se houver repristinação. Para maiores detalhes e amplo esclarecimento, conferir o link https://jus.com.br/artigos/64547/oab-uma-autarquia-que-foi-extinta-em-1991

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Escândalo da Merenda:

A BUROCRACIA FORMA QUADRILHAS

            O ex-prefeito de Campina Grande, Williams de Souza Arruda – eleito vice de Newton Rique, cassado em 1964 – antes de concluir seu mandato publicou um aviso nos jornais e emissoras de rádio comunicando que quem tivesse débito a receber do município, se dirigisse a seu gabinete para recebê-lo. Bons e saudáveis tempos… Onde os gestores não eram obrigados a seguirem leis, decretos nem portarias sobre sua conduta administrativa. Só deviam satisfações a Câmara Municipal, a quem caberia aprovar ou não suas contas.

            Williams de Souza Arruda recebia dos Secretários o pedido de compra de materiais e insumos, e ele mesmo ia fazer as compras. Percorria a Rua João Pessoa, Feira Central e centro da cidade, onde o preço fosse mais barato, comprava, pedia a nota fiscal e pagava na hora com um cheque da PMCG. Não existia possibilidade de corrupção. Poderia até ocorrer desvio de materiais no almoxarifado, mas, logo que detectado o responsável era preso e demitido por justa causa. Infelizmente, nos anos 70 o Governo Federal se deparou com casos da corrupção, pelo tamanho do Estado que estava se agigantando, e a administração que aos poucos foi sendo descentralizada. Criou-se então a necessidade de uma lei, com conjunto de regras para compra e aquisição de materiais e equipamentos, sobretudo contratação de obra de engenharia: Decreto Lei 200. Um modelo simples e eficaz, semelhante ao dos Estados Unidos. Os órgãos tinham uma lista de preços, a Comissão de Licitação divulgava o edital, e venceria quem mais se aproximasse do preço oferecido pelo órgão licitante, que permitia uma oscilação de 10%, para mais ou para menos.

            Enquanto vigorou este decreto – substituído por outro pelo presidente FHC – não ocorreram casos de superfaturamentos. Mas, a formação de “times das licitações” foi inevitável. As exigências burocráticas foram aumentando, os editais começaram a enxertar exigências esdrúxulas – não havia garantia de pontualidade dos pagamentos – fato que levou a maioria das grandes empresas abandonarem os certames. A Lei em vigor que vem de FHC afastou todos definitivamente, e só permaneceu quem era do “ramo”. Para fornecer mil toneladas de alimentos, basta ter um escritório em casa, uma firma registrada com Capital Social que atenda as exigências do edital, cerca de 40 certidões atualizadas. Não precisa de galpões, estoques ou armazenamento. Quem vence as licitações, compra onde bem quer e entende, e entrega no Almoxarifado destinado. Atestada a nota, aguarda o pagamento, fazendo promessas com todos os Santos e prometendo vantagem a funcionários corruptos – em postos exigidos pela burocracia – para que ponha seu processo em andamento. Com muita sorte, amizade e propina (em alguns casos), do dia da licitação até receber o dinheiro são no mínimo 120 dias. Quem criou tudo isto? O empreguismo político, os Tribunais de Contas; os órgãos de fiscalização e controle que em nada ajudam – só atrapalham – e criam espaço para que prospere a corrupção.

            Se fosse aos tempos de Williams Arruda, a Secretária de Educação da PMCG jamais teria sido presa. Nem Romero Rodrigues passaria pelo vexame ou dissabor das críticas politiqueiras, que nestas ocasiões se “alopram” e confundem a população desinformada. Ao assumir o Governo do Estado da Paraíba no ano de 2003, Cássio Cunha Lima se deparou com o inesperado. A barragem de Camará, com a metade de sua capacidade tinha rompido, causando prejuízos até hoje incalculáveis á população, e para o governo federal, algumas dezenas de milhões de reais. Quem foi o culpado? Não se sabe, nunca apareceu. José Maranhão disse que entregou a obra, poucos dias antes de deixar o governo. Cássio não tinha culpa porque a garantia do Construtor é de cinco anos. O processo ainda “rola” na Justiça, outra obra foi construída, e não apareceram responsáveis. De fato e sob o ponto de vista lógico, quem deveria ser punida era a burocracia. João Agripino em seu governo – mesmo período de Williams Arruda era prefeito – construiu a BR 230. Quem vistoriava a obra era ele – em pessoa – antes de liberar o pagamento das medições. Se algo de errado acontecesse, era o único responsável, como Williams Arruda no caso de PMCG. O povo conhece um processo licitatório? Claro que não. Está na hora de começarmos a lutar para derrubar esta burocracia infernal, que inexiste em regimes democráticos, são úteis em regimes de força, nas ditaduras ou autocracias.

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Reforma da Previdência:

CÂMARA DOS DEPUTADOS VAI COBRAR A CONTA

            A alegria do povo em saber que foram as ruas e conquistaram a reforma da previdência, foi frustrado antes da votação de ontem, pela entrevista publicada no site O Antagonista, concedida pelo presidente da câmara Rodrigo Maia. Um detalhe simples, (imperceptível) revelou mais uma vez que a história não erra: é impossível uma mudança sem rupturas. Não se faz omeletes sem quebrar ovos.

            Acompanhamos todos os passos do deputado federal Rodrigo Maia, após a última manifestação que referendou nas avenidas e praças públicas do país – mais uma vez – a vontade popular da maioria dos brasileiros em fazer a Reforma da Previdência, apoiar o pacote anticrime do Juiz Sérgio Moro e manter a operação lava-jato. Por mais que disfarçasse sua revolta contra estes movimentos cívicos, Rodrigo Maia não conseguia esconder seu desprezo pela identificação de o governo do presidente Jair Bolsonaro, com os anseios da nação. Psicótico, continua crendo que a câmara dos deputados é soberana, e que em algum momento, o governo cederá a seus caprichos.

             Rodrigo Maia isolou-se do Ministro Paulo Guedes, por ter demitido o “homem função” Joaquim Levy, que prestou serviços ao Bradesco, governo de Sérgio Cabral; ex-presidente Dilma Rousseff e FMI, criminosamente desrespeitando a “quarentena”. Só Deus sabe quais foram os “mapas das minas” que deixou por lá, em troca deste emprego. Como ensina um adágio nordestino, Levy “amarra o burro onde o dono manda”. A ira de Rodrigo Maia foi algo tão estapafúrdio, que pegou de surpresa a crônica política: taxou como ato de covardia do Ministro Paulo Gudes e do presidente Jair Bolsonaro (?). Coitado… Triste do poder que não pode. A missão do presidente Bolsonaro é “despetizar” o país e impedir que o comunismo do século XXI se instale em solo guarani. O que pretendia Rodrigo Maia com Joaquim Levy no BNDES?

            A votação de ontem do projeto da Reforma da Previdência custará ao governo e o povo brasileiro – inicialmente – um bilhão de reais. Claro que Bolsonaro nada sabe sobre esta conta. Mas, Rodrigo Maia ontem na entrevista ao site O Antagonista revelou o preço para por em Plenário, 510 deputados. Vão aumentar o Fundo Eleitoral em um bilhão de reais. Saltará de 2,7 bilhões para 3,7 bilhões. Isto sem levar-se em conta, quase um bilhão que é destinado anualmente aos partidos políticos, como Fundo Partidário. Assumindo os destinos do Brasil, o Congresso através da OCRIM “Centrão” legislará doravante, em causa própria. O povo que se dane.

            Ontem no twitter, abrimos esta discussão ou debate: Por que o povo tem que pagar a candidatos e financiar suas campanhas? Um dos melhores negócios do mundo é ser presidente de um partido político no Brasil. Por mais inexpressivo que seja a sigla, recebe dez milhões de reais por ano, dinheiro “rachado” com meia dúzia de meliantes da política. O que vimos nas eleições do ano passado foram “laranjas” atestando despesas milionárias e obtendo 100 votos. Notas frias, recibos falsos, desvios através de doações de assalariados… Um roubo descarado do suado dinheiro do contribuinte.

Esta gente (Centrão) é bandida em nada difere de Macolla, Nem ou Beira Mar. Só não usam armas de fogo para nos assaltar. Pior, usam a lei e legitimam seus furtos. A maioria dos brasileiros, pouco ou nada sabe sobre o “Fundão Eleitoral” e o Fundo Partidário. Se convocarem um Referendo, todos votarão contra. Infelizmente nos empurraram goela abaixo em 2017, uma legislação abusiva – aproveitando-se da fragilidade do ex-presidente Michel Temer – que não poderia vetá-la, por está vivendo momentos difíceis – evitando sua cassação – com um laço da corda no pescoço, na outra ponta a OCRIM “centrão”. O aumento do “Fundão” será uma nova lei que tem prazo para ser aprovada pela Câmara e Senado: até 30/09/2019 para que possa entrar em vigor nas eleições municipais do ano vindouro. Imaginem os milhares de “picaretas” plantados como candidatos a vereadores e prefeitos, todos “laranjas”. Recebendo a dinheirama e devolvendo aos partidos, que por sua vez, dividirá com os ocupantes da casa do povo, Congresso Nacional. O povo aceitará calado?

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OS PREGOS DA CRUZ VERMELHA

            O percurso do “calvário” para finalizar processo de uma operação que investiga formação de quadrilha, desvio do dinheiro público; corrupção e lavagem de dinheiro na Paraíba – acrescentem-se compra de votos para reeleição de 2014 e eleições de 2018 – alonga seu itinerário, criando rotas com vistas a cansar o público que acompanha o trajeto ou o préstito da justiça. O pachorrento GAECO-PB não esconde mais sua inapetência em dar continuidade ao processo instalado pelo MP do Rio de Janeiro. Antes, já foi inútil em não reagir ao volume de denuncias – desde que a Cruz Vermelha se instalou na Paraíba. O que se constata nesta longa jornada é sua deficiência locomotiva, auditiva e visual. Em nenhum instante ouviu a classe médica ou lideranças políticas. Sua miopia o impediu de ler os pareceres da Procuradoria do TCE. Não deu um único passo, além do solicitado para fechar as investigações solicitadas pelo MP-RJ.

            Prenderam uma ex-secretária de Estado, um motorista e uma adjunta da Procuradoria. Todos já foram liberados. Suscitou-se a possibilidade de delação premiada. Pelo visto não. A colossal burocracia brasileira evidencia que para roubar dinheiro público, tem que existir cumplicidade, que origina “quadrilha”. Toda organização criminosa só funciona com o chefe. Na ocasião da CPI do mensalão, quem assumiu este ônus foi José Dirceu, blindando Lula. Muitos acreditaram que o ex-presidente tinha sido vítima de traição da confiança. O tempo mostrou o contrário: ambos estão trancafiados. Por que na “operação calvário” da Paraíba, a Justiça sequer ousa descobrir quem é o verdadeiro chefe da gang? Todos que foram presos, já estão em liberdade. O processo? Acomodado num armário empoeirado, aguardando prescrição.

            O que ainda resta da crônica política independente, alegava que faltavam os “pregos” para crucificação. Finalmente agora apareceram. Mesmo sem o GAEGO-PB procura-los, ato do governador João Azevedo revelou o exorbitante volume do desvio ao longo de oito anos: Respeitado Jornalista Heron Cid, em sua coluna “Bastidores”, postou no último 03/07/2019 às 15:55: “Sem Cruz Vermelha, Estado economizará 3,7 milhões por mês”. No texto, Heron Cid cita a intervenção no Hospital Senador Humberto Lucena e a substituição da Cruz Vermelha pelo Instituto Acqua (?). A matéria acrescenta que o valor pago a mais, daria para comprar cinco tomógrafos de última geração. Agora as contas fecham… Foram 72 meses, que ao multiplicar-se por 3,7 milhões, totalizam R$ 266,4. Divididos por duas campanhas, chega-se a 133,2 milhões para cada pleito. O voto custando 100 reais per capita, daria para comprar 1 milhão e trezentos mil sufrágios. Isto, sem levar-se em conta a “máquina”, codificados; cargos comissionados… Jamais qualquer adversário venceria o “sistema” Girassol. Se o Instituto Acqua presta o mesmo serviço da Cruz Vermelha, subtraindo 3,7 milhões de reais, fica claro que o valor a mais foi superfaturado. Rastreando o dinheiro, prenderão todos os membros da OCRIM e seu chefe. Resta saber se os paraibanos ainda acreditam que os assaltantes do dinheiro público sejam pelo menos denunciados. Julgados? Talvez nunca. Mídia comprada, comunicadores devendo ao “Empreender”. Sites e blogs subsidiados… Longe do noticiário, o quotidiano dirige o cidadão para temas alhures.

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RIBEIRO E REGO NA DISPUTA MUNICIPAL

            Os últimos acontecimentos da lava-jato, envolvendo o PP, são presságios para noites de angústia e dias de ansiedade para o Clã Ribeiro. Indiciado como réu no STF, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro terá que ter muita fibra, fé e sorte, para escapar incólume de um julgamento realizado por uma Corte com 11 ministros, que vive o seu pior momento de credibilidade na história da Justiça brasileira. Ex-governador Ronaldo Cunha Lima preferiu renunciar, que enfrentar o STF, não por corrupção: tentativa de homicídio contra o ex-governador Tarcísio Buriti. O poeta foi precavido… Pouco tempo depois, os Ministros indicados pelo PT (seis) passando pelo crivo de Zé Dirceu, puseram não só ele na cadeia, mas os grandes símbolos da legenda como José Genoino, Delúbio Soares; da Igreja Evangélica como Bispo Rodrigues… Todos trancafiados na “Papuda” (presídio de Brasília), pelo escândalo do “mensalão”. Vinte e seis, dos trinta e oito denunciados e acusados pela PGR, foram condenados por corrupção ativo/passiva lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Isto nos bons tempos “petistas”, quando a legenda mandava no país – apoiada pela mídia profissional – que “abafou” o quanto pôde blindando o ex-presidente Lula e tratando a notícia de forma seletiva. Se na época as “redes sociais” tivessem o alcance de hoje, Lula teria sido impedido de governar.

            Duas apostas exitosas do pepista Aguinaldo Ribeiro romperam o limite da “ambição”, e se transformaram em “ganância” compulsiva pelo poder. No primeiro mandato como deputado federal, alcançou a vice-liderança do PP. No segundo, Ministro das Cidades. Com impeachment de Dilma Rousseff, líder do governo na câmara dos deputados, e principal cabo eleitoral que elegeu o atual presidente Rodrigo Maia. Em 2018, aumentou o lance, e elegeu sua irmã Senadora da República. Estava convicto que ocuparia qualquer ministério, pouco importando qual fosse o presidente eleito. Mas, foi Bolsonaro… Baixíssimo clero no parlamento, ignorado pelo PP. O “mito” conhece de perto todo o “centrão”. Observou e sempre denunciou às “manobras” para ocuparem espaços e desfrutarem de privilégios do governo central. Perdida no Salão Azul se encontra sua irmã Daniella Ribeiro. Seu partido é o “abre alas” do “centrão”, o mais queimado por toda população brasileira, por obstruir a governabilidade em nome do toma lá, dá cá. A legenda não conseguirá nada da gestão Bolsonaro. Para não encerrar a carreira política no Senado Federal, e ressarcir os custos do investimento em sua campanha feito por seu irmão, Daniella Ribeiro precisará de “poder de caneta”. Disputara ano vindouro o pleito municipal, partindo com uma boa performance: 103.870 obtidos nas urnas de 2018.

