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Júnior Gurgel

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Jornalista político e memorialista

VOLTA DE NEY SUASSUNA AO CENÁRIO POLÍTICA PROVOCARÁ MUDANÇAS NO RESULTADO DAS ELEIÇÕES PARAIBANA

            Ao aceitar ser o primeiro suplente do candidato ao Senado Veneziano Vital do Rego, Ney Suassuna criou um quadro de expectativa inimaginável nas três chapas que disputam o governo do estado. Jamais esperavam uma reviravolta desta dimensão numa reta final de campanha. O gesto já assegura a vitória do ex-cabeludo em 07 de outubro próximo, com amplas possibilidades de conquistar o primeiro lugar, deixando o tucano Cássio Cunha Lima na segunda posição, envolto em preocupações, temendo um avanço de Veneziano sobre seu segundo voto – capitaneado por Ney – e um crescimento de Luís Couto com “reforço” extra de Ricardo Coutinho, capaz de levá-lo a derrota.

            O mistério desta decisão se assemelha a um gol repentino originado numa cobrança de um “tiro de meta” no último minuto da prorrogação (fazendo uma analogia ao futebol) com o goleiro sendo coberto, fora da sua grande área. Estes fatos só serão conhecidos bem depois das eleições. Todavia, ao que parece, Ney recomeçou nos moldes de 1990, quando foi eleito primeiro suplente de Antônio Mariz, que renunciou em 1994, quando venceu as eleições na Paraíba e governou o estado por apenas oito meses. Ocupando a vaga de Antônio Mariz no Senado, Ney foi reeleito em 1998, derrotando o ex-governador Tarcísio de Miranda Buriti, com apoio de José Maranhão e a “ajuda” dos Cunha Lima, que marcaram o voto (206.006) na vereadora Campinense do PT, ex-prefeita Cozete Barboza. Historia que já relatamos.

            Desde sua traumática derrota em 2006, Ney Suassuna se afastou da política. Foi convidado a retornar, por todos os lados e legendas da Paraíba e do Rio de Janeiro, onde concentra seus negócios, e continua repeitado como grande empresário. Estava praticamente  morando em Miami (USA). De repente, aceita ser vice de Veneziano? Antes se negou em compor uma chapa como titular e não suplente, ao lado dos Cunha Lima, de Ricardo Coutinho ou de José Maranhão.

A importância de Ney como suplente de Veneziano, se avultará pelo conhecimento e credibilidade. Ney quando esteve no Senado destinou emendas para todos os municípios da Paraíba, ocasião em que foi líder do então PMDB. Conhece todos os atuais – ou ex-prefeitos do estado – vereadores; deputados estaduais e federais, com os quais sempre cumpriu tudo que prometeu. Como Ministro da Integração Nacional, viabilizou recursos para a obra da adutora de Patos-Pb e região do sabugy, trazendo água do sistema Coremas/Mãe d’água. Foi o patrono da verba para construção de Acauã, e iniciou o primeiro trecho da transposição das águas do Rio São Francisco. Veneziano Vital do Rego conseguiu  a duras penas, se viabilizar como segunda opção para o Senado – até o momento – mas, “com um olho no peixe outro no gato”. Temia manobras das velhas raposas da política: ir dormir eleito e acordar derrotado. Amparado por Ney, agora pode “relaxar”, e abandonar a desconfortável posição de “marcação cerrada” como vigilante vinte e quatro horas por dia, dos passos de seus companheiros de jornada da “majoritária”. Estava absolutamente certo. Afinal, quem trai são amigos.

            O que deixa todos curiosos é como se comportará o “irrequieto” Ney, na disputa pelo governo do estado. Irá apenas buscar o seu voto (Veneziano) ou se incorporará a campanha de João Azevedo? É bom lembrar que foi Ney quem lançou e apoiou Veneziano para derrotar os Cunha Lima (eleições municipais de 2004), e garantiu a “estrutura” para Ricardo Coutinho se eleger no mesmo ano Prefeito de João Pessoa.

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O BADALO E A HORA DA MISSA

            No pleito de 1994, estávamos no RN, exercendo as funções de Prefeito Municipal de nossa terra natal. Meados de setembro – como agora – começavam as pressões dos liderados sobre as lideranças, em busca de “meios” para concluírem seu trabalho de dois meses de andanças, na busca de votos. A meta de um Prefeito é eleger como mais votado em seu município, o governador, senadores; deputado Federal e Estadual. Para  presidente (na época FHC x Lula) já não se “brigava” mais pelo voto.

            O saudoso vereador José Barbosa – analfabeto que apenas assinava o nome – era um gênio em matéria de política corpo a corpo. Líder de um distrito (zona rural) onde conhecia todos, e suas manhas. Começou a nos pressionar, alegando que tinha uns pedidos para atender. Coisa pouca, besteiras… Mas, se não fossem atendidos… Indaguei se era material de construção (comum naquele período este tipo de solicitação). Não, respondeu o vereador. Trabalho com “material maneiro”… (dinheiro) para não chamar a atenção. Quis me aborrecer e comecei a argumentar: construí o maior açude do município lá. Posto de saúde; poços; pavimentação da área urbana; luz em toda a região… E o povo ainda quer dinheiro? Calmo ele respondeu: eu sei que o senhor fez tudo isso. O senhor pegou o chão limpo e começou fazendo a sapata. Levantou as paredes, fez a igreja; botou o piso, botou os bancos; fez o altar e botou os santos. Colocou até o sino… Mas, sem o “badalo” para bater, ninguém sabe a hora da missa.

            Para o governador Ricardo Coutinho, Prefeitos Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo, chegou a hora de bater o “badalo” e fazer as primeiras chamadas da missa. Restam só 19 dias. A oposição – voto dos insatisfeitos que buscam mudanças – quem vem conquistando é o Senador José Maranhão, por não dispor de “máquina” administrativa. O voto “chapa branca” ( Prefeitos e portadores de mandatos) são caros. Eles geralmente cumprem o prometido. Desde que haja disponibilidade do “material maneiro”. As obras e ações de governo, garantem apenas o “direito de preferência”.

            Desconhecemos a capacidade financeira da PMJP, e o arrojo do Prefeito Luciano Cartaxo, que pode até surpreender nesta reta final de campanha. Entretanto, em Campina Grande, Romero Rodrigues já esticou a “liga” no seu limite. Se puxar mais um pouco, ela se parte. Médicos e funcionários da PMCG estão reclamando salários atrasados. Ele terá coragem de comprometer sua boa gestão? Em 2019, pelo que se desenha no horizonte,  não será apenas um ano de mudança de governo no plano central. Ocorrerá uma completa transformação no país. Enxugamento da máquina pública, revelação de escândalos sobre gastos das gestões anteriores; contingenciamento do OGU; quebra-pau gigante entre Congresso e o novo presidente, que seja lá quem for, não permitirá mais excrescências como o “centrão” e outras mazelas (burocracia) que sempre funcionaram em conluio com parlamento. Um ano em que Romero Rodrigues não poderá acrescentar mais nada ao que já fez. No máximo, concluir. E, ano seguinte (2020) é sua despedida. A travessia de 2019 será difícil, talvez o seu maior desafio seja chegar “inteiro” na disputa pela sua sucessão, com capacidade de elegê-lo.

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INSTITUTO GALLUP E O DATAFOLHA

Algo de errado e muito grave vinha ocorrendo com o Instituto DATAFOLHA, desde as eleições presidenciais de 2010. É indisfarçável o “pacto de sangue” entre  o Instituto e Jornal da família “Frias”, com a poderosa Rede Globo de Televisão, no fraudulento processo de manipulação das massas em períodos eleitorais. A Rede Globo opera o “clima” nas campanhas, através da manobra “freezer/micro-ondas, usados nos candidatos. O datafolha pulveriza os efeitos da militância midiática da emissora – que ainda lidera em audiência no país – divulgando pesquisas favoráveis aos seus “escolhidos” e “desconstruindo” os adversários.

 Antes do Datafolha, IBOPE participou deste conluio. Mas, aos poucos foi saindo deste artifício delinquente, e hoje busca recuperar sua credibilidade, como o fez o Instituto Gallup, que por mais de uma década, era o preferido pela Rede Globo – não para fazer “maracutaias” – mas constatar com precisão científica os resultados inquestionáveis de suas sondagens. Instituto Gallup, empresa norte-americana fundada em 1930 pelo Estatístico George Gallup, hoje atua em 163 países do planeta – inclusive no Brasil – mas, em terras tupiniquins, ausente da política desde 1985. Os motivos? As primeiras eleições para Prefeitos das Capitais e cidades consideradas como áreas de segurança nacional no ano de 1985. O Gallup acertou em todas as cidades e capitais. Exceto em Fortaleza, Capital do Ceará. O Estado comandado por décadas pelos três Coronéis – Virgilio Távora, Adauto Bezerra e César Cals – quebraram a regra do “revezamento do poder” – e estavam dividido no pleito.  Paes de Andrade e Lúcio Alcântara, polarizaram a disputa. A terceira via, mito distante era a petista Maria Luiza Fontenelle, segundo o Gallup, sem a menor chance de vencer. Nesta época, ainda não existia o segundo turno. O modelo era os mesmos dos dias atuais As concessionárias da Globo contratavam as pesquisas. E quem fazia o trabalho de campo – coleta de dados – eram estudantes universitários, orientados e treinados para a tarefa. A Globo do Ceará – TV Verdes Mares – estava nas mãos do grupo Edson Queiroz, sogro de Tasso Jereissati que não escondia sua intenção de derrotar os Coronéis, abrindo espaços para si mesmo.

Empate técnico até na última pesquisa – “boca de urna” – entre Paes de Andrade e Lúcio Alcântara. Após apuração, venceu Maria Luiza Fontenelle do PT. Segundo dados de pesquisas anteriores, a candidata nunca figurou com chances vitoria em nenhuma das consultas feitas ao longo da campanha. Maria Luiza 159.846, Paes de Andrade 148.437 e Lúcio Alcântara 121.326. A primeira vitória do PT em uma Capital. O Instituto Gallup distribuiu nota através da imprensa, se comprometendo realizar uma auditoria para verificar onde havia errado. Uma equipe de auditores veio dos Estados Unidos. Um ano depois, o Gallup rompeu com a Globo. Justificando a fraude, a TV Verdes Mares alegou que a “surpresa” estava no eleitorado feminino, superior ao masculino (?). Sempre foi maior em todo o país. Na verdade, a manipulação foram nos dados colhidos pelos contratados diretos pela TV Verdes Mares, sem interferência ou seleção feita pelo próprio Gallup.

            Na última pesquisa presidencial (eleições deste ano 2018) não tendo mais como esconder a maioria de Jair Bolsonaro, o Datafolha em 14.09.2018 resolveu contemplá-lo com mais um crescimento atingindo 26%. Estranho… Na amostragem realizada quatro dias depois do atentado, Bolsonaro cresceu apenas 2%. O Instituto alegou que a “comoção” não influenciou no eleitorado, como todos esperavam. E ressaltou que no segundo turno, o candidato do PSL seria derrotado por qualquer outro concorrente (?) Segundo turno é outra campanha, absolutamente distinta da primeira, a partir do tempo de rádio e TV que serão iguais para os dois postulantes. Se Bolsonaro cresceu com 15 segundos, imagine com 10 minutos? Como o Datafolha antevia uma derrota, sabendo que uma única frase mal colocada em um debate, arruína um candidato no segundo turno? Porém, recuou na última sexta-feira, e afirmou que apenas Ciro Gomes poderia vencer Bolsonaro no segundo turno (?).

            O IBOPE, dia seguinte (12.09.2018) anunciou números diferentes. Bolsonaro crescendo mais, e com 26%, mesmo resultado dia do datafolha (14.09.2018). Empatando tecnicamente no segundo turno com todos os concorrentes. Até o Banco BTG Pactual apoiador de João Amoedo candidato do NOVO, divulgou pesquisa reconhecendo Bolsonaro com 30% das intenções de votos. XP Investimentos, confere o mesmo percentual. Na amostragem do IBOPE, sobre o voto espontâneo, quando o entrevistador pergunta diretamente: O Sr. já tem candidato para Presidente da República? Quem é? (sem mostrar a relação ou disco) Bolsonaro aparece com 23%. E, curiosamente Lula caiu de 15% para 8% (no IBOPE). De fato, Lula não é mais candidato. Porém, o povo mesmo assim se manifesta. Ciro Gomes 5%; Geraldo Alckmin 4%; Haddad 3%; Marina 3%; Amoedo e Meireles 1%. O voto espontâneo é cristalizado. Praticamente sem chances de mudanças.

            Ainda na fatídica sexta-feira 14.09.2018 – dia que o datafolha começou a se redimir de seus erros, na entrevista do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Ferraz, cobraram de Fernando Haddad – em nome do PT – uma “mea culpa” pela corrupção institucionalizada e operada de forma sistêmica desde 2003 até 2015. A recusa de Haddad irritou os entrevistadores, e o atrito foi inevitável. Haddad tornou público denuncia de crime da rede globo, sobre sonegação fiscal, junto a Receita Federal. Pode ter atirado no pé. Nesta mesma noite, a Globo News o aguardava para outra entrevista. Ele não apareceu. A cadeira foi mostrada vazia. PT rompido com a Globo não é nada bom. Lula já não “garante” mais. E critica abertamente a Globo. Franklin Martins, intermediário da reeleição de Lula e da eleição de Dilma, foi defenestrado pela ex-presidente nos primeiros meses de sua gestão em 2011. Em quem a Globo confiará no PT?

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ÁLVARO NETO: UM CANDIDATO FICHA LIMPA

            Observando o guia eleitoral, ainda não vi – mesmo em forma de recado telegráfico – a participação do candidato a deputado federal Álvaro Neto.  Observei a veiculação de mensagens de muitos que estão, ou estiveram envolvidos em denúncias de corrupção e malversação do erário público, quando passaram pelo poder executivo mesmo que temporariamente. Por que o amigo “Alvinho” ainda não apareceu na “telinha”? É boicote do seu partido? Ou a coligação está sabotando sua campanha?

 Ao destacarmos Álvaro Neto como candidato “ficha limpa”, não o fazemos por ouvir dizer, ou para agradar um velho amigo de juventude, que conhecemos antes de seu primeiro mandato como vereador de Campina Grande. Mas, por ter presenciado uma cena e ação, digna de registro histórico, que ainda permanece viva em nossa memória.

Ex-presidente Lula assumiu o comando da nação no primeiro dia de 2003. Mesmo sem pertencer aos quadros do PT, Álvaro Neto (PFL) segundo suplente de Deputado Federal, foi indicado para Transpetro – maior subsidiária da Petrobras – escolhido como Diretor Administrativo e Financeiro. Por suas mãos, passaram bilhões de dólares entre 2003 a 2006.

Neste período estávamos em Brasília. E comumente frequentávamos no final da tarde – para tomar um cafezinho e revê amigos da Paraíba – o gabinete do Senador Ney Suassuna. Uma “Romaria” de Prefeitos, Deputados Estaduais, Vereadores… E muitos empresários. Numa destas tardes, conhecemos um grande empresário de Minas Gerais, “ciceroneado” pelo saudoso Aladim Cordeiro, que vinha alguns dias procurando uma “conversa particular” com Ney Suassuna, o que era impossível. Ney conversava com todos, na presença de todos. O empresário indagou-me se eu era da Paraíba, e se conhecia Álvaro Neto. Respondi que além de conhecê-lo, era seu amigo. Minha resposta despertou imediatamente o interesse do cidadão, que me pediu para falar com “Alvinho”, e marcar um encontro com ele. Santinha, secretária de Ney, fez a ligação, e o que mais impressionou o empresário foi o pronto atendimento de Álvaro Neto. O empresário imediatamente convidou-me para ir ao Rio no dia seguinte e acompanha-lo até a Transpetro, para ele conversar com Álvaro Neto. Viajamos dois dias depois, pela manhã, eu com passagem de volta comprada para o mesmo dia. No Rio fomos a Transpetro. Era mais fácil entrar no Palácio do Planalto que na Estatal. Muita complicação, e até foto tiravam do visitante, antes de adentrar no andar onde ficava a Diretoria de Álvaro Neto. O empresário expôs seu problema, que datava de um mês antes de Lula assumir, portando, apagar das luzes do governo FHC. Álvaro pediu o número do protocolo e ficou de verificar. Como se aproximava a hora do almoço, Álvaro Neto nos convidou para almoçar. No restaurante veio à surpresa. Uma fatura de 160 milhões de reais, encalhada desde novembro de 2002. Friamente o empresário falou: “Dr. Libere a fatura, que 5% fica como ajuda para seu partido ou sua próxima campanha”. Álvaro empalideceu. Mudou o assunto, pediu a conta e disse que estava atrasado para outro compromisso. Saímos calados. Fui para o Aeroporto e retornei a Brasília. À noite Álvaro me ligou e pediu: “nunca mais me leve alguém daquele tipo para almoçarmos”. Cerca de dois meses depois, no mesmo gabinete de Ney reencontramos o empresário. Ele pilheriou: “o teu amigo santo não quis minha ajuda… Bati noutra porta, lá mesmo na Transpetro, e foi resolvido. Quem perdeu foi ele”.

Após o pleito de 2006 – Álvaro Neto deixou a Transpetro para tentar voltar a Casa Epitácio Pessoa como Deputado Estadual – obtendo pouco mais de 19 mil votos, que não foram suficientes para ser eleito. Encontramos Carlinhos Moscoso na Praça da Bandeira, que estava a procura de alguém para comprar a residência de Álvaro Neto no bairro do Catolé. Motivo da venda: pagar custos da campanha que foi derrotado. Narramos o que acima escrevemos a Carlinhos. Ele, sempre mantém sua boca aberta. Desta vez, a baba caiu. Ainda existem homens honestos na vida pública. Resta ao eleitor enxergá-los.

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A HORA DO DINHEIRO

            Candidatos ao parlamento – e governo dos estados – começaram a experimentar pela primeira vez, os efeitos da nova legislação eleitoral que acabou com doações de empresas as campanhas, e criou o financiamento público, limitando a gastança, em 1.716.209.431,00, Valores que serão divididos entre 31 partidos (exceto PSL de Bolsonaro que não aceitou) para cobrirem os gastos de todos os seus postulantes de presidente da república a deputado estadual. Na visão do eleitor desinformado ou ignorante, esta campanha é aguardada como a descoberta de uma nova “serra pelada” (corrida do ouro) com todos os candidatos com muito dinheiro. O valor do sufrágio será hiperinflacionado. Se baixarem a “per capita”, será pior. Receberão de todos, e no dia votarão num mero desconhecido.

            Os desassossegos aqui na Paraíba já começaram. Deputado Estadual Ricardo Barbosa deu um chute no “pau da barraca”. Foi enfático no seu pronunciamento, acusando o governo do estado de constranger (chantagear) o servidor público, exigindo seu voto de forma escravocrata. Onde está o Ministério Público Eleitoral? Não vai investigar e instaurar procedimentos cabíveis? Uma denuncia deste tipo é muito grave. Fere a democracia e macula duas cláusulas pétreas da nossa Constituição Cidadã: voto secreto direto, universal e direito e garantias individuais. A “lona” do PSB quase cai por cima de muitos. Ameaça durou poucas horas. Atendido, o deputado tergiversou, e deu uma desculpa “esfarrapada”. Resta saber se o sinal amarelo não acendeu no MPE.

            Enquanto o Palácio da Redenção se mobilizava para silenciar Ricardo Barbosa, em Campina Grande, a “espinha dorsal” da base aliada do Prefeito Romero Rodrigues se insurgia e declarava apoio (segundo voto) ao candidato ao Senado de José Maranhão, ex-governador Roberto Paulino. O$ motivo$? O$ me$mos de Ricardo Barbosa. Afinal, Daniella é deputada estadual, candidata ao Senado pelo PP por imposição de seu irmão, Aguinaldo Ribeiro – líder do governo na Câmara dos Deputados e ex-ministro das cidades – e ainda conta com apoio de seu pai, vice-prefeito de Campina Grande.  Não tem dinheiro? É brincadeira… Não adianta Cássio pedir ou Romero implorar. Aguinaldo Ribeiro – que dá aulas de “sabedoria” a Raimundo Lira – lançou Daniella como “caronista” de Cássio. Para o eleitor e as lideranças, o “carona” é suplente, não candidato. Quem impediu duas tentativas de impeachment do Presidente Michel Temer, tem as chaves do tesouro da república. Mais uma vez, a enganada foi Daniella, que reviverá o pesadelo de 2012. Ainda existe tempo de reverter o quadro, basta Daniella oferecer redutos ao senador Cássio Cunha Lima, como segundo voto. Do contrário, quem dispõe deste “estoque” é Roberto Paulino.

            Quem está no poder – na ótica do eleitor que ao longo do tempo mudou de corrompido para corruptor – pode tudo e tem dinheiro. Política é negócio para milionários. Ideologias? Ficaram nos anos 70 do século passado. Nas eleições de 2010, o governador José Maranhão – candidato a reeleição – subestimou não seu adversário Ricardo Coutinho, mas, a esperteza e sagacidade do eleitor, que mandou o recado através de suas lideranças: de graça, votavam em Ricardo Coutinho. Aconteceu no primeiro turno. Ricardo Coutinho saiu na frente de José Maranhão com 942.121 votos. Com a “caneta na mão”, o então governador ficou atrás: 933.754, diferença de 8.367. Votos nulos e brancos foi vingança: 237.306 e 101.032 respectivamente. Total de eleitores em 03/10/2010: 2.720.265, abstenção de 506.000 votos.

            De posse do mapa que contabilizava as baixas da primeira batalha, governador José Maranhão não pôde, ou não dispôs de meio$ para recrutar mais reservas para seu exército enfrentar o inimigo no segundo combate. Os estragos foram maiores e bem catastróficos. Ricardo Coutinho 1.079.164, José Maranhão 930.331. Diferença pró Ricardo 148.833 votos. Sufrágios nulos despencaram de 237.306 para 141.228. Os brancos de 101.032 desceram para 48.703.

Ricardo Coutinho em 2018 repete José Maranhão de 2010. A campanha de João Azevedo estagnou e tende a cair. Se ele não abrir a algibeira, “de graça” o povo aproveita o ensejo para “agradecer” José Maranhão por suas três gestões exitosas na Paraíba, trazendo-o de volta ao Palácio da Redenção. Em tempo: Lucélio não tem mais como “arrancar” nada da PMJP e Romero Rodrigues já foi além do seu limite. O MPE está de olho na PMCG, PMJP e Governo do Estado. Se não fizeram reservas em tempo hábil, agora é tarde demais. O registro dos fatos acima, se inspira em “denuncias”, não em “apologia” ao continuísmo de crimes eleitorais praticados por décadas, desconhecidos ou ignorados pela Justiça Eleitoral Brasileira.

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CHAPA PARLAMENTAR DOS “TUCANOS” COLA NA

CAMPANHA DE ZÉ MARANHÃO NA ARRANCADA FINAL

A

Para os céticos que subestimavam o crescimento constante – agora em ritmo acelerado – da candidatura do ex-governador José Maranhão, as fotos comprovam os fatos. Na última quarta-feira (29/08/2018) ao lado do Jornalista Josué Cardoso, testemunhamos a inauguração do comitê de José Maranhão em Campina Grande. Observamos um apoio suprapartidário de inúmeros formadores de opinião da cidade, prestigiando o evento e aplaudindo com entusiasmo o discurso do “mestre de obras”. Avistamos as cores do PSDB, PSB; lideranças que têm ligações com Cunha Lima, Rego e Ribeiro “avermelhadas”. A presença e o entusiasmo do “marqueteiro” Décio Alcântara – segundo o amigo e escriba Jornalista Marcos Marinho – defenestrado das hostes socialistas. Giordano Nóbrega – irmão de Ana Cláudia, esposa de Veneziano Vital do Rego, candidata a deputada federal – se destacava entre os presentes. Amigo e Jornalista Basílio Carneiro (PT) comentava ao nosso lado a fidelidade de Maranhão a sua legenda nos momentos mais cruciais: eleição e reeleição de Lula.

            Constatamos que não precisa mais explicar – ou duvidar – da posição de primeiro lugar, conquistada por José Maranhão, na recente pesquisa de intenção de votos realizada em Campina Grande. Com um discurso inovador, totalmente diferente de todos das pregressas campanhas, José Maranhão usou de uma linguagem republicana “construtiva”, não se referindo particularmente a nenhum dos “Caciques” que comandam as postulações adversárias. Pelo contrário, destacou que aquilo que existe de bom, e está funcionando na Paraíba – obras, serviços e ações de outras gestões – não só serão mantidas, mais ampliadas. Na sua alocução de caráter estadista, mostrou que radicalismo de outrora, ficou realmente no passado. Desprezando as “picuinhas” paroquianas, enfatizou que na dinâmica da política, adversários de hoje podem ser correligionários de amanhã, e vice-versa.  Prometeu levar o “Estado” (em seu governo, caso seja vitorioso), onde sua ausência é cobrada: segurança pública, saúde; garantia hídrica, não só para o que abastecimento humano e animal, mas também como suporte para alavancar o emprego e renda permanente.

            Se Tovar Cunha Lima estava no palanque de José Maranhão em Piancó – ao lado do Prefeito – deixa a nítida impressão da sua preocupação em não perder votos, num dos seus principais redutos no Vale. Na cidade de Patos, outdoor com Cássio e José Maranhão, mostra que o segundo voto de Roberto Paulino indiscutivelmente irá para o tucano. É a repetição de “Lula lá Cássio Cá” (2002/2006), atraindo fatia importante do PT da época, como a Prefeita Cozete Barbosa (2002) e o saudoso Júlio Rafael em João Pessoa (2002/2006). As eleições parlamentares se encerram no dia 07/10/2018. Para o governo do estado, dos três candidatos, dois terão uma segunda chance em 29/10/2018. Isto se ocorrer uma reação expressiva nas campanhas do PV/PSDB (encolhendo) e no representante de Ricardo Coutinho (João Azevedo) estagnado, “pastorando” apenas o “capital político” adquirido até o momento. Fatos novos, só na campanha de José Maranhão. Quando será que o vice-prefeito Enivaldo Ribeiro irá procurar José Maranhão e postar outdoor de Daniella ao lado de Maranhão? Cássio saiu na frente no sertão. Será que Enivaldo vai deixar passar esta oportunidade na Rainha da Borborema?

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TIÃO GOMES ABRIU A PORTEIRA

            A decisão do deputado estadual Tião Gomes em declarar seu voto para o senado federal, justificando motivos, abriu a porteira para a base aliada de o governador Ricardo Coutinho deixar o “curral” onde se encontravam presos pela legenda. Ficou nítida a sabotagem orquestrada contra o candidato Veneziano Vital do Rego, com certeza apoiada pelo Palácio da Redenção. Alguém acha que Arthur Filho, por exemplo, votaria em Veneziano Vital do Rego?

            Só os “neófitos” em política, não perceberem que a chapa do MDB com um único candidato ao Senado, foi uma das ideias mais genais da campanha de 2018, como “válvula de escape”. Atrai descontentes das demais postulações, constrói pontes para um eventual segundo turno, e conta com a fidelidade partidária dos eleitores de José Maranhão.

Qualificando como “dois homens de vergonha” – Luís Couto e Roberto Paulino, o polêmico Tião Gomes – apesar de seu perfil rebelde – não consegue enganar aos que enxergam um pouco mais longe, a inspiração “Maquiavélica” de Ricardo Coutinho por trás de sua decisão. Se Ricardo Coutinho eleger Veneziano, escolheu antecipadatodos os momentos, foi Luís Couto. Inclusive agora (2018) abdicando da reeleição certa para a Câmara dos Deputados. O passado de Veneziano – no tocante a fidelidade – não é nada recomendável. Votou pelo impeachment de Dilma, e estava ao lado de Fernando Haddad e Luis Couto semana passada na TV. Logo Dilma, que nomeou seu irmão Ministro do TCU, cargo vitalício. Derrotou Ney Suassuna (seu caixa na primeira eleição para PMCG) e deu as costas a José Maranhão, que elegeu seu irmão Senador, e tem como primeiro suplente sua mãe Nilda Gondim. Alguém acha que Ricardo Coutinho, de comportamento absolutamente semelhante ao de Veneziano, iria cair nesta cilada amadorística? E Luís Couto, que considera todos que votaram pelo impeachment de Dilma como “golpista”, o que faz ao lado de Veneziano? Vai ajudá-lo a ser senador da república?

Se proceder a conversa da granja – discussão entre João Azevedo, Ricardo Coutinho e Luís Torres – sobre a possibilidade de substituição da “cabeça da chapa” até o dia 05 de setembro próximo (2018), Luís Couto terá como companheiro de chapa João Azevedo. Na expectativa de criar um fato novo, e aproveitando a pontuação de Veneziano na pesquisa do IBOPE, o PSB o lançará como candidato de Campina Grande, na expectativa de repetir a “façanha” Estelizabel. Alcançar pelo menos o segundo turno, ou não chegar atrás de Lucélio Cartaxo, fato que comprometeria em definitivo a imagem de liderança do “socialista”. Dois mandatos de Prefeito da Capital, não elegeu seu candidato. Três eleições gerais, jamais conseguiu eleger um deputado federal. É… Como diz a canção de Aldir Blanc “laranja madura/Na beira da estrada/ Tá bichada moço, ou tem maribondo no pé”. Luís Couto e o PT ficarão bem distantes de Veneziano. Marcarão o voto.

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REJEIÇÃO É REPETIÇÃO DE UM ERRO CRASSO

            A recente pesquisa do IBOPE, que aferiu a intenção de voto dos paraibanos para o governo do estado em outubro próximo, traz mais uma vez um erro crasso, quando se refere ao quesito “rejeição”. Esta falha não é cometida de forma proposital. Apenas, colocam a pergunta no questionário e escolhem o entrevistador errado. Quem faz a opção por um candidato, de forma espontânea ou estimulada (quando mostram o disco ou relação dos candidatos), fica automaticamente impedido de responder a pergunta sobre a “rejeição”. Evidente que o eleitor que escolheu Lucélio ou João Azevedo, elegem automaticamente como seu principal adversário, aquele que eles temem vencer o pleito, no caso, o Senador José Maranhão. Se a disputa estivesse radicalizada, apenas com dois postulantes, por exemplo, Lucélio e João Azevedo, quem despontasse na dianteira, teria uma rejeição, maciça manifestada por aqueles que votavam no segundo colocado.

            Aprendemos este “segredo” no ano de 2006, quando observávamos um doutor em estatística analisar as pesquisas para o governo do estado (RN), senadores e deputados. São métodos simples, absolutamente distintos do que comummente interpreta o eleitor, e muitos “marqueteiros”. E um erro comum, cometido pela equipe que aplica em campo a pesquisa, ou talvez a mais pura ignorância dos Institutos contratados. Observemos a clareza dos números: Maranhão 31%, Lucélio Cartaxo 18%; João Azevedo 17%; Tárcio Teixeira 3%. Rama Dantas, deve ter um percentual de pelo menos 1%, público não alcançado pelo número de entrevistados na amostragem. Quando somados os votos do segundo ao quarto colocado, o resultado é de 38%, sem Rama Dantas. Neste caso, mesmo de forma equivocada (segundo a margem de erro de 3%) pode se afirmar que a rejeição de José Maranhão é de apenas 3% para mais, ou para menos, que pode ser zero. Todavia, os números divulgados pelo IBOPE são outros. Maranhão com 41% de rejeição mostra a veracidade da consolidação dos 31% das intenções de votos por ele conquistados. Quem confirma são as explicitas rejeições de Rama Dantas (33%); Lucélio Cartaxo e Tárcio Teixeira com 30% e João Azevedo com 28%. Quem vota em José Maranhão (31%) rejeita todos os demais candidatos. Desconhecem literalmente Lucélio, João; Tárcio e Rama.

            Talvez o leitor esteja curioso, duvidando ou perplexo, com a fidelidade dos números. E, indagará: como se mede então a rejeição de um candidato? É possível? Claro que sim. E é fatal numa disputa, quando se faz a leitura errada, da forma que apresentamos acima, e que o IBOPE divulgou. O quesito “rejeição” surge da pergunta: “Mas, se o senhor (a) resolvesse votar, em qual destes candidatos você não votaria de jeito nenhum”? Aí se obtém o verdadeiro resultado da rejeição. A diferença não está na pergunta, mas no público onde ela deve ser aplicada: indecisos, nulos, brancos ou não sabem e não responderam. E segundo o IBOPE, 23% pretendem anular seu voto ou votarem em branco, e 8% não sabem e não responderam. São 31% do eleitorado paraibano que poderão decidir ir às urnas até o dia 07/10/2018. Dentro destes 31%, se aplicarem a pergunta do modo como mencionamos, se encontrará o candidato mais rejeitado. O restante, 69% já fizeram uma opção, mesmo que – em pouquíssimos casos – de forma provisória. Portanto que se registre: os verdadeiros índices de rejeições dos candidatos ao governo do estado, ainda são desconhecidos pelo povo e os próprios postulantes.

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O ALVO É CÁSSIO

            Governador Ricardo Coutinho – mesma geração do Senador Cássio Cunha Lima – não esconde seu propósito de infringir uma segunda derrota ao Senador tucano, para consolidar em definitivo sua liderança. O fato não alijaria Cássio da política. Mas, fazendo uma analogia ao nosso campeonato de futebol, seria rebaixado da série “A”, para a “B”. Luciano Cartaxo, que caiu de paraquedas como vice-governador de José Maranhão, e conquistou a Prefeitura da Capital, em seis anos derrotou por duas vezes o candidato de Ricardo Coutinho, de Cássio (Cícero Lucena); e José Maranhão, acredita ter uma carreira política promissora e em ascenção. Todavia, para alcançar o Senado da República ou o governo do estado (2022), tem que derrotar Ricardo Coutinho, e ou Senador Cássio Cunha Lima. De preferência os dois. Radicaliza contra os “socialistas”  e não tem o menor remorso com uma eventual derrota do seu irmão gêmeo – homem missão – que começa a enlaçar Cássio Cunha Lima num “abraço de afogado”.

O mais estranho, é que até o momento, “socialistas” e aliança tucana, ainda não posicionam suas “canhoneiras” contra o Senador José Maranhão do MDB. Principalmente sabendo que o mesmo lidera as pesquisas de intenções de votos, distante dos demais. A resposta é simples. O primeiro turno será uma eleição parlamentar, fase classificatória para disputa pelo governo do estado, no final de outubro. Ricardo Coutinho pretende derrotar a aliança PV/PSDB/PP, e afogar seu líder Cássio Cunha Lima. Sabe que se José Maranhão não alcançar o segundo turno, sua tendência é apoiar o bloco oposicionista. E, numa eventual derrota do Senador Cássio Cunha Lima com sua chapa majoritária, o bloco se dispersa, tornando-se mais fácil o PP se ombrear com os socialistas. Na dúvida se haverá ou não reeleição em 2022, Ricardo Coutinho prefere uma vitória do MDB. Aposta no suposto cansaço físico de José Maranhão, e observa a falta de nomes dentro do partido (MDB) para sucedê-lo.

O quadro se agrava. Hoje, domingo (19.08.2018) os grupos do whatsapp amanheceram com um pesado bombardeio (orquestrado), tendo como alvo o Senador Cássio Cunha Lima. Vídeos do tucano elogiando o Presidente Temer, e o Deputado Carlos Marun elogiando Cássio, por ter pedido aplausos para Temer. Aí é que mora o perigo. Lucélio sendo derrotado, Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo continuam no poder. João Azevedo perdendo, não foi Ricardo. José Maranhão amargando um resultado negativo, continua no Senado por mais quatro anos. Cássio perdendo, põe fim a longa história de vitorias de seu Clã. Com o elevado número de indecisos, nulos e brancos – disputa pelo Senado – os quatro estão em pé de igualdade. Veneziano Vital do Rego tem crescido muito e rápido, com a fidelidade do segundo voto de seu companheiro Luis Couto, e a simpatia do MDB – partido que deixou recentemente – e não dissociou seu nome do Senador José Maranhão. Luis Couto detesta Cunha Lima, e lutará com todas as forças que ainda lhes restam, para tirar Cássio do Senado. Daniella, mulher (a bela) buscará o voto feminino e tentará conquistar o segundo voto de todos. Roberto Paulino sem segundo voto, não irá obstacular as investidas de Veneziano em seus redutos, como segunda opção. Do Senador Cássio Cunha Lima, espera-se o “elemento surpresa”. Incidentes que tragam um sistemático processo de “desconstrução” na imagem de seus adversários diretos, de forma instantânea, capaz de rebaixar ou estagnar ameaçadores índices já alcançados. Faltam apenas 48 dias para o tira-teima.

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DEBATE DA TV ARAPUAN

            Ontem, 13/08/2018 a TV Arapuan promoveu o primeiro encontro (debate) entre os pré-candidatos ao governo do estado da Paraíba. José Maranhão (MDB), Lucélio Cartaxo (PV); João Azevedo (PSB) e Tércio Teixeira (PSOL). O evento marcou o início da contagem regressiva da última etapa de uma maratona iniciada em janeiro de 2017.

            Na abertura – apresentação dos candidatos – o único desconhecido era o psolista Tércio Teixeira. Lucélio vem de uma longa exposição midiática desde a campanha de 2014, quando disputou o Senado da República. João Azevedo – que desta vez soube segurar-se na sela (montaria) – não permitindo que seu líder o trocasse de última hora – venceu a primeira batalha, ao ser o candidato do governador Ricardo Coutinho. José Maranhão – desde 1950 na vida pública – já foi deputado estadual, federal, senador da república de dois mandatos e governou a Paraíba por três vezes, limitou-se na apresentação a dizer com simplicidade, a maior de suas virtudes do momento: sou ficha limpa. Em tempos de lava-jato, isto pesa no currículo a ser examinado pelo eleitorado.

            Durante duas horas e meia, perguntas foram feitas entre os candidatos, que seguindo um “cerimonial” teatral, levantavam-se das cadeiras em que estavam sentados, caminhavam até o centro do estúdio, um se posicionava frente ao outro, e faziam a pergunta. Vinha à resposta, a réplica, e em um dos blocos a tréplica. Depois, cada um marchava de volta ao seu assento (?). Isto é comum nas escolas de artes cênicas. Chama-se “marcação de palco”. O que imaginou o produtor do programa ao levar quatro políticos a repetir gestos idiotas? Eles não estão à procura do glamour. Estão caçando votos. Suas assessorias não deveriam ter permitido tamanho vexame. Os telespectadores queriam vê e ouvir um debate polêmico, sobre o drama do seu quotidiano, não imitadores de atores circenses mambembes.

            O debate serviria como parâmetro, para aferir o nível de conhecimento dos candidatos, sobre os problemas existentes na Paraíba. Suas ideias e opiniões, apontando soluções para amainar seus efeitos em curto e médio prazo, através de projetos consistentes e inovadores na gestão pública. Infelizmente, nada disto foi visto. Percebeu-se sim, o despreparo do candidato do PV Lucélio Cartaxo, que esqueceu completamente que era candidato a governador do estado, e não a prefeito de João Pessoa. Gastou todo o seu tempo divulgando a gestão de seu irmão gêmeo, a ponto do candidato José Maranhão – se não por lapso de memória, mas por ironia – dirigir-se quatro vezes ao mesmo o chamando de Luciano (?). Na interpretação de Tércio Teixeira – ignorando a legislação eleitoral, que proíbe parentesco de primeiro grau em casos de sucessão – insinuou que Lucélio sonhava era em ser candidato do seu próprio irmão, nas eleições de 2020. Dúvida que se instalou em Campina Grande: o Senador Cássio Cunha Lima, realmente conhecia Lucélio Cartaxo?

            João Azevedo não fugiu de sua missão. Enalteceu todos os atos da gestão do governador Ricardo Coutinho, prometendo continuidade dos projetos e ações desenvolvidos pelo “socialista” nos últimos oito anos. Foi rebatido de modo civilizado pelo candidato José Maranhão, que requereu seus direitos como o licitante do maior projeto de irrigação em obras na Paraíba, e a autoria da construção do açude de Acauã. A Lucélio, José Maranhão respondeu que construiu dois hospitais de Traumas no estado, fazendo justiça sobre o início das obras do de Campina Grande a gestão do Senador Cássio Cunha Lima. Acusou ainda o candidato do PV de “plagiar” sua plataforma de campanha. A Tércio Teixeira, como todo esquerdista “doutrinado”, restou a crítica pela crítica, e as “pegadinhas” em Lucélio Cartaxo – sobra “transparência”, apontando o “lamaçal” de corrupção (segundo o mesmo) enterrado na lagoa do Parque Sólon de Lucena. Perguntou também ao candidato da aliança PV/PP/PSDB – que se negou em responder, sobre o sombrio apoio do líder do governo Temer a sua candidatura. Finalmente o psolista acusou João Azevedo de “fura teto”, com salário mensal de 45 mil reais, superior ao Presidente da República e Ministros do Supremo.

            As equipes de marqueteiros erraram grosseiramente. A de José Maranhão deveria tê-lo orientado em falar muito… Três gestões a frente dos destinos da Paraíba, era para ter deitado e rolado sobre o tema recursos hídricos. Lucélio falou em recursos hídricos, sem nada entender sobre este processo. Perdeu-se ao falar sobre “mobilidade”, momento em que o candidato José Maranhão o interrompeu, afirmando que a única obra de mobilidade da gestão de seu irmão, (Luciano) foi uma “passagem molhada” na Av. Beira Rio. Finalmente só quem se deu bem foi Tércio Teixeira, um senhor desconhecido até no seu próprio bairro (em João Pessoa), ontem conhecido por milhares de pessoas, por ter emparedado os “monstros sagrados” da política paraibana.

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CÁSSIO CUNHA LIMA TEM SEU FAVORITISMO AMEAÇADO

              Na busca por caminhos mais curtos, o comum é se perder nos desconhecidos e arriscados atalhos. Senador Cássio Cunha Lima iniciou o ano de 2018, como o principal e mais favorito de todos os pré-candidatos para ocupar uma das duas vagas para o Senado Federal. Ao longo de todo o ano de 2017, com perspicácia “desmontou” todas as postulações que porventura viesse “sombreá-lo”, a partir do ambicioso plano natimorto do prefeito Romero Rodrigues, de ser o candidato ao governo do estado, fato que gerou uma discórdia interna na família e nos partidos. Os Cartaxos bandearam-se para o PV, sem aviso prévio ao PSD. Luciano passou a ser opositor de Romero e esqueceram o acerto inicial: apoio irrestrito ao Senador José Maranhão (MDB), que nada tinha a perder, pois mesmo raciocinando sobre a remota hipótese de sua derrota, retornaria para concluir seu mandato no Senado da República, até o ano de 2022. A chapa com Maranhão para o governo e Cássio ao lado de Luciano para o Senado, acomodaria todas as legendas. Manoel Júnior assumiria a Prefeitura, Micheline Rodrigues uma vaga para a Câmara dos Deputados, Raimundo Lira seria o primeiro suplente de Cássio ou Luciano; Daniella a vice de José Maranhão. Veneziano Vital do Rego (ainda no MDB) estaria com sua reeleição garantida, e com amplas possibilidades de vê sua genitora (Nilda Gondim) no Senado, em substituição a José Maranhão. O bem elaborado plano do então presidente do PSDB – ex-deputado federal Rui Carneiro – se configurava num “armistício” das oposições, “encurralando” Ricardo Coutinho, despido de quadros para montar um exército, capaz de enfrentar o grande contingente opositor.

             Para felicidade do governador Ricardo Coutinho, os “Cartaxos” ao lado de Romero Rodrigues boicotaram o trabalho de Rui Carneiro. Trocando seis por meia dúzia, Luciano lançou seu irmão Lucélio, ao lado de Micheline esposa de Romero Rodrigues. Veneziano deixou o MDB e filiou-se ao PSB. Os Ribeiros, se aproveitando da “balburdia”, aventuraram-se, e passaram a exigir um espaço na majoritária. Lira, ensarilhou suas armas e bateu em retirada, com a prematura partida do saudoso Rômulo Gouveia. O PP impôs Daniella Ribeiro como companheira de chapa de Cássio Cunha Lima, na coligação PV/PP/PSDB. Cássio optou por Eva Gouveia (PSD) como primeira suplente, que nada acrescenta. Daniella escolheu um supersecretário da PMJP, com maior mobilidade que a esposa de Luciano Cartaxo. Governador Ricardo Coutinho tirou uma carta da manga, e lançou Luís Couto (PT) como companheiro de Veneziano. O quadro se complicou para Cássio… Tivemos acesso a uma pesquisa de consumo (realizada apenas em Campina Grande) há três semanas, onde o Senador Cássio Cunha Lima aparece liderando com 30% das intenções de votos, opção de apenas 38% do eleitorado que apresenta 62% de indecisos, nulos; brancos e os que se abstiveram de opinar, não escolhendo nenhum dos candidatos. Veneziano vem em segundo lugar com 14% e Daniella Ribeiro com 11%. Luís Couto e Roberto Paulino ainda não eram candidatos. Porém, este quadro é para o primeiro voto. Quando se observa o segundo voto, Veneziano obtém mais 15%, totalizando 29%. Daniella Ribeiro 12% atingindo 23%.  E Cássio Cunha Lima zero. Para que fique mais claro, a segunda opção de Cássio representa o “Campinismo”, vai direto para Veneziano e Daniella. A segunda opção de Veneziano (soma a oposição e os anti-Cunha Lima) vai para Daniella, e a segunda opção da pepista, cai no colo de Veneziano. A rigor, Cássio está empatado com Veneziano, Daniella chegou com rapidez, e continua crescendo. Como se não bastasse, o MDB despejara todos os seus votos no ex-governador Roberto Paulino, que é anti-Cunha Lima por questões locais (Guarabira). Talvez a saída de Cássio seja criar um fato novo, e chutar o pau da barraca. Isto se ainda tiver forças sobre seu partido (PSDB).

            A iminência de um resultado negativo que atinja Cássio, está no resultado do maior colégio eleitoral do estado, a Capital João Pessoa. No pleito de 2010, com a ajuda de Luís Couto, Vital Filho venceu Cássio. E agora como candidato? Sua segunda opção será Veneziano. As hostes do PV (JP), dará a primeira opção a Daniella e buscará casar votos com as sobras de Luis Couto e ou Roberto Paulino. Quem puxará votos para Cássio na Capital? Seria o vice-prefeito Manoel Júnior, se não tivesse sido defenestrado de forma humilhante, por todos da coligação PV/PSBD/PP. Como Cássio suplantará as desvantagens da capital, e o empate em Campina Grande? Será a eleição mais difícil de sua história política, com a clarividente perspectiva de derrota. Fazendo uma analogia a um adágio popular, “Cássio estava na planície. Criou sua própria montanha, para agora escalá-la”.

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NAS CONVENÇÕES DE DOMINGO ONDE ESTAVA O POVÃO

            Ontem à noite (domingo 05.08.2018), recebi ligação do amigo José Silvino Sobrinho (João Pessoa), e como fazemos semanalmente, discutimos os últimos acontecimentos sobre temas que envolvem tecnologia, crises; momento político/econômico do Brasil e do mundo. Indaguei do pai do projeto Canaã – maior autoridade do país em açudagem e Recursos Hídricos – como tinha ocorrido às convenções que oficializaram os nomes dos três principais candidatos ao governo do estado, com respectivos membros integrantes das chapas para o Senado Federal, Câmara dos Deputados e Assembleia Legislativa. Silvino afirmou que foi apenas a uma. A do MDB, que homologou o nome do Senador José Maranhão. E, para minha surpresa, confessou que passou pouco tempo no local, porque estava muito cheio. O dia inteiro os grupos do “Zap” mostraram a “lotação” das convenções do PSB e PV/PSDB.

            Lembrei-me de um fato que testemunhamos no ano de 1986, em um comício na cidade de Teixeira, onde passamos o dia em um grande churrasco oferecido pelo então Prefeito Valdecir Amorim, correligionário do governador Wilson Braga e eleitor da chapa Marcondes Gadelha/Marcos Odilon/ Wilson Braga e Maurício Brasilino Leite. Era um sábado e cidade estava cheia. À noite, aconteceriam dois comícios, o de Marcondes/Wilson Braga e o da oposição, Buriti, Humberto e Raimundo Lira. Por volta das 19hs não cabia mais gente no espaço onde se realizou o comício de Braga, com a presença do governador interino ex-senador Milton Cabral. Uma festa de “arrebentar”. Do alto do palanque comecei a observar com curiosidade o povo presente. Só enxergava prefeitos e comitivas da região, um mundo de funcionários públicos nomeados por Wilson Braga em João Pessoa, Campina Grande; Patos… Perguntei a Silvino se ele estava vendo o mesmo. O mestre – construtor do CCT hoje UFCG – ficou perplexo. Resolvemos deixar a festa e retornar para Campina Grande onde tinha um encontro com algumas lideranças na casa do médico Antônio Loureiro.

            Na saída da cidade, por equivoco, o motorista entrou numa rua. e lá estava uma imensa multidão compacta, aplaudindo, vibrando e pulando quando o locutor citava o nome de Buriti, Humberto e Lira. Ficamos chocados com a realidade. Ainda balbuciei “olhe onde está o povo de Teixeira”! No caminho, discutimos que havia algo de errado na campanha, e que alguém estava sendo enganado, ou amadoristicamente não estavam fazendo a leitura correta das pesquisas, que segundo o saudoso Carlos Roberto de Oliveira – coordenador geral e marqueteiro – estávamos num empate técnico.

            Chegando – mesmo atrasado – em Campina Grande, ainda participamos da reunião, onde estava presente, o professor Moací Alves Carneiro ex-reitor da FURNE – hoje UEPB. Ao sairmos do encontro, comentamos o fato com Moací e decidimos encomendar uma pesquisa – sigilosa – para termos conhecimento da verdade sobre o que vimos em Teixeira. Dia seguinte, nos reunimos com o Professor Walter Fonseca, Doutor em Estatística do então CCT. Elaboramos as perguntas e definimos o número de entrevistados, contrariando e deixando estupefato o estatístico. Todas as cidades acima de 10 mil habitantes da Paraíba, e 20 mil entrevistados. Walter Fonseca protestava irritado, alegando que não era uma pesquisa, era uma eleição. Mas, dada à urgência – restavam 35 dias para as eleições – montou uma gigantesca equipe e em uma semana o trabalho estava pronto. Antes de apresentar, Walter Fonseca – se confessando também surpreso – deu a dica: Wilson Braga, ainda pode ser salvo. Resultado imutável: Buriti vencia Marcondes Gadelha com 22,7% de maioria. Humberto aparecia em primeiro e Lira estava empatado com Wilson Braga. Sugestão de Walter: aconselhe urgentemente Wilson procurar Humberto, e captar o segundo voto, oferecendo o mesmo a Humberto. Em choque, Silvino levou a pesquisa para o saudoso Soares Madruga, Presidente da ALPB e conselheiro político de Braga. Madruga recusou-se inicialmente a aceitar a veracidade dos dados, e somente 10 dias depois teve coragem de enfrentar Wilson, que por sua vez demorou mais dez dias, para procurar Humberto, quando tudo já estava tarde demais.

            Na convenção de ontem (05.08.2018) PV/PSDB não tinha 10% dos comissionados das Prefeituras de Campina Grande e João Pessoa. Se todos fossem, o espaço adequado seria o estádio “O Almeidão”. Do PSB com uma trinca de nanicos, se exigissem presença dos “codificados”, comissionados e contratados emergenciais, teria que ser dois “Almeidões”. E na de Maranhão? Ele não tem “codificados”, comissionados nem contratados emergenciais. Presentes, só o povão que não quer mais os modelos “Cartaxo” e “Coutinho”. Pode até ocorrer tudo de forma inversa ao fato histórico que descrevemos acima, com testemunhas ainda vivas e de boa memória. Mas, até o presente, o povo de Teixeira de 1986, é o mesmo povo de Maranhão em 2018.

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PV/PSDB/PP PROGNÓSTICO PREVISÍVEL

         Ao longo dos últimos seis meses, neste espaço, previmos algumas ações e reações da classe política paraibana – sem bola cristal – consultas a tarólogos ou médiuns videntes. A leitura sobre o que iria, ou irá acontecer, é o resultado das atitudes do quotidiano, calculando-se seus desdobramentos e os limites (ambições ganância e apego ao poder) dos personagens envolvidos nas cenas, às vezes dramáticas, e até cômicas.

         Em um dos nossos últimos textos – postado aqui – afirmamos que o pré-candidato ao Senado, vice-prefeito de João Pessoa Manoel Júnior, estava sendo “fritado” pela coligação PV/PSDB, e sendo “ludibriado” pela dramaticidade da deputada estadual Daniella Ribeiro. Hoje, 03.08.2018, o ato foi consumado. Daniella Ribeiro foi “oficializada” como companheira de chapa do Senador Cássio Cunha Lima, que em nossa humilde visão, o negócio foi melhor para Daniella e seu irmão deputado federal Aguinaldo Ribeiro, que para o experiente chefe do tucanato paraibano.

         A briga do ex-senador Efraim Morais para ser vice na chapa de João Azevedo (PSB-PB), é outra tentativa frustrada do líder do DEM, inaceitável por Ricardo Coutinho, a não ser que ele pretenda derrotar seu candidato ainda no primeiro turno. Governador Ricardo Coutinho jamais “arquitetaria” uma chapa, sem um vice de Campina Grande. Ele mesmo já deu prova cabal, com sua própria escolha em 2014, Lígia Feliciano. Não cometeu os dois erros subsequentes de José Maranhão (MDB), que agora “despertado”, indicou um Campinense para seu companheiro de jornada no pleito 2018.

         A preferência de Ricardo Coutinho, para formar a chapa encabeçada por João Azevedo – depois de insistentes apelos aos Regos e sua negativa – recairá sobre o nome do empresário Arthur Bolinha, até então, pré-candidato a deputado estadual. Bolinha ainda está resistindo. Mas, terminará por aceitar. Quanto ao veto dos Regos, que impediu Ana Cláudia (esposa de Veneziano) em ser a vice de João Azevedo, este comportamento já foi visto antes (2010), com a recusa de Veneziano em ser vice de José Maranhão, e preferir eleger seu irmão Vital Filho para o Senado e sua mãe Nilda Gondim para a Câmara dos Deputados. Tudo se repete do mesmo modo de 2010. Ana Cláudia será eleita com o apoio das bases de Veneziano, que no momento tem amplas possibilidades de alcançar uma das vagas do Senado da Federal.

            Até domingo 05.08.2018 às 17hs, podem ocorrer mudanças inesperadas nas legendas PTB, PRB e DEM. A tendência é que todas, ou pelo menos uma das três, venha engrossar as fileiras do MDB de José Maranhão (PRB). Fontes de bastidores indicam que o deputado federal Hugo Mota apoiará o patrono da carreira clã Patoense, José Maranhão.  Wilson Santiago e Efraim, se conseguirem ser “cingidos” pelo PSC (Manoel Júnior) desprezado pelo PV/PSDB, podem reforçar a presença garantida do MDB no segundo turno, e a recondução para Câmara dos Deputados de Hugo Mota, Benjamin Maranhão; Wellington Roberto; Wilson Santiago; Efraim Filho e Marcondes Gadelha. Será uma jogada de mestre, semelhante a que tentou o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, afastar do MDB o vice de Wellington Roberto, seu filho Breno.

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MANOEL JÚNIOR FRITADO PELO PSC

            A pré-candidatura para o Senado Federal do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, lançada desde abril, foi bem recepcionada pelos paraibanos e dezenas de lideranças políticas expressivas do estado. Estradeiro, Manoel Júnior percorreu quase toda a Paraíba e se encheu de entusiasmo, surpreendido pela mais absoluta inexistência de qualquer tipo de resistência a sua postulação.

            Para seu infortúnio, quando se acenderam as fogueiras do São João, seu nome começou a esfriar – ao invés de ser aquecido – em função da indecisão de sua legenda (PSC), que não engatou marcha (para frente ou para trás) ficando no meio do caminho na espera de uma decisão (conveniente) da família Gadelha. Nas mais diversas leituras (prognósticos) os Gadelhas ainda não encontraram a fórmula mágica no MDB, ou na coligação PSB/PV, que garanta a eleição de Leonardo para a Câmara dos Deputados, conjuntamente com a recondução de Renato a Casa Epitácio Pessoa.

            No universo político não existem espaços vazios. A ousadia é fundamental para alavancar qualquer projeto, e quem o torna exitoso, é o protagonista da façanha. Manoel Júnior percebeu este fato quando se lançou para o Senado. Passaram-se trinta dias do mês de maio, trinta de Junho, e o vice-prefeito de João Pessoa – ex-deputado federal – não conseguiu “arrancar” dos Gadelhas, uma posição sobre que rumo tomaria o PSC. Marchariam com a aliança PV/PSDB? Ou abraçariam o projeto do MDB bastante adiantado, encabeçado pelo Senador José Maranhão? A desculpa para “embromar” Manoel Júnior, era uma posição oficial do Prefeito Luciano Cartaxo, com endosso dos demais: Cássio Cunha Lima, Romero Rodrigues e Lucélio. Porém, a realidade é outra. Na percepção da “família”, no PV/PMDB as chances de Leonardo Gadelha se eleger deputado federal são maiores que no MDB, onde Renato se elege com facilidade (?). E Manoel Júnior? Pelo visto, não figura nos planos do PSC Gadelhas, como prioridade.

            Senador José Maranhão e vem desempenhando – como sempre o fez – seu papel de lealdade. Esperando por Manoel Júnior e ligando constantemente para o deputado federal Marcondes Gadelhas, que usando sinônimos e antônimos do dicionário português – usado na prática pela classe política – constrói frases em forma de desculpas numa linguagem simples, semelhantes aos “telegráficos” ou “sucintos” textos usados nos votos do decano do STF Marco Aurélio de Melo.

            Percebendo que Manoel Júnior voluntariamente havia se metido em uma “camisa de força”, os Ribeiros atacaram no estilo felino. Cercaram a manada de Gnus. Procuraram primeiro o PSB e Ricardo Coutinho, para “chocar” a aliança PV/PSDB. Acertaram mais uma vez na manobra. A reação foi instantânea. Chamaram o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro, seu pai vice-prefeito Enivaldo e a deputada Daniella que se comportou irredutível. Exigia uma das vagas para o senado na aliança PV/PSDB. Foi prontamente atendida. Sabendo da simpatia de Cássio pela postulação de Manoel Júnior, os Ribeiros puseram em xeque os Cartaxos. Só aceitariam Daniella disputar, se sua suplente fosse à esposa do Prefeito Luciano Cartaxo. Toparam. Ainda não oficializaram, porque a tarefa de “fritar” Manoel Júnior ficou a cargo dos Gadelhas, que por sinal vêm administrando com maestria. Eles sabem que Manoel Júnior não tem o controle da legenda (PSC). Que jamais se uniria a Ricardo Coutinho. E, José Maranhão – o mais correto até o momento com Manuel Júnior – tem que acompanhar o calendário, que não para. Restam apenas nove dias para as convenções. Se até o final desta semana, Manoel Júnior não desatar este nó cego, vai queimar uma eleição, estragando uma de suas grandes oportunidades de sua vida pública. Com ou sem ele, Maranhão manterá seu ritmo. O que pode surpreender no último minuto, é Wilson Santiago, Efraim Morais ou Lígia Feliciano resolverem embarcar na carona de Maranhão com destino a sete de outubro próximo.

