Ciclovia a beira-mar desaba no Rio de Janeiro e deixa ao menos dois mortos

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Um trecho de 50 metros da ciclovia Tim Maia, que une as praias de Leblon e São Conrado, no Rio de Janeiro, desabou na manhã desta quinta-feira apenas três meses após sua inauguração. A estrutura da ciclovia, elevada acima do mar, teria sido atingida por várias ondas gigantes que desmontaram seus apoios e fizeram ela cair como “uma folha de papel”, segundo testemunhas. Dois homens que estavam no local no momento da queda foram encontrados mortos no mar, segundo o Corpo de Bombeiros e há, pelo menos, mais um desaparecido.

A ciclovia foi um dos projetos estrelas do prefeito Eduardo Paes que, em janeiro e com o pé quebrado, a inaugurou enquanto andava num triciclo em plena febre pré-Olímpica. O projeto, cujas obras levaram mais de um ano e meio, custou quase 45 milhões de reais e se estende por 3,9 quilômetros. Pedro Paulo Carvalho, secretário executivo de Coordenação, braço direito de Paes e pré-candidato à Prefeitura, afirmou que aguarda a chegada dos engenheiros responsáveis pela obra e qualificou de “desastre inaceitável” a tragédia. Questionado, no entanto, se houve uma falha na construção da ciclovia, Pedro Paulo não confirmou e pediu prudência.

Segundo o secretário, a responsável pela construção desse trecho da ciclovia é a empresa Concremat. A empresa de engenharia foi citada nas delações da Operação Lava Jato como tendo pago uma das companhias de fachada controlada pelo doleiro Alberto Youssef e por possíveis desvios nas obras da transposição do rio São Francisco. Mauro Viegas Filho, o fundador da companhia e hoje presidente de Honra do Conselho de Administração das Empresas Concremat, é o avô do Secretário Especial de Turismo da cidade, Antonio Pedro Viegas Figueira de Mello.

A tragédia pode frustrar os planos de Paes que prometeu para o mês de abril inaugurar um novo trecho que ligasse São Conrado à Barra da Tijuca, cenário dos Jogos Olímpicos de agosto.

El País