            Quanto aos Regos, o destino é semelhante aos Ribeiros. Ministro do TCU ex-senador Vital Filho é réu da lava-jato em Curitiba (primeira instância). Terá mais chances para recorrer de quaisquer decisões desfavoráveis, vantagem que não desfruta Aguinaldo Ribeiro, que será julgado pela última (STF). Acima desta, só a justiça Divina. Mas, o senador Veneziano Vital do Rego que sempre sonhou em ser governador, a passagem pela Prefeitura de Campina Grande é indispensável para alçar este voo. Vive o mesmo dilema de Daniella: está preso a uma legenda “demonizada” pelo governo Bolsonaro: PSB. Que se faça justiça: Veneziano é um “estranho no ninho”. Nunca foi comunista, seus ancestrais não deixaram rastros nos caminhos trilhados pelas esquerdas, e se sente desconfortável em fazer um eventual papel de ridículo, representando um “contrão”. Senador Ney Suassuna – “suporte” de sua vitória – em entrevista radiofônica semana passada, afirmou que existe um acordo para Vené lhes ceder parte de seu mandato. A oportunidade pelo visto, seria logo agora em 2019. Ney tem ligações com o governo Bolsonaro, não esconde sua pretensão em ajudá-lo no Senado Federal. É bom não esquecer, que o Prefeito Romero Rodrigues terá um candidato, quer seja um Cunha Lima ou não. Está muito bem posicionado nas pesquisas de aprovação de sua gestão e sonha também com o governo do estado (2020). A campanha será atípica. Talvez semelhante ao que previu Albert Einstein, numa resposta “quebra queixo” feita por um repórter, após a bomba de Hiroxima: “Como o senhor acha que será a terceira guerra mundial”? Einstein respondeu: “a terceira eu não sei… Sei que a quarta será com pedras e paus”.

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FAVORITISMO DE ROMERO RODRIGUES

            O enigmático mundo político e seus resultados imprevisíveis são semelhantes aos efeitos do futebol ou quadros de guerras. Comummente usa-se “alegorias”, comparando os campos de batalhas e as disputas esportivas, aos inesperados resultados das urnas, na hora da contagem dos votos: sempre surpreendentes.

            O “favoritismo” do candidato (ainda desconhecido) a prefeito de Campina Grande, apoiado por Romero Rodrigues – seja quem for – segundo pesquisas que apontam elevado índice de aprovação da sua gestão, é tão imbatível quanto às duas seleções dirigidas pelo técnico Telê Santana (1982/1986). Mesmo figurando na lista dos melhores técnicos do mundo até 2018, Telê teve duas chances de conquistar o tetra campeonato, na melhor fase craques do nosso futebol. Não conseguiu chegar as finais.

            Romero Rodrigues ainda tem dezoito meses de governo. Hoje já desponta na historia, como um dos melhores gestores da cidade no século XXI, a exemplo de Vergniaud Wanderley e Enivaldo Ribeiro no século XX: ambos expandiram a Rainha da Borborema, modernizaram-na e investiram muito em infraestrutura urbana. Ao se aproximar do final de seu mandato, Romero está deixando Campina Grande cada vez mais bela e apaixonante. Sem uma única favela, e quase toda pavimentada.

            Vergniaud Wanderley governou por duas vezes: 1935/1938 e de 1940 a 1945. Mudou completamente a fisionomia da cidade, construindo novas ruas e avenidas largas, atraindo prosperidade e um crescimento extraordinário, alcançando uma população 141.226 habitante (1945) maior que várias capitais brasileiras da época. Seu prestígio foi reconhecido por toda a Paraíba que o elegeu Senador Constituinte nas eleições de 1947. Enivaldo Ribeiro foi eleito em 1974 e teve seu mandato prorrogado por dois anos. Romero Rodrigues foi eleito 2012 no segundo turno. Reeleito em 2016 no primeiro, com uma maioria esmagadora, sem registros precedentes na memória das disputas eleitorais da cidade. Entretanto, existe algo “anormal” ou “místico” de difícil interpretação ou compreensão da crônica política. Crescendo eleitoralmente desde o segundo turno de 2012, Romero Rodrigues tem uma enorme dificuldade em transferir votos, mesmo para os que lhes iniciaram na vida pública. Seu primo, ex-senador Cássio Cunha Lima foi derrotado para o governo do estado em 2014. Bem, pode ser alegado que a disputa era estadual… Mas, o compartimento da Borborema – 48 cidades no entorno da Capital do trabalho – onde é refletida a imagem do prefeito de Campina Grande, Cássio foi mal… Perdeu na maioria destas cidades que orbitam em torno da Rainha da Borborema.

            Nas eleições de 2018, Cássio Cunha Lima, recorde em gestões como Prefeito de Campina Grande (três veze), duas passagens pela câmara dos deputados; governador do estado reeleito; senador da república que não conseguiu renovar seu mandato, quando o eleitor escolheu outros dois Campinenses em seu lugar: Veneziano Vital do Rego e Daniella Ribeiro. O primeiro (ex-cabeludo) esteve a frente dos destinos de Campina Grande por duas vezes (2004/2008 até 20142), foi deputado federal com uma votação expressiva (2014), porém, em 2016 ao enfrentar Romero Rodrigues, saiu das urnas com um resultado pífio – metade da votação obtida em 2004 – pouco mais de 53 mil votos. Romero Rodrigues ultrapassou os 138 mil sufrágios. Daniella Ribeiro atingiu seu ápice nas eleições municipais de 2012 – não alcançando o segundo turno – recebeu 36 mil votos. O que houve de errado com Romero Rodrigues, que permitiu Daniella Ribeiro ser consagrada campeã de votos em Campina Grande (2018) para o senado, com 103.877 votos? Cássio ficou atrás com quase nove mil votos de diferença (94.560) e Veneziano se recuperou do “tombo” de 2016, crescendo em mais de 21 mil votos (74.485). O mais grave foi o “cochilo” que permitiu o estranho e forasteiro Luís Couto “arrancar” do “Campinismo” 42.204 votos. Tragédia semelhante ao “apagão” da seleção brasileira comandada por Felipão em 2014: 7×1 para Alemanha.

            Ano vindouro Romero Rodrigues confirmará ou não, o histórico do fadário destinado aos grandes prefeitos da Rainha da Borborema. Vergniaud Wanderley não concluiu seu mandato de senador. Foi nomeado para o TCU em 1951, faleceu em 1986, esquecido politicamente. Enivaldo Ribeiro tentou quatro vezes voltar ao “Palácio do Bispo”. Nas eleições de 2000 foi “patrolado” pela chapa Cássio/Cozete Barbosa. Com quatro mandatos de deputado federal, em 2002 foi batido nas urnas em Campina Grande por um estranho Mikika Leitão (?). Ninguém jamais viu este cidadão na cidade. Aliando-se a seus arqui-inimigos (políticos) – Cunha Lima – lançou sua filha Daniella Ribeiro como vice de Rômulo Gouveia em 2004. Perderam por apenas 686 votos. Numa manobra misteriosa e ainda não desvendada, Romero Rodrigues com reeleição garantida, substituiu Ronaldo Cunha Lima Filho – irmão de Cássio – por Enivaldo Ribeiro. Uma homenagem para evitar o esquecimento, no ocaso de sua carreira política?

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O SILÊNCIO DE VENEZIANO

            O companheiro Marcos Marinho comentou ontem (31/05/2019) em artigo postado na sua página do Faceboock, a possibilidade de uma união entre Ricardo Coutinho e o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, com vistas a “isolar” politicamente o senador Veneziano Vital do Rego, deixando-o fora do pleito municipal do ano vindouro. Ressalvou Marinho com ceticismo, que as informações partiam do blog assinado pelo radialista Milton Figueiredo (Resumo PB) frequentador da Corte dos Rodrigues, fato que mereceu destaque e repercussão no blog “Polêmica PB” do comunicador e respeitado marqueteiro Gutemberg Cardoso.

            Com um olho no peixe e outro no gato, temos acompanhado o quotidiano paroquiano da política local e estadual, muito embora nossa atenção esteja mais focada em Brasília, onde as mudanças são radicais. Como adverte um velho adágio sertanejo, à situação é de “vaca desconhecer bezerro”. Nos seus estertores, a velha política agoniza. E a “nova” ainda é uma imagem desfocada como filme fotográfico preto e branco. Todavia, logo mostrará seus traços fisionômicos. O fogo amigo do PSB-PB tem atingido o Senador Veneziano Vital do Rego, que segundo os mais “chegados” de Ricardo Coutinho, já recebeu diversos “carões” do ex-governador, por não assumir uma posição frontal contra o governo do presidente Jair Bolsonaro. Será? Só Veneziano sabe o que sofreu nas unhas de Ricardo Coutinho de junho até 19 de setembro de 2019, quando Ney Suassuna aceitou ser seu suplente.

            Mais de 60 dias insone e tonto, sem ter a quem recorrer. Só ia dormir quando sabia que Luis Couto estava em casa e roncando. Amanhecia na Granja Santana, ou onde estivesse o então governador Ricardo Coutinho. Colado o tempo todo. Qualquer “vacilo”, o líder girassol pedia o voto para Luís Couto, e “marcava” com outro nome que não fosse Veneziano. Em nenhum momento – até a chegada de Ney – Ricardo se empenhou pela eleição de Veneziano. Os motivos são óbvios: ainda não existia a “operação calvário”, e o ex-governador pretendia – se ainda pretende é louco – voltar a governar a Paraíba. Veneziano seria uma ameaça… Poderia liderar uma frente de oposição. Luís Couto desejava encerrar sua carreira política no Senado Federal. Mas, o “lance” de Ney foi a jogada mais brilhante e já vista nas últimas campanhas da Paraíba.

            O que espera no momento Ricardo Coutinho de Veneziano? Ele é quem deve muito ao ex-cabeludo, que deixou seu partido (PMDB), onde tinha a mesma vaga que disputou pelo PSB, poderia ter sido reeleito deputado federal e ter lançado sua esposa Ana Cláudia como vice de Maranhão. Foi cortejado pelos irmãos Cartaxos, porém, acreditou na palavra de Ricardo Coutinho. Foi salvo por Ney Suassuna. Não só pela questão de “estrutura financeira”, mas pelo próprio peso e força que Ney ainda tem no Estado. A crônica política – em sua maioria desmemoriada – esqueceu que Ney foi Ministro da Integração Nacional e todos os 223 municípios da Paraíba receberam verbas orçamentárias e extraorçamentárias, independente de partido e suas cores pastoris da época. Ney nunca deixou de cumprir seus compromissos. Não se tem noticia de políticos da Paraíba reclamarem, que Ney prometeu e falhou. Isto foi muito importante na campanha de Veneziano. Ney tinha “credito” político para assumir e cumprir depois.

            Eleição e posse de João Azevedo, Veneziano era – continua sendo – um ilustre desconhecido no Palácio da Redenção, que só mudou a posição na mesa do jantar. Na cabeceira, João Azevedo. Ricardo Coutinho deve ter ouvido Juscelino Kubistchek: “não importa a posição na mesa, a cabeceira é onde eu estiver sentado”. Nomeou quem quis no governo, ignorando os inúmeros pleitos do senador Veneziano Vital do Rego. Mesmo depois das rusgas recente, onde parte do parlamento já pede que João se afaste de Ricardo, Veneziano ainda não foi procurado pelo governador “de direito”, para discutirem a gestão, e perspectivas para as eleições de 2020. O silêncio de Veneziano ainda é prudencial. Se em seu lugar estivesse o saudoso Tribuno – seu pai – já tinha rompido e procurado outra legenda. A postura de que o homem é “senhor do que cala, e escravo do que fala”, mostra que o ex-cabeludo amadureceu.

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JUSTIÇA SURDA

            O CAEGO da Paraíba sempre foi muito lento, apoucado ou temeroso, comparando-o aos demais, como por exemplo, o grupo destemido e ágil do vizinho Rio Grande do Norte. O deputado Wallber Virgolino, que esteve como Secretário de Estado no RN, presenciou cenas do CAEGO inimagináveis e nunca realizada em outros Estados. Prisões dentro do TJ-RN, afastamento de três Desembargadores com prisões domiciliares; prisão da esposa do Secretário de Segurança – um General do Exército – onde quase se deflagrou um conflito armado, pela resistência do General, desconhecendo o envolvimento de sua consorte na Secretaria de Saúde, mandou a PM cercar o condomínio e os policiais federais que estavam lá. Na Assembleia Legislativa, operação “Dama de Espada” encalacrou todo o parlamento, afastou o presidente e no imbróglio que foi esbarrar no TJ-RN, 11 dos 15 Desembargadores se averbaram “suspeitos” em julgar habeas corpus, tangendo-o para o STJ: nepotismo cruzado.

            Nos últimos dois anos, já foram realizados mais de 20 novas eleições no RN por cassações de mandatos dos prefeitos eleitos no pleito de 2016, acusados de compras de votos ou abuso do poder econômico. E na Paraíba? A prática é a mesma e vulgarizada universalmente em todos os grotões deste país. Quantas cassações ocorreram? O respeito hoje desfrutado pelo GAECO-RN é impressionante. Fato que justifica a população seus bons salários, pois o povo se sente confiante e paradoxalmente, protegidos por eles. Os habitantes das pequenas cidades potiguares, não procuram mais a polícia. Vão direto até o Promotor. A demanda é imensa, a partir de briga de vizinhos, lâmpada queimada na rua, ou o buraco na avenida… Só quem resolve é o Promotor.

            A “operação calvário” realizada pelo GAECO-PB foi um avanço que nos deixou perplexos, mesmo sabendo que a iniciativa foi do MP do Rio de Janeiro, Estado onde o GAECO-RJ descobriu uma saída para a lei, no gigantesco labirinto da corrupção que envolve de forma associativa todos os poderes constituídos. O GAECO carioca pôs na cadeia todos os Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. Prendeu todo o Secretariado do ex-governador Sérgio Cabral; o próprio governador (Pezão) no exercício de suas funções no Palácio Guanabara; Presidente da Assembleia Legislativa e toda sua mesa diretora… A lei começa a ser temida e respeitada. Criminosos são tratados de forma isonômica, independente de sua posição sócio/econômica ou política. Militares, Milicianos; temidos narcotraficantes; bicheiros; deputados e senadores se nivelaram na forma da lei, aos ladrões de galinhas ou batedores de carteiras, sem levar-se em conta a cor de sua pele.

            Simbolicamente a Justiça se apresenta como “cega”. Privilégio que a lei não permite ser usufruído pelo MP e o GAECO. Sua miopia ou estrabismo comprometeriam a fiscalização da aplicação da Lei. Para se tornarem mais eficazes, criaram um grupo de combate à corrupção e o crime organizado. Mesmo se apresentando como “cega” a Justiça não é surda, nem tem tapumes em seus ouvidos. Um “operador” da corrupção da “operação calvário” foi preso e delatou o primeiro escalão do ex-governador Ricardo Coutinho. Ato subsequente, prisão da supersecretária Livânia Farias. Sua liberação – com duas preventivas – sugere colaboração ou “delação premiada”. Vídeo mostra o ex-governador Ricardo Coutinho desembarcando no Hangar do governo do estado, Aeroporto Castro Pinto. Ex-governador vai ao rádio e responde que estava despachando verbas para o projeto Empreender com dois secretários (?) o Governador não é João Azevedo? No passo de tartaruga do CAEGO-PB, prenderam a número dois da Procuradoria do Estado, delatada como tesoureira da campanha de João Azevedo. E o úmero um, Gilberto Carneiro? Só busca e apreensão? Dia seguinte a Secretária de Finanças do governo João Azevedo renuncia. Para espanto da Paraíba, é esposa ou companheira do ex-governador Ricardo Coutinho. Neste caso, João não governa.

            O GAECO-PB “cochichou”, o povo alarmou, e a mídia alternativa – não subsidiada pelo Palácio da Redenção – fez um estardalhaço sobre fatos reais, de uma ficção montada pelo governo girassol. Só resta uma pergunta: a Justiça também é surda? O que ainda resta para prestar contas à sociedade, revelando o desmantelamento de uma quadrilha que por oito longos anos ininterruptos saqueou os cofres públicos da Paraíba? Com a palavra, o silente GAECO-PB e nosso respeitado TJ-PB.

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UM HOMEM DE SORTE

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O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi o convidado especial do jornalista José Roberto D’Ávila, na última segunda-feira 30.04.2019, no seu programa na TV Globo News exibido às 23:00 hs. Tivemos algumas surpresas em suas respostas, e por sua excelente performance – para quem já alcançou 87 anos – exibindo aparência física de um cinquentão. Aspecto inconfundível de quem está feliz e amando. O desconcertante foi constatarmos o inexpressível índice de audiência da emissora, no dia seguinte, ontem (01.05.2019) ao observarmos que não houve um único registro nas redes sociais da excelente entrevista sob o ponto de vista histórico: Twitter, Instagram; Faceboock e grupos do Whatsapp… Só eu que assisti?