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DESMORONAMENTO DO PSD

            Incontestavelmente não existe ninguém insubstituível. A existência dos cemitérios, nos prova esta triste e dolosa verdade. Todavia, pouquíssimos conseguem superar a morte e atingir a gloria de serem “insuperáveis”. O ex-deputado federal Rômulo Gouveia, atesta após sua prematura e inesperada partida, que se insere na relação dos insuperáveis. Faz apenas 68 dias, que sem aviso nem despedida, numa madrugada que parecia tranquila, o destino o embarcou para sua última viagem. Quem poderia prevê que tudo seria tão repentino, prematuro ou antecipado?

            Sua esposa Eva Gouveia, amigos; auxiliares; lideranças e liderados jamais esperavam passar por este momento resigno temporão. Quem imaginaria que o “gordinho”, com uma desenvoltura inigualável e apenas 53 anos de existência fosse acometido por um inoportuno infarto? Ninguém. Nem os mais próximos e de sua intimidade, ouviram queixas de dores, doenças, ou sinais de que sua vida estaria em risco, dependendo de tratamentos de enfermidades quaisquer.

            A sua legenda, PSD simplesmente desgovernou-se na estrada das eleições de 2018. Sem um maquinista, a maioria começou a pular do “trem”, que desce sem freios uma serra de muitas curvas. O impacto do brutal acontecimento, para sua viúva nunca será superado. Ela não tem em curto e médio prazo, as mínimas condições emocionais de dar continuidade ao ritmo de Rômulo Gouveia, que ia além-divisa da Paraíba, com reflexos no Congresso Nacional; participação na restrita cúpula de sua legenda comandada por Gilberto Kassab; contatos internacionais, afora suas habilidades de grande conciliador nas lidas partidárias, não importando o tamanho do problema, se considerado como “varejo” ou “atacado”.

            Para que se tenha um pouco de conhecimento do que representou Rômulo Gouveia no cenário político nacional, basta observar-se alguns dos seus inúmeros atos de ousadia, como por exemplo, a filiação do atual governador do Rio Grande do Norte Robson Farias, “puxado” para o PDS por Rômulo Gouveia, derrotando (2014) ninguém menos que Henrique Eduardo Alves, ao lado de Garibaldi e José Agripino Maia. Amizade construída através da UNALE – União Nacional dos Legisladores e Legislativos Estaduais, quando ambos presidiam os Parlamentos paraibano e potiguar. A decisão do Senador Raimundo Lira em deixar o MDB e se filiar ao PSD; Luciano e Lucélio Cartaxo que pegaram “carona” no PSD do “gordinho”. Luciano para se reeleger Prefeito da Capital. Lucélio – ainda no PT – teve seu apoio para o Senado Federal em 2014, e alcançou a segunda colocação com 521.938 votos, perdendo apenas para José Maranhão com 647.271. Porém, bateu o candidato de Cássio Cunha Lima, ex-senador Wilson Santiago, que ficou com 506.093 sufrágios, na terceira colocação.

            Esta crise ora vivida pelo PP/PSDB/PV, não estaria existindo, se o calendário de 2018, não tivesse registrado o funesto acontecimento do dia 13/05. Raimundo Lira estaria posto como candidato ao Senado, ao lado de Cássio. Distante há mais de 20 anos da Paraíba, só confiava no “gordinho” como seu “batedor” na rota das urnas. Daniella ocuparia a posição de vice de Luciano Cartaxo. Micheline Rodrigues disputaria uma vaga para a Câmara dos Deputados. Mas, o autor da “costura” faleceu antes de vê sua peça pronta. Resta saber o que será feito, e se vão dividir o espólio político do saudoso Rômulo Gouveia. Sugerimos neste espaço – alguns dias atrás – que Eva Gouveia deveria ser prestigiada, pelo menos como vice da chapa PSDB/PV. Não a convidaram nem para ser primeira suplente do Senador Cássio Cunha Lima. Sem equilíbrio emocional, a quem Eva está confiando os destinos da legenda? O tempo que resta é muito pouco. São apenas 14 dias para as convenções e celebrações das alianças. Manoel Ludgerio, como lugar-tenente do “gordinho”, seria a pessoa capaz de salvar a sigla? Elegendo pelo menos um deputado federal e dois ou três estaduais? Para Eva, o que nos parece, é que seu mundo e sonhos políticos foram sepultados juntos com seu marido e mentor.

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ELEIÇÃO PARLAMENTAR

            A possibilidade da deputada estadual Daniella Ribeiro, concorrer a uma das vagas para Senado Federal na chapa do PSB – ao lado de Veneziano Vital do Rego – vem reforçar substancialmente o projeto do governador Ricardo Coutinho, em tornar competitiva a postulação do engenheiro João Azevedo, alicerçando-se densamente no segundo maior colégio eleitoral do estado, Campina Grande. Como toda ação, gera uma reação, aguardemos se o ex-prefeito de Campina Grande (o cabeludo) manterá sua candidatura ao lado da “Bela”.

            Nada acontece por acaso. A ausência do PP ao encontro realizado sábado (14.07.2018) ocasião em que o Prefeito Romero Rodrigues e o Senador Cássio Cunha Lima formalizaram a aliança PV/PSDB, ficou nítida a intenção dos “Progressistas” em marcharem noutra direção. Ao se tornar a “noiva” predileta por todos, no momento, O PP e Daniella mexeram até nos brios do Padre Luís Couto, que já se dispõe a disputar o Senado como retaliação ao ex-ministro das cidades de Dilma Rousseff Aguinaldo Ribeiro, que além de votar pelo impeachment da ex-presidenta, é hoje um dos líderes do governo Michel Temer, acusado de “golpista”. Ao que parece, o dom do perdão do Sacerdote, está só nas palavras e em suas homilias, ainda não habita em seu coração.

            Tudo se resume a uma questão relativista. Na visão do obstinado Senador Cássio Cunha Lima, as eleições de 07.10.2018 têm o caráter “Parlamentar” e seletivo ou eliminatório, para os que disputam a sucessão do governador Ricardo Coutinho, decidida em segundo turno. O árduo trabalho do chefe do tucanato paraibano tem sido minimizar riscos, com vistas à sua recondução, tarefa brilhantemente até o presente exitosa. Ricardo Coutinho e José Maranhão estão fora do páreo. Raimundo Lira abandonou a corrida. Restou Manoel Júnior, com quem não teria dificuldades em compartilhar votos. Mas, o irracional posicionamento de Veneziano, trocando o MDB pelo PSB, poderia “polarizar” o pleito em Campina Grande. Agora com Daniella, quem tem que correr atrás é o “cabeludo”, para não ficar na terceira ou quarta posição na Rainha da Borborema. O Senador Cássio Cunha Lima parece que aprendeu ensinamentos dos “brejeiros”: “Em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”.

            Na hipótese da deputada Daniella Ribeiro compor a chapa do PSB, dividirá os votos dos anti-Cunha Lima e opositores do Prefeito Romero Rodrigues, com o deputado federal Veneziano Vital do Rego que estava só, no embate contra Cássio na cidade. Se não houve (até o momento) revanche do clã Cunha Lima pela atitude de rebeldia de Daniella, é porque o ato foi devidamente ensaiado e combinado. O Senador Cássio Cunha Lima nunca teve o menor interesse na disputa pelo governo do estado. Se o tivesse, ele mesmo teria se lançado, ou apoiaria diretamente o ex-governador José Maranhão. Daniella – se formar aliança com o PSB – pedirá votos para João Azevedo, mas, não tentará tirar – e até buscará casar com os seus – os votos do Senador Cássio. Do governador Ricardo Coutinho, a deputada receberá tratamento “diferenciado” para valorizar sua atitude. Provavelmente usará mais a “máquina”, que seu companheiro concorrente Veneziano Vital do Rego.

            No tocante a disputa pelo governo, curiosamente Campina Grande – pelo menos nas últimas cinco décadas – ficou pacificamente equilibrada, e perdeu sua posição “glamorosa” de decidir o pleito. Todos os pré-candidatos têm na composição de suas chapas, nomes de Campina Grande. José Maranhão, o vice Bruno Roberto. Lucélio Cartaxo a esposa do prefeito Romero Rodrigues e o Senador Cássio Cunha Lima; João Azevedo tem o ex-prefeito Veneziano Vital do Rego e provavelmente Daniella Ribeiro; vice-prefeito Enivaldo Ribeiro e o ex-ministro das cidades Aguinaldo Ribeiro. Lígia Feliciano é atual vice-governadora, e tem o deputado federal Damião Feliciano (seu esposo) apoiador e incentivador de sua postulação. Com todos dentro do processo, a rivalidade local alcançará temperaturas altíssimas, e a peleja para o governo do estado – fazendo uma analogia ao futebol – será decidida nos últimos minutos da prorrogação (segundo turno).

 

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AS DIFICULDADES DO CANDIDATO JOÃO AZEVEDO

            A falta de memória dos políticos, aliada a seus caprichos, provocam equívocos estapafúrdios nos períodos eleitorais, quando raciocinam exclusivamente sobre seus projetos pessoais e sua continuidade, deixando sempre à margem a importância do povão, tratados eternamente como “massa de manobra”.

            Considerado como um bom técnico, o pré-candidato do PSB Engenheiro João Azevedo, não tem sido alvo de críticas sobre sua capacidade e currículo. Está apto a ocupar qualquer função ou cargo dentro da área de sua formação acadêmica. Mas, política partidária, na concepção e modelo que tem sido posta em prática desde a redemocratização, não se adéqua a formação técnica. Principalmente aqueles acadêmicos originados na área das ciências exatas.

            O Engenheiro João Azevedo chegou tarde demais ao processo eleitoral. Sua época seria o período dos Militares, onde prevalecia a tecnocracia. Se ainda estivéssemos no Governo Geisel, João poderia ser Prefeito da Capital (nomeado) ou governados do estado (eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, recomendado pelo Palácio do Planalto).

            Os Militares, para sepultar a classe política e corrupta instalada e em expansão desde a redemocratização de 1945 (Constituinte de 1947), optaram em 1968 – após o recrudescimento da quartelada de 1964 – em cassar mandatos de comunistas e corruptos, privilegiando a “meritocracia”, indo buscar nas Universidades Públicas os melhores currículos para ocuparem cargos e gerenciarem programas estratégicos do governo, na expectativa de surgirem novas lideranças que acabassem com o “coronelismo” e os “currais eleitorais”, reduto hospedeiro da resistente corrupção e seus privilégios.

            Governador Ricardo Coutinho – talvez muito jovem na época – deve ter esquecido que o objetivo da “redemocratização” era a volta dos cassados, com a reocupação do poder pelas velhas oligarquias, escolhendo como adversários, a teimosa esquerda. Exemplo incontestável: Jost Van Damme, engenheiro alemão, presidia a TELPA que foi considerada a segunda em qualidade de serviços do país, perdendo apenas para TELEPARANA. Trinta dias após a posse do ex-presidente José Sarney, foi substituído por Gervásio Maia (pai) que de telefonia, tudo que conhecia era o modo de como usar o aparelho. A TELPA desceu em um ano, para o último lugar no ranking nacional. Linaldo Cavalcanti de Albuquerque ocupou o DAU – Departamento de Assuntos Universitários do MEC e foi o autor da expansão universitária, criando uma Universidade Pública em cada estado da federação. Presidiu o CNPQ, poderia ter sido governador da Paraíba, mas, em seu lugar foi escolhido seu Chefe de Gabinete José Tarcisio de Miranda Buriti – por indicação do respeitado ministro José Américo de Almeida – pai do General Reinaldo Almeida, comandante do 1º Exército, escolhido para suceder Médici, abdicando em nome de Orlando, que preferiu seu irmão Ernesto Geisel.

            Como Ricardo Coutinho modelará João Azevedo em um político? Sua formação não admite demagogia, mentira; rasteiras; privilégios a mediocridade; traições; perseguições… Com seus conceitos éticos acadêmicos, se chegar ao poder, atropelará até quem o elegeu. Ricardo não enxergou isto? A formação do governador “socialista” é oposta ao do seu candidato. Em nada se identificam no modo de agirem. O criador dos “girassóis” é um doutrinado da “esquerda festiva” – Trotskista – que adotam o conceito (Maquiavel) sobre permanecia no poder: é preferível ser temido, que amado.

            Por que Ricardo Coutinho está se contrapondo ao tempo? Fez um grande governo, mas, não pode mais ser reeleito. Teve a oportunidade de escolher um político para sucedê-lo. Não o fez? A resposta é simples. Ele olha para si mesmo, e reconhece o quanto é difícil confiar e acreditar em um político, principalmente os da sua geração.

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O PP AMARELOU

            A hiperatividade da deputada estadual Daniela Ribeiro, tem desgastado a importância e peso de sua legenda (PP-PB), através de suas palavras, atos e gestos – no mínimo precipitados – muito embora praticados com intenções exatamente opostas. Observemos que toda a inquietação da parlamentar tem uma única finalidade: buscar espaço diferenciado das demais siglas, chamando a atenção das chapas majoritária em construção para que enxerguem seu valor, com vistas à disputa eleitoral de outubro próximo (2018). Algumas atitudes são dignas de registros, como por exemplo, a indicação de uma Secretária (dezembro 2017) substituindo o “histórico” Luís Alberto, patrimônio já considerado como “móvel ou utensílio” da cozinha do Clã Cunha Lima. Para o Prefeito Romero Rodrigues, que já estava encontrando imensas dificuldades em viabilizar seu nome como pré-candidato ao governo do estado, o gesto serviu de alerta. E os supostos afetados (milhares de comissionados, prestadores e fornecedores da PMCG) começaram a temer o afastamento do prefeito, dando inicio a um coro “fica Romero”, amedrontados com o efeito “Marat” (Revolução Francesa) “cabeças vão rolar”. Se Daniela e seu irmão ex-ministro das cidades tivessem encetado movimento por todo o estado, tentando “popularizar” o nome de Romero Rodrigues como pré-candidato, hoje quem estaria à frente dos destinos de Campina Grande era patriarca do grupo, Enivaldo Ribeiro. Para o infortúnio da deputada, sua legenda esqueceu a simples oração cristã de São Francisco de Assis: “é dando que se recebe…”.

            No momento em que Romero começou a sinalizar sua desistência, a deputada Daniela Ribeiro “colou” no Prefeito da Capital Luciano Cartaxo, com o mesmo propósito. Luciano e Romero “amarelaram”. Lucélio aceitou a indicação de Micheline como vice, esquecendo – como mencionamos neste espaço – o gesto de cortesia de convidar Eva Gouveia do PSD, homenageando seu esposo Rômulo Gouveia, maior responsável pela estrutura financeira das campanhas de Romero Rodrigues (primeiro mandato) e Luciano Cartaxo (reeleição). Descartado pela majoritária do projeto natimorto do PSDB/PV, o PP partiu para a “apelação”, ignorando sua postura ética, que será avaliada pelo intransigente eleitor qualificado. Nas palavras da deputada Daniela Ribeiro, “o PP não teria nenhum problema em estar em qualquer palanque, inclusive no de Ricardo Coutinho”. Senador José Maranhão ainda tentou indicá-la como vice em sua chapa (MDB). Ao que parece, a oferta estava aquém do esperado. A deputada preferiu reunir-se com o governador Ricardo Coutinho, afrontando o Senador Cássio Cunha Lima. Ensina um adágio popular que “quem diz o que quer, escuta o que não quer”. O líder tucano (vice-presidente do Senado Federal) disparou artilharia pesada, enfatizando que já venceu campanhas sem o PP, e que o partido pode e deve tomar o destino que melhor lhes convier.

            Daniela Ribeiro e o PP terminaram por dá ao Senador Cássio Cunha Lima, argumentos, motivos e razões para retomar as conversações com o MDB, conforme noticiou ontem alguns blogs. O PV já não contava mais com o PP. O PSD literalmente destroçado com a perda de seu guia, em nada somava. O PSC de malas prontas para seguir viagem ao lado do MDB. Os Gadelhas nunca estiveram tão bem posicionados. Reconduzirão Renato para ALPB e Marcondes para Câmara dos Deputados. Manoel Júnior é o postulante ao Senado da preferência de José Maranhão. Cássio ficaria só? Como nada acontece por acaso, no instante que o tucano disparava contra o PP, a esposa do prefeito Luciano Cartaxo se licenciava da UFPB, se desincompatibilizando para disputar um mandato eletivo. O PP amarelou… Se correr para os braços de Ricardo Coutinho, perde todos os cargos e privilégios que dispõem da PMCG e PMJP, posições indispensáveis para reeleição – principalmente Daniela – todavia com efeitos na recondução de seu irmão Aguinaldo Ribeiro.

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CHAPA DOS PREPOSTOS

            Enquanto a bola rolava nos distantes campos da Rússia, e o povo começava a sonhar com a conquista do hexacampeonato da única seleção pentacampeã do planeta, no mundo político paraibano o jogo disputado era outro. Jogava-se o secular xadrez com peões, torres; cavalos; bispos; rei e rainha, numa partida já em estágio bem adiantado, onde já se enxerga com certa visibilidade as probabilidades do vencedor.

            Indiscutivelmente o Senador José Maranhão – que conhece o “tabuleiro” há mais de 60 anos – tem se comportado (pela primeira) como um bom enxadrista, usando a lógica, sem levar em conta o fator “sorte”, nem sempre determinante para uma vitória. Ganha uma eleição quem “anda mais, erra menos e gasta bem”, e não quem gasta mais. Seguindo seus instintos e pondo em prática tudo que aprendeu ao longo de seis décadas, o decano da política paraibana vem mantendo um ritmo de crescimento constante, e até o presente, evitando equívocos dos “palpiteiros” de sempre, que o influenciavam em seus lances, com “pitacos” amadoristas, motivos de sete derrotas consecutivas: primeiro e segundo turno em 2002 (Com Roberto Paulino), primeiro e segundo turno em 2006; primeiro e segundo turno em 2010, perdendo uma reeleição de forma surpreendente. Como se não bastasse, em 2012 viveu o pior de todos os seus momentos da vida pública: disputou a Prefeito da Capital, e não alcançou o segundo turno do pleito.

            O anúncio do Campinense Bruno Roberto – ex-secretário de esporte e lazer – como vice do ainda pré-candidato José Maranhão, vem para consertar um dos erros mais grosseiros cometido de modo repetitivo pelo Senador José Maranhão, em suas disputas para o governo do estado, ocasião que sempre desprezou a importância de Campina Grande e o “Compartimento da Borborema”. Em 2002, apoiou seu vice Roberto Paulino, e ao invés de indicar um vice de Campina Grande, optou pelo saudoso deputado estadual Gervásio Maia. Filho de João Agripino, que Campina elegeu como “persona non grata” no período em que governou o estado (1966/1971), coroando sua antipatia (1970) quando derrotou o Senador Argemiro de Figueiredo com o “Rei do Zinco”, senhor desconhecido, Domício Gondim. Em 2006, o Senador José Maranhão considerado “governador em férias”, se lançou candidato e trouxe como vice, o neófito Sousense Luciano Cartaxo. Campina mais uma vez foi subestimada e Maranhão sofreu sua primeira derrota direta. Mesmo assim resolveu mostrar seu lado teimoso em 2010 – no Palácio da Redenção e bem avaliado – escolheu Rodrigo Soares (?). Será que os palpiteiros do Senador, nunca o alertaram que além de Campina ficar fora da majoritária, à cidade detesta o PT? Lula e Dilma nunca venceram em Campina Grande.

            Bruno Roberto é filho do Deputado Federal Campinense Wellington Roberto que está no Congresso Nacional há 20 anos. Nunca perdeu uma campanha para o governo do estado na Paraíba. Votou em José Maranhão em 1998, em Cássio Cunha Lima em 2002 e 2006; em Ricardo Coutinho em 2010 e 2014. Mesmo distante da mídia, tem um trabalho “formiguinha”, e goza da confiança de importantes redutos no interior paraibano, tarefa onde se insere o trabalho de outro filho Deputado Estadual (Caio Roberto).

 Quem está “andando menos e errando muito” é o Senador Cássio Cunha Lima. Apesar do seu favoritismo na disputa por uma das vagas para o Senado da República, sua postura e discurso ainda estão ininteligíveis. Ao invés de unir as oposições, encabeçada pelo Senador José Maranhão – provavelmente ouvindo “palpiteiros” – insiste em alimentar uma chapa de “prepostos”. Lucélio Cartaxo e Micheline Rodrigues não são nada mais que “institores” de Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, pré-candidatos que não conseguiram “emplacar” suas postulações, pela mais absoluta falta de perspectivas de vitória em outubro próximo (2018).

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OUSADIA DO SOCIALISTA

            Segundo postagem nos grupos do whatsapp – atribuídas ao Jornalista Milton Figueiredo – o governador Ricardo Coutinho procurou pessoalmente a ex-deputada Eva Gouveia, viúva do saudoso Rômulo Gouveia (falecido há 31 dias) e a convidou para ser a vice na chapa patrocinada pelo Palácio da Redenção, encabeçada pelo engenheiro João Azevedo. Por que não o Senador Raimundo Lira, que anseia por esta oportunidade e ficará no comando do PSD? A resposta é simples: Ricardo quer os votos, não suplente. No texto, duras críticas pela ousadia e falta de memória do governador, tendo em vista tratamento dispensado ao “gordinho”, quando foi seu vice (2010/2014).

            A formação política do governador Ricardo Coutinho, doutrinada no pragmatismo de: “o que importa é o resultado final”, historicamente não é tão aberrante. Seu ídolo – inspirador de sua geração – Luís Carlos Prestes, fez bem pior em nome da “causa”, apoiando em eleições diretas o ditador que o prendeu (Getúlio Vargas) e expatriou sua esposa Olga Benário, grávida e morta em um campo de concentração Nazista. Se não fosse o pacto de não agressão celebrado entre Russos e Alemães que permitiu a invasão da Polônia e sua divisão, Anita Leocádia, filha de Olga Benário e Luis Carlos Prestes (criada na Rússia) teria também sucumbido nos orfanatos ou campos de trabalhos que abrigavam estrangeiros, prisioneiros de guerra e inimigos do regime. Prestes na época desculpou-se, alegando que não cabiam sentimentos individuais ou egoístas como “o amor” (coisa de pequeno burguês), quando a luta era em nome de um bem estar coletivo (?). Vargas, mais prudente, simplificou a “brasilidade” política/partidária sedenta pelo poder: “em política não existem amigos inseparáveis, nem inimigos irreconciliáveis, tudo é possível”.

            O arrojo do governador – se tivesse surtido efeito positivo – criaria um fato novo na campanha de seu candidato (João Azevedo) suplantando todas as perdas que vem sofrendo em suas bases, para o Senador José Maranhão. Basta que se veja fotos da festa de Santo Antônio em Piancó, evento que Ricardo Coutinho, João Azevedo e Lucélio Cartaxo “queimaram”. O “Socialista” estabeleceria uma importante “cabeça de ponte” dentro de Campina Grande, encurralando Exércitos de seus grandes inimigos, Romero Rodrigues e o Clã Cunha Lima. Com efeito, a partir de então, iria buscar o apoio do PP.

Eva e Rômulo ou vice-versa, surgiram juntos na antiga UCES – União Campinense de Equipes Sociais, entidade que congregava todas as Associações de Amigos de Bairros da cidade, na gestão do Prefeito Ronaldo Cunha Lima. Cargo estratégico para quem sonhava com um mandato, a dupla (ainda não casados) passaram a conhecer centímetro por centímetro da cidade, lidando exatamente com o povão carente, onde se enraizaram como referência política. Deste trabalho, Rômulo conquistou seu primeiro mandato de vereador. Conservaram a trincheira, onde se posicionava Eva, como “retaguarda”. Não foi por acaso que na última campanha disputada por Ronaldo Cunha Lima (2006) para Deputado Federal, Rômulo obteve mais votos que o poeta em Campina Grande, fato não bem digerido então, já que toda a família – puxada por Glória Cunha Lima – se empenharam no “adeus do poeta” a sua vida pública.

Entretanto, posteriormente reconheceram que nos bairros periféricos e populosos, a presença de Eva era uma constante. Como continuou sendo. Esteve à frente da Secretaria de Ação Social até abril último (2018), oportunidade para atualizar seu “cadastro”. Ricardo Coutinho foi o primeiro a chegar, e valorizando Eva, já que os “amigos” do “gordinho” não fizeram o mínimo esforço para assegurar a mesma, a condição de sucessora de seu falecido esposo na Câmara dos Deputados. Pelo contrário, Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo – devedores do inesgotável trabalho de Rômulo Gouveia em suas eleições e reeleições – se juntaram para fortalecer uma chapa domestica, esquecendo a “fineza” de pelo menos convidarem Eva, para compor a vaga de vice. Não se sabe o que é pior ou mais dolorido: esquecimento e abandono prematuro, ou uma lembrança oportunista.

PROCURANDO O MARTELO

            Uma “pérola” de incoerências e improvisos mal arranjados, a entrevista do pré-candidato Lucélio Cartaxo – principal protagonista de um projeto natimorto – com vistas à sucessão do governador Ricardo Coutinho. Discurso vazio, despido de ideias e repetitivo nos velhos chavões de renovação (?) sem começo, com “meio” confuso e final desastroso. Tentando atingir o Senador José Maranhão, Lucélio Cartaxo (PV-PB) ilustrando o “novo”, afirmou que “tudo seria diferente, sem o anacronismo do passado…” Um astuto jornalista perguntou: “onde fica seu aliado Cássio Cunha Lima”? Ele representa o passado, já governou a Paraíba. Lucélio se perdeu. A resposta foi semelhante – e tão convincente – quanto à do saudoso radialista – era de ouro do rádio – Campinense Gil Gonçalves, num momento em que se viu em apuros: “procurando o martelo*”.

Enquanto Lucélio Cartaxo desafinava – esquecendo até trechos da letra musical que entoava uma canção não ensaiada – o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues se justificava na mídia, respondendo ao claudicante arlequim João Azevedo, usando a “Cristandade” como pretexto. Em seus argumentos desprovidos de lógica ou razão, Romero Rodrigues interpretou – pelo que ficou subentendido – que o povo paraibano aspira por uma chapa, cujo principal propósito seja unir duas famílias. Sem dúvidas, para que se amplie ainda mais o nepotismo reinante. Se isto não for insanidade, é mediocridade sem precedentes.

Se seu desígnio tem como missão unir famílias, Romero Rodrigues deveria começar a partir de sua própria “linhagem”. Trazer de volta a mesa de jantar do Clã Cunha Lima, Renato irmão de Ronaldo e tio de Cássio, e o deputado estadual Arthur Filho, ambos ainda na base do governador Ricardo Coutinho. Amenizaria as tensões entre Bruno e Tovar – seu parente por afinidade, genro do Conselheiro Fernando Catão seu tio, a quem confiou sua Chefia de Gabinete na PMCG com “poder de caneta”. Alavancaria o nome de seu irmão Moací, eterno candidato a deputado federal – carente de seu apoio – frustrado sempre com tristeza ao vê sua postulação abortada antes das convenções. Para surpresa de todos, Romero Rodrigues vem aos poucos – em público – minimizando a grandeza da liderança de seu criador, Senador Cássio Cunha Lima.

A escritora inglesa Mary Shelley, autora da primeira obra de ficção científica, “Frankstein ou o Moderno Prometeu” (1818), não previu que seu enredo seria plagiado na distante província da Parahyba – na época pertencente ao Império do Brasil – e no final do longínquo século XX, já como República Federativa e em regime democrático. Senador Cássio Cunha Lima será vítima de suas “criaturas”, como o personagem de Mary Shelley? Que o diga o Senador José Maranhão, “criador” da figura de Prefeito da Capital Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo e o de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, que hoje unidos ou separados – motivados por suas rebeldias ingratas – tentam defenestrar aquele que lhes deu o “sopro” de vida, como homens públicos.

*Procurando o Martelo – muito usado na redação do extinto Diário da Borborema, na época do seu Editor Chefe, Jornalista Josusmá Colho Viana. Referia-se a surpreender alguém e encalacra-lo sem respostas. Poucos sabiam a origem. Saudoso Gil Gonçalves, fino, educado e muito culto – já sexagenário e em sua fase da pré-andropausa – costumava divertisse furtivamente com suas secretárias do lar. Numa certa manhã de domingo sua esposa foi à missa, e voltou às pressas por ter esquecido a mantilha. Na cozinha, a secretária em frente ao fogão e Gil a abraçando por trás. “O que é isto Gil”? Bradou sua senhora. Gil, diante da surpresa respondeu: “estou apenas procurando o martelo”.

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CHAPA TITANIC

            O precipitado anúncio (ontem 08.06.2018) de uma chapa que dividira as oposições na Paraíba – pela sua formação – vem concretizar a tese da existência ”autista” no mundo político, onde se acomodam alguns dementes, literalmente desconectado com a realidade e desmemoriado de exemplos mal sucedidos por aqueles que tentaram nomear “herdeiros” de um patrimônio (votos) que pertence ao povo.

            O Prefeito de Campina Grande, que após um ano de peregrinação por todo o estado não conseguiu viabilizar sua candidatura para governador (eleições 2018), se juntou com o de João Pessoa, e lhes passou o bastão. Cartaxo “amarelou” diante do desafio e indicou seu irmão gêmeo (?) que há quarenta dias não ultrapassou a ponte do Rio Sanhauá. Sua plataforma de campanha se resume em transformar a residência oficial do governador (Granja Santana) em um parque infantil. Diante de tanta “miopia”, o aconselhável foi lhes indicar uma companheira de chapa “oftalmologista” que pode até ajudá-lo a enxergar, porém, jamais “ver” a mediocridade desta esdrúxula composição “familiar” – de caráter mesquinho – e com nítido propósito (ou devaneio) de ocuparem o poder a qualquer custo, ignorando completamente qualquer raciocínio lógico do eleitor, transformando-os em idiotas.

            Infelizmente chegamos à conclusão, que o poder deve ser mesmo “doentio”, ou deixa psiquicamente “enferma” as pessoas que o desfrutam por muito tempo. Romero Rodrigues sabe das dificuldades e os longos anos de aprendizado que lhes foi necessário, para alcançar o posto de Prefeito de Campina Grande. Foi vereador, presidente da Câmara Municipal de Campina Grande; Deputado Estadual; Chefe da Casa Civil (com poder de caneta) do então governador e primo Cássio Cunha Lima; Deputado Federal, com bom desempenho no parlamento, conquistar finalmente o respeito da população Campinense, que o elegeu e reelegeu Prefeito da Capital do interior nordestino. É inimaginável que com tanta experiência, cometa um erro tão primário, como permitir que sua esposa componha uma chapa para o governo do estado – encabeçada por um cidadão – cujo único mérito é ser irmão do atual prefeito da Capital. E o Senador Cássio Cunha Lima? Não está percebendo este desastre? Apesar de sua excelente posição nas pesquisas – para o Senado Federal – não tem “musculatura” para alavancar e sustentar esta aventura “sangue azul”. As uniões familiares para fortalecerem o poder, morreram com as Monarquias Absolutistas. Nem a Rainha da Inglaterra, tem coragem de lançar membro de sua família na política partidária. Preferem se acomodarem na Câmara dos Lordes, que disputarem o voto dos seus súditos.

            Poder político numa democracia, não se transfere nem se herda: se conquista. Senador Cássio Cunha Lima começou sua luta pela conquista do poder, nas eleições de 1986, quando seu pai era Prefeito de Campina Grande. Mesmo assim, fez uma campanha diferenciada. Foi o candidato “constituinte” representando a juventude. Campeão de votos no estado – altíssimo percentual do voto feminino – que o denominava de “Cássio Coisa Linha”. Para suceder seu pai – se na época tivesse segundo turno – teria sido derrotado. Edvaldo do Ó, dividiu a oposição com Enivaldo Ribeiro. Sua caminhada para alcançar o governo do estado se alicerçou em três mandatos como Prefeito de Campina Grande; dois de Deputado Federal; passagem pela extinta SUDENDE como Superintendente; apoios imprescindíveis de adversários históricos como Wilson Braga e Efraim Morais e a desistência de Ney Suassuna (2002) véspera das convenções, levando José Maranhão a lançar seu vice Roberto Paulino, que não havia se preparado para disputa. Uma vitória apertada no segundo turno levou Cássio ao Palácio da Redenção.

            Registrem-se exemplos históricos: palanque fraco, derrota todos. Senador Cássio Cunha Lima e alguns candidatos a renovar seus mandatos para a Câmara dos Deputados podem ser vítima de um “empuxo”, afogando-se no naufrágio desta chapa “Titanic”.

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POLARIZAÇÃO PREVISTA ENTRE MARANHÃO E LUCÉLIO

            O cerco do Poder Judiciário se fecha contra o governador Ricardo Coutinho. Mais de onze processos que dormitavam nas “conchegativas” prateleiras – climatizadas com ar refrigerado no STF – desceram para o Tribunal de Justiça da Paraíba, para que se remetam todos a sua origem: primeira instância. Enquanto isto, no TSE e TRE-PB, ainda resta ações que o acusa de “uso da máquina” e abuso do poder econômico em sua reeleição de 2014. Um verdadeiro calvário, principalmente para Ricardo Coutinho, que sempre dispensou pouca cortesia e atenção ao Poder Judiciário.

            Como destacamos algumas vezes, e sempre valendo-nos da analogia, as derrotas dos grandes Generais da história, ocorreram quando lutaram em duas frentes. Ricardo Coutinho se depara diante deste desafio. Vencer cerca de vinte processos que tramitam na Justiça – alguns da época que foi Prefeito da Capital – e simultaneamente comandar a campanha de seu “claudicante” candidato à sucessão, João Azevedo.

As deserções de seus batalhões já começaram. O PR do deputado federal Wellington Roberto, está se agrupando as tropas “Maranhistas”, na esperança de indicar o vice do MDB. O PP do clã Ribeiro – se porventura arriscar romper com a aliança que tem com o PSDB – não terá alternativa, senão procurar se agregar a postulação emedebista. Entretanto esta hipótese parece bastante remota, em função da perda de espaços, onde está aquartelada toda sua força de combate para enfrentar a “guerra” eleitoral deste ano de 2018: PMCG e PMJP. O PDT da vice-governadora Ligia Feliciano se lançará na disputa. O DEM? briga com o PT. Os herdeiros do “Lulismo”, não admitem presença em palanque dos “golpistas” do Democrata.

Inteiramente alheio ao que se passe nos bastidores – deslumbrado pela bajulação em sua volta – o ex-secretário João Azevedo peregrina com uma caravana de “comissionados” do governo, batendo as portas de Prefeitos – outrora desprezados pela gestão “socialista” – que simplesmente ignorava este tipo de liderança política. João Azevedo ainda não sabe quem serão seus candidatos ao Senado Federal, muito menos seu (a) vice. E a chapa para Câmara dos Deputados?

Em circunstâncias inversa, o PV navega em “mar de Almirante”. No instante em que faltam nomes no MDB e PSB, sobram na aliança que brande a bandeira de Lucélio Cartaxo. Senador Cássio Cunha Lima, é o primeiro dos candidatos ao Senado. Lira tem a pretensão de ser o segundo. Porém, Manoel Júnior (PSC) vem demonstrando reunir mais condições, pela questão da “antiguidade” e fidelidade junto ao grupo. Esteve ao lado do Senador Cássio nas eleições de 2014, como dissidente do PMDB. Foi candidato a vice-prefeito da Capital para consolidar a vitória de Luciano Cartaxo. Raimundo Lira representa o PSD, legenda que o abrigou depois de romper com o MDB. Talvez, Manoel Júnior pudesse até declinar de seu intento. Isto, se porventura o Deputado Federal Rômulo Gouveia reivindicasse para si mesmo a vaga. Para transferir, é outra “estória”. Todo o esforço do MDB, doravante, é polarizar a disputa com Lucélio Cartaxo. João Azevedo – como peixe no aquário – não fará outra coisa, senão nadar em circulo. Como nada é impossível no dinâmico mundo da política, só um fato extraordinário, ou estapafúrdio, mudará este quadro.

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CAMPANHA DE JOSÉ MARANHÃO NÃO CONSEGUE DECOLAR

            Resta pouco mais de oitenta dias (05.08.2018), para o encerramento do prazo final permitido pela legislação eleitoral, para que os partidos realizarem suas convenções e formalizarem pedidos de registros das candidaturas de suas chapas, com vistas às eleições de outubro próximo (07.10.2018).

            Em apenas um ano, o quadro das pré-candidaturas sofreu alterações inesperadas – principalmente para o povão – que acompanhava esta “maratona” observando e torcendo por um bom desempenho dos participantes à época. Prefeitos Romero Rodrigues (Campina Grande) e Luciano Cartaxo de João Pessoa, não alcançaram a metade da prova. Governador Ricardo Coutinho – com campanha pronta para o Senado da República, “amarelou” e perdeu o ritmo, temendo a Justiça Eleitoral que julgaria sua cassação só após 07.04.2018. De todos que começaram a disputa, claudicando ainda permanece o Senador José Maranhão, e representando os interesses “continuístas” do Palácio da Redenção, o Engenheiro João Azevedo.

            Ao se debruçar sobre as “oligarquias” e onde elas se encontram no momento, o Senador José Maranhão tem uma noção precisa de suas dificuldades – criadas por ele mesmo – por não ter se “reinventado” ao longo do tempo, mudando um estilo que já o levou a uma série de derrotas. Onde estão os “Regos”? Ao lado do governador Ricardo Coutinho, seu grande “invento” (2004) para arrostar os Cunha Lima. Os “Motas” de Patos? Os irmãos Cartaxos? Todos foram produtos do “Maranhismo”. Adicione-se a estes, o ex-senador Efraim Morais e ex-deputado federal Wilson Santiago, que ganharam espaços nas duas gestões do PMDB à frente dos destinos da Paraíba.

 Finalmente, com quem vai formar seu “time” o Senador José Maranhão? Até o suplente (hoje titular) Raimundo Lira, deixou o MDB (caindo num golpe), e ficou trancafiado ou refém do PSD de Rômulo Gouveia. A pré-candidatura do Senador Maranhão, começa a aparentar um desafio “quixotesco”, em virtude da incapacidade de conquistar adesões dos Deputados Federais, Estaduais e Prefeitos. Resta no momento, apenas o PR de Wellington Roberto – até onde se saiba – ainda comprometido ao lado de Wilson Santiago com o projeto político do governador Ricardo Coutinho, que impõe sua “criatura” João Azevedo, como defensor da sobrevivência política de seu grupo.

Para os que consideram que “o homem é um produto do meio”, talvez o Senador José Maranhão tenha colecionado algumas derrotas, por ouvir os “arautos” do seu próprio “meio”. Bem que quis evoluir, ano passado (2017), quando visitou o ex-senador Ivandro Cunha Lima e se reaproximou do Senador Cássio. Porém, falando mais que escutando, alardeava seu desejo imperioso de voltar ao Palácio da Redenção. E, qualquer que fosse a forma de unir as oposições, o cargo de pré-candidato ao governo era inegociável para o MDB. Postulantes ao Parlamento (Estadual e Federal) e Senado da República fogem de palanques fracos. Basta observar-se o destino do ex-senador Vital Filho, que enterrou sua carreira política na aventura de 2014: 110 mil votos, contra mais de 650 mil, obtidos quatro anos antes, para o Senado Federal.

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PREVISÕES DE TEORI ZAVASCKI

            Aproximadamente uma semana antes do fatídico (suspeito) acidente que culminou na morte de Teori Zavascki (janeiro de 2017) – relator da “operação lava-jato”- zeloso cuidador do sigilo e do “foro privilegiado” desfrutado por dezenas de políticos e Congressistas envolvidos no escândalo do petrolão e seus desdobramentos, o Ministro foi abordado por um repórter na entrada do STF, que o indagou sobre o “tema” Eduardo Cunha (preso em 19/10/2016). Tergiversando a resposta, Zavascki deixou escapar sua real preocupação e “sublinhou” em rápida resposta: PT, PSDB; PP; PSD deverão ser extintos (?). Este importante registro histórico, foi visto em alguns Portais de Notícias, como “nota de rodapé”, sem destaque ou importância.

            A mídia esqueceu que já estava nas mãos do Ministro, a mega delação dos oitenta executivos da Odebrecht, envolvendo os partidos políticos a que ele se referiu. Poucos dias após, veio à tragédia (19.01.2017). A Ministra Carmem Lúcia assegurou ao MPF que manteria a decisão do saudoso Ministro, em homologar todas as delações. Recrutou uma equipe de Juízes que em ritmo acelerado, concluíram o trabalho numa área reservada do STF, e a Presidente Carmem Lúcia nomeou em (07/02/2017) o Ministro Fachin para quem entregou o farto material colhido nas delações e suas extensões, atingindo de cheio todo o alto escalão da República, ferindo de morte o Congresso Nacional. Ministro Edson Fachin herdou um dos piores “espólio histórico” da República, com a função de “escorá-la”, ou deixá-la desmoronar como já tinha advertido e previsto seu antecessor Teori Zavascki.

            Em apenas quinze meses, o Presidente Michel Temer já escapou de duas denuncias do MPF, que pediu permissão a Câmara dos Deputados para processá-lo. Muitos ex-ministros e a principal estrela do governo petista (ex-presidente Lula) foram para cadeia. O líder do PSDB Aécio Neves sobreviveu com ajuda de seus pares do Senado Federal, a uma prisão semelhante à de Delcídio do Amaral. Os “arautos” de todas as siglas mencionadas por Teori Zavascki estão envolvidos. Os que não estão presos – protegidos pelo foro – estão aguardando decisões do STF que ontem (03.05.2018) admitiu restringir os benefícios que os tornava inalcançáveis perante a lei. Coincidentemente, no mesmo instante que a PF realizava uma operação prendendo mais de 51 doleiros no Brasil, e outros no Uruguai e Paraguai. Evidente que esta operação está alicerçada na delação do ex-ministro Antônio Palocci.

            Até Julho deste ano (2018) saberemos quem foi atingido pelas flechas desferidas do “bamburral” de Rodrigo Janot, ex-procurador geral da república. São tantos fatos simultaneamente acontecendo, que o povão perde completamente a noção da sequencia. Fazendo uma analogia aos vendedores ambulantes das grandes cidades, a PGR, PF e lava-jato está fazendo um “rapa”. Na classe política, um verdadeiro salve-se quem puder. Aumentando ainda mais a dor de cabeça de muitos, vem a qualquer momento as “sequelas” da delação de Paulo Preto, “operador mor” do PSD de Gilberto Kassab, que segundo planilhas da PF usou uma rede de “malha fina” e pegou até as “piabas” (pequenos empreiteiros, empresas fantasmas, parlamentares e prefeitos) parturientes do “milagre” da multiplicação que resultou numa arrecadação de 180 milhões de reais (até o momento). Alguns partidos mudaram de nome. Mas, como recomenda um adágio popular gaucho, “não adianta trocar as almanjarras se as bestas são as mesmas”.

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FIM DA TERCEIRA FORÇA

            Declarações do PSDB nesta sexta-feira (13.04.2018) sobre apoio ao projeto majoritário para o governo do Estado do PV (Lucélio Cartaxo) com adesão do PSD e outras pequenas legendas, sinalizam o fim da tão sonhada “terceira força” política na Paraíba, projeto do PSB de Ricardo Coutinho. O Fato é espantoso; silenciou toda a crônica política “palaciana”. Atônitos, e sem argumentos plausíveis para justificarem como se desmorona uma estrutura – erguida durante 15 anos ininterruptos com “poder de caneta” – com um único “movimento de peões”, questiona-se: como se põe em xeque, de modo tão simples a credibilidade e confiança de uma liderança do perfil Ricardo Coutinho, ousado, desafiador e colecionador de vitórias?

            Como “mito” da antiga Grécia, o “socialista” sempre teve o seu “calcanhar de Aquiles”: vaidade exacerbada aliada a soberba. Cometeu uma série de erros ao longo de sua vida pública, mas, como destacamos em um artigo sobre o “fenômeno sorte”, este evento supersticioso sempre o salvou de derrotas iminentes. Bateu impiedosamente durante os últimos três anos, no Tucano Cássio Cunha Lima, e poupou os irmãos Cartaxo. Como criar agora, um discurso contra Luciano e Lucélio? Mesmo que acreditemos que Lucélio talvez ainda seja provisoriamente um “Coelho de Maratona”.

            Ao percorrer os imensos corredores existentes no labirinto do poder, não é recomendável “fechar portas” no percurso, sob pena que, em caso de retorno, não ter como reabri-las. Ricardo Coutinho derrotou Cássio, Cícero e Rui Carneiro em 2004 (eleições municipais da Capital) com apoio de José Maranhão. Em 2008 reelegeu-se e derrotou todos – com uma chapa puro sangue – tratando José Maranhão já como eleitor, não como força política. Pleito de 2010, eleições para o Governo do Estado, voltou-se contra José Maranhão e o venceu, aproveitando-se da sanha revanchista do Senador Cássio Cunha Lima, cassado em 2008. Para reeleger-se em 2014, Cássio Cunha Lima foi seu “cabo eleitoral” quando deixou de apoiá-lo, depois que repetiu inúmeras vezes que endossava o “socialista” no seu projeto de reeleição. E manteve até o último minuto da prorrogação (analogia ao futebol), dez Secretários de Estado por ele indicado na gestão do “socialista”, dando a Ricardo o discurso do traído. Uma campanha prevista para ser ganha no primeiro turno (Cássio), foi levada para seu segundo momento, ocasião que José Maranhão repetiu o gesto de Cássio, vigando-se de suas derrotas – impostas pelo tucano campinense – e apoiou Ricardo Coutinho, transferindo os 110 mil votos “partidários” de sua legenda (PMDB), conferidos ao ex-senador Vital Filho, que disputou o governo, para contar quantos votos tinha o PMDB-PB.

            Ao permanecer no cargo e não renunciar, Ricardo Coutinho expôs seu ponto frágil, reconhecido por seus correligionários: péssimo e inábil transferidor de votos – já observado em outras ocasiões – quando não conseguiu eleger em duas tentativas o Prefeito da Capital, um Deputado Federal ou Senador da República. Para que se tenha uma noção mais exata sobre sua claudicante dificuldade em “transferir votos”, basta destacar que seu líder na Assembleia Legislativa é um Suplente. Como se não bastasse, duas ações no TSE põem em risco seu mandato. Se ocorrer uma cassação, inaugura-se um período “aziago” em sua vida pública, que pode leva-lo a abandona-la precocemente.

            O lançamento de Lucélio criou instantaneamente uma polarização dentro da oposição, ofuscando literalmente o candidato de Ricardo Coutinho, que ficou sem nomes ou quadros, para formar uma chapa competitiva.

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NADA ALÉM DO PREVISTO

            Publicamos neste espaço – ao longo dos últimos seis meses – alguns pontos de vista sobre as manobras políticas/partidárias da “pequenina”, pontuando o previsível, dentro de uma leitura realista do quadro político, e o imutável comportamento “padrão” de seus protagonistas. A permanência de Ricardo Coutinho no governo, registramos com bastante antecedência, balizando-se pela lógica: a perda do foro privilegiado. Posteriormente, dois eventos cristalizaram a decisão: processo de cassação de seu mandato no TSE, e sua condenação no TRE-PB por conduta vedada nas eleições de 2014. Ambos, para serem revertidos, exigem investidura da “autoridade” de governador, e no cargo. Sobre a cassação do TRE-PB, a mídia palaciana – que permeia já todo o estado – festejou a minimização dos efeitos daquilo que foi prolatado pela Corte Eleitoral, alegando que a decisão visava obrigar o condenado a pagar de uma multa (?). Se um condenado é obrigado à pagar uma multa por “conduta vedada”, ele cometeu um crime eleitoral, punível com inelegibilidade de 05 a 08 anos. O TRE pode até não ter publicado em seus acórdãos, os efeitos penais. Mas, é de ofício o MPE recorrer pedindo seu afastamento do cargo, o que lhes torna inelegível.

            Quanto à ação do TSE, já pronta para ir a Plenário, os Advogados de Ricardo Coutinho travarão uma batalha titânica, usando os artifícios “recursais” e procrastinatórios, já que por um triz, seu processo foi atravessado pelo do Estado do Tocantins, e por motivos semelhantes, Governador e Vice foram cassados. Se Ricardo Coutinho tivesse se afastado, a esta altura – pela decisão do TRE-PB – já estava (como está) inelegível. O “fico” foi um drama circense, comemorado pelos apaniguados do Palácio da Redenção, que torcem para que o governo alcance 31.12.2018.

            Luciano Cartaxo, bem mais realista – apesar de exibir musculatura (financeiras) para entrar na corrida – desistiu temendo os próximos capítulos da lava-jato e outras operações da PF, que poderiam surpreendê-lo sem mandato, e foro privilegiado. Preferiu não correr riscos, num momento em que o MPF e as Cortes de Justiça estão revendo seus limites de tolerância, contra as “traquinagens” recorrentes da intrépida classe política. Romero Rodrigues, que realiza uma brilhante gestão como Prefeito de Campina Grande, desistiu pela absoluta falta de estrutura – inclusive financeira – para abraçar o projeto. Ao iniciar suas andanças como pré-candidato, repetindo os passos de Cássio (2002), sentiu que lhes faltava o apoio da Prefeitura de João Pessoa, e a “reserva de caixa” – da época de Cássio – gordura criada com a venda da CELB. Por outro lado, questionou-se a discutível “confiança irrestrita” no grupo político que pertence seu vice.

            A disputa volta ao ponto de partida, início de 2017, com José Maranhão (MDB) Cássio Cunha Lima (PSDB) e o candidato de Ricardo Coutinho (PSB) até o momento, João Azevedo. O desafio da “maratona” é alcançar julho, um longo caminho a ser percorrido. Ricardo Coutinho, estando ainda na “cadeira”, talvez João Azevedo reúna condições de registrar sua chapa. Do contrário, sobrarão Cássio e José Maranhão. Será que celebrarão o acordo, já pré-ajustado? Se o fizerem, Maranhão volta ao Palácio da Redenção e Cássio para o Senado da República. Mas, o amigo Gilvan Freire fez uma insinuação recentemente em um artigo, sobre Pedro Cunha Lima. Neste caso, Cássio desceria para a Câmara dos Deputados – como fez seu pai em 2002 – abriria duas vagas para o Senado e Pedro disputaria com José Maranhão. Pelas exigências dos eleitores, diante dos escândalos da lava-jato, ser ficha limpa é fundamental. Na oposição, com estes perfis, têm-se José Maranhão, Pedro Cunha Lima e João Azevedo. O que ainda nos intriga, e que pode trazer surpresas é o “faro” de Gilvan Freire.

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AS BARBAS DE RICARDO

            Governador Ricardo Coutinho, com certeza não leu a Odisseia de Homero, clássico da literatura Grega, escrito 850 anos A.C. Ou se leu, esqueceu-se de tapar os ouvidos de seus marinheiros, e se amarrar ao mastro do seu navio (mandato) evitando se afogar-se, caindo no mar, embalado no irresistível “canto da sereia”.

            Os sinais lhes mostraram um grau de dificuldades ao termino de seu mandato, envolvido com demandas judiciais. Tudo começou com o TCE e sua queda de braço com o Conselheiro Catão, considerando-o suspeito de julgar suas contas do ano eleitoral de 2014. A Procuradoria do TCE foi enfático em seu parecer, mostrando desvio de conduta na execução do orçamento, o que seria passível de correções, revisões ou juntada de documentos pertinentes, que sanassem as exigências legais. Mas, usando das prerrogativas do “triste do poder que não pode”, atropelou o TCE.

            Empurrando com a “barriga”, sua prestação de contas foi recomendada para aprovação com “ressalvas”, o que implica em uma análise mais profunda e com subsídios enriquecedores, para que a Assembleia Legislativa chancele as recomendações do TCE. Vencido o contencioso de 2014, eis que surge o de 2015, com os mesmos problemas represados de 2014 e investigação minuciosa da Procuradoria do TCE, que recomendou o Relator Conselheiro Fernando Catão, rejeitar as contas do exercício 2015. Fernando Catão levou mais de seis meses, conversando com seus pares para minimizar os efeitos de seu relatório, temendo ser “politizado” na interpretação do “pastoril político” que vive o Estado. Após consenso, foi a plenário e seus colegas puxaram a escada, o deixando só, e segurando apenas no pincel. Abstenção e mudanças bruscas de posições constrangeram o Conselheiro, que viveu momentos humilhantes.

            A Procuradoria encaminhou toda esta documentação para o Ministério Púbico Eleitoral, que se abasteceu de provas robustas, no que se refere ao abuso do poder político e econômico – uso da máquina pública – fator decisivo para desequilibrar uma campanha. Renuncias fiscais, caso da PBPREV; assistencialismo… Um conjunto de condutas vedadas, praticadas pelo Governador, que disputou a reeleição na cadeira e com “poder de caneta”. Superado todos os recursos procrastinatórios, veio o primeiro julgamento de uma AUJE onde o TRE absolveu Ricardo por 5×1. O MPE apelou, foi acolhido pelo MPF/PGR e está em pauta para julgamento no TSE. Hoje (22.03.2018) o TSE cassou o Governador e Vice do Tocantins, por motivos semelhantes ao caso da Paraíba – conduta vedada – com a diferença de valores bem inferiores ao exposto na denuncia da Paraíba. O roteiro parece com 2008. Tocantins, Cássio; Jaques Lago…

            Quando a oposição começou a se desorganizar, Ricardo Coutinho era para ter percebido que algo estava errado. Já que na dispersão ninguém o procurou, ficava evidente que ele seria a “bola da vez”. A tentativa de sua Secretaria e ex-procuradora patrocinar um jantar em sua residência, com os casais Sales Gaudêncio, José Maranhão/ Desembargadora Fátima Cavalcanti e o próprio Ricardo Coutinho, foi uma oportunidade impar para o “socialista” calçar as sandálias da humildade e ouvir, pedir ajuda, ou aconselhamento do Senador José Maranhão, decano da legenda (MDB) no Estado e no país, um dos escudeiros da “tropa de choque” do Presidente Temer. Entretanto, embalado com a bajulação midiática palaciana, desperdiçou a oportunidade e falou apenas de seus altos índices de popularidade, e sua obstinação em eleger seu candidato João Azevedo.

            Presidente Michel Temer ficou ressentido com a insistência campanha que o Governador Ricardo Coutinho fazia e faz contra ele. Chamando-o de “golpista”, traidor e desconhecendo sua gestão. Tudo isto embalado no “canto da sereia” da mídia que ele paga a peso de ouro, que chegou ao ponto de lança-lo como provável candidato a vice-presidente ou talvez até Presidente da República (?). Com todo respeito a sua gestão, suas obras só beneficiam o estado, dentro de suas divisas. O nome não é conhecido nacionalmente. Seu “guru”, saudoso Eduardo Campos, com todo o peso de sua biografia oligárquica, quando faleceu ainda estava com 6% das intenções de votos, na corrida presidencial.

            O TSE retirou de pauta (nesta quita-feira 22.03.2018) o seu processo, que pode voltar nas duas sessões da semana vindoura. No TRE ainda estão procrastinando um pedido de vistas, num placar de 4×0, onde pedem sua cassação. Outra AIJE que estava pautada para esta semana que se encerra amanhã, a Secretaria do TRE ainda não marcou a data do início de mais um julgamento. Para Ricardo Coutinho tudo que resta agora é cuidar de suas barbas e pô-las de molho. As do vizinho (Tocantins) arderam bastante. Seus gemidos chegaram a serem ouvidos até por aqui.

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LEGÍTIMA E RESISTENTE OPOSIÇÃO

            Os solavancos provocados pelo “controle” ou maior parcela, do “Fundão Eleitoral”, esfacelou os grupos políticos da Paraíba, que tentavam formar um bloco de oposição para enfrentar o PSB do Governador Ricardo Coutinho. Sempre o velho dinheiro… Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, quis uma “fonte” própria e deixou o PSD de Rômulo Gouveia, que “encolhe” significativamente com sua debandada. A legenda que carreou recursos para sua gestão, agora é descartada. Buscando quota extra, o filho do líder tucano da Paraíba, Deputado Federal Pedro Cunha Lima, está tentando se abrigar no PPS. Do ponto de vista político ideológico, uma contradição sem precedentes. O Clã da família Mota de Patos já está no comando de outra sigla (PRB), garantindo recursos para voltarem a seus postos no Parlamento. Vice-Prefeito de João Pessoa, Manoel Júnior, quis lançar sua pré-candidatura ao Governo do Estado, justificando sua saída do MDB, e procurar outra agremiação política. No TSE tem 36 legendas com registros, porém, apenas 24 com representação no Congresso Nacional. Pelo visto, em 2022 serão 594 Partidos políticos com assento nas duas Casas Legislativas. Cada Deputado Federal e Senador da República terão seu próprio partido, para financiar suas campanhas e barganharem em votações polêmicas do Executivo.

            O povo é sempre o último a “saber” – paradoxalmente nunca entender – estas “acrobacias” circenses de suas lideranças, com malabarismos “escapistas” que os deixa cada vez mais confusos e céticos, quanto à eficiência do modelo de regime político que escolhemos e batizamos de “democracia brasileira”, em função de suas peculiaridades e excentricidades, não vista na teoria e nem na prática por onde ela existe, e foi adotada.

            Na nossa amada “pequenina”, dois fatos nos chamaram a atenção esta semana, que se encerra hoje. Primeiro o TSE que marcou pauta para o julgamento do Governador Ricardo Coutinho dia 13/03/2018. A grande mídia estadual, além de não noticiar o fato, muito menos registrou seu desdobramento: a sessão foi adiada poderá ser realizada a partir do dia 20/03/2018 se o Ministro Barroso estiver presente. Em seguida, ontem (15/03/2018), o TRE-PB esteve reunido e julgando uma AIJE contra Ricardo Coutinho. Um dos Juízes pediu “vistas”, quando o placar já estava em 4×0 contra Ricardo Coutinho. Se a Corte Eleitoral é composta de sete membros, em tese o réu já está condenado por “conduta vetada”, nomeações e exonerações no microperíodo eleitoral. Para um bom entendedor, isto implica em cassação ou perda do mandato. Mas, a mídia também não noticiou. Uma terceira ação (AIJE) entrará na pauta do TRE-PB semana vindoura, sobre uso eleitoreiro de o projeto Empreender, considerado como uso da máquina no pleito de 2014.

