Sindicalista já havia alertado sobre contaminação em Boqueirão em 2015

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Profundo conhecedor do assunto, não apenas pelo fato de ser presidente (licenciado) do Sindicato dos Urbanitários, mas principalmente por ser geógrafo e com Mestrado em Recursos Hídricos, Wilton Maia Velez já vinha alertado sobre a contaminação por cianobactérias nas águas do Açude Epitácio Pessoa, Boqueirão, desde 2015 e mesmo antes já havia feito vários alertas à Cegapa e Aesa.

Ao Correio da Paraíba, na edição do dia 22 de novembro de 2015, numa matéria especial sobre o assunto, Wilton apontou que a contaminação por agrotóxico ocorre no açude Boqueirão. “Não acontece só lá, no sistema Coremas/Mãe D’água e em outras barragens do Estado também. Ao longo de décadas, o plantio de tomate, pimentão e banana usaram muitos agrotóxicos e pesticidas. O solo sofre alterações e a água também, porque quando chove, eles descem pra dentro do açude”, afirmou. “O tratamento oferecido hoje na água distribuída nas cidades não garante a retirada dos agrotóxicos. A Cagepa deveria fazer análise da água do açude Epitácio Pessoa a cada duas horas, na entrada e na saída, mas não faz porque ETA em Queimadas não tem laboratorista e químico”, denunciou Wilton.

O jornal informou à época que a Cagepa negou a informação e disse que monitora a qualidade da água. “Na estação de tratamento de água de Gravatá, que atende Campina Grande e cidades próximas, a cada duas horas, o operador coleta as amostras de água tratada e filtrada e, de imediato, analisa o cloro residual. Pela manhã, são analisados os parâmetros de PH, turbidez e cor. De seis em seis meses é feita uma análise dos níveis de metais pesados e agrotóxicos. Mensalmente, é feito o monitoramento de algas nos mananciais. Segundo os laudos, todos os parâmetros estão dentro dos limites aceitáveis preconizados pela Portaria 2914/2011, do Ministério da Saúde”.

Em 30 de junho desse ano, em vários portais do Estado, exemplo do paraibaonline – link http://paraibaonline.net.br/para-sindicalista-diretor-da-cagepa-pode-ser-preso-por-conta-da-agua-de-boqueirao/), o sindicalista  afirmou que não há análises mais aprofundadas na estação de Gravatá e que as feitas lá são apenas físico-química. “Se não colocar outras tecnologias na estação de Gravatá, teremos problemas”, disse.

Wilton ressaltou, naquele mês, que é preciso que as autoridades façam alguma coisa e que o Governo do Estado, a ANA, a AESA e o DNOCS estão olhando a situação “deitado em berço esplendido” e sem fazer nada. “Ainda há tempo do Governo, da Cagepa e das autoridades competentes tomarem as providencias”.

No dia 06 de junho, em entrevista à Rádio Correio, Wilton Maia revelou que o único tratamento feito até o momento é com adição cloro, sulfato e cal o que segundo ele, pode ser ainda mais prejudicial aos consumidores.

De acordo com Wilton, o procedimento está ultrapassado e em desuso em vários países e a tendência é cada vez mais piorar com o “descaso dor órgãos competentes”.

“A nossa maior preocupação é perceber a falta de providencia, faz três anos que batemos nessa tecla e ninguém resolve. A Cagepa, ANA e Aesa não dão resposta e o DNOCS não existe. É muita irresponsabilidade! Quanto mais tempo passar sem chuvas, mais vai ficar pior. Eu não tomo água de boqueirão e nem oriento a minha família a tomar e não é para tocar terror, a água de boqueirão não garante a potabilidade. Tem gente adoecendo, ainda tratamos água com cloro e cada vez em maior quantidade e o estomago como fica? – questionou em junho o sindicalista, que garante que não existe solução a curto prazo e neste momento é indicado acionar o Ministério Público Federal.