Acusando o governo Bolsonaro de políticas equivocadas, destacando o fim dos cursos de Filosofia e Sociologia – o que não é verdade o MEC irá cortar 30% do orçamento das Universidades na área das Ciências Humanas – FHC deu ênfase à falta de diálogo, alegando que é impossível se governar divorciado do parlamento (?). Logo ele, que governou só com Medidas Provisórias (MP), razões que levaram o congresso alterar as regras desta prerrogativa do poder executivo! O Plano Real que o elegeu, foi criado através de uma MP por Itamar Franco a partir da URV, regulamentada anos depois. O sucesso do Real se deu através de outras MP – como a criação do FEF – Fundo de Estabilização Fiscal – que confiscou 42% das transferências constitucionais para Estados e Municípios: FPM – Fundo de Participação dos Municípios e FPE (Estados). Outra MP desobrigava o gasto de 18% do orçamento com a educação – Lei Calmon – que previa 25%, desceu para 18% e com o Plano Real em seus primeiros três anos, não havia obrigatoriedade de cumprir esta meta. A DRU – Desvinculação das Receitas da União tem origem em uma MP de FHC, sem esquecer a CPMF. Bolsonaro assumiu o governo com um déficit de 160 bilhões, não criou nenhum tipo de imposto e nem se apropriou de transferências constitucionais. Não tem caixa.

O despertar da sorte de FHC foi azar do Congresso, em seus dois momentos de infortúnio. O impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Melo – posse de seu vice Itamar Franco que convidou o Senador FHC para ser Ministro das Relações Exteriores – e o instante que o parlamento sofreu um enorme desprestígio jamais vivido em sua história. Um ano depois de ter votado (arrotando moral) um impeachment, acusando um ex-presidente por corrupção, estourou o escândalo dos anões do Orçamento (setembro 1993). Instalaram uma CPI e o relator Roberto Magalhães (PFL-PE) pediu a cassação de 19 deputados federais a partir do presidente da câmara. PFL, PMDB; PPR; PTB e PP, todos envolvidos acusados de receberem 100 milhões de propinas pagas pelas empreiteiras (as de sempre). Meu Deus… Na era petista isto foi gorjeta para garçons. Itamar Franco governou 1993/1994 sem pagar emendas parlamentares, e nem as de bancadas. Quem tinha moral para cobrar? Mesmo assim, se não fosse a imprudente visita do presidente ao Sambódromo no carnaval de 1994 e ter ficado ao lado da modelo Lilian Ramos, que foi fotografada de baixo para cima, mostrando suas genitálias (sem calcinhas), FHC não teria sido presidente.

A foto ganhou primeira página nos jornais do Brasil e de todo o mundo. Durante 20 dias Lilian Ramos foi à mulher mais famosa da década. Escondido na sua chácara em Juiz de Fora, o presidente viu que o congresso se preparava para revanche: processá-lo e afastá-lo por quebra de decoro. Só restou a Itamar, procurar FHC que se tornou seu protetor e confidente para mediar à crise. Mas, FHC insistia em jogá-lo as feras: tinha que conceder entrevista, se explicar, minimizar o fato, e isto iria render muito. Aconselhado ou não, o presidente usou o “elemento surpresa”. Quando estava toda a imprensa nacional e internacional reunida em Palácio, ele apareceu. E, antes que alguém fizesse a primeira pergunta, criou o fato novo: “vim anunciar meu candidato a presidente, o ministro Fernando Henrique Cardoso”. Esqueceram Lilian para sempre.

No segundo e último bloco da entrevista, FHC mostrou seu lado pusilânime Marxista. Não comunista – analfabetos funcionais doutrinados – guiado pelo ódio. Disse que era neto de um General e tinha um bisavô Marechal em sua árvore genealógica. Que gostava dos Militares, e o General Mourão era um homem sensato, equilibrado e muito preparado (?). Apagando fogo, usando extintor com gasolina… Que alguns Militares não gostavam dele, porque ele havia acabado com a promoção automática de uma patente a mais, quando iam para reserva. Esqueceu-se de dizer que foi ele quem acabou com a Casa Militar, os Ministérios Militares (Exército, Marinha e Aeronáutica); nomeou um Ministro Civil para a Defesa, e reduziu o prestigio do Chefe do Estado Maior das Forças Armadas (cargo com status de Ministério). Durante oito anos, cortou orçamento e sucateou todas as forças de segurança da nação.

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POR ONDE ANDA A JUVENTUDE?

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Ninguém tem a curiosidade em saber por onde anda nossa juventude? Tão silenciosa nestas três últimas décadas… Os conflitos de gerações – se é que ainda existem – são imperceptíveis. Despareceram os rebeldes imberbes dos 14 aos 18 anos, e a feminilidade desafiadora, explodida pelos hormônios. Os jovens sempre marcaram o fim de um ciclo, ou iniciaram uma transformação inovadora no comportamento político e social. No Brasil, a última vez que foram vistos (nas ruas) foi no impeachment de Collor e em 2013. Esta fuga do momento – ainda não pesquisada ou discutida – tem refletido nos meios da comunicação e do entretenimento, desertos de audiência a cada dia que passa.  A “telinha” ditava a moda, o livro; a poesia; a música de sucesso e até gírias passageiras… O Show-Business desconhece seu futuro, não sabe mais como reconquistar sua principal fonte de consumo: a juventude.
Os jovens ocuparam as redes sociais – como forma de rebeldia fugindo do convencional – usando inicialmente o extinto Orkut. Mudaram-se para o Faceboock, Twitter e SMS, onde permaneceram até 2014. Depois, começaram a desertar e se dispersaram entre o Youtube e Instagram. A mutação trouxe sequelas danosas ao entretenimento profissional do teleteatro (novelas), que mesmo de forma apelativa – mostrando cenas fortes e temas complexos – não tem mais público desta faixa etária. A maior abstenção eleitoral da história do país, onde o voto é obrigatório e facultado a partir dos 16 anos, ocorreu em 2018. Quase 30% do eleitorado não compareceu as urnas. Se pesquisarem, perceberão que a grande ausência foi a dos jovens.
Metade dos anos 50 (século XX), o Rock estourou nos Estados Unidos e foi alastrando-se mundo afora. O estilo musical era enlouquecedor e suas letras incentivaram a juventude a enfrentar a hipocrisia doutrinária de sua época. Uma agitação encorajadora trouxe a reboque a independência feminina – abalou as estruturas de todas as Religiões e suas Igrejas – a partir da chegada e comercialização aberta do anticoncepcional, no início dos anos 60. Enquanto a mídia conservadora se preocupava com a terceira guerra mundial, quatro cabeludos da cidade de Liverpool-Inglaterra (os Beatles), no embalo do Rock erradicaram por completo as gerações milenares que se inspiravam no heroísmo de “campos de batalhas”. Entre 1914/1918 se mataram em nome de patriotismos. Depois, 1939/1945 morreram todos defendendo ideologias.
Pregando paz e amor, os Beatles deram origem ao movimento hippie que chegou a todos os continentes. Acabaram com a guerra do Vietnã e consolidaram os Diretos Civis nos Estados Unidos, que viveu seu maior período de violência desde sua independência. Políticos e Polícia foram incapazes de impedirem que negros e brancos passassem a frequentar a mesma escola, bar; bairros; transportes públicos, restaurantes e elevadores. A Guarda Nacional e o próprio Exército norte-americano esteve nas ruas para conter as revoltas que perdurou por oito anos.

A partir de 1965, este efeito “furacão” chegou ao Brasil. Veio para arrebentar… Os garotos deixaram seus cabelos e barbas crescerem, as garotas encurtaram suas saias até o meio das coxas… Foi uma loucura total! Ideologias? Nem pensar. Comunismo? Só com sexo abundante, sem trabalho nem violência. Aboliram o Jazz, Samba; Tango; Boleros; Valsas; infelizmente com até a nossa Bossa Nova – rica em melodia e poesia – e a tropicália esquerdista… O rolo compressor da juventude e sua rebeldia esmagou Filósofos, Pensadores contemporâneos; clássicos da literatura… Ninguém queria mais saber disto. Botaram abaixo a “doutrinação” das esquerdas nos colégios públicos, e acabaram com o seu patrulhamento ideológico: todos se assumiram “alienados”.

Jamais iriam deixar de ouvir Roberto Carlos, Erasmo; Wanderleia; Renato e seus Blue Caps… Porque as esquerdas não os aceitava. Paixão era coisa de pequeno burguês? Todos passaram a se comportar como burgueses. Sem a juventude como “massa de manobra”, as esquerdas veteranas universitárias partiram para a loucura da luta armada.
Um dia o Rock parou. O cinema fechou e o rádio suavizou a música. Tudo se transformou em nostalgia… Não houve a terceira guerra, o muro de Berlim caiu; Rússia e China se tornaram capitalistas estatais e a Europa há mais de 70 anos não briga mais entre si. Outros movimentos musicais surgiram, mas, sob a inspiração da televisão que invadiu todos os lares do mundo entre 1975 a 2010. Ideologias? Pelo visto só quem precisa delas para viver, são os retrógados privilegiados da era petista.

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*ESPÓRTULAS CONSTRANGEDORAS

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Ontem (23/04/2019), a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados – após uma longa sessão de 14 horas – aprovou admissibilidade da PEC da reforma da Previdência, com 48 votos favoráveis e 18 contrários. Pelo que observamos alguém está vendendo o que não dispõe na prateleira. O famigerado “centrão” se perfilou entusiasmado ao lado do governo (?). Até o presidente da câmara se fez presente, acompanhando toda a movimentação para conferir a “mercadoria” que estava sendo entregue. Em entrevista concedida a TV – logo que se encerrou a votação – Rodrigo Maia bastante eloquente se referiu umas três vezes ao Ministro Paulo Guedes, uma a Onyx Lorenzoni e citou o nome do presidente Jair Bolsonaro. Segundo Maia, a reforma da Previdência é um projeto do Brasil, não de um governo. Assegurou que o governo não tem base nem votos para aprovar qualquer tema polêmico em plenário.

Nestes primeiros 114 dias de gestão, Jair Bolsonaro tem enfrentado problemas historicamente semelhantes aos de Jânio Quadros, no distante ano de 1961. A única diferença é na política externa, onde Bolsonaro não criou animosidades conflitantes com os Estados Unidos e seus interesses comerciais. Jânio Quadros quando assumiu a “carestia” (nome da inflação na época) era crescente e desenfreada. Corrupção e muita burocracia. Endividamento do país pela construção de Brasília e um parlamento que não o permitiu governar. Faltou a Jânio um Marechal Henrique Teixeira Lott (tutor de Kubistchek), ironicamente derrotado por ele. Lott garantiu a posse de JK (31.01.1955), após o tumultuado final do ano de 1954, quando o então presidente da Câmara dos Deputados Carlos Luz, forçou uma licença para tratamento de saúde do presidente Café Filho – no poder após o suicídio de Getúlio Vargas – decretou Estado de Sítio e deu um golpe de estado com apoio do parlamento. Em cinco dias, o Marechal Lott depôs e prendeu Carlos Luz, obrigou a Câmara votar seu impeachment e do vice Café Filho, manteve por quase noventa dias o Estado de Sítio, tendo a frente da presidência da república, o senador Nereu Ramos, então presidente do Senado. Resgatamos três registros esquecidos em nossa história: dois impeachments antes de Collor, o primeiro presidente Sindicalista – João Café Filho – e um Estado de Sítio em plena democracia, com recesso na Câmara, Senado e Suprema Corte.

O ex-presidente Kubistchek, mesmo com a proteção de seu Ministro da Guerra Marechal Lott, não conseguia governar sem as “espórtulas constrangedoras”. A cada votação no Congresso, tinha que “negociar” individualmente com os parlamentares, dando-lhes cargos, benefícios pessoais e dinheiro, regras herdadas de Getúlio Vargas. Quando Jânio Quadros assumiu, deixou claro que cumpriria o prometido em campanha: fim da regra das “espórtulas”. Mandou uma série de projetos para câmara e se antecipou em muitos decretos, como o corte do subsidio do câmbio, do papel para impressão de jornais (Estadão e O Globo desceram-lhes a lenha sem piedade), congelamento dos salários impostos pelos sindicatos; centenas de inquéritos e demissões por corrupção; limitação em 10% das remessas de lucros das multinacionais para seus países de origem…

Abriu relações diplomáticas com a extinta União Soviética, Cuba e China. A mídia apoiada pelos Estados Unidos e Carlos Lacerda – líder absoluto da UDN – governador da Guanabara, se uniram ao parlamento para boicotá-lo e derrubá-lo. Jânio os surpreendeu renunciando. Alguém negociou por Jânio o pagamento das “espórtulas constrangedoras”, para agosto. O Congresso aceitou e prometeu paz. Mas, ele se recusou. Durante toda sua vida, sempre que se referia a sua renúncia, explicitava: “com aquele congresso, ninguém governaria…”.

Presidente Jair Bolsonaro está atravessando a mesma crise vivida por Jânio. Sabotado pela grande mídia nacional, suspendeu sua verba publicitária. Não aceita o “centrão” e o toma lá, dá cá – versão do século XXI das “espórtulas constrangedoras” – cortou em definitivo o imposto sindical, verbas para ONG; bate de frente agora com a OAB acabando o exame da Ordem; passou a emitir carteiras de estudantes, deixando a UBES, UNE e PCdoB sem dinheiro… E dentro de seu governo, o desconforto das “posições” de seu vice. O vice de Jânio era seu adversário, João Goulart, porém eleito. Quem prometeu ontem ao centrão, as “espórtulas constrangedoras”? Combinaram com o presidente Jair Bolsonaro? Getúlio se queixava de “forças ocultas”, Jânio de “forças terríveis”, graças à cibernética, hoje sabemos que Bolsonaro se queixa do “centrão de picaretas” e da extrema-mídia.

*Espórtulas – Cesto usado para entregar pães ou subornos em forma de presentes ao Senado Romano na época dos Césares. Em Português arcaico, gorjeta, esmola, ajuda financeira…

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A TUMULTUADA REFORMA DA PREVIDÊNCIA

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Grande comunicador da fase áurea da televisão brasileira – Abelardo Barbosa – “Chacrinha”, repetidas vezes em seus programas de auditório, ia ao encontro da câmera e falava: “eu vim para confundir, não para explicar”. Seu público (povão) nunca entendeu o recado, direcionado aos colunistas de jornais e revistas, críticos do rádio, TV e cinema, que apesar de o detestarem e o “detonarem”, jamais conseguiram lhes roubar sua audiência. A Reforma da Previdência do modo como está sendo divulgada e debatida, veio para confundir. Por que não explicar numa linguagem simples, comunicando-se diretamente com o povo, a exemplo de Chacrinha? Perder tempo com a mídia tradicional, CCJ; Comissão de Seguridade Social; Comissão Especial é tentar estabelecer um diálogo “sui generis”, ininteligível entre um surdo e um mudo.

A menor distância entre dois pontos é uma reta. Tantos “arrodeios” terminam confundindo o povão, cético, desconfiado e sabedores que, aquilo que é bom para o congresso é ruim para a população. O ministro Paulo Guedes deveria resumir tudo num conversa direta: “a partir da nova reforma, um pedreiro, gari ou servente receberá o mesmo que um deputado, senador; ministros das cortes de justiça, juízes; promotores… Salvo quem contribuir mais”. Feito isto, quem iria defender a reforma era o povo, que se sentiriam “justiçados”. Argumentos esclarecedores a população, mostrando funcionários do BB, CEF e Petrobras percebendo seus proventos de aposentados integralmente – como se estivessem na ativa – convenceria a todos da importância dos Fundos de Pensões. Pouparem, para desfrutarem de seus rendimentos dignos quando alcançarem à compulsória. Existe alguma dificuldade neste tipo de interlocução?