            Em meio a todos estes acontecimentos, a mídia só estava preocupada com a divisão das oposições, e a falta de um candidato (?). Acho que todos estão surdos, mudos ou cegos. Senador José Maranhão é o mais legítimo candidato de oposição, há mais de um ano. Tem percorrido todo o estado, visitado até adversários hostis como o clã Cunha Lima, na busca de apoio ao seu projeto. Em nenhum momento ele falou em abdicar de sua postulação. Ouviu até um lamento do Senador tucano Cássio Cunha Lima: “PSDB-PB era para está unido ao PMD-PB desde 2014”. Por que agora toda esta celeuma? Cremos apenas por conta dos interesses pessoais dos capitães da mídia, que estão percebendo claramente a possibilidade de em 2018, realizarem uma travessia longa e incerta, sem o oásis dos cofres públicos para saciar sua “sede”. A probabilidade do governador Ricardo Coutinho está fora do Palácio da Redenção até maio de 2018 são manifestas. Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, fora da disputa, como sobreviverão os grandes sistemas de comunicações e seus “formadores de opinião”?  Em tempo, se o TSE cassar o governador Ricardo Coutinho, quem assume é a vice, Lígia Feliciano que pode disputar uma reeleição.

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ESTRANHA NORMALIDADE

            Sábado (10.03.2018) o Presidente Michel Temer deixou o Palácio Jaburu, sem sua indumentária formal e tentando usar da discrição – imaginando que fugiria da mídia plantonista – e dirigiu-se a residência oficial da Presidente do STF, Ministra Carmem Lúcia. Pego de surpresa, o Presidente criou uma versão “republicana” para o encontro, escondendo seu verdadeiro propósito, que dentre outros temas, constam desde a “inquietação dos quartéis” até provavelmente ao processo que responde, e seus desdobramentos, a partir do intempestivo pedido da Procuradoria Geral da República da quebra de sigilo bancário, solicitação de pronto atendida pelo Ministro Barroso. No mundo ocidental democrata e civilizado é o primeiro caso que ocorre de um pedido de quebra de sigilo bancário de um Presidente da República, no exercício pleno de suas funções. Quem fiscaliza a conduta do Presidente é o Congresso Nacional. Se ele tivesse afastado de suas funções… A cada dia, a Constituição perde sua função regulatória.

            O distanciamento do Poder Judiciário dos dois outros pilares da República – Legislativo e Executivo – tem ensejado um quadro inusitado de “intimidações” e expectativas das mais diversas, em função de suas decisões “interpretativas” mudando o formato da lei votada pelo parlamento, discutida e escrita no Português que é conhecido e ensinado nas escolas do país, a todos os brasileiros (?).

            No encontro do MPF do Rio, vésperas da despedida do então Procurador Rodrigo Janot, Carlos Fernandes e Delangol (Força Tarefa Lava-Jato) deixaram claro e de forma enfática, que todos decidiram travar a batalha final contra a corrupção, nas eleições deste ano em curso 2018. O pacto tem mostrado seus efeitos. Nos últimos trinta dias, aumentou consideravelmente – acima da média – o número de denuncias do MPF contra a classe política, que estejam ou não usufruindo das prerrogativas do mandato eletivo. Relator da Reforma Trabalhista, Deputado Rogério Marinho foi denunciado. Vice-Prefeito de João Pessoa Manoel Júnior (ex-deputado federal) teve um pedido de inquérito enviado do STF para o Juiz Sérgio Moro. Até o insuspeito Senador Álvaro Dias – intransigente defensor da lava-jato – neste final de semana foi alvo de um delator.

            Neste nebuloso quadro de incertezas, encontra-se o Governador da Paraíba Ricardo Coutinho, que tem pauta de julgamento no TSE, marcada para amanhã (13.03.2018). O Relator do Processo que pede a cassação de seu mandato é o Ministro Napoleão Maia, que deu provimento a ação, em atendimento a uma apelação do então Procurador Geral Eleitoral Nicolao Dino. Em Brasília, o clima conspiratório tem tirado o sono dos políticos, que tentam se salvar deste processo “inquisitório” imposto pelo MPF semelhante e em nada difere do “Santo Ofício” e seu terror espalhado em nome da fé nos séculos XVII, XVIII e na Espanha – seu auge – até meados do século dezenove.

            Ricardo Coutinho tem demonstrado uma estranha normalidade. Terá uma “bola de cristal”? Ou sabe por antecipação o resultado do seu julgamento? Não está e nem foi a Brasília, reunir-se com seus advogados? É tudo muito estranho… O pedido do MPF deixa claro que só quer cassar o governador. Os efeitos do ato, não anulam a chapa nem atinge a vice Lígia Feliciano; seu partido PSB e sua postura pessoal ainda acusa o Presidente Temer de golpista; José Maranhão integra o projeto de reeleição de Michel Temer, que tem quatro Ministros nomeados no TSE; existe a semelhança do caso da Paraíba com o julgamento de Dilma/Temer pelo TSE e para fechar, o PDT deve está usando de tudo que pode, com intuito de emplacar uma candidata na Paraíba, que disputaria uma reeleição. Em meio a todo este “tiroteio”, Ricardo Coutinho ainda discute a longevidade de Maranhão? Seus últimos pronunciamentos sinalizam que permanecerá no governo. Mas, já não será a certeza que será cassado? Se o for, tudo que tem a fazer é torcer – contando com sua inesgotável sorte – para que a sentença não o deixe inelegível, e o beneficie com a mesma forma que privilegiou Dilma Rousseff.

 

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DESMORALIZARAM O EXÉRCITO

            O país se entusiasmou quando o Presidente Michel Temer decretou intervenção Federal na Segurança Púbica do Rio de Janeiro. Finalmente, a partir de um “ponto”, se iniciaria um “conto” de uma jornada vitoriosa rumo à paz pública, fim da violência banalizada; desmantelamento das Organizações Criminosas; combate a corrupção no seu nascedouro; disciplina; repeito a ordem e esperança no futuro, para que o progresso regressasse como o sonho secular, ainda estampado na Bandeira Nacional.

            Transcorreram-se mais de vinte dias, e o Rio de Janeiro continua o mesmo. Há três dias, numa “ação midiática”, as Forças Armadas “pinçaram” uma das milhares de favelas (rebatizadas de comunidades) pelas esquerdas – Vila Kennedy – e removeram 16 barricadas que impediam o trânsito de veículos nas principais via de acesso a população ali encarcerada a céu aberto. Não houve um único incidente. Repórteres tentaram contato com habitantes locais, que não falaram. Já tinha vivido tudo “aquilo”: cena e modus operandi são repetitivos, sem efeitos duradouros. Com a bandidagem se sentindo totalmente no controle do caos, a orientação é deixarem as tropas desfilarem, sem incomoda-las, e tudo voltariam a ser como de sempre em questões de dias. Mas, desta feita, foram mais rápidos. Em 48 horas repuseram todas as “barricadas” removidas pelo Exército, que deve voltar, e fazer o novamente a operações “tiram e botam”.

            O povão sofrido dos subúrbios não suporta mais viverem nestes “guetos” piores que o de Varsóvia (II Guerra) controlados pelos bandidos armados, Milícias, supervisionados pelas Policias Militares e Civis que fazem o papel das SS e Gestapo. Querem ver sangue derramado, em forma de vingança pelas perdas de milhares de vidas, extorsões sofridas; assaltados; destruição com vandalismo de seus lares; criminosos estuprando física e mentalmente crianças de 12 anos, transformando-as em prostitutas e traficantes mirins (aviões). O Poder Público, que nada fez ou faz, para coibir tudo isto, ainda pede paciência para que as Forças Armadas realizem “operações inteligentes”? Por que não aproveitam esta oportunidade e decretam Estado de Sítio?

             O narcotráfico tem hoje um efetivo de guerrilha fortemente armada, dez vezes maior que todo poder Militar do país, incluindo-se Forças Armadas, Polícia Federal e efetivo Policial dos Estados. Vão se entregar? Prisões isoladas farão recuarem? Só com perdas (baixas) expressivas é que se vencerá esta guerra. A população esperava enfrentamento, cobates, vê que seus algozes do quotidiano estariam mortos. Se possível, com a mesma tirania ou selvageria que vitimaram seus familiares. É a lei de Talião, que o Cristianismo com dois milênios não conseguiu abolir da alma humana. A Arena e os jogos de Roma sobreviveram. George Bush (pai) quando Presidente dos Estados Unidos foi desafiado por Sadan Hussein que invadiu o Kuwait, pequeno país que paga segurança aos Americanos, por não ter um Exército. Nos Estados Unidos, quem declara guerra é o Congresso, e não o Presidente. Mas, o Chefe da Nação usa de prerrogativas por até por 60 dias, que lhes permite o envio de tropas ao exterior. Bush não quis repetir o fracasso Jimmy Carter, que usou a “inteligência” para resgatar os Americanos presos no Irã, com a revolição dos Aiatolás. Enviou todo o seu potencial bélico, e expulsou Sadan Hussein do Kuwait. Entrou em território Iraquiano e foi deixa-lo em Bagdá. Só não liquidou o Iraque naquela ocasião, porque seu tempo de 60 dias havia se esgotado, e o Congresso não manifestou a intenção de declarar guerra.

            Ensina um adágio popular chinês: “quando os gatos se tornam amigos dos ratos, o prejuízo fica para o dono do armazém”. OAB, Justiça; Câmara dos Deputados… Todos querem saber o que o Interventor Braga Netto fará no dia seguinte. Para a OAB, a maior carteira de clientes de seus associados é o Rio de janeiro. A Justiça e o Sindicato dos Advogados do Rio convivem num          “excelentes” clima de relações “institucionais”. A população Carioca tem nas “comunidades”, 80% do eleitorado. Este ano, teremos eleições, e no Rio o voto é comprado e entregue com a mesma fidelidade e confiança, que aquisição de um papelote de cocaína, transportado por um “aviãozinho”. O que ainda está fazendo por lá o General Braga Netto? Não tem Poder de Policia, está submisso ao Judiciário; recebe ordens indiretas do Presidente da Câmara, candidato a Governador… Renuncie General! Convença seu Comandante a tirar o Exercito e Forças Armadas deste caos. Suas tropas estão cercadas e caíram num “bolsão” vigiado pelas imbatíveis Forças da Grande Corrupção que começa no narcotráfico, e permeia com “disfarces” todos os Poderes Constituídos da nação. A cada 5.8 minutos, um assassinato é praticado no país. Duas horas escrevendo este texto, lá se foram no mínimo 24 vítimas.

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LUCIANO CARTAXO E O HISTERISMO MIDIÁTICO

            Ao anunciar que não mais seria o pré-candidato das oposições ao Governo do Estado, nas eleições de outubro próximo (2018), o Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo não imaginou que provocaria uma “histeria coletiva” na população, que atônita desconhecia por completo os efeitos desta fatídica decisão, como interpretou a mídia radiofônica influenciadora das redes sociais. Centenas de grupos do Whatsapp bateram recordes em postagens contra e a favor. A verdade – sendo otimista – todo este tumulto deve ter alcançado no máximo 10% da população paraibana.  Atentos ao evento, só os defensores de contracheques, ocupantes de cargos comissionados nas Prefeituras de Campina Grande e João Pessoa, dando-se maior ênfase, aos barnabés do Estado.

            Ao longo da última das três últimas décadas, os proprietários de emissoras de rádio na Paraíba, atrelaram seus faturamentos e empreendimentos ao Governo do Estado e as Prefeituras das duas principais cidades da Paraíba: Campina Grande e João Pessoa. Criaram equipes e “monstros sagrados” dos microfones, capazes de “formar opinião”, e elegerem ou derrotarem candidatos por eles construídos, ou destruídos. Mera ilusão… Sobretudo dos que estão no poder e sabem quanto custou suas campanhas, e de que forma chegaram até onde estão. É claro que a bajulação diária da radiofonia massageia o ego do poder. Mas, não leva o povo a decidir, sem antes refletir. Se prevalecesse como verdadeira a tese da influência decisiva da mídia radiofônica Paraibana, nos destinos políticos do Estado, todos os que passaram pelo Palácio da Redenção eram imbatíveis. A história não tem nos provado esta premissa, como fato verdadeiro.

            Quatro anos da gestão do então governador Cássio Cunha Lima (2002/2006) o maior sistema de comunicação do Estado, através de sua imensa cadeia radiofônica, bateu impiedosamente no tucano que dentre outras dificuldades administrativa, constava o atraso da folha de pagamentos e o recebimento do 13º salário em forma de empréstimo bancário. O ex-governador José Maranhão, “considerado em férias”, esperava retorno triunfante em 2006. Os “ouvintes” preferiram manter o “menino de Ronaldo” no Governo da Paraíba, derrotando o cacique peemedebista nos dois turnos do pleito. Mas, ao que nos parece, a lição não foi absorvida pelo “mestre de obras”. Conseguiu, através da Justiça, cassar o tucano e assumir o comando da Paraíba. E, repetiu o mesmo erro. Segundo o saudoso Jornalista Sérgio Porto (Stanislaw Ponte Preta), todos os dias saem de casa um malandro e um otário… O problema é a hora do “casual” encontro. Dois anos de mandato após a cassação de Cássio Cunha Lima, José Maranhão postulou sua reeleição. Ao seu lado (2010) estavam todos os “sistemas de comunicações” e a “elite” formadora de opinião da radiofonia paraibana. Contou até com o IBOPE, através da Rede Globo, que divulgou na sua pesquisa em nível nacional, resultado de todos os Estados. Na Paraíba não haveria 2º turno. José Maranhão vencia com a margem de 22,7% de maioria, sobre o atual governador Ricardo Coutinho. Os “ouvintes” não escutaram os apelos dos formadores de opinião? Sequer deram crédito ao IBOPE…

            Há poucos dias viajamos ao interior do Rio Grande do Norte, cruzando quase toda a Paraíba, a partir de Campina Grande. Roteiro sem pressa, paradas em botecos; feiras livres; Mercados Centrais; Postos de combustíveis, onde conversamos com o povo informalmente. O assunto predileto se reportava a banalização da violência, e as vísceras: fome. A falta de dinheiro, meios para ganhar alguns trocados; luz e água com fornecimento cortado… Uma lamuria geral. Quando indagamos sobre política e candidatos, percebemos uma imensa inapetência pelo tema. A maioria não sabe, não conhecem nem ouviram falar sobre Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues. Conhecem Ricardo Coutinho, Cássio Cunha Lima e José Maranhão. Todos falam mal dos Vereadores, e a maioria do Prefeito local. Esqueceram Lula e Dilma, e ainda esperam uma ação do Presidente Michel Temer. Estamos falando do povão, que já tem celular “lanterninha”, e não estão nas redes sociais. Como encorajar essa gente para apoiar um projeto político? Luciano Cartaxo, por exemplo, dos 223 municípios, ele visitou pelo menos os últimos 23 como candidato? E Romero Rodrigues, fez o mesmo? Além do entorno de Campina Grande (compartimento da Borborema), por onde mais ele andou? João Azevedo tem viajado mais. Todavia, é visto como um burocrata do governo que conhece correligionários políticos e despreza adversários. Queiram ou não, os nomes conhecidos são os já citados: Ricardo, Maranhão e Cássio. Destes três, se dois juntarem-se, derrotam o que ficou de fora. Não tem espaço ou tempo para “outsider”. Inexiste oportunidade para um “novo”. Quanto à comunicação radiofônica? Seria um excelente tema para Stanislaw Ponte Preta, que também era Contista.

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GENERAL HELENO

          Quem assistiu ao programa Painel (Globo News) sob o comando de Renata Loprete e com a participação do General Heleno, percebeu a surpresa impactante que causou o convidado, silenciando todos. O clima de constrangimento dos participantes, e da apresentadora, demonstrou que não estava no script um desabafo, com palavras tão duras, sinceras e sem rodeios – linguagem da caserna – mostrando a visão das Forças Armadas sobre o atual quadro político do país. Segundo o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, a intervenção militar no Rio de Janeiro tem que ser curta e contundente. O Comandante (Interventor) deverá ter a responsabilidade de honrar a tradição do “verde oliva”, se impondo sobre um quadro de guerra. Assegurou que é impossível não haver derramamento de sangue neste enfrentamento. Defendeu que as tropas terão que abrir fogo contra qualquer alvo armado – independente de questões de direitos humanos – pois se trata de guerra, não de um exercício militar. Relatou que quando esteve na missão de paz no Haiti, seus soldados usaram armas para conter o caos, numa desordem existente e bem menor que a ora vivida pelos Cariocas. O Rio de Janeiro é um dos centros de operações do crime organizado que já domina de norte a sul o país, enfatizou o General, usando um tom de voz que ensurdeceu a hipocrisia dos Estúdios da News.

           Não precisa ser gênio para interpretar o recado do General. Mais cedo ou mais tarde… Com ou sem apoio dos políticos ou da Justiça, eles intervirão para evitar a escalada da guerra civil – no momento entre facções criminosas – em seguida sitiando a população, já a mercê da bandidagem. O General pediu compreensão e apoio – se referindo ao Rio de Janeiro – do Poder Judiciário. E em seguida disparou: “a corrupção vem de cima e envolve até o Presidente da República”.

           A “inquietação dos quartéis”, sempre foi um fantasma presente na história política do Brasil, desde a proclamação da República. O movimento dos “Dezoito do Forte” (Copacabana 1922) provocou uma reestruturação nas Forças Armadas, que assumiu posição de destaque na defesa de uma nova geopolítica, para assegurar a união dos Estados, numa nação de dimensões continentais. Após a redemocratização com a Constituição de 1988, chegou-se a imaginar que este tipo de evento era passado, sem chances de ressurgimento. Os Militares foram obedientes a Lei e a ordem da nova Carta Magna, e bem antes, voltaram à caserna, no final do Governo Ernesto Geisel (1978).

           A Intervenção no Rio de Janeiro, e seu suposto sucesso, se expandirão pelos demais Estados. Pode evitar uma longa ditadura, com ou sem o apoio da classe política. O que ninguém sabe ainda é se a ideia foi do Presidente Michel Temer, ou foi imposição da comunidade financeira internacional e seus organismos correlatos. Como bem frisou o General Heleno, “o Brasil ocupa a primeira posição dos viciados em crack, a segunda em cocaína, e é o maior centro exportador de drogas para todo o planeta.” Existe um Poder Paralelo armado, e temos a segunda maior população carcerária do mundo – porque todos os mandados de prisão não foram cumpridos – senão estaríamos à frente, e bem distante do segundo lugar. A corrupção política permeou todas as legendas com assento no Congresso Nacional. Finalmente chega-se à conclusão que a mudança pelo voto, e com as leis atuais e suas Cortes de Justiça, nada mudará no país. Os Militares vêm avisando… Inclusive nas redes sociais, já alertaram que nenhum corrupto condenado pela lava-jato – caso sejam reeleitos – assumirá seus mandatos. Que o Rio e sua intervenção salve nossa democracia.

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RICARDO COUTINHO NO CADAFALSO

            O Ministro Corregedor do TSE, Napoleão Nunes Maia Filho, pediu pauta para julgamento da AIJE que acusa o Governador Ricardo Coutinho de ter cometido crime eleitoral, por abuso de poder político/econômico. Coincidência? A notícia atingiu o “socialista” no momento mais cruciante de sua vida pública: “Descida de ladeira”, final de oito anos consecutivos de um mandato polêmico, todavia bem avaliado pela população, frente à crise que atravessa o país. Restando-lhes apenas quarenta e cinco dias para tomar a decisão de se afastar oficialmente do governo (renuncia); decidir se irá lançar sua candidatura ao Senado ou Câmara dos Deputados; abdicar da política partidária. Um xeque-mate que exige muita habilidade e “sorte”, fenômeno que o tem acompanhado desde sua primeira eleição para o Parlamento Mirim da Capital.

            Seu julgamento no TSE – com previsão para os próximos vinte dias – não implica em considerar por antecipação que seja condenado. Pelo contrário, têm sido raros, os casos em que a Corte Superior da Justiça Eleitoral reforma decisões colegiadas dos Tribunais Regionais Eleitorais. Neste processo, o TRE-PB já o inocentou por um placar de 5×1. Não satisfeito – e de ofício – o Ministério Púbico Eleitoral apelou da decisão. Entretanto, é bom lembrar que o TSE é a Corte de Justiça mais politizada do país. Basta rememorar o julgamento de Dilma Rousseff que teve seu mandato cassado, desvinculado do seu vice, atual Presidente Michel Temer, e não foi aplicada a lei que a deixaria inelegível por oito anos. Observe-se também, que quem não deixou a ação ser extinta, foi o então Ministro que compunha a corte Gilmar Mendes, e que depois foi quem decidiu como Presidente, através do voto de minerva, cassar o mandato da já impedida de governar ex-presidente Dilma Rousseff.

            Governador Ricardo Coutinho, hoje é considerado “persona non grata” pelo governo peemedebista/tucano, graças a sua precipitação ou falta de cautela. Excedeu-se e se expôs quando acusou, acusava e acusa abertamente, o Presidente Michel Temer de golpista. Esqueceu o adágio popular que sentencia: “o homem é senhor do que cala e escravo do que fala”. Recentemente (cerca de trinta dias), num jantar na casa de Livânia Farias, articulado pelo ex-secretário da Educação Sales Gaudêncio, José Maranhão, sua esposa Desembargadora Fátima Bezerra Cavalcanti estiveram frente a frente com Ricardo Coutinho, e esperaram dele, um apoio oficial ao projeto do cacique peemedebista da Paraíba em voltar a governar o Estado. Relatos dão conta do mais completo descaso do “socialista”, que não abriu sequer espaço ao Senador José Maranhão expor seu projeto político. Coutinho mostrou pesquisas com índices de sua popularidade e aprovação de sua gestão, fato que o qualificava e eleger com facilidade seu pré-candidato João Azevedo. O cavalo passou selado… Desconcertado, Senador José Maranhão voltou a conversar com o tucano Cássio Cunha Lima, de quem tivera melhor acolhida.

Atual composição do TSE, não sinaliza simpatia à causa do “socialista”. Exceto o Presidente Luiz Fux e a “Dilmista” Rosa Weber, os demais estão conectados com o Palácio do Planalto. Evidente que não irão atropelar a legislação. A função do TSE será aprovar ou desaprovar a decisão do TRE-PB examinando em profundidade se os Juízes votaram corretamente, em observância ao conteúdo da denuncia. Ricardo subiu no cadafalso. Se for inocentado pelo TSE ganha fôlego de chegar ao final da maratona com amplas chances de vitória. Se condenado, o Titanic afunda e com seu empuxo, leva a vice-governadora. Todos os processos “travados” pelo seu foro privilegiado ganharão celeridade. Rei morto, Rei posto.

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ULTIMAS APOSTAS

Roleta do destino da classe política paraibana já está girando, e o crupiê que representa o grande eleitorado, aguarda as últimas apostas, que podem ainda surpreender (preto 17 ou vermelho 36). Quem mais arrisca nesta rodada é o Governador Ricardo Coutinho – com um tempo exíguo de quarenta e seis dias – para depositar todas as suas fichas na mesa. Renunciará o mandato? A escolha do número (Candidato) recairá sobre João Azevedo? Sem fatos novos que justifique “desmonte” da escultura que vem sendo talhado pelo próprio Ricardo – falta de um “outsider” que convença o povo a tomar decisões atípicas, fora da realidade partidária do Estado – João Azevedo é a única opção que resta ao projeto de continuísmo do “socialista”.

            As oposições (divididas) aguardam a roleta parar (sete de abril), data limite para o Governador Ricardo Coutinho chamar o caminhão da mudança. Pesquisas de intenção de votos sinalizam no momento, eleição tranquila do “socialista”, caso venha disputar uma das duas vagas para o Senado da República. É bom lembrar que pesquisas refletem o momento. Sem “poder de caneta” e com modificações no Secretariado que o acompanha desde o seu primeiro mandato, como Prefeito da Capital, Ricardo Coutinho irá se deparar com uma realidade totalmente imprevisível, talvez adversa. Ao invés de mandar (o que vem fazendo há quinze anos) irá pedir. Deixará de ser o “motorista”, passará a ser “caronista” – de um novo governo – que caso venha ser sua vice, pensa e age de modo oposto ao seu. Estes maus presságios têm assombrado alguns de seus fiéis companheiros de “roleta”, que não estão confiantes no seu palpite (João Azevedo). Deputado Federal Wellington Roberto, foi o primeiro a se afastar entregando a Secretaria de Esportes, em pleno ano eleitoral (?). Inacreditável.

            Longe de subestimar o campeão de votos da Paraíba – por duas vezes – Ricardo Coutinho. Segundo a fonte José Antônio (Gotinha), existe um trabalho nos bastidores do Palácio da Redenção, para a vice-governadora Ligia Feliciano também renunciar no dia sete de abril (2018). Uma eleição indireta seria realizada através da Assembleia Legislativa, para um mandato “tampão”. Claro que o candidato seria João Azevedo, que disputaria em outubro sua reeleição. Seriam quatro anos (se reeleito) guardando a cadeira para o retorno de Ricardo. Senador Raimundo Lira deixaria o MDB e seria o suplente de Ricardo Coutinho. Aguinaldo Ribeiro, em caça, aguarda um movimento em falso de Romero Rodrigues, para se posicionar como a segunda opção da chapa do PSB, já comprometida com Veneziano Vital do Rego.

            Deputado Federal Pedro Cunha Lima será o vice de Luciano Cartaxo. Romero Rodrigues está sendo “assediado” por José Maranhão para indicar sua esposa como vice do MDB. Quem vai jogar sinuca com “pau” de dois “bicos”? Cássio ou Maranhão? Na perspectiva da primeira dama do município não sair como candidata à vice de Maranhão, disputará uma vaga para a Câmara dos Deputados, enterrando o prestígio de Enivaldo (atual vice-prefeito), levando Aguinaldo e Daniella a obterem uma votação pífia em Campina Grande, sepultando suas pretensões para 2020. Fazendo uma analogia desta feita ao futebol, treino é treino, jogo é jogo. A partida começa em 08.04.2018.

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DISPERSÃO DAS OPOSIÇÕES

            Os últimos movimentos do Senador José Maranhão – no tabuleiro do xadrez político da Paraíba – deixou a união das oposições em cheque. Uma visita pessoal ao Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, sem combinar antes com o Presidente do PSDB Rui Carneiro, nem avisar o Chefe do Clã, Cássio Cunha Lima, deixou perplexo e curioso os demais aliados. Faz declarações desastrosas sobre o Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo e concomitantemente se reúne com Cacique do PSD Rômulo Gouveia (?). Na sequencia dos desacertos, contratou Marqueteiro que no momento, presta “serviços de consultoria” ao Governador Ricardo Coutinho. Falou de separação e divorcio com o PSD, correndo o risco de perder o vice-prefeito Manoel Júnior. Os Motas de Patos tratam sua postulação com frieza, despida de qualquer entusiasmo. Veneziano Vital do Rego, sendo cortejado pelo Governador, que massageia seu ego, quando manifesta em público o desejo de votar no ex-cabeludo. Onde passa um boi, escapa toda uma boiada. Senador José Maranhão está abandonando o “diálogo” – caminho duramente construído pelo Presidente do PSDB Rui Carneiro – e enveredando pelo “monólogo”, sob a alegação que, de todos os políticos com mandato no momento, o único que nada tem a perder nesta campanha é ele. Esquece que pode perder principal: as eleições. Neste ritmo, terminará só.

            Desde 1994 que o PMDB não vence uma eleição na Paraíba. Chegou ao Poder com Buriti (1986) auge do Plano Cruzado. Em 1990, mesmo com o desgaste da legenda – satanizada em todo o país – Ronaldo Cunha Lima manteve a sigla no Poder, e elegeu seu sucessor o “claudicante” Antônio Mariz (1994), derrotando uma máquina de fazer votos, Lúcia e Wilson Braga. Desconsidere-se a reeleição de Maranhão (1998) como uma peleja. Deputado Federal Gilvan Freire e seu PSB representaram uma postulação “Quixotesca”, sem chances de disputa, deserta de apoios, apostando apenas no idealismo. E lá, já se foram, 20 anos de derrotas subsequentes do PMDB-PB.

            Nesta linha do memorialismo, lembramo-nos que no distante ano de 1998, o então governador José Maranhão pregava por todos os recantos da Paraíba que seria candidato à reeleição, e seu vice seria o ex-senador Ivandro Cunha Lima. Uma manchete do Jornal da Paraíba sepultou o projeto desagregador. “Ronaldo Cunha Lima: Eu tenho posição, Maranhão imposição”. Maranhão estava e parece que ainda continua conjugando verbos, no singular: eu, tu; ele. Alianças exigem o plural: “nós”.

            Os percalços das oposições, inversamente conforta o projeto de Ricardo Coutinho. Está tudo acontecendo dentro do esperado – divisão de seus adversários – e o Senador José Maranhão representando o mesmo papel desempenhado por Vital Filho, no voo “solo” de 2014. Expectativas do “socialista” estimam entre 100 a 200 mil votos (obtidos por Maranhão 2018) que no segundo turno, apoiará o candidato do PSB. Ricardo, provavelmente ao lado de Veneziano ou Aguinaldo Ribeiro, formará o palanque de João Azevedo. O que mais impressiona, é como José Maranhão conseguiu, em tão poucos dias, desagregar todo um projeto, cujo principal objetivo era evitar a solidificação da terceira forca política no Estado. Pelo visto, tarde demais…

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MITOMANIA E SINCERICÍDIO NA POLITICA

            Numa destas viagens noturnas – expedições exploratórias pela internet – hábito comum dos notívagos, que sabem apenas de onde partiram, mas não tem a menor noção aonde chegar, deparamo-nos com um texto de *S.R. Martinez, sobre psicanálise sociológica comportamental e sua influencia direta na sociedade dos nossos dias. Pincei alguns dos principais pontos da tese, enquadrando-o numa visão do momento político do país. O conteúdo oferece a memorialistas e historiadores, um mapa perfeito dos caminhos construídos por nossas elites, em dois momentos: partir de 1965 e pós 1985. Noutro aspecto, observem-se a responsabilidade e o papel de cada cidadão, no novo modelo de “comunicação” globalizada (Redes Sociais). A clareza analítica do texto dispensa citar nomes de políticos e lideranças, que pretendem disputar o pleito deste ano (2018). Dos pré-candidatos que aí estão o texto revela com perfeição suas fisionomias. A MITOMANIA COMO RECURSO IDEOLÓGICO E A CAVERNA DE PLATÃO.

Mitomania é a mania de mentir, compulsivamente. O mitomaníaco mente continuadamente e isso é seu “modus operandi”, maneira de viver e se comunicar. A pessoa tem prazer em mentir, mesmo que no fundo, saiba que isso pode ser prejudicial a si mesmo. A etiologia do problema é multifatorial, podendo ser desde a compensação de uma baixa-estima, até algo mais grave, como um transtorno de personalidade antissocial (ou seja, uma sociopatia). Viver em sociedade implica que você também não pode fazer o extremo oposto, dizer a sua versão da verdade na cara de todo mundo, forçando assim, com agressividade, que as pessoas vejam seus pontos falhos, suas dificuldades e deficiências. Há um nível limite na comunicação, de respeito à dignidade alheia e às suas qualidades e defeitos, sem o qual, o resultado seria conflitividades constantes e, no fim, as pessoas querendo distância de você. Portanto, o “Sincericídio” é tão patológico com sua agressividade, quanto à mitomania.

No caso do histérico em surto histriônico, a mentira é contada para si mesmo, pois ele precisa acreditar naquelas palavras e naquela explicação para aplacar o desconforto perante o real, para o qual não suporta reagir ou observar. Como a mentira não resolve o problema de mal-estar contínuo dos dados da realidade, ele introjetará cada vez mais mentiras, num ciclo contínuo de reforço das fantasias, cada vez mais e mais distantes do esperado senso crítico e autonomia. Chega-se ao ponto de se vivenciar o chamado “transe ideológico”, quando o indivíduo em surto histriônico rompe com a realidade e passa a viver em um mundo paralelo à realidade, concomitante ou não, com o uso de substâncias psicoativas e cercado de pessoas dentro da mesma bolha que se retroalimentam. O problema desses casos de hipnose coletiva está no fato de que, o quadro é de tamanho reforço entre os pares, a ponto de aprisionar suas mentes, que passam a não elaborar criticamente saídas pessoais.

Aqui se pode evocar o “Mito da Caverna” de Platão, onde presos acorrentados de uma caverna só viram, por anos, as sombras do que existia fora dela. Quando um deles consegue fugir e vê como está o mundo afora, retorna e tenta convencer aos presos de que tudo está muito diferente do que imaginavam e os quer libertar. Acaba sendo assassinado por isso. Até que ponto o apego às cavernas ideológicas não transforma seres humanos em prisioneiros de discursos prontos e acabados, a ponto de matarem quem os confronta? Revoluções, ditaduras e genocídios apontam neste sentido. Já no caso de sociopatas com quadro mitomaníaco a partir de diagnóstico de transtorno de conduta antissocial, a questão se complica, pois a mentira é instrumento de realização de seus desejos perversos. Ela faz parte contínua de sua estratégia de conquistar mentes, produzir alienação e assim, gerar exércitos de histéricos em transe ideológico, a seu favor. Aqui o uso de recursos de linguagem, a distorção dos fatos, a demarcação de um “duplipensar” (ausência de coerência), é conscientemente planejada e coloca em prática: conquistar mentes e corações, e os colocá-los submissos a seu serviço.

Daí vem à tona a discussão sobre os prazeres do mentir. Há o prazer daquele que possuir baixa-estima e usa a mentira contínua para se sentir aceito e amado. Há o prazer do histérico, que mente a si mesmo para afastar o mal-estar do mundo real à sua frente. Há o prazer do psicopata, que mente para conseguir o que quer. Há o prazer do sociopata, que mente para colocar seu projeto de poder em curso. Mas, existirá um prazer de dizer a verdade? Sim, existe e muitos assim se expressão em equilíbrio e bem longe de qualquer quadro de perversão, individual e social. O problema é que, dizer a verdade e posicionar-se significa abrir mão de ser aceito e amado por determinados grupos, ostentar e sentir-se estar fazendo o bem, dentro da ideologia ventilada principalmente nos meios educacionais. A quem está maduro e busca sua individualidade isso não é um problema. Porém, aos mais jovens, ser banido do grupo maior por pensar diferente e se posicionar pode ser problemático é difícil de ser efetivado, enquanto não adquirem condições e estima suficiente para serem donos de seu próprio destino (e isso leva certo tempo).

Interpretamos neste último parágrafo, o status dos meios Acadêmicos e Universitário do Brasil – inclua-se IFs – partidariamente controlados pelo PT e PCdoB.

*S.R.Martinez – Doutorado em Direito das Relações Sociais pela UFPR; Estágio Doutoral na Universidade de Coimbra; Mestrado em Direito Negocial pela UEL; Pós Graduado em Direitos Humanos e Democracia pela Universidade de Coimbra; Psicanalista pelo Instituto Brasileiro de Transpsicanálise; Jurista; Professor Universitário e autor de livros.

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FRAUDE ELEITORAL

            O último embate cívico do saudoso ex-governador Leonel Brizola, coincidiu com a estreia do “mensalão”. O PDT levou ao plenário do Congresso Nacional, proposta para a impressão do voto eletrônico – efeito de recontagem – e confecção de novas urnas eletrônicas, com teclas que oferecessem ao eleitor, opções de “nulo” e “branco”. Estranhamente o então Chefe da Casa Civil do Governo Lula, Deputado Federal José Dirceu, entrou em cena e ofereceu trinta mil reais (mensalidade) para quem votasse contra a proposta do PDT (?). Maioria apertada, Dirceu venceu Brizola.

            Não era por acaso que Brizola suspeitava do resultado “artificioso” das urnas eletrônicas. Já tinha sido vítima da “cibernética”, manipulada por mais de uma vez, fatos embora questionada judicialmente, foram ignorados pelo TRE-RJ e TSE.

            O primeiro caso de falcatrua foi nas eleições de 1982, para Governo do Estado do Rio de Janeiro. O voto ainda era no papel. O TSE tinha “normatizado” para que sua totalização fosse feita através de computadores. Em todas as pesquisas, e de todos os Institutos, a eleição de Brizola no Rio era um passeio. Recém-chegado do exílio (Anistiado em agosto de 1979), o então ex-governador do Rio Grande do Sul já era imbatível para Presidência da República. Todavia, para seu infortúnio, não conseguiu controlar sua ansiedade, resolvendo disputar as eleições para Governo do Estado do Rio de Janeiro. Enfrentou os jovens Moreira Franco e Miro Teixeira, representando o PDS e PMDB respectivamente. Sandra Cavalcanti (PTB) e Lysâneas Maciel (PT). As tradicionais forças políticas Cariocas se organizaram bem divididas, para esmagarem o gaúcho forasteiro. Sistema de comunicação Globo, ligado ao PDS fazia a campanha de Moreira Franco. Uma semana de apuração, e a dúvida permeava o Estado do Rio. Computadores da Globo, alimentados pelo Proconsult – empresa que totalizava os votos no TRE – indicavam vitória de Moreira Franco. A Rádio Jornal do Brasil – com uma equipe de repórteres – fez um duro trabalho de pegar cópias de todos os mapas eleitorais, de cada secção de votação e na velha máquina de somar, fazia sua totalização diária. Brizola vencia a eleição “disparado”. Vendo a tramoia e prevendo o pior, começaram as entrevistas e denuncias do candidato vencedor. Roberto Marinho – segundo memorialistas – levou um “puxão de orelhas” do Palácio do Planalto descredenciando “arapongas” que se diziam servir ao SNI, e com apoio do Governo Federal queriam a eleição de Moreira Franco. O TRE-RJ concedeu a vitória a Brizola. Os números reais jamais se saberão. As cédulas foram incineradas, após insistentes pedidos de recontagem feitos pelo PDT (vencedor do pleito) e pelo MPE.

            Em 1988 foi o festejado ano da primeira eleição direta para Presidente da República, vinte e oito anos depois do ultimo pelito (1960). A totalização dos votos seria mais uma vez feita por computadores. Todas as pesquisas indicavam o segundo turno entre Leonel Brizola e Fernando Collor de Melo. Brizola, o inimigo “número um” de Roberto Marinho e Rede Globo de Televisão, foi surpreendido na véspera do pleito (primeiro turno) com uma pesquisa divulgada pela TV Globo, apontando Lula no segundo turno. Para a infelicidade dos nacionalistas, com apenas 1% de diferença, o petista superou Brizola. Recorreram e pediram recontagem de votos no Nordeste, onde a fraude foi mais grosseira e testemunhal – principalmente em Pernambuco – Estado do vice de Brizola (Fernando Lyra) e onde o PT venceu na maioria dos municípios quando sequer tinha diretórios ou militância. Cinco pedidos protocolados, e todos negados pelo Presidente do TSE Francisco Rezek. Coincidentemente, Rezek foi o primeiro dos Ministros a ser escolhido pelo vencedor do segundo turno (Fernando Collor), para comandar o Itamaraty. Instalou-se doravante o processo “indutor” das pesquisas. IBIOE/DATA FOLHA e VOX POPULI criaram um “triunvirato” para comandarem os resultados dos pleitos. Índices semelhantes, divulgado repetida vezes, atestavam o resultado “fabricado” nas urnas eletrônicas, que totalizam os votos via complicadíssimo processo “percentual” e não numérico como o “Impostrômono” ou Formula 1.

            Brizola que governou o Rio de Janeiro por duas vezes (1982 e 1990) foi à primeira vítima das urnas eletrônicas, nas eleições municipais de ano 2000, quando se candidatou a Prefeito da Cidade Maravilhosa, não alcançando o segundo turno. Ficou atrás de Benedita da Silva com apenas 9,1% dos votos. Luís Paulo Conde e César Maia (ex-secretário de Brizola) chegaram ao segundo turno, com a vitória de Maia. O indignado Brizola apelou para recontagem de votos. Não podia – e nem pode até hoje – ser feito. Quantos votos nulos e brancos? Não tinha (nem tem) nas urnas como votar “nulo” ou “branco”. O eleitor anula seu voto errando. E fica em branco quando assina a folha de votação, vai até a cabine e se abstém de escolher um candidato.

            Presidente do TSE (2001/2003) Ministro Nelson Jobim prometeu a Brizola, que pelo menos 50% das urnas eletrônicas do Rio de Janeiro no pleito de 2002, teria o voto impresso. Brizola enfrenta sua última derrota, disputando o Senado da República. Apenas 30 secções viram este tipo de urna, que não foi mais usado em nenhum outro lugar do país, até os dias de hoje. Venceram para o Senado em 2002, no Rio de Janeiro, o neófito Marcelo Crivella (3,234 milhões de votos) e o jovem intrépido Sérgio Cabral (4,187 milhões de votos). Brizola amargou a sexta colocação, com 1,237 milhões de votos, atrás do Pastor Manoel Ferreira; Edson Santos – dois meros desconhecidos – e Arthur da Távola, muito embora conhecido, sempre teve baixa densidade eleitoral.

            Presidente do TSE Gilmar Mendes, veio a público informar que ainda não comprou as impressoras, o que nos leva a mais um pleito de resultado duvidoso. Se Edward Snowden (NSA) der uma passadinha por aqui, elege o de sua preferência.

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JOGO DE EMPURRA

            A agressividade gananciosa da equipe econômica do Governo Michel Temer, na busca irrefreável de cumprir suas “metas” com a agiotagem internacional – parte podre que compõem o capitalismo parasitário e extorsivo que explora o terceiro mundo – é algo asqueroso e insuportável para uma população que vem sendo saqueada desde 1985.

            São trinta e sete anos de perdas. Uma sangria hemorrágica desatada de nossas reservas e riquezas, sem que se faça nada para estancar. Como é que um país, por mais ignorante que seja sua gente, acredita que o seu futuro está numa reforma previdenciária? Se esta fosse à solução, o nosso futuro estaria no passado? Fica claro o sinal de que o Brasil está fora da relação dos países emergentes (crescimento econômico) nas próximas décadas. Não temos pesquisas, nem produzimos tecnologia de ponta, ora exigida pelos grandes mercados consumidores. Nosso parque fabril está inteiramente sucateado, e cheio de “montadoras”. Do automóvel, passando pela televisão chegando a um simples liquidificador, tudo vem de fora – já em desuso por lá – para ser montado aqui e consumido pelos brasileiros. Estagnamos como eternos fornecedores de “commodities”, ou matérias primas, e eternos devedores de juros extorsivos, sem perspectiva de retorno ao desenvolvimento nem em longo prazo.

 Presidente Michel Temer engana seu Ministro (imposto) Henrique Meirelles, fingindo ajuda-lo a fazer a reforma que ele deseja, e prometeu aos seus patrões da banca do FED e FMI: pagar os títulos vencíveis a partir de 2024. Esta gente que controla o mundo sabe que não haverá reação no PIB capaz de cobrir os custos do setor público que corrói a arrecadação de tributos em super-salários e mordomias exacerbadas. Para evitar um colapso da turma de Wall Street – a ratazana do varejo oportunista que empresta ao Bradesco, Itaú e Santander – baixaram a taxa selic. Noticia terrível para as sanguessugas, que estão amargamente contendo a gula no momento. Ninguém sabe até quando, nem o que prometeu Meirelles, já que não tem mais o que vender. De Pré-Sal a privatizações das melhores empresas estatais, não resta mais nada no estoque, a não ser a Eletrobrás com todos os seus sistemas acoplados inclusive Petrobras. Um ataque especulativo não está fora de cogitação, nos remeteria aos anos 60 do século passado.

            Mesmo para aqueles que não querem enxergar, a ladroagem e as mentiras tornam-se tão claras e visíveis, incontestáveis através de suas próprias contradições. O Congresso Nacional votou no início do ano passado (2016) a revisão da meta para o exercício de 2017, onde estava previsto um “rombo” nas contas públicas de 159 bilhões. Estamos no final de novembro, restando apenas um mês, e o “buraco” está em 103 bilhões. Se não tivessem ocorrido as duas votações “perdulárias” na Câmara dos Deputados, em nome do “fica Temer”, e os juros fossem desde janeiro os 7.5% de hoje, o governo geraria superávit primário. Mas, os economistas (todos a serviço da grande gatunagem internacional) insistem em dizer que a economia está reagindo. Tudo mentira! A surpresa foi o IBGE e sua equipe que revelou farsa. Há seis dias (28.11.2017) os dados desmentiram todos. Desemprego 12,7 milhões. Sem emprego e a procura de trabalho, 12,5% da população produtiva do país (140 milhões), que correspondem a cerca de 16 milhões de pessoas. Totaliza, portanto, 28 milhões de desempregados e sem renda. Duas vezes a população de Portugal. 50% dos que estão com emprego, ganham um salário mínimo. 4,5% que têm ocupação estão com renda abaixo do salário mínimo… O Brasil quebrou. Só um choque de autoridade, centralizando todas as receitas, e acabando com as autonomias financeiras concedidas ao Judiciário, MP e MPF; Poder Legislativo; diversos Tribunais; Sindicatos; ONG e sistema “S”… Salvará a nação. Mas, quem fará isto? Que venha 2018!

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SEGURANDO O PINCEL

            O ex-ministro Antônio Delfin Neto (gênio do milagre econômico do Brasil anos setenta séculos passado) é também conhecido como um excelente cunhador de frases. Sua última pérola, burilada com ironia sobre o STF – extensivas às demais Cortes de Justiça e Contas do país – é de uma preciosidade extraordinária: “Ministros de Cortes Superiores de Justiça, não têm passado. Só enxergam o futuro”.

            Quinta-feira (30.11.2017) enquanto o Senador Cássio Cunha Lima festejava com emoção, o nascimento de mais um herdeiro de sua dinastia política, seu tio e irmão Fernando Catão amargava a pior derrota de sua vida, patrocinada de forma humilhante por seus pares que compõe a Corte de Contas do Estado da Paraíba (TCE).

            Relator do processo das contas do Governo do Estado – exercício 2015 – o Conselheiro Fernando Catão, que já tinha sido apontado como “suspeito” por Ricardo Coutinho – alegando parentesco com o Senador Cássio Cunha Lima – teve a cautela de examinar com uma lupa, todos os atos e decretos do executivo que contrariam a legislação vigente. Não satisfeito com pareceres técnicos do próprio TCE, ainda buscou amparo no Ministério Público de Contas e Eleitoral, Justiça; além dos demais Conselheiros, com quem debatia diariamente a gravidade do processo, e defendia um julgamento justo, isento de suspeições que não viesse comprometer a imagem do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba. É bom que se enfatize que o TCE perdeu um pouco de sua imparcialidade e “transparência”, ao julgar as contas de 2014, onde só o crime de apropriação indébita, cometido por um longo período de quatro anos, advertido constantemente pelo TCE, seria suficiente para levar responsáveis para cadeia: Governador, ou todo o seu Secretariado, que descontavam na folha de pagamentos a contribuição do PBPREV e não recolhiam. Se fosse o Prefeito de Carrapateiras ou de Cabaceira? Estariam na cadeia, execrados pela população; inelegíveis e rotulados como ladrões. Mas, Governo do Estado tem “poderes sobrenaturais”, que fazem coelhos aparecerem sem cartola. Duodécimo e nepotismo cruzado exige o gesto genuflexório.

            Na grande sessão, tão ansiada por todos, especialmente pela classe política que dava como “favas contadas” o resultado do julgamento, e a subsequente recomendação pela desaprovação das contas, eis que após sua explanação brilhante, Fernando Catão percebeu que estava falando para mudos, surdos e cegos. Em meio ao seu desespero, viu seus companheiros puxarem a escada, e deixarem-no só, pendurado no pincel.

            Os efeitos desta sessão histórica, muda completamente o quadro político da Paraíba. Como fênix, Ricardo Coutinho resurgiu das cinzas com estatura de gigante. Os velhos Caciques – Cássio Cunha Lima e José Maranhão – parece que perderam totalmente seus prestígios juntos aqueles em quem mais confiavam. Cássio sentiu os efeitos da frase de Delfin Neto, nas posições de Nominando Diniz, Arnóbio Viana e Fábio Nogueira, que não olharam para trás. Certamente com medo que lhes acontecesse o mesmo, que biblicamente ocorreu com a mulher de Ló. Arthur Cunha Lima, que não foi indicado por Cássio, viabilizou-se junto a Assembleia Legislativa e foi nomeado por José Maranhão, se absteve de votar. Como o Presidente só vota em caso de empate, o placar pró Ricardo Coutinho foi 4×1. E agora Cássio? Senador José Maranhão, respeitadíssimo pelo TJ/PB, empenhando em acabar com os benefícios suspeitos de o projeto Empreender – fonte que remunera os cabos eleitorais do “socialista” – viu uma liminar derrubar decisões judiciais. Ricardo vai botar a “usina” para moer, será candidato imbatível ao Senado Federal, puxará João Azevedo para o segundo turno e dá um grande empurrão no seu companheiro de chapa para a Casa Revisora do Congresso Nacional. Quem fica por um fio doravante, é o Senador Cássio Cunha Lima. Enfrentará Ricardo, seu companheiro de chapa; Aguinaldo Ribeiro e outro que se comporá com o tucano. Os efeitos devastadores deste tsunami, só poderão ser avaliados após a calmaria de 08 de abril de 2018.

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UMA JUSTA HOMENAGEM

            Próxima quinta-feira, às 19 hs, a Câmara Municipal de Campina Grande estará reunida na Casa Félix Araújo, para fazer entrega do titulo de Cidadão Campinense ao Professor Moací Alves Carneiro.

            Natural de Areia (PB), conterrâneo de Pedro Américo, Padre Azevedo; José Américo de Almeida e tantas outras figuras ilustres que brilharam no cenário nacional nas mais diversas áreas – política artes e invenções – Professor Moací Carneiro dedicou boa parte de sua vida profissional, a Rainha da Borborema. Iniciou sua carreira como Professor do ensino médio, ministrando aulas na Escola Normal de Campina Grande, entidade dedicada a formação de Professores. Considerado um dos melhores Mestres no curso de Letras da extinta URNE (hoje UEPB), Moací Carneiro enveredou pelos meios Acadêmicos, onde exerceu as funções de Vice Reitor da URNE (permanentemente em exercício) já que o titular, saudoso Engenheiro José Cavalcanti Figueiredo dirigia a Unidade de Recuperação do DNOCS em Campina Grande, sobrando-lhes pouco tempo para acompanhar o ritmo da Universidade, por onde tinham passado os gênios Edvaldo do Ó, Linaldo Cavalcanti de Albuquerque; Luís Almeida (também sempre na interinidade). Os desafios URNE eram ambiciosos e gigantescos. Exigia de seu dirigente, além de sobejada competência, dinamismo para acompanhar o processo de mudanças que vinha acontecendo no país, com a abertura política, em marcha batida, percorrendo um período de transição rumo a democracia dos nossos dias.

            Um episódio marcante nesta “estação” merece registro histórico. A eleição de Moací Carneiro (1981) para a Reitoria da URNE, com apoio irrestrito dos Conselhos e como candidato do então Reitor José Cavalcanti Figueiredo. Na lista tríplice encaminhada ao então Prefeito Enivaldo Ribeiro – quem de direito nomeava o Reitor depois de consultar o MEC – constava Moací Carneiro em primeiro lugar; seguido por Jeremias Jerônimo; Margarida Mota Rocha. O Prefeito Enivaldo Ribeiro se recusou a nomear Moací, e ou um, dos demais nomes que compunham a lista. Optou por uma solução “excêntrica”, até os dias atuais nunca vista: um Reitor Pro Tempore (?). O escolhido foi o então ex-deputado Vital do Rego. Pagou caro posteriormente por sua aquiescência com a indicação. Greves, mobilizações contrarias ao ato de Enivaldo permeou o meio Universitário, que politicamente dois anos depois, formou fileiras na oposição ao lado de Ronaldo da Cunha Lima, e 1982, derrotou Vital do Rego nas eleições municipais.

            Cristão e católico apostólico fervoroso Moací Carneiro superou o episódio, que roubou seus sonhos de então. Porém inesperadamente foi premiado com um Doutorado na renomada Universidade Francesa de Sorbonne. Após seu Doutoramento, voltou a Paraíba e desiludido com os meios Acadêmicos Universitários, dedicou-se a Educação. Nomeado Delegado do MEC na Paraíba, transformou um simples escritório de representação burocrática, numa entidade de prospecção de investimentos para modernização das escolas públicas, com equipamentos e treinamento de Professores. Uma “usina” de projetos permanentemente produzindo novas ideias para o MEC, trazendo benefícios diretos para os paraibanos. Seu trabalho foi reconhecido, e em pouco mais de um ano, era braço direito do Cientista José Goldemberg então Ministro da Educação que o nomeou Diretor do FNDE, na época o Bando do MEC.

            O currículo do Professor Moací Carneiro é extenso, em efetivas e produtivas realizações. Escritor, autor de diversos livros como a LDB Fácil e o Nó da Educação (Ensino Médio) dentre outros. Exerceu cargos de Direção em diversas Universidades Privadas na Capital Federal; consultor de diversos Estados da Federação na área de Educação e um dos principais membros da equipe que conseguiu viabilizar o investimento do BIRD de quatro bilhões de dólares (Governo FHC) para Educação. Ao invés de criar escolas municipais – ideia concebida inicialmente pelo então Ministro da Educação – a equipe defendeu e conseguiu emplacar o melhor. Juntaram meia dúzia das antigas Escolas Técnicas Federais, ampliaram-nas e levou para toda a Federação o “modelo” CEFETE, estrutura que permitiu hoje ser incorporada como IF (Institutos Federais de Educação). Abaixo, algumas ações e conquistas direcionadas pelo Professor Moací Carneiro a Campina Grande:

1) Análise e aprovação junto ao MEC do projeto de financiamento para construção da Escola Técnica Federal de Campina Grande, hoje Campus do IF-PB.

2) Aprovação do projeto do Museu de Ciências (estabelecido na área do Açude Novo).
3) Análise e aprovação do projeto de reforma, expansão e reestruturação da Escola Técnica-Redentorista/ITER.
4) Analise e aprovação do projetos de financiamento de construção de creches.
5) Relator do Parecer de criação do Conselho Municipal de Educação, deixando sua marca de pioneirismo (1º Conselho Municipal de Educação dos municípios paraibanos).
6) Negociação com a Universidade Federal de Pernambuco para implementação de um programa de intercâmbio de professores e alunos junto à TV Universitária do Recife.
7) Desenvolvimento, implantação, implementação e consolidação do programa de pós-graduação da FURNE, tendo posicionado a instituição entre as 5 universidades não federais com o maior número de professores incluídos no Programa Intensivo de Capacitação Docente/PICD-MEC: foram 110 professores.

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RECADO DE ENIVALDO

            Sexta-feira (17.11.2017), portais de notícias da Paraíba registraram curiosa manifestação do discreto e introvertido vice-prefeito de Campina Grande, Enivaldo Ribeiro, que após se fazer presente na festejada “pajelança” da convenção do PSDB-PB, onde velhos Caciques fumaram o cachimbo da paz, sinalizou que sua legenda o PP poderá firmar aliança com o projeto do PSD (Luciano Cartaxo).

            Para quem conhece Enivaldo, sabe que dentre suas qualidades está à disciplina e o espírito agregador. Jamais tomaria esta posição, se não fosse um “recado” direto de seu filho Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro, líder do Governo na Câmara dos Deputados e prestigiadíssimo junto ao Palácio do Planalto, após as duas exaustivas votações que barraram a denuncia contra o Presidente Michel Temer.

            Registramos neste espaço – há mais de um ano – posteriormente por várias vezes consecutivas, que o Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro tinha pretensões de cruzar o “salão verde” do Congresso Nacional e se instalar no “azul”. Romero Rodrigues poderia até ser candidato a Governador. Entretanto, uma das vagas de sua chapa para o Senado seria ocupada pelo Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro. O ex-ministro das Cidades não pensaria duas vezes sobre os riscos da aventura, pois estariam nas mãos de seu pai, os destinos de Campina Grande. Sinais claros (imaturidade ou ansiedade) partiram da Deputada Estadual Daniella Ribeiro, ao tentar emplacar uma Secretária (atemporal), testando até onde iria à obsessão de Romero Rodrigues pelo seu projeto natimorto de chegar ao Palácio da Redenção no pleito do ano vindouro (2018).

            Aquilo que o Senador José Maranhão mais teme – três candidaturas – e um extenuante segundo turno, é tudo que deseja o Governador Ricardo Coutinho. Se sair para o Senado, o “socialista” tem excelentes perspectivas de se eleger, e negociar o segundo turno com seu candidato, ou espólio eleitoral deixado por ele, como fez o PMDB em 2014 transferindo totalmente os 110 mil votos do então candidato Vital Filho para Ricardo Coutinho.

            No instante em que Enivaldo Ribeiro oxigenava a “asfixiante” pré-candidatura do Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, Senador José Maranhão dá sua primeira “pisada de bola”, ao admitir também nos sites de noticias, que as portas (dialogo) não estavam fechadas para o PSB do Governador Ricardo Coutinho. Coincidência?

            Quando tudo parecia está “arrumado”, eis dois fatos – que inegavelmente têm influências do Palácio do Planalto, cujos desdobramentos refletirão diretamente nas alianças paraibanas com vistas a 2018. Aguinaldo Ribeiro está sendo “empurrado” pelo PP – com apoio do “Centrão” – “porta adentro” do Governo Federal, para retornar por quatro meses ao Ministério das Cidades. Isto garante sua campanha para o Senado. Ninguém sabe se exitosa ou não. Por outro lado, até Aécio Neves já decidiu que chegou a hora do PSDB desembarcar do governo peemedebista. E José Maranhão? A linha do “socialista” também é oposição a Michel Temer. Mas, “em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”.

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JOGO PERIGOSO

            Sábado (11/11/2017) não foi um dos melhores dias para o Governador Ricardo Coutinho. Testemunhou fato que no seu imaginário jamais poderia acontecer – união das oposições – episódio que deve ter o levado a sentir-se pela primeira vez, cercado e como “caça”, alvo de predadores vorazes, contíguos num único propósito: abatê-lo.

            Irrequieto e sem poupar palavras, Ricardo Coutinho tem se utilizado da agressividade intimidatória a todos que se opõem a seu projeto político, esquecendo que foi através do dialogo – ouvindo mais que falando – que chegou ao poder e derrotou todos os “mitos” imbatíveis da política paraibana. Onde se perdeu Ricardo Coutinho?

Um dia antes do encontro das oposições, redirecionou suas canhoneiras contra o Tribunal de Contas do Estado, mirando o Conselheiro Fernando Catão, alegando suspeição mais uma vez do honrado membro do TCE – relator do processo das contas exercício 2015 – acusando-o de ter parentesco com o Senador Cássio Cunha Lima (?). Esqueceu o Governador de observar a impecável conduta do Conselheiro Catão, que votou duas vezes pela aprovação das contas de Ricardo Coutinho quando Prefeito de João Pessoa, ocasião em que promoveu o Advogado Marcelo Weick a Procuradoria do Município, como “brinde” por ter sido exitoso na cassação do mandato do então Governador Cássio Cunha Lima. Se fosse “revanchista”, Fernando Catão teria mergulhado nos detalhes de denuncias, como por exemplo, o Jampa Digital. Indo um pouco além, Fernando Catão também aprovou as contas do ex-governador José Maranhão – sem restrições – quando o cacique peemedebista arrebatou TRE/TSE, o mandato de seu sobrinho Governador do Estado. Quanto ao próprio mandato do Governador Ricardo Coutinho, o TCE tem encontrado dificuldades em aprovar programas de sua gestão, não por questões políticas, mas por não encontrarem amparo legal na execução destes projetos, recomendações feitas pelo Ministério Púbico do TCE.

Governador Ricardo Coutinho sabe muito bem que o TCE não é um órgão punitivo. Ele presta assessoria ao Legislativo e Executivo. Que antes de qualquer decisão plenária, esgotam-se através de “notificações”, todas as chances, prazos e períodos para que os erros burocráticos ou não, sejam devidamente corrigidos pelo Ordenador de Despesas. No caso de desaprovar, o TCE se limita encaminhar seu parecer ao Poder Legislativo.  E só ao Legislativo, cabe ou não acatar o processo.

              Alguém, ou um grupo próximo ao governador, vem exercendo forte influencia sobre sua mudança de “postura”, tardiamente, no início do ocaso de sua gestão. A mídia palaciana, que não tem retrovisor, viu através de seus para-brisas, a convenção do PSDB. Se a “fatura” não estiver atrasada… Muitos já estão arriscando a criticar Ricardo Coutinho por sua teimosia e arrogância. Aves de arribação, em tempos de verão…

             Politicamente adotando “jogo perigoso” – já bem antes da convenção tucana – Ricardo Coutinho e seu conselho político insistem em simular “situações” de um time de futebol, que precisa de no mínimo dois resultados negativos de seus adversários, para sair da zona de rebaixamento. Confiar na sorte mais uma vez?

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CONFUSO

            Despido de qualquer propósito, Ricardo Coutinho se tornou o maior “cabo eleitoral” do Senador Cássio Cunha Lima, que vai disputar sua reeleição para a Casa Revisora do Congresso Nacional ano vindouro. O tucano vinha sofrendo fortes pressões dentro de sua legenda e família. Mas, o Governador “levantou” sua bola, ao “bater” nele diariamente através da mídia. Para quem não gosta, ou é adversário ferrenho do “socialista”, o nome ideal de se votar é o do tucano Cássio Cunha Lima, que já é apoiado por um expressivo exercito de seguidores. Graças a Ricardo Coutinho, Cássio hoje já pode ser considerado “imbatível”, para uma das duas vagas de 2018. O intrigante neste imbróglio é que o Senador Cássio não é, nem nunca foi pré-candidato a Governador. O que Ricardo Coutinho estaria enxergando, que a lógica impede de ver?

            Seguindo seu roteiro equivocado, governador entrou em rota de colisão com o Prefeito de Campina Grande e João Pessoa (?). Precipitou-se. Os dois tiveram que unir-se, para se defender, originando protocolo de intenções com vistas a derrota-lo. Brigando em três frentes, Ricardo Coutinho subestimou a capacidade do Senador José Maranhão – que mesmo fingindo que esqueceu as derrotas lhes impostas pelo ”socialista” – foi surpreendido com um movimento “golpista” dentro do PMDB para tirá-lo do comando da sigla. Quem estava por trás? Ricardo Coutinho e Raimundo Lira. O “socialista” foi longe demais… Era para ter “segurado” José Maranhão, que apesar de toda preterição a que se submeteu, ainda andou aventando expectativas de reconciliação. Entretanto, acreditando numa suposta “incoerência partidária” que ocasionasse pacificação entre o Clã Cunha Lima e o Velho Cacique peemedebista, Ricardo tocou seu projeto “solo” João Azevedo.

Fazendo uma analogia ao futebol, esta será a terceira vez que Ricardo Coutinho insiste em escala um “canhoto”, para a ponta-esquerda. Só dribla e chuta com uma única perna. Nas eleições municipais de 2012 Estelizabel Bezerra. Em 2016, Cida Ramos. Agora vem de João Azevedo, que será marcado por quatro experientes destros: Maranhão, Cássio; Romero e Luciano Cartaxo. Por outro lado, desafia as leis da física e a velocidade da luz, quando “bate o escanteio e corre para cabecear para o gol”.  Inteligência, sagacidade e esperteza, são alguns adjetivos que sobram na qualificação política pessoal de Ricardo Coutinho. Mas, até agora foi incapaz de compreender que é um péssimo transferidor de votos. A Paraíba o respeita como um excelente debatedor, porém, não vai está no guia eleitoral de 2018. Não compreende que a “pancadaria” radiofônica do momento, está surtindo efeito negativo pelos exageros. Não obstante se reconhecer sua excelente gestão, inserida num período de crise econômica que assola todo o país em especial a região do semiárido.

            Restam onze meses para o primeiro turno de 2018. Ricardo Coutinho só conta com a “sorte” ou um evento “milagroso”. Se ainda houver tempo útil, mudança radical em sua equipe pode tornar seu candidato competitivo. Caso contrário, o resultado do pleito para o “socialista” já está definido. José Maranhão Governador, Pedro Cunha Lima vice; Senadores Cássio e Luciano Cartaxo.

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ANSIEDADE DELLA

            A pré-candidatura para o Governo do Estado, protagonizada pelo Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, começa a tropeçar na sua própria base aliada quando a Deputada Estadual Daniela Ribeiro desistiu de indicar a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, alegando esvaziamento da pasta ocupada pelo empresário Luis Alberto. O “desconfiômetro” do tucanato acendeu luz amarela. Não é o primeiro caso de insatisfação do clã Ribeiro. Gustavo – eminência parda do grupo – não foi reconduzido para Secretaria de Esportes. Daniela costurou com Romero Rodrigues acordo para seu folho – suplente de Vereador – assumir as funções legislativas, mas não se dá por satisfeita. O problema, é que mesmo pequena, a família Ribeiro tem suas dissidências internas. Enivaldo, patriarca e decano tenta conciliar os interesses de todos. Mas, não consegue evitar os desentendimentos constantes na briga por espaços, conflito travado entre Daniela, Aguinaldo e Gustavo.

            Ao declarar que a gestão Romero Rodrigues serve de espelho para a Paraíba, o Senador José Maranhão preconizou a abdicação do projeto “Romero Governador”. Neste mesmo dia, Arnaldo Monteiro comentou “entre amigos” que havia “fechado” seu apoio ao Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro. Para a renovação de seu mandato na Câmara, e ou, para o Senado da República (?). Registramos já algumas vezes o inarredável desejo do obstinado líder do Governo Temer, chegar ao Senado Federal.

            Restam 165 dias para três grandes decisões. Renúncias de Romero Rodrigues, Luciano Cartaxo e Ricardo Coutinho. Todos padecem da mesma dúvida: o dia seguinte. Todos têm o mesmo dilema: seus vices. Coincidentemente todos também realizaram brilhantes gestões. Romero Rodrigues suplantou os vinte anos ininterruptos do clã Cunha Lima a frente dos destinos de Campina Grande, interrompidos apenas por duas vitorias consecutivas de Veneziano Vital do Rego. A cidade cresceu, ficou bela, limpa; iluminada e atrativa. A Capital superou a era dos girassóis. E o Estado teve sua malha rodoviária integrada, é o menos violento da região (Nordeste); a questão da saúde foi resolvida (emergência) com os dois hospitais de traumas funcionando a contento; obras de infraestrutura espalhadas por todo o estado, beneficiando os 223 municípios.

            Ansiedade da Deputada Daniella Ribeiro mexeu com os nervos do “Estado Maior” do Exercito tucano de Romero Rodrigues, aquartelado na PMCG. O sonho de Aguinaldo Ribeiro com o Senado entra em rota de colisão com o propósito de Cássio Cunha Lima em retornar a Casa Revisora do parlamento brasileiro. Luciano Cartaxo teme ser abandonado pelo PSDB, após os tucanos reatarem com o PMDB de José Maranhão. Governador Ricardo Coutinho, além da desconfiança de sua vice, continua  refém do TCE. Se porventura a Corte de Contas resolver rejeitar as atividades do exercício de 2015 após o dia 07 de Abril? Inelegibilidade. Sem a “caneta”, como derrubar esta decisão no plenário da Casa Epitácio Pessoa? Difícil… Firme caminha o Senador José Maranhão rumo 2018. Nada pendente na Justiça. Espera que Romero Rodrigues ou Pedro Cunha Lima seja seu vice. E, caso resolva renunciar, Luciano Cartaxo formaria ao lado de Cássio a chapa para o Senado Federal.    

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REENCONTRO PODE TER SELADO UNIÃO 2018 

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Fato que era considerado como impossível ou inimaginável para muitos – previstos algumas vezes neste espaço através de nossa humilde opinião – aconteceu no último sábado 07/10/2017. O reencontro dos velhos amigos Senador José Maranhão, com o decano do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro Cunha Lima, na Fazenda Caiçara, em Campina Grande.

            A última vez que estiveram juntos – na Fazenda Caiçara – foi no ano de 1998, após o incidente do Clube Campestre, quando José Maranhão oficializou convite para Ivandro compor sua chapa como vice, na disputa de outubro daquele ano.  Ideia aceita pela saudosa esposa do ex-senador Ivandro – Valnysa Borborema Cunha Lima – e grande parte da família. Porém, evitando um “racha” na casa de Dona Nenzinha, o grande conciliador declinou da oportunidade de deixar seu retrato na galeria dos ex-governadores da Paraíba, optando por ficar ao lado do mano “poeta”, no momento mais cruciante da vida pública do clã, quando “queimaram” a eleição de 1998 não apresentando nem apoiando chapa majoritária.

            A partir do momento que concluiu seu mandato como Presidente da CCJ do Senado Federal, o Senador José Maranhão – conservador e dissidente dos núcleos do seu partido liderados por Romero Jucá, Renan Calheiros e Eduardo Cunha – tomou a decisão que era chegado o momento de voltar a sua base e disputar o Governo do Estado. Conhecia as dificuldades dos desafios, sobretudo na composição da chapa e união das lideranças. Suas alternativas seria uma reaproximação com o grupo Cunha Lima ou aliar-se ao governador Ricardo Coutinho. No meio do caminho tinha pedra: Luciano Cartaxo – Prefeito da Capital – que procurava se consolidar como líder estadual e tinha entrado na corrida rumo ao Palácio da Redenção ao lado do Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues.

OUSADIA

            O tempo traz sabedoria. E para um grande guerreiro, conhecedor das dificuldades de uma batalha, o elemento surpresa é decisivo para uma vitória retumbante. Ricardo Coutinho, surfando na gigante onda de sua popularidade – não se sabe se real ou fabricada pela mídia palaciana – subestimou a capacidade (sagacidade) do Senador José Maranhão, que demonstrou ao longo de sua trajetória política “previsibilidade” de suas ações, resignando-se aos “conselheiros” de sempre, que desde o Governo Ronaldo Cunha Lima permanecem no poder, independente de quem esteja no plantão, dando sempre seu “jeitinho” de mostrarem-se indispensáveis a gestão política. Esta gente pôs na cabeça do “socialista” que ele elegeria quem desejasse. Ao invés de Ricardo se aproximar do PSDB ou PMDB, duas legendas que lhes conferiram êxito nas urnas desde 2004 até 2014, preferiu o projeto “solo”, mantendo a mão estirada para quem quisesse beijá-la, curvando-se em respeito a sua supremacia “napoleônica”. Ledo engano…

            Como a lógica aponta que a menor distância entre dois pontos é uma reta, Senador José Maranhão passou a régua no seu aniversário, onde viu que a distância entre ele o clã Cunha Lima era possível de ser superada, e se constituía na maneira mais prática de afastar da disputa o Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo e deixar a margem (isolado) e preso ao mandato, o governador Ricardo Coutinho. Enfatizamos mais de uma vez, que a ameaça do surgimento de uma terceira força na Paraíba, poderia levar a união das duas oligarquias que comandam o estado por três décadas, construindo uma ponde sobre o profundo fosso que os separava.

TRÊS PASSOS

            Na última sexta-feira 06.10.2017, o Senador José Maranhão em entrevista numa cadeia radiofônica, pôs em xeque o Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. Elogiou sua gestão, qualidades como pessoa de um futuro brilhante na política e arrematou afirmando que “se eu não for candidato, votarei em Cartaxo”. O gesto engessou o líder do PSD, que ora tenta se salvar do afogamento após o precipitado mergulho da lagoa. Dia seguinte (sábado) visitou e almoçou na Fazenda Coiçara, onde se encontrou com o “patriarca” de honra do clã Cunha Lima, ex-senador Ivandro, de quem recebeu sinal verde para ir em frente. Demonstrando humildade – inspirado na obstinação de voltar ao Palácio da Redenção – jantou com o Deputado Rômulo Gouveia, eminência parda do PSD/PB que goza de espaço e prestígio junto ao Ministro Gilberto Kassab. Cumprida esta agenda, Senador José Maranhão conclui a “topografia” do terreno onde pavimentará o caminho de seu regresso ao Governo do Estado da Paraíba.

PRÓXIMA ETAPA

            Ajustar as posições das legendas e garantir seus espaços na chapa majoritária, além de mapearem os redutos, garantindo a recondução dos Parlamentares que comporão esta gigante aliança. O mais provável é Romero Rodrigues como vice de José Maranhão e Luciano Cartaxo como Senador ao lado de Cássio Cunha Lima. Aguinaldo Ribeiro terá que se contentar com o mandato de seu pai, a frente dos destinos de Campina Grande por quase dois anos. Fica assegurado – por questão de reconhecimento e justiça – o retorno do deputado federal Rui Carneiro, que com muita competência conduziu a legenda num período de grandes dificuldades, sem registros de perdas. Caberá  a José Maranhão, criar espaços para que o ex-senador Cícero Lucena retorne a Câmara dos Deputados.

Com essa decisão se confirmando, Nilda Gondim (mãe do deputado veneziano Vital), ganha quatro anos como Senadora e abre-se, também, uma vaga para deputado no Clã da família Vital do Rêgo, despontando o nome da advogada Ana Cláudia Nóbrega, esposa do parlamentar do PMDB.

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PERIGO REAL?

            Postagem estranha de um Sargento do Exército nas redes sociais, convocando o povo para irem às ruas no dia 15 de novembro, participarem ativamente de uma mobilização com vistas a salvar o país da corrupção, se for verídico é um sinal claro que existe um movimento de inquietação nos quartéis. Na sua fala o Militar defende o impedimento das eleições em 2018 e prisão para todos os envolvidos nas centenas de denuncias – surgidas a partir da lava-jato – que atinge os três poderes da República. Talvez seja “montagem” ou palhaçada anarquista de algum internauta irresponsável. Mas, o cidadão estava fardado e com identificação. Seu vídeo veio após as declarações do General que comanda a Região Militar do Sul (Porto Alegre), defendendo a ordem, aconselhando o povo a não praticarem a “desordem” e protestarem de forma pacífica nas ruas contra o atual quadro de caos ora vivido pela população.

Pode ser uma ideia inteligente, contra o estigma de golpe ou ditadura. As pesquisas mostram aprovação de um governo com apenas 3%. Partidos Políticos são desacreditados por 94% da população e o Congresso Nacional tem a rejeição de 92% dos brasileiros. Os Militares são considerados hoje, representantes da Instituição mais respeitada do Brasil (Exercito) com 78% de aprovação. Igreja (67%) OAB (62%) e 58% o Poder Judiciário, talvez ainda neste patamar, pelas ações do Juiz Sérgio Moro. Estamos diante de perigo real? Ou uma tábua de salvação? O naufrágio das Instituições é inevitável. Esgotou-se o diálogo entre os três poderes, que ora dividem o comando de um “Titanic”, em rota de colisão o gigante iceberg nominado “anseios populares”.

            O General Mourão “versão” 2017 – nada de parentesco com o Mourão Filho de 1964 – aproveitou um encontro Maçônico e “deu a senha”. Este evento não era apenas entre Militares. Importantes empresários representantes das diversas categorias do setor produtivo do país estavam presentes e o aplaudiram. A pergunta é: “se porventura um General cercar a praça dos três poderes e estipular prazo de 24 horas para que todos seus membros desocupem seus gabinetes, quem enfrentará os tanques”? Policia Militar, Federal ou Legislativa? Quem cumprirá uma ordem Judicial contra o Verde-Oliva?

            General Mourão Filho (1964) estava aquartelado (de prontidão) em Juiz de Fora (MG), aguardando instruções. Só agiria depois que o Comandante Paulista se manifestasse apoiando a intervenção. Inquieto, Mourão Filho relatou em suas memórias, que a discussão poderia levar semanas ou meses. O Ministro da Guerra jamais tomaria uma atitude. Resolveu por conta própria botar as esteiras de seus tanques na estrada rumo ao Rio de Janeiro. Logo que o Comandante do Rio foi avisado, despachou batalhões para enfrentá-lo antes de entrarem na Capital carioca. Mas, quando se avistaram, os Verdes-Oliva se abraçaram, ao invés de atirarem entre si. Ao Entrarem no Rio, dispararam algumas “salvas de artilharia” e logo o Palácio da Guanabara que estava cercado por tropas fieis a Goulart, recuaram. O Presidente estava no Rio Grande do Sul, quando as emissoras de rádio anunciavam em nome do Senado Federal, a vacância do cargo de Presidente da República, convocando uma sessão extraordinária para ser empossado o Presidente da Câmara Ranieri Mazzilli.

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VALOR PREMONITÓRIO DAS ENQUETES

            Estávamos ocupando horário nobre na extinta Rádio Borborema, ao lado do companheiro Dagoberto pontes (2010) levando ao ar diariamente o programa DEBATE BORBOREMA, pautado em fatos do quotidiano, especialmente abordando temas políticos do ano eleitoral já em curso. Senador Cássio Cunha Lima estava cassado, ausente da mídia, e quem comandava os destinos de Campina Grande era o peemedebista Veneziano Vital do Rego, aliado do governador. Num tira-teima sobre a reeleição de José Maranhão, resolvemos numa sexta-feira, nos últimos 40 minutos do programa, fazer uma enquete entre o postulante Ricardo Coutinho (ainda Prefeito da Capital) e José Maranhão inquilino instalado na época, no Palácio da Redenção.

            Quando abrimos as duas linhas telefônicas, registrou-se mais de 120 ligações neste breve intervalo. Indagávamos nome e onde o ouvinte residia. Registravam sua opção, identificavam-se e não se dando por satisfeitos, ainda faziam brevíssimos comentários. Para surpresa nossa e de todos os ouvintes, Ricardo Coutinho obteve o dobro das opções, contra José Maranhão. Lembro que o episódio chateou o Diretor da Emissora, Marcelo Antunes, em função do faturamento da empresa. O Governo do Estado era o maior cliente da emissora, que por si só, cobria todos os custos da empresa.

            O então ex-governador cassado Cássio Cunha Lima ainda não tinha manifestado seu apoio a Ricardo Coutinho. Pelo contrário, o grande mentor do processo de cassação do governador tucano teria sido o Alcaide da Capital, através do advogado Marcelo Weick (PCdoB) ajuizando ação que culminou na cassação do mandato de Cássio pelo TRE-PB, confirmado depois pelo TSE.

            A enquete não tinha – e nem tem – o valor científico da pesquisa. Todavia, ouvinte de programa político é por excelência grande formador de opinião. Verdade constatada na expressiva vitória de Ricardo Coutinho – já com apoio de Cássio – em Campina Grande. Foram esta e outras enquetes que “empurraram” Cássio para apoiar Ricardo. O povo formou a chapa da vingança contra o TRE/TSE.

            No último dia 28.09.2017, o Correio Debate – programa radiofônico de grande audiência em todo o Estado – fez uma enquete sobre a preferência do eleitorado paraibano para o Senado da República, eleições ano vindouro (2018). Para nossa surpresa – e de muitos – Cássio Cunha Lima obteve 42%, Ricardo Coutinho 30%. Os demais, não pontuaram na casa de dois dígitos. Premonições?

            Tem algo errado no “núcleo logístico” dos socialistas. Governador Ricardo Coutinho é “festejado” diariamente por quase todos os blogueiros e Portais de Notícias da Paraíba. No rádio, seu nome é mais pronunciado que a “hora certa” e o prefixo das emissoras. Será que exageraram na dosagem? Toneladas de confetes para um só folião? Por outro lado, o povo talvez o considere um bom gestor, e não apostam que seja um excelente Senador. Somente uma pesquisa investigativa sobre o seu perfil, sua gestão e a linha do seu discurso, identificará os motivos de tão baixa popularidade, incompatível com as ações de sua gestão.

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ARROGÂNCIA DO PSB

            Após ser reconduzido – encontro realizado neste final de semana – para o cargo de comandante do PSB na Paraíba, o suplente de deputado federal Edvaldo Rosas revelou em entrevista, seu desejo de firmar aliança com o PMDB de José Maranhão, com vistas às eleições de 2018. O fato demonstra evidente fragilidade dos socialistas – pelo menos no momento – de levar a cabo e com êxito, o projeto “solo” da legenda, tendo como “cabeça de chapa” o técnico João Azevedo. Tentando “blefar” como jogador poker, o Presidente do PSB comunica – sem ser indagado – sobre o futuro do seu chefe, Governador Ricardo Coutinho. Permanecerá no cargo, e disponibilizará para o PMDB a vice, e uma das vagas para o Senado, destacando o nome de Raimundo Lira.

            A sensibilidade de Edvaldo Rosas – quando o assunto é política – tem o mesmo trato e “delicadeza” de quem conserta relógio de pulso, usando luvas de boxe. Desprezou completamente a atual vice Lígia Feliciano, que pode ser candidata à reeleição ou ao Senado. Ao enfatizar Lira como um grande nome do PMDB, subestimou o decano da legenda José Maranhão, que não esconde sua aversão à ousadia oportunista de Lira. Derrotou-o para presidir a CCJ do Senado, elegendo como seu sucessor Edison Lobão, e na tentativa (movimento ensaiado no início deste ano) de levar a legenda para o PSB, arregimentando algumas lideranças com o propósito de causar rebelião na sigla e arrebatarem-na do velho cacique, recebeu um duro recado de Maranhão: “ele não representa o partido, esteve distante por vinte anos”.

            Enquanto Rosas e outros interlocutores do PSB, despidos de humildade superestimam a importância, prestígio e popularidade do Governador Ricardo Coutinho, o PSDB – outrora grande rival do PMDB – reconhece legítima e pertinente à postulação do Senador José Maranhão, mesmo tendo em seus quadros um pré-candidato.

            A habilidade do ex-deputado federal Rui Carneiro, na condução do partido que preside (PSDB), colocando sua sigla como um pilar a mais, na construção da chapa de oposição, tem sido lã entre vidros. O jantar comemorativo ao aniversário do Senador José Maranhão, foi prova inconteste de equilíbrio e maturidade dos “tucanos”. Para surpresa dos governistas, até o presente, os laços têm se estreitados de forma suave, para que não se transformem em nós não desatáveis.

            O intrigante em todo este processo tem sido o silêncio do PP. Perfilam-se no plano nacional com o PSDB, PMDB e PSD, mas na Paraíba tem se posicionado a margem dos eventos. Líder do Governo na Câmara, Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro ainda não foi visto nos encontros dos grupos que se unem para escolher o candidato da oposição, muito menos nas hostes governistas dos “socialistas”. Sua intenção – prognostico que já fizemos – é disputar o Senado da República. Está no aguardo do cavalo, se passar selado…       

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EXCENTRICIDADES DO CONGRESSO

Quando pensamos que já tínhamos visto tudo de pior da atual legislatura que compõe o Congresso Nacional – verdadeira cruzada contra interesses populares – eis que surge o “Fundão” – Financiamento com dinheiro público – para “bancar” campanhas eleitorais dos partidos e candidatos que concorrerão às eleições de 2018.

Qual a diferença entre a “democracia” do momento e a vivida no período dos militares? Mudavam as “regras do jogo” a cada eleição, para continuarem governando. Geisel criou o senador biônico, para não ficar em minoria no Senado. Nas eleições de 1982, temendo perder também a maioria na Câmara dos Deputados e Governadores dos Estados, apareceu o “voto vinculado”, onde o eleitor era obrigado a votar de Vereador a Senador da República num único partido.

O PDS (legenda dos militares) elegeu a maioria dos Governadores, Prefeitos; Deputados Estaduais; Federais e Senadores. Dinheiro? Teve em abundância, com o “Finsocial”, imposto eleitoreiro criado para abastecer os cofres dos municípios, atendendo a um programa de doação de material de construção as populações de baixa renda.

Traindo a si e ao povão – sem o menor constrangimento – Deputados Federais e Senadores terminam por confessar aquilo que sempre esconderam da população: todos os seus votos foram comprados. Com doações das empresas, pessoas físicas; emendas de bancadas e individuais; empréstimos para pagar via mandato, ocasiões de votações polêmicas… Olhando sob este prisma, nossa democracia é totalmente corrompida. Requer mudanças urgentes, antes que sejamos atingidos por uma ruptura ou crise institucional, já preconizada através do “balão de ensaio” lançado pelo general Mourão, sem nenhuma reação restritiva da sociedade.

A grandeza de uma Nação é construída por suas elites políticas. O que temos hoje no Congresso Nacional? Senadores que não foram votados (suplentes). Deputados Federais eleitos através de coligações esdrúxulas, onde se compuseram esquerdas radicais, centro e direita, com um único propósito: elegerem-se. O eleitor votou num candidato de direita e elegeu um de esquerda. Uma colcha de retalhos que tenta se “costurar” (sem êxito) nas duas Casas Legislativas, patrocinadora de um Poder deficitário em todos os aspectos. Criador de dificuldades e vendedor de facilidades. Nenhuma lei “justiceira” como Imposto sobre as grandes fortunas, limite de remessa de lucros das multinacionais; Maiores alíquotas sobre atividades lucrativas (Bancos), nenhuma destas leis foram votadas, desde a redemocratização do país (1985).

A Presidência da República reclama da impossibilidade de governar com um Congresso que abriga mais de 36 partidos políticos. O discurso é absorvido pelo STF e pelos próprios dirigentes das mesas diretoras do Senado e da Câmara dos Deputados. Mas, será que estão sendo sinceros? Óbvio que não. As grandes legendas como PMDB, PSDB; PT; PP; PR; PSB; PDT: PTB… não têm comando sobre seus Deputados e Senadores. Cada parlamentar representa o “eu” como partido. A legenda apenas o abriga. Na hora que fecham questão em bloco sobre qualquer tema de interesse do Poder Executivo, a maioria se debanda e perfila-se ao lado “centrão”. Excrescência aglutinadora de picaretas e vigaristas para cobrarem os olhos da cara por um voto registrado no painel eletrônico das duas Casas. Por que os partidos não os expulsa, vai à Justiça e arranca seus mandatos? Trocamos as “almanjarras”, mas as “bestas” são as mesmas. Nada mudou desde 1978.  Tudo como d”antes, no quartel do Abrantes.

 

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INSENSATEZ PARLAMENTAR

            Finalmente ontem (19.092017) a Câmara dos Deputados resolveu na vigésima quinta hora, votar a reforma política com as novas regras que regulamentarão as eleições de 2018. As propostas apresentadas além de inoportunas foram de uma irresponsabilidade absurda. Queriam transferir tudo – principalmente o fim das coligações – para 2020 e 2022. Pretendiam criar um fundo de financiamento público, com pelo menos metade dos quatro bilhões destinados a emendas de bancadas, recursos aplicados na infraestrutura dos Estados como estradas, açudagem; adutoras; saneamento básico… Um tiro no pé. Derrotaram o “distritão” e pelo visto continuarão com as coligações. Não votaram o “fundão” (financiamento com dinheiro público para partidos e candidatos). Restam 16 dias para PEC – Proposta de Emenda Constitucional seja votada em dois turnos, aprovada por 3/5 das Casas Legislativa (Câmara e Senado).

O melhor regime político ainda é a democracia plena, mesmo com seus defeitos e imperfeições. As liberdades de imprensa e livres manifestações tem feito algumas vítimas isoladas. Porém, trouxe o benefício como o desmantelamento da várias “quadrilhas” (operação lava-jato) montadas nos três poderes da República, nos níveis Federal, Estadual e Municipal. O povo, estupefato com o que viu, vê e ainda verá, sequer esboça uma reação. Criou-se um desencanto generalizado pela classe política, a ponto de aceitarem volta de um regime de exceção, tendo sob seu comando os Militares.

A insensibilidade atual legislatura que compõe a Câmara dos Deputados (pior de toda a história da Repúbica) não enxerga a crise moral, ética; econômica e política que atravessa o país. Querem que o povo lhes deem dinheiro através do “fundo de campanha” para que eles possam comprar seus votos. Algo risível e inimaginável.

Para que não ocorra uma ruptura, resta o bom senso do Senado e do STF que podem salvar-nos de uma ditadura, prestes a se instalar. E, não nos venham com a velha “estória” de que não existe “clima internacional”… Ano passado, Estados Unidos e ONU engoliram o golpe de Estado da Turquia. A Venezuela atropelou Mercosul, OEA e ONU. Tio “San” nunca rompeu com o Egito, Arábia Saudita; Emirados Árabes Unidos… Até hoje se arrependem de terem matado Sadan Hussein e Amuar Kadafi. Com eles vivos, não estariam enfrentado o terror internacional do Estado Islâmico.

Desde a proclamação da República, a inquietação dos quartéis tem provocado reviravoltas no Brasil. Os Tenentes de 1922, a Coluna Prestes; Revolução de 1930; Estado Novo; Deposição de Getúlio Vargas; Suicídio do mesmo e golpe militar de 1964. Hoje o Exercito Brasileiro é a instituição mais repeitada do país, segundo pesquisas, 82% de aprovação. Seguido pela Igreja (74); OAB (64) STF 58%.

Na última sexta-feira (15.09.2017) num encontro da Maçonaria em Brasília o General Antônio Hamilton Martins Mourão afirmou que o Exército Brasileiro tem um plano detalhado de intervenção militar. Que não admite a reeleição de nenhum Parlamentar denunciado por corrupção. Ministro da Defesa Raul Jungmann exigiu do Comandante do Exército Gen. Eduardo Villas Bôas, punição severa do Gen. Mourão. Ideia não bem recebida pelo Comandante do Exército que teme uma “rebelião” nos quartéis, que endossam neste momento as palavras do Gen. Mourão. Como se não bastasse, o Gen. Heleno Ribeiro Pereira, ex-comandante da Amazônia e da missão do Haiti, escreveu artigo apoiando o Gen. Mourão em nome da “família Militar”. Num dos trechos, Gen. Heleno destaca que a intervenção é Constitucional. E agora?  

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SEM FOGUETÓRIO

No último sábado (16.09.2017), um jantar em homenagem ao aniversariante Senador José Maranhão, levou o Clã Cunha Lima e todos os liderados pelo Senador Cássio a marcarem presença, ao lado do Prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo. As grandes ausências foram a do Governador Ricardo Coutinho, vice Lígia Feliciano; Deputado Federal Rômulo Gouveia (Presidente do PSD). Confirmou-se na Paraíba a “máxima” cunhada pelo ex-presidente Getúlio Vargas, na campanha Presidencial de 1952 quando recebeu o apoio irrestrito do símbolo do comunismo brasileiro Luís Carlos Prestes: “em política não existe amigos inseparáveis nem inimigos irreconciliáveis… Tudo é possível”. Vargas no Estado Novo, prendeu, torturou e expatriou comunistas.

Na terra dos Tabajaras – sem o foguetório desagregador de 21.03.1998 do Clube Campestre – os dois principais Caciques da política paraibana, sentaram e fumaram o cachimbo da paz, para celebrar a pajelança de 2018, quando provavelmente estarão no mesmo palanque vinte e quatro anos depois (última vez eleições de 12994) o Senador José Maranhão e o tucano Cássio Cunha Lima.

Lembramos diversas vezes e oportunamente, que nos Estados do Nordestinos não existem ambiente onde possa prosperar surgimento de uma terceira força política, sem apoio de uma das duas Oligarquias, que se revezam no poder desde a década os anos 30, século passado. No Ceará foi assim com os “Coronéis”, que após a “compulsória” da vida pública, foram sucedidos por Tasso Jereissati e os irmão Ciro e Cid Gomes. No RN ainda resistem os Alves e Maias. No Maranhão Sarney e os contra… Isto não implica em tropeço aleatórios, ou oportunismo momentâneo. Saudosa ex-governadora Vilma de Farias foi eleita governadora (primeiro mandato) com apoio do Alves, no segundo turno. Reeleita com uma marcante dissidência nos Maias. Mas, quando as oligarquias se juntaram para valer, tiraram-na da disputa pelo Senado e derrotaram-na duas vezes consecutiva. Governador Ricardo Coutinho seguiu seus passos – coincidentemente da mesma legenda PSB – e elegeu-se duas vezes Prefeito da Capital com apoio de José Maranhão. Chegou ao Palácio da Redenção, com apoio de Cássio Cunha Lima. E em sua reeleição, mais uma vez José Maranhão, por falta de um gesto “genuflexório” do Senador Cássio. Ricardo teve todas as chances de manter seus maiores inimigos políticos divididos e atrair um dos Caciques para elegê-lo como seu sucessor, assegurando sua vaga no Senado da República. Festejado midiaticamente pela imprensa palaciana, defendendo firmes posições do “populismo” petista, nos estertores da lava-jato, fechou as portas por ele abertas desde 2004, nas duas casas que hospedou seus sonhos. Sua última tentativa será convencer o Prefeito Luciano Cartaxo para unir-se a seu bloco. O recado foi dado no mesmo sábado do jantar, pelo Deputado Federal Rômulo Gouveia (PSD) que alfinetou os “tucanos”, declarando seu voto e apoio ao Senador Raimundo Lira (?) a quem adjetivou de “muito trabalhador” e uma “grande liderança” de expressão nacional. Meus Deus! O ex-gordinho deve está atravessando o mesmo inferno astral vivido por Nadja Palitot, quando tomou o PSB de Gilvan Freire e cedeu à legenda para eleger Ricardo Coutinho Prefeito de João Pessoa. Ricardo “abocanhou” o PSB e deixou Nadja só, com a retórica de traída.       

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SINAIS DO AMAZONAS

            Na maioria dos estados brasileiros – especialmente na região nordeste – as eleições para o Governo do Estado (2018) estão se aproximando do micro período, que compreende Janeiro/Outubro. Nos bastidores partidários as pré-candidaturas buscam suas viabilizações, ensaiando coligações e buscando apoios das lideranças, eleitas em 2014, numa conjuntura absolutamente inversa a dos dias atuais.

            O que nos causa estranheza, é o modo abstrato como a classe política está enxergando o calendário eleitoral, levando em consideração o desgaste da representatividade (Parlamento) e do Poder Executivo, esmagados por denuncias, prisões e cassações de mandatos sob acusação de corrupção, lavagem de dinheiro; formação de quadrilha… Sequer se sabe ainda como serão as regras estabelecidas através de nova legislação, que tem apenas vinte e um dias para ser aprovada em votação de dois turnos na Câmara dos Deputados e Senado da República. Sansão Presidencial e publicação no Diário Oficial da União. Haja improviso…

            O prudente seria observar “os sinais” do eleitorado do Amazonas, nas eleições suplementares para o Governo do Estado realizadas em agosto último (2018). Com um eleitorado de 2.337.294 votos, dos quais 60% se concentram na Capital Manaus e região metropolitana, no primeiro turno (06.08.2018) foram votados oito candidatos.      Abstenção de 567.909 eleitores, 3,44% brancos e 12.33% nulos. Votos válidos – incluindo nulos e brancos – 1.769.385. Amazonino Mendes (PDT)38.77%; Eduardo Braga (PMDB) 25.36%; José Ricardo Wendling (PT) 12.17%; Jardel (PPL) 0,23%; Luis Castro (Rede) 2,63%; Marcelo Serafim (PSB) 1,27%; Rebeca Garcia (PP) 18,06%; Barreto (PHS) 1,52%. Desembarcaram no segundo turno Amazonino Mendes e Eduardo Braga. O “criador” e a “criatura”. Os partidos de esquerdas incluindo o PT empataram com terceiro lugar do PP, Rebeca Garcia.

            Trágico foi o segundo turno, realizado no dia 28/08/2018 – clímax da crise debatida no Congresso – sobre a continuidade ou não do Presidente Temer. Abstenção (deixaram de ir às urnas) 1.015.043. Votos válidos 1.322.043. Brancos 4,06 e nulos 19.73. Se deduzirmos os percentuais de nulos e brancos que totalizam 23.79 do numero de votantes 1.322.251, alcançaremos apenas 1.007.690 eleitores que optaram entre Amazonino Mendes e Eduardo Braga. Amazonino Mendes venceu com 59.21% dos votos válidos, Eduardo Braga que ficou com 40.79%. Apenas 594.278 sufrágios consagraram a vitória de Amazonino Mendes, números que correspondem a 25,4% do eleitorado Amazonense.

            Este fenômeno pode se repetir ano vindouro em todo o país, atingindo com mais contundência candidatos a Deputado Estadual e Federal, cuja abstenção foi sempre maior que para o Poder Executivo. Se prevalecer o fim das coligações e for emplacado o novo modelo (Distritão), onde se elegerão os mais votados, à renovação no Congresso e Assembleias Legislativas pode alcançar 80%. Artistas de todas as áreas e Profissionais Liberais de destaque na sociedade representarão a “surpresa” do novo Parlamento Brasileiro.

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COELHO DE MARATONA*

             Em entrevista radiofônica no último final de semana, o Deputado Federal Rômulo Gouveia “rachou” o PSDB, ao afirmar enfaticamente que não existem espaços para dois membros de uma mesma família na chapa majoritária. Referiu-se ao Senador Cássio Cunha Lima e ao Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues.

            O ex-gordinho, que antes da bariátrica já enxergava o umbigo, agora não tira o olho dele. Trabalhou em duas frentes, usando o prestígio do Ministro Gilberto Kassab, abastecendo os cofres da PMCG e PMJP com recursos de emendas orçamentárias e extra orçamentos. O PSD foi o partido que mais se aproveitou do momento “oportuno” surgido na crise provocada pelo impeachment. “Faturou” dos dois lados, em dois momentos e manteve-se no Governo. Cada votação polêmica, cobra pedágio. Deputado Federal Rômulo Gouveia tornou-se “Eminência Parda” da PMCG e PMJP. É quem manda de fato nas principais Secretarias, dotadas de maior orçamento.

            Eleições municipais de 2012, Kassab a pedido de Rômulo destinou um milhão de reais, para que Romero pusesse sua campanha nas ruas. No segundo turno, outra remessa do mesmo montante. Após ser empossado, o tucano frequentava Brasília as escondidas de seu primo Cássio. E, ciceroneado pelo ex-gordinho – em nome de Kassab- arrancaram dezenas de convênios do governo petista, que vivia um “cabo de guerra” com o PSDB. Habilidade ou esperteza? Não importa. Quem ganhou foi Campina Grande. E quem “capitalizou-se” politicamente, foi Romero Rodrigues. Alguém enganou Dilma e Kassab, na falsa promessa do Prefeito tucano migrar para o PSB. Numa ação mais ousada, Rômulo “prendeu” Luciano Cartaxo no PSD, ficando sobre seu comando, os dois maiores colégios eleitoral da Paraíba. Agora, chegou o momento de decidir quem apoiará para o Governo do Estado. Luciano é do seu partido (PSD). Romero, pré-candidato ao Governo do Estado foi quem mais se mobilizou, estimulado por Rômulo, e agora corre o risco de ser o “coelho da maratona”. Tudo que o ex-gordinho deseja é o ingresso de Romero no PSD. Mas, apesar das lamurias, queixas e reclamações, o comandante de sua legenda, Senador Cássio Cunha Lima, não lhes tem dado à chance de deixar a sigla como “vítima”. Se sair é como “traidor”.

            As relações entre o Senador Cássio Cunha Lima e o Presidente do PSD Rômulo Gouveia vem “azedando” desde 2006, quando o “ex-gordinho” elegeu-se Deputado Federal mais votado em Campina Grande, suplantando o poeta Ronaldo Cunha Lima e o irmão do então Prefeito Veneziano Vital do Rego. Era despedida da vida pública do poeta. A homenagem era torná-lo campeão dos votos em Campina Grande e no Estado. O Clã começou a desconfiar que a “criatura” estava se voltando contra o seu “criador” com a nítida intenção de liderar um bloco, sem mais a “tutela” Cunha Lima.

            Rômulo Gouveia se tornou ao longo dos últimos oito anos, tem se tornado o maior algoz (disfarçado) do Senador Cássio Cunha Lima. Ainda transita no meio “tucano”, porque não foi merecedor da cofiança do Governador Ricardo Coutinho, quando esteve como seu vice e deixou o PSDB. Lançou-se candidato ao Senado, apoiado pelo socialista, mas foi abandonado no altar na hora do casamento.

*Coelho de Maratona – atleta que inicia a maratona num ritmo alucinante, e se distancia de todos. Porém, abandona a corrida na metade da prova. A velocidade inicial esgota suas energias, e lhes falta fôlego ou resistência, para ir até o final.

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AS MÃOS DE CATÃO

            O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba tem acerado sua tolerância, com vistas à prestação de contas do Governo do Estado, relativo ao exercício de 2015. Por quê? Estamos no final de 2017! Onde está a competência dos Técnicos e Auditores que ainda não acertaram a conciliação de gastos e despesas, com notas apresentadas? Infelizmente o “buraco” é mais embaixo. Em 2015, o Governador Ricardo Coutinho acuou o TCE na hora de julgarem suas contas, alegando suspeição do Conselheiro Fernando Catão (por ser tio de Cássio Cunha Lima) e de Nominando Diniz (?) na época Relator. Criou uma “cortina de fumaça”, via Assembleia Legislativa, encaminhando um projeto para criação do TCM – Tribunal de Contas dos Municípios. Tema de um artigo onde mostramos a inconstitucionalidade do ato – inspirado no TCM do Ceará – extinto por Decreto do Governo do Estado no final de 2016. Publicamos outro artigo, final de 2015, no site Brasiliense www.justiicaemfoco.com.br  intitulado PRESTIDIGITAÇÃO. O conteúdo mostrava o processo TC nº04246/2015 que recebeu o parecer Ministerial 02237/2015, assinado pela Procuradora Geral do Ministério Público de Contas da Paraíba Dra. Sheyla Barreto Braga de Queiroz, recomendando ao pleno do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba a desaprovação das contas do Governo do Estado referentes ao exercício do ano de 2014. Inúmeros crimes administrativos foram – segundo a Procuradora – cometidos não só em 2014. Mas, ao longo de toda a primeira gestão do “socialista”, como por exemplo, o não repasse de 5,34 bilhões de reais a PBPREV. Dano irreparável. Basta lembrar que a ex-prefeita de Campina Grande Cozete Barbosa, sacou do IPSEM a título de empréstimo – apenas por dez dias – valores para pagar a folha dos servidores, e mesmo com a devolução feita no prazo, ela foi condenada por improbidade administrativa e responde ação penal pelo ato. O Governador Ricardo Coutinho fez pior: descontou durante cinco anos contribuição dos Servidores e não recolheu a PBPREV. Como se não bastasse, descumpriu a Constituição, não realizando as transferências obrigatórias de 12% das receitas liquidas para o Fundo Estadual da Saúde e de 25% para educação. Deixou “restos a pagar” do exercício 2014, final de seu primeiro mandato, ferindo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Praticou “crime eleitoreiro” incrementando em 87,21% a mais que no ano anterior, no programa EMPREENDER.

Na “República da Paraíba” a promiscuidade entre os Poderes Constituídos é patente. Por que até hoje a Assembleia Legislativa da Paraíba não convidou a Procuradora Sheyla Barreto Braga para expor seu parecer? E a oposição da Casa Epitácio Pessoa, que sabia e sabe de toda esta “tramoia”, não se manifestou? A mídia da Capital (palaciana), pautada pelos interesses dos proprietários dos veículos de comunicação, nunca noticiaram o fato, nem entrevistaram a Procuradora. MPE, MPF e TRE sequer apreciaram o parecer da Dra. Sheyla.

O destino de Ricardo Coutinho está nas mãos do Conselheiro Fernando Catão e será decidido em outubro vindouro (2017). Se não as lavar, como Pilatos, seu relatório recomendará a reprovação das contas, com base nas denúncias da Dra. Sheyla. O “socialista” ficará inelegível por crime de improbidade administrativa. Permanecerá na “cadeira” até o último dia de sua gestão, tentando “enxugar” a máquina, cortar investimentos para cobrir o “rombo” da PBPREV, processo onde se habilitarão MPE, MPF e talvez o GAECO-PB. Tratar-se-á de uma ação penal. Aí, o bicho pega.

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AFOITOS DE RICARDO COUTINHO

            Governador Ricardo Coutinho ainda não compreendeu que em 2018, não é candidato à reeleição. Por mais bem avaliada que esteja suja gestão no momento – semelhante à de José Maranhão em 2002 – a tarefa de transferir votos é árdua, um desafio de resultados imprevisíveis e êxito completamente duvidoso. Observem-se suas duas tentativas frustradas, mesmo estando no comando dos destinos da Paraíba, o “socialista” não conseguiu eleger o Prefeito da Capital do Estado em 2012 e 2016.

            No momento tem três candidatos ao Governo, buscando viabilizarem suas postulações. O Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, o de João Pessoa Luciano Cartaxo e o “balão de ensaio” – projeto “solo” – do Governador, que enxerga 2018 no retrovisor de 2008, quando se reelegeu com uma chapa “puro sangue” (PSB).

            O intrigante na política é sua dinâmica, parturiente do inesperado. A disposição do Senador José Maranhão em voltar a governar a Paraíba, jamais foi fato considerado por nenhum dos atuais pré-candidatos. Todos os demais projetos têm riscos de perdas e cisões, permeados por supostas “traições”. Romero, Luciano e Ricardo Coutinho terão que abdicarem do poder e apostar na confiança de quem os substituirá. Ricardo Coutinho além da renúncia corre o risco de ser abandonado – sem mandado e como candidato a Senador – pelos atuais líderes partidários que compõe sua base aliada. Esta gente Buscará vésperas das convenções, espaços nas composições das legendas que lhes garantam seus retornos ao Parlamento. Gratidão tem origem no Cristianismo, ato literalmente desprezado pelo mundo político.

            Senador José Maranhão passa a ser cortejado pelo PSD, PSDB e PSB. Os ventos começam a soprarem em seu favor, até na conjuntura nacional, após o recuo do Procurador Rodrigo Janot e o elogio a ele, dirigido pelo Presidente Michel Temer. Neste aspecto, longe do fantasma da PGR, o Governo recuperar-se-á e irá prestigiar as candidaturas mais próximas do Palácio do Planalto. Senador José Maranhão não tem mais o que fazer em Brasília. Na Paraíba está sua esposa, seus liderados e sua base política, que indiscutivelmente o apoiará numa aventura em 2018. Por outro lado, com a responsabilidade de salvar o PP, o líder do governo Aguinaldo Ribeiro só enxerga um caminho para levar a cabo esta missão: Senado da República. Não importa com quem, ou em qual palanque. Mas, a denúncia da PGR contra o PP, ora sendo investigado, necessita de uma ação política contundente. Fiel Escudeiro do Governo do PMDB, Aguinaldo Ribeiro não titubeará em optar por uma composição com José Maranhão e os Regos, junção que seria do mais inteiro “agrado” do Presidente Michel Temer.

            Quatro candidaturas inviabiliza uma vitória dos socialistas. No segundo turno – se for alcançado pelo candidato do governador – serão dois oponentes derrotados, que se juntarão com o candidato da oposição. A esta altura, Deputados e Senadores já eleitos, estarão na mira do Governo Federal. Este “filme” já foi visto em duas ocasiões e neste mesmo período. Em 2010, foi o saudoso Eduardo Campos. Em 2014, a Presidente Dilma Rousseff, que consagraram as vitórias do Governador Ricardo Coutinho.    

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ROLO COMPRESSOR

            Aceno do Senador José Maranhão (direcionando recado) numa entrevista radiofônica, sobre sua intenção de construir uma “agenda” com o Governador Ricardo Coutinho, sinaliza claramente que aumenta consideravelmente, as dificuldades do pré-candidato tucano Romero Rodrigues, em levar a cabo e com êxito seu projeto de chegar ao Palácio da Redenção.

            Indiscutivelmente Ricardo Coutinho continua crescendo em popularidade e aprovação do seu governo. Enfrentando – como todos os demais Estados da Federação – uma das maiores crises econômicas da história do país, o “socialista” da sequencia a inauguração de obas importantes, nas áreas de influência de Romero Rodrigues. Adutoras na circunvizinhança de Campina Grande. Acrescendo ainda o momento desfavorável que ora vive o tucano, pesquisa realizada na cidade de Patos-Pb apontou 80% de aprovação da gestão de Ricardo Coutinho. Dados divulgados no mesmo dia em que a Câmara Municipal da Capital do Sol – cidade governada por um aliado do Prefeito de Campina Grande – rejeitou propositura de aprovação de um título de cidadania a Romero Rodrigues.

            A união PMDB/PSB/PR/PDT/DEM forma um “rolo compressor” capaz de esmagar o PSDB e PSD que demonstram unidos, porém nos bastidores continuam separados, em função da “cabeça de chapa”. Luciano Cartaxo tem o mesmo sonho e desejo de Romero Rodrigues.

            De qualquer sorte, os “socialistas” não devem comemorar o “aceno” do Senador José Maranhão como uma adesão. Observe-se que na mesma ocasião em que admitiu conversar com Ricardo Coutinho – descartando Luciano Cartaxo – enfatizou mais uma vez que seu nome está à disposição para o Governo do Estado no pleito de 2018. A lógica indica que para o Senador José Maranhão, o nome de João Azevedo ainda é um “balão de ensaio” do PSB.

 Governador Ricardo Coutinho – caso decida ser candidato ao Senado Federal – ficará sob a “guarda” de José Maranhão e seu indiscutível prestígio que desfruta junto ao TJ-PB e TRE-PB, fato comprovado ao longo do tempo. Como nem tudo é um mar de rosas, Ricardo Coutinho atravessará um período crítico, no qual ficará sem mandato e foro privilegiado a partir de 03.04.2018. Exposto por inúmeras ações na Justiça – ambiente que não desfruta muita simpatia – deve temer se tornar “presa” fácil e atacada pelos predadores da Primeira Instância. Esta talvez seja a única razão que leve o “socialista” a desistir do projeto João Azevedo. Senador Raimundo Lira já admite ser o suplente de Ricardo Coutinho, e a vice poderia ficar com o DEM (Efraim Morais). Veneziano Vital do Rego brigaria ao lado de Gervásio Filho e Wilson Santiago pela segunda opção para o Senado ao lado de Ricardo Coutinho. A grande vencedora seria D. Nilda Gondim que se tornaria Senadora da Repúbica por quatro anos.

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NOVOS RUMOS

            A polarização do PSB x PSDB, com vistas às eleições de 2018, vem atrofiando naturalmente o projeto do Prefeito de João Pessoa (Luciano Cartaxo) em disputar a sucessão do Governador Ricardo Coutinho. A mídia, nos últimos quarenta e cinco dias, tem transformado o cenário político estadual numa “rinha” onde só cabem dois “galos”: Romero Rodrigues e Ricardo Coutinho. Caiu no esquecimento Luciano Cartaxo, Prefeito de João Pessoa, sem espaço no “arranca-rabo” travado entre Campina Grande e o inquilino do Palácio da Redenção.

            Neste último prélio – ainda em curso – segurança hídrica para garantir o abastecimento d’água de Campina Grande, Romero Rodrigues posicionou-se melhor. De forma “subliminar” ressuscitou o “bairrismo” e assumiu a posição de principal protagonista na defesa do “Campinismo” histórico. Tema “acidental” elementar, ou inoportuno, que sequer despertou a atenção do Senador Cássio Cunha Lima. Porém, a polêmica ganhou proporções imagináveis, e em cena, só restaram Romero e Ricardo.

            A permanência ou não do Governador no cargo, para assegurar o nível de competitividade de seu candidato Secretário João Azevedo, cria oportunidade para novos postulantes ao Senado da República, na composição das chapas majoritárias. O PSBD, por exemplo, não resistira à pressão do PP que cobrará do Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro espaço para ser companheiro (segunda opção) do Senador Cássio Cunha Lima. Impossível perder tamanha oportunidade. Líder do Governo na Câmara, ex-ministro de Estado, homem de total confiança dos Presidentes Michel Temer e Rodrigo Maia. Seu pai estará no comando da PMCG e ainda abre uma vaga para substituí-lo na Câmara.

No PSB, caso Ricardo Coutinho dispute o Senado, sua segunda opção será o Presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba Gervásio Filho. Homem “missão”, ligações históricas (seu pai) desde a primeira gestão de Ricardo Coutinho como Prefeito de João Pessoa, esteve preparado para ser o governador “tampão”, caso Lígia Feliciano não assumisse com a renúncia do titular; desfruta da confiança e admiração de seus pares do Parlamento; conquista o voto suprapartidário como segunda opção das duas, três ou quatro chapas que disputarem o pleito, sendo apoiado pela maioria dos atuais Deputados Estaduais. E na hipótese de Ricardo permanecer com a “caneta” na mão, compor-se com o PMDB, jamais deixaria a sigla de José Maranhão ficar com duas, das três cadeiras do Senado da República. Seu candidato será Gervásio Filho. A Assembleia Legislativa sem o “fundão” – “afundado” ontem nas declarações do Presidente do Senado Eunício Oliveira – terá uma importância extraordinária como “caixa d’água” suplementar no pleito de 2018. Luciano Cartaxo – pelo andar da carruagem – só será candidato se José Maranhão também concorrer. Serão quatro chapas. Uma (governo/situação) garantirá passagem para o segundo turno. A batalha pela segunda vaga seria travada entre PSDB, PMDB e PSB. Preocupante mesmo, que requer cuidados e muita atenção, é a postulação para o retorno do senador Cássio Cunha Lima. Circunstancialmente talvez seja o “Wilson Braga” de 1986 e 1990. Poderá ser “engolido” pelos “Raimundo Lira” representado nas figuras de Aguinaldo Ribeiro e Gervásio Filho. Quadro válido para o momento, como tudo está em “mar de Almirante”

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TERCEIRA FORÇA

            Tentativa ousada do Governador Ricardo Coutinho, em se estabelecer como uma terceira força política no Estado é um desafio nunca conquistado por outrem, nem na Paraíba muito menos nas demais unidades da Federação. Apesar da existência do pluripartidarismo – hoje registrando quarenta legendas – o país politicamente Presidencialista, é bipartidário. Suas disputas para o Poder Executivo são sempre polarizadas entre duas Forças enraizadas nas quase centenárias Oligarquias, ou apoiadas por estas. Nada mudou desde a velha República, tudo se transforma constantemente. O “tronco” ainda é o mesmo, os “galhos” podados é que ganham novas “folhagens”.

            Saudoso Tarcísio Buriti e Wilson Braga bem que lutaram para que se formasse uma terceira força política na Paraíba. Mas, os herdeiros dos Perrepistas e Liberais (anos trinta século passado) os derrotaram. No Rio Grande do Norte, a saudosa Governadora Vilma de Farias foi pioneira em triolhar os mesmos caminhos, percorridos pelo atual governador Ricardo Coutinho. Chegou a Prefeitura de Natal pelas mãos dos Maias. Retornou para um segundo mandato, com o mesmo apoio. Para sua terceira gestão, continuou com os Maias e rachou os Alves. Alcançou o Governo do Estado com apoio dos Mais e dissidentes temporários dos Alves. Na sua reeleição, forçaram-na a enfrentar as duas Oligarquias unidas, causando estremecimento no eleitorado que não entendeu a junção de adversários cinquentenários. Venceu, se notabilizou como uma das melhores gestora do RN, e com popularidade altíssima julgou que finalmente, tinha conseguido se impor como terceira força. Mas, ao renunciar seis meses antes do pleito de 2010 para concorrer ao Senado, lançou seu vice e ambos perderam para Alves e Maias, que permaneceram unidos desde 2006, apararam arestas, e trouxeram os “agregados” – então rebelados – Rosados de Mossoró. Numa segunda tentativa (2014) para o Senado, Vilma é novamente derrotada. Terminou seus dias de vida como Vereadora da Capital Potiguar.

            Qualquer semelhança da ascensão política da saudosa ex-governadora Vilma de Farias (RN), com Ricardo Coutinho, não é mera coincidência. Ricardo Coutinho chegou a PMJP com apoio do PMDB e do Governador José Maranhão. Na sua reeleição, continuou sendo apoiado pelo PMDB. Para se tornar inquilino do Palácio da Redenção foi catapultado pelo ex-governador Cássio Cunha Lima. Na sua recondução, rachou o PMDB. Popularidade em alta, quer indicar um técnico para substituí-lo (2018). Mas, as Oligarquias que pavimentaram os caminhos de sua vida pública, estão dispostas a lançarem candidatos próprios, e isolarem-no. Os velhos Caciques (rivais) podem se unirem, para evitar que a “trigo girassóis” se transforme na “grande nação socialista”.

            Interlocutores (supomos que Nonato Bandeira) têm criado “clima” para um entendimento entre o PMDB (José Maranhão) e o Governador Ricardo Coutinho. Se esta semente germinar, o PSDB (Cunha Lima) entra na disputa (2018) em desvantagem. Luciano Cartaxo ficará sitiado. Ricardo Coutinho continuando com a caneta na mão, e negociando as duas vagas de Senadores e vice com o PMDB, DEM e PR, João Azevedo passa a ter chances reais de disputar e conquistar o governo da Paraíba.      

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MÍDIA E O POVO

Relatamos inúmeras vezes neste espaço, que a classe política – principalmente os senhores legisladores – estão ficando cada vez mais distante do povo. Mas, não está só. Ao seu lado envereda pelos mesmos caminhos a mídia local e estadual, via seu formato “festivo” de cunho bajulatório, insistentemente tentam “dourar a pílula” de personagens anacrônicos, mal formatados para a atualidade, imutavelmente atávicos.

 Vivendo num mundo utópico – apajeado pela radiofonia – políticos paraibanos não perceberam ainda a insatisfação coletiva que se agigantou em todo o país nos últimos três anos, nomeando-os – a exemplo dos demais Estados – responsáveis pela tragédia que aflige o quotidiano e suas sobrevivências. O povo, na busca de seus anseios, encontra-se no meio de um labirinto. Contestando na prática o imortal da Literatura Brasileira José Américo de Almeida (A Bagaceira), perderam-se nos caminhos da volta. Não conseguem mais irem em frente, nem retornarem.

Nas medidas “populistas” após os efeitos da lava-jato (2016), o Congresso Nacional alterou a legislação eleitoral, com propósito de “baratear” custos de campanhas, com vistas às eleições municipais. Ledo engano… Foi bem mais cara que a anterior. Os “minguados” números figuraram apenas nas prestações de contas junto ao TRE. O caixa dois foi usado abusivamente. Prefeitos e Vereadores eleitos estão falidos, endividados e dependurados em bancos e agiotas, sem saber como irão sair deste “atoleiro”. A esperança são as eleições de 2018, com a “festança” de cinco opções de votos de Deputado Estadual a Presidente da República. Pleito que vai quebrar o país.