A principal dúvida, ou ponto não discutido pela equipe econômica – pelo menos até o presente – está no impacto sobre um grande “bolsão de pobreza” da população, presa as exigências de tempo de contribuição e idade mínima. A década perdida – 1985/1995 – o país passou por três hiperinflações e seis mudanças de planos econômicos, inclusive com três trocas de moedas. Dezenas de milhões de empresas faliram, seus bens foram à haste pública, e os trabalhadores deste período não têm como comprovarem recolhimentos. Como e quando esta gente se aposentará? O presidente Jair Bolsonaro prometeu em campanha e após eleições, idade mínima de 62 anos para homens e 57 anos para mulheres. Tempo mínimo de contribuição comprovado de 15 anos. Algo que seria até justo, para algumas categorias, como a de servidores públicos. Mas, empregados da iniciativa privada – que não fizeram carreira profissional nas grandes corporações – e entraram no mercado de trabalho no início dos anos oitenta, durante todo este tempo ainda são reféns dos fluxos crescentes e decrescentes da nossa combalida economia, cheia de improvisos, consertada com “remendos” a cada gestão.

As limitações físicas dos sexagenários são visíveis em várias atividades profissionais como pedreiros, faxineiros; taxistas; vendedores; bancários da rede privada… Observemos nos supermercados; shoppings… Não se consegue vê um senhor ou uma senhora (com mais de 55 anos) nas vitrines ou nos showroom das grandes lojas. É toda uma geração, que num curto intervalo de tempo, foi engolfada pela automação e a cibernética, sem a menor chance de aprenderem a lidar com os sofisticados programas e plataformas da internet. Trabalhadores da indústria gráfica, oriundos das tipografias; vendedores e representantes que viajam pelos grotões deste imenso país; filmes da Kodak – a empresa tinha 189 mil funcionários – incluam-se uma cadeia produtiva de milhares de fotógrafos e seus respectivos profissionais dos laboratórios de revelações; milhares de lojas onde se locava fitas de vídeo cassete, depois DVD, todas desativadas. As grandes editoras e sua rede de distribuição de vendas e vendedores… Esta era a classe média consumidora, que se transformou em indigentes do estado.

Segundo o IBGE, os desesperançados que não procuram mais trabalho, e que estão exatamente nesta faixa etária (pré-sexagenária) somam um contingente de seis milhões de pessoas. Adicione aqueles que estão há cindo anos a procura do primeiro emprego (mais 6 milhões) e alcançaremos toda a população de Portugal. Superaremos muitos países da Europa como Suécia, Suíça, Finlândia; Dinamarca; Áustria… O total do somatório alcança 27 milhões de pessoas, ou pelo menos uma dezena de pequenos países da Europa Ocidental e Leste Europeu.

O novo governo da Itália, contra todos os banqueiros e seus “mercados” decidiu reduzir o desemprego com aposentadorias aos 60 anos. Medida que criou uma inesperada distribuição de rendas, abrindo novas vagas, e soerguendo a economia com o aumento do consumo. Por que o ministro Paulo Guedes não copia o modelo Italiano? Pelo menos, cinco milhões de trabalhadores ainda jovens e aptos ao novo modelo do mercado de trabalho, reduziriam nossos índices alarmantes. E Sexagenários com exatos 60 anos, aposentados, contribuiriam através da ampliação do meio circulante, para geração de mais emprego e renda, através do surgimento de pequenos empreendedores.

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A FUGA DA EDUCAÇÃO

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O presidente Jair Bolsonaro, por mais que tenha se debruçado sobre sugestões para reforma do ensino, jamais imaginou sua complexidade diante de um gigante Ministério, que abriga quase uma centena de outras pequenas “pastas” orbitando em um eixo, comparável ao “sistema solar”. Não basta apenas trocar de Ministro – ou no jargão Militar – mudar o General, se a “sargentada” for independentes e não se engajar na luta. A visão do novo ministro, de ampliar e incentivar o ensino a distância (doméstico) é uma arriscada experiência excêntrica, sem embasamento comparativo de sucesso em países (comunidade internacional) que ocupem pelo menos, os vinte primeiros lugares no ranking da qualidade do ensino. Uma criança numa escola e segura é um delinquente a menos nas ruas. Isto não implica em coibir a opção da família, contudo, põe em xeque cláusula pétrea de nossa Carta Magna, sobre o dever do Estado em assegurar educação, saúde e segurança a seus cidadãos. Pelo que se percebe, o Estado está em fuga, ensarilhando as armas e reconhecendo que não tem capacidade de combater os grupos ideológicos, que se aquartelaram por décadas nas estruturas do ensino público do país.
Tirar um aluno da escola ou sala de aula compromete sua visão de socialização e atrofia seu aprendizado – sobre coisas boas e ruins existente em nosso meio – indispensável a sua formação como cidadão. Por outro lado, a gigantesca rede física de escolas públicas, se tornarão escombros em menos de uma década. Efeitos colaterais advirão com o fim da carreira do magistério. O professor – profissão ou sacerdócio – respeitado em todos os países desenvolvidos será substituído (no Brasil) por plataformas robóticas? A constatação que as escolas públicas hoje são pontos de recrutamento para viciados em drogas é uma verdade insofismável. O Estado foi incapaz de combater e evitar em tempo hábil – a partir do final dos anos oitenta – uma tragédia anunciada: ocupação das universidades a partir da fundação do PT. Os pais (famílias) entram em pânico, ao se depararem com a realidade de que entregaram seus filhos à escola – na esperança de vê-los alcançarem conhecimento – e os receberem viciados em entorpecentes, apologistas da discussão de gêneros; falando uma linguagem chula, adquirida no “gueto cultural”, onde predomina a rebeldia e libertinagem não condizente com o mundo globalizado em que vivemos.
O MEC foi à origem, e continua sendo o problema, sem solução a vista. Há décadas que concebe modelos, norteados por conceitos políticos de doutrinação, criando um universo de analfabetos funcionais, úteis como massa de manobra para movimentos partidário das esquerdas. No interregno da gestão de Vélez, muitos dos dirigentes de áreas estratégicas foram nomeados e exonerados com o ministro, sem nunca terem despachado com o mesmo (?). Qual a nova política para reformar a velha instituição? O que trouxe o ex-ministro, além da recomendação do filosofo Olavo de Carvalho?
O General Heleno (GSI), vice-presidente Mourão; Gen. Santos Cruz… Todos que compõem o círculo de conselheiros do presidente Jair Bolsonaro, sabem que a maioria dos 58 milhões de brasileiros foi às urnas em 2018, não foram movidos pelas propostas da “direita”, mas para tirar definitivamente as esquerdas do poder. Por onde deveria ter começado este expurgo? Pela economia (reforma da previdência)? Ou pelo O MEC, ultima trincheira da resistência. Este grupo tem em mãos, nomes e currículos de todos os resistentes ao velho modelo do MEC – ainda em vigor – e não se sabe os motivos que os impede de resolver o problema. Uma lista de Doutores, sem vinculações partidárias; experiência comprovada nas mais diversas áreas do ensino; autores de livros; trabalhos publicados e respeitados pelo mundo acadêmico, não foram ouvidos nem convidados.  O novo ministro – pode ter uma excelente experiência como gestor – mas, de nada serve no momento para o MEC que além de gestão, carece de “instrução”. Em quatro anos, o garoto que entrou na escola este ano (2019) está na metade do ensino fundamental. Outros concluindo. Quem iniciou o ensino médio, estará na faculdade, e muitos que ingressaram no terceiro grau (universidade) se encontrarão em fase de conclusão de seus cursos. Na educação não cabe improvisos, nem experimentos. Basta olhar no retrovisor da história para perceber que nossa crise de hoje, está no ontem, e a inapetência pela solução exigida no agora, se refletira no amanhã.

PEDRO BIAL TENTA FRITAR SÉRGIO MORO

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Para quem conhece do ramo (jornalismo) a intenção do “global” Pedro Bial ao entrevistar o ministro da justiça Sérgio Moro, ontem (09/04/2019), foi cuidadosamente concebida dentro de um projeto de maldade, de dupla intenção. A primeira, ferir os brios da concorrência, que abre espaços para o novo governo e se comportam profissionalmente dentro dos critérios da informação, levando ao telespectador conhecimento de fatos que permitam a construção de uma visão crítica, despida de manipulação. A segunda, o desvio de comportamento, a partir do convite: o ministro Sérgio Moro foi esclarecer pontos de seu “pacote” anticrime. Tema que não foi discutido. Dois blocos, sem uma única pergunta sobre a propositura de um novo conjunto de leis, com vistas a combater o crime organizado e a corrupção sistêmica.

Se fosse Paulo Guedes ou a ministra Damares que estivesse sendo “fritado” – como tentou fazer Pedro Bial com Sérgio Moro – eles teriam ido embora. O programa não foi ao vivo, gravado e com cortes. Este tipo de risco, os demais ministros devem evitar. Não adianta imaginarem que dentro da nova ordem das savanas, os leões (globo) se tornarão vegetarianos. Morrerão famintos porque já nasceram “felinos”.

A pauta foi elaborada usando os velhos métodos delituosos da “desconstrução”. Pedro Bial iniciou com um ataque frontal, mostrando vídeos e áudios, do auge da operação lava-jato, questionando se houve abuso de autoridade do Juiz Sérgio Moro. Destacou a condução coercitiva do ex-presidente, e a divulgação do áudio vazado na conversa entre Dilma e Lula, que originou o “tchau querida”. Moro “franziu o cenho”, demonstrando surpresa, e só então percebeu sua posição de “cordeiro” diante de um lobo gigante. A esta altura, sua única esperança era que o “lobo” não estivesse de estômago vazio, fato que o levaria a escapar da refeição do momento. Reagiu: “a operação lava-jato faz parte do meu passado… Quero debater o futuro do país”. Bial mostrou suas garras, aludindo sobre sua provável vaidade, e a oportunidade de exacerbá-la com a prisão do ex-presidente Lula, episódio que lhes rendeu popularidade. Em seguida, Quis diminuí-lo e encalacrá-lo jogando pesado: “o senhor foi assessor da ministra Rosa Weber do STF, como o senhor vê o ministro Gilmar Mendes e suas opiniões sobre as sentenças e investigações da lava-jato”? Para a maioria da população, “assessor” – depois da era petista – tornou-se um termo vulgarizado e depreciativo, nominado a um cidadão incompetente e apaniguado.

O ignorante Bial desconhece que quem prepara todas as sentenças de Juízes, Desembargadores e Ministros são seus assessores jurídicos. Eles apenas assinam. E no caso particular da ministra Rosa Weber, o Juiz Sérgio Moro foi escolhido através de seu currículo, que o destaca como exímio conhecedor de operações das OCRIM, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Rosa Weber pertence à carreira do Judiciário da área trabalhista, desconhece completamente a esfera criminal. Mesmo assim, já cansado, Moro, rindo, preferiu não responder. Bial “cavou” uma opinião do ministro Moro sobre Rodrigo Maia, e criticou sua nova postura sobre política, quando o ministro fala em “negociar” com o parlamento. Para finalizar, entrou na vida pessoal do entrevistado, sugerindo comportamento dúbio ou fragilidade como cônjuge: “Sua esposa, usando as redes sociais, na campanha manifestava claramente apoio ao presidente Jair Bolsonaro… Era com sua permissão, ou o senhor não teve como contê-la”? Educadamente Moro confessou que amava sua esposa, e sua relação só era ótima, porque havia respeito mútuo sobre pontos de vistas distintos.

Enfim se Pedro Bial em sua nova temporada – depois de anos de fracasso e sem audiência – imaginou matar dois coelhos, com uma só cajadada, não conseguiu. Danilo Gentili e seu “The Noite” no SBT, exibindo a funkeira Lexa segurou 6,2 contra 6,1 de Bial. Existe um adágio popular que sentencia: “o mal, depois de destruir todo o bem, se arruinará enfrentando o próprio mal”. A Globo colhendo o que plantou.

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O POVO VOLTA ÀS RUAS EM PROTESTO INUSITADO

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Quando pensávamos que já tínhamos visto e testemunhado tudo de mais excêntrico no comportamento impulsivo do nosso povo, eis que surge o inusitado: ontem, domingo 07/04/2019, o povo voltou às ruas manifestando sua indignação contra a Suprema Corte, em defesa da operação policial de combate a corrupção lava-jato e repudiando a mídia tradicional (grande imprensa), formadora de opinião da nação. Isto jamais foi visto nas democracias ocidentais… O povo contra o poder Judiciário? Pedindo sua extinção ou impeachment de seus Ministros!? Historicamente o movimento se assemelha com queda da Bastilha, que culminou na revolução francesa.

O impressionante é que desta feita, não houve apoio de movimentos organizados como MBL, Vem Prá Rua… Diversos outros grupos considerados de “direita”, que se aparelharam nos períodos das manifestações (três vezes) pedindo o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Este povão – desacreditado pela grande mídia e subestimado pelo Poder Judiciário e o Legislativo – já havia mostrado seu rosto na campanha que realizaram através das redes sociais, apoiando e elegendo o presidente Jair Bolsonaro. Candidato literalmente sabotado pelos nossos “cidadãos Kane”, que ainda não conseguem entender os motivos da rebelde alforria coletiva da senzala, controlada pelos Capitães de Mato, proprietários dos grandes grupos de comunicação do país.

A partir de hoje, segunda feira (08/04/2019) se tivesse como conferir, saberíamos o tamanho do estrago na audiência da rede globo, pelo boicote na cobertura dos eventos e registros sem mostrar o tamanho das multidões – sobretudo em São Paulo – avenida paulista. Até onde eles (extrema-mídia), acham que derrotarão a vontade popular? As imagens que foram suprimidas pelas redes de TV, foram exibidas em tempo real pelo Youtube, Faceboock; Instagram; Twitter; grupos de Whatsapp…

A convocação partiu do twitter, sem apoio de nenhum político. Os motivos foram simples: a intenção de legitimarem seu voto pelas mudanças, ratificando que fizeram a escolha certa nas eleições presidenciais (2018); desmentindo as pesquisas e seus índices desmerecedores de crédito; mostrando que não são robôs que disparam mensagens automáticas nas redes sociais, como tentam justificar seus fracassos, os “jornalões” e revistas semanais do sudeste. As esquerdas, em número inexpressivamente inferior – se organizaram e também esteve nas ruas – pedindo a liberdade do ex-presidente Lula, preso por corrupção, lavagem de dinheiro e condenado a 12 anos de cadeia, em uma das duas sentenças da Justiça Federal do Paraná. Neste evento, o destaque da TV foi maior, mas, não mostraram “gigantismo” da multidão, na nítida intenção de compará-las em igual volume.

Surpreendido pelo evento, o STF – ainda incrédulo – se limitou a divulgar uma pequena nota, afirmando que é legítimo o poder de manifestações (?). Contra a Suprema Corte? É uma anomalia inédita e desmoralizante, com repercussões internacionais de proporções inimagináveis. O que a história registra é o contrário, o povo contra as ditaduras que fecham as Supremas Cortes de Justiça, deixando a população civil a mercê dos tiranos e seus tribunais de exceção. Que tipo de segurança jurídica representa hoje o STF, quando o povo vai às ruas protestarem contra seus atos? Como nos avaliarão nos demais países e continentes? Empreendedores e turistas viriam a um país, onde seu próprio povo não confia em sua Justiça? O que fará o próprio STF a partir de hoje? E os demais poderes, como agirão depois de um voto de desconfiança da população, dado a um dos pilares de nossa democracia? Estamos a caminho de uma ditadura popular, exigida pelo povo? Sem Legislativo e Judiciário?

As multidões querem respostas. As famílias abdicaram de seu lazer dominical, sua praia, seu churrasco e foram pedir nas avenidas de diversas capitais brasileiras, Justiça para Justiça. Seria risível, se não fosse tão trágico e desconcertante. Ou Senado instala os processos de impeachment protocolados – ora levados de barriga pelo Senador David Alcolumbre – ou pelo menos quatro dos atuais ministros do STF terão que renunciar, pelo bem da democracia e da paz da nação. Do contrário, as próximas mobilizações serão bem maiores e mais amplas e contundentes, incluindo o congresso. Os promoventes? Serão os legítimos donos e senhores do poder: o povo, que em sua maioria – segundo o Datafolha – tem optado por um governo autoritário.

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ONDE ESTÃO OS ROWAN DO EXÉRCITO DE BOLSONARO?
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No ano de 1889, coincidentemente há 130 anos, iniciou-se a guerra entre os Estados Unidos e a Espanha. O epicentro do conflito violento era a ilha de Cuba, colônia Espanhola. O presidente dos Estados Unidos Mac Kinley precisava urgentemente dar instruções ao General Garcia, insurgente aliado, perdido com suas tropas em algum local da ilha, por trás das linhas inimigas. Surgiu um voluntário: solado Rowan. Recebeu das mãos do presidente a carta e partiu. Quatro dias depois, estava em uma das praias desertas da ilhas. Em duas semanas, após cruzar o território hostil, frente a frente com o General Garcia, entregou a mensagem.
O Exercito do Presidente Jair Bolsonaro necessita de alguns Rowan. Por enquanto, só o ministro Sérgio Moro, e – para surpresa do país – o corajoso Paulo Guedes, provando sua bravura no “batismo de fogo” que enfrentou na CCJ da câmara dos deputados. Os demais estão confortavelmente seguros e entrincheirados, expondo o Marechal de Campo (Bolsonaro), esquecendo que depois da batalha vencida o herói pode ser alvo das “minas” e atiradores de elites, sobreviventes e dentro do rescaldo do confronto, pronto para abatê-lo.
Este evento ficou visível na sabatina de aproximação (hoje 05.04.2019) com a “alcateia” unida – extrema-mídia – que não esconde sua ansiedade e o momento oportuno de atacá-lo. O presidente Jair Bolsonaro sinalizou que fará modificação no MEC. Concordamos com o preparo intelectual do atual ministro. Um estudioso teórico, porém, profundo desconhecedor do lado prático (gestão) da máquina mais complexa do governo, responsável pela política do ensino e aprendizado – da mais tenra idade até a universidade. O atual ministro deveria estar como embaixador na UNESCO, combatendo o inimigo sem rosto que se expande geometricamente por todo o planeta: o comunismo do século XXI. Como enfatizou o assassino Cesare Batisti, em recente entrevista confessando seus crimes, a luta armada não se adéqua aos dias de hoje. As guerras das esquerdas será travada nos meios socioculturais, em nome da doutrina da desigualdade.
A extrema-mídia festejou o encontro com o presidente Jair Bolsonaro, de quem arrancou a promessa de ativar a SECOM, tendo a frente um publicitário. Elogiaram a decisão sobre a exoneração do ministro, cientes que a “lacuna” será objeto de desejo incontido do parlamento, ou da gang “centrão”. Para tanto, o senado através do seu presidente, já sugere que o MEC fique com a casa revisora do congresso. Se este fato for consumado, trás de volta em definitivo o toma lá, dá cá. Ao longo da história o povo testemunhou que “quando o congresso vai bem, o governo vai mal”. Isto não é recente, vem desde 1930. Na promessa de garantir a “governabilidade”, senadores prometem que se receberem o MEC, aprovarão a reforma da previdência.
Senador Izalci Lucas está sendo escolhido pelos seus pares do senado, como o nome ideal para o MEC (?) absurdo! O povo sabe quantos cargos importantes, com poder de caneta tem o MEC? Mais de uma centena, por onde circulam os destinos de incontáveis bilhões de reais, direto e indiretamente. Sem meias palavras: o “esquema troca de preferências, mas permanecerá escolhendo os “preferidos”, para compras, contratações de serviços; licitações bilionárias dirigidas e empregabilidade de exímios “operadores”, apaniguados por portadores de mandatos.
Se a escolha tem critérios técnico, por que o “Estado Maior” do governo não examina currículos? Por exemplo, está no Linkedin todo o histórico e artigos do Professor Moací Alves Carneiro.

Doutor, escritor e ex-reitor. Palestrante e consultor de larga experiência nas instâncias do ensino fundamental, médio e universitário. Conhece a estrutura do MEC por dentro e por fora. Ainda jovem e imberbe, compôs a equipe do saudoso paraibano Linaldo Cavalcanti de Albuquerque, que selecionado sem patrocínio político, ocupou o cargo de diretor do DAU – governo Médici – executando o ambicioso projeto da expansão universitária, criando uma universidade pública em cada estado da federação. Cumpriu com brilhantismo sua tarefa, e no governo Geisel, fundou, e foi o primeiro presidente do CNPQ.
O soldado Rowan quando recebeu do presidente Mac Kinley a mensagem para Garcia, não perguntou onde estava Garcia, como chegar lá, nem questionou sua sobrevivência. Com quem votou o ministro Onyx Lorenzoni na eleição para presidência da câmara em 2017? Claro que com o candidato do “centrão”. Jair Bolsonaro também foi candidato, e não obteve 10 votos. Quem fez a cabeça de Paulo Guedes para apoiar a recondução de Rodrigo Maia? Onyx, que ao lado de Maia – e já ministro da Casa Civil – vendeu o que não tinha na prateleira para eleger David Alcolumbre presidente do senado. Com tantas conquistas, onde estava Onyx nas duas derrotas recentes que Bolsonaro sofreu na câmara? E há quatro dias, porque não evitou que o senado aprovasse em dois turnos, numa tarde, uma PEC – emendas de bancadas impositivas – que cria um rombo anual de 4,5 bilhões de reais para o governo? Onyx e Maia ainda tentaram a volta de Mendonça Filho para o MEC. Os porquês, já foi explicamos acima. Próxima segunda-feira completam 100 dias de governo. O presidente e seu “Estado Maior” deve avaliar o desempenho de seus “Rowan”. Aproveitar o ensejo para fazer uma completa mudança nos seus comandos, sob pena de repetir o erro primário cometido por Erwin Von Rommel (raposa do deserto), que avançou suas tropas e os aliados o isolaram, cortando sua linha de abastecimento.

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MENTIRA INSTITUÍDA

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Em todo o ocidente, primeiro dia do mês de abril, se comemora o dia da mentira. Escolhemos a data, para registrar um “desmentido”, oriundo de uma “mentira” que por décadas vem sendo instituída como “verdade”. Desde o final do governo Sarney, a mídia começou a se referir ao governo militares, como “ditadura”. Uma colocação polêmica, para um sistema de governo excêntrico que provavelmente graças a sua extravagância – se é que de fato ocorreu tal ditadura – ocorreu uma única vez, e no Brasil. Toda “ditadura” tem o um “ditador”. Alguém que usurpa o poder com o uso da força, encarcerando a céu aberto a sociedade civil organizada, tomando-lhes seus direitos, títulos, domínios e propriedades; fuzilando adversários e membros do governo deposto. Isto ocorreu no Brasil de 1964? A verdade é que existia um golpe em curso, ou mais uma “quartelada”. O evento foi abortado pelo próprio ex-presidente João Goulart, que preferiu deixar o país – criando vacância no cargo – que ocupava como vice em exercício. Cruzou a fronteira do Uruguai e evitou derramamento de sangue.

Generalíssimo Francisco Franco Bahamonde foi um ditador na Espanha. Uma liderança militar que surgiu após o final da sangrenta revolução em 1939. Houve prisões, expatriações e fuzilamentos. Esteve no poder por trinta e seis anos e de lá saiu para o cemitério em 1975. Antes, nos estertores de sua existência, devolveu o poder a Monarquia, e mandou coroar o Rei Juan Carlos. Ditadores não tem sucessores, a não ser através de outro golpe, ou revolução armada. Strossner no Paraguai, Fidel em Cuba; Salazar em Portugal… No Brasil entre 1964 e 1978, ocorreram eleições indiretas, realizadas pelo Congresso Nacional e com candidatos da oposição ao governante de plantão. Sejamos sinceros: isto realmente foi uma ditadura?

Além da questionável mentira da “ditadura”, o pior é o embuste sobre o seu período, que a mídia e os atuais historiadores insistem em afirmarem: vinte e um anos (?). Com esta estupidez jamais concordaremos. Anualmente, pelo menos umas cinco vezes – em oportunidades distintas – e comentando sobre temas paralelos, destacamos propositalmente que o fim dos governos militares ocorreu em 1979, quando terminou a gestão do ex-presidente Ernesto Geisel. Entre 1964 e 1969 foram editados 17 atos institucionais, inclusive o mais severo de todos, AI-5. Geisel revogou todos em 01 de janeiro de 1979. Quinze anos pode ser considerado como “período de exceção”, apesar da existência da Constituição de 1967, que os “intelectuais” dos meios jurídicos – a luz da história – ignoram. Nunca vinte e um anos, como insistem os mentirosos historiadores do Brasil. Querem contar os seis anos de mandato do ex-presidente Figueiredo como “período dos militares” ou da “ditadura”. Um engodo esdrúxulo, descabido, que o povo não deve aceitar e jornalistas ou historiadores – têm por obrigação reescrever este capítulo – admitindo erro abrutalhado, ideologicamente imposto pelas esquerdas, após chegarem ao poder. Ex-presidente Figueiredo foi eleito não mais pelo Congresso Nacional. Criou-se o “Colégio Eleitoral”, e quem concorreu com ele foi o General Euler Bentes Monteiro, pelo MDB, tendo como vice Paulo Brossard. Figueiredo obteve ao lado de Aureliano Chaves, 355 votos. Euler Bentes e Brossard, 255 sufrágios. Isto é regime “Militar” ou ditadura?

O mais perfeito argumento da inexistência de um governo militar no período do ex-presidente João Figueiredo, foi à promulgação da “Lei da Anistia” – ampla geral e irrestrita – em agosto de 1979, retroagindo e beneficiando todos que praticaram crimes desde 1961 (quatro anos antes da intervenção militar apoiada pela maioria da população brasileira). Para reforçar a tese, o arqui-inimigo dos governos militares era o saudoso nacionalista Leonel Brizola, anistiado (1979) e eleito governador do Rio de Janeiro em 1982 pelo PDT, quando o ex-presidente Figueiredo extinguiu o bipartidarismo. Voltaram o PTB; PSB; renomearam ARENA (PDS) MDB (PMDB) e criaram o PT. João Baptista Figueiredo era um General da reserva do Exercito Brasileiro, como Dwight Eisenhower foi também um General da reserva do Exército dos Estados Unidos – comandante das tropas aliadas na segunda guerra – eleito presidente pelo Partido Republicano. Aos senhores respeitáveis professores de história, fazemos aqui um apelo: por favor, não continuem ensinando errado aos nossos netos, que o Brasil viveu uma ditadura de 21 anos. Se quiserem “nominar” o período entre 1964/1979 como ditadura, reconheçam que foram 15 anos. Registro lúcido contestatório, de uma testemunha da história.

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CÂMARA SE INSTRUMENTALIZA PARA DERRUBAR BOLSONARO

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O presidente da câmara dos deputados, Rodrigo Maia, insistia em alegar que para aprovar a reforma da previdência, seria necessário “negociar”. Postergou além de todos os limites da tolerância, impedindo propositalmente que o governo avance milímetros, na sua quilométrica caminhada em busca de resgatar valores e remodelar o país. Para que se tenha noção do verdadeiro boicote, basta que se observem as dificuldades criadas para nomear a CCJ, em seguida um relator para o projeto; criação da embaraçosa e anômala comissão extraordinária (?) para analisar os impactos da reforma – quando já existe uma instalada e permanente – Comissão de Seguridade Social e Família, por onde tramitam obrigatoriamente todos os projetos (inclusive este) relacionados ao sistema previdenciário público, privado; urbano; rural… Empecilhos para ganhar tempo e na primeira oportunidade, derrubar o governo. Olhando no retrovisor da história, ressurge as mesmas “forças ocultas” que levaram Jânio Quadros a renuncia (Agosto 1961).

O curioso é que para previdência, não tem votos suficientes. Mas, não faltou quorum para aprovar a PEC (legislando em causa própria), que torna o orçamento impositivo, obrigando o governo pagar as emendas de bancadas. Pouquíssimas pessoas sabem o que significa “emenda de bancadas” – banidas na era petista – sob pena do presidente se transformar em “Rainha da Inglaterra”. É um ato brutal, um estupro parlamentar (coletivo) no indefeso presidencialismo.

O povo ainda não tem noção da periculosidade deste parlamento e sua verdadeira ameaça a ordem democrática. Basta seguirmos os passos do seu presidente, olhar quem o acompanha, e o monstruoso fosso que ele está aprofundando para separar a câmara de um governo legitimamente eleito. No final da semana que passou (22.03.2019) o sogro de Rodrigo Maia (pai por afinidade) Moreira Franco, estava preso no Rio de Janeiro. Pai por afinidade, porque seu pai biológico César Maia, quer vê-lo muito bem, mas, longe dele. Onde estava Rodrigo Maia, depois que visitou Gilmar Mendes? Em São Paulo, ao lado do governador João Dória – já em campanha para presidente – armando para aprovar a PEC das emendas de bancadas impositivas. Explicando melhor: um parlamentar (deputado federal) tem o limite de até 10 milhões de reais – roubo escandaloso do dinheiro do contribuinte – para apresentar no orçamento como emenda individual, destinando estes recursos a quem lhes interessar: prefeituras, ONG; Fundações… Não se dando por satisfeitos, apresentam uma emenda de bancada. Reúnem-se e propõem valores estratosféricos para serem “investidos” em seus Estados. O lobby dos deputados, o governador paga. Imagine São Paulo? São 70 deputados federais. E no restante do país? Multipliquemos por 513 para atender 27 Estados! Se o presidente não cumprir? Será cassado por improbidade administrativa. Acreditam?

Uma luta desigual… Enquanto o novo governo economiza um ou dois bilhões, a câmara cria uma despesa impositiva que leva tudo que foi poupado. Cabe ao Senado agora, cumprir com seu papel de “Casa Revisora” e derrotar esta propositura. Mas, será que este foi o preço “negociado” pelo superministro Paulo Guedes? Se não resistiu a pressão, abriu a porteira. Roubar, trair e coçar, é só começar. Segunda etapa do previsível golpe está sendo protagonizada pelo PT. No Brasil as ideologias sempre foram desprezadas quando entrou em cena o poder e o dinheiro.  Mais de 200 assinaturas já foram colhidas para apresentar uma PEC destituindo a função do vice-presidente da republica. Caso o titular seja cassado ou ocorra algo que não possa concluir seu mandato, o vice-presidente assume apenas por 90 dias e convocará novas eleições, realizadas inclusive de forma indireta, pela câmara dos deputados. A “velha mídia”, silencia e pauta o debate da reforma, discussão semelhante a dos sexos dos anjos pela Igreja Católica, que perdurou por seis séculos, para decidirem que anjos não têm órgãos reprodutivos como as espécies. Estão conspirando para engessar o governo até o final do ano – apostando num inevitável desgaste – e em 2020, derrubam Jair Bolsonaro, levando com ele também seu vice Hamilton Mourão. Até dezembro, a oposição começará protocolar pedidos de impeachment.

O maior erro do presidente Jair Bolsonaro – conhecendo a casa onde esteve por 27 anos – foi ter confiado que o seu superministro Paulo Guedes tinha conquistado Rodrigo Maia, a quem apoiou para continuidade na presidência da câmara. Teria sido melhor um “petista”, pelo menos o eleitor de Bolsonaro entenderia que qualquer manobra, seria “armação” de um inimigo derrotado, rancoroso e revanchista. Alguém lembra o que fez a câmara dos deputados em 2017 e 2018? Rodrigo Maia foi imposto como presidente, pelo seu sogro (pai político) Moreira Franco, ministro de Michel Temer e ex-primeiro escalão da gestão Dilma Rousseff. Como ele pagou a Temer? Acatando duas denuncias que pedia seu impeachment, promovendo uma das maiores “farras” da história feita com o dinheiro público. Foram 15 milhões para cada deputado em cada uma das duas votações. Depois “negociou” mais duas PEC. A da reforma trabalhista e da previdência. Recebeu pelas duas e entregou apenas uma. Em dezembro (2018) sabendo que não tinha chances de voltar a presidir a mesa diretora, garantiu aprovar a reforma da previdência até a posse da nova legislatura em fevereiro. Quando se sentiu eleito, alegou indisposição dos derrotados, mas garantiu que no final de março o caso estaria resolvido. Sem o menor pudor, jogou para Abril. Antes da prisão do “sogrão”, estimou junho. Agora… Final do ano. Se o povo não forem às ruas e enquadrá-lo… Ele e seus comparsas botarão abaixo o atual governo.