As centenas de bilhões de reais que saíram dos cofres públicos – segundo investigações e delações da lava-jato – negociadas pela classe política, deixa evidente que nem os cartéis que comandaram a produção e exportação da cocaína Colombiana – era Pablo Escobar – acumularam e lavaram tanto dinheiro, como os políticos brasileiros. Na visão do povão, viciado na venda do voto, candidatos à reeleição são bilionários. E para continuarem ganhando fortunas, gozando de foro privilegiado, precisam do sufrágio a qualquer preço. Procura maior que a oferta trará a hiperinflação eleitoreira.

Recente pesquisa divulgada pelo Instituto IPSOS (Estadão), 94% dos brasileiros não se sentem representados pelos atuais portadores de mandatos. Quer sejam governistas ou oposição. Dos consultados, apenas 38% acreditam na democracia como a melhor forma de governo. Fato que vem ao encontro das últimas declarações da ex-presidente Dilma Rousseff: “o próximo Presidente do Brasil poderá ser um novo Hitler”. Ela mais que ninguém sabe, que todos os modelos experimentados desde a redemocratização não funcionaram. A corrupção continuou crescendo, e a cada eleição, o Congresso perde qualidade na medida em que mandato eletivo se transformou em empreendimento, considerado hoje melhor investimento para acumular fortuna e rapidamente ascender ao “clube dos milionários”. O costume vem de muito longe. Uma das últimas frases de Getúlio Vargas, na noite de seu suposto suicídio, em conversa com Alzirinha sua filha e conselheira, desabafou: “mais de 18 anos como Presidente, nunca ninguém chegou a me pedir pelo Brasil. Sempre me pediram para si, ou seus amigos”.  

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REAÇÕES BRUSCAS

            Com o advento do avanço tecnológico – através da expansão da informática – nas duas últimas décadas, surgiram novos caminhos para informação, livre de domínios ou controle. As “democratas” redes sociais, que passaram a registrar (sem filtros) cenas e acontecimentos ao vivo ou instantaneamente, sepultou a mídia impressa, compromete o futuro da televisão e deixa sobreviver apenas o rádio como aliado. Protagonistas dos meios políticos/partidários – ainda não adaptados a esta “nova era”, estão desnudos e expostos, perplexos com a recriminação de toda população, que estão forçando-os a mudarem de postura, sob pena de serem esquecidos nas urnas.

               Não cabe discussão “estéril”, questionando se o povo está “nivelando” os políticos por cima, ou por baixo. O que ora testemunhamos historicamente, são reações hostis de uma nação até bem recente ordeira, pacíficos, inertes ou alienados as paixões partidárias, sobre as quais surgiram e se ergueram mitos, ao longo de muitas décadas.

            Nos recentes episódios de apupos contra “astros da política” a população tem demonstrado que querem praticamente botar todos no mesmo saco, sem questionar legendas ou histórico de suas ricas biografias. Ícones como o Senador Garibaldi Alves ser vaiado no Aeroporto de Natal – como narramos em artigo recente – era algo inimaginável. Será que motivo é o PMDB? Não, pois ao seu lado vinha sua ferrenha adversária Zenaide Maia – seguidora fiel de Lula e Dilma – e foi igualmente vaiada. Quem saiu nos braços do povo – na ocasião – foi Jair Bolsonaro, vítima de boicote pela grande mídia nacional. Em Fortaleza, na última sexta-feira (04.08.2017) além de vaias, agrediram aos empurrões um Deputado Federal, que começou a ser xingado ainda dentro da aeronave em voo, identificado pelo broche da Câmara dos Deputados em sua lapela. Pelo visto, doravante vão ter que usarem disfarce.

            Dificuldades têm os Parlamentares Cariocas, Paranaense; Catarinenses e Paulistas. Todos estão com medo dos Aeroportos. Curioso é saber, como vão enfrentar em 2018 o povão nas praças, ruas e manifestações. O que farão para amainar esta ira?

            Na Paraíba, sábado (05.08.2017) os blogs registraram revelações invasivas contra o Senador Cássio Cunha Lima em sua passagem pela cidade de Patos-Pb. No Clube Campestre (Campina Grande) num show de Zé Ramalho, locutor anunciou presença do Deputado Federal Rômulo Gouveia e tome vaia. O episódio do Senador Cássio pode ser atribuído ao desencontro: hora e local errado. Observe-se também, o jejum de quase dez anos sem “poder de caneta”. Mas, apupos no Clube Campestre? Lá não tinha ninguém do programa “fome zero”, nem os mal educados membros do MST ou das ONG, e Rômulo Gouveia ser vaiado? Alguém errou se enganou, ou foi enganado. O Deputado ainda não atentou para brusca e radical mudança de comportamento das classes média, média alta e alta, que passaram a responsabilizar o Parlamento Brasileiro como a causa maior da desgraça que ora os angustia. Despreza o anacrônico “clientelismo” dos atuais membros duas Casas Legislativas que compõem o Congresso Nacional, hoje observado e duramente criticado pela população, que os abomina, e passaram a reagir de forma agressiva, sem separar o “homem ser” do “homem função”. Até o Presidenciável Prefeito de São Paulo, João Dória foi vaiado em Salvador e ainda atingido por ovos e tomates podres.

             Continuando isolados e “blindados” no seu mundo “autista” (Poder), a classe política persiste em prosseguir em caminho oposto, distanciando-se a cada dia do povo (eleitores). A maioria dos brasileiros hoje já sabe como funciona o Congresso Nacional, seus poderes e competência para mudar tudo através das Leis. Mas, infelizmente seus componentes, ao invés de ouvir a voz das ruas e olharem o semblante de sofrimento da nação, se limitam em sua hipertrofia egoísta a enxergarem apenas seus projetos pessoais, ou o próprio umbigo.

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FADIGA

            A Câmara dos Deputados atestou mais uma vez na extenuante sessão do dia 02.08.2017, existência de um fosso profundo, que hoje separa perigosamente o Parlamento Brasileiro de sua população. Por mais de doze horas, emissoras de televisão transmitiram ao vivo a votação que acataria ou não, denuncia do Procurador Geral da República contra o Presidente Michel Temer, acusado de corrupção passiva, segundo delação premiada (sortuda e suspeita) do réu confesso e impune (ladrão) Joesley Batista.

            Desta vez, o povo – aqueles que ainda acreditavam na lucidez cívica dos políticos – se mostrou cansado e iluso. Não foram mais às ruas. Ninguém quis invadir o Congresso. Nas rodovias federais, só meia dúzia de militantes do MST. Em São Paulo, Sindicatos e suas Centrais não conseguiram mobilizar mil pessoas na Avenida Paulista.

Este episódio deveria ser seriamente interpretado – pelos poucos cidadãos que ainda têm bom senso e compõem a classe política – como a mais completa descredibilidade dos Poderes Legislativo, Executivo, resvalando para o Judiciário. Ministério Público Federal? Ficou de “calças curtas”, comprovando a existência de denuncismos aleatórios (mostrar serviço) feitos com o propósito bastardo de justificarem seus altos salários e mordomias – ora exigindo 16% de aumento, tendo recebido 17% ano passado – num país onde dezenas de milhões de trabalhadores percebem salário mínimo, ano vindouro reajustado em apenas 6,47%.

Para o Presidente Michel Temer, profundo conhecedor da Câmara dos Deputados, tudo não passou de mais uma chantagem oportunista, praticada por um parlamento eivado em vícios contumazes e recorrentes, cujo preço teria que ser pago sob pena dele ser “apeado” do poder de forma desmoralizante, e rotulado como corrupto. Centenas de milhões de reais foram gastos com Deputados – governistas e oposicionistas – através da liberação das famigeradas “emendas parlamentares”.

A repercussão foi pífia. Não houve “buzinaço” nem “panelaço” quando o Presidente da República usou oficialmente a televisão, após o resultado da votação. Mesmo com a cobertura “aloprada” da Rede Globo, através de seus canais aberto e fechado, ficou patente aquilo que as pesquisas revelam: 93% da população rejeitam o governo Temer. Todavia, 94% não acreditam no Congresso Nacional e 97% desprezam os partidos políticos. Neste caso, o espetáculo foi bom para quem? Ruim mesmo tem sido para Rede Globo, que perde a cada dia mais audiência, insistindo com temas desprezados pelos telespectadores. Pior ainda para a OAB, por se imiscuir em “politicagem”, comprometendo sua imagem, tomando partido num jogo de cartas marcadas. Se a oposição quisesse mesmo obstruir o processo e acuar o Presidente, não teria ido conferir 227 votos contra, e duas abstenções. Acompanhariam os 20 ausentes. O quorum recomendado pelo SRF (342) teria impedido realização da sessão. Mas, a encenação estava combinada…  Por outro lado, se os Deputados Federais são legítimos representantes do povo – eleitos pela população – Presidente Michel Temer ao obter 263 votos dos 492 presentes, alcançou aprovação de 53,4% do eleitorado brasileiro. Execrou comportamento glamouroso e “ciclotímico” do Ministério Público Federal.  

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RETROVISOR

            Acelerando “fundo”, o Prefeito Romero Rodrigues continua buscando a “pole position” no grid de largada das eleições 2018, batendo recordes sobre seus concorrentes, alguns já na pista. Entretanto, o comandante da equipe tucana Senador Cássio Cunha Lima, em entrevista ontem (01/08/2017) advertiu o piloto mostrando-lhes o “retrovisor”, alegando que para chegar ao pódio, às chances se resumem num único carro de sua equipe. É impossível levar dois dos três primeiros lugares, com “motor” produzido pela mesma escuderia (alianças).

            O tom desta vez se elevou mais um pouco, pondo em cheque a pré-candidatura de Romero Rodrigues. Senador Cássio Cunha Lima ameaçou não disputar sua reeleição, caso o Prefeito de Campina Grande seja candidato a Governador (?). O poder de renúncia é algo muito forte, excêntrico ou “inusitado” no mundo político/partidário. No Brasil, por livre e espontânea vontade – no século XX – só têm-se um registro: Jânio Quadros que abdicou da Presidência da República seis meses após ser eleito. Senador Cássio Cunha Lima – apesar do tropeço irrefletido há quarenta dias quando alardeou a queda do Presidente Michel Temer em uma semana – vive o melhor momento da sua carreira política. Vice-presidente do Senado da República, bastante fortalecido dentro do PSDB pela ala que defende o afastamento de Aécio Neves do comando da legenda, ocupa espaço respeitoso na grande mídia nacional… Deixar tudo isto, para fazer o que? Futuro Ministro de Estado? As chances de o seu partido eleger o próximo Presidente ainda são remotas. Desde os 21 anos que o Senador não conhece outra atividade, senão uma luta permanente na política/partidária, batalha travada cada quatro anos, para conquistar um mandato. Seria uma compulsória voluntária e precoce?

            Lembrou o Senador em sua fala, que o Prefeito Romero Rodrigues segue a mesma trilha já percorrida por seu pai – ex-governador Ronaldo Cunha Lima – e por ele próprio. Todavia, esqueceu-se de mencionar que nas eleições de 1990, as dificuldades de Ronaldo Cunha Lima foram bem maiores, pelo estigma que desfrutava sua legenda na ocasião. Esperava-se o “ocaso” do PMDB, semelhante ao do PDS. Quanto ao desafio ousado do ex-prefeito de Campina Grande (Cássio) enfrentar o candidato de José Maranhão (2002) houve uma decisão importante do poeta, admitindo descer do Senado para a Câmara dos Deputados. E, oferecer sua vaga para ser disputada pela dupla Efraim Morais e Wilson Braga. Este “desfalque” (PFL) na composição da chapa Maranhista, foi seguido por outro erro mais desastroso ainda. Uma chapa Partidária. Roberto Paulino, Gervásio Maia; José Maranhão e Tarsísio Buriti. Todos do PMDB. Dos três, só escapou – José Maranhão – que já tinha sua vaga assegurada, graças a brilhante gestão que vinha realizando praticamente por oito anos, como Governador do Estado. Talvez este fato rememorado, seja o “retrovisor” do Senador Cássio Cunha Lima, que não enxerga no momento o pleito de 2018, através do “para-brisas” de Romero Rodrigues.

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ESPAÇOS

            Obstinado Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues, tem acelerado o ritmo de sua campanha como pré-candidato ao Governo do Estado, esquecendo que a modalidade da disputa é estilo “maratona”, e não cem metros rasos. No seu encalço, Luciano Cartaxo, Governador Ricardo Coutinho com um provável candidato (pessoal); o PMDB de José Maranhão; e talvez um elemento surpresa (outsider), que poderá surgir ano vindouro, fruto das futuras etapas da Lava-jato, que sempre leva um quinhão da classe política nas delações dos implicados quando presos após investigações.

            Causa surpresa – até estranheza – para aqueles que conheceram os primeiros passos da vida pública do Prefeito Romero Rodrigues, mudança brusca e repentina em sua disciplina hierárquica no grupo que o projetou, clã Cunha Lima. Tem enfrentado o Senador Cássio e trombado com o Presidente de seu partido, ex-deputado federal Rui Carneiro, que apenas luta por “espaços” na chapa, da legenda que Preside, haja vistas a absoluta falta de redutos que lhes assegure seu retorno a Câmara dos Deputados.

            Matérias postadas nos portais de notícias trazem declarações do Senador Cássio Cunha Lima, admitindo até uma provável desistência de retornar ao Senado Federal, em respeito à viabilização da postulação de Romero Rodrigues. O fato revela que o Senador tucano não está mais “puxando” o grupo, está sendo “empurrado” pelo mesmo, sobre pena de ser atropelado, pisoteado ou simplesmente deixado para trás. Lamentável… Que falta está fazendo o poeta…

            Na mesa do jantar dos Cunha Lima, alguém tem que assumir a “cabaceira”, e por ordem na refeição. Tem pouco pão, e todos gritam. Porém, ninguém tem razão. Como celebrar alianças com demais legendas, se é inegociável a vaga de Governador (Romero), Senado (Cássio); Deputado Federal (Pedro); Deputados Estaduais Tovar; Bruno; Arthur Filho. Adicionem-se os “agregados” Rômulo Gouveia; Manoel Ludgério; provavelmente um retono de Eva Gouveia a ALPB. Quem dará sustentação a todo este projeto será o PP, através do vice-prefeito Enivaldo Ribeiro, que lutará pela recondução do Deputado Federal Aguinaldo Ribeiro – Líder do Governo Federal na Câmara dos Deputados – e sua irmã Daniela Ribeiro (Deputada Estadual).

            Concorrentes de Romero Rodrigues tem uma família bem menor. Senador José Maranhão, dois sobrinhos, um Deputado Federal e uma Deputada Estadual. Luciano Cartaxo, provavelmente só seu irmão Lucélio. Ricardo Coutinho só ele mesmo, e sempre foi assim, está no seu segundo mandato de governador, e ainda não conseguiu eleger um Deputado Federal de sua predileção.

            Como ensina o adágio popular, “em tempos de pouca farinha, primeiro o meu pirão”, os atuais Deputados Federais e Estaduais que lutarão para se reelegerem, buscarão se abrigar numa chapa que lhes assegurem mais chances. Se a reforma eleitoral extinguir as coligações proporcionais, em Janeiro poderemos ter um quadro absolutamente distinto, deste que se desenha no momento.  

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NEY SUASSUNA

            O provável retorno do Senador Ney Suassuna às disputas eleitorais na Paraíba – anunciada para ano vindouro (2018) – meche em todo cenário atual, descaracterizando projeções sobre as chapas majoritárias, em curso de negociações ou “acomodações”.

            O regresso de Ney e sua pretensão de ser companheiro de chapa do Governador Ricardo Coutinho para o Senado Federal – como segunda opção – abala os alicerceis da dissidência do PMDB-PB comandada pelo vice-prefeito Manoel Júnior, ora “costurando” união de Romero Rodrigues/Luciano Cartaxo. Romero, como pré-candidato ao Governo tem avançado, conquistando “direito de preferência” de 70 Prefeitos espalhados pelas mais diversas regiões do Estado. Mas, surge este fato novo…

            Ontem (24.07.2017) o ex-prefeito de Campina Grande Veneziano Vital do Rego, postou nas redes sociais sua “indisposição” em compor qualquer chapa majoritária com vistas ao pleito do ano vindouro. Trabalhará para retornar a Câmara dos Deputados. Acontecimento especulativo que não passa despercebido pela crônica política, por Veneziano ser aliado do Governador Ricardo Coutinho, e se alimentava do sonho de ser candidato a sua sucessão, com seu apoio. Porém, sua mãe, Nilda Gondim, “coincidentemente” é Suplente do Cacique Mor do PMDB-PB José Maranhão, que pode ser candidato ao governo, sem perder seu atual mandato.  O que faltava para que Ricardo Coutinho e José Maranhão se aproximassem, e juntos formassem uma chapa com vistas a 2018, era um elemento “catalisador”: Ney Suassuna. Dispensa-se rememorar sua ousadia e determinação revelada quando esteve no Senado da República, conseguindo inclusive viabilizar sua estada como Ministro da Integração Nacional.

           O Senador José Maranhão é uma das grandes reservas históricas do PMDB nacional. Já foi Presidente do OGU (Orçamento Geral da União), da CCJ do Senado, onde se destacou no cruciante momento do impeachment da Presidente Dilma Rousseff. Governou a Paraíba por três vezes; tem provado lealdade e fidelidade a legenda, mas, nunca foi aceito pelos líderes Renan Calheiros e Romero Jucá. Não que lhes falte capacidade, lhes sobra honestidade e sinceridade, requisitos que impedem seu acesso a este “núcleo”. É injustificável terem posto em seu lugar, para liderar O PMDB do Senado, um suplente em exercício desprovido de apoio popular e votos: Raimundo Lira. Este gesto, de uma grosseria imensurável, talvez tenha desencantado José Maranhão com o PMDB do Senado, ensejando uma tentativa de voltar ao Palácio da Redenção.

            Se o temor do governador Ricardo Coutinho assentar-se na preocupação do esfacelamento de suas bases, e descontinuidade de seus programas, este pré-requisito qualifica Maranhão. Em seu currículo partidário, não existe registros de traições. Quanto a Ney Suassuna – excelente calculador de riscos – deve ter observado que nos dois últimos pleitos majoritários na Paraíba, Ricardo Coutinho foi campeão de votos. E, com a gestão equilibrada que vem realizando, poderá “estourar” nas urnas, com Maranhão para o governo e Ney sendo “puxado” pelos dois para o Senado. Esta eventual possibilidade, se materializada, indiscutivelmente ameaçará a renovação do mandato do Senador Cássio Cunha Lima, que nesta conjuntura, pode reinterpretar o papel do ex-governador Wilson Braga (eleições 1986) quando “sobrou na curva” com a chapa fechada Buriti e Humberto, puxando Raimundo Lira.  

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IMPOSIÇÃO

            A pressão do Governo Federal para cumprir a “meta fiscal” – mecanismo garantidor do pagamento em torno de 500 bilhões de juros e serviços da dívida – exercício financeiro (2017) foi transferida para o contribuinte através de aumento dos impostos por decretos, que dispensam aprovação do Congresso Nacional.

            O alarde sobre o novo preço dos combustíveis e o contingenciamento (suspensão temporária ou definitiva) das transferências de recursos aprovados na lei orçamentária ora em execução, deixa claro que o único programa de governo que existe no país é o pagamento dos juros da dívida, ação que beneficia no máximo uma dúzia de pessoas ou instituições (Bancos, Bolsas e financeiras nacionais e internacionais).

            Cada vez mais se distanciando do povo, o Parlamento Brasileiro silencia. Não se sabe se é por ignorância, ou cumplicidade. Deixa de debater abertamente e de modo pedagógico, o montante de nossa dívida, oportunidade de fazerem uma auditoria sobre sua composição; investigação da sua origem; razões que nos fazem aceitar a imposição para contribuir com a maior carga tributária do planeta; fator gerado das consequências diretas que provocaram a falência dos serviços essenciais do “sistema público” garantidos Constitucionalmente como segurança, saúde e educação. Faltam perspectivas que nos aponte saídas, para o labirinto onde ora estão perdidos 210 milhões de cidadãos.

            Por que o Presidente Michel Temer não discordou de sua equipe econômica, e ao invés de aumentar o preço dos combustíveis – atinge toda a população – sobretaxou com justiça o único setor que vem obtendo lucros bilionários, independentemente de que haja crise ou não no Brasil, que são os Bancos, Bolsas de Valores e Financeiras?

            Ministro Henrique Meirelles se pronuncia com “certezas determinantes”, jamais vista em outras economias do planeta (todas com resultados flutuantes) assegurando cumprimento da “meta” da inflação (abaixo de 4,5%) e “fiscal”, igualmente com o pagamento dos juros, acrescidos de déficit 139 bilhões de reais. Dívida “rolada” 2018.

            No tocante a inflação ele (Henrique Meirelles) tem o controle via Banco Central do Brasil. A diretoria é composta por representantes dos grandes conglomerados financeiros do país, e ou indicados do capital especulativo do exterior. O Governo Federal, desde a gestão FHC o tornou “independente”. Deram à chave do galinheiro as raposas. Dia após dia, o meio circulante (dinheiro) está minorando. Os reflexos da depressão econômica é a clarividente “deflação” que vem se instalando, e vai se ampliar nos próximos meses. Para aqueles que pensam que o aumento de impostos implicará na disparada de preços de produtos e serviços, estão equivocados. Comércio, Indústria e Serviços estão baixando preços, cortando lucros ou simplesmente “queimando” suas reservas de créditos para manterem suas portar abertas. O povo, que não dispõe mais de dinheiro, não compra. A alternativa é a baixar os preços, para pagar salários, empréstimos e juros. Rota que leva a queda nas arrecadações, mergulhando a economia num ciclo de desordem, paralisando gradualmente a produção e culminando no desabastecimento. Algo semelhante ao que estão vivendo os Venezuelanos. Trocar o Presidente não é a solução. O seu substituto assumirá com as mesmas “algemas” de seus antecessores e, tentará se segurar no cargo, com as práticas e retóricas de sempre.

                                            

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CUSTO DENUNCIA

            Gravidade das crises, provocadas pelo denuncismo aleatório que foi transformado “linha de produção” atingem a economia, política; expandi a violência urbana/civil agregada ao vandalismo; arraiga a desinformação ensejando a manipulação exacerbada das massas; mergulha a nação numa conjuntura desastrosa geradora de multi-instabilidades que assola o país culminando na destruição da célula formadora da sociedade: a família. Em tempos de paz, sem guerras, revoluções ou revoltas civis.

            O desaparecimento ininterrupto de bons formadores de opinião, que através da mídia “didaticamente” instruíam o povo, cobrando do Estado – via os três poderes – seriedade empenho e transparência em seus atos, não teve renovação em seus quadros, baixaram o nível da informação, transformando jornalistas em “plantonistas” do sensacionalismo. Retroagimos a era Samuel Wainer. Matérias (jornalísticas) que mereciam aprofundamentos esclarecedores e até investigativos, têm se limitado a categoria de “destaques”, ou fato “perecível”, obscurecendo origens e antecedentes, desprezando sequências, deixando o tema abordado despidos fundamentos criando verdades duvidosas. A ignorância coletiva permeia o Brasil, avançando em e ritmo acelerado comprometeu o futuro das três últimas gerações.

            Em meio ao caos vivido nos dias que antecederam votação da CCJ da Câmara e sua discussão sobre a admissibilidade da denuncia de corrupção passiva patrocinada pela PGR contra o Presidente Michel Temer – o primeiro mandatário do país estava em viagem para o encontro do G-20 na Alemanha – evento anacrônico de um grupo que surgiu com um propósito de rebeldia as espoliações centenárias do grande capital internacional, barrando o crescimento dos países em desenvolvimento. Hoje o G-20 é estéril, não produz mais nada depois da globalização. A reunião tem caráter solene, formal, ou turístico. O planeta – pós-globalização, só tem o G-1 (EUA).

            Acompanhou o Presidente Michel Temer, no passeio do G-20 seu tutor Ministro Henrique Meireles, que em entrevista concedida na Alemanha a imprensa internacional, garantiu com autoridade, como Presidente de fato: “independente da crise política, investigações e seus desfechos, a meta fiscal será cumprida com a inflação abaixo de 4% e crescimento do PIB de 0,50%”. Segundo o Primeiro Ministro do nosso contraditório sistema Presidencialista – guardião do nosso ouro – a recessão acabou (?). Paradoxalmente o desemprego continua em alta, o meio circulante (dinheiro) está ficando mais escasso que ano passado; créditos sendo cortados; nenhum programa de investimento em vistas; quedas constantes na arrecadação quebrando Governos dos Estados e Municípios. A ordem é vender mais ativos da União, promover mais privatizações – leiloando o restante dos aeroportos e poços da Petrobras – autoriza o saque do FGTS e amplia a repatriação de recursos criminalmente desviados do país, hoje de volta pagando apenas uma multa. O Brasil já não mais nos pertence. Mais de 10% do PIB são destinados ao “serviço da dívida”. Que dívida é esta? Como foi originada? Quem fiscaliza sua legalidade? Por que não denunciam a existência de anatocismo (cobrança de juros sobre os juros)? Isto seria papel do Congresso Nacional, se estivesse em favor do povo brasileiro, e não clientelisticamente em seu benefício próprio. Por que não investigam de forma sistemática a sangria provoca pelos juros extorsivos pagos pelo contribuinte – através da dívida do Governo – e de modo direto via cidadão comum, quer seja empreendedor ou pessoa física? STF, STJ nunca julgaram uma ação condenatória punindo o perverso sistema bancário do país, onde são cobrados os juros mais caros e absurdos do mundo.  

            Como se não bastasse o assalto continuo e ininterrupto dos banqueiros cobrando juros de uma dívida que não se sabe como, e nem por quem foi contraída, ainda vem a Procuradoria Geral da República e o Ministro Edson Fachin provocarem mais uma hemorragia atemporal e sem precedentes no hemofílico erário público, com uma denuncia de corrupção passiva contra o Presidente da República. Será que ambos têm dimensão do quanto custou – e ainda vai custar ao povo brasileiro – denuncias e prisões ou conduções coercitivas estilo hollywoodianas? Cada Deputado Federal arrancou oito milhões de reais de suas emendas individuais que estavam “contingenciadas”. Além de liberações de emendas coletivas. Cerca de 15 bilhões de reais desceram pelo “ralo” na primeira votação (CCJ). Ainda tem a segunda, no Plenário, onde talvez o valor seja dobrado, para os atuais Parlamentares garantirem suas reeleições.

            A maioria dos serviços essenciais destinados à população, garantidos pela Constituição, está paralisando com o “enxugamento” do meio circulante (dinheiro). O Compromisso do Ministro Henrique Meireles é segurar a chave do cofre, cumprir a “meta fiscal”, garantir que nossos algozes (duvidosos credores) recebem seus juros remuneratórios em dia. Este ano até junho, mais de 400 bilhões. No ano de 2015, foram pagos 530 bilhões de juros, correspondente a cinco vezes o que o Governo investiu em Educação, do ensino fundamental as Universidades. 2016 o montante alcançou 407 bilhões, quatro vezes o orçamento da Educação. Por que a mídia não faz uma ampla campanha, encurralando Congresso e Governo para explicar esta roubalheira? Se um dia o país inverter esta ordem, pagar 100 bilhões de juros e investir 400 em educação teremos a esperança de um futuro promissor para os nossos netos.

            Talvez acordem (um dia) quando a falta de receitas atingir os salários e manutenção dos Poderes Judiciário, Legislativo e Ministério Público. E para não passarem fome, seu integrantes dependam da generosidade da população, com doações de cestas básicas, cenas tristes vividas pelos funcionários públicos do Rio de Janeiro neste último final de semana.  

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AS FLECHAS DE JANOT

            Em sua última aparição festiva, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot participou de um evento onde estavam presentes os protagonistas da grande mídia nacional, ocasião em que foi entrevistado pela Jornalista Renata Loprete (Globo News), que indagou sobre seus últimos atos, antes da posse de sua sucessora Raquel Dodge, com quem tem uma animosidade funcional acerca do funcionamento da Instituição.

            A resposta deixou os presentes perplexos: “enquanto houver bambu, haverá flechas”. Palavras proferidas num tom “Jihadista”, revelando sua mais completa aversão à classe política – democraticamente eleita pelo voto – porém “satanizada” pelo titular da PGR, que raciocina (pelo que proferiu) como o Estado Islâmico em sua rude e cruel perseguição aos Cristãos.

            Pelo que entendemos Rodrigo Janot agindo com desprezo e revanchismo, irá limpar suas gavetas e prateleiras (Bamburral), atirando suas flechas aleatoriamente em todas as direções, sem antes examinar a fragilidade das denúncias, cuja maioria está repleta de conteúdos capciosos. Poucos, ou talvez quase nenhum dos atuais Congressistas, estejam protegidos com escudos adequados para escaparem desta “chuva de flechas”. E, como serão lançadas em todas as direções, Governadores dos Estados, Prefeitos; Deputados Estaduais; o próprio Ministério Público, sem contar com uma grande surpresa, hoje temor do Poder Judiciário, que poderá ter sua “caixa preta” aberta.

            Um destes dardos de Janot atingiu em cheio o Deputado Federal Rômulo Gouveia (PSD-PB) ação penal da PGR 952/PB datada de 1 de fevereiro de 2017. Na denuncia oferecida ao STF – já em mãos do relator – que aguarda apenas a ordem do dia, o Deputado Federal Rômulo Gouveia será julgado ironicamente pelo tão estimado foro privilegiado. A PGR foi implacável, pede condenação e prisão por improbidade administrativa – supostamente praticada pelo “gordinho” – em processos licitatórios quando Presidiu a ALPB por dois mandatos consecutivos, ou quatro anos.

            Além do constrangimento causado pela ação penal – danifica sua imagem parlamentar até então bem preservada – o ferimento pode deixá-lo fora de combate por algum tempo, caso venha ser condenado pelo STF, fato que o tornará inelegível para o pleito de 2018. Não existe outra instância que possa salvá-lo “liminarmente” para concorrer, aguardando a decisão do mérito.

            A especulada condenação de Rômulo Gouveia muda literalmente o quadro das disputas no Estado, criando oportunidades para os atuais e futuros concorrentes invadirem e ratearem suas bases, trazendo subsequentemente o enfraquecimento da causa que vinha patrocinando (Romero Rodrigues Governador). Luciano Cartaxo herdará o comando da legenda, e tomará a decisão que lhes convier, inclusive aliando-se a Ricardo Coutinho.

            As Assembleias Legislativas já vinham sendo alvo do Ministério Público há quase uma década, desde o escândalo do Estado de Rondônia. Rio Grande do Norte está no olho do furacão, Minas Gerais… Até a Câmara Distrital de Brasília. Mas, as investigações vinham se desenvolvendo de modo cauteloso, sem alardes e na busca de “materialidade” concreta para solidificar as denuncias. O que não se esperava era a “despedida” de Janot. Temos a convicção que muitos dos ex-presidentes do Poder Legislativo dos demais Estados estão desfrutando o mesmo desconforto, que ora deve perturbar o Deputado Federal Rômulo Gouveia. Porém, apenas o “gordinho”, tinha brilho e espaço na esplanada dos Ministérios. Braço direito de Gilberto Kassab, membro respeitado na cúpula do partido, Rômulo pode ter sido vítima da “exposição” em função de sua aproximação com o ex-prefeito paulista, também investigado com desprezo por Janot, e só Deus sabe o tempo de cadeia que a PGR pedirá para ele.

            A grande maioria dos amigos de Rômulo – mais próximos – está em estado de choque com a notícia. Os demais ignoram o fato, alegando que o gordinho “muito abraça, mas, pouco aperta”. Todavia, a maioria de seus (supostos) aliados, e adversários está no mínimo satisfeitos e torcendo por uma condenação que o deixe fora das eleições de 2018. Já começaram a descaracteriza-lo como “vítima”, que mereça reparação. Traduzindo: não aceitam sua esposa Eva em seu lugar. Os Regos, Cássio Cunha Lima; Ricardo Coutinho; Raimundo Lira; José Maranhão e Luciano Cartaxo têm motivos para celebrarem este nefasto evento, caso ocorra o pior, sua condenação.

            Com apoio de quase 70 Prefeitos, Romero Rodrigues vê engessada – pelo menos por enquanto – sua postulação ao Governo do Estado, com o apoio de Luciano Cartaxo. A “carta na manga” era Rômulo Gouveia e o PSD. Caso o PSDB sinalizasse que não endossaria seu projeto, Romero desembarcaria em setembro próximo do “ninho tucano” e ingressaria no PSD como Presidente do Diretório Regional (PB). Situação que deixaria Luciano Cartaxo encalacrado, e com seu destino nas mãos da dupla Rômulo/Romero.                  

            Segundo adágio popular, “todos os caminhos levam a Roma”. Aqui na “pequenina” (Paraíba) até os imprevistos contribuem para mais um enfrentamento Cássio Cunha Lima x Ricardo Coutinho. Não importa a posição de candidatos, em suas respectivas chapas. Mas, os dois Generais que se enfrentarão, têm currículos para o combate. São os únicos que ultrapassaram a barreira de mais de um milhão de votos em duas eleições seguidas (2010/2014). Quanto ao “gordinho”? A fé é imortal.

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 DESFECHO INEVITÁVEL

O racha no PSDB capitaneado pelo Senador Tasso Jereissati, e tendo como porta-voz o vice-presidente do Senado Cássio Cunha Lima, remete o país a mais um quadro de crise – desta feita sem saídas legal a não ser rasgando a Constituição Federal – já totalmente desfigurada com mais de 112 emendas enxertadas em seu texto original (1988), tendo em tramitação mais de 300 PEC, e com mais de 1.200 proposituras de alterações em seus artigos. Não temos mais democracia. A legislação é vulnerável e mutante em função das circunstâncias momentâneas. Não se constrói nem se governa uma nação, com Leis que mudam a todo instante, sem programas inalteráveis e definitivos que se consolidem em longo prazo. Os Poderes estão totalmente divididos, se imiscuindo nas prerrogativas dos demais. Existe gravidade mais excêntrica, e sem precedentes na história, que a “Judicialização” do Poder Legislativo? Como é possível o Judiciário ditar regras, aceitar ou não, modificar via entendimentos ou decisões as Leis elaboradas pelo Poder que elabora as leis e existe só para esta função?

Quando o vice-presidente do Senado (Cássio Cunha Lima) em entrevista ontem (07.07.2017) a Gerson Camarotti – Globo News – se posicionou em defesa do afastamento do Presidente Michel Temer, argumentando que ficará ao lado dos Soldados da Infantaria (Deputados Federais), e não seguirá a orientação dos Generais (Senadores e Direção do PSDB) abriu espaço para que uma sublevação anárquica se instalasse na Câmara dos Deputados, ressuscitando o “centrão” e sua picaretagem extorsiva que corrói Orçamento da União e compromete todos os programas do Poder Executivo. Foi este “centrão” que segurou Lula no mensalão, que sustentou Dilma após sua eleição (2010) e que a destituiu via impeachment, quando não pode mais pagar o preço exigidos pelos insaciáveis “chacais”, nos dois momentos de votação. Assaltaram o tesouro da nação na seção de “encaminhamento do voto”. Sem mais dinheiro para pagar o dobro na votação Plenária, ele viu na TV aqueles que tiveram em Palácio e jurou fidelidade, derrotá-la.

O Poder tem formato piramidal. E em se tratando de política, a coerência é fundamental para construir a biografia de um líder. O Senador Tasso Jereissati – um dos “caronistas” do Plano Cruzado e do dinheiro dos contra da Nicarágua (eleições 1986), elegeu-se surpreendentemente Governador do Ceará. Quando o PMDB caiu em desgraça, após a falência do Plano Cruzado, foi um dos primeiros a abandonar seu “criador” José Sarney e fundar um partido (PSDB), para não arcar com o ônus da deterioração de sua legenda.

Agindo de forma inversa, o poeta Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) foi o único a aceitar o desafio ser candidato a Governador da Paraíba (1990) após o desastre do Cruzado e o desgaste do Governador eleito em 1986 por seu partido, Tarcísio Buriti. Humberto Lucena que sonhava ser Governador e não teria o menor prejuízo se fosse candidato em 1990, deixou a oportunidade passar e empurrou Ronaldo na “fogueira”. A história registra: em 1986, o PMDB elegeu 22 dos 23 Governadores dos Estados (na época). 38 dos 47 Senadores (incluindo-se pela primeira vez o Distrito Federal com três Senadores). Quatro anos depois, com a nova Constituição que criou três Estados e cargo de Governador para o DF, o PMDB elegeu apenas sete Governadores, coincidentemente os mais coerentes com a história do partido. Ronaldo Cunha Lima (OB), Gilberto Mestrinho (AM); Iris Resende (GO); Moisés Avelino (TO); Jader Barbalho (PA); Roberto Requião (PR) e Luís Antônio Fleury (SP).

Ronaldo Cunha Lima nunca se insurgiu contra “diretivas” de sua sigla. Sabia que seu momento de 1986 estava sendo usurpado por Humberto Lucena, preferindo atrair um adversário, desprezando a “resistência histórica” da casa. Curvou-se a decisão como Oficial Subalterno, obedecendo ao Estado Maior composto pelos “Generais”. Não trocou de legenda e como bom combatente, foi para o “Campo da Honra”.

A manobra de Jereissati (que já presidiu o PSDB antes de ser derrotado pelos irmãos Gomes) era antevista desde o surgimento dos primeiros rumores que envolvia Aécio Neves com a lava-jato. Comentaristas políticos da Rede Globo alimentaram a ideia de Tasso ser o Presidente, escolhido por eleições indiretas no Congresso Nacional. Vinha ocorrendo tudo do modo planejado. Denuncia contra Temer pela PGR, “cochilo” proposital ou não do STF, inventando um rito de enviar para Câmara, um pedido de autorização para investigação de um Presidente da República através de decisão monocrática, e não plenária da Suprema Corte… Por quê?

Presidente da Câmara Rodrigo Maia não resistiu o “canto da sereia” e pensando como Jereissati (traição) admite participar da trama, para ficar por seis meses como Presidente da Repúbica, na intenção de se fortalecer e eleger-se indiretamente, o que lhes dá o direito a reeleição. Como todos traem todos, entrou em cena ontem, o ex-presidente Eduardo Cunha – mentor de toda a crise de demolirá a democracia – que já avisou: em sua delação arrastará Temer, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira. O mar de lama transbordará.

Para quem está preso, vendo todos seus colegas no quotidiano do “festivo Parlamento brasileiro”, e ele, grande artífice de todo o projeto de derrubada do PT, receber como recompensa a cadeia? Basta lembrar que o acontecido com Eduardo Cunha, foi o mesmo que ocorreu com Aécio Neves. Mas, o Senador Mineiro soltou sua irmã, assumiu o Senado sem nenhuma restrição, graças ao Ministro Marco Aurélio de Mello, reformar uma decisão de um de seus pares. E por que Cunha não teve este mesmo tratamento? Foi afastado do mandato de Deputado, da Presidência da Câmara, e depois encarcerado. Segundo Advogados de Cunha, Temer pôs Rocha Loures na rua. Por que Cunha não o acompanhou? Rodrigo Maia, que o sucedeu com seu apoio, nada fez para ajudá-lo no Plenário, evitando sua cassação. Agora, a regra vale para todos. Caso Temer venha ser afastado depois da denuncia de Eduardo Cunha, quem assumirá a Presidência da República? Na linha de sucessão e sem denuncias, só a Ministra Carmem Lúcia, que poderá enveredar por um ato institucional e antecipar as eleições diretas para dezembro deste ano. Se isto acontecer é o Juízo Final: Ninguém escapará incólume.

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RECRUDESCIMENTO DA CRISE

            O recado deixado pelo Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), em sua entrevista após o apagar das fogueiras do maior São João do Mundo – criticando o TSE e o Presidente Michel Temer, que sob seu prisma governa apenas para 200 Deputados Federais – na tentativa desesperada de evitar que a Câmara acate a denuncia do Procurador Geral da República, que o acusa de corrupção passiva, ficou claro ontem (06.07.2017) que se trata de um movimento orquestrado (motim). Querem “arrebatar” a todo custo o comando do Governo, em troca do apoio para permanência de Michel Temer, que ficará no cargo como “Rainha da Inglaterra”. FHC já tinha insinuado, através da mídia, que aconselharia o partido desembarcar do governo. O apoio tucano permaneceria, porém, se restringiria as votações das reformas.

            As palavras de Cássio Cunha Lima foram endossadas pelo Presidente Interino de sua legenda, Senador Tasso Jereissati, admitindo coincidentemente ontem (06.07.2017) nas entrelinhas de uma coletiva com a imprensa, que o Deputado Rodrigo Maia – Presidente da Câmara – estaria mais preparado para promover as reformas necessárias exigidas para a retomada do crescimento econômico, como as leis trabalhistas e um novo sistema previdenciário.

            Presidente Michel Temer resolveu de ultima hora, “descancelar” viagem para a Alemanha, encontro do G-20. Entregou o comando da nação ao Presidente do Senado Eunício Oliveira, em função da ausência do Presidente da Câmara Dos Deputados Rodrigo Maia, em visita a Argentina (?). De Buenos Aires, Rodrigo Maia em entrevista a imprensa local, admitiu pela primeira vez, que a denúncia contra o Presidente Michel Temer é grave, complicada, mas, como aliado e amigo, tentará defendê-lo. Será?

            Enquanto alguns tucanos batem em revoadas aleatórias, desmanchando seu “ninho”, e sabotando o governo que apoia, o DEM – partido do Presidente da Câmara Rodrigo Maia – se alinha no discurso do insuspeito Senador Ronaldo Caiado, que argumenta de forma inconteste o afastamento de Michel Temer, alegando que ele vive hoje, os nefastos últimos dias de Dilma Rousseff. Em sua opinião, o Presidente perdeu as condições de governar. Mesmo que consiga os 172 votos necessários para que a Câmara dos Deputados rejeite o pedido de abertura do inquérito para investiga-lo sobre corrupção passiva, não formará a partir de então, maioria necessária para as mudanças exigidas pela economia internacional, “pedágio” cobrado pela “ratazana” do FMI, que se compromete em reclassificar o Brasil e disponibilizar créditos para que o país saia da atual recessão ou depressão econômica que o deixou totalmente engessado.

            O curioso em todo este roteiro de “desencontros” são os “encontros” dos pouquíssimos membros do Parlamento, que enxergam além “oportunismo” instantâneo. No momento em que Tasso Jereissati sinalizava o desejo de abandonar o governo, o Senador João Alberto (PMDB-MA) Presidente do Conselho de Ética, mandava arquivar em definitivo o processo que pedia a cassação do tucano Aécio Neves, sobre os protestos de alguns de seus pares. Sequer pôs em votação. Aluísio Nunes, uma das mais brilhantes biografias do Senado da República, alicerçada em sua luta pela democracia, defendia a permanência do Presidente Michel Temer, para que uma possível “desordem” Constitucional não ensejasse uma crise Institucional.

            Talvez o Senador Cássio Cunha Lima não tenha avaliado bem os desdobramentos pós-arquivamento do processo que pedia a cassação do Presidente do seu partido. Aécio Neves, como todo político mineiro é signatários do protocolo da gratidão. Não medirá esforços, para retribuir o gesto que recebeu do PMDB.

            Em meio a toda esta confusão, o Parlamento parece que esqueceu que restam pouco mais de oitenta dias, para que um projeto de reforma política seja apresentado e votado em dois turnos, no Senado e Câmara dos Deputados. O prazo se expira em 03.09.2017. Pelas regras atuais – sem financiamento de empresas, fiscalização da máquina pública e com limites de gastos para pessoas físicas com candidatos – generosamente estimamos que 10% dos atuais membros do Congresso Nacional, renovem seus mandatos. Mesmo assim, com riscos de serem cassados posteriormente, por abuso de poder econômico. Com as denuncias da lava-jato e Joesley Batista, os eleitores de tanto ouvirem a palavra “bilhões”, sentiram-se traídos e enganados no último pleito. A “per capita” que em 2014 chegou em alguns casos a 100 reais será em 2018 no mínimo de 200 reais por cada candidato. Nos grotões já se “canta a bola”: mil reais por eleitor, para chapa fechada: Deputado Estadual, Federal, dois Senadores e Governador. Presidente é questão de paixão, não está à venda. É difícil de acreditar, e vergonhoso aceitar esta dura realidade… Mas, o exemplo veio de cima.

             Enquanto não chega o “tsunami” 2018, o país paralisou. Deputados Federais (Chacais de sempre) fazem a festa, em suas “caçadas solitárias”, visitando o Palácio do Planalto ou Jaburu. Serão dois momentos de “sangria” nos cofres públicos: votação na CCJ e Plenário da Câmara. O Diário Oficial circulará com edições extras. Liberação de emendas, recursos orçamentários e extra-orçamentários, nomeações em massa. Nas mãos desta turma, o mapa do PT e os 20 mil cargos comissionados que existiam – alguns ainda sobrevivem – passarão doravante a ser exigidos como “moeda de troca” para que Temer permaneça Presidente. Por que a democracia tem nos custado tão cara?

            Dando um giro de 360 graus, Lula já entrou abertamente em defesa de Temer, tentando evitar seu afastamento e uma eleição indireta. Prováveis candidatos serão o Ministro Henrique Meirelles – homem de confiança de nossos patrões (Wall Street e Banca do FED); Rodrigo Maia, que dividiria o “bolo” com seus pares da Câmara, promovendo um verdadeiro “carnaval fora de época”; e finalmente a repetição histórica do que ocorreu em Israel (2007) com a volta de Simon Perez (no Brasil FHC), exatamente aos 84 anos, cumprindo um mandato (pacificador) de sete anos, no período mais crítico da história política de Israel, que esteve à beira de uma divisão interna ou intervenção Militar. 

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CÁSSIO CUNHA LIMA

            Leitores ficaram perplexos, com as recentes declarações do Senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), extraídas de uma entrevista concedida a uma emissora de rádio da Capital, reproduzida e postada através de todos os sites, blogs e grupos do Whatsapp da Paraíba. Enfatizou o Senador tucano, que “o Brasil tem pouco mais de 200 milhões de habitantes e o Presidente Michel Temer está governando apenas para 200 (Deputados Federais)”. Mais adiante o Senador criticou o TSE por não ter punido (inequivocamente com cassação) a chapa Dilma/Temer. Será sua nova postura se transformou em rebelde/oposicionista? Ou suas observações se restringem somente as divisas da Paraíba? Doravante se pronunciará com o mesmo discurso (em nível nacional) na tribuna do Senado? Seu partido (PSDB) que sempre esteve em cima do muro, resolveu pular em defesa da democracia e do Presidente Michel Temer (PMDB), no momento certo (impeachment), com o propósito “cívico” de defenestrar o populismo “bolivariano” – instalado há quatorze anos no poder – com nítido projeto de perpetuação. Salvar o que ainda resta do país – hoje no fundo do poço – e pelo que ora se percebe, ameaçando afogar toda a sua elite política em sua própria lama, foi um ato de coragem dos tucanos, obstinados em evitar um retrocesso institucional, desta feita bem mais atroz, duradouro e violento.

            A sabedoria popular ensina que existem três acontecimentos irreversíveis: a flecha desferida, a palavra proferida e a oportunidade perdida. As críticas do Senador Cássio Cunha Lima poderão ser convertidas em “munição” para o disciplinado e “desconfiado” Cacique do PMDB-PB José Maranhão, e o novo líder deste partido no Senado Federal, (oportunista e sortudo) Senador Raimundo Lira.

            Num esforço gigante, a Comissão de Ética do Senado deu às costas a opinião pública e mandou arquivar o pedido de cassação do mandato do Senador Aécio Neves, amigo de Cássio Cunha Lima e Presidente do PSDB. O empenho do PMDB foi imprescindível. Se acatassem a sugestão de cassarem Aécio, 65 dos 81 Senadores da República teriam o mesmo destino. Mais dias, menos dias… Todos iriam (involuntariamente) se apear de seus mandatos. Repetir-se-ia o fato histórico do Pastor Muller (Munique) na Alemanha Nazista, nos estertores de sua derrocada na II Guerra. Confessou o Pastor ao ser libertado pelos aliados: primeiro eles (SS/Gestapo) vieram e levaram meu vizinho da direita. Era Comunista, eu não era. Depois retornaram e levaram o da esquerda. Era Judeu, eu não era. Até que um dia vieram e me levaram.

Não se sabe até onde irá parar toda esta onda “paranoica” de denuncismo, criminalização e vulgarização das nossas referências (líderes) que balizam a sociedade brasileira. Pelo que divulgam e “delatam”, todos estão na vala comum (Poderes Legislativo e Executivos e empresários) como delinquentes de alta periculosidade.

Em tempo hábil, o corajoso Ministro do STF Marco Aurélio de Melo desfez um ato de seu colega Edson Fachin e devolveu todas as prerrogativas para o neto de Tancredo, cujo destino previsto, esperava-se ser o mesmo do ex-senador Delcídio do Amaral e do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha. A lei é aplicada para punir e, sobretudo inibir, os pretensos candidatos a entrarem no mundo das transgressões (leia-se corrupção). Como num quadro de guerra, a finalidade dos exércitos em campos de batalhas não é eliminar todos os inimigos. Feri-los e baixar o moral da tropa, desencoraja o combatente, que provocará a rendição.

Infelizmente, membros do Congresso Nacional – eleitos após a redemocratização – na sua obtusa e insana ganância de se eternizarem em seus mandatos, perderam a identificação com o eleitor, na mesmice de um comportamento ambíguo. Em Brasília legislam para Suíça, em seus Estados – sem credibilidade – compram os votos. Criaram um roteiro para o crime (doações de dinheiro para suas campanhas), cometeram o crime (compra de votos do Oiapoque ao Chuí) ensejaram suas condenações (caixa dois) e escolheram seus próprios presídios, paradoxalmente para não serem trancafiados (Foro Privilegiado). Talvez muitos se pudessem deixariam a vida pública. Mas, sem o Foro? Seus destinos seriam os mesmos de Gedel, Henrique Eduardo; José Dirceu; Antônio Palocci; Sérgio Cabral; Pedro Correia…

Buscar apoio popular, criticando um modelo desenhado ao longo das últimas décadas por eles mesmos, na opinião do eleitor pós-lava-jato é demagogia barata. Senador Cássio Cunha Lima, nos três últimos pleitos obteve expressiva votação acima de um milhão de votos. Seu eleitorado é da geração “Xuxa”. Foi eleito Deputado Federal com 21 anos, como Cássio “coisa linda”. Prefeito de Campina Grande, como o “menino de Ronaldo”. Seus seguidores hoje quarentões continuam tão fiéis, quanto os sexagenários da Jovem Guarda de Roberto e Erasmo Carlos. Evidente que precisa consultar seu marqueteiro – em nossa opinião o melhor do Brasil – Zé Maria da Mix. Ou, ex-Mix. Pesquisas irão orientá-lo como conquistar os votos da faixa etária dos 16 aos 35 anos geração das redes sociais, que ora desprezam por completo o tema político e seus protagonistas. Uma “repaginação” em sua imagem é absolutamente necessária para evitar o anacronismo precoce, provocado pelo tempo de exposição.

Discurso contra o Governo Federal que seu partido apoia, deixa-o em saia justa. Gera desconfiança no PMDB-PB, legenda que recentemente segundo suas próprias palavras, “arrependeu-se de não ter se coligado com ela desde 2014”. Ilações estão surgindo sobre a possibilidade da união do PSDB com o PSB, mais uma vez. Ricardo Coutinho Senador ao lado de Luciano Cartaxo e Cássio Cunha Lima Governador. A vice Lígia Feliciano renunciaria a assumiria uma vaga no TCE, substituindo o Conselheiro Arthur Cunha Lima, que seria candidato a Deputado Federal fazendo dobradinha com seu filho, hoje Deputado Estadual. Romero Rodrigues seria vice de Cássio, ou voltaria para Câmara dos Deputados. Assumiria o Governo João Azevedo, eleito indiretamente pela Assembleia Legislativa, hoje comandada por Gervásio Filho. Impossível? Não. Difícil foi trazer o PT com Cozete como vice, nas eleições de 2000. Mas, os riscos terão que ser muito bem avaliados. Maranhão pode formar um “frentão” e sem prejuízos de ficar sem mandato, endurecer o pleito para a vaga de Governor.

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MAGIA ECONÔMICA

            Crise financeira hospedada no país – após a reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff – provocou a falência de milhões de micro e pequenos negócios e a desaceleração dos médios e grandes empreendimentos, considerados “campo” gerador do emprego e renda, locomotiva que puxa nosso PIB. O setor produtivo do Brasil – excetuando-se as commodities (carne e seus derivados minério de ferro e petróleo) estão totalmente “engessados”. Todavia, por razões obvias e em “missões”, comentaristas econômicos asseguram que estamos crescendo, a inflação foi controlada e a recessão desapareceu. Como? Qual foi o “milagre” que ocorreu para mudança tão repentina?

            O consumo teve reação, em função de três injeções, tirando do “estado de coma” o meio circulante. A repatriação de 49 bilhões de reais (divididos entre estados e municípios), venda de Aeroportos e outros ativos da Petrobras, além do saque do FGTS que dormitava nas contas inativas de milhões de trabalhadores. A indústria contratou temporariamente algumas vagas, haja vista os pedidos de reposição do estoque do comercio. O processo de “enxugamento” dos bilhões de dólares iniciado pelo ex-ministro Joaquim Levy, só estancou quando Henrique Meireles assumiu o comando da economia. Um crime que o Brasil vem permitindo que se repita por décadas: As finanças manobrando a economia. Quem gera riqueza é o trabalho concebido por planos econômicos. As finanças acumulam moedas e ativos financeiros, que paralisam o crescimento. Joaquim Levy “enxugou” mais de 30 bilhões de dólares. Cumpriu sua missão e foi contratado pelo FMI. Sequer respeitou a “quarentena”. Em sua bagagem, todas as informações privilegiadas sobre a economia e finanças do país. Infelizmente nosso Parlamento é ignorante, desinformado e narcisista. Seus representantes além de olharem para seus próprios umbigos, nada entendem sobre macroeconomia. 

            Numa nação com 19% de analfabetos e 75% de alfabetizados funcionais (inclusive com cursos superiores) leem mais não interpretam – Economistas através do seu dialeto “economês” jamais serão questionados. Ilustram argumentos com gráficos, pesquisas indutivas; notas de agência classificadoras de riscos… E “douram” a pílula na defesa dos verdadeiros donos do mundo – banqueiros e a turma de Wall Street – zelosos multiplicadores do “dinheiro velho” (Capitais apátridas entesourados pelos seculares especuladores Sionistas). Talvez apenas 2% da população – frustrada sem voz e oportunidade para falar a um público que os escute – são os únicos a entenderem as “manipulações”: projetos cuidadosamente elaborados e executados através da selvageria monetária, que corrói nossas reservas, riquezas e poupança interna.

 As antigas e extintas “esquerdas”, seguindo orientação dos “Comunistas Moscovitas”, distinguiam estas “manobras”. Infelizmente, ruíram com a queda do muro de Berlim. Tudo que restou dos vigilantes “comunistas” foi um sistema sindicalista travestido de partidos políticos – PT, PSOL; PSTU; REDE, completamente ignorantes sobre o tema, se limitando a repetir “chavões” herdados da “doutrinação”, a que foram submetidos por décadas, confundindo a questão político/ideológica, como responsável por esta desgraça, elegendo como culpado, “a obra do capitalismo”.

            Para que se tenha noção do tamanho, da estupidez do nosso analfabetismo político e irresponsabilidade do cidadão brasileiro, a inflação aferida no período de julho de 1965 a junho de 1994 (apenas 29 anos) atingiu um índice jamais registrado no planeta de 1,1 quatrilhão por cento. Mais precisamente 1.142.332.741.811.850%. Se computar desvalorização a partir de 1930 – ano que Getúlio Vargas chegou ao poder e a moeda era Reis – transformado-a em Cruzeiro, provavelmente estes números alcancem patamares inadmissíveis na matemática financeira. A hiperinflação cortava em média, a cada quatro anos, três zeros de nossa moeda. A gravidade é que tudo isto aconteceu, e até hoje não se investigou as causas, quem foram os culpados; os criminosos sempre foram impunes; continuamos como escravos de um processo que se iniciou em 1944 – acordo de Breton Wood criação do FMI – e não tem data para terminar. Observemos que não existe uma empresa ou empreendimento centenário no Brasil. Só a Casa da Moeda. Todas as elites econômicas dos últimos 50 anos, empobreceram. Quem perdeu foi o povo, que para nossa infelicidade coletiva, em nada mudou no seu consciente popular nas últimas seis décadas. Pelo contrário, só tem piorado.

O dólar norte-americano foi reconhecido como moeda nacional em 1792. São 225 anos que um dólar ainda tem poder de compra de algum objeto. E observe-se que os Estados Unidos viveram uma guerra civil com cinco anos de duração, participaram das duas maiores hecatombes da história (século XX primeira e segunda guerra mundial), guerra da Coreia, Vietnã e outras escaramuças na África Saariana, Golfo Pérsico e Ásia. A única guerra que o Brasil se envolveu foi a do Paraguai (1865).

O povo brasileiro vem sofrendo os maiores calotes – historicamente sem precedentes na dívida interna de um país – paradoxalmente um dos mais abundantes do planeta em riquezas naturais. O Brasil tem hoje 112 Universidades Públicas, talvez mais outras duas centenas que compõem a rede privada. Nenhuma destas instituições fez estudos ou pesquisas direcionadas a esta área, identificando causas e efeitos do nosso drama, concebendo novos modelos impermeabilizantes, com vistas a uma estabilidade definitiva. Pelo exposto, nosso problema não é falta de educação. É resultado de uma educação de má qualidade, retrograda; doutrinada e despida de criatividade.

            O Brasil hoje tem dois Presidentes. O de “Direito” que não consegue governar, enclausurado com denuncias e chantagens do Congresso, que finge se preocupar com a opinião pública, e o outro “de fato”: Ministro Henrique Meireles. As evidências são tão chocantes, que não se poupam mais as palavras. Após a delação dos irmãos Batistas, Henrique Meireles – que era o manda chuvas da J&F – holding que comandava a JBS e seu conglomerado de empresas – foi enfático: “com ou sem mudanças e novas eleições, as reformas vão continuar” (?). Nenhum parlamentar (mesmos os radicais de esquerdas) se manifestou sobre as palavras do Ministro. E por que os Batistas não mencionaram em nenhum momento o nome de Henrique Meireles em sua delação? A pergunta que não cala, e cobra resposta: como Henrique Meireles troca um salário de 40 milhões de reais por ano da J&F, por míseros 23 mil reais/mês? Só para ser Ministro de Estado? É muito altruísmo… Nunca visto neste mundo, nos últimos 2017 anos da morte de nosso Senhor Jesus Cristo.