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SEQUESTRADORES DA NAÇÃO
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Numa das últimas pesquisas do Instituto Datafolha, divulgada pela TV Globo News (eleições 2018 primeiro turno) ouvindo um público de 20 mil entrevistados, continha no questionário qualitativo “recortes” de opiniões do eleitor, objeto de investigação e análise dos comentaristas políticos, para interpretarem o sentimento popular dos brasileiros – desertores da mídia tradicional – interagindo nas redes sociais.  Duas perguntas e suas respectivas respostas calaram a crônica. A primeira era se o eleitor desejaria um governo autoritário. A resposta veio de 58% dos consultados dizendo “sim”. A segunda era sobre a importância da câmara dos deputados, 49% da população manifestou o desejo de extinguir a casa legislativa. Jornalista Merval Pereira, olhos arregalados – surpreso com revelação – tentou minimizar o estrago, arriscando justificar: “acho que autoritarismo, o povo entendeu como governo com autoridade” (?). Esqueceu a lógica, ignorando que os 49% que defenderam o fechamento da câmara dos deputados defenderam o “autoritarismo”.
O parlamento brasileiro foi sempre uma pedra de tropeço nos caminhos de nossa democracia. Desde 1930 (fim da república velha) até hoje, apenas quatro presidentes eleitos diretamente pelo voto, concluíram seus mandatos. Juscelino Kubitschek, Fernando Henrique Cardoso; Lula da Silva e Dilma Rousseff (sua primeira eleição). Em quase nove décadas, ocorreram dois golpes de estado e diversas eleições indiretas (congresso nacional). Quem é culpado por todos estes desacertos? O povo ou o parlamento? Desde que o voto se tornou obrigatório (1934), apenas em duas ocasiões às “massas” foram às urnas votarem em parlamentares. Na Constituinte de 1947 por razões ideológicas – comunismo x democracia – e em 1986, atraídos por um derrame de dinheiro sem precedentes na historia, empurrado pela popularidade do presidente Sarney (plano cruzado), considerado posteriormente como “estelionato eleitoral”.
Tem sido frustrante para democracia brasileira, votar em um presidente e ser governado por um parlamento com caprichos sinistros, ilícitos; defensores de interesses escusos e parturientes de “crises” para engessar a nação. O erro começa pela coincidência do calendário eleitoral. Eleições presidenciais eram para ser “solteiras” ou gerais. No ano de eleições parlamentares, não se elegeria prefeitos, governadores e presidente da república. Nos Estados Unidos, eleições parlamentares ocorrem na metade do mandato presidencial. O voto não é obrigatório, deputado federal e senadores exercem suas verdadeiras funções constitucionais: proposituras de leis, aprovação de orçamento e fiscalização da gestão financeira do poder executivo.
Os brasileiros não escondem seu asco pelo parlamento. Poucos são os que se recordam do nome do deputado federal ou estadual, em quem votaram no último pleito. Cobram pelo voto – recebem de muitos postulantes – e no dia fazem a escolha optando pelo maior lance. Esta tem sido a alternativa que a população encontrou para puni-los. Porém, os cínicos sedentos de poder, consideram a gastança um “investimento”. Que legitimidade tem este “poder”? Algo tão aberrante, que em 2017 o STF tinha aproximadamente 600 processos contra parlamentares acusados de corrupção, caixa dois; compra de votos; formação de quadrilha… Onde esteve à mídia por todo este tempo, que não divulgou maciçamente (como o caso Mariele) estes dados? Teor dos processos, nomes desta lista – curiosamente tem quase o mesmo número dos integrantes do Congresso Nacional – 513 deputados federais mais 81 senadores. Cerca de 20% deste total (exceção) não respondem processos. Já seria triste se a regra fosse à exceção, imagine o contrário? Esta é a realidade insofismável dos nossos dias… A câmara dos deputados mantém refém um presidente eleito com 58 milhões de votos. O povão está com seus sonhos e esperanças, sequestrados pela câmara dos deputados. Para resgatá-los e liberar seu governante, a população terá que voltar às ruas. Mobilizar-se contra o Congresso, STF e todas as instituições que lhes pertencem. Afinal, estamos numa democracia, onde o poder emana do povo.

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A OUSADIA DO IRREVERENTE RODRIGO MAIA

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Conta à fábula, que uma grande comunidade de ratos vivia tranquila e se reproduziam rapidamente num velho armazém. Por mais que seu proprietário tentasse envenená-los, não conseguia. Ratoeiras? Nem pensar, cardápio diferente… Era melhor continuarem nos grãos. Até que cansando, o dono do depósito resolveu botar um gato. Na primeira noite, três vítimas. Durante o dia ou a qualquer hora, o gato atento, mesmo dispensando refeição extra, matava-os por instinto predatório. Em uma semana, as baixas foram grandes. Os ratos acuados se reuniram para discutirem o destino da comunidade. Surgiu a ideia de botar um chocalho no gato, pois ao andar, com o som do chocalho, eles localizariam onde estava o bichano. Todos concordaram. Então veio à pergunta irrespondível: quem vai botar o cocalho no gato? Não apareceu o voluntário.

No sábado (17.03.2019), um dia antes de o presidente Bolsonaro viajar para os Estados Unidos, o irreverente Rodrigo Maia convidou-o para um churrasco íntimo em sua casa, onde discutiriam “minúcias” sobre a reforma da Previdência. No encontro, apenas ele, o ministro Onyx Lorenzoni e o convidado (Jair Bolsonaro). Desconfiado da cortesia e conhecedor da “malandragem carioca”, o presidente foi. Mas, levou consigo 17 convidados. Dentre eles, alguns generais, o ministro Heleno do Gabinete de Segurança Institucional. Para surpresa de todos, quem estava lá era o Ministro Dias Toffoli, presidente do STF, David Alcolumbre (presidente do Senado) e seu ex-ministro da Casa Civil,  Gustavo Bebianno (?).

A ousadia do destemido Rodrigo Maia, pressionado e instigado pelo famigerado “centrão”, é de um afoito inominável. Ao lado de David Alcolumbre – presidente do Senado – “armaram” para tentar botar o chocalho no gato (Bolsonaro). Mas, para o bem geral da nação, o ímpeto foi abortado pelo excesso de testemunhas. A partir da “cabeça” do ministro Sérgio Moro, ocupação de cargos estratégicos (com dinheiro) pelo centrão; barrar pedidos de impeachment de ministros do STF; impedir instalação da lava-toga e fim da lava-jato, tudo seria discutido e pleiteado. Um registro fotográfico discreto seria providenciado, e espalhado nas redes sociais, fato que geraria suspeitas no eleitorado de Bolsonaro e em toda a sua equipe de abnegados da causa de mudar o país. A foto ainda foi feita e divulgada. Mas, não conseguiram esconder o Gen. Heleno, delegado Waldir, ministra Damares…

O “centrão” é um movimento de deputados federais suprapartidário, que surgiu das cinzas do “baixo clero” – aglomerado de parlamentares espertos – que elegeram em 2005 o pernambucano Severino Cavalcanti para presidência da câmara, uma candidatura avulsa, derrotando o pretendente do governo (PT) e adversários lançados por composições das grandes legendas de então, PMDB, PFL; PDT; PTB… Severino Cavalcanti durou pouco mais de 07 meses como presidente. Em manobras para abortar o mensalão, fazendo todo tipo de negociação espúria e trancando a pauta com o apoio da gang que o cercava, foi alvo do MPF em investigação destinada, onde descobriram um “mensalinho” pago a ele pelo concessionário que explorava os serviços de restaurante da câmara. Temendo ser cassado, renunciou a presidência e seu mandato.

A tática do centrão é levar o governo de plantão ao desgaste. Na medida em que o governo se impopulariza, cresce o centrão, passando a coupar a explanada dos ministérios e negociando pessoalmente (deputado por deputado) votos para projetos que tragam benefícios diretos para o povo e o governo brasileiro. De bolsos cheios, renovam seus mandatos com folgas. Até as eleições de 2014, os campões de votos por estado, eram todos do centrão. O “baque” veio em 2018. Mas, com o aprofundamento da crise, a pressão do centrão empurra o presidente da câmara para chantagear o executivo até que ele ceda. O destempero do presidente Rodrigo Maia não é por acaso. Já disse que “a câmara não é cartório para registrar queixas do povo” (?). Depois disparou com outra: “a câmara e seus deputados são soberanos…” Um internauta respondeu que “soberano” não se elege, já nasce soberano. O povo vota em representantes. Quarta-feira (20.03.2019) foi à vez de agredir e humilhar um dos nomes mais respeitados do país, o Juiz Sérgio Moro. “Ele é funcionário de Jair Bolsonaro… Está trocando as bolas, eu converso com o presidente”. Ontem, quita-feira, veio à prisão de seu sogro, ex-governador do Rio Moreira Franco. Seus comparsas quiseram atribuir a uma retaliação corporativa do Juiz Marcelo Bretas, em defesa de Sérgio Moro. Rodrigo Maia conferiu que o mandado de prisão foi expedido um dia antes 19.03.2019.

Queiram ou não, para aprovar a reforma da Previdência, Bolsonaro terá que botar um “gato” (PF e lava-jato) na câmara. E Rodrigo Maia, se tiver juízo, renuncia imediatamente a presidência e seu mandato. Imagine se na busca e apreensão na casa de seu sogro, a PF tiver encontrado algo como “doação de campanha não declarada”?

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JOAQUIM LEVY BNDES E UMA GRANDE DEPRESSÃO   

            Em entrevista concedida no dia 13/02/2019 (semana passada), ao Jornalista João Borges da TG Globo News, o presidente do BNDES Joaquim Levy deixou transparecer em suas respostas, que continuaremos vivendo neste quadro penúria. Demonstrou possuir visão limitada e estéril, incapaz de não enxergar nada além de um “livro caixa” e totalmente inabilitado para gerar ideias que possam fazer o Brasil retomar o crescimento. É um bancário de carreira, com um currículo entesourador, imediatista e controlador da expansão do crédito. Um homem certo para Bradesco, Itaú ou Santander, no lugar totalmente errado, Banco de Desenvolvimento Econômico Social, que investe em projetos de longo prazo. Quem o indicou? Amigos de Paulo Guedes, ou a turma do COPOM? Ele jamais frequentou a mesma “praia” do presidente Bolsonaro. Era da cúpula petista de Dilma a quem não poupou críticas pelos investimentos errados em Cuba (porto) e Moçambique (aeroporto). Muito embora tenha sido membro do governo.

            Provavelmente Joaquim Levy tenha visto nos noticiosos da TV (ontem 20.03.2019) longas reportagens sobre o desemprego e falta de trabalho no Brasil. O assombroso índice de 32,7% de famílias absolutamente sem rendas, mostra que nos aproximamos de um inevitável caos social. Não se trata mais de recessão. É depressão. Os reflexos estão na pesquisa do IBOPE – descontando 5% de exagero – mesmo assim, mostra que a popularidade do presidente despencou. Manifesto espontâneo de frustração da população, principalmente no índice de confiança e aprovação do seu modo de governar.  Infelizmente sua equipe econômica – que caiu na armadilha da “reforma da previdência” – ainda não deu um único passo em direção a uma nova política que gere empregabilidade ou ocupação remunerada. Mesmo assim, o COPOM se reuniu ontem e pela oitava vez – com novo presidente do Banco Central – ao longo do período de um ano, os juros (taxa selic) permaneceram os mesmos 6.5% ao ano. Motivo? Desconfiança no governo (?) e insegurança dos mercados. Presidente da câmara Rodrigo Maia promete que a reforma (talvez) seja votada até o longínquo junho. Seria risível se não fosse trágico. A desculpa era mudança no regime previdenciário dos Militares. Ontem foi entregue. E agora? Vão continuar levando de “barriga”? É Claro. O “centrão” quer a grana. Cargos com autonomias de compras milionárias, licitações bilionárias e poder de caneta, para pagarem suas contas de campanha, ou fazer caixa para a próxima. Afinal, do “centrão” que voltou (2018), poucos foram os que gastaram abaixo de 15 milhões de reais. Não importa direta, esquerda ou centro. Eles querem o dinheiro que gastaram.

            O presidente Jair Bolsonaro acreditou – e nos fez acreditar – que o superministro Paulo Guedes entendia tudo sobre economia, e tinha um projeto fantástico que se posto em prática, o Brasil seria alavancado de uma “planície” comprometida pelo aprofundamento das “erosões” socialistas de quando as esquerdas estiveram no poder. A cada entrevista, Paulo Guedes tona-se mais eloquente, e pouco producente. O Brasil começa a mergulhar na depressão, e  Joaquim Levy na TV, prometendo o “milagre” de emprestar dinheiro para micro e pequeno empreendedor com taxa de 15% ao ano,  ainda “verificando certos critérios”. Meu Deus…É injetar na veia de um paciente hipertenso, soro a base de cloreto de sódio. Se este for o tratamento, todos morrerão. O que ainda falta ao presidente Bolsonaro? Continuar esperando por Paulo Guedes? Por que não consultar outros da área? O Brasil precisa de seu “New Deal*”. Que vá a TV, use as redes e explique ou denuncie, a chantagem do parlamento. O povo o elegeu, por sua coragem. Se o legislativo resistir, resolva do modo como já se espera em Brasília, via artigo 142 da Constituição Federal: Intervenção Militar. Se necessário, fechando o Congresso para garantir a ordem.

*New Deal – nome dado à série de programas governamentais dos Estados Unidos,  entre 1933 e 1937, sob o governo do presidente Roosevelt, com o objetivo de recuperar a economia norte-americana da grande depressão após a queda da Bolsa em 1929. Investimento maciço em obras públicas na construção de usinas hidrelétricas, barragens, pontes, hospitais, escolas, aeroportos etc. Tais obras geraram milhões de novos empregos. Redução da jornada de trabalho, com o objetivo de abrir novos postos. Fixação de um salário mínimo, criação do seguro-desemprego e seguro-aposentadoria (para os maiores de 65 anos). Distribuição de rendas que acabou o desemprego.

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CADASTRO POSITIVO É RECESSIVO

O estado de recessão da economia do país deve se aprofundar – segundo dados de pesquisas do setor – que revelam índices apavorantes, como o endividamento de 62% das famílias brasileiras, cadastradas como “caloteiras” junto aos órgãos de informação e proteção ao crédito (SERASA e SPC). Este gigantesco contingente de sobreviventes a caminho da miséria são vítimas do desemprego em massa, herança da era petista, que acumulou os estoques remanescentes do período “tucano” (FHC). Há 25 anos os governos usam “artifícios” manipulando dados e pesquisas – trocando constantemente métodos – para calcularem inflação, desemprego e IDH. Uma “mentira oficial”, apoiada pela grande mídia, e vergonhosamente endossada pelas “respeitáveis” autoridades econômicas, cujos currículos têm mais pagina que a Bíblia Sagrada.

            Estamos no início de um novo governo, que nos garante ser diferente de tudo o que vimos nos últimos 30 anos, fazendo-nos crer nas promessas de uma mudança radical na política econômica. Superministro Paulo Guedes assegura que o Brasil voltará a crescer, e o mercado absorverá a mão de obra de 12% de sua força de trabalho, ora desempregada, além de gerar a primeira oportunidade para outro índice alarmante de 15% da população, compostas de jovens esperançosos, na busca de ocupação remunerada. Para que se ponham em prática esses ambicioso programa, a expansão do crédito é fundamental. Sem dinheiro novo, não existira investimentos nem empregabilidade. O crédito financia a produção e o consumo. Com investidores e consumidores “negativados” o programa do presidente Jair Bolsonaro, aos cuidados de Paulo Guedes jamais alcançará o êxito desejado.

            Os Bancos que sempre mandaram no país – exceto nos governos Costa e Silva e Médici – criaram uma “cláusula de barreira” para abrirem as algibeiras, e permitir que Paulo Guedes desenvolva suas ações: reforma da previdência. Sem reformas, não haverá crédito para expansão monetária, ora vigiada e proibida pelo famigerado COPOM, com apoio do Banco Central (independente) que não admite intromissão do governo (?). Puseram Paulo Guedes num quadrado. Sério: alguém acredita que a Previdência necessita mesmo de uma reforma? Só se esta viesse para repor o prejuízo causado por FHC, a centena de milhares de contribuintes que recolheram sobre 20 salários mínimos, e foram “achatados” pelo mísero fator previdenciário.

            Infelizmente o governo e o próprio Paulo Guedes, caíram na armadilha dos banqueiros. Reforma da Previdência era para ter sido divulgada como programa de austeridade da nova gestão, promovendo “cortes” e fim dos privilégios. Não foi o que aconteceu. O povo tem a sensação que continuará sendo roubado. O governo se esqueceu de olhar mo retrovisor – apagar das luzes da gestão do ex-presidente Michel Temer – meados de dezembro 2018, quando o Congresso as vésperas do recesso e sob a pressão do Banco Central criou quorum, votou e aprovou o acordo de leniência dos Bancos, crime lesa pátria, perpetrado contra o cidadão contribuinte. Este acordo espúrio, acobertado pela “mídia profissional”, impede que os Bancos sejam processados, punidos criminalmente; multados; seus diretores presos, por cumplicidade com a gang da corrupção desbaratada pela lava-jato. Os Bancos foram os grandes facilitadores da evasão de divisas e fiéis depositários das propinas, além de colaborarem de modo “operacional” com a criação de contas fantasmas. Desde dezembro, graças a Rodrigo Maia e Eunício Oliveira, todos se salvaram e estão impunes. Será que ninguém viu isto?

A cegueira “histérica” do momento – discussão da reforma da Previdência – desviou o foco do povão, e o congresso nacional voltou a agir criminosamente em favor dos Bancos mais uma vez. Mesmo tendo sido atingido por uma renovação expressiva em suas duas casas legislativas, deputados e senadores aproveitaram-se da ocasião, e na calada da noite, o Senado Federal nos mostrou que nossos destinos (governo povo e nação) continuarão sob o mais absoluto controle dos Bancos. Aprovou o “Cadastro Positivo”, criando um gueto para os endividados. Legalizaram um crime que fere direitos constitucionais, como a privacidade do individuo. O presidente Jair Bolsonaro e Paulo Guedes, certamente ignoram completamente os efeitos devastadores deste cadastro positivo, que passa a ser super-recessivo. Se o presidente não vetar, o país se enterrará definitivamente. Com 62% de suas famílias inadimplentes, como ocorrerá expansão do crédito? Legalmente o congresso nacional permitiu que os Bancos criem a partir de agora, a listas negras dos “negativados”. Dinheiro só para os “positivados”. Quem e quantos? Isto não existe em nação nenhuma do planeta terra! O povo tem que voltar às ruas, usar as redes sociais e pedir um lava-jato para “limpar” o Congresso.

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SILÊNCIO COMPROMETEDOR

            A insônia se instalou na granja do governador. Noites longas e sombrias causam estranha sensação de medo, no espírito do já intranquilo novo inquilino, que não consegue se desprender dos fantasmas obsessivos e sua insistência em demonstrarem – via ameaças veladas – que ainda detêm os mesmos poderes de quando vivos, mesmo depois de mortos. Os insepultos tornam os dias do engenheiro João Azevedo atormentados e mais curtos e desconcentrado. Discursivos, e com uma agenda de aconselhamentos bizarros, onde surgem ideias que vão da lucidez a insanidade.

 Tudo que o governador deseja no momento, é um afastamento voluntário da sua gestão de todos implicados que poderão ser punidos pela crucificação. Mas, os inconformados “kamikazes” querem dividir com ele, a aflição de seus calvários. O que pode fazer o governador? Confessar que sabia de tudo? O povo, estarrecido, ainda o tem como vítima. O “poste”, a escolha; guardião da confiança, capaz de cumprir todo um roteiro elaborado para perpetuação no poder do seu líder e mentor “socialista” Ricardo Coutinho. A via-crúcis começou… O trajeto todos sabe onde termina: no local da crucificação. Querem que o governador João Azevedo tome a cruz para si, e a carregue? Mesmo que o faça, ele deve pelo menos escolher – historicamente e para posteridade – a posição onde será crucificado, não ficando nem à direita, muito menos a esquerda.

A Secretária Livânia e Gilberto Carneiro talvez jamais tenha visitado uma cadeia. Imagine um presídio! Lugar isolado mundo, com regras desumanas impostas por criminosos impiedosos, desesperados e arruinados. O delator não suportou uma simples prisão “recreativa”. Vomitou tudo que havia degustado no banquete dos socialistas por oito anos. É de bom alvitre alertar o governador João Azevedo, sobre o exemplo Pezão (RJ) e Beto Richa (PR). No caso Paraná, foi um secretário delator, cujo processo ainda carecendo de provas mais robustas, as evidências foram suficientes para por atrás das grades um ex-governador licenciado, e em campanha para o Senado Federal.

Os tempos são outros, e o Poder Judiciário está sendo encurralado pelo povão a partir da Suprema Corte. Como numa guerra ou revolução, pouco se sabe como começa, impossível adivinhar como termina. O desmonte das OCRIM pelo Ministro Sergio Moro – que ainda vai passar pelos estados, municípios e congresso nacional – tem agradado a população a cada reviravolta e seus inesperados acontecimentos. O caso do assassinato da vereadora carioca Mariele, causou surpresa não por ter sido desvendado e os sicários presos. Mas, pelos 107 fuzis AR-15 ainda em embalagem industrial, apreendidos na casa de um ex-PM. A Policia, Milícias; políticos e bandidos do narcotráfico estão agora dentro de uma nova linha de investigação – a partir da ALERJ – causando suspense por não se saber onde, e nem em quem irá esbarrar tudo isto.

A delação antecipada da Secretária Livânia, seria sua única salvação, preservando o governo. Todavia, os investigadores sabem que ela além de não agir só, sempre foi disciplinada, e cumpria ordens apenas o “número um”. Quanto a João Azevedo, seu silêncio é comprometedor. Bem pior é sua falta de atitude em não usar a caneta. Talvez seja inocente, e consiga salvar sua pele. Mas, se não agir em tempo hábil, a amizade pode se transformar em cumplicidade, que causará dificuldades em salvar seu mandato por mais 47 longos meses. O delator foi preciso e expôs todo sobre o caixa dois: nome de pessoas, empresas, data de pagamentos em espécie… É batom na cueca.

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SÉRGIO MORO CONTINUA SABOTADO PELA GRANDE MÍDIA

            Cinquenta e três dias a frente do Ministério da Justiça, o ex-juiz Sérgio Moro – tendo sob seu comando a Polícia Federal e o COAF – desenvolveu ações surpreendentes no combate ao crime e o narcotráfico, que levariam décadas, ou jamais seriam operacionalizadas. Enfrentar as OCRIM sob a premissa que “o crime organizado não irá vencer o Estado” – foi uma promessa feita pelo Ministro, ao cético povo brasileiro que já consideravam derrotados nesta guerra hedionda. Mal sentou na cadeira, o PCC tentou amedrontá-lo criando um quadro de terror no estado do Ceará. A “farra” durou duas semanas. O braço nordestino do PCC foi literalmente desarticulado, com prisões e transferências de todos os seus temíveis líderes, espalhados hoje pelos distantes presídios federais do país. Por que a grande mídia não destacou isto como uma vitória do Estado Brasileiro? O Ceará está em paz.

            Criminoso de alta periculosidade – Marcola – supremo comandante da OCRIM PCC, há décadas aterroriza São Paulo. Sua última investida na capital (15.05.2006) ocorreu com 115 ataques terroristas, 58 assassinatos dentre as vítimas 38 policiais. O medo apavorou a maior cidade do país por uma semana. Mais de uma centena de ônibus, Vans; veículos particulares foram incendiados. Metralharam fachadas de todas as delegacias de bairros… O governador Cláudio Lembo teve que (vergonhosamente) às escondidas, negociar com este bandido, para que os ataques fossem suspensos, aceitando imposição de nomes para dirigirem diversos presídios, e cadeias públicas.

Marcola, após a posse do Ministro Sergio Moro, enviou áudio a todos os grupos do whatsapp, convocando suas tropas para um enfrentamento, ameaçando desta feita, incendiar todo o país. Numa operação espetacular, Ministro Sérgio Moro o transferiu e prendeu 391 bandidos, que compunha seu exército fora das grades. Funcionou a tática do “elemento surpresa”. O temido Chefão do PCC jamais esperaria ser removido de São Paulo. Seus “infiltrados” em todos os setores do “Estado” e mundo empresarial falharam. Na grande mídia, apenas discreto registro.

            A bela cidade de Natal, capital do Rio Grande do Norte, foi alvo nas duas últimas semanas de uma operação que chamou atenção da Europa (em particular a Holanda). Apreenderam 4,2 toneladas de cocaína (pasta pura) camufladas em embalagens de melões. Claro que a maioria das pessoas não tem a menor ideia do tamanho do prejuízo causado aos grandes Cartéis e financiadores das drogas. Um quilo de “pasta pura” custa o equivalente a 20 mil reais na Bolívia e Colômbia. Quatro toneladas representam 160 milhões de reais, valores que são multiplicados por três, até a ponta final (consumidor). A apreensão no porto de Natal e a informação da rota náutica da fruticultura até Amsterdam oportunizou a polícia Holandesa apreender mais duas toneladas por lá. Esta ação culminou na quinta-feira (21.02.2019), porto de Amsterdam, uma das maiores operações das últimas décadas: 10 toneladas de pasta em um navio que passou em portos e águas brasileiras. Noticiário da grande mídia (Globo) não noticiou.

            Dia seguinte (22.02.2019) sexta-feira, decidimos passar o dia e a noite “plantado” frente à TV Globo News, esperando noticiarem o desmantelamento de uma das maiores gangs do país – totalmente desconhecida – onde foram presas 43 aeronaves que transportavam 400 toneladas (cada uma) de cocaína dia, usando os mais diversos planos de voos clandestinos. Estes supertraficantes não têm passagens pela polícia, são disfarçados de “empresários”, fazendeiros criadores de rebanhos bovinos; proprietários de postos de gasolina; frigoríficos… Um fato tão espantoso e extraordinário que o DEA – agencia especial de combate ao trafico dos Estados Unidos – enviou força tarefa para o Brasil, na intenção de descobrir as ramificações desta quadrilha com a droga que entra na América do Norte. A TV Globo News não notificou absolutamente nada. Esperamos até o Jornal das 10 (noite) e o assunto policial que abordaram foi sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (14.03.2018) com uma nova denuncia que envolve policiais militares, civis e até um delegado da PF. Sérgio Moro já tem causado prejuízos ao grande crime transnacional que representam bilhões de dólares. Registramos historicamente o fato, para que a memória coletiva do povo brasileiro enxergue que estamos no caminho da paz e segurança, fatos que a grande mídia boicota.

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QUAL É O PLANO  DO MINISTRO PAULO GUEDES?

            Nenhum ministro na história da república teve tanto poder, quanto o atual superministro da economia Paulo Guedes. Não se ousa questiona-lo em nada, pelo contrário, em seu próprio “meio” (economistas) existe um quadro de expectativas sobre suas decisões, que podem transformar em definitivo os rumos do país. Será que seu pescoço suporta o peso da coroa?

            Infelizmente nas últimas décadas, melhores quadros que surgidos no conceito do novo pensamento econômico (cabeças pensantes), quer seja no Brasil (FGV) nos Estados Unidos (Harvard) ou na Inglaterra (Oxford/Cambridge) demonstraram interesse exclusivo sobre a administração e expansão de “ativos financeiros” dos grandes fundos de investimentos, ou “mecanismos” que ampliem as garantias do entesouramento dos grandes bancos. Inexiste a concepção lógica: como criar a riqueza, sem o trabalho?

            Desde que assumiu o superministério da economia, Paulo Guedes ainda não moveu uma palha, para desmontar a política “monetarista” que mantém o Brasil “engessado” por quase quatro décadas. Imaginávamos que um de seus primeiros atos seria extinguir o famigerado COPOM, algo semelhante a um cassino com roletas viciadas, onde só quem ganha é a “casa”. O COPOM é a extensão da Banca do FED (tesouro dos Estados Unidos) privatizado, historia que já narramos em artigos anteriores. O alarmante aumento da desigualdade dos norte-americanos se deve ao FED, que impõe via Parlamento, política oposta a da China, hoje em franca expansão.

Será que o ministro Paulo Guedes irá continuar admitindo que o COPOM estabeleça taxa de juros (selic), remunerando uma dívida de origem duvidosa para o governo (nossa), definindo ainda percentual ínfimo de crescimento do PIB e inflação? Neste caso os cargos de Presidente, o Parlamento; e Ministérios são meramente (de direito) figurativos, pois quem nos governará “de fato” são “eles”. E o povão? Tem que continuar fazer sacrifícios para a economia não piorar? Isto é o mais cruel de todos os tipos de terrorismo. Mas, “levando de barriga”, os teóricos do “livre mercado” impõem sempre uma meta a ser cumprida. Caso seja alcançada, teremos investimentos externos. Isto jamais ocorrerá. Pelo que percebemos o ministro Paulo Guedes não é da escola “Keynesiana”, que provou ser indispensável à “intervenção do estado” no mercado, para recuperação da economia e pleno emprego. Método eficaz testado por duas vezes, e em momentos cruciais da história das nações.

Agendado para o final de março vindouro a retirada definitiva da Inglaterra da zona do euro, os “grandes fundos” – aqueles que aguardamos chegarem ao Brasil – quebraram a ilha Britânica. Em uma semana, transferiram 1,0 trilhões de libras para Bancos da zona do euro. Mais que metade do PIB do Brasil. Quem salvará a Inglaterra? Hjalmar Schacht, nomeado ministro da economia por Adolf Hitler, em quatro anos acabou o desemprego na Alemanha Nazista. O governo investiu o dinheiro que não tinha, através de emissão de títulos, que investiam em obras, gerando o emprego, consumo e a poupança interna. Funcionou. Franklin Delano Roosevelt, Presidente dos Estados Unidos, seguindo o exemplo da Alemanha, criou o “New Deal” a partir de 1933, acabando com a recessão (1937). O economista inglês John Maynard Keynes, observando os sucessos de Hjalmar Schacht e dos Estados Unidos publicou sua obra clássica “Teoria geral do emprego, do juro e da moeda”. Tratado que deu origem ao Plano Marshall posto em prática na Europa após a segunda guerra (contra os banqueiros), assegurando já 70 anos de paz e prosperidade no continente (zona do euro).

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O PREVISÍVEL BOLSONARO

            A recente crise do PSL produzida pela velha mídia (Estadão Folha Veja e Globo) teve como objetivo – mais uma vez – tentar encurralar o presidente Jair Bolsonaro. É impressionante a resistência desta gente, em não admitir que o país deva mudar. Diariamente nos noticiosos da TV Globo News, seus comentaristas políticos perseveram a questão da governabilidade, que segundo eles, só será possível se “negociar” com a “base parlamentar”, que procura ocupar espaços no governo (?). Caso o presidente Bolsonaro admita esta sugestão, terá despenho semelhante a seus antecessores, que levaram o Brasil a bancarrota. Na verdade quem está à procura deste “espaço” são os próprios comentaristas, escaldos por seus patrões, que não conseguem mais sobreviverem sem as tetas do estado.

            Este tipo de jornalismo – pago pelo governo – se iniciou (discretamente) na gestão do ex-presidente João Figueiredo. Seu antecessor, Ernesto Geisel nunca pagou nenhuma veiculação de matérias em jornais. O Rádio e a TV eram obrigados a divulgarem suas inserções gratuitamente, por serem concessões do governo federal. Até então, só as empresas estatais patrocinavam com anúncios institucionais, eventos e matérias especiais – a título de colaboração – sobre seus desempenhos. Ao assumir a presidência da república, José Sarney criou um Ministério com atribuições de elaborar e veicular a propaganda oficial do governo, paga. Desde então, a conta só fez crescer e não importa quem esteja no poder, se não gastar, será desgastado. Chantagem, extorsão e intimidação são “embrulhadas” para o leitor e telespectador, num formato de jornalismo independente. Batem e assopram, atendendo as duas pontas e salvando seus interesses. Collor de Melo sofreu um impeachment, tentando se livrar da extorsão, flagrado quando estava criando seu próprio sistema de comunicação.