 

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FENÔMENO BOLSONARO

            Enquanto a classe política “sangra”, sob os efeitos devastadores da pesada artilharia disparada através da mídia e setores das redes sociais – sem lhes dá chances de respirar por um minuto sequer – um movimento começa a crescer sorrateiramente, apontando para um “guia” ou “salvador da pátria”, Deputado Federal Jair Bolsonaro.

            A grande mídia o ignora completamente – fato que atesta o erro de seus veículos de comunicações e sua queda, vertiginosa e constante no poder de influência sobre a sociedade – quando seus formadores de opinião insistem na dicotomia PT/PSDB, como única alternativa para revezamento do poder. Demais legendas, “eclipsam” em seu redor. É nesses interregnos, quando o bipartidarismo cansa, que surgem lideranças ousadas, capazes de criarem paixões, arrastarem multidões e fecharem ciclos da história.

            Na quinta-feira, 08.06.2017, o Senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) tomou seu voo de rotina Brasília/Natal, ao lado da Deputada Federal Zenaide Maia. Observaram que também estava abordo o Deputado Federal Jair Bolsonaro. Quando aterrissaram em Natal – no novo Aeroporto que se localiza na cidade de São Gonçalo do Amarante (área metropolitana) distante 54 km da capital, tiveram um choque no que viram. O novo aeroporto que só vai lá quem tem negócios – embarcar, ou pegar alguém no desembarque – estava lotado até no estacionamento, com cerca de 10 mil pessoas. Todos esperando Jair Bolsonaro. Desprevenida com a reação popular, a Deputada Federal Zenaide Maia – esposa do Prefeito que lutou e construiu o novo Aeroporto (Jaime Calado), campeã dos votos válidos para a Câmara dos Deputados em 2014 no município com o discurso do novo Aeroporto, jamais imaginaria ser alvo de uma estrondosa vaia, gritos e palavras de ordem contra a corrupção.

            Mais cauteloso e confiante, o Senador Garibaldi Alves esperou acabar o alvoroço direcionado a Zenaide. Já governou o Rio Grande do Norte por duas vezes, nunca recebeu apupos em multidões, foi Prefeito de Natal, Senador já pela terceira vez e político mais influente nas eleições municipais de São Gonçalo – onde foi construído o Aeroporto – saiu apressado, enquanto Bolsonaro era carregado nos braços do povo. Mas, alguém o percebeu, e logo uma vaia estrondosa o atingiu. Para quem conhece a política potiguar, este fato é inacreditável. Logo Garibaldi? Que sempre foi comparado (politicamente) a São Francisco de Assis, e dizem que foi feito de “teflon” (impermeabilizante) nada “pega” nele. Desta vez, (primeira) pegou e “grudou”. Episódios como este de manifestação espontânea pró Bolsonaro acontece todos os dias.

            O que ora estamos testemunhando, é tão extraordinário, quanto ao fenômeno de “vaca enjeitar (rejeitar) bezerro” – adágio popular da zona rural do semiárido – quando se refere a uma mudança radical de comportamento rude inexplicável e inesperado.

            O fato não teve nenhum registro na mídia tradicional do Estado, nem do país. As principais revistas semanais (Veja, Época; Isto É) se recusam noticiar a popularidade crescente e “assombrosa” de Bolsonaro. E, o que deixou todos perplexos, foi como tantas pessoas se dirigiram para um local distante esmo e deserto, numa tarde de quinta-feira – dia de “batente” – sem militância (empregos provisórios e cargos comissionados) ou o tradicional método do PT, pão com mortadela e a “oncinha” (nota de cinquenta reais). Como se mobilizaram? Os blogueiros noticiaram e espalharam vídeos pelas redes (grupos de whatsapp). Usaram o twitter e fizeram o seu carnaval. Mas, a dor de cabeça do Senador e da Deputada Federal será como, doravante, irão fazer seus comícios (2018). Com que apelo? E a qual o publico, ou a quem devem se dirigir? Atualmente só tem um candidato a Presidente que aonde chega faz sua festa: Jair Bolsonaro. Ninguém sabe se sobreviverá até 2018, ou se continuará se agigantando no percurso.

            As delações de Marcelo Odebrecht e seu cartel, seguida da bomba de hidrogênio “Joesley Batista”, deixou todos os partidos políticos e seus representantes no mesmo patamar. Joesley Batista comprova através de documentos, que em 2014 comprou apoio de 28 das 36 legendas com registro no TSE. Restaram oito nanicos, talvez alguns já com registros precários, como o PAN – Partido dos Aposentados da Nação ou o PMN que elegeu Collor de Melo (1989).

            Numa entrevista recente, exibida ao vivo no seu programa “Diálogos”, o Jornalista Mario Sergio Conti ficou boquiaberto com o Professor da USP Pablo Ortellado, pesquisador sobre opinião pública, internet e redes sociais. Em seu depoimento, o Dr. Ortellado destacou que o principal veículo e o mais abrangente das redes sociais é o facebook. Muito a frente da audiência de todas as redes de TV no Brasil, usado maciçamente pela faixa etária que compreende dos 16 aos 35 anos. Estes internautas sabem de tudo que está acontecendo na lava-jato, e nas dezenas de operações realizadas pelo MPF e Polícia Federal. Fingem desconhecer os Congressistas, silenciam sobre o que está acontecendo com o país e deixaram de postarem fotos ao lado de políticos: pagam mico. Por outro lado, as poucas postagens que aparecem no “facebook” com Lula, Temer; Aécio, FHC não chega a dois dígitos de “curtidas”, com um ou dois comentários no máximo. São pessoas acima dos 40 anos. Ainda para o Dr. Ortellado, que vem acompanhando este novo “movimento da sociedade”, nas manifestações sobre o impeachment de Dilma, e agora Temer, este imenso contingente estive ausente. O perfil dos manifestantes de 2015, 2016 e os atuais, é composto pelos quarentões e cinquentões, além dos Sindicatos e ONG. O “cabo de guerra” Lula e Temer/PSDB, no Facebook é discutido por apenas 10 milhões de eleitores, de um total de 144.089.912. Percentual inferior a 10% do número de votantes, que deve aumentar ano que vem (2018). Mesmo assim, já se percebe a juventude – ainda de forma tímida – sobrepor o nome Bolsonaro em suas fotos do perfil. Talvez tenhamos um novo episódio Collor de Melo. Com uma diferença: sem herança de oligarquias. Collor era a renovação continuísta de seus avós. E o Parlamento? Provavelmente aconteça a maior renovação da história, provocada pela enorme abstenção. Pouquíssimos voltarão. Dinheiro? Além de difícil, candidatos temem cassação. O “bochicho” nos grotões é “receber e votar contra”. Raríssimos Prefeitos transferirão votos. Sem caixas, inertes, estão desgastados pela constante e ininterrupta queda de receitas impedindo-os de executarem seus orçamentos.

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POSTURAS CONFLITANTES 

Em sua última entrevista divulgada através dos sites políticos da Paraíba o senador Cássio Cunha Lima – desfrutando o seu melhor momento em nível nacional – enfatizou sua simpatia e conforto como aliado do PMDB. E destacou que se arrependeu em não ter se aliado a legenda desde 2014. O que seria “de volta prá casa”.

A história do clã político que hoje Cássio lidera, teve suas origens no “MDB” (1968) antes do “P” (1980).

Dois dias depois, na festa de Santo Antônio na cidade do Piancó (13.06.2017), estava Romero Rodrigues, prefeito de Campina Grande, fazendo campanha “subliminar” sobre sua possível postulação em 2018 com vistas ao Governo do Estado. Particularmente acreditamos que Romero tenha chances de disputar, porém se faz necessário primeiro assumir que é candidato. Seus passos e comportamento se assemelham aos de Cássio Cunha Lima nas eleições do ano 2002. A diferença é que Cássio quando botou o pé na estrada apregoou sua candidatura e disposição de enfrentar seja lá quem o fosse. A ousadia sempre foi parturiente do sucesso. Recordo-me que ouvi numa manhã (2001) o então prefeito Cássio Cunha Lima, numa entrevista radiofônica na Rainha da Borborema, cobrando do governador José Maranhão o ICMS que a cidade tinha perdido com a Lei Robin Wood (autoria de Wilson Santiago) redistribuindo o ICMS. E em seguida, confirmando enfaticamente que era candidato a governador. Imaginamos que seria loucura. O poeta convalescente (fora de combate), boa parte de seu exército tinham-no abandonado e estavam nas fileiras “maranhistas”. Como “estrutura”, só tinha a Prefeitura de Campina Grande para apoiar a empreitada. Era muito pouco. Cícero Lucena ainda não tinha manifestado publicamente seu apoio a Cássio, e diariamente era assediado pelo governador José Maranhão – resistindo o “canto da sereia” – que sugeria através de seus porta-vozes a possibilidade de apoiá-lo em sua sucessão, desde que se filiasse ao PMDB.

Enquanto Cícero Lucena fazia a “caminhada de Compostela”, ritual místico alquímico – talvez em busca de uma solução para seu dilema político/partidário – Cássio claramente interpretava as mensagens de autoestima da obra de Paulo Coelho “Diário de um Mago”. Ou, estava lendo Og Mandino – pai da literatura de autoajuda – autor do livro “O Maior Vendedor do Mundo” (40 milhões de exemplares). Mandino ensina que o sucesso do vendedor está na capacidade dele ser o primeiro comprador. Se ele não comprar sua própria ideia, não transmitirá confiança a seus futuros clientes, ou compradores. Cássio comprou a sua ideia de ser governador, e conquistou a confiança do povo da Paraíba que acreditou no seu projeto.

O que ainda não ficou claro – isto é ruim para Romero Rodrigues – é se ele é o candidato do PSDB, apoiado por Cássio Cunha Lima, com ou sem aliança “encostada” no PMDB de José Maranhão. Atualmente, “turbinado” pelo deputado federal Rômulo Gouveia, Romero Rodrigues tenta repetir o “script” de 2002, quando o ex-gordinho licenciou-se da Assembleia Legislativa para vir chefiar o Gabinete do então prefeito Cássio Cunha Lima, passando a administrar politicamente a gestão e liberando o pré-candidato para percorrer todos os municípios da Paraíba por três vezes, até 03 de outubro de 2002. Rômulo Gouveia tem (?) ou “tinha” nas suas mãos o destino do prefeito de João Pessoa Luciano Cartaxo, por ter viabilizado sua gestão depois que o mesmo aterrissou no PSD de Gilberto Kassab. Escudado por Rômulo Gouveia, Luciano Cartaxo arrancou 14 milhões de reais só do Ministério do Turismo, vésperas da cassação da Presidente Dilma Rousseff, gestão do ministro gaucho Alessandro Teixeira (na época esposo da Miss Bumbum). Fez uma “varredura” nos demais ministérios, com apoio irrestrito de Kassab, fato que o prestigiou para fazer indicações no primeiro escalão da PMJP. Certamente Cássio Cunha Lima – contrariado – sabia e observava tudo a distância. O trabalho de Kassab, que tinha endosso de Dilma Rousseff, era subtrair lideranças importantes do PMDB e PSDB, para enfraquecer as duas legendas que ela detestava. José Maranhão nada podia fazer para impedir os atos de Kassab e Rômulo Gouveia. Mas, foi só uma questão de tempo.

Pelo seu discurso e postura, Cássio Cunha Lima está “casado” com o PMDB até que final de 2018 os separe. Pouco mais de um ano, os acontecimentos tiveram mudanças radicais. Cássio Cunha Lima tornou-se líder do PSDB no Senado, e ao lado de José Maranhão assumiram o comando das liberações de recursos para a Paraíba, reduzindo drasticamente o prestigio do ex-gordinho. Luciano Cartaxo, para continuar sua gestão – até o momento exitosa – terá que ter as bênçãos dos “padrinhos” Cássio e Maranhão, para que não seja cortado o fluxo de recursos vindo de Brasília. Kassab, no momento, é bem menos influente que a força do tucano Cássio, ao lado de José Maranhão. Que o diga Raimundo Lira, “rifado” em sua pretensão: CCJ do Senado.

Enquanto isto, José Maranhão espera um “gesto” do tucano Cássio Cunha Lima, lançando-o candidato a governador, e em contrapartida, o tucano recebendo seu apoio para o Senado da República. O “cacique” peemedebista controla sua legenda com punho de aço. E Cássio, ainda tem hoje a mesma força no PSDB-PB?

 

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MUDANÇAS EM CURTO PRAZO

            Após julgamento do TSE (chapa Dilma/Temer), a classe política – em sua guerra permanente – se voltará para o calendário eleitoral do pleito de 2018, já em curso. Até Setembro, a prioridade será a realização das convenções para escolha, ou renovação dos membros dos Diretórios Regionais de todos os partidos do país. E, o momento oportuno do “pulo” – janela da traição- daqueles que estão insatisfeitos com suas legendas, ou defendem projetos que não se encaixam nas siglas que ora estão filiados.

            Prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, permanecerá no PSD? Quem manda no destino do partido na Paraíba é o Deputado Federal Rômulo Gouveia, que manobrará as peças do tabuleiro (2018) de acordo com sua conveniência. Tem que jogar com muita habilidade, em função da queda de prestígio que vem sofrendo sua agremiação no plano nacional, tendo em vista o declínio do Ministro Gilberto Kassab. Regrediu no ranking que lista principais lideranças políticas de São Paulo. Nas duas últimas eleições, tropeçou. Em Sampa, dividi a posição de “lanterna” com o PT. Na reforma Ministerial prevista para Dezembro próximo, Kassab talvez fique de fora. Para o ex-gordinho Rômulo, seu desafio é não perder o mesmo peso e volume (político/eleitoral), proporcionalmente ao seu físico, pós-bariátrica. Terá os “novos” e fortes concorrentes, além dos já existentes. Fato que o obrigará a se limitar em garantir seu retorno.

            E Veneziano Vital do Rego? Continuará no PMDB? Se seu projeto com vistas ao Palácio da Redenção se configurar como propósito que seja levado a sério, terá que trocar de legenda. No PMDB do “disciplinado” Senador José Maranhão, os caminhos são nítidos e apontam inequivocamente para uma “composição” alinhada com a chapa indicada pelo Diretório Nacional. O velho “Cacique”, decano da classe política paraibana, tem ficha limpa, sem nenhuma “mancha” ou rasura ao longo dos sessenta anos de vida pública. Apresenta-se nesta “Maratona” – correndo por “fora” – como alternativa para Governador, ao lado do PSDB (Romero) e Luciano Cartaxo (PSD?).

            Quanto ao Governador Ricardo Coutinho, o dilema é a angustia do “fico”. Historicamente sua atual posição (popularidade e gestão) pelo volume de obras realizadas, se assemelha ao então Governador Tarcísio Buriti em seu primeiro governo (1978/1982). A diferença está no vice, e prováveis desconfortos com denuncias que poderão culminar em ações judiciais. Têm “bombas” de efeitos retardados, armadas para explodirem após sua renuncia em abril (2018). Pelo menos, algumas que nos confidenciaram – se procederem – os resultados serão catastróficos. Buriti tinha um vice de sua inteira confiança, saudoso Clovis Bezerra. Mesmo assim, não se aventurou a disputar o Senado da República. Elegeu-se Deputado Federal com a maior votação (proporcional ao tempo e eleitorado) já registrada na história das eleições paraibanas. Entretanto, para seu desassossego, Ricardo Coutinho tem a “incógnita” Lígia Feliciano.

 O tempo é exíguo para Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues. Resta apenas nove meses para “costurarem” seus retalhos, na medida e no tamanho exato da colcha que os acobertará no tempestuoso “inverno eleitoral” 2018.

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OS ULTIMOS 100 DIAS DE JANOT

            Uma corrida desesperada contra o tempo. Restam apenas 100 dias para terminar o mandato do Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, e o Presidente Michel Temer ainda continua a frente dos destinos da nação. A ira por não ter sido reconduzido para um terceiro mandato se constituiu numa vingança (pessoal) contra a classe política, alguns Ministros do STF como Gilmar Mendes e a economia brasileira – delação de Joesley Batista – empobreceu as empresas e o país em mais de 400 bilhões de dólares em apenas 24 horas. Não fora a milagrosa presença do Ministro Henrique Meireles – homem de confiança das oito famílias que comandam a “banca” do FED (Tesouro Americano) e controla a ganância da Wall Street – o Brasil estaria definitivamente arruinado. Passaríamos o mesmo sufoco – ou pior – que já vivemos após o plano Real, fato ocorrido com o ataque especulativo praticado por George Soros após a reeleição do Presidente Fernando Henrique Cardoso, quando o país quebrou, e ainda tivemos que tomar emprestado ao FMI 44 bilhões de dólares para honrar dívidas. Sem reservas, o Governo (FHC) para fazer “caixa” teve que começar a vender as joias do nosso tesouro. Veio às privatizações das Telecomunicações, Concessionárias de energia elétricas e a Vale do Rio Doce que tem as nossas maiores reservas minerais do planeta.

            Num mundo economicamente globalizado, um erro como este da publicidade exacerbada que foi dada a delação de Joesley Batista, pode custar um século de atraso a um país. A fila anda, cresce quem erra menos. Negócios de Estado não podem ser tratados de forma sensacionalista, com propósitos mesquinhos e interesses escusos. Qual a justificativa do Procurador Rodrigo Janot de não “prender” um dos maiores bandidos e dilapidador do patrimônio da nação, e ainda dar-lhes um “salvo conduto” para deixar o país? Como se não bastasse, já em New York Joesley ganhou bilhões com a “informação privilegiada” do vazamento do seu áudio/denuncia. E o STF? Por que não questionou a responsabilidade da PGR e suspendeu os termos suspeitos e “paternalistas” da delação? Só existe uma justificativa: Procurador Rodrigo Janot está acima de todos e da lei, talvez com áudios de delatores, com potencial de desmontar os três poderes de nossa República.

            Num espetáculo a parte, a chapa Dilma/Temer em julgamento no TSE, ocupa todo espaço da mídia, promovendo “momentos de celebridade” a pessoas completamente desconhecida pelo povão, como o Ministro Hernan Benjamim. Hoje mais popular no Brasil que Tarcísio Meira na época do sucesso da telenovela “Irmãos Coragem”.

Agindo com terror, a Polícia Federal – pressionada pelo Procurador Geral da República – cita o Presidente para que responda 82 perguntas em 24 horas. Humilharam o primeiro mandatário da nação… Sequer esperaram que terminasse seu julgamento no STF. Rodrigo Janot está agindo como Oliver Cromwell (Inglaterra contra o Rei Carlos I): não basta julgar o Rei, tinha que decapitá-lo diante de seus súditos. Momentos sombrios na história dos ingleses – interregno de 40 anos na Monarquia Britânica – quando a Inglaterra tornou-se uma República, não por opção de seu povo, mas, por temor a Cromwell. Com sua morte, a Monarquia foi reestabelecida.

             A passagem de Rodrigo Janot pelo fórum de Davos mudou por completo seus planos, e a linha de conduta adotada como postura da PGR. Ao retornar da Suíça, Janot começou a admitir a possibilidade de um terceiro mandato, quando foi contido e criticado internamente pelos seus pares – por extensão e com aval explicito da Presidência da República e Senado Federal – que endereçaram recado sobre a indisposição de sabatiná-lo, e nomeá-lo mais uma vez, partiu para revanche. Coincidentemente em Davos (talvez como convidado para uma das dezenas de palestras), quem brilhou não foi Janot. Foi o Presidente da China – menor que o Brasil em 1974 – por ter superado pela primeira vez desde 1945, o PIB dos Estados Unidos, o maior do planeta. Em 2016 o PIB Chinês atingiu 21,3 trilhões de dólares, contra 18,9 dos Estados Unidos.

            Provavelmente hoje (sexta-feira 09.06.2017), o TSE conclua o julgamento da chapa Dilma/Temer. Se o Presidente não for condenado, ganha fôlego para chegar até setembro e nomear o sucessor de Rodrigo Janot. Para Temer não existe plano “B”. Mas, para Janot, suas intenções é continuar postado diante dos holofotes. Com a “carga” de informações que dispõe, e se a globo conseguir mais uma “exclusividade”, ele poderá se manter vivo. Porém desta feita terá que enfrentar a mesma Justiça que hoje é sua refém, e em outras circunstâncias. Rodrigo Janot tentará ser candidato a Presidente, Governador do seu Estado ou Senador da República. Contudo, nesta empreitada correrá riscos. Não sairá ileso deste processo, depois de perder suas prerrogativas de foro especial, matéria que em breve será votado pela Câmara dos Deputados, com parágrafos acrescidos a aqueles aprovados pelo Senado. O Presidente da Câmara dos Deputados ontem deu seu recado: “há excesso de prisões preventivas no país”.

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ANSIEDADE

            O Prefeito de Campina Grande Romero Rodrigues está ultimando os preparativos, para festejar o seu último período junino, como chefe do Poder Executivo da cidade onde se comemora o maior São João do Mundo. O evento poderia ser o maior de todos os tempos, se não fora o “equivoco” cometido – por influências aculturadas – que desconhecem por completo as raízes históricas deste folguedo, surgido bem antes de se construir o “Forródromo”, a “Pirâmide” ou “Parque do povo”. Década dos anos setenta (século passado) no mês de junho, as quadrilhas de ruas e bairros, aquecidas pelas fogueiras e calor humano – nas noites frias da Rainha da Borborema – se transformavam numa festa só. Após exibições das quadrilhas – que se encerravam por volta das 22 hs – começava um “arrasta-pé” ou “rela-bucho” da juventude de então, que mesmo gostando do rock, samba; tropicália ou bossa nova, nesta período do ano só curtiam Gonzagão, Trio Nordestino; Elino Julião; Genival Lacerda; Marinês; Antônio Barros e Cecéu… O Prefeito Romero Rodrigues teve um lapso de memória, desconhecendo que seu vice Enivaldo Ribeiro, foi o primeiro a organizar o calendário junino e os concursos de quadrilhas. Construiu o “palhoção”, nos dois últimos anos de sua gestão, e seu sucessor o poeta Ronaldo Cunha Lima – patriarca do clã político que abriga Romero – enxergando a importância cultural que representava as comemorações juninas, teve a sensibilidade e visão em dar continuidade e apoio a esta manifestação popular, construindo um espaço para que o evento ganhasse importância e dimensão regional – hoje nacional – o que de fato aconteceu. A alegação de falta de recursos, e a ideia de “privatizar” uma festa que é do povo, foi um estúpido desacerto, que ofuscou um pouco a brilhante administração que vem realizando o Prefeito Romero Rodrigues. Talvez a ansiedade provocada pela pressão política, que começa a “afunilar” sua pré-candidatura ao Governo do Estado, tenha desviado o seu foco, e o levado a cometer este erro tão grotesco, elementar ou primário.

 Romero Rodrigues deve conhecer, ou senão, sabe que existe “Bumbódromo” em São Luis do Maranhão, Manaus e Belém do Pará. Deve ter ouvido também falar sobre o Festival de Parintins, hoje mais destacado nos guias turísticos internacionais, que o carnaval carioca. Vem gente de todos os confins do planeta, para vê o bumba meu boi, e o duelo do “Boi Garantido” contra o “Boi Caprichoso”. Por outro lado, habitantes da região sul, parte do sudeste (exceto Rio de Janeiro) e centro-oeste, estão com ouvidos “rotos”, impregnados de tanto ouvirem a música sertaneja, tocada no rádio e TV vinte e quatro horas por dia. Querem vê – ouvir e dançar – algo novo para eles, como um bom forró pé de serra, com xote, xaxado e baião. Se o município não dispunha de recursos para promover a festa, por que não criou uma entidade semelhante a “Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro”? Eleito Governador em 1982, Leonel Brizola construiu o “Sambódromo” em seguida, transferiu a responsabilidade do evento para uma entidade composta por membros de todas as escolas de samba, grupos A e B.

Imaginemos o Sambódromo (Rio de Janeiro), realizando um carnaval em 2018, diferente, com um desfile de trios elétricos e os “Filhos de Ghandi” entoando o axé baiano. Em seguida, o frevo do Recife invadindo com sombrinhas e seus passos acrobáticos o palco sagrado do samba. Para completar a festança, também se exibiriam os bois “Garantido” e “Caprichoso”. Um breve intervalo seria preenchido com uma pequena amostra do Rock in Rio, Rep e Rip Rop. Finalmente para encerrar, Biliu de Campina, Alcimar Monteiro; Genival Lacerda; Cacá do Forro… Em duas edições deste evento “ecumenicamente” e só musical, acabaria o carnaval carioca. Se os conselheiros da corte do Prefeito Romero Rodrigues – que o induziram a cometer este brutal equivoco – forem os mesmos que compõem sua equipe de campanha com vistas ao Palácio da Redenção em 2018, suas possibilidades de êxito são precárias.

Rememoremos ao Prefeito Romero Rodrigues e seu Secretário de Cultura, que gostos e hábitos populares, se tornam tradição que se passa de geração para gerações. O carnaval do Rio e o Samba é o maior exemplo de resistência das “tradições”. No Rio de Janeiro o samba não tinha espaço. Dos anos 20 até o início dos anos 50, o corso carnavalesco prevalecia, com confetes e serpentinas. O país vivia a era de ouro do Rádio, as marchinhas de carnaval faziam sucesso por todo o Brasil. Mesmo com o surgimento da TV, os programas musicais Flávio Cavalcanti, Silvio Santos e Chacrinha só divulgavam marchinhas. Porém, o samba resistiu. O “corso carnavalesco” foi empurrado para os salões, promovendo os grandes bailes, como por exemplo, o Municipal do Rio de Janeiro. Enquanto as marchinhas fugiam das ruas, o samba descia as favelas, saia dos subúrbios ganhava o asfalto. Os bailes se acabaram no final dos anos sessenta. O samba cresceu. Centenas de compositores, cantores; ritmistas; até a coreógrafos foram revelados através do carnaval. Mangueira, Salgueiro; Beija Flor… São nomes conhecidos nos mais distantes rincões do país. Particularmente não conhecemos letras de nenhum samba enredo, de nenhum carnaval e de qualquer uma das 23 escolas que compõem os grupos A e B, muito menos aos grupos de acesso C e D. Mas, os cariocas compram seus DVDs e CDs com suas músicas. Conhecem a voz de quem canta, e daí surge uma carreira artística. Quem gravará DVDs e CDs no São João de Campina Grande versão 2017?

O propósito do São João “tradição” de Campina Grande, agregado ao forró, foi inspirado – de modo informal – no modelo bem sucedido do samba carioca. O objetivo era revelar valores latentes e novos talentos, para expandir por todo o Brasil, a beleza e graça de nossa arte e cultura, entoada através de belas melodias, obras de nossos forrozeiros locais e regionais. Teremos um São João atípico e excêntrico, que pode atrair grande público, Porém, fadado a partir de então, a inevitável extinção. Que pena…  

 

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RUPTURA

            Por mais otimista que sejamos, com os abismos (fossos) existentes e crescentes entre os Poderes, inexistem alternativas para salvar nossa democracia – com apenas vinte e nove anos (Constituição de 1988) – sem que ocorra um processo de “ruptura”. Antecipação das eleições? Talvez o menos traumático. Do contrário, intervenção militar para reestabelecer a ordem.  Se a solução for eleitoral, a legitimidade das urnas propiciará a renovação, reconstruindo uma conjuntura harmônica entre os três poderes de nossa República, no momento “desalinhado”. O país não se sustentará até 2018 diante de uma exposição midiática permanente, mostrando corrupção desenfreada, denunciada pelo Ministério Pública Federal e precipitadamente “aloprada” via sensacionalismo desconstrutivo. Medo e incertezas ampliam o quadro da “depressão econômica” instalada no Brasil, causando pânico generalizado na desorientada população (passageiros e tripulação do Titanic Brasil) despida da fé e esperança em salvação do inevitável naufrágio. Poderes Constituídos digladiam-se entre si, de modo desrespeitoso, criando quadro de incerteza. No “grito”? Todos mandam e ninguém tem razão (ou direitos).

Os absurdos entrechocam-se a ordem, quando ninguém sabe mais quem é quem. Ultrapassando todos os limites do inimaginável, uma Tabeliã da Polícia Federal teve a ousadia, arrogância ou despreparo, de ligar para o Palácio do Planalto (25.05.2017) e cobrar da Assessoria do Presidente da República, que “agendasse” dia, para depor num inquérito instaurado – fundamentado numa delação premiada estilo diferenciado de “salvo conduto” – usufruído pelo bandido Joesley Batista (hoje nos Estados Unidos) com anuência do Procurador Geral da República e do Ministro Edson Fachin, relator da lava-jato (?). Qual a ligação da JBS com a Petrobras? Gritante foi à “frouxidão” expressada pelo Presidente Michel Temer, historicamente neste momento se assemelhando a João Goulart em seus últimos dias (1964). Jango por timidez não se impôs frente à maioria dos Generais, que respeitavam a Constituição. Presidente Michel Temer temeu demitir a bem da ordem e da disciplina, o Diretor Geral da PF, e substituir todos os Superintendes Estaduais, que pelo visto, perdeu a noção de hierarquia funcional “fulanizando” a maior autoridade de um regime democrático Presidencialista que é a figura de Sua Excelência Senhor Presidente da República. Aliás, o ato deveria ter sido considerado como “rotineiro” e da autoria do Ministro da Justiça. Para fechar o círculo temerário de ingovernabilidade, seguiu-se a ridícula atitude do Palácio do Planalto, consultar – ou se queixar – do Ministro Relator da lava-jato, que não se sabe o motivo de sua atuação na investigação da JBS, sobre o desacato da Tabeliã. Será que o Poder está “loteado”?

Gravações e vídeos são vazados constantemente, sem que se saiba quem são os verdadeiros responsáveis, de onde partiu as autorizações; seus objetivos e autores destas violações ilegais. A Polícia Federal, ou o Procurador Geral da República, num ato de revanchismo divulgou uma conversa gravada sem autorização judicial, entre o Jornalista Reinaldo Azevedo (Revista Veja) com sua fonte irmã do Senador Aécio Neves. O diálogo não se referia a nenhum dos processos investigados pela lava-jato, Polícia Federal ou Procuradoria Geral da República. É um novo Reality Show, estilo Big Brother, produzido pela PGR e PF sobre a vida e intimidade dos políticos? No intuito de atingir a imagem do Ministro do STF Gilmar Mendes – destacado por suas firmes posições e destemor da Procuradoria Geral da República – um recado intimidatório lhes foi passado – via vazamento de um áudio, contendo diálogo com o Senador Aécio Neves. Igualmente gravado clandestinamente pela Polícia Federal – não contentada com tantos estragos, provocados por seus “grampos”- o Presidente Michel Temer foi vítima de ais um áudio, revelando conteúdo de uma conversa com Deputado Federal afastado, aquele condutor da mala onde continha a “pegadinha” dos 500 mil reais.

Nada acontece sem a participação do Congresso Nacional. Não adianta “escolherem” candidatos, ou “saídas negociadas”, como sugeriu o Senador Tasso Jereissati, imaginando que substituir o Presidente Temer significa o fim da crise. Em seu lugar o Parlamento não admite alguém que não fale a “linguagem” das duas Casas Legislativas, ora exigindo claramente garantias de seus retornos em 2018. Qual seria o nome ideal? Depois de Joesley acusar que 1.198 políticos que receberam dinheiro da JBS, quem escapou? No Senado Federal, muitos estão ainda no mensalão, CPI dos bingos e Correios. Carlinhos Cachoeira; Fernando Cavendish; Operação Navalha Gautama… São dezenas de casos constatando “promiscuidade” entre políticos, empresários e negócios, desde 2004. Tantas CPI que o povo não lembra mais. Pouquíssimos ficaram fora da lava-jato, depois da delação de Marcelo Odebrecht. Com isenção e perfil desejando pelo povo, no Senado resta apenas Álvaro Dias, Reguffe e Cristovam Buarque. Infelizmente nenhum domina o “dialeto” usado para se comunicarem com seus pares do Parlamento.

Finalmente, qual o suposto “coringa” sob a manga, que tem e esconde a Policia Federal, juntamente com a Procuradoria Geral da República? A impressão que passam é que o STF está acuado. Exceto do Ministro Gilmar Mendes, que não poupa críticas aos ritos processuais das investigações do momento. Porventura foram também todos “grampeados” e gravados clandestinamente?

Usando o “elemento surpresa”, o governo contra-atacou ontem. Nomeou para o Ministério da Justiça o respeitável Ministro Torquato Jardim. Dificilmente encontrarão suas “pegadas” nos caminhos das operações em curso comandadas pela Procuradoria Geral da República e Polícia Federal. Tabeliã não vai ter mais autonomia de intimar aleatoriamente quem bem quiser. Delegado Geral terá um chefe, para se reportar sobre seus atos, isto se continuar no cargo que é de confiança e não de carreira. Procuradoria Geral da República terá que dialogar sobre suas futuras ações. E STJ, STF, TSE encontrarão um dos seus semelhantes, competente e comprometido com a seriedade em dá andamento as ações de combate à corrupção, porém sem vazamentos seletivos, bravatas, ou heroísmos “tupiniquins”, precários e de credibilidade duvidosa.

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ILEGITIMIDADE E OPORTUNISMO

            A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que em alguns momentos de nossa historia do século XX, desempenhou relevante papel por ocasião das ditaduras civis e ou militares – na busca de garantir direitos violados dos cidadãos e instituições – procura sair do ostracismo midiático, se metendo onde não é chamada e não lhes cabe. Resolveu após “encenação” realizada com a presença dos Presidentes de suas seccionais, protocolar pedido de impeachment junto a Câmara dos Deputados, com propósitos de afastar o Presidente Michel Temer, surfando na “onda” modista do momento, onde todos querem “aparecer” ou figurar no “instantâneo” hipócrita como defensores intransigentes da ética, moral e bons costumes. Além de ridículo, o episódio “retrata” espetáculo pobre de roteiro e rico em oportunismo.

            Três anos da operação lava-jato, a OAB silente por incompetência ou curvada de modo bajulatório e submisso às instancias do Poder Judiciário, jamais fez movimento, tão cobrado por seus filiados – junto ao STJ, STF e CNJ – contra as longas prisões dos investigados, exceção do ex-ministro José Dirceu e o doleiro Alberto Yosef, todos primários e com direito de responderem seus processos em liberdade. O verdadeiro papel da OAB seria este, de defender a “presunção da inocência”, fazendo valer artigo Constitucional, violado para todos que foram encarcerados em Curitiba e Rio de Janeiro. Por que a OAB não realizou plenárias, ou acampou em frente ao Supremo ou arguiu com contundência estes excessos junto ao CNJ?

            Enquanto o seu atual Presidente (carente de holofotes) comandou uma reunião, e de modo intransigente se comportou como Juiz num Tribunal de Exceção – ao negar proposta cautelar do Advogado do Presidente Michel Temer, sugerindo aguardar o relatório da perícia sobre a gravação – se houve montagem ou edição – no áudio divulgado ou seletivamente “vazado”, ontem no programa Fantástico da Rede Globo de Televisão, seu antecessor mostrou postura diferente e coerente com o papel da instituição (OAB). Denunciou o estilo protetor concedido ao criminoso Joesley Batista e seu irmão, e cobrou “paridade” da decisão do Ministério Público para que fosse justaposta aos demais delatores, que ainda continuam presos, após confissões, devolução de dinheiro; pagamento de multas; além de outra longa série de exigências que ora estão cumprindo. Os irmãos Batistas devolveram 110 milhões de reais, pagáveis em 10 anos, com primeira prestação a partir de Junho de 2018. Estão livres para transitarem por todo o planeta (sem serem molestados) e não responderão por mais nada referente a este tema. Pelo visto, não foi uma delação “premiada”, foi um indulto “paternal”. E agora OAB? Vai se manifestar para que estes benefícios se estendam a todos os que ainda estão encarcerados – mesmo os que já estão fora e impedidos de saírem de suas casas – como, por exemplo, o também empresário Eike Batista? Seu desejo – se o tivessem ouvido – era denunciar a bandidagem do BNDES. Mas, a Justiça Federal (RJ) não se preocupou com o que ele queria falar. Seu foco se mantinha na confirmação dos crimes de corrupção atribuídos ao ex-governador Sergio Cabral, a quem ele doara dinheiro.

            Este tipo de “Plenária” deveria ser uma constante na OAB, desde que fossem para debater assuntos de suma importância de sua área, como os apelos dos “Bacharéis em Marcha”, que o MEC os titularizou em Ciências Jurídicas, o que lhes dá o direito de advogar. Contudo, a entidade impõe uma prova, exigência para que os mesmos exerçam sua profissão – ferindo a Constituição Federal – interpretando de forma equivocada um “Estatuto” que se sobrepõe a Carta Magna (?). Seria também de bom alvitre, prestar contas de centenas de milhões de reais em seus cofres, recolhidos através de inscrições para o tal exame, cuja movimentação ou aplicação e uso deste dinheiro, não são fiscalizadas pelo TCU ou outro órgão de controle que zela pelo dinheiro do contribuinte, principalmente quando é “imposto” em forma de “taxas”. No Congresso tem dezenas de projetos com objetivo de regulamentar esta situação, destacando-se a sugestão para a OAB adotar o mesmo critério do CNH, com as carteiras de habilitação para motoristas: período probatório ou de experiência, e expedição de uma definitiva após ser verificada que o portador da “carteira” não cometeu delitos graves, durante o tempo obsevado.

            A OAB, como já citamos, teve momentos importantes na história do país. Presidentes como Seabra Fagundes, Raimundo Faoro; Bernardo Cabral trouxeram “luzes” para entidade, que iluminou “mentes” nos períodos de escuridão vividos por nossas Instituições Republicanas. Outros que se comportaram – como administradores -cumprindo sua missão determinada pelo Estatuto. E alguns, como o ex-ministro Marcio Tomaz Bastos, que deixaram como legado, um péssimo exemplo de conduta para seus filiados. Advogar, após deixar o Ministério da Justiça para o bandido Carlinhos Cachoeira, e defendê-lo em silêncio e ao seu lado, em frente às câmeras de televisão numa CPI do Senado, se constituem num dos maiores desrespeito ao seu passado e da OAB, mesmo já tendo defendido o líder do crime organizado Fernandinho Beira Mar.

            No tocante a ilegitimidade, Presidente da OAB jamais poderá defender ou pedir no momento, eleições diretas, quando sua Instituição pratica o inverso. Por que a Ordem dos Advogados do Brasil – através do seu Conselho Federal e suas Seccionais – tem rejeitado anos a fio, o desejo de seus filiados que é a realização de eleições diretas para Presidência da entidade? Vale para a OAB: faça o que digo, mas não fala o que eu faço?

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GABINETE DA CRISE

            Nestas duas últimas semanas – precisamente a partir de 01/05/2017 – de um tudo (imaginário pelos absurdos) testemunhamos ter acontecido na nossa combalida República, desconectada, acéfala e sem rumos ou caminhos, que nos aponte saídas. A insolvência de Estados e Municípios, escalada da violência nas ruas e rodovias – já fora de controle – nos levará rapidamente, ao quadro semelhante ora vivido na Venezuela.

            Os três Poderes que sustentam a democracia, estão em guerra – entre si – e no seu conjunto, que deveria ser harmônico. O Congresso Nacional, que é a casa do povo, foi invadido por manifestantes contrários a reforma da Previdência. Um descalabro, Agentes Penitenciários e Policiais Federais na busca de “privilégios”. Querem trabalhar só até os 55 anos, e o resto da população? Que se explodam! Até gás de pimenta foi usado no Plenário de uma Comissão Temática. Isto é esculhambação, desordem e falta de respeito – atos de vandalismos praticados por “cidadãos” que tem curso superior – comportando-se como moleques. Que exemplos estão dando ao país? Principalmente aos que não tiveram a oportunidade de educação com qualidade, que estão desempregados ou prestes a se aposentarem, e enxergam agora seu tempo de contribuição “esticado”? Imaginem se forem demitidos? Não existe “estabilidade” na iniciativa privada – aquela que trabalha e paga impostos – sustentando uma “máquina pública” corrupta, anacrônica, viciada e indolente.

            O Poder Executivo – atolado numa reforma Previdenciária – espécie de “pedágio” cobrado pelo capital especulativo internacional – prometendo voltar ao Brasil – negocia com um ganancioso e inescrupuloso Congresso (guardando mínimas ressalvas), afundando ainda mais o tesouro nacional. Este que por sua vez é refém do Banco Central, e de uma “quadrilha de banqueiros” sádicos, que sequer disfarçam suas voracidades insaciáveis por lucros estratosféricos, sangrando nossa economia e nos levando ao fundo do poço. Qual o programa do Presidente Michel Temer? Todos tiveram um programa. Mesmo os que não foram eleitos – Sarney, Itamar Franco – deixaram seus legados para a história, como por exemplo, o ex-presidente Itamar Franco, nos libertou da hiperinflação. Comentaristas econômicos só falam na “redução da inflação” e festejam a “possibilidade” de cumprimento da “meta” estabelecida pelo Banco Central (?). Claro que não teremos inflação… Estamos vivendo uma “depressão” semelhante à de 1929 (século passado) onde os grandes perdedores foram os Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha. O Brasil desemprega desde 2011 diuturnamente centenas de trabalhadores, sem a menor perspectiva de quando vai estancar esta flebotomia, alcançando um quadro de equilíbrio. Já passam de 14 milhões o número dos que perderam seu emprego. E os que estão ainda à procura do primeiro posto de trabalho? Terão que esperar algumas décadas.

            Em meio a toda esta balburdia – quadro desagregador – ainda surge um “tiroteio” no mais alto escalão da República. Procurador Geral Rodrigo Janot denuncia, e pede afastamento do Ministro Gilmar Mendes do STF – um dos poucos que ainda está tentando repor as peças na mesa do xadrez político institucional do país – que teve seu “tabuleiro” chutado pela operação lava-jato. Alegação do Procurador Janot foi sobre a esposa do Ministro ter atuado como Advogada do escritório que defende o empresário Eike Batista. Vem à mídia e descobre que a filha do Procurador Geral é Advogada da OAS (envolvida na lava-jato). Procuradores da “Força Tarefa” de Curitiba, se manifestaram também contra a decisão do Ministro Gilmar Mendes, por ter concedido habeas corpus ao ex-ministro do governo Lula da Silva, José Dirceu, preso há quase dois anos – como forma de antecipar sua pena – que pode ser revista pelo TFR e STF. Após a delação de Marcelo Odebrecht, Dirceu não tem mais nada o que dizer, nem inventar. Através do elegante Promotor Delton Dallagnol – vestido no estilo “aluno Oxford” – o Ministério Público e sua “força tarefa” da lava-jato fizeram duras críticas sobre uma decisão de um Ministro da mais alta Corte de Justiça do país. Todavia esqueceram-se (Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos) de censurarem o companheiro “justiceiro” da lava-jato Diogo Castor de Mattos, que tem um irmão Advogado, Rodrigo Castor de Mattos e que vem atuando no âmbito da operação em Curitiba. Isto é no mínimo, antiético, arrogante ou “deselegante”. Ministério Público não é um Poder Constitucional, Justiça sim. Um Senador da República se insurge e pede o impeachment de três Ministros do STF, inclusive Gilmar Mendes. É inconcebível tamanha desordem e falta de “hierarquia funcional”, pecado capital dos Constituintes de 1986. “Quanto maior o número de leis e decretos, mais salteadores e ladrões existirão” – Filosofo Chinês Lao-Tsé século IV A.C. Deram ao Ministério Público e Poder Judiciário, “status” que os puseram acima da Lei, sem que ninguém os conteste, nem os julguem.

            Antes de se encerrar a semana, tememos que ainda ocorram fatos tão desagradáveis, quanto ao clima de “final de copa do mundo” – que inundou a mídia, e redes sociais no “duelo das vaidades” travado entre Lula e o Juiz Sérgio Moro.

            Presidente Michel Temer tem que esquecer por um momento a reforma da previdência, e criar urgentemente o “Gabinete da Crise” – entre os três poderes – que venham por ordem, discernimento e compostura, nas avacalhações reinantes na “casa”. Uma guerra com duas frentes de batalhas é impossível ser vencida. Caso contrário seu mandato não Será concluído. Alguém, através de um ato (institucional) de força, usará a “bala de prata” e com apoio das Forças Armadas intervirá nas Instituições, acontecimento que sepultara nossa democracia.

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O SENADO BOTOU A CARAPUÇA

            A lei de Abuso de Autoridade – mais uma entre as milhares originadas da nossa Constituição Cidadã – se impõe de forma imprescindível, para conter ou delimitar o óbvio: onde começa o direito de um, e termina o de outrem. Algo tão comum e trivial – citados ou inseridos em vários dos 350 artigos de nossa Carta Magna – porém, não interpretado ao “pé da letra” como exigem ou questionam nossos “notáveis” conhecedores da lei, Promotores, Juízes; Desembargadores e Ministros.

            Na queda de braço intrapoderes constituídos – iniciada no delicado momento que avançou a operação lava-jato – o cidadão comum começou a questionar o porquê de demais instâncias no Poder Judiciário, se o Juiz Sérgio Moro, orientado e a pedido do Ministério Público, prende e solta na hora que bem quer e entende, seja lá quem for – mesmo já fazendo vítimas – como dois réus que foram inocentados no TRF-RS.

            Do modo como o Senado Federal aprovou a Lei, que ainda vai ser votada e pode ser alterada ou modificada pela Câmara dos Deputados, os políticos assumirão o papel dos “suspeitos de sempre”. Quando falarem em corrupção, dedo em riste apontará para o Congresso Nacional, Palácio do Planalto; Esplanada dos Ministérios; Governos Estaduais e respectivas Assembleias Legislativas, terminando nos eternos fregueses: Prefeitos e Vereadores. Ministério Público, Magistratura; Cortes Superiores de Justiça e Contas (STJ, STF, TCU e TCEs) estarão acima de quaisquer suspeitas.

            O saudável na democracia é o fato da lei está acima de tudo e de todos. Isto garante o legítimo exercício da cidadania, nivelando-nos perante seus ditames. O Ministério Público do Paraná, com apoio da Procuradoria Geral da República, encetou campanha nas redes sociais, cobrando da população “proteção”, se imiscuindo no Poder Legislativo a quem só a ele, e não mais ninguém é permitido o direito de elaborar nossas Leis. Os Senhores Procuradores tentaram evitar que o Senado Federal votasse e aprovasse o Projeto Lei de Abuso de Autoridade, acoplado a outro que determina os limites do foro privilegiado. O que teme o Ministério Público? A eles, cabe o austero papel de fiscal intransigente da legislação. O comportamento deveria ser inverso, a campanha deveria ser feita para aprovarem a lei, pois ele mesmo (Ministério Público) de forma transparente serviria como exemplo. Riscos ou temores de serem vítimas de falsas denúncias, sobre prováveis abusos ou arbitrariedade? São perigos que nós cidadãos comuns igualmente corremos, expostos no nosso quotidiano.

            O ex-deputado federal Eduardo Cunha teve seu mandato de Presidente da Câmara dos Deputados cassado – pelo Judiciário e de forma arbitrária foi afastado de suas funções Parlamentares – poder outorgado pelo povo, o que se traduz como insegurança jurídica em plena democracia. Apesar da vastidão de leis que existem na nossa confusa Constituição e seus Códigos (penal e civil), o falecido Ministro Teori Zavascki se amparou na figura do “direito das ruas” (?) para afastá-lo. Procedimento incomum nunca visto antes em nossa República, mesmo nos seus períodos mais escuros, quando se instituíram as ditaduras de Getúlio Vargas, do Estado Novo e período dos Governos Militares.

               A presunção da inocência, artigo 5º inciso LVII de 1988, inspirado na Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 artigo XI, inciso 1, não está sendo corretamente interpretado pelos Ministros das Cortes Superiores de Justiça, Ministério Público do Brasil; Polícia Federal e em alguns casos, Juizados de Primeira Instância. Vejamos abaixo, exemplo do berço da democracia no Ocidente, Estados Unidos da América. De 1920 a 1931 o bandido Al Capone cometeu dezenas de assassinatos em Chicago e Estados vizinhos. Foi um dos fundadores da Máfia, organização criminosa que controlava e explorava jogos de azar (proibidos por lei), prostituição; contrabando de bebidas em plena Lei Seca e tudo isto, nas “barbas” da lei, que se sentia impotente para prendê-lo e levá-lo a julgamento por falta de provas, testemunhas ou flagrantes. Era inocente perante a lei. Capone Debochava de todos, subornava parte da mídia da polícia e da Justiça. E, para coroar sua carreira – até então exitosa no mundo do crime – figurou na lista dos mais famosos do ano de 1929 ao lado de grandes expressões como Albert Einstein e Mahatma Ghandi. Cansado de esperar por J. Edgard Hoover – já todo poderoso do FBI – o Presidente Herbert Hoover aceitou a ideia do Chefe da Agência do Álcool, Tabaco e Armas, Eliot Ness, que sugeriu prendê-lo por contrabando e sonegação fiscal. Calcanhar de Aquiles de Capone, que jamais imaginou ser preso por alguém que não fosse policial, sem mandado da Justiça ou pedido da Promotoria. Através de exaustiva investigação, fechando bares, restaurantes e casas noturnas por venderem bebidas, Ness conseguiu numa destas operações, prender o contador de Capone. Com ele, todo o material que serviu como provas da sonegação do Chefe Mafioso. O jure popular o condenou a 11 anos de cadeia e multa de 50 mil dólares. Eliot Ness pôs fim à gang corrupta e criminosa Chicago, sem precisar de arbitrariedade ou abuso de poder.

            Se tudo isto tivesse acontecido no Brasil – dias de hoje – Capone estaria preso. Contudo, o Juiz Federal Flávio Roberto de Souza (RJ) que determinou sequestro e bloqueio de todos os bens do empresário Eike Batista, levou para sua garagem e passou a usar dois carros de luxo importados, inclusive um Porshe Cayenne. Deu entrevista na TV, onde Eike (vítima do roubo) viu seu relógio de uso, no pulso do Juiz. Mas, em obediência as nossas leis, o Juiz foi punido. Afastado do cargo e aposentado compulsoriamente com um salário de 29 mil reais. Não foi para cadeia e nem devolveu as joias de Eike Batista. Tomaram apenas os veículos. O CNJ em 2010 afastou 72 Juízes e três Desembargadores. Destes, 48 já estão aposentados compulsoriamente. Atualmente, são gastos com aposentadorias – e salários dos afastados – 16,4 milhões de reais por ano. Numa democracia onde a cadeia não é para “todos”, infratores da lei, sua legislação é injusta.        

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QUEM ROUBA NOSSO OURO

            Quinta-feira 20/04/2017 o ex-ministro Antônio Palocci, que compôs as equipes da era petista nos Governos Lula e Dilma, prestando depoimento a Justiça Federal do Paraná, negou que tivesse se metido na pilhagem da “bijuteria” que envolve o Congresso Nacional, Presidência da República e sua estatal Petrobras. Considerou que caixa dois sempre existiu nas campanhas que participou; que não seria ridículo em repetir que “todas as doações foram legais…” O chavão do PT e demais legendas metidas com delitos na Legislação eleitoral. Contudo, no final de sua fala, se pôs a disposição em colaborar “para que o Brasil encontre caminhos melhores”, sugerindo que sabe quem realmente fez grandes negócios. Fornecerá nomes, endereços e datas.

            Talvez poucos tenham entendido seu “recado”. Será que o Juiz Sérgio Moro alcançou? Provavelmente sim, pelo fato de ter estreado na Magistratura, ocasião das investigações do BANESTADO, operação que desviou valores astronômicos estimados na época entre 30 e 50 bilhões de dólares – guardando as devidas proporções – colossal montanha de dinheiro que ainda supera os números de hoje da Odebrecht e de todo cartel por ela encabeçado. O “esquema” BANESTADO funcionou entre 1996 e 1999. Sonegação fiscal; lavagem de dinheiro; evasão de divisas; propinas; sobras de campanha (?)… Fatos que levaram a “austera” família Bornhausen, através de seu líder ex-governador e Senador que presidiu o PFL Jorge, ser identificado como titular de uma conta com saldo de 5 bilhões de dólares nos Estados Unidos. Antes de ser investigado, deixou a vida pública, e com ele, se retiraram todos os políticos infiltrados pela FEBRABAM, associação criminosa que corrói a economia brasileira. Abortarem CPI, grande mídia nacional não deu destaque; jogaram a culpa só nos doleiros, que pararam nas garras da Justiça. Para os Setubal, Bornhausen e outras famílias Mineiras e Paulistas que compunham o “clube dos banqueiros”, nada ocorreram.

Os relatos da lava-jato já se exauriram. Doravante, esclarecerão apenas detalhes de como se processou a “química”, para evitar os órgãos de fiscalização como, por exemplo, o “perfeito” COAFI e Receita Federal. A divulgação pode até se ampliar, com mais nomes, como faz a Rede Globo em suas telenovelas, após constatar que audiência ultrapassou os 40 pontos. “Esticam” o número de capítulos, para segurar o telespectador. A mídia tem alimentado a ansiedade popular, que espera mais delações, com mais nomes de políticos envolvidos ou “repicar”, velhas figuras viciadas num ato contínuo de delinquência contumaz, transgredindo a Legislação Eleitoral.

Como frisou o patrono da corrupção pós-governos Militares, Emílio Odebrecht, o “esquema” começou há trinta anos, a partir da instalação do processo da “redemocratização” no Brasil. Toda classe política hoje, com ou sem mandato, utilizou destes mecanismos para chegar ao poder. O pior é que o povo sabe, e finge que se “choca” quando vê nomes de líderes que eles “mitificaram”, na lista de infratores.

Ao consideramos “bijuteria” tudo que a lava-jato identificou como o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, bloqueando e recuperando dezenas de bilhões de reais – ativos que estavam “guardados” para serem utilizados nos futuros projetos eleitoreiros – são valores (percentuais) oriundos do Orçamento Geral da União. Se somados todos estes desvios dos últimos trinta anos, o montante não atinge sequer 10% do PIB do ano passado, que alcançou 6,1 bilhões de reais ou cerca de 2,3 bilhões de dólares (valores aproximados pela variação cambial). Os referidos 10% do PIB seria 600 bilhões de reais.

Quem leu alguns de nossos artigos neste espaço, deve ter percebido a insistência sobre a ausência dos Bancos, Poder Judiciário; Ministério Público e Polícia Federal, nas delações premiadas. Com relação aos Bancos, basta questionar como se movimentam bilhões de reais senão através deles? Como se transfere dinheiro para paraísos fiscais, sem a participação efetiva e criminosa dos Bancos? Os delatores falam das contas abertas no exterior, e dos depósitos e transferências. Quais os Bancos que fizeram estas operações? Apenas um delator da Odebrecht, revelou que uma funcionária do Banco Central recebeu 5 milhões de Euros. O Brasil tinha uma rede gigante de Bancos locais, regionais; interestaduais… Todos foram “engolidos” pela ganância das corporações financeiras “cartelizadas”, compostas por Itaú, Bradesco; Santander; Banco do Brasil e BNDES, acobertados pelo Banco Central do Brasil (independente) e ditador de regras econômicas que o Governo tem que cumprir. O Banco Central arbitra a inflação e a taxa de juros. Controla o meio circulante (dinheiro). Tem o poder de punir ou promover quem desejar: a cada ano aparece um novo “gênio” surgindo um novo Banco de Investimentos. Nunca fez uma auditoria na CVM – Comissão de Valores Mobiliários que controla a Bolsa de Valores, um dos maiores antros de vigaristas e ladrões do planeta, composta por uma gente inescrupulosa que cinicamente surrupiam diariamente as escassas economias do trabalhador brasileiro, na jogatina de resultados viciados, semelhantes aos Cassinos de países do terceiro mundo. Alguém do Congresso falou em fazer uma CPI sobre as atividades do HSBC no Brasil. O HSBC é considerado contraventor de baixa periculosidade. Antes que o assunto prosperasse, a grande mídia “sufocou”. A instituição fechou suas portas no Brasil e foi embora, temendo “queimar” sua reputação nos grandes mercados (Zona do Euro e Wall Street), por conta de seus clientes e “sócios” investidores tupiniquins. Passou seus ativos para a destemida “gang” composta por Santander, Itaú; Bradesco e as Operadoras de Cartões de Créditos.

O Brasil deve hoje 3,2 trilhões de dólares (internos e externos). Só de juros, arbitrados pelo Conselho Monetário Nacional em sintonia com o Banco Central e seus cúmplices internacionais (taxa selic), o contribuinte brasileiro pagou no ano passado (2016) 1,338 trilhões de reais, correspondente a 43% do nosso PIB. Praticamente metade de tudo que produzimos e arrecadamos, foram para as mãos dos verdadeiros insaciáveis ladrões que roubaram, roubam e continuarão roubando nossas joias preciosas, saqueando o verdadeiro tesouro da nação. Se somarem hoje a bijuteria – todas as propinas e caixas dois de todas as campanhas de 1986 até os dias de hoje dos trinta anos que Emilio Odebrecht se referiu – não representará metade dos juros e serviços da dívida que serão pagos neste ano (2017). Desembolsaremos 1,4 trilhões de reais. Pagamos aos especuladores, terceiro maior juros do mundo, perdendo apenas para falida Grécia e o Líbano, em estado de guerra.

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EXAGEROS

            A mega delação da Odebrecht – algo considerado pela mídia e Procuradoria Geral da Republica como à mãe de todas as bombas (MOAB GBU-43) – analogia a demonstração recente de poder destrutivo dos Estados Unidos no Afeganistão, “operações” que não passaram de exageros, distanciando-se de alcançarem resultados esperados ou alvo desejado. Uma bomba que custa milhões de dólares para o contribuinte norte-americano, matou entre 26 a 60 guerrilheiros provocando baixas inexpressivas num exercito hoje composto por dezenas de milhares de fanáticos. A nossa bomba domestica “Odebrecht” foi um “festim”, apesar da imensa relação de políticos – principalmente sem mandatos – que tiveram suas investigações autorizadas e distribuídos pelo Ministro Edson Fachin para outras instâncias. Pelo que percebemos os acusados finalmente relaxaram. O rito processual evidencia “via procrastinatória”, criado pela própria Justiça, cujo roteiro é um vai e vem sem fim.  O Ministro Fachin devolveu a lista a Procuradoria, para que examinasse e iniciasse investigações (?). O Procurador vai devolver ao Ministro Fachin (sem data prevista) esta lista – passiva de alterações – para este devolver mais uma vez ao Procurador, e somente aí é que se instauram os inquéritos. Depois de concluídos, o Procurador Geral ainda vai decidir quem denunciará. Quando fizer a denuncia, cabe ainda ao Ministro Fachin determinar quem será réu, e só então entram em ação os Advogados. Resumindo: seis anos para  uma sentença. Muitos crimes serão prescritos, como o “caixa dois”, por exemplo.