            Ex-presidente Itamar Franco, teve que ceder – mesmo de forma tímida – aos glutões da mídia que se livraram de Collor de Melo. Só não gastou bem mais, graças ao escândalo dos anões do orçamento, episodio que deixou o parlamento desmoralizado e de joelhos. Concluiu sua gestão usando o orçamento ainda do ex-presidente Collor de Melo, acrescentando anualmente 10% como determina a lei. FHC estabeleceu quota anual fixada – após seu projeto de reeleição – em 1 bilhão de reais, dos quais 350 milhões para o sistema Globo. Lula, com a instalação da CPI do mensalão, perdeu totalmente o controle. Foi à era de ouro da mídia, fartura que jamais se repetirá na história do país. Centenas de bilhões de dólares. Quando o PT sugeriu criar um sistema de comunicações – copiando a ideia de Collor de Melo – o jornalista Franklin Martins (rede globo) exclamou: por que criar isto se já temos a globo, revistas e os jornais?

            Adágio popular insinua: “queres conhecer uma pessoa, ponha dinheiro ou poder em suas mãos”. A mudança é factível no comportamento, não na essência. Jair Bolsonaro deixou a “Caserna” pela política. Durante toda sua existência não fez outra coisa a não ser defender ferrenhamente o período dos governos Militares, enaltecendo a prosperidade alcançada pelo país, o anticomunismo e a inadmissibilidade de corrupção. Por que iria mudar agora? Quando ocorreu o atentado, o povo viu sua casa no Rio de Janeiro, localizada num condomínio de classe média baixa. Móveis simples dentro do padrão da classe trabalhadora. Seu estilo de vida? Café da manhã com pão francês e margarina. A residência de sua sogra, em Brasília, é localizada no contorno de uma das cidades satélites, semelhante a uma “casa de conjunto” de qualquer bairro periférico situado nos mais distantes grotões do país. Aos 64 anos, vindo do baixíssimo clero do parlamento, como ele mesmo confessou a TV Globo, nunca fez nada que contrariasse a legislação em benefício de si mesmo, porque agora faria para outrem? Se seu filho Flávio Bolsonaro for incriminado, ele jamais irá interferir e comprometer sua imagem para salvá-lo de punição cabível. Se o PSL estiver envolvido nesta “mutreta”, não será surpresa Jair Bolsonaro se desfiliar da legenda. Para estar presidente, não é necessário pertencer a uma sigla. Talvez seja a escolha ideal, para evitar o pede, pede dos deputados do PSL, que foram eleitos pegando carona no discurso da mudança de Bolsonaro, entretanto, querem manter os mesmos privilégios perdulários de seus antecessores megalômanos, que saíram, mas deixaram um “vírus do privilegio” alojado no corpo do velho Congresso Nacional.

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O SILÊNCIO DENUNCIA O CULPADO

Uma das principais características da marcante personalidade política do ex-governador Ricardo Coutinho foi seu instinto de defesa e reação: “bateu, levou”. Não deixava nenhuma crítica sem resposta, acusação sem severa repreensão, criando desconforto para todos os que o criticavam – não como pessoa – como homem público. Sua vitrine tinha blindagem contra estilingues. Raras vezes calou-se diante de fatos onde não dispunha de argumentos para defesa. Nestes casos (raríssimos) silenciava. Porém, atacava de forma indireta – via seus asseclas – desviando o “foco”, ignorando literalmente as evidências, suprimindo a informação investigativa antes que prosperasse. Nestes episódios encontravam sempre um “suspeito” – mesmo que inocente – para retaliar a titulo de exemplo, intimidando fontes que municiavam os “sniper”.

Arrostava e chamava para o desafio “peito aberto”, seus principais adversários não importando se fossem da mídia ou do parlamento. Despido de remorso, defenestrava correligionários, castigava seus mais “chagados” ou desprezava aqueles que não eram mais úteis aos seus ambiciosos projetos de poder. Utilizando de uma poderosa ferramenta belicosa argumentativa, transmitida através das cadeias de emissoras de rádio, TV; sites; Portais de Notícias e blogs – pagos com o erário público – Ricardo Coutinho com um discurso ameaçador, “desconstruiu” com desenvoltura todos os processos – ainda em formação – que buscassem união de oposições durante 14 anos. Sua tática era evitar o fortalecimento de movimentos que ameaçassem sua trajetória política sempre ascendente, que redobrava sua autoconfiança após resultados de cada pleito vencidos. Foram cinco vitórias consecutivas, quando disputou vaga pela conquista do poder executivo (municipal e estadual).

Onde se escondeu este gigante imbatível? Fugiu da luta após perder a “armadura” da caneta? Cadê seu grande exército de defensores? Como guerrilheiros indisciplinados, que ignoram os conceitos de formação das casernas, todos “bateram” em retirada, no formato silencioso da sublevação do “salve-se quem puder”. Boatos dão conta que Ricardo Coutinho está foragido, por ter obtido informação privilegiada que seria preso por obstrução de justiça. Sua liberdade – no momento – estaria atrapalhando as investigações, por coagir testemunhas; impedir instalação de uma CPI; instruindo a destruição de provas materiais incriminadoras oriundas do escabroso “esquema” de desvio e lavagem de dinheiro, corrupção e propinas, patrocinada pela Cruz Vermelha.

O silêncio de Ricardo Coutinho diante de tudo que já foi divulgado sobre a Cruz Vermelha, se constitui numa prova inequívoca de sua culpa. O MP e MPF sabem que toda OCRIM tem um líder. Ricardo Coutinho sempre foi um gestor egocêntrico, razões que a lógica questiona: como toda esta roubalheira aconteceu, e por tanto tempo, sem que ele tomasse conhecimento? Se estivesse ao dado da verdade imaculada, aos berros estaria na mídia denunciando perseguição política e a sanha de seus inimigos.

Em xeque, a saída honrosa de Ricardo é muito difícil. Escamotear a verdade não é o melhor caminho, ou a escolha ideal. Basta mirar-se no exemplo de seu líder maior Lula da Silva, ora sem previsão de deixar a cadeia – e mesmo que consiga uma liberdade condicional ou prisão domiciliar – as sentenças não mais o permitirão voltar à vida pública. Mais acusações ainda virão. Provavelmente com o tempo e por questões humanitárias (saúde, debilidade e demência) fique em um domicílio. Não deixará legado político, herdeiro ou seguidor de sua “seita”. Um triste fim para ele e “outros” que um dia confundiram o Brasil com Cuba.

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 PARLAMENTO PARAIBANO TEM O DEVER DE INSTALAR A CPI DA CRUZ VERMELHA

            Discordando da opinião do Jornalista Heron Cid – artigo postado hoje 07/02/2019 em seu Portal de Notícias – alegando “ineficácia” de uma CPI para apurar os estragos bilionários – danos irreparáveis – ao erário público de um estado pobre (?). Enfatizamos que segundo a Constituição, este é um dos principais papeis do parlamento: fiscalizar as contas do poder executivo. Principalmente neste caso, onde a Assembleia Legislativa já havia aprovado e considerado lícito os pagamentos, contratos e seus termos entre o governo do estado e a Cruz Vermelha. Para mostrar transparência e seriedade da Casa Epitácio Pessoa, seus membros têm o dever de mostrarem ao povo que o MPF está equivocado, ao acusar agora a Cruz Vermelha de praticar crime por lavagem de dinheiro, pagamento de propinas; uso ou desvios para atividades político/eleitoral… Calar-se diante de tudo isto? Onde ficará o respeito e prestígio do Poder Legislativo da Paraíba junto aos seus representados (eleitores)?

            Outro engano do nobre companheiro é sobre a incapacidade de produção de novas provas. Imaginemos que aquela cena, onde um cidadão grava em vídeo no momento em que paga uma propina de três mil reais a um diretor dos Correios e Telégrafos? O corrupto foi preso. Mas, uma CPI foi instalada para apurar o “fato”. No primeiro momento, “tangeram” o problema para o então senador Ney Suassuna, que de imediato respondeu que não se tratava de alguém indicado por ele, sim por Roberto Jefferson. A reação do líder do PTB foi “extemporânea” e fora dos padrões da “Casa” em se tratando de denuncia. Exigiu do então Ministro da Casa Civil José Dirceu que apagasse tudo, e o livrasse daquele episódio. A resistência de Dirceu levou Roberto Jefferson a denuncia-lo, fato que culminou em sua renúncia da Casa Civil, voltar ao parlamento como deputado e ter – com os desdobramentos da crise – a obrigação regimental da CPI de enfrentar Roberto Jefferson em uma acareação na CCJ. Foi aí que surgiu a ponta do iceberg da ladroagem do PT, hoje ainda longe de se chegar a sua base.

            Na acareação vista ao vivo por todo o país, Roberto Jefferson indagou de José Dirceu: O Sr. conhece o publicitário Marcos Valério? Dirceu empalideceu. Balbuciou qualquer coisa como “isto está fora do propósito… o tema aqui é outro…” Jefferson disparou: Marcos Valério é o responsável pelo grande esquema de roubalheira comandado por V. Excia no PT, desde as eleições (2002). A CPI dos Correios desaguou na CPI do mensalão onde foram presos até o presidente da Câmara dos Deputados o “insuspeito” João Paulo e sua esposa. Diretores do Banco Rural, empreiteiros como diretores da Camargo Correia; dezenas de deputados renunciaram e outros, após o julgamento foram parar na cadeia, como Pedro Correia que ainda está em prisão domiciliar. A Polícia nem o MPF jamais chegariam aos “Comandantes em Chefe” da corrupção da época, se encerrasse o caso com a prisão do diretor dos Correios.

            A crise política incendiou o Congresso Nacional. Surgimentos de outros fatos macabros – fruto de denuncias dos investigados nas CPI dos Correios e Mensalão – levou a instalação de uma terceira CPI, a dos Bingos, que de saída provocou a renuncia do ex-ministro Antônio Palocci. Mais renúncias de parlamentares, prisões de funcionários do alto escalão do governo, e quase se chegou à convocação dos filhos do ex-presidente Lula. Infelizmente naquela época faltava um Sérgio Moro, e sobrava um Márcio Tomaz Bastos, maior protetor de corruptos e bandidos da república. A ideia foi do ex-ministro, em desviar todo o “foco” para Carlinhos Cachoeira. Por sua vez, renunciou o Ministério, e mostrou na TV sua verdadeira face, ao acompanhar um bandito líder de OCRIM e defendê-lo numa CPI numa sessão transmitida ao vivo pela TV Senado. O presidente da CPI, então Senador Vital Filho (PMDB-PB), “adoeceu” e teve que ser hospitalizado em São Paulo. Sua inesperada “enfermidade” ocasionou uma trégua, seguida do arquivamento do processo.

            A CPI da Cruz Vermelha mostrará se procede ou não – segundo estimativas – rastros de doações oriundas das propinas, nos fundos de campanhas de pelo menos 17 dos atuais 34 deputados estaduais da Paraíba. Isto não deve ser passado a limpo? Depoimentos de inúmeros “pombos correios” aqueles considerados como “raia miúda”, pode nos revelar grandes segredos sobre o pleito de 2014 e 2018.

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TELHADO DE VIDRO

            O forte e convincente discurso do ex-governador Ricardo Coutinho, que nos últimos 14 anos se autoproclamou como o novo “paladino” da moral, ética; austeridade e “zeloso guardador” do erário público da Paraíba começaram a desmoronar desde o último domingo (03.02.2019) quando a TV Globo, no programa “Fantástico” prenunciou que o mar de lamas de Brumadinho poderia alcançar o Rio Paraíba, e soterrar o Palácio da Redenção, onde se hospeda o governador João Azevedo e sua gestão de apenas 33 dias.

A prisão do servidor público Leandro Nunes de Azevedo ligado diretamente a Secretária Livânia Farias levou o governador a exonerá-lo prontamente. Secretários Waldson de Souza e Livânia de Farias, que integram o primeiro escalão da atual gestão nas funções de Secretário de Planejamento e Administração respectivamente, tiveram busca e apreensão de pertences em seus locais de trabalho e residência. Até hoje ainda não vimos um único caso que se inicie com “buscas e apreensões”, para não culminar em prisões. Governador João Azevedo deveria ter imediatamente afastado os dois secretários envolvidos, até que as investigações comprovassem engano ou os inocentassem. Tomasse a mesma atitude que o levou a decretar intervenção nos Hospitais de Traumas de Campina Grande e João Pessoa. Busca e apreensão tem um objetivo meramente “protocolar” para encontrar “rastros” e confrontar com o material que a Polícia já tem em mãos.

Aturdido com estrondo, sem tempo para raciocinar sobre seus efeitos, João Azevedo divulgou nota a imprensa qualificando a matéria como sensacionalista e elogiando o bom desempenho da Cruz Vermelha, segundo o MP e PF, uma OCRIM. Faltou alguém para recomendar prudência ao governador, evitando que indiretamente ele venha ser envolvido pelo episódio.

A vitória de João Azevedo (2018) – jamais prevista para primeiro turno pelos cuidadosos decanos da mídia paraibana que escrevem a crônica política do quotidiano – foi um fato inusitado, sempre atribuído ao ex-governador e não ao candidato, o que é um erro grosseiro. As preferências do ex-governador Ricardo Coutinho eram Buba Germano e Cida Ramos. Três pesquisas, em épocas distintas e na proximidade das convenções, exibiram João Azevedo como o melhor nome e bem a frente dos outros  dois. Os paraibanos começaram a enxergá-lo como um homem sério, sem envolvimento com denuncias de corrupção; hábitos familiar e cristão; conservador, pré-requisitos indispensáveis (pode ser modismo) em nível nacional, para todos os postulantes das eleições gerais de outubro de 2018.

Em suas primeiras entrevistas após o pleito, João Azevedo agradeceu sempre o empenho do ex-governador que o apoiou e destacava – como o fez repetida vezes na campanha – que sua gestão seria de “continuidade”. O que politicamente não significa o mesmo que “continuísmo”. A continuidade que o João Azevedo se referia, era a do projeto de governo, em obras, serviços e ações. Jamais disse que seu desempenho e equipe teriam as mesmas “digitais” (continuístas) de Ricardo Coutinho.

Em apenas 30 dias como governador, João Azevedo se depara com dois grandes problemas: o ato de rebeldia da Assembleia Legislativa e a surpresa do escândalo da Cruz Vermelha. Processo constantemente denunciado pela oposição, Tribunal de Contas do Estado e MP. Mas, seu antecessor levava todos no “grito”. A mídia acovardada, se autoamordaçou em defesa de suas vísceras, silenciava e a Ricardo Coutinho que usava a superada tática: “melhor defesa é o ataque”. Com este gesto, esqueceram o Jampa Digital, seu irmão Coriolano & Cia; Urquizas… Ricardo com todo seu telhado de vidro ainda teve a ousadia de jogar pedras nos vizinhos.

Entretanto, cabe agora ao governador João Azevedo, medidas urgentes, já que ele teve a sorte de “ouvir a sirene” que não funcionou em Brumadinho, e evitar ser “engolfado” por um grande mar de lama. “Ao Rei tudo, menos a honra”. Frase do saudoso deputado federal Djalma Marinho (RN) líder do governo Costa e Silva que pedia (1968) autorização a Câmara dos Deputados para processar o deputado federal Jornalista Marcio Moreira Alves. O governo foi derrotado com o voto de seu líder. A revanche foi o AI-5 que cassou muitos, só não Djalma Marinho, por sua honestidade, seriedade e sinceridade.

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PLANOS DE PAULO GUEDES: ELE COMBINOU COM O COPOM?

            Presidente Jair Bolsonaro promete: “Brasil acima de tudo, Deus acima de todos”, só não do COPOM – Comitê de Política Monetária, cujos poderes se estendem muito além do divino. O esperado do novo governo – como primeira medida – era um decreto extinguindo o COPOM – que não tem amparo Constitucional, iniciativa que fortaleceria o programa do Ministro Paulo Guedes. Presidente Jair Bolsonaro, apesar de 20 anos no parlamento, provavelmente não tenha a menor noção de como “opera” este criminoso mecanismo criado por FHC, por uma simples circular em 1996 modificada em 1987.

            Nunca ouvimos ou tomamos conhecimento de registros na mídia sobre como funciona a “engrenagem” do COPOM. Alguém sabe o nome de seus membros? Quando começa e terminam seus mandatos? Do parlamento (Câmara e Senado) jamais se viu sequer um pronunciamento a respeito desta organização “sabotadora” da economia do país. Já se criou todo tipo de CPI no Congresso, porém, jamais uma para investigar o COPOM. Será que todos são absolutamente ignorantes, ou in