             Alardeado pelas redes de televisão com sensacionalismo estapafúrdio, a Odebrecht e seus delatores – durante seis dias ininterruptos de massacre – deixou o povo atordoado pelo volume de vídeos, fatos; áudios inaudíveis… Confusão que levou que levou o telespectador a entrar em parafuso e perder o interesse, também pela repetitividade. Nas redes sociais e sua rápida perecividade, o assunto se “exauriu”, tornando-se chato e maçante, ganhando uma linha satírica de humor negro. A corrupção no Brasil é um tumor metastático com células cancerígenas em todos os órgãos que compõem seu “corpo social”. As delações continuam “seletivas” tais quais os “vazamentos”. Ainda não foi citado ninguém do Poder Judiciário, Ministério Público; Polícia Federal ou Bancos. Como se movimenta dezena de bilhões de reais sem a participação dos Bancos? Ricardo Pessoa da UTC chegou a mencionar enfaticamente o nome do Presidente do TCU. Nada? Numa “gravação” – não delação – o filho de Nestor Cerveró “vazou” para TV Globo, áudio de uma conversa com o Senador Delcídio do Amaral. Ouviu-se no diálogo, o Senador com naturalidade que demonstra intimidade, mandar seu assessor ligar para o gabinete do Ministro Fachin (hoje relator da lava-jato), solicitando espaço em sua agenda para ser atendido. Foi o suficiente para ser preso imediatamente, em pleno desempenho de suas funções e gozando dos benefícios do seu foro. Só foi posto em liberdade, depois que fez sua delação, e admitir que “a ligação telefônica” para o Ministro do STF fora encenação de sua parte (sugesta no jargão da malandragem), exibindo poder para conter Cerveró, e o filho de uma delação (?).

            E agora, Dr. Sérgio Moro? Marcelo Odebrecht, seu pai e setenta executivos de sua empresa, mostraram à perversa e criminosa “engenharia” montada para roubar o povo brasileiro. Confirmaram que o ex-presidente Lula e sua sucessora Dilma Rousseff sabiam de tudo, que só eles tinham o poder de mandar parar, acabar com roubalheira ou punir administrativamente seus Ministros e Servidores Públicos envolvidos. Mas, não o fizeram, o que sugere nas entrelinhas que como toda quadrilha tem um chefe, eles seriam este “chefe”? Não têm foro privilegiado e estão à disposição da Justiça do Paraná. O que impede agora suas prisões?

            Com princípio meio e fim, os exageros da mídia puseram a lava-jato em “xeque” diante da opinião pública. De um lado, todos os líderes das quadrilhas que atuaram em forma de cartel (empreiteiros) foram presos e julgados. E seus comparsas que lideravam o lado “político”? Se prenderem Lula e Dilma, vice-versa ou um dos dois, o STF põe na rua no outro dia – concedendo habeas corpus – direito que em seguida será estendido a todos os investigados a partir deste episódio. Se não prender, o roteiro fica comprometido, e por falta de mandante (como em casos de pistolagem) não haverá logicamente o “mandado” ou pistoleiro.

            Nos quatorze anos de governo petista, Lula e Dilma nomearam oito dos atuais onze Ministros do STF. O Brasil é um país enraizado no cristianismo, onde a gratidão é uma das virtudes comportamentais pregadas por todas as gerações, e de pai para filho. Alguém acha que um destes oito Ministros do STF, negaria um favor, ou gesto de gratidão a Lula ou Dilma? Eles foram escolhidos numa lista tríplice e coroaram com êxito suas carreiras ocupando a mais alta Corte de Justiça do País. Devem sim o favor. Teori Zavascki atendeu um destes pedidos, quando Renato Duque (braço do PT no petrolão) foi levado para o Paraná. Concedeu habeas-corpus e o mandou para casa. Mas, uma semana depois, o Juiz Sérgio Moro mandou prendê-lo novamente. Ficou lá até hoje, e o STF silenciou.

            Semana que vem, o Senado Federal aprovará a lei de Abuso de Autoridade. Como a Lei retroage para beneficiar. Todos os denunciados processarão seus algozes do Ministério Público e Polícia Federal. Os Magistrados também, pelo menos dois, que tiveram suas sentenças reformadas. Cabe ao Senado e somente a ele, investigar o STF e abrir processo de impeachment contra Ministros do STF, STJ e TSE. Até o final do ano, pelo andar da carruagem, o jogo estará empatado. E o Juiz Sergio Moro? Qual será seu destino? O mesmo de Joaquim Barbosa, após o mensalão?           

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SINUCA DE BICO

            O ex-governador Ronaldo Cunha Lima, maior mito da história política paraibana do século XX – invicto em todos os pleitos populares que disputou de Vereador a Senador da República – nunca escondeu sua preferência por aquele que seria seu sucessor.  Com bastante antecipação, auge de sua popularidade, elegeu seu filho Cássio Rodrigues da Cunha Lima Deputado Federal Constituinte (1986). Dois anos depois, o “imberbe” parlamentar foi sufragado majoritariamente pelas urnas, como o mais jovem Prefeito de Campina Grande (apenas 25 anos) desde a emancipação política (1864).

            O legado do sucessor custa bem mais caro, que o preço pago pelo conquistador (seu antecessor). Cássio Rodrigues da Cunha Lima renunciou sua juventude, abdicou de uma carreira profissional onde pudesse se realizar vocacionalmente; envelheceu precocemente para ser compreendido por uma geração mais antiga, que compunha o exército Ronaldista; perdeu sua privacidade; moldou-se no perfil que seus seguidores o esculpiram, sem direito de escolha; enfrentou a ciumeira doméstica e familiar; tinha a obrigação de não errar, mostrar competência em acertar sempre nos eventuais equívocos cometidos pelo seu antecessor; manter um estilo sempre ascendente e vitorioso; não perder aliados; vencer obrigatoriamente todos os combates de uma guerra sem fim, sustentando a hegemonia do poder “Cunha Lima”, sobre seus adversários ou inimigos que surgiam a cada dois anos (eleições municipais intercaladas entre as eleições gerais).

            Ronaldo da Cunha Lima se notabilizou pela coragem, usando o dom carismático da palavra, criando paixões nos seus admiradores, através de um forte poder de persuasão – em ampliação permanente – arrastando multidões. Seu sucessor, Cássio Rodrigues da Cunha Lima optou por “ousadia e determinação”, armas para enfrentar dificuldades e superá-las, por mais difícil que fossem as circunstâncias ocasionais.

            Após a derrota imposta por José Maranhão nas convenções do PMDB (1988), o Clã Cunha Lima sofreu um abalo imensurável em seus alicerceis. Queimou uma eleição estadual e José Maranhão obteve mais de 80% dos votos válidos, sendo considerado o Governador campeão de votos no país. Em seguida, um AVC vitimou o poeta Ronaldo (maio de 1999), num dos momentos mais cruciantes da segunda gestão de Cássio Cunha Lima como Prefeito de Campina Grande, candidato a reeleição no ano seguinte (2000). Ronaldo imobilizado, Maranhão avançando sobre os redutos Cunha Lima através da “maquina”, deserções de algumas patentes expressivas… Cássio já estava efetivado como Supremo Comandante das tropas peessedebistas. Teve que se agigantar para segurar o grupo, em processo de esfacelamento. E, num ato ousado – cujos detalhes nunca foram revelados – “desmontou” a principal postulação que lhes fazia oposição com vistas às eleições de 2000 (Cozete Barbosa PT-PB) que compôs sua chapa como vice. Obteve 87% dos votos válidos em Campina Grande, algo inimaginável e surpreendente para os que apostavam no declínio do Clã. Após sua posse (janeiro de 2001) pôs o pé na estrada e percorreu toda a Paraíba por três vezes, até outubro de 2002, pregando sua candidatura ao Governo do Estado. Mais uma vez a ousadia foi parturiente do sucesso. Conseguiu o apoio do Prefeito de João Pessoa Cícero Lucena e a maioria esmagadora do PT que votou no odiado PSDB de Cássio. Para “fechar” a chapa majoritária, abraçou inimigos que os consideravam imperdoáveis: Wilson Braga e Efraim Morais. A grande surpresa e o medo do “tucano” foi um segundo turno, não previsto. Maranhão já eleito Senador, entrou de cabeça com o poder da maquia, desmobilizou Wilson Braga e outras lideranças, equilibrando a campanha cujo resultado foi bastante apertado, pouco mais que 50 mil votos.

            A vitória de 2002, sem a imprescindível participação do poeta Ronaldo Cunha Lima (convalescente de um AVC) justificou finalmente os motivos que o levaram a escolher Cássio como o seu sucessor. Seus dois primeiros anos a frente dos destinos da Paraíba, foram repletos de dificuldades. Tinha um Presidente da República adversário (Lula), que o assediava diuturnamente para se filiar ao PT. Mas, resistiu ao “canto da sereia” e com o “estouro” do mensalão, sepultou em definitivo esta hipótese.

            Reelegeu-se Governador em 2006, enfrentando José Maranhão que comandando o PMDB (2004) havia derrotado o PSDB de Cássio nos principais colégios eleitorais do estado, a partir de Campina Grande. Cabedelo, João Pessoa; Guarabira; Santa Rita; Bayeux; Patos; Pombal; Sousa… Cajazeiras foi uma eleição suprapartidária. Não reconhecendo a derrota, o Senador José Maranhão procurou o “tapetão”: TRE e TSE e arrancou o mandato do “tucano”.

            Fora da vida pública, os inimigos de sempre imaginaram ser impossível para o “tucano” herdeiro do poeta, retornar as atividades políticas. Enganaram-se… Foi a mais fácil de todas as disputas que Cássio enfrentou (2010). As urnas lhes conferiram 1,004 milhões de votos para o Senado da Federal, mandato que só assumiu um ano depois. Mas, em 2014, foi “empurrado” para enfrentar Ricardo Coutinho, pleito que resultou na sua primeira derrota. Os mesmos “personagens” que o empurraram em 2014, estão tentando encurrala-lo agora, instante em que vive o seu melhor momento político. São seus inimigos? Claro que não! São seus amigos, suas próprias “crias”. “Sinuca de bico”… Montar uma chapa “tucana”, para enfrentar o PMDB, legenda com quem o PSDB é oficialmente “casado” desde o impeachment da Presidenta Dilma.  Por conta destas suas “crias”, Cássio tem amargado uma ruptura familiar, deixando o Clã sem identidade própria. Já não existe mais as reuniões conciliatórias na mesa de jantar, ocupando Ronaldo uma das cabeceiras e Ivandro a outra. O motim do PSDB é um movimento para enfraquecer Cássio, ou tirá-lo da vida pública. Se lançar Romero Rodrigues para o Governo do Estado, Cássio terá como fortes concorrentes para o Senado: Ricardo Coutinho, Luciano Cartaxo ou Manoel Júnior; Raimundo Lira; Aguinaldo Ribeiro; Veneziano Vital do Rego… O “socialista” se comporá com José Maranhão, lançando-o ao Governo do Estado, para deixar Cássio Cunha Lima sem mandato. Seus fiéis “amigos” querem deixa-lo sem discurso, como em 2014? O que Cássio dirá contra o PMDB, governo que serve no Senado da República? Vai novamente assumir a “pecha” de traidor, como em 2014? Para o líder e sucessor do poeta, resta a ousadia: uma “mão de rédeas” nos amotinados, mostrando que o barco ainda tem comando, e seu sobrenome “ainda” é Cunha Lima.

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REPÚBLICA DE CINCO PODERES

            Pressionado pelo então Deputado Ulisses Guimarães (1985) Presidente José Sarney admitiu convocar mais uma Assembleia Nacional Constituinte, usando as eleições de 1986 para escolher seus representantes. No auge do Plano Cruzado – PMDB se tornou o maior partido político da América Latina – evento indicava claramente como seria nossa Carta Magna: um conjunto de Leis que eternizasse a legenda e seus dirigentes. Repetiram o mesmo erro do Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco e a Constituição “transitória” de 1967. Castelo Branco, se despedindo de sua curta gestão como Presidente da República – popularidade em alta – rasgou a Constituinte de 1946, a mais perfeita e democrata de todas, e impôs novas regras ao país com vistas a um futuro promissor que se desenhava no final da década dos anos 60 (século passado).

            Sempre olhando o “retrovisor”, Castelo Branco criou o bipartidarismo, extinguindo quinze legendas existentes na época. Diminui o poder e influencia do Parlamento, quando ratificou o fim dos subsídios parlamentares (hoje emendas); Vereadores assalariados só em cidades com mais de 200 mil eleitores; Eleições indiretas para Presidência da República; Governos dos Estados; Nomeações de Prefeitos para cidades consideradas “áreas de segurança nacional”; Banco Central; correção monetária indexando a economia defasada com perdas desde 1960; Casa da Moeda; BNH; INCRA; Polícia Federal; quitou dívida externa e enxugou a interna; Projeto Rondon; MOBRAL; reforma no ensino com inclusão das disciplinas OSPB e Moral e Cívica… Modernizou o país deixando-o pronto para “decolar” (milagre econômico) quando o Brasil cresceu acima de 7% ao ano, nas gestões Costa e Silva e Médici.

            O “calcanhar de Aquiles” de nossa República – desde sua proclamação – tem sido o Parlamento e a corrupção incrustada nele. Getúlio Vargas o fechou por mais de uma vez, juntamente com o Judiciário. Durante período dos governos Militares, só o Parlamento foi fechado, e em algumas ocasiões, por Castelo Branco, Costa e Silva e Geisel. Médici o reabriu para ser empossado, e o deixou funcionar por toda sua gestão, a exemplo do ex-presidente João Batista Figueiredo (governo de transição). Sarney temia uma nova Constituição, mas não quis contrariar Ulisses Guimarães. Escutaram grandes juristas, cientistas políticos do mundo inteiro e na França, receberam a recomendação final: segundo os Franceses, as dificuldades de governarem seu país era a Constituição e seus excessos, pois diferente da norte-americana (sete artigos), a Francesa tinha 35. Ulisses Guimarães Presidiu a que está aí (Cidadã) com 350 artigos. Ao Parlamento foram devolvidas todas as regalias, cortadas por Castelo Branco.

Temendo a volta dos Militares, a Constituição de 1988 “blindou” excessivamente o Poder Judiciário – único no planeta – que abaixo do Divino são inatingíveis. Inexiste hierarquia funcional no Poder Judiciário. Os Juízes (primeira instância) não obedecem a ordens de ninguém (Desembargadores ou Ministros) são inamovíveis e irremovíveis; se tiverem suas sentenças ou decisões reformadas por Cortes Colegiadas, não sofrem nenhum tipo de censura ou punição; tem o poder de prender ou libertar a luz de sua interpretação (?); não há registro de prisão de nenhum Juiz, exceto Nicolau dos Santos (não Togado), do TRT (Justiça Administrativa). Os Poderes Executivo e Legislativo, punem seus subalternos com inquéritos administrativos seguido de exonerações, e cassações de mandatos pelas mesas diretoras da Câmara e do Senado por ausências às sessões, falta de decoro parlamentar, dentre outros atos considerados ilegais.

Com a eclosão da “operação lava-jato” após a primeira delação premiada (Paulo Roberto Costa), o Juiz Sérgio Moro vem desmontando toda a classe política brasileira, deixando a população perplexa, sem opção e nem opinião. Escudado pelo “Foro Privilegiado”, o Parlamento Nacional vive seus piores dias desde sua criação. O Poder Executivo já enxerga perigo real no seu quintal (nove Ministros denunciados e delatados) e o Presidente sendo julgado pelo TSE por compor uma chapa suspeita de ter cometido crime de abuso do poder econômico para vencer as eleições de 2014. O Senado Federal tomou posição de defesa – iniciando uma corrida contra o tempo – na tentativa de aprovar a PEC do “Abuso de Autoridade”, cujo intento é evitar o avanço de outros abnegados da causa “Moro”, como Marcelo Bretas, que não deixará pedra sobre pedra no Rio de Janeiro. O Juiz Bretas, prendeu aquele que um dia foi um dos maiores bilionários do Brasil (Eike Batista), ex-governador Sérgio Cabral e sua esposa; dezenas de ex-secretários de Estado e por último, cinco dos sete Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado, inclusive seu Presidente. O ato parou – por falta de quorum – a Corte de Contas do Estado do Rio de Janeiro, no momento cruciante de sua pior crise econômica da história. Notas de rodapé da grande mídia nacional, apontam a surpreendente “delação premiada” do ex-governador Sérgio Cabral, que envolve 97 “respeitáveis” figuras do Poder Judiciário e Ministério Público. Se isto de fato ocorrer trará um efeito “tsunami”. Inundará toda a Federação, deixando o Brasil ingovernável.

A insegurança Jurídica que permeia o Brasil do momento, é fato inusitado na história. De “fato” são cinco, e não três, os Poderes de nossa República. Poder Executivo, Legislativo; Judiciário; Ministério Público e Polícia Federal. Independentes e inarmônicos. Exemplo mais recente, “operação carne fraca”, deflagrada pelo Delegado Maurício Moscardi da Polícia Federal, que nos trouxe um prejuízo incalculável nas exportações, desemprego, e com certeza falência de alguns frigoríficos. Quem autorizou esta operação? A Superintendência Regional da Polícia Federal? A PF ainda subordinada ao Ministério da Justiça? Osmar Serraglio nada sabia sobre o fato. O Juiz Marcos Josegrei decretou 118 prisões (temporárias e preventivas), interdição de cinco Frigoríficos, a pedido de um Delgado?

Abril de 2017, O Brasil vive momentos “Robespierreanos” (Revolução Francesa). Todos os dias, cabeças vão rolar… Até aparecer um Napoleão, guilhotinar a sonhada liberdade e igualdade, fechar a Assembleia Constituinte e tornar-se Imperador.

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FENÔMENO SORTE (PARTE II)

            Relata a história, que Napoleão Bonaparte nos preparativos para iniciar uma campanha (guerra), recrutava novos Generais e a entrevista final – após aprovação do currículo – era realizada com o próprio Imperador. Indagava do futuro Comandante se ele tinha sorte, acreditava na sorte e relatasse um fato, onde a “sorte” o tinha ajudado. Caso não existisse um exemplo convincente sobre “sorte”, o candidato era dispensado.

Reconhecendo que foi “puxado” por Cássio Cunha Lima e seus hum milhão e quatro mil votos – eleito Senador e não assumindo de imediato – Ricardo Coutinho nomeou para o primeiro escalão do seu governo, dez Secretários indicados pelo líder tucano, gesto que fez cair algumas “pétalas” do “girassol”. Em seguida – pouco mais de um ano após sua posse – a “sorte” começou a dá sinais de cansaço… Cássio Cunha Lima via TSE/STF, conseguiu reformar a sentença de cassação do seu registro de candidatura (TRE-PB), e assumiu sua vaga no Senado Federal (2012). Romero Rodrigues esmagou o PMDB em Campina Grande, elegendo-se Prefeito – isolado e sem a participação de Ricardo Coutinho – nem na chapa, nem no seu palanque. Na Capital, o girassol “muchou”. Estelizabel amargou uma derrota contra Luciano Cartaxo (PMJP). O ano de 2013 se iniciou sob a premissa da volta de Cássio Cunha Lima ao Governo do Estado, considerado imbatível para o pleito de 2014. Ricardo Coutinho vivia seu inferno astral.

            Ex-Senador Vital Filho (PMDB), homem “missão” do Governo Dilma e do PT no Congresso Nacional – coveiro da CPI de Carlinhos Cachoeira e Petrobras – ofereceu-se para assumir o palanque da Presidenta na Paraíba, ao lado de José Maranhão (Senado Federal). Cássio (PSDB) representava Aécio Neves. Ricardo Coutinho (PSB) cerrou fileira ao lado de Eduardo Campos. A candidatura de Vital Filho para o Governo do Estado encontrou forte resistência na legenda (PMDB). Deputados Federais Manoel Júnior e Hugo Mota declararam apoio a Cássio Cunha Lima, e tentaram convencer José Maranhão negar legenda ao Senador. O argumento se assentava na premissa que parte do eleitorado de Cássio, votaria em Maranhão (Senado), o que de fato aconteceu. Mas, o velho Cacique do PMDB “empurrou de barriga” a questão, e permitiu a postulação de Vital Filho, na expectativa de um eventual segundo turno. A “sorte” resolveu aparecer… Ressurgiu, e encontrou mais uma vez Ricardo Coutinho, nas esquinas da vida.

Sem dá motivos para rompimento com Cássio – evitando repetir o erro de Cozete Barbosa – o “socialista” manteve-se como recomenda a filosofia oriental: “inimigo não se pode ter muito próximo, nem tão distante”. Quando Cássio veio anunciar sua candidatura, o fez de forma acanhada, sem um estrondoso e empolgante discurso. Claudicou nas palavras, e não apresentou justificativas para contradizer as insistentes afirmações – durante três anos – que apoiaria Ricardo Coutinho na sua reeleição. Parte do Exército “tucano” já aquartelado no Palácio da Redenção, permaneceu por lá. Além de dezena de Prefeitos, o tio de Cássio, Renato Cunha Lima, encabeçava um motim ao lado dos Deputados Adriano Galdino, Ricardo Barbosa; Damião Feliciano… Até o vice Rômulo Gouveia abandonou Cássio. Engatou “marcha ré”, já próximo às convenções.

O TRE-PB considerou aptos para votarem (2014) 2.834.282 eleitores. No dia 03.10 (primeiro turno) compareceram as urnas 2.334.522. Mais de 600 mil votos não foram computados. Os eleitores não apareceram, anularam seus votos, ou optaram pelo “branco”. Sufrágios válidos: 2.142.040. Cássio caiu do patamar de 1.004.183 (2010) para 965.597. Ricardo praticamente manteve seu desempenho: 942.121(2010) e 937.009 (2014). Vital Filho foi votado por 106.162 e Major Fábio 14.910. O tão sonhado segundo turno, tábua de salvação de Ricardo Coutinho, aconteceu.

 A decisão do pleito (2014) doravante ficou nas mãos do Senador José Maranhão, que após uma derrota na disputa de 2012 pela PMJP, aonde não chegou ao segundo turno, surpreendeu elegendo-se Senador. Ricardo Coutinho “montou” mais uma vez no “cavalo da sorte”… Como bom “Cristão”, Maranhão é dos que perdoam, mas não esquece. Ricardo já o tinha traído e derrotado por duas vezes. Mas, Cássio? Foram sete derrotas consecutivas. Primeiro e segundo turno de 2002, primeiro e segundo turno de 2006; primeiro e segundo turno de 2010 (apoiando Ricardo) e as eleições municipais de 2012 da Capital. Estava na hora de quebrar a invencibilidade do “tucano”. Vital Filho voou para Brasília depois do dia 03 de outubro, e José Maranhão – eleito Senador – abraçou a tarefa de decidir quem governaria a Paraíba. Conseguiu transferir integralmente toda a votação de Vital Filho, para Ricardo Coutinho.

Apurado o resultado do segundo turno, Cássio cresceu dos 965.597 para 1.014.393. Em relação a 2010, apenas 10 mil votos a mais. Ricardo se agigantou de 937.009 e alcançou 1.125.956. Todavia, caiu muito com relação a 2010, quando obteve 1.079.164. Quem cresceu também e para prejuízo de nossa democracia foi à abstenção: 500.260, nulos 184.323 e brancos 192.482.  O total de votos válidos 2.034.879 (fonte TRE-PB). Mais de 800 mil eleitores não quiseram “crivar” na urna eletrônica, o nome de Cássio Cunha Lima ou Ricardo Coutinho. Fato preocupante, e que deve ser levado em consideração pelos candidatos ao Governo do Estado em 2018.

O PSB da Paraíba sempre coube numa Kombi. Três eleições consecutivas, Ricardo Coutinho (como Prefeito e Governador) comandando a legenda, não conseguiu eleger um único Deputado Federal. Eleito e reeleito para o Palácio da Redenção, o “socialista” conta apenas com seis, dos trinta e seis Deputados Estaduais. Será que irá testar mais uma vez sua inesgotável “sorte”? Entregando o governo a Ligia Feliciano e disputando o Senado? Correria o risco de Ivan Bichara Sobreira (1978) e Wilson Braga (1986)? Ou repetira o gesto de Buriti (1982), elegendo-se Deputado Federal? Se Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo não atrapalharem, Maranhão e Cássio voltarão a se juntar num mesmo palanque. Cássio retorna para o Senado, José Maranhão para o Governo, Luciano Cartaxo será puxado pelo “chapão”, que poderá ter Romero Rodrigues como vice. Mas, tem alguém do núcleo tucano boicotando o “acordão”, que culminará em mais uma sortuda (?) vitória de Ricardo Coutinho. Aguardemos.

FENÔMENO SORTE* (PARTE I)

            A “sorte do principiante” é uma das teses do escritor Paulo Coelho que aposta (e se revela como prova viva), sobre a força da fé e obstinação, que resultam na conjunção “mágica” que move o universo, e este conspira em prol de realizações triunfantes. Os mais céticos acreditam que “sorte” é o encontro da oportunidade com a competência.

            Governador Ricardo Coutinho vem “surfando” numa onda gigante de “sorte oportuna” desde o grande desafio enfrentado no pleito municipal de 2004, quando derrotou (em primeiro turno) a ampla estrutura tucana instalada na Capital Paraibana. Surpreendeu a classe política, sobrepujando Cícero Lucena (Prefeito com uma gestão festejada durante oito anos) e o ex-governador Cássio Cunha Lima, no comando do destino do povo paraibano. Sorte? Sim, a sorte “principiante” do “Mago”, talvez tenha sido Avenzoar Arruda, queima-lo dentro do PT, e a suplente de deputada estadual Nadja Palitot ter lhes filiado no PSB – sigla que foi arrancada das mãos do ex-deputado Gilvan Freire – sob seu comando há mais de uma década e que pretendia se aliar aos tucanos. O universo “conspirou” em favor de Ricardo Coutinho, através do seu poder de persuasão, convencendo o ex-governador José Maranhão a desistir de uma candidatura partidária, Manoel Júnior (PMDB) compondo o “espaço” como vice do PSB. Maranhão, estimado na época como “governadora em férias” (2004), investiu no “Mago” para tê-lo como aliado (2006), e abater seu arqui-inimigo – inquilino que o sucedeu no Palácio da Redenção – Cássio Cunha Lima, cuja gestão claudicava, e não vinha sendo bem avaliada pela população. A reeleição do “Mago” (2008) foi um passeio.

Presidindo a comissão do OGU (Orçamento Geral da União), Senador José Maranhão destinou cerca de 300 milhões de reais para obras de infraestrutura na Capital e região metropolitana de João Pessoa. A cidade se transformou num canteiro de obras. As pesquisas mostravam vitória de Ricardo (reeleição) em quaisquer quadros, ou circunstâncias. Dispensou a indicação de vice do PMDB e levou consigo seu amigo Campinense, saudoso Secretário Luciano Agra, desconhecido das lideranças políticas.

            Ao assumir seu segundo mandato (2008) como Prefeito da Capital, Ricardo Coutinho foi surpreendido mais uma vez pela “sorte”. Quarenta e sete dias após sua posse 17.02.2009 o TSE cassou em definitivo o mandato do Governador Cássio Cunha Lima – que havia superado sua fase difícil da primeira gestão – tinha sido reeleito (2006) e estava em “lua de mel” com o eleitorado paraibano.  Ricardo Coutinho entregou a gestão municipal ao seu vice Luciano Agra, e começou a se movimentar com vistas ao Palácio da Redenção. Não existe espaço vazio no mundo político. O PSDB não dispunha de nomes da estatura de Cássio Cunha Lima. O PMDB de José Maranhão assumiu o poder – cometendo o pior de todos os seus equívocos da vida pública – ao esquecer as “sandálias da humildade” e retaliar as lideranças que reelegeram Cássio.

Orgulhoso pela conquista no “tapetão”, Maranhão desprezou as velhas raposas “dependentes” de poder. A orfandade desta gente aos poucos foi instrumentalizando Ricardo Coutinho como forte candidato de oposição no pleito do ano seguinte (2010). O sentimento de Campina Grande, traduzido no seu silêncio por ocasião da cassação do seu governador (Cássio) mostrava com clareza um revanchismo velado – até por parte dos seguidores do então Prefeito Veneziano Vital do Rego – aliado e partidário do PMDB de José Maranhão. Restava só “montarem” da chapa, composta com um sobrenome “Cunha Lima”. Mas, Cássio se recusava, por não perdoar o Advogado Marcelo Weick e o próprio Ricardo Coutinho, que o nomeou Procurador da PMJP, após a primeira cassação no TRE-PB. Entretanto, como sentenciou Getúlio Vargas “em política não existe amigos inseparáveis, nem inimigos irreconciliáveis”, a solução foi “escalar” o então Deputado Federal Rômulo Gouveia – escudeiro Cunha Lima – como vice da chapa de Ricardo Coutinho. Nem “empurrão” da Rede Globo divulgando uma pesquisa fraudulenta 72 horas antes do pleito, mostrando que José Maranhão era vitorioso com 22% das intenções de votos, fez com que o eleitorado consumasse sua vingança contra o TRE-PB e José Maranhão. Ricardo ao lado de Cássio impuseram uma maioria humilhante a José Maranhão: 149 mil votos.

                                                                   *Registro, ou memória histórica.

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A DESPEDIDA DE JANOT

 

Restam apenas 180 dias para terminar o mandato do Procurador Geral da República Rodrigo Janot (17.09.2017).  Despido de fatos históricos marcados por ampla repercussão, a exemplo de seus antecessores Antônio Fernando Barros e Silva de Souza – que denunciou o esquema do mensalão desmantelando uma quadrilha – e Roberto Gurgel, que pediu a condenação e pôs na cadeia 25 dos 38 réus julgados pelo STF, Janot durante seus dois mandatos só apresentou “listas” e pediu prisões do preventivas. Mas, seu último gesto, causará transtornos fenomenais em nossa democracia.

Não vai ter a oportunidade de estar presente (atuando) no julgamento de nenhum dos denunciados das suas duas listas. Seu ato de despedida, entregando ao STF a “super-lista” onde constam os nomes de dois ex-presidentes (Dilma e Lula), Presidente do Senado Federal (atual e seu antecessor); Câmara dos Deputados (o atual e seus três antecessores); seis Ministros do atual Governo; dois do governo anterior; Presidentes e ex-presidentes dos mais expressivos partidos políticos do país; líder do Governo no Senado; quatro Senadores da República; cinco Governadores eleitos no pleito de 2014; dois Prefeitos… Nem o “respeitável” Presidente da FIESP Paulo Skaf escapou (?).

A passagem do Procurador Geral da República Rodrigo Janot pelo Fórum Econômico Mundial (Davos Suíça), na categoria de convidado especial, deixou-o profundamente comprometido com a mídia internacional, que lhes abriu espaço e sua fala foi ouvida por todo o planeta. A OCDE celebrou acordo no ano 2000 com 41 países, responsáveis por 90% do comércio internacional, inspirada na intenção de combater a corrupção alfandegária, impedindo o contrabando, “pirataria”; tráfico de drogas e lavagem de dinheiro oriundo deste cartel criminoso; influencia das gigantes multinacionais corrompendo “estados” e servidores públicos na compra e venda em transações bilionárias (leia-se caso Rolls-royce, Siemens e suas devoluções milionárias ao Governo Brasileiro, Norte-americano e do Reino Unido). O Brasil, por ser o maior produtor e exportador de drogas do mundo, e o segundo maior fabricante e exportador (também contrabandista) de armas leves do planeta – perdendo apenas para os Estados Unidos – segundo dados da ONG Igarapé, tinha que se fazer presente e ser ouvido neste encontro. Infelizmente a lava-jato estava no seu auge, e nossas “feridas éticas” foram expostas para todos os continentes. Roupa suja se lava em casa. Operação Laja-Jato é um assunto doméstico de corrupção política, que aos cuidados das Instituições Brasileiras, culpados serão punidos, leis serão modificadas e se estabelecerá maior rigor na fiscalização do erário público, dinheiro do contribuinte.

Mesmo assim, acreditamos que a intenção do Procurador Geral da República a partir do Fórum de Davos, seria interagir com o combate a corrupção “globalizada”, acordo que tem o irrestrito apoio da União Europeia (Zona do Euro) e Estados Unidos. Porém, literalmente desprezado pela Rússia, China; Índia; África (Saara e subsaariana); Oriente Médio, Golfo Pérsico Alguns países da America Latina e nenhum que compõe a Oceania. Despertado o seu inequívoco patriotismo pela nobreza da causa, o Procurador Rodrigo Janot ensaiou a possibilidade de sua terceira indicação, para continuar à frente da Procuradoria Geral da República. Seu desafio seria enfrentar a classe política (fragilizada) e a sabatina do Senado, onde 12 de seus integrantes estavam “enrolados” na “Lava-jato”, mas ainda sob seu sigilo. Inesperadamente quem furou a “bolha”, foi seu colega Subprocurador Carlos Frederico, que postou no Fórum de discussão virtual dos Procuradores da República – acesso restrito a categoria – a intenção de Janot de “brindeirar”. Termo que se refere ao ex-procurador Geraldo Brindeiro, que passou oito anos no Cargo (Governo FHC), e ganhou de seus pares a alcunha de “engavetador” Geral da República.

No país dos “vazamentos”, a sigilosa postagem do Subprocurador Carlos Frederico foi notícia de destaque do Jornal O Globo, em sua edição de 19.01.2017. O fato assanhou toda a classe política, entendendo finalmente, que era chegada a hora de “botar o chocalho no gato (*)”. A grande mídia nacional, sabendo das intenções de Janot, o elegeu imediatamente como a “solução final” da lava-jato, e de toda a corrupção brasileira. Sem generalizar, e com devidas ressalvas, logo a velha mídia? Eivada de vícios, remunerada pelo caixa 2; que sempre fez vistas grossas a compra de votos; serviu ou serve ainda como “lavanderia” de dinheiro nas campanhas – fato que a torna tão corrupta – quanto ao pobre e ignorante eleitor, que vende seu voto, ou ao ambicioso e festejado “eleito”, que os compra para ter assento no Poder Legislativo ou Executivo.

Teorias de conspirações evidenciam o desejo do Poder Judiciário acumular o Poder Executivo, até as eleições de 2018. É claro que ninguém acredita… Mas, após a lista de Janot, o destino do Governo Temer está nas mãos do Ministro Presidente do TSE Gilmar Mendes. Se a chapa Dilma e Temer for cassada, por abuso de poder econômico, Rodrigo Maia e Eunício Oliveira estarão impedidos de assumirem, por terem sido denunciados no “pacotaço” de despedida do Procurador Rodrigo Janot. O Relator, Ministro Luiz Edson Fachin ainda não se pronunciou, sobre a possibilidade de aceitar ou não todas as denuncias. Todavia, a pressão da mídia – em seus noticiosos e comentários – já considera todos os denunciados como réus.

As “cortinas de fumaças” criadas a partir da pauta do Congresso que votará temas polêmicos sobre reforma da Previdência, limite ou teto dos gastos públicos; leis trabalhistas e novas regras eleitorais para pleito de 2018 irá tirar do “foco”, a lista de Janot. Num momento oportuno destas votações, surgirá o espírito corporativo do Parlamento, que aprovará – mesmo com sobressaltos da mídia – anistia do caixa 2, aliviando o peso da “canetada” de Rodrigo Janot.

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*Botar o chocalho no gato – fábula da sabedoria popular, sobre uma ratazana que estava fazendo um grande estrago num armazém. O desesperado pôs um gato para espantar os ratos. Todos os dias, o gato engolia um ou dois. A ratazana assustada resolveu se reunir para resolver o problema. Depois de longa discussão, um dos ratos sugeriu colocar um chocalho no gato. Assim, saberiam seus passos. Mas, todos perguntaram quem vai colocar o chocalho? Não apareceu o herói. A solução foi o “elemento surpresa”. Todos partiram de todos os pontos, e pularem em cima do gato. O gato correu… 

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Transposição: TRINTA E QUATRO ANOS DE ESPERA

           As águas do “velho Chico” chegaram a Monteiro (PB), ontem 08.03.2017 às 18 hs. Dentro de mais trinta dias, estarão elevando a quota do reservatório da cidade de Boqueirão (Açude Epitácio Pessoa), ora sugando o seu volume morto, para abastecer Campina Grande e municípios do seu entorno, abrangendo a uma população superior a meio milhão de habitantes.

            Mencionamos trinta e quatro anos, porque vimos o “nascedouro” do ambicioso projeto (1984), quando o então Ministro do Interior do Governo João Batista Figueiredo, Mário Andreazza – pré-candidato a Presidência da República – abraçou a ideia de construir um canal de transposição, ligando as Bacias Hidrográficas do Rio Tocantins ao São Francisco (cerca de 400 km), e a partir do “velho Chico”, trazer água para o interior de Pernambuco, Paraíba; Rio Grande do Norte e Ceará, que agonizavam na época, um período de quatro anos ininterruptos de seca. A frente da “empreitada” estava o então Superintendente da SUDENE, Walfrido Salmito Filho, que contava com apoio dos Governadores da Bahia (João Durval); Sergipe (João Alves); Alagoas (Divaldo Suruagy); Pernambuco (Roberto Magalhães); Paraíba (Wilson Braga); Rio Grande do Norte (José Agripino Maia) e Ceará (Gonzaga Mota –Totó). A Secretaria de Recursos Hídricos da Paraíba, criada em 1983 – pioneira no nordeste – era comandada pelo então Secretário José Silvino Sobrinho, que vinha executando o Projeto Canaã, cujo objetivo era perenização dos rios, através da construção de grandes barragens, proporcionando a irrigação; eletrificação rural; piscicultura e abastecimento d’água para povoados e pequenas populações rurais isoladas. Na perspectiva da transposição, José Silvino montou uma “usina” de confecção de projetos, e adequou o Canaã para utilizar as águas do São Francisco como solução definitiva para o problema de abastecimento da Paraíba. Todos os projetos elaborados nesta época foram aproveitados nas gestões de Ronaldo Cunha Lima, Cássio e José Maranhão.

            No ano de 1984, aconteceram às primeiras reuniões na SUDENE onde foi discutida a complexidade da transposição, e se deu início  de seus estudos e projetos. Quem garantia sua execução era o homem que construiu a ponte Rio/Niterói, pré-candidato a Presidente da República, trazendo o melhor dos discursos para o Nordeste: fim das secas. Em um ano, Paulo Maluf mudou o destino do projeto, do país e de Andreazza. Nas convenções do PDS derrotou-o, provocando uma revoada dos “pedessistas” para o PFL, que elegeu Tancredo Neves e José Sarney (1985). Como os Governadores eram os mesmos que apoiariam Andreazza, e a maioria ficou ao lado de Sarney, houve avanço significativo: criaram o Ministério da Irrigação, e seu titular Vicente Fialho ainda chegou a negociar os recursos junto ao Banco Mundial. Mas, veio à falência do Plano Cruzado e maior dos atos impensados do Presidente José Sarney, que decretou moratória aos devedores externos, sepultando com este gesto o projeto de transposição das bacias e das águas do São Francisco.

            Collor de Melo sucedeu Sarney, mas desconheceu completamente o sonho nordestino da transposição. Com seu impeachment, assumiu Itamar Franco, que na busca de apoios, acatou a indicação do então Senador Ronaldo Cunha Lima, nomeando o ex-senador Cícero Lucena para ocupar a Secretaria Especial de Políticas Regionais, vinculada ao Ministério do Planejamento e Presidência da República. O “tucano” tirou o empoeirado projeto da transposição da prateleira, e começou a se mobilizar para toca-lo. Momento do discurso do então Deputado Federal Cássio Cunha Lima, destacado na mídia paraibana esta semana. Contudo, um passo impensado poeta, tirou de cena Cícero: defendeu uma postulação própria do PMDB, contra o candidato de Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso. Cícero Lucena foi substituído pelo ex-governador do Rio Grande do Norte Aluizio Alves. Bastaram seis meses, e o projeto – mais modesto – estava concluído. Cortaram a transposição das águas do Tocantins para o São Francisco, o que gerou revolta na Bahia, Sergipe e Alagoas. Era fim de governo… Assumiu FHC. No seu primeiro mandato, concordou com os argumentos de ACM (BA), que ao lado de Sergipe e Alagoas, boicotaram a transposição apenas das águas do São Francisco. Exigiam a transposição das bacias. No seu último ano de mandato, FHC nomeou Ney Suassuna Ministro da Integração Nacional. Entrevistado pela revista Veja, Ney adiantou que a prioridade de seu Ministério seria construir um pórtico de entrada e saída em todas as cidades brasileira. Suas declarações foram motivos de gozação na grande mídia nacional. Em conversa com seu maior amigo, saudoso Toinho Cabral, sugerimos ele retomar o projeto da transposição. Pelo menos das águas. Toinho provocou um encontro entre Ney Suassuna e o ex-secretário José Silvino Sobrinho (Projeto Canaã), que lhes passou estudos, viabilidades e a inclusão do eixo leste (Monteiro PB), para resolver o problema de abastecimento de Campina Grande. O discurso de posse do Senador no Ministério da Integração Nacional, foi à transposição das águas do São Francisco.

            Ney Suassuna avançou. Fez licitações dos primeiros trechos e iniciou as obras físicas da estação de captação das águas. Mais uma vez veio à paralisação, com sua saída do Ministério. Neste momento entra o Deputado Federal Marcondes Gadelha com o movimento “grito das águas”, precedido de outro “grito da seca” que já tinha sido realizado pelo ex-ministro Aluizio Alves. Com a nomeação de Geddel Vieira Lima (2007) e sob o comando do vice-presidente Jose de Alencar, em três anos foi locada 4,5 bilhões de reais para execução das obras que compreendia 662 km de canais (eixos leste e norte), oito túneis; vinte e sete aquedutos; 4,5 km de adutoras; nove estações de bombeamentos e trinta e cinco reservatórios. Gedel deixou o Ministério em 2010, com o fim do mandato Lula da Silva, e cerca de 60% das obras concluídas. O discurso de sua sucessora, ex-presidente Dilma Rousseff, era a conclusão da transposição até o ano de 2012. Prometeu inaugurar em 2014, o que também não aconteceu. Reeleita as obras foram retomadas mesmo em meio à crise política que a levou ao impeachment. O clamor de outro período de seca prolongada motivou seu sucessor Michel Temer concluir a transposição das águas do São Francisco, eixo leste, contando inclusive com o apoio do Governo de São Paulo, que cedeu seu complexo de captação flutuante do sistema Cantareira, usado na seca paulista de 2015. Registro histórico para posteridade.

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SEM SURPRESAS

 

Em nosso último artigo – postado aqui neste mesmo espaço – comentamos o “encontro” dos grandes “Caciques” da política nacional (protagonistas do momento), que se reuniram em São Paulo, sob o pretexto e ou aproveitando o ensejo, para confortar o ex-presidente Lula, pela perda de sua esposa, companheira Marisa Letícia (03.02.2017).

Infelizmente esquecemos-nos de mencionar o “articulador” do encontro e artífice da “pauta” das conversações. Ninguém menos que o atual Presidente de “fato” do Brasil, Ministro da Fazenda e Previdência Social, Henrique Meirelles.

Desde o pós-guerra (1945), o Brasil só teve três oportunidades de desfrutar de governos genuinamente nacionalistas. Getúlio Vargas, por apenas pouco mais de dois anos, que se suicidou ou o “suicidaram”; João Goulart, igualmente quase pelo mesmo período, deposto pela “quartelada” de 1964; General Emílio Garrastazu Médici: “ninguém mais segura este país…” e “Brasil, ame-o ou deixe-o”. O recado era para direita (impôs com austeridade a paz nos quartéis) e esquerda (caçava e expatriava comunistas). Até hoje considerado o período mais prospero da histórica econômica do Brasil. De 1969 a 1974 o país cresceu entre 7% e 13% ao ano, recorde que nem a China conseguiu ainda, durante cinco anos consecutivos. Expansão em todas as áreas da atividade econômica: agricultura, comércio; indústria; serviços… Exportações explodiram. Médici não admitia intromissões externas, nas questões internas do país e deu os primeiros passos para o projeto da “Serra do Cachimbo” – o que seria nossa bomba atômica – de uma importância geopolítica indiscutível para que o Brasil assumisse uma posição de líder na América do Sul, estendendo sua influência por toda América Latina. Hoje estaríamos no restrito clube das potências atômicas e com assento no Conselho de Segurança da ONU. Índia e Paquistão fizeram as suas, por que o Brasil não teria o mesmo direito? General Ernesto Geisel, sucessor de Médici recuou diante da pressão do mais frágil Presidente norte-americano do século XX, Jimmy Carter. Que foi além, e impôs o compromisso de um governo de transição, fim do AI-5 e eleição de um Presidente Civil (Tancredo Neves/Sarney), sucedendo João Batista Figueiredo.

A volta do “entreguismo” (chavão do velho pecebão) começou com o Governo Sarney, que decretou até moratória da dívida externa, após a falência do “plano cruzado”, que foi um calote na dívida interna. Continuou com Collor de Melo, que confiscou a poupança do povo e foi impedido de governar. Itamar Franco só escapou por conta do escândalo dos anões do orçamento. Mas, em 1993 sua situação era tão insustentável no Congresso, quanto à da Presidenta Dilma Rousseff no final de 2015.  Já se falava em CPI para depô-lo, e em seu lugar assumiria o Presidente da Câmara, Inocêncio de Oliveira. Na gestão FHC (primeiro mandato) a economia se moldava na nova moeda e se desintoxicava da hiperinflação. Houve um crescimento econômico pífio. Tanto que segundo mandato, o país estilhaçou. Em pouco mais de quatro meses, o especulador George Soros – que já tinha quebrado a Rússia e Malásia – atacou o Brasil. Sessenta e oito bilhões de dólares em reservas cambiais evaporaram. O Governo teve que se socorrer do FMI. Empréstimo de 44 bilhões de dólares, para evitar a recessão. Vendeu as principais joias da coroa, privatizando as melhores e mais rentáveis empresas de economia mista do Brasil. Doravante, passamos a ser comandado pelo “braço direito” de George Soros, Armindo Fraga – Presidente do Banco Central – e “monitorado” pelo FMI.

Veio o Governo Lula da Silva e a euforia populista. Todavia, trocamos apenas de “patrão”. Saiu Armindo Fraga, e entrou Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston e um dos mais respeitados frequentador da “Corte” de Bill Clinton. Até o PT esqueceu que Meirelles foi eleito Deputado Federal pelo PSDB (GO) e investiu na vitória de José Serra contra Lula. Entregaram às chaves do galinheiro a raposa? Não tinha alternativas. Havíamos voltado à condição de “colônia” sem percebermos. Meirelles foi o único Presidente do Banco Central do Brasil, com recorde de permanência no cargo, oito anos. Antes de sua volta as terras guaranis, tinha dirigido o Banco de Boston no Brasil, foi “escolhido” para Presidir o Banco de Boston Mundial e fez uma fusão com o Fleet Financial Group, criando um dos grandes conglomerados financeiros dos Estados Unidos o Fleetboston, ligado às oito famílias que controlam o setor bancário da América do Norte, enraizadas no dinheiro velho do capital sionista, onde se vê as “digitais” dos Rothschild. Meirelles esperava ser o sucessor de Lula. Mas, quando não o indicaram, renunciou ao cargo e não aceitou ser Ministro, ou Presidente do Banco Central, gestão Dilma Rousseff. Foi Presidir o grupo JBS (Friboi) e em quatro anos transformou-o na maior empresa de carnes do mundo, com U$ 60 bi em ativos.

Presidente Michel Temer continua assegurando que quer apenas concluir seu mandato. Meirelles topou ser seu Ministro. Como Temer não aponta seu provável sucessor, começa-se a visualizar que Meirelles – superministro – é o mais forte candidato a ter seu apoio. Os efeitos do “encontro” de São Paulo já são enxergados nitidamente. A TV Globo News, sem nenhuma explicação (13.02.2017) pôs no ar uma “Entrevista”, programa que não consta em sua grade, onde a novata Natura Levy entrevistou Henrique Meirelles. De forma direta, o Presidente de “fato”, sem em nenhum momento, citou o de “direito”. Afirmou que iria vender poços de petróleo, aprovar a reforma da Previdência, as Leis Trabalhistas, estimou a taxa de crescimento do país e a queda da inflação. Renata Loprete (cara da lava-jato) com duras posições contra a classe política, hoje com assento no Congresso Nacional, não voltou mais ao telejornal das dez. Em seu lugar – surpreendendo até a equipe de comentaristas políticos – está Natura Levy. A Globo precisa pagar sua folha, e o país em recessão…

José Serra se “desencantou” afastou-se do Ministério das Relações Exteriores, cargo que escolheu para imitar os passos de FHC. Quanto à lava-jato, a última delação foi algo risível. Alexandre Margotto – cabisbaixo como quem mente – se limitava a dizer o que ouviu de Funaro. Não sabia percentual, nunca esteve com os nomes dos políticos que citou, apenas ouviu de Funaro, nada mais. Qualquer Rábula medíocre põe abaixo a fajuta delação de Margotto. A salvação da lava-jato e do Juiz Sérgio Moro, antes que termine tudo em pizza, é prender Lula. Alguém neste país tem coragem de fazer isto?

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O ENCONTRO

            Quando chegaram ao Palácio do Planalto (01/02/2017) informações precisas sobre o quadro real – irreversível – da paciente Marisa Letícia, esposa do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, vitimada por um AVC (acidente vascular cerebral), o sinal de alerta foi acionado imediatamente para um encontro de emergência entre os grandes “Caciques” da política nacional. Eleições em curso para os novos dirigentes das mesas diretoras do Senado Federal e Câmara dos Deputados, homologação da delação gigante da Odebrecht (considerada fim do mundo); prisão de Eike Batista… Nada impediu nem evitou a quebra de protocolo, cancelamento de agendas e compromissos institucionais inadiáveis, para que o Presidente Michel Temer realizasse um voo noturno para São Paulo (02/02/2017), ao lado do ex-presidente José Sarney, José Serra; Renan Calheiros; Romero Jucá… Até outro ex-presidente, Fernando Henrique Cardoso, que em comitiva se dirigiram ao Hospital Sírio Libanês na Capital Paulista, onde já os aguardava outro ex: Lula da Silva.

            A “conversa” durou pouco mais de uma hora. Contudo, “vazou” a informação sobre advertências e apelos de Lula aos presentes: “está na hora de abrirmos o diálogo… A coisa (lava-jato) está indo longe demais… Marisa pode ser apenas o começo”. Dirigiu-se ao Presidente Temer, e se prontificou em participar ativamente de um diálogo amplo com todas as legendas – independentes de cores ou tendência – contanto que se alcançasse o objetivo comum exigido no momento: celebração de um pacto cujo “compromisso” se assentasse na união de todos em nome de suas sobrevivências política. Oferecendo provas de sua disposição em levar a cabo seu propósito, Lula determinou a sua “militância”, silenciar imediatamente a campanha na mídia e redes sociais sobre o “golpe” (Impeachment de Dilma).

            Presença do octogenário ex-presidente José Sarney – que imaginávamos descansando em sua casa na Praia do Calhau em São Luis – MA – nos levou a fazer uma analogia sobre um dos principais personagens da trilogia de Mario Puzo (Vito Corleone) no seu primoroso romance sobre a Máfia (Poderoso Chefão), primeiro episódio, interpretado no cinema pelo famoso ator Marlon Brando.

            José Ribamar Ferreira de Araújo Costa continua sendo um dos maiores fenômenos da política de “bastidores” do Brasil, sem sucessor a vista. Em sua biografia, dois mandatos de Deputado Federal pelo Estado do Maranhão, quando era conhecido como Zé de Sarney, escudado no nome de seu pai, Desembargador Sarney da Costa. Alcançou precocemente a invejável posição de vice-presidente da extinta UDN, legenda que fez dura oposição ao Governo do ex-presidente João Goulart, e apoiou a “quartelada” que o depôs (1964).  Elegeu-se Governador do Maranhão com o apoio irrestrito dos Militares (1965), eleição “curiosamente” Presidida por seu pai, Desembargador Sarney da Costa. Cinco Mandatos de Senador da República, um de Presidente do Brasil e por quatro vezes Dirigiu o Congresso Nacional.

             Apaziguador e conciliador, através da “confabulação”, conseguiu se manter no Poder como Presidente da República, e esticou seu mandato por um ano. Foram cinco anos de Sarney, que para conter a ansiedade de Ulisses Guimarães – que o boicotava e tentou “abortar” sua posse – com o falecimento de Tancredo Neves, e evitar um retrocesso com a volta dos Militares, convocou uma Assembleia Nacional Constituinte nas eleições de 1986. Usando o Plano Cruzado (estelionato eleitoral) e calote na dívida pública, elegeu 23 dos 24 Governadores de então, e transformou o PMDB no maior partido político da América Latina (1986). Terminou sua gestão (1989) de forma melancólica, deixando o país endividado, com uma hiperinflação que corroeu todas as riquezas da nação, falindo os grandes empreendedores surgidos no início do século XX. Porém, nunca foi ameaçado por impeachment, ou CPI. Sempre contou com apoio incondicional do parlamento. Voltou ao Senado em 1991, pelo Estado do Amapá, que criara na Constituinte de 1988. Previa ser derrotado no seu Estado, Maranhão. Na crise que levou ao impeachment do Presidente Fernando Collor de Melo, ainda enviou um recado para seu arqui-inimigo, convidando-o para uma “conversa”, onde salvaria seu mandato. O incrédulo Collor confessou em entrevista ao Jornalista Geneton Moraes, que foi seu único erro: não ter procurado Sarney. Escândalos no Governo Itamar Franco (anões do orçamento da União), SIVAM (Governo FHC); leilão das Telecomunicações (FHC); Painel eletrônico do Senado (FHC)… E até onze pedidos de impeachment contra o Presidente tucano, foram todos arquivados, juntamente com inúmeras tentativas de CPI, tendo o PT de Lula à frente das empreitadas, todas frustradas via “manobras” de Sarney que Presidia o Congresso.

 Desobedecendo a orientação do seu partido (PMDB) o “Dom” Sarney apoiou a eleição de Lula (2002). Logo estourou o escândalo do mensalão, CPI dos Correios e dos Bingos… Lula bem mais esperto que Collor, procurou Sarney que lhes assegurou a conclusão do seu primeiro mandato e sua reeleição. Prometeu-lhes que o deixaria em casa (São Bernardo do Campo), e o fez, após a posse de Dilma Rousseff.

            Resultado do encontro do Sírio Libanês já começou a surtir efeitos. “Dom” Sarney agindo como o “Corleone” de Puzo, começou a se reunir com as “famílias” (partidos). Ouvindo suas queixas, minimiza as discórdias, divide o “bolo” (cargos do governo) de modo mais justo. Mas, pede em troca apoio, e aponta para que todos enxerguem: o inimigo é a Lava-Jato. Eleição de Edison Lobão para CCJ do Senado, e posse de Wellington Moreira Franco foi um recado direto ao Poder Judiciário, para aumentar sua vigilância no denuncismo extravagante do Procurador Geral Rodrigo Janot. Dos três Poderes de nossa República, dois estão unidos de forma siamesa: Executivo e Parlamento. O Judiciário ficará fora? Decisão de um Juiz de primeira instância proibiu publicação ou divulgação de qualquer “vazamento” que envolva a figura do Presidente Temer. Com as “famílias” aquinhoadas e ocupando espaços no Governo, os Parlamentares esquecem a “lorota” sobre “opinião pública”. Hoje no Congresso Nacional o Presidente Temer conta com 80% de apoio das duas Casas, para votação de temas polêmicos ou impopulares. Breve se inicia a “temporada” de Habeas Corpus da Lava-Jato e reforma em suas Sentenças via TRF (RS), STJ e STF. Cortes composta por brilhantes Juízes revisores, meros desconhecidos das listas de famosos, ou como palestrantes “ilustres” das grandes Universidades dos Estados Unidos e Europa.

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FALTA ALGUÉM EM CURITIBA

            A mais longa investigação com registro na crônica policial brasileira se aproxima de três anos, com muito barulho na mídia, caos na classe política e o desencadeamento de uma crise econômica sem precedentes na história do sofrível e combalido Brasil, que ora padece momentos de estertores de sua jovem democracia – em estado de coma – precocemente agonizante aos 26 anos de existência. Lava-Jato não tem prazo para ser concluída, nem sinaliza quando irá identificar e prender o “chefe” ou “chefes” de todo um esquema de corrupção, que se instalou na Petrobras e em tantas outras instituições, como Nuclebras, Estado do Rio de Janeiro… A Justiça alcançou Ex-ministros de Estado, funcionários públicos; Executivos de Empreiteiras; Funcionários Públicos graduados e os maiores empresários da nação, responsáveis por pagarem impostos para manter a máquina judicial que paradoxalmente está os dizimando. Todos foram rotulados como ladrões do erário público e tiveram suas imagens maculadas com prisões televisivamente hollywoodianas, que lhes conferiram o status de “suspeitos de sempre”. Quem doravante, irá investir no Brasil?

A recompensa pelo “esforço” tem sido momentos de celebridade documentados pelos holofotes da mídia internacional. Comendas, honrarias e homenagens destinadas a Justiça Federal de Curitiba; Procuradores no Fórum de Davos (estranho no ninho) ensinando regras em palestras, sobre combate à corrupção de hoje, na tentativa de reinventar a roda, praticas que nada diferem do antigo Senado Romano que assassinou Julio Cesar. Haja confetes para um minúsculo salão, com poucos foliões.

Como se não bastasse toda a “fanfúrria”, acidentes aeronáutico com morte do Ministro Teori Zavascki (STF), ampliou clima de conspiração, medo e sabotagem – ora vivido no país – semelhante ao denuncismo em cadeia da era do Macarthismo nos Estados Unidos (1951/1955), movimento de ordem ideológica que apimentava a guerra fria. Joseph McCarthy, Senador pelo Estado Wisconsin, era o anticomunista (medíocre) tão sonhado e necessário aos planos do esquizofrênico J. Edgard Hoover (FBI) que para se eternizar em seu cargo, precisava fazer uma varredura na América, impedindo a expansão de uma “onda vermelha” que nunca existiu. O patriota Jornalista Edward Murrow, ironicamente cometeu o erro de projetar o McCarthy, contribuindo para sua rápida ascenção – tornando-o o homem mais temido dos Estados Unidos. Repetiu Taras Buba, matando sua própria cria com meia dúzia de editoriais, quando percebeu que McCarthy era um alcoólatra, usada pelos Procuradores que tinham extrapolado os limites da lei, atropelado a constituição, deixando toda uma nação num estado de pânico, repleta de “suspeitos” e ou “dedo duros”, amedrontados com a cadeia e a cadeira elétrica. Milhares de processos foram extintos. Não restou nenhum preso nas cadeias americanas (a partir de 1957) quando a Suprema Corte revisou e reformou todas as sentenças prolatadas, com base no denuncismo da turma de McCarthy.

O Tribunal Regional Federal da quarta região (sede em Porto-Alegre) começou a reformar sentenças do Parará, libertando inocentes, arquivando processos carentes de provas, cujas inspirações se assentavam no afã de “resultados vitrines” punindo “delatados”, através de meras insinuações de delatores.  A “Operação Lava-Jato” começou 17.03.2014 com a prisão do “doleiro” Alberto Youssef – criminoso reincidente pela prática de “lavagem de dinheiro” – detido no estado do Maranhão com 1,4 milhões de reais, para comprar viabilidade do pagamento de um precatório de 113 milhões de reais da UTC, divido em 24 parcelas. Na cadeia, após quebrar as regras de seu regime de liberdade, Youssef mostrou trilhas do PP-PR que levavam a Petrobras. Daí, a operação tomou os mais diversos rumos, criando inúmeras veredas, não sabendo mais aonde nem como chegar ao destino final de sua trajetória.

O fato que intriga a todos é a ausência dos Bancos, seus Executivos e proprietários, num processo de escândalo financeiro, considerado um dos maiores do mundo. Nenhum Banqueiro ainda foi preso. Não se movimenta clandestinamente dezenas de bilhões de dólares e reais, sem a cumplicidade desta agiotagem oficial, privilegiada pelos Poderes da República, protegida pela mídia e acobertadas pelas “elites econômicas” do país. Neste aspecto, o Mensalão foi bem mais eficaz. Pôs na cadeia toda a diretoria do Banco Rural, que agiram de modo tão criminoso quanto os delinquentes punidos pelos desvios. O Juiz Sérgio Moro mostrou ao Brasil que cadeia abriga também “poderosos”. Mas, os ricos ou piores ladrões – que manipulam ativos financeiros – Bancos, Casas de Câmbio; Corretoras da Bolsa de Valores; Bancos de Investimentos e Operadoras de Cartões de Créditos que estão envolvidos em todo este lamaçal de corrupção permanecem a salvo da austeridade dos Procuradores de Curitiba.  

Quem viabilizou financeiramente os envolvidos com corrupção da Lava-Jato? Créditos fictícios ofertados pelo BNDES, Bancos de primeira linha como Itaú, Bradesco; HSBC (já pulou fora); Santander; Banco do Brasil; Caixa Econômica Federal… Infelizmente esta gente (Banqueiros) vigiada e fiscalizada em todo o planeta, no Brasil está acima de qualquer suspeita. Para que a Lava-Jato conclua seu roteiro teledramatúrgico, com começo, meio e fim, está faltando em Curitiba à presença dos Bancos, verdadeiros “operadores” do megaesquema. O Juiz Sérgio Moro, estudioso da “operação mãos limpas” da Itália, deveria lembrar e se debruçar sobre o escândalo da Loja Maçônica P-2, que envolveu políticos, bandidos mafiosos e até o Vaticano. Papa João Paulo I, com pouco mais de um mês de Pontificado, foi assassinado como queima de arquivo.  

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EQUIVOCADOS

A insistência do Deputado Federal Veneziano Vital do Rego, em convocar uma reunião para forçar o Senador José Maranhão tomar decisão precipitada – com vistas ao pleito de 2018 – não passa de um processo movido pela ansiedade do Senador Raimundo Lira, que após desfrutar mais um momento de “celebridade nacional”, tenta criar “musculatura” para continuar no espaço que ora ocupa.

Exímio enxadrista da política paraibana, o Senador José Maranhão é um colecionador de vitórias e derrotas, sempre na mesma legenda: PMDB. Nem o saudoso Ronaldo Cunha Lima teve força suficiente para arrebatar a legenda – na época já em mãos do “cacique brejeiro” – perdendo duas convenções e “queimando” uma eleição majoritária (1998). O fato levou o poeta abandonar a sigla de sua paixão, que antes do “P” (MDB), lhes consagrou como líder carismático na mais brilhante de suas vitórias, quando derrotou o imbatível Severino Cabral, no pleito mais surpreendente da história política da Rainha da Borborema (1968). Será que o Senador Raimundo Lira não enxerga estes fatos, dos quais foi testemunho?

O mais estranho é observarmos gente tão experiente, se comportarem como amadores, movidos por alguém bastante esperto – que entende de tudo – desde que o tema não seja “política” e “popularidade”. Senador Raimundo Lira manobrou bem (1986) quando foi eleito ao lado de Humberto Lucena, puxados pelo ex-governador Tarcísio de Miranda Buriti. Sua “esperteza” na época foi “colar” como a segunda opção de Wilson Braga, que se considerava eleito. Mas, quem votava no PMDB do “plano cruzado” escolhia a chapa fechada: Buriti, Humberto e Lira. Wilson Braga indicou de ultima hora como seu companheiro “figurativo”, claudicante Maurício Brasilino Leite, completamente desconhecido pelo povo paraibano. Braga acreditava que uma vaga seria da oposição (Humberto) outra da situação, ele próprio.

Na casa da família “Mota” (Patos PB), formou-se uma mini-oligarquia regional, graças ao apoio do Senador José Maranhão, nas ocasiões em que esteve como inquilino do Palácio da Redenção. Foi igualmente desfrutando deste mesmo tipo de prestígio, que os “Regos” viveram seus melhores momentos de sua trajetória política, derrotando seu adversário histórico (Cunha Lima) por duas vezes em Campina Grande, quebrando uma sequencia de vitórias ininterruptas ao longo de vinte e dois anos. Dizem que o povo tem memória curta. Será? Bem curta mesmo, são a dos políticos militantes, na ânsia de se perpetuarem em seus mandatos. Qual a razão ou sentido de “Motas” e “Regos” estarem dispostos a defenestrar o Senador José Maranhão do comando PMDB da Paraíba?

Os “Motas” depois do insucesso em Patos (2016) com a volta dos Wanderley a Prefeitura Municipal, estão a procura de bases, para completar os sufrágios necessários que reconduzam (2018) um Deputado Estadual e um Federal. Quanto os Regos? Não tem explicações ou justificativas. A matriarca do clã é suplente do Senador José Maranhão. Veneziano e seu irmão – hoje Ministro do TCU – tiveram apoio irrestrito do “cacique brejeiro” em todas suas aventuras políticas, onde sempre lograram êxitos. José Maranhão não pôde festejar da mesma forma: amargou pelo menos, duas grandes derrotas humilhantes em Campina Grande (2006/2010), período da popularidade em alta do clã Rego em Campina Grande.

Estão todos equivocados. A sucessão do Governador Ricardo Coutinho passará inevitavelmente pelas mãos do Senador José Maranhão, que deseja governar mais uma vez a Paraíba. Se conseguir celebrar uma aliança com os tucanos e o Prefeito de João Pessoa, a chapa será Maranhão, Cássio e Luciano Cartaxo. O resto…

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IMPOSTORES

            As manifestações (in) populares, promovidas por um punhado de baderneiros frente à Câmara Municipal de Campina Grande – exibindo falsa e inexistente cidadania consciente – questionando com veemência o aumento salarial do Legislativo Mirim da Rainha da Borborema, não passou de um ato de vandalismos – ilustrado com encenações grosseiras – representadas por “atores” medíocres, tentando interpretar uma reação popular. Pelos vídeos postados nas redes sociais, ninguém da “trupe” tinha a cara de “povão”. Estiveram ali os “pelegos” de sempre (escalado pelos Sindicatos) e os “sinecuristas de plantão”, tentando se acomodarem no “velho cabide”. Alguns neófitos estreantes no mundo político, também engrossaram o destoante “coro”, à procura de uma prebenda (boquinha) atividade comum no setor público, que criou o vicio da ociosidade remunerada.

             O povão que elegeu toda a bancada da Casa Félix Araújo, se sente bem pago pela sua atividade “cívica” de ter ido até uma urna, e cravar seu voto naquele que o ajudou com tijolos, telhas; cimento; três recibos de água e luz atrasados; quitação do IPTU; emplacamento de veículos e motos; carteiras de habilitações… Fora os “clientes” permanentes da área de Saúde e Jurídica: divórcios, pensões e habeas corpus. Nenhum voto para Vereador foi gratuito. Todos foram pagos de uma forma ou de outra. Mesmo quem não recebeu no período, ganhou uma promessa ou esperança de um emprego.

            A prática vem desde que os Vereadores voltaram a ser remunerados, no final dos anos setenta, século passado. Antigamente, mesmo com este “modus operandi”, uma ou duas vagas da Câmara Municipal de Campina Grande era reservada aos bons profissionais da mídia (Rádio e TV), que desfrutassem de grande audiência. Da velha guarda, lembro-me de Ari Rodrigues. Depois vieram Evilásio, José Cláudio; o companheiro Marcos Marinho… Até um Deputado Estadual foi eleito (1986) só em Campina Grande e através dos microfones da Rádio Caturité: saudoso Leonel Medeiros. Nas eleições de outubro último, o grande comunicador Abílio José, com mais de quinze anos ininterruptos frente às Câmeras da TV Borborema, não conseguiu sufrágios suficientes para ocupar uma das cadeiras do Parlamento Campinense.

            Os tempos não mudaram, mudou o eleitor, que a cada dia se torna mais analfabeto, quando o assunto é eleição e política. Desprezam por completo sua escolha no nome de quem o representará. Optam pela venda do seu voto, ou o troca por favores, o que dá no mesmo.

            É irritante ouvir diariamente desta gente (impostores midiáticos) críticas ou comportamento hipócrita ao comentarem o quotidiano dos membros dos Legislativos Mirim, Estadual e Federal: “não fazem nada e ganham rios de dinheiro”. Todos sem exceção são meros repassadores de tudo que recebem. Tentem ser Vereador por um dia! Amanheçam com a casa cheia, onde tem que aparecer dinheiro para resolver as mais diversas demandas trazidas pelos “eleitores fiéis”. Durante quatro anos de mandato, o Vereador atende no mínimo cinco vezes por ano, pedido dos seus “guerreiros” da primeira hora. Isto, sem se levar em conta, as “lideranças” ou “cabos eleitorais”, que tem o custo de manutenção semelhante a um casamento, onde só um dos cônjuges trabalha: no caso, o Parlamentar.

            Não há nada de errado no aumento salarial de Vereadores, Deputados Estaduais; Federais e Senadores. Manter-se em seus cargos (hoje empregos) requer bastante dinheiro para alimentar uma alcateia de lobos eternamente famintos.

            O erro incorrigível está no sistema, onde o voto é obrigatório, contrariando a ampla liberdade que nos assegura a Constituição. Outro paradoxo é a punição por compra de votos. O sufrágio secreto e universal hoje é vendido, e não mais comprado. O político que compra votos é corrupto, o eleitor que o vende não é? Qual o eleitor que foi punido por vender seu voto? Por que o Ministério Público Eleitoral não denuncia os “vendedores de votos”? A lei que pune o corrupto criminaliza também o corruptor. Quem é o mais corrupto nos dias de hoje? O candidato ou o eleitor?

            Ah! Antes que esqueça: falta “cojones” no Presidente da Câmara Municipal de Campina Grande e na maioria de seus membros. Estão exercendo o seu papel de Legisladores… O que os impede de aumentarem seus salários e implantarem o décimo terceiro? O Judiciário não escuta ninguém quando usa de suas “prerrogativas”. Porque o Legislativo tem que ouvi-lo e consultá-lo? Quanto ao povo? Não estão nem aí… Se não faltar dinheiro, todos os atuais Vereadores serão reconduzidos em 2020. Chega de lirismo! Quem muda é povo, e pelo visto, não querem mudar. Tudo continuará como d’antes, no quartel do Abrantes. 

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RENÚNCIA TÁCITA

O suplente de Deputado Federal André Amaral (PMDB-PB), que esteve recentemente exercendo as funções parlamentares do titular licenciado Veneziano Vital do Rego (candidato derrotado a Prefeito de Campina Grande), poderá assumir em definitivo a vaga como representante da bancada paraibana, com a “renúncia tácita” do Deputado Federal Manoel Júnior, eleito em 03 de outubro último vice-prefeito de João Pessoa.

Além da opinião do site www.justicaemfoco, da Capital Federal, especializado na área e acessado por todo meio jurídico do país, respondendo uma consulta feita através de um partido do Estado de São Paulo, particularmente apontamos outro exemplo ocorrido no vizinho Rio Grande do Norte, nas eleições municipais de 1988, quando a então Deputada Federal Vilma Maia conquistou o mandato de Prefeito da Capital Potiguar. Por ironia, seu vice era primeiro suplente, ex-deputado federal Ney Lopes de Sousa, além de Professor, uma das maiores referencias em matéria de “Direito Constitucional”, que Presidiu a CCJ da Câmara dos Deputados. Vilma Maia teve que renunciar para ser diplomada. Ney Lopes foi convocado imediatamente e abdicou “naquele momento” seu direito de assumir, deixando o ex-prefeito Marcos Formiga – segundo suplente- ocupar sua vaga. Um ano depois, rompendo com a Prefeita que fora sua companheira de chapa, requereu como Primeiro Suplente sua vaga no Parlamento, ato que foi deferido diretamente pela mesa da câmara.

A matéria do site www.justicaemfoco nos chamou à atenção pelo que afirma o artigo de capa de Ronaldo Nóbrega: “renuncia tácita”, que abaixo transcrevemos:

por Ronaldo  Nóbrega

Sabemos, em atenção à nossa Constituição Federal, que os deputados federais eleitos para prefeitos e vice-prefeitos terão de renunciar ao cargo na Câmara, para serem diplomados e tomarem posse nos respectivos municípios, no dia 1º de janeiro de 2017.

No entanto, alguns dos quatro deputados eleitos vice-prefeitos nas eleições municipais de 2016 no Brasil, buscam acúmulo de mandatos. Tudo isto porque o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não tomou conhecimento de dezenas de consultas, com base no Art. 23 do Código Eleitoral – Lei 4737/65, mais precisamente o inciso XII, que diz: responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por autoridade com jurisdição, federal ou órgão nacional de partido político.

Entretanto, os ministros do TSE consideraram que não é matéria eleitoral, mas constitucional, portanto o não conhecimento das consultas que lhe são feitas.

Obviamente, visando evitar um Teatro Eleitoral ou embaraçar o exercício do sufrágio, o art. 29, inciso III, da Carta Magna de 1988, exige a posse do Prefeito e do Vice-Prefeito no dia 1º de janeiro do ano subsequente ao da eleição.

Daí, cremos que renúncia tácita ao mandato aconteceu com a proclamação dos resultados das eleições. O deputado eleito vice-prefeito, sabia que estava diante de um processo eleitoral para um novo cargo, de ato irrefutável, que comprovaria a sua renúncia tácita ao mandato. Trata-se, agora, de posse consequente, em respeito à aferição do resultado de uma eleição.

Como se pode ver, a renúncia tácita ao mandato do eleito para o novo cargo fundamenta-se no interesse coletivo, com os resultados das eleições, o deputado agora será útil para o cargo para o qual foi eleito a vice-prefeito. A evolução do processo eleitoral vem crescendo. É necessária a repressão às ações que coloquem qualquer questionamento sobre a eficácia do processo. Após depositar o sufrágio na urna, não há mais espaço para arrependimento, para atender a interesses pessoais de vice-prefeito eleito, conjuntamente com o prefeito, para um mandato de quatro anos.

E por falar em arrependimento, em entrevista do Ministro Marco Aurélio Mello (STF) abril de 2016, ao jornalista Guilherme Cimatti da rádio Globo foi-lhe perguntado: O que é a vida? Marco Aurélio, respondeu: “A vida é autuação com honestidade de propósitos e buscando servir aos cidadãos; é finita, ela tem um termo final e poucos percebem isso. E não há espaço nesta vida para arrependimento, pra você voltar o relógio do tempo e fazer o que você deveria ter feito e não fez”.

Assim, a eleição do deputado a vice-prefeito, conforme a Constituição, o levou à renúncia tácita do mandato de deputado. Se estivesse em dúvida, se deveria ou não continuar, a ordem democrática do processo eleitoral deu-lhe a melhor oportunidade, antes do sufrágio na urna, para desistir de disputar ao cargo de Vice-Prefeito: a coligação o substituiria, até 20 dias antes do pleito (Lei das Eleições 9.504/1997).

Podemos dizer, com toda a segurança, que é patente, explícita, irrefutável e facilmente perceptível, o fato que leva à renúncia tácita, ou seja, decidir manter-se na corrida eleitoral para o cargo de vice-prefeito, sabendo da cessação do mandato de deputado federal em 1º de janeiro de 2017, já que o eleito vice-prefeito deve tomar posse junto com o prefeito em respeito à norma maio (Constituição Cidadã) que depende de perene e redobrada vigilância. Ela, não autoriza a super-representação.

Não é necessária muita ginástica intelectual para se perceber o que a Constituição de 1988 determina, sob a luz do artigo 29º, inciso III: a posse do prefeito e vice-prefeito, em 1º de janeiro de 2017, para tutelar a legitimidade e normalidade do pleito, a natureza jurídica e a relevância do princípio da alternância no regime democrático.

 

Certamente provocado, o Poder Judiciário, com o intuito de inibir o “monopólio do poder político”, saberá dar uma resposta.

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VÉSPERAS DO CAOS

            Qual será o destino de mais de meio milhão de habitantes (Campina Grande e seu entorno) a partir de Janeiro, quando definitivamente secar o reservatório de Boqueirão? A vida que segue – quotidiano das pessoas – não lhes permite perceberem que estão prestes a conviverem com a pior de todas as crises, que é a falta d’água para beber. Dificilmente o restante do volume morto do reservatório Epitácio Pessoa alcançara meados de Janeiro. De onde virá à água para o consumo humano? O animal, nem pensar. A população terá que ser removida? Para aonde? E a geração de renda oriunda da irrigação de hortifrutigranjeiros? Quem alimentará esta gente? O problema é bem maior que o imaginado.

            Providências mínimas ainda não foram tomadas pelos governos municipal e estadual, como por exemplo, Decreto de Estado de Calamidade Pública e Emergência e seu reconhecimento pelo Governo Federal. O tema foi abordado durante todo o ano pela mídia paraibana. Em Campina Grande, somente o Vereador Lula Cabral, Presidente da Comissão de Recursos Hídricos da Câmara Municipal tem enviado sinais de alerta aos Ministérios da área e Presidência da República. Para decepção de todos, Lula Cabral disse que mesmo diante desta ameaça – prestes a se consumar – nunca conseguiu reunir a comissão que preside para debater o tema (?). Descaso sem precedentes do Legislativo Mirim, que não larga o “osso” do “clientelismo”. Meu Deus! O quadro nos lembra da “Triste Partida”, música de Luis Gonzaga Rei do Baião: “setembro chegou…Outubro e novembro/ já estamos em dezembro meu deus o que é de nós…” Em pleno século XXI, onde se vive os sinais ou efeitos da quarta revolução industrial, mais de meio milhão de habitantes de uma cidade próspera, polo educacional, comercial e industrial está prestes a ser desertificada pelo mais elementar dos motivos: falta d’água.

            Debruçados sobre os mapas eleitorais do pleito de outubro ultimo (2016), na busca de fortalecerem suas bases, com vistas a um retono confortável em 2018, trinta e seis Deputados Estaduais; doze Deputados Federais; três Senadores da República; Prefeito de Campina Grande – mais outros seis ou sete que dependem das águas de Boqueirão – esqueceram até de clamar pelo Governo do Estado para encabeçar um movimento, que evitasse o flagelo que se avizinha. Quanta maldade tem feito nosso modelo democrático, ao povo que elege seus representantes…

            No ano de 1993, Fortaleza (CE) se viu ameaçada pela falta de abastecimento d’água, como está hoje Campina Grande. Na época sua população era do tamanho da Rainha da Borborema e seu entorno: 600 mil habitantes. O Governador do Estado era um jovem, com pouco mais de trinta anos: Ciro Gomes. Decretou Estado de Emergência e direcionou todos os recursos disponíveis do Estado para o “canal da salvação”, com um prazo de 100 dias, para a água do Vale do Jaguaribe – captada a distancia de 280 quilômetros – chegarem às torneiras da Capital. Mobilizou toda a classe política, e “arrancaram” recursos da reserva disponível em orçamento do Governo Federal, destinadas especificamente para casos de Estado de “Calamidade Pública”. Criou uma “frente de emergência”, gerando milhares de empregos, e a obra teve sua licitação dispensada, como acata a lei, e foi executada por Administração Direta. Ciro Gomes e sua “vontade política” não pararam por ai. Pediu socorro a Embaixada dos Estados Unidos, e conseguiu trazer a maioria da tubulação, bombas e técnicos que instalaram na Arábia Saudita em 90 dias, uma adutora para abastecer o contingente das tropas americanas, mobilizadas para guerra contra o Iraque (gestão do Presidente George Bush pai), cujo objetivo era expulsar as tropas de Sadan Hussein que haviam ocupado o pequeno e desarmado Kuwait.

            Campina Grande hoje dispõe de dois importantes Senadores da República. O líder do PSDB e o Presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. Cinco dos doze Deputados Federais completaram os votos de suas eleições ou reeleições na Capital do Trabalho. Um Governador que deve sua eleição e também reeleição a confiança dos Campinenses. Um Prefeito reeleito com uma maioria esmagadora (até humilhante) sobre seu principal adversário, que é do PMDB do Presidente Michel Temer, e posicionou nossa cidade num dos principais redutos “tucano” do nordeste. Toda essa gente está cega, ou não tem força política para salvar a cidade do caos? O que falta para se reunirem e discutir uma solução para 100 dias? Qual o plano “B”, caso as chuvas previstas não aconteçam, e as águas da transposição não cheguem no tempo oportuno? A partir de Janeiro, as indústrias que dependem de água, vão fechar suas portas. Férias coletivas, ou demissão em massa. Seca, desemprego e crise econômica nacional transformarão a Capital do Trabalho, no gueto da fome e miséria disseminada.    

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RESSARCIMENTOS

            Como se não bastasse à precariedade explicita dos Planos de Previdências Privadas – após a falência do Aerus (Varig) e dificuldades que ora atravessam o do Banco do Brasil, Caixa Econômica e Petrobras – vem agora o susto dos Planos de Saúde. A segurança da crescente população da melhor idade – que anos a fio contrataram este serviço na expectativa de usá-los quando o “Estado” falhasse – está apreensiva com as atitudes “excêntricas” da ANS – Agencia Nacional da Saúde Suplementar, que de modo obstinado tenta cobrir o rombo do SUS, punindo as empresas e Cooperativas que atuam nesta área, como a cinquentenária Unimed.

             ANS, usando “regulação” no mínimo temerária, tem causado um prejuízo monumental aos cofres do setor da Saúde Suplementar. Sobretudo nos casos de urgência e emergência, envolvendo pacientes com traumas, oriundos de acidentes ou vítimas da violência banalizada. Ao ser acionado o SAMU, o caminho é um hospital de traumas mais próximo, mantido pelo Governo Federal, com recursos do Ministério da Saúde. No preenchimento da ficha do paciente, o seu CPF indica automaticamente que o mesmo é usuário de um plano de Saúde. Todo o tratamento é feito, e a ANS manda cobrar a conta ou ressarcimento de seus gatos, ao plano de saúde contratado pelo usuário.

            O imbróglio é tamanho, semelhante à mesa com pouco pão, quando todos gritam e ninguém tem razão. Por exemplo: como usa esta receita extra a ANS, não prevista em orçamento? Qual a legalidade, se o Congresso não autorizou sua aplicação e definiu prioridades? E o “austero” TCU de Augusto Nardes? Como ele aprova esta transgressão normativa, sem a devida chancela Legislativa?

            Caberia a ANS pelo menos examinar o tipo de contrato do usuário com o prestador do serviço e observar a categoria de sua contribuição, carência; vigência… Não simplesmente cobrar os valores que custou o tratamento aos cofres públicos. Percebe-se que existem dois tipos de usuários da saúde para o Estado Brasileiro: o que não tem Plano de Saúde Suplementar, e os que possuem e pagam por eles. Saúde, Educação e Segurança são deveres Constitucionais. Mas, a grande contradição que a ANS não explica é a situação do paciente. Quem tem plano de Saúde Suplementar, recolhe também percentual de sua renda ao INSS, e tem uma “carteira” obrigatória do SUS, onde é cadastrado. Neste caso, paga duas vezes por um único serviço? Seria o mesmo que o aluno da escola privada ingressar nas Universidades Federais ou Estaduais, e ter que pagar pelo seu curso, por não vir do ensino da escola pública.

            Excesso de governo, leis e o gigantismo de um Estado “Leonino” têm criado dificuldades imensas para o contribuinte, cada dia mais hesitante sobre um futuro amedrontador que se desenha no presente. Quem vai nos garantir que não perderemos décadas de recolhimentos aos Planos de Saúde Complementar, caso os mesmos venham falir por intransigências e abusos da ANS? Legislativo e Judiciário devem ser acionados e se manifestarem sobre a proteção do cidadão, resguardando seus legítimos direitos

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O COMÍCIO DE SOUSA

Na quinta-feira (30.09.2010) que antecedeu o domingo das eleições (03.10.2010) estávamos no interior do Rio Grande do Norte quando o Jornal da Rede Globo de Televisão – segunda edição – divulgou a última rodada de pesquisas do IBOPE mostrando as tendências do eleitorado para escolha do governador e senadores da República. A diferença no RN era de 10%, com possibilidades de haver um segundo turno, o que de fato não ocorreu. Ligamos imediatamente para o então candidato a vice-governador da Paraíba Rômulo Gouveia, para sabermos o resultado do Estado. A voz semidepressiva do “gordinho” ecoou como um tiro seco: “Aqui perdemos… Não tem como reverter… José Maranhão está com 22% de vantagem”.

Passado o impacto instantâneo provocado pelo peso do percentual – lucidez recobrada – perguntamos se alguém, ou ele mesmo, acreditava num índice tão estapafúrdio. O “gordinho” foi enfático ao afirmar que sim. Era o IBOPE e a Rede Globo, que não tinham motivos para “inflar” números de uma coleta comprometendo a imagem do Instituto e da Emissora. Principalmente para favorecer candidato de um estado pequeno como a Paraíba. Insistimos no argumento – até para consola-lo – de que 22% representaria uma maioria de mais de 540 mil votos, levando-se em consideração que o TRE havia divulgado que estavam aptos a votar mais de 2,7 milhões de eleitores. Seria o mesmo que Ricardo Coutinho não conseguisse obter um único voto em Campina Grande, nem em João Pessoa. E nos demais municípios, a influencia das lideranças locais tinham grande importância. Maiorias nunca foram superiores a 20%, por menor que fosse o reduto. Tinha algo de errado, questionamos. E a última pesquisa para consumo interno, quais foram os números? Indagamos. “A gente ainda perde, insistiu Rômulo. Temos duas: uma com 8% outra com 10%.” Continuamos levantando a autoestima do então gordinho – hoje já bem mais magro – “se a de 8% for a mais correta – estimulamos otimismo – como Ricardo vem crescendo, José Maranhão em tese terá apenas 5%. Já que a diferença é de 3% para mais ou para menos. Neste caso, resta ainda apostar na abstenção do dia. O “já ganhou” vai fazer com que muitos “Maranhistas” deixem de votar. Principalmente os que moram em João Pessoa e Campina Grande e tem ainda domicilio eleitoral no sertão, Vale do Piancó; Cariri; Curimatau…” E para o Senado? Perguntamos. “Nas nossas internas Cássio aprece com 51% dos votos. Mas, ele não figura na do IBOPE. Nesta, Wilson está na frente de Vital Filho com 10%”.

O papo com Rômulo Gouveia durou quase uma hora. Ficou animado sobre a perspectiva dos efeitos negativos da pesquisa – que poderiam ser pior para José Maranhão – que para Ricardo Coutinho. E como arguição final, justificamos que a excelente posição de Cássio agregaria 80% dos seus votos ao Ricardo Coutinho.

No RN, domingo (03.10.2010) por volta das 18 horas, começamos a ensarilhar as armas.

Perdemos a guerra… Pesquisa de “boca de urna” tinha confirmado exatamente os números da quinta-feira, inclusive com a inimaginável derrota de Vilma de Farias para o Senado da República. Seis meses antes do pleito era imbatível. Mas, Garibaldi puxou Zé Agripino e Rosalba Ciarlini (governadora eleita). Pegamos o caminho de volta para Campina Grande, debaixo de bombas. Imaginamos que por aqui, o quadro pós-batalha estaria bem pior que no RN.

Primeira cidade da Paraíba no percurso da volta, Belém de Brejo do Cruz. As ruas lotadas, buzinaços… Paramos e perguntamos: qual foi a maioria de Maranhão? “O que? Respondeu um popular. Ricardo foi para o segundo turno”. Não acreditamos, milagres acontecem, mas nesta proporção é muita generosidade do Divino. “E quem foi eleito para o Senado?” Vitalzinho e Wilson Santiago. “Quantos votos Cássio Obteve?” Ninguém sabia.

Na segunda-feira conseguimos falar com o gordinho no final da tarde, por telefone. A euforia do domingo ainda o dominava. Mas, veio a grande preocupação. E o segundo turno? Tinham raspado o fundo do tacho. A campanha tinha que ir para as ruas e o caixa estava zerado. Militância para ser paga (bandeiras), gráfica (impressos). Postos de combustíveis… Como recomeçar? José Maranhão estava na cadeira do Palácio da Redenção e com o poder de caneta. Tinha elegido dois Senadores da República, não lhes faltavam disponibilidades de “meios”, e Exércitos prontos para o segundo combate. Suas tropas avançaram… No Estado Maior do Comando Socialista, a recomendação era defender-se. Manter-se nas trincheiras, e aguardar oportunidade para contra-atacar.

Sertão e o Vale do Piancó era o calcanhar de Aquiles. Dias 19 e 20 de outubro, os governadores reeleitos do Ceará e Pernambuco – Cid Gomes e Eduardo Campos – iniciaram sua turnê pela Paraíba. Tinham que reverter o resultado destas áreas, fortalecer Campina Grande, compartimento da Borborema e Cariri.

O “discurso” de Eduardo Campos no “comício de Sousa” teve um “poder de persuasão” impressionante, com repercussão em todo o sertão. Velhos generais maranhistas abandonaram o “campo da honra”. Por quê? A maioria em 29 de outubro de Ricardo atingiu 140 mil votos. Será que a “Operação Turbulência” revelará quem escreveu a “peça de retórica” do ex-governador Eduardo Campos?

Ontem, assistimos Arquivo Nacional – programa da TV Globo News – que exibiu documentário sobre o assassinato de PC Farias. Vinte anos, e o mistério continua… Queima de arquivo? Outros “mistérios” mais recentes estão começando a ser revelados. Eduardo Campos teria gerenciado caixa de 600 milhões de reais para coordenar a campanha de Dilma Rousseff no Nordeste, sua reeleição e a de Cid Gomes (CE). Seu acidente, também foi queima de arquivo? E sua visita à Paraíba no segundo turno? O último mistério ainda não revelado – pesquisa tendenciosa divulgada em 30.09.2010 – refere-se ao IBOPE e Rede Globo. Quem os pagou? Com a palavra os coordenadores da derrota de José Maranhão em 2010.

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EXPECTADOR

            A menos de 120 dias para realização das eleições municipais de 2016, o Governador Ricardo Coutinho aparenta não ter ainda entrado no “clima festivo” da democracia, mobilizando seu exercito de aliados, com vistas às disputas que ocorrerão nos 223 redutos paraibanos. Não se sabe se por inapetência ou estratégia, o silêncio do Governador e sua imobilidade, vinham deixando perplexos formadores de opinião e setores da mídia que acompanham o quotidiano dos acontecimentos políticos/partidários. Esta disputa não é a sua. As urnas o testarão só em 2018.

            Atordoados diante do “novo”, profissionais do Marketing e da Mídia ainda não dispõem na prateleira, o produto sazonal que será vendido nestas eleições, diferente das demais ocorridas desde a redemocratização do país. O eleitor com o olho em Brasília e outro em seu município, observa a “lama” da classe política se dissolvendo com a força da Lava-Jato. Os grandes ícones da moralidade pública – com assento e representação do povo no Congresso Nacional – hoje são enxergados como “crostas” impregnadas nas nossas instituições, que impediram por décadas, a transparência das cores que simbolizam a probidade. Nesse bojo, coube todas as legendas.

            O resultado das urnas de 2016 pode ser considerado como prévias, para o pleito geral de 2018 – quando serão eleitos Deputados Estaduais, Federais; Governadores; Senadores e Presidente da República. A partir de então, provavelmente se redesenhe um novo modelo para o personagem político, que identificará quais as mudanças de comportamento do eleitorado, e sua reação, diante do após “faxina” que o Ministério Público vem realizando nos Poderes Legislativo e Executivo.  Com exceção da contenda Presidencial, as conquistas dos demais cargos eletivos sempre tiveram uma influencia preponderante dos municípios e suas lideranças locais. Entretanto no momento, os verdadeiros interessados no resultado das urnas de 2016 – postulantes de 2018 – não estão conseguindo “descolar” suas imagens, do que ora está acontecendo no país, e manter sua tradicional “postura” sob a qual fincaram seus alicerceis onde foram erguidos os pilares do respeito e admiração da população.

            Quem de sã consciência imaginaria que o Senador Cássio Cunha Lima, o “menino de Ronaldo”, xodó de Campina, seria vaiado em pleno Parque do Povo – marco inapagável da gestão do poeta – na abertura do Maior São João do Mundo? Óbvio que ninguém. Mas, o fato aconteceu. Como relatou o companheiro Marcos Marinho, o episódio foi bem menor que sua repercussão. Todavia, a reação deve ser considerada como um “fato atípico” que merece ser analisado pelas principais lideranças partidária paraibana, com vistas a seu futuro. Não foi só Cássio que foi vaiado. Governador Ricardo Coutinho na inauguração do alambrado do estádio de futebol de Sousa (PB), ao invés de ser ovacionado pelo público agradecendo a obra, recebeu apupos da torcida em campo.

            Qual o candidato a Prefeito que terá a coragem de levar para seu palanque, a partir de agosto, um Congressista? Ou até mesmo um Governador? Se tiver votado pelo impeachment da Presidenta é considerado “golpista”. Contra, é corrupto. Fazer um “self” com um Deputado Federal, Senador da Repúbica ou Ministro de Estado e postar no “face”, é “pagar mico”. Todos os candidatos a Prefeito (2012) brigavam para ter Cássio, Maranhão, Ricardo Coutinho ou qualquer um dos doze Deputados Federais e três Senadores na abertura de seus comícios. Guardando as devidas proporções e suas exceções, o poder de “transferência” destes “mitos” políticos – outrora tão importante para muitos – hoje pelo que percebemos representará pouco, ou acrescentará quase nada. Até onde divisamos, candidatos e eleitores em Setembro estarão órfãos de lideranças partidárias – de estatura em níveis estaduais ou nacionais – que os referencie. Arriscamos um palpite: a escolha não será pelo melhor, o povo está cético quanto à existência de um político “bom”. Mas, dos males, irão preferir o menor.

            Governador Ricardo Coutinho até domingo último (12.06.2018) tinha escapado de ser pego no contrapé onde escorregou o Senador Cássio Cunha Lima. Mas, com certeza não fez pesquisas qualitativas para sentir a conduta da população, que mudou repentinamente frente aos acontecimentos diários de um pesadelo sem fim (Lava-jato Acrônimo e Zelotes). Ricardo combateu abertamente em defesa da Presidente afastada. Contudo, a última denuncia que atingiu até o ex-governador da Bahia Jaques Wagner – nas mãos de Sérgio Moro desde (09.06.2016) – o tempo fechou para os “surfistas”, recomendados às pressas, fazerem manobras “radicais”, redundando num mergulho rápido, até que a onda “tsunami” passe, e não “quebre” em cima deles, levando-os em redemoinho que culmine em afogamento ora evitável. A melhor posição do Governador – mais exposto pelo poder de caneta – ainda é permanecer como distante expectador.

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QUEM RESTARÁ?

            A metralhadora giratória do Procurador Geral da República – com rajadas ininterruptas – poderá dizimar todo o Congresso Nacional em pouco tempo, criando um fosso que exigirá uma “ponte”, mesmo que erguida através de uma via “institucional”, que assegure a sobrevivência do Estado de direito do Brasil. Dos quatro ex-presidentes (ainda vivos) três estão oficialmente “dedurados” pelos delatores da Operação Lava-jato, acusados de corrupção. Uma Presidente afastada e também “dedurada”. Um Presidente interino igualmente citado, porém ainda não investigado. Presidente da Câmara dos Deputados afastado pela Justiça, e do Senado respondendo a nove processos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Delação do Senador Delcídio Amaral menciona trafico de influencia, junto a Ministros do STF. Quem restará?

            Partindo do pressuposto que todos são suspeitos, e que existe uma conspiração contra as investigações da operação Lava-Jato, Rodrigo Janot tem exagerado na dosagem de sua “meizinha” anticorrupção. O “remédio” ao invés de curar nossa democracia, vai terminar matando-a, já que a mesma está a caminho da UTI.

            Ninguém conhece os Juízes e Procuradores das Operações “Zelote” e Acrônimo. Mas da Lava-Jato, até manifestos conclamando a população para mudanças em nossa Constituição seus Procuradores já o fizeram. Ocupam as redes de TV em seus noticiosos diários, e se assemelham ao “Capitão América” versão cone sul, século XXI.

            A discrição do Juiz Sérgio Moro é um capítulo a parte. Não faz esforço para “aparecer”. Mas, dada à carência e orfandade de nossa gente, que vive em busca de “Heróis” nas terras de “Macunaíma”, seu perfil se adéqua ao momento transitório que vive nossas frágeis instituições.

            A grande mídia tem sua culpa ou responsabilidade, no instante em que vulgariza os Poderes Constituídos e privilegia com seus “destaques”, o vilanismo escapista de réus confessos em suas delações premiadas, que pensando apenas em si, pratica o gesto temeroso do “abraço do afogado”. Combater a corrupção é um processo lento, porém eficaz, se for feito de forma punitiva, educativa e intimidatória, mostrando as crianças, jovens, adultos e até delinquentes, que o crime não copensa. O que ora estão fazendo é dizimando todos, que de uma forma ou outra, estejam ligados à classe política do país.

            Observem e constatem nos dias de hoje, a Constituição ser atropelada e a Suprema Corte acuada, temendo a voz das ruas, que ignora como funcionam nossos direitos e deveres consignados pela Carta Magna. Na nova regra que ora está em vigor – sendo aplaudida pelo povão – Juízes esqueceram a “presunção da inocência” e réu primário perdeu seu direito de responder processo em liberdade. Todos os presos da Lava-Jato constituíram os melhores Advogados do Brasil, e não encontraram argumentos nem Lei que convencesse os Ministros do STF a conceder um único Habeas Corpus a centena de detentos que foram trancafiados em Curitiba. Quando alguém é libertado, a mídia não fala do seu Advogado ou arguição apresentada. Comenta secamente: “O Juiz Sérgio Moro Libertou hoje…” Numa Constituição de 350 Artigos e milhares de Leis, o STF não enxerga, por exemplo, um artigo para garantir os direitos do Marqueteiro João Santana, que se apresentou voluntariamente na PF de Curitiba e teve depois sua prisão preventiva decretada? Ele estava fora do país há mais de um ano, e em liberdade não tinha, nem tem como prejudicar as investigações. Não é autoridade e nem tem “poder” para intimidar testemunhas. Por que João Santana e sua mulher ainda estão presos?

            Ainda tem “cara de pau” que fala do Regime Militar e seus abusos. Qual a diferença hoje, do comportamento dos velhos Generais da era do chumbo grosso? Mandavam prender e soltavam quando queriam depois que os detidos confessar aquilo que eles gostariam de ouvir. Torturas? A maior de todas é a psicológica. Imaginem-se presos, seus Advogados impotentes para soltá-lo, e só lhes restar uma alternativa, que é a delação? O que fariam? Como os presos do regime militar, a saída era entregar amigos e até familiares.  Quantas vítimas não foram acusadas como “Comunistas”, sem sequer saber o que era isto? Advogados procuravam Juízes que se recusavam em conceder Habeas Corpus. E se os fizesse, os Generais rasgavam. Era inútil se valer da Justiça, da mesma forma que nos dias atuais.

            OAB e Ministério da Justiça estão completamente sem nenhuma credibilidade. Em plena “Democracia” – pelo menos é o que supomos – a inflexibilidade aliada à intolerância se sobrepõe aos direitos da pessoa humana. Prevalecem à vaidade dos austeros protagonistas paladinos da justiça, que alimentam a turba, sedenta de sangue na grande arena de um nação combalida pelos efeitos da mais completa desordem social.

            Lembramos Joseph Marat e Robespierre nos tumultuados dias da Revolução Francesa. Não satisfeitos por terem guilhotinado o Rei e a Rainha, voltaram-se contra a Assembleia Constituinte. O clima de medo e terror imperava na França. Diariamente Marat em seu Jornal advertia: “Cabeças vão rolar…” E prendiam um dos membros da Assembleia, “suspeito” de traição, julgavam-no e o guilhotinavam. Até que numa manhã, Marat apareceu morto esfaqueado em sua banheira. À tarde, antes de Robespierre Chegar a Assembleia, os Constituintes se reuniram e decidiram: ou o predemos e o guilhotinamos, ou morreremos um a um. Prenderam Robespierre o guilhotinaram três dias depois. A paz reinou momentaneamente. Mas, não havia mais “clima” para se conduzir pacificamente a recém-criada e já moribunda República. Todos eram suspeitos e envolvidos. Veio Napoleão, acabou com tudo e se tornou Imperador. O caos é parturiente do populismo.     

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E AGORA RICARDO?

A sorte do principiante (teoria “alquimista” do escritor Paulo Coelho) assinala quadro sombrio, que pode ser interpretado nos dias de hoje, como final desta fase na trajetória vitoriosa do governador Ricardo Coutinho. Inaugurada nas eleições de 2004, conquistando o mandato de Prefeito Municipal de João Pessoa, o “socialista” deu início a uma sequencia de triunfos que se somaram em quatro vitorias consecutivas, com duas derrotas alternadas impostas aos dois principais caciques políticos da Paraíba: Clã Cunha Lima e José Targino Maranhão.

Adotando os ensinamentos do Príncipe (os fins justificam os meios) Ricardo Coutinho teve a antevisão do projeto de ascenção do então líder petista, ex-deputado federal Avenzoar Arruda, e em tempo hábil socorreu-se da suplente de deputada estadual Nadja Palitot (PSB), de quem obteve espaço em sua legenda, recém-conquistada por ordens expressas (intervenção) determinadas pelo saudoso Miguel Arraes de Alencar, Presidente Nacional da sigla. O partido era comandado pelo Deputado Estadual Gilvan Freire, aliado do poder municipal da capital, sob a tutela do “tucano” Cícero Lucena, então Prefeito de João Pessoa.

Inegavelmente a competência e o bom desempenho de Ricardo Coutinho nas eleições de 2004, surpreendeu a crônica política da Paraíba. Rui Carneiro – candidato derrotado – tinha apoio do Prefeito Cícero Lucena que lhes disponibilizou nos dois últimos anos que antecedera as eleições, a Chefia de Gabinete da PMJP. Era o Prefeito “de fato”. Como se não bastasse, Ricardo Coitinho ainda enfrentou o Palácio da Redenção – segundo ano da gestão do Governador Cássio Cunha Lima – no seu primeiro mandato. Um verdadeiro “rolo compressor” contra “o Mago”, que só nas convenções, conseguiu o apoio do PMDB de José Maranhão, compondo a chapa com o vice, Deputado Estadual Manoel Júnior. A “sorte do principiante” não foi a vitoria que muitos duvidavam. Foi à derrota inimaginável dos tucanos no primeiro turno.

Quatro anos depois, no momento de sua reeleição, o “Mago” correu o risco de aniquilar sua carreira política, quando descartou a aliança com o PMDB e pôs um técnico, engenheiro Luciano Agra, para ser seu companheiro de aventura. O gesto foi um sinal claríssimo de seus planos, com vistas a se “hospedar” no Palácio da Redenção.

Assistiu o embate no TRE e TSE envolvendo o Governador reeleito em 2006, Cássio Cunha Lima, e o derrotado José Maranhão. Sabia que a história era boa conselheira. Em enfrentamentos Gregos (Atenas e Esparta) existirá sempre a oportunidade para um Felipe da Macedônia. Cássio Cunha Lima cassado, José Maranhão assumiu o Governo, na certeza de sua reeleição. Alguém se recorda da frase “eu tenho até pena…”? pronunciada por Maranhão, respondendo a pergunta do apresentador, indagando em “off” sobre a provável candidatura de Ricardo Coutinho – intervalo de uma entrevista na TV Correio – sem se aperceberem que estavam no ar!

José Maranhão cometeu apenas dois equívocos. O vice de Ricardo não era mais do PMDB, e quando Presidiu a Comissão do Orçamento Geral da União, locou recursos na ordem de 260 milhões de reais para a PMJP. Enquanto o Prefeito de João Pessoa transformara a cidade num canteiro de obras, José Maranhão agonizava para manter a elevadíssima folha de pagamento do Estado em dia, recheada de PCCS das mais diversas categorias profissionais, autonomia financeira da UEPB; Corpo de Bombeiros… Legado de Cássio Cunha Lima prevendo sua cassação em definitivo pelo TSE, pondo em prática a política da “terra arrasada”. Conquistou a simpatia do funcionalismo público estadual, e deixou o abacaxi para o “Mestre de Obras” descascar.

O desejo revanchista do Clã Cunha Lima tinha como meta derrotar José Maranhão a qualquer custo, mesmo que tivessem de abraçar um crítico e adversário histórico do grupo. Não foi tão difícil à composição: Ricardo Coutinho Governador, Rômulo Gouveia vice e Cássio Senador. O Padrinho deste casamento foi o saudoso Governador de Pernambuco Eduardo Campos, caixa da campanha de Dilma Rousseff no Nordeste. Descartaram Cícero Lucena e Rui Carneiro engoliu “seco” a decisão, assegurando uma das vagas para a Câmara dos Deputados. Vitoria apertada no primeiro turno, mas no segundo, uma avalanche de 163 mil votos.

Prestigiando o “tucanato”, Ricardo Coutinho disponibilizou metade de sua equipe do primeiro escalão, para ser indicada por Cássio Cunha Lima. E por incrível que pareça, o acordo foi cumprido até o ultimo minuto do rompimento com o PSDB. Sem discurso ou justificativa, o Senador “tucano” cometeu o erro de se lançar contra o Governo Socialista, na expectativa de contar com o apoio, num eventual segundo turno, do vingativo PMDB de José Maranhão, punindo a criatura que se voltou contra o seu criador. Ex-Senador Vital Filho foi o fiel da balança da campanha. Lançou-se pelo PMDB e obteve 110 mil votos, sufrágios suficientes para provocar o segundo momento da disputa. Estes votos foram integralmente transferidos para Ricardo Coutinho.

Eduardo Campos partiu… O PMDB assumiu o comando do país, com apoio imprescindível do PSDB. Ricardo Coutinho não fala a mesma linguagem do PSB que está com Temer. O PT de Luis Couto está em baixa, sem caixa, e na oposição. Estados e Municípios insolventes. E agora Ricardo?

Dois anos apenas o separa do pleito de 2018. Acordo já está sendo alinhavado entre PMDB e PSDB. Um fica com o Governo, o outro com as duas vagas do Senado. O vice ficará com o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro ou Rômulo Gouveia. Qual o espaço de Ricardo Coutinho? Na falta da sorte, só a competência sobrevive. Para que ocorra isto, um gesto genuflexo de Ricardo Coutinho teria que sensibilizar Cássio ou Maranhão. Será que existe humildade para tanto? Ambos já experimentaram o remédio amargo para aliados, prescrevido pelo “Mago”.

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CRISE E CALENDÁRIO

Apesar dos abalos nos alicerces da sociedade brasileira – sacudida pela crise política, econômica, moral e ética instalada em todo o seu território – o calendário de nossa democracia assinala eleições municipais em outubro próximo, independente do que ocorra na refrega (impeachment da Presidente) que envolve os três poderes da nossa frágil, porém ainda resistente República. O pleito tem data e hora marcada: 02 de outubro de 2016, das 07:00 as 17:00 hs.

Nos dois principais colégios eleitorais da Paraíba – Campina Grande e João Pessoa – a disputa tem “características plebiscitárias”, já que os atuais prefeitos disputarão as ultimas reeleições permitidas pela mais recente minirreforma eleitoral. Romero Rodrigues e Luciano Cartaxo se submeterão ao julgamento popular de suas gestões, cabendo ao eleitor decidir sobre suas permanências ou não, como Chefes do Poder Executivo Municipal.

Os efeitos da operação Lava-jato e a PEC 377 (que concede mais autonomia ao Ministério Público) inverteram valores e privilégios para candidatos que contavam com a ajuda da “máquina”, no jargão do mundo político “candidato chapa branca”. Os partidos, advogados e a classe política tem consciência que será uma eleição literalmente diferente de todas, desde a redemocratização de 1945. Quarenta e cinco dias de campanha, fiscalizada por uma legislação rígida, contendo gastos e prospectando focos de corrupções (compra de votos). Partidos políticos passarão mais tempo nos fóruns que nas ruas em busca de votos. E qualquer que seja o resultado das urnas, a diplomação ou posse passará por decisões judiciais.

Em Campina Grande, Romero Rodrigues tem confidenciado a amigos íntimos sua preocupante intenção em não disputar. Pesa sobre seus ombros a responsabilidade de manter vivo o clã Cunha Lima, que ora mostra sinais de divisão, e está muito distante da cidade já por algum tempo. O vice-prefeito Ronaldinho não reside mais na Rainha da Borborema. Senador Cássio Cunha Lima também não tem mais domicilio na cidade, a exemplo de seu filho Deputado Federal Pedro Cunha Lima. Da velha-guarda, só quem ainda habita na Capital do Trabalho é Ivandro e Roberto, que atingiram a compulsória. Renato é um dissidente, e Tovar ainda não tem voo próprio. Deputado Estadual Manoel Ludgerio, fiel escudeiro da “eminência parda” Rômulo Gouveia, tem sinalizado as intenções do PSD compor a chapa com Romero Rodrigues. Sem um Cunha Lima?

Os Regos estão diante do mesmo dilema, ou pior ainda. O grande articulador Vital Filho está impedido de falar sobre política, pelas funções que exerce como Ministro do Tribunal de Contas da União. Deputado Federal Veneziano Vital do Rego perdeu seu conselheiro mor (o irmão) e grande parte de sua militância desertou da causa, por falta de apoio. Mesmo assim, propositalmente “assombra” os Cunha Lima, que ainda não fizeram a leitura correta das intenções do cabeludo: 2018, Senado Federal, ocupando a cadeira que pertenceu a seu irmão. São amplas as possibilidades de sua mãe Nilda Gondim ser a candidata pelo PMDB, aproveitando o momento nacional de prestígio que poderá desfrutar a sigla, em função do provável governo tampão comandado pelo Vice-Presidente Michel Temer.

Fechando o quadro de indecisões, ainda resta o governador Ricardo Coutinho, que tem seu futuro político no momento vinculado ao destino de Dilma Rousseff (ostracismo). Para permanecer na vida publica, o governador tem que participar das vitórias de Campina Grande e João Pessoa. No caso da Capital do Estado, a cada dia que passa suas chances diminuem. Em Campina Grande, ainda lhe resta a oportunidade de uma manobra que o aproxime de Romero Rodrigues, arrancando as garantias de um compromisso: Cássio e Ricardo para o Senado da República em 2018.

Parafraseando o saudoso Arcebispo de Olinda Dom Helder Câmara, que filosofou “é preciso se mudar muito, para permanecer o que somos”, é factível que a ideia dos Cunha Lima entrelaçarem seu projeto político com Ricardo Coutinho possa ser plausível. O conselheiro presidente do Tribunal de Contas, Arthur Cunha Lima, já tem tempo de aposentadoria. Pode se filiar a um partido político até 90 dias antes do pleito. Ricardo Coutinho indicaria o deputado Adriano Galdino para sua vaga no TCE, fato que levaria Arthur Filho a se tornar titular na Casa Epitácio Pessoa, e o PSDB se coligaria com o PSB, lançando Arthur Cunha Lima como o vice de Romero Rodrigues. Arthur Cunha Lima daria as garantias necessárias a Romero, para que o mesmo renunciasse em 2018 e pudesse voltar à Câmara dos Deputados, ou compor a majoritária (Governo do Estado) assegurando sua sobrevivência no mundo político. O conjunto destes acontecimentos criaria um “fato novo”, combustível indispensável para uma campanha vitoriosa. Impossível? Jamais. Difícil foi Cozete Barbosa (petista xiita) votar em Cássio Cunha Lima duas vezes. E José Maranhão consagrar uma segunda vitória de Ricardo, que lhe derrotou em 2010 e 2012 na disputa municipal da Capital.

A volta de um Cunha Lima à Prefeitura de Campina Grande é imprescindível para que o grupo se mantenha vivo politicamente após 2018. A transição para a “chegada” da nova geração seria comandada por Arthur Cunha Lima: o homem missão da família. Pedro, Tovar ou Bruno já teriam “musculatura” para a peleja (2020).

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AÇODAMENTO DO TRE-PB

Na abertura dos trabalhos (2016) do TRE-PB – última quarta-feira (03.02.2016) – duas ações de investigação Judicial Eleitoral (AIJE), impetradas pela coligação “A vontade do povo” oriunda do pleito de 2014 cujo candidato ao Governo do Estado era o Senador Cássio Cunha Lima, entraram na pauta de julgamento.

A primeira – AIJE dos Policiais – a coligação “A Vontade do Povo” alega que o Governador Ricardo Coutinho cometeu crime eleitoral ao conceder vantagens salariais aos Policiais Militares num ano eleitoral. Cinco dos sete Desembargadores consideraram improcedente (?). Seguiram simplesmente o parecer do MPE e do Relator. Um pedido de vistas evitou que se consumasse em poucas horas, um processo que requer aprofundamento nos exames de suas peças, compostas de arguições, que carecem de contraposições convincentes, embasadas na legislação, jurisprudências e entendimentos sobre o tema. Na mesma tarde e na sequencia, a AIJE Fiscal foi também submetida ao pleno. Acusação desta feita imputava o Governador Ricardo Coutinho de conceder isenção aos devedores do IPVA (proprietários de automóveis e motocicletas), caracterizando renuncia fiscal – tema complexo e matéria constitucional – realizado em ano eleitoral. Outro pedido de vistas barrou o açodamento do TRE-PB, no momento que o julgamento já tinha três votos favoráveis, ao Governador, a partir do Relator.

Na última década, as decisões do TRE-PB têm sido confusas, esdrúxulas e vexatórias. Algumas delas foram reformadas pelo TSE, fato prejudicial à imagem da Corte de Justiça Eleitoral da Paraíba, sob todos os aspectos. Senão vejamos: Nas eleições de 2010, o TRE-PB negou registro da candidatura do Senador Cássio Cunha Lima para o Senado da República. Diplomou em seu lugar Wilson Santiago, que desfrutou privilégios de “curtir” por mais de um ano de forma ilegal, respeito e privilégios de Senador da República, representando o Estado da Paraíba. Sentença reformada (TSE/STF) fez o TRE-PB contar os votos de Cássio Cunha Lima, diploma-lo e arrancar Wilson Santiago da cadeira de vice-presidente do Senado Federal. O Ministro Joaquim Barbosa, festejado pelos anti-Cunha Lima como algoz do clã – forçou renuncia de Ronaldo Cunha Lima e participou do julgamento da cassação do mandato do então Governador Cássio Cunha Lima – foi o Relator do processo eivado de erros grotescos, que tiraram mais de um ano de mandato do líder tucano. E quanto a Wilson Santiago? Quem reparou os danos morais causado a sua imagem? Este erro lhes custou à carreira política. Ficou sem espaço para continuar na Câmara dos Deputados e não voltou mais para o Senado.

Desde a cassação do mandato do ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima, o TRE-PB tem claudicado em suas decisões, pondo em risco o destino político dos envolvidos nas contendas que terminam sendo julgados por esta Corte de Justiça. Na sessão em rito corrido (30.07.2007) o TRE-PB em apenas seis horas, sem nenhum pedido de vistas dos Senhores Desembargadores, cassou o mandato do então Governador da Paraíba Cássio Cunha Lima. O Presidente Jorge Ribeiro da Nóbrega, logo após a sessão, telefonou para o então Senador José Maranhão, convidando-o para ir até o TRE-PB e ser diplomado como Governador do Estado. Não fora a intervenção do saudoso tribuno Vital do Rego, que acompanhava como convidado o julgamento, José Maranhão teria perdido o mandato de Senador e Cássio continuaria Governador, provavelmente com mais força para concluir seu mandato. Saudoso Vital do Rego em meio ao tumulto do Plenário do TRE-PB levantou a voz e interrompeu o falante Presidente advertindo: “tem que ser publicado os acórdãos, o réu notificado para apresentar defesa. José Maranhão não pode assumir de imediato”. Um cochicho a parte entre os membros da Corte, concordaram. Maranhão já estava com a carta renuncia (irrevogável) pronta para enviar por fax, para o Presidente do Senado. E se tem enviado? Registre-se: os motivos que cassaram o ex-governador Cássio Cunha Lima, são semelhantes aos hoje imputados ao Governador Ricardo Coutinho. Abuso de poder político e econômico no micro período eleitoral, que compreende de Janeiro a Outubro.

Outros erros cometidos nas decisões por “afogadilho” do TRE-PB estão armazenados nos anais da casa e da mídia. Prefeito Buba Germano foi cassado por maioria absoluta da Corte de Justiça Eleitoral da Paraíba. Um pedido de “Embargos de declarações” o “descasssou” uma semana depois (?). O mesmo Relator que pediu sua cassação fez outro relatório defendendo sua permanência. O ex-prefeito de Campina Grande, Veneziano Vital do Rego, na metade de seu segundo mandato, teve uma ação que também terminou no pleno do TRE-PB. O Relator pediu sua cassação, seguido por mais dois Desembargadores. O Presidente, que só vota em caso de empate, pediu vistas e suspendeu a sessão. Uma semana depois, Veneziano foi absolvido por unanimidade, inclusive com o voto do mesmo Relator que pedia sua cassação.

O Brasil vive um momento onde as esperanças do seu povo estão depositadas no Poder Judiciário. Principalmente nas Cortes de Justiça, Contas e Controle das Despesas. É necessário mais acuidade dos Tribunais evitando decisões intempestivas. O Ministro Barroso (STF) ao oferecer parecer sobre as regras do impeachment, ocultando um inciso do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, está sendo ameaçado de sofrer um impeachment. O feitiço virando contra o feiticeiro. A Câmara dos Deputados não aceitou sua intromissão indevida e alega desequilíbrio entre os Poderes da República. Quem legisla é o Parlamento. Vão denunciar Barroso ao Senado, que pode impedi-lo de continuar Ministro do STF.

Por que essa pressa toda do TRE-PB, em julgar as ações de crime eleitoral contra o Governador Ricardo Coutinho, antes do julgamento de suas contas pelo TCE-PB? O TSE notificou (04.02.2016) a Presidente Dilma Rousseff a apresentar defesa sobre uma AIJE e uma AIME oriundas do pleito de 2014. Se TSE tivesse a mesma urgência do TRE-PB, em sua defesa a Presidenta não teria que justificar as pedaladas fiscais, rejeição de suas contas pelo TCU; delações do empreiteiro Ricardo Pessoa da UTC onde se explicita o “caixa dois” e doações ilegais através de propinas. Estes fatos tornaram mais complexa da defesa da Presidente